Notas da Autora:

Yo people~~

Uau... no ar, o último capítulo de Roommate... Estou até sem palavras HAHAHA

Ao todo levei 5 anos para escrever essa história, mas concluí. Para vcs verem que eu compro minha palavras quando digo que nunca abandono uma história^^

Esse é o maior capítulo da história, no qual tentei fechar tds as pontas soltas. Acredito que consegui! Espero que gostem e nas notas finais tenho outro recado para vocês.

Beijos e boa leitura =*


"I've found a reason for me. To change who I used to be.

A reason to start over new. And the reason is you."

The reason – Hoobastank

Os dias posteriores à partida de Sasuke se passaram como um filme para Hinata: assistia a tudo passivamente, sem ter poder algum para alterar os fatos.

Na manhã seguinte, alguém acordou Hinata batendo insistentemente em sua porta e chamando por seu nome: Era a voz de Sai. Levantou-se sentindo a cabeça doída e os olhos latejando. Havia dormido no sofá da sala, com o rosto cheio de maquiagem e as mesmas roupas da noite anterior. O rosto refletindo cansaço gerado pelo sono inquieto que se alternou a noite toda entre a vigília e pequenos cochilos repletos de sonhos confusos