Notas da Autora:
Yo, people~~
Aqui está: penúltimo capítulo de Roommate. \0/
Sério! Sério. Sério.. Eu achei, por várias vezes, que não conseguiria terminar essa fic! Nem acredito que estou já tenho data para postar o último capítulo!
Para quem não está conhecendo agora as minhas histórias (e para que está acompanhando as outras tbm) queria informar que já retomei a escrita de LIVRAI-NOS DO MAL, LEAD-ME e SHUNKASHUUTOU.
Assim que finalizar essa história, voltarei a postar e cuidar das que estão paradas, então, stay tunned!
Ah!
E sobre o capítulo de hj: Não me matem! Ainda tem mais um! Não se esqueçam disso! Eu juro! HAHAHA
Deixem nos comentários o que vcs acharam do capítulo de hj e as expectativas para o próximo!
Beijos e boa leitura =*
"So please tell me why don't you come around no more?
Cause right now I'm crying outside the door of your love store"
The game of love – Santana
O pequeno Sasuke estava correndo. Correndo em meio a uma escuridão que parecia não ter fim. Há quanto tempo? Não sabia dizer, mas sabia que já era tempo o suficiente para suas pernas se sentirem exaustas e o desespero por chegar a lugar nenhum começar a tomar seu coração.
Tou san, Kaa san, Nii san... Para onde foram todos? Por que o haviam abandonado? Ele ainda era tão inocente... Confiava tanto neles! Mas estava sozinho, com medo e com frio.
Lágrimas grossas começaram a rolar pela sua face. Queria gritar, mas a sua voz não saía e não havia ninguém para ajudá-lo, ninguém para fazer toda aquela escuridão desaparecer. Sentou-se no chão abraçando as pernas pequeninas e escondendo o rosto nos joelhos. As mãos infantis apertavam a pele pálida até deixá-la vermelha pela compressão do sangue. Era assim que os adultos amavam? Então Sasuke nunca amaria ninguém...
"Sasuke… Sasuke..." Ouviu uma voz lhe chamar, mas não respondeu.
Ao olhar ao longe, viu no meio da escuridão um pequeno ponto de luz. Estava muito fraco, porém, pode perceber que havia alguém ali: Uma figura pequena, de cabelos curtos e escuros. Estava sentada no chão chorando sozinha, com as pequenas mãos alvas cobrindo os olhos. Começou a correr em sua direção. Correu e correu durante o que pareceram horas, porém, por mais que corresse, ainda assim, aquela luz não se aproximava.
"Sasuke… Sasuke..." A voz insistia: "Cuidado..."
Parou e procurou quem o chamava, mas não encontrou ninguém. O que queria dizer aquilo? Cuidado com o quê? Não entendia o que aquela voz, que agora se calara, queria dizer.
Voltou a correr e percebeu que não era mais uma criança. Da mesma forma, a pequena que chorava longe de si, também não mais o era. Correu o mais rápido que pode, e, dessa vez, o corpo forte de um homem feito, conseguiu aproximar-se do foco de luz. A jovem de cabelos longos estava imóvel, em pé, de costas para Sasuke, olhando fixamente para algum lugar na escuridão. Apesar de não ver seu rosto, reconheceria aquela silhueta em qualquer lugar...
"Hinata." Chamou por seu nome, mas a Hyuuga não respondeu.
Uma sensação de plenitude encheu seu peito. Não estava mais sozinho naquele lugar escuro. Estavam tão próximos que poderia simplesmente estender as mãos e tocá-la em seus ombros...
Foi quando percebeu que suas mãos estavam indescritivelmente sujas e que seu toque havia enlameado o corpo da jovem. Não sabia de onde havia vindo tanta lama até que olhou para seu próprio corpo e entendeu: estava imundo.
"Sasuke..." A voz chamou novamente.
Porém, ao levantar os olhos, o Uchiha pode apenas ver os orbes perolados de Hinata cheios de lágrimas sendo tragados pela escuridão.
Estava sozinho de novo.
O Uchiha acordou com a luz do sol batendo diretamente em seu rosto. Estava com o corpo todo suado, apesar das temperaturas amenas trazidas pelo outono japonês.
Apesar de já estar desperto, se recusou a abrir os olhos. Sua cabeça doía como se estivesse de ressaca por culpa, novamente, daquele sonho… Sempre que o tinha, acordava sentindo que um elefante havia sentado sobre si durante a noite.
Revirou-se na cama e levantou-se com dificuldade. Correu os dedos por entre os cabelos arrepiados e esfregou as pálpebras. Com o corpo ainda torpe de sono, caminhou até a sala. Estava vazia. Foi à varanda, sala de jantar, cozinha… Nada de Hinata. Caminhou até o seu quarto, bateu na porta, mas, como não obteve resposta, abriu e constatou que a jovem havia saído cedo, novamente, sem despedir-se do moreno.
Um sentimento de abandono invadiu o Uchiha. Algo muito parecido com o que sentiu na primeira noite que passou sozinho após deixar a casa de seus pais. Hinata estava deixando-o aos poucos...
Adentrou o quarto da Hyuuga e sentou-se na beirada de sua cama. O edredom branco-marfim de alta qualidade estava impecavelmente arrumado e ainda exalava o perfume que ela usava. Sasuke correu os dedos pela superfície macia, enquanto rememorava alguns dos momentos que dividiram ali. Sorriu amargamente para si mesmo. Sua confissão, feita dias atrás, havia sido sumariamente ignorada e ele não possuía mais nenhum argumento novo que pudesse usar e convencer a Hyuuga a não deixá-lo. Sentia-se como um louco gritando perdido no deserto: Ninguém o ouvia e, mesmo se ouvisse, não acreditaria.
Como um lampejo, o significado daquele sonho recorrente veio a sua mente: aquilo com que precisava ter cuidado era consigo mesmo e suas atitudes. Por estar frustrado com sua família, resolveu reprimir seus sentimentos de tal forma que se isolou de tudo e de todos. Fingia estar feliz quando na verdade sentia um enorme vazio por dentro. Contudo, quando encontrou alguém com quem poderia dividir seus caminhos, já estava muito sujo com o rancor e os sentimentos negativos que carregou nos últimos anos e acabou contaminando-a também.
Como poderia pedir que Hinata o amasse se ele mesmo havia convencido-a de que sentimentos só atrapalhavam as relações e que viver conforme suas conveniências era a verdadeira felicidade? Hinata era uma garota esperta demais para insistir em algo que não tinha propósito. Havia feito sua escolha e o Uchiha sabia que não poderia recriminá-la por, logicamente, não ter sido ele…
Parecia que, no final das contas, Ino tinha razão: o que faria agora que estava apaixonado por Hinata? Não sabia responder.
~x*X* *X*x~
O salão tradicional da mansão Hyuuga fora transformado em um verdadeiro quartel-general para o batalhão contratado de consultores super especializados para cuidar da decoração, comida, figurino, lista de convidados, local e tudo mais o que se referia à cerimônia de união dos herdeiros das famílias Shimura e Hyuuga.
Naquela manhã, durante a apresentação do plano de ação dos preparativos, fora definido que o ideal seria que Hinata e Sai se casassem em uma cerimônia tradicional em um templo xintoísta antigo e bem conhecido no centro de Tóquio: o templo Hikawa. O lugar ficava no calmo bairro de classe média alta de Akasaka e era dedicado ao deu Susanowo e sua esposa Kushinada Hime. A sabedoria popular dizia que casar-se ali era garantia de um matrimonio unido e duradouro. Ademais, o tempo frio do início do inverno, estação da data do casamento, tornaria confortável o uso dos quimonos tradicionais: refinados e cheios de camadas espessas de tecido. Também definiram que, após a cerimônia, os convidados seguiriam para um grande salão de festas onde seriam realizados os cumprimentos e o grande banquete. O lugar era um dos maiores da cidade e extremamente luxuoso com capacidade para 300 pessoas. Porém, havia sido decidido que convidariam apenas 150 como forma de garantir a sensação de exclusividade do evento. Entre os pouco privilegiados presentes estariam, empresários, políticos, pessoas relacionadas a nobreza e a alta sociedade e, não tão obviamente, familiares e alguns poucos amigos. A lua de mel seria em um romântico hotel à beira-mar nas Filipinas. Assim os noivos poderiam passar a noite de núpcias sozinhos em um ambiente paradisíaco. Como executivos de uma grande empresa, os consultores decidiam tudo e apresentavam através de power points a Hiashi e Danzou que davam a palavra final. Os patriarcas não estavam economizando para tornar o evento um verdadeiro evento marco na alta sociedade e exigiam que tudo ocorresse o mais próximo o possível da perfeição. Aos noivos, caberia apenas sorrir e dizer "que lindo", "será ótimo", "obrigado pelo bom serviço".
No dia anterior, quando sua irmã caçula, Hanabi, e seu primo mais velho, Neji, retornaram ao Japão interrompendo temporariamente os estudos, Hinata imaginou que ambos estariam ali a fim de lhe fazer companhia em um período tão tribuloso de mudanças bruscas. Porém, logo após chegarem, descobriu que, na verdade, os dois estavam apenas sendo incumbidos de fiscalizar e administrar de perto determinadas etapas do casamento. Shimura Daizou e Hyuuga Hiashi também estavam imersos em seu trabalho, analisando os tramites legais dos contratos nupciais e, principalmente, dos contratos empresariais que envolviam a união das fortunas. Todos ocupados demais, compenetrados demais, entretidos demais para perceber que os noivos se entreolhavam não com amor, mas com a cumplicidade de dois doentes que dividem o mesmo quarto de hospital.
Desde o anúncio da data e o início das preparações, apesar de sempre estar cercada por um batalhão de pessoas com perguntas, provas, medições, pedidos e agendamento de compromissos, Hinata sentia-se extremamente sozinha. Os poucos momentos de exceção eram aqueles em que tinha a companhia de Sakura ou de Sai. Como melhor amiga da noiva, a rosada ia com a morena a alguns de seus compromissos de preparação, provas e reprovas. Contudo, era uma companhia esporádica dado ao fato de que a Haruno também tinha uma agenda particular bem cheia. Sai, por sua vez, estava cumprido o que prometera a Hinata. Se esforçava ao máximo para agir como um noivo de verdade. Apesar de também ser um homem ocupado, fazia questão de, sempre que possível, estar a seu lado no momento das decisões. Por mais que a palavra final nunca fosse de ambos, segurava a mão da Hyuuga para que a jovem soubesse que ele também estava ali.
Mas, a verdade é que havia um vazio no peito de Hinata que nada conseguia encher. As palavras da confissão de Sasuke ressoavam todos os dias em sua mente e faziam seu coração acelerar em um misto de ternura e tristeza. Não podia se deixar levar por seus sentimentos! Já não havia volta no caminho que escolhera. Então, repetia para si mesma todos os dias, como uma espécie de mantra, que, no final, tudo daria certo. Sai era um bom homem. Estava se esforçando e ela também deveria fazer o mesmo: Precisava se esforçar para apagar de suas lembranças o tempo com o Uchiha e conseguir ser seguir ao lado de seu noivo em uma vida nova.
~x*X* *X*x~
Os braços de Naruto já estavam ficando dormentes. Sentia o sangue parando de fluir e a pele ficando cada vez mais pálida mas, não iria desistir! Não era o tipo de pessoa que fazia duas viagens carregando sacolas do mercado até em casa!
Dias antes, havia entrado em uma discussão com Gaara sobre como fazer um autêntico lamen em casa. O ruivo Sabakuno tinha a receita mais louca que Naruto já havia ouvido na vida. 3 dias cozinhando ossos para fazer o caldo?! Que besteira! Ia mostrar para o namorado que sua receita era muito mais rápida, fácil e gostosa. O problema é que estava atrasado com os preparativos, pois tinha perdido tempo demais dentro do supermercado procurando os ingredientes perfeitos. Por sorte, sua casa já estava perto. Era apenas uma questão de virar na próxima esquina e... As pernas do Uzumaki travaram no momento em que seus olhos caíram sobre a figura parada em sua porta: O cretino-mor, Uchiha Sasuke, sentado sobre sua moto, com o celular no ouvido olhando para a sacada do pequeno apartamento do loiro.
Apesar de sua mente gritar saia daí, Naruto não conseguia se mover. O que mais o moreno poderia querer com ele? Um misto de raiva, ansiedade e medo tomou de conta do rapaz que, quando finalmente, conseguiu mover-se, foi tarde demais.
"Naruto!" Sasuke chamou, mas não foi atendido.
O loiro deu meia volta e começou a caminhar rapidamente na direção oposta à de sua própria casa. O Uchiha chamou novamente e, diante do recuo do loiro, correu atrás do Uzumaki.
"Espera ai! Quero falar com você, dobe!"
Sasuke já estava lá há quase 40 minutos. Havia tocado a campainha do apartamento por mais de 4 vezes. Decidira, então, ligar. Pegou o smartphone e digitou rapidamente os números que sabia de cor e que, logo, o sistema identificou como Uzumaki Naruto. Chamava uma vez e logo caia. Provavelmente, o número do moreno estava na lista de bloqueios... Não importava! Esperaria por seu retorno e não sairia dali até que ficasse cara a cara com o ex-amante e tivessem uma conversa franca.
"Conversar o quê? O que você acha que ainda tem para me dizer que possa me interessar?" Naruto falou firmemente.
Não havia sinal algum de hesitação, afeto ou fraqueza em sua voz. Nada que pudesse dar algum tipo de vantagem ao Uchiha. Sasuke teria que ser franco e verdadeiramente honesto se quisesse que suas palavras de fato fossem ouvidas pelo loiro.
"Podemos entrar? Não gostaria de falar da nossa... da minha vida no meio da rua."
"Não. Fale o que você tem para falar logo e vá embora." A fala ríspida de Naruto já era esperada pelo Uchiha que apenas suspirou e disse calmamente:
"Por favor. Não estou aqui para fazer nada além de conversar com você. E, também, essas sacolas parecem bem pesadas..."
Naruto olhou para os próprios braços e percebeu que começava a perder o tato devido à falta de circulação sanguínea.
"Ok. Mas tem que ser rápido. Estou esperando alguém."
Com Naruto indo na frente, os dois subiram as escadas e viraram no primeiro corredor, entrando na terceira porta. Caminho mais do que conhecido por Sasuke que já havia perdido a conta de quantas vezes havia estado ali.
"Ojamashimasu." O Uchiha disse enquanto tirava os sapatos no genkan e adentrava o apartamento de Naruto.
E estrutura era a mesma, mas tudo estava bem diferente. Limpo e organizado. Havia também um aroma de lavanda no ar que emanava dos odorizadores de ambiente espalhados pela casa.
"Parece que você encontrou uma ótima governanta" O moreno comentou impressionado enquanto sentava-se no sofazinho que, agora, tinha almofadas macias e limpas decorando-o.
"É meu namorado. O hobby dele é arrumação..." O loiro gritou de dentro da cozinha.
Ah! Então era isso! Naruto estava em outra! Sasuke perguntou-se desde quando. Afinal, havia se passado apenas alguns meses desde sua briga... Riu para si mesmo. Não podia deixar de sentir-se estranho, afinal, Naruto que sempre fora tão decidido em relação ao Uchiha, também o havia deixado...
"Aqui."
O loiro Uzumaki colocou uma xícara tradicional japonesa com chá verde na mesa de centro e sentou-se na poltrona ao lado de Sasuke.
"Pode falar. O que tem de tão importante para me dizer?"
"Vim te pedir perdão."
Naruto quase engasgou com chá quente quando ouviu essas palavras. Uchiha Sasuke pedindo-lhe desculpas? Devia ser algum tipo de cilada...
"Sei que fui a causa de momentos ruins em sua vida e que você, com toda razão, gostaria de esquecer que me conheceu. Mas, também tivemos momentos bons, então não seria justo deixar você ir sem ouvir que eu sinto muito."
Naruto riu debochadamente e disse:
"O que você está planejando? Seja o que for, eu não vou cair dessa vez..."
Sasuke bebericou um gole do chá antes de responder:
"Nos últimos dias, refletindo sobre a minha vida, vi quanto coisa errada eu fiz. Minha necessidade de autoafirmação fez com que eu fosse rude, insensível e cruel. Quebrei o coração de pessoas como você, que estavam dispostas a me amar, que eu desprezei sem pensar duas vezes."
Naruto segurava sua xícara a meio caminho da boca, atônito. Esperava qualquer coisa daquela conversa. Trapaças, desprezo, desdém, até mesmo, uma ilógica tentativa de reconciliação, mas não esperava aquilo. O moreno estava sendo tão franco e decente que o Uzumaki quase não o reconhecia. Apesar de ter a voz do Uchiha, o rosto do Uchiha, definitivamente devia ser outra pessoa.
"E você acordou um dia e pensou: Nossa! Fui um filho da pxta com geral! Vou pedir desculpas e vai todo mundo aceitar na boa." O loiro ironizou.
"Aconteceram várias... coisas nos últimos dias que me fizeram mudar de postura. Principalmente com relação a você. Sei que pensa que sou um monstro e eu realmente mereço que me veja assim. Mas, se possível, de alguma forma me perdoe."
Um silêncio pesado ficou entre os dois rapazes. Naruto apenas olhava para Sasuke sem dizer nada. Os orbes azuis procuravam algum indício, mínimo que fosse, da máscara que o Uchiha usava e o mantinha fora do alcance de todos, porém não encontrou. A firmeza demonstrada pelo moreno vinha da sua determinação em ser honesto e não do desejo de transparecer algo. Inspirando profundamente, Naruto colocou a xícara de chá vazia de volta à mesa e perguntou:
"Tudo isso é porque você se apaixonou pela Hinata, não é?"
O moreno não respondeu e o loiro continuou:
"E agora quem está sendo desprezado é você, certo?"
Sasuke apenas desviou os olhos para algum ponto perdido na mesinha de centro e ouviu as palavras do Uzumaki em silêncio:
"Sabe, eu quase sinto algum tipo de pena de você agora. Porque sei exatamente o que está passando agora... Mas, eu encontrei alguém de quem eu gosto, que me valoriza de verdade e estou disposto a amar essa pessoa, por mais que isso só venha com o tempo. Talvez você devesse fazer algo parecido: Hinata não te quer ao lado dela, então deixe-a seguir sua vida em paz e tente, primeiro, melhorar a si mesmo antes de tentar se envolver com outra pessoa novamente."
~x*X* *X*x~
No restaurante refinado, a música ambiente era uma bossa nova cantada em inglês. Ino havia sido convidada para um jantar com intensões mais do que óbvias por Nara Shikamaru, o jovem diretor teatral de sua peça, tido como um dos mais promissores do país.
"Um brinde à mulher mais linda de toda Tóquio."
Apesar da pouca idade, Shikamaru era chamado de gênio pela mídia especializada; suas montagens sempre lotavam as casas de espetáculos e qualquer coisa que carregasse o nome do rapaz na área causava a instantânea impressão de alta qualidade. Devido a isso, não foi de se estranhar que sua insistência na montagem de uma peça teatral mediana estrelada por uma atriz novata, causasse tanto rebuliço. Especulações começaram a surgir: diziam que ele havia brigado com os demais membros de sua produtora e desejava seguir de forma independente. Outros diziam que ele estava em uma jornada para encontrar novos artistas para trabalharem exclusivamente em suas peças entre outras fofocas que despontavam aqui e ali no meio artístico. Contudo, a verdade era uma só: havia sido capturado pelo charme da loira Yamanaka.
"Que exagero!" Ino disse apesar de estar visivelmente lisonjeada.
"Não a meus olhos!" O rapaz contradisse com um sorriso sedutor.
Tocaram as taças e o clique agudo de cristais em contato foi ouvido apenas pelo casal. Ino levou a taça do vinho refinado aos lábios sentindo o sabor invadir seu paladar. Era um Bordeaux. Encorpado e aveludado, com distintos toques de groselhas negras e cramberry. Um pouco mais seco do que Ino costumava beber mas, com certeza, um vinho caro. Shikamaru não estava poupando esforços para impressioná-la e a Yamanaka gostava disso. Ele mandava-lhe rosas depois das apresentações, tirava momentos em seu dia corrido para telefonar e sempre mandava uma mensagem de boa noite. Depois de tanto tempo evitando relacionamentos e fugindo de investidas por medo de machucar-se novamente, o diretor Nara parecia ser o tipo que valia a pena permitir uma aproximação.
"Mas vamos deixar bem claro que, por enquanto, este é apenas um jantar, senhor diretor."
"Me contento com esse começo singelo."
A Yamanaka gostava daquele tipo de personalidade. O rapaz era franco e direto sem ser descortês. Apesar de extremamente perspicaz e inteligente, não era pedante nem egoísta. Sua personalidade era marcante, porém, desinteressada. Um tipo de cara reservado que não se esforçava para deixar uma grande impressão nas pessoas. Era tão discreto que conseguia disfarçar seus interesses até quando fosse oportuno revelá-los. Fisicamente, o jovem diretor também era o tipo que agradava Ino. Alto, cabelos e olhos escuros, estilo próprio. Sempre usava os cabelos amarrados em um coque no alto da cabeça, brincos nas orelhas e pele naturalmente bronzeada. Quando estava com a loira Yamanaka procurava evitar, mas o Nara era um fumante de longa data. Aproximou-se da loira com a mesma sutileza com que comandava suas peças. Com um elogio aqui, um comentário ali, flores, palavras de incentivo, um café e, finalmente, o convite para esta noite. Ino havia esquecido como era a sensação de se sentir desejada e admirada por alguém tão interessante depois de tanto tempo.
O garçom serviu a salada de entrada a ambos e a loira comentou:
"Adorei sua escolha de restaurante. Há tempos quero vir aqui, mas nunca encontro uma folga."
"Que bom! Na verdade, essa também é a primeira vez que venho aqui. Não entendo nada de comida francesa." Shikamaru respondeu honestamente.
"E como sabia que era o meu tipo favorito?" Ino perguntou impressionada.
"Perguntei para aquele seu amigo."
Os detalhes estavam tão perfeitos que a fonte das informações só podia ser uma:
"Sasuke? Quando?"
"Dias atrás quando fui a Hinokuni Daigaku. A produtora está querendo montar Shisengumi em um teatro profissional e fomos conhecer o elenco."
Sim! Era verdade! Lembrava-se de ouvir algo do tipo...
"Então, quer dizer que você decidiu usar artilharia pesada?" Ino perguntou com um sorriso sestroso.
"Apenas consegui informações privilegiadas com o melhor amigo da garota, afinal, no amor e na guerra, vale tudo!" Shikamaru respondeu com tom jocoso enquanto arqueava uma das sobrancelhas.
Ino riu e bebeu mais um gole do vinho bordeaux. Então, subitamente, sentiu seu estômago apertar e uma tristeza sem igual invadir seu peito. Era algo tão forte que fazia, até mesmo aquele vinho saboroso, parecer vinagre em sua boca.
"O que houve? Está tudo bem?" Shikamaru perguntou aflito percebendo o rosto pálido da Yamanaka.
"Me desculpe! Preciso ir ao toilete." Levantou-se apressada.
Alguém estava triste.
Não qualquer tipo de tristeza, mas algo poderoso o suficiente para fluir e penetrar em seu coração. O rosto de Sasuke veio-lhe a mente e teve uma vontade imensa de chorar. Seria dele aquele sentimento? Seu vínculo com o Uchiha dizia-lhe que sim. O moreno estava triste e chorando em algum lugar…
Abriu a torneira de uma pia qualquer no toalete feminino e jogou um pouco de água gelada no rosto. Pegou o celular e discou os números que sabia de cor. Um dois, quatro, seis, dez toques e nada. Havia algo de errado com o Uchiha. Respirou fundo e tentou se recompor. Precisava ajudar o amigo, mas também precisava ajudar a si mesma. Terminaria o jantar com Shikamaru e, depois, procuraria o Uchiha. Fosse o que fosse, estaria lá para ampará-lo.
~x*X* *X*x~
"Tadaima." Hinata disse entrando em casa, mas não obteve resposta.
Apesar da porta aberta, a herdeira Hyuuga percebeu que o apartamento estava totalmente silencioso. Entrou em casa e tirou os sapatos. Colocou a bolsa sobre o aparador e jogou-se sobre o sofá. Depois de ligar a televisão, assistiu 5 minutos de um programa de auditório qualquer que estava sendo transmitido... Contudo, algo a incomodava. Tudo estava muito silencioso.
"Sasuke kun..." Chamou pelo moreno, mas não ouviu resposta.
Levantou-se e caminhou até a varanda, sala de jantar, cozinha… Nada do rapaz. Caminhou até o seu quarto. Bateu na porta, mas, novamente, não obteve resposta. Algo estava estranho. Talvez Sasuke tivesse saído para comprar o jantar, como fazia de vez em quando…Uma ansiedade suspeita invadiu Hinata que decidiu ir até a cozinha. O Uchiha não estava ali, mas, em cima da mesa, estava um pequeno molho de chaves propositalmente colocado. Eram as chaves do Uchiha...
Hinata correu até o quarto de Sasuke e abriu a porta sem bater ou chamar pelo rapaz. Estava vazio. Nada de roupas, calçados ou qualquer indício de que um dia houve alguém ali.
Então era isso! Ele havia ido embora...
Suspirou. Sasuke havia ido sem deixar uma palavra de despedida, um agradecimento, um nada. Hinata apertou o molho de chaves entre as mãos alvas e as observou inexpressiva. Era uma saída bem ao estilo do Uchiha… Ótimo!
Voltou para a cozinha e encheu um copo com água. Ele havia feito bem! Sentando-se a mesa, a Hyuuga apenas conseguia imaginar que aquele era o desfecho mais adequado para sua história com o moreno. O que mais eles iriam dizer um ao outro? Não havia mais nada o que conversar, nada mais o que argumentar. Então, estava tudo bem se Sasuke saísse de sua vida daquela forma. Estava tudo bem! Estava tudo bem!
Tudo bem... Repetia para si mesma à medida que as lágrimas escorriam grossas por seu rosto.
Vocabulário:
"Então, por favor, me diga por que você não se aproxima mais?
Pois, agora mesmo, eu estou chorando do lado de fora da sua "Loja do amor"
The game of love – Santana
Tou san - Uma das formas informais de dizer pai
Kaa san - Uma das formas informais de dizer mãe
Nii san - Uma das formas informais de dizer irmão
Ojamashimasu - Frase que se diz ao entrar na casa de alguém. Algo como um "com licença" especial.
Notas finais:
Beijos e, lembrem-se: nós nos amamos e ainda tem outro capítulo^^
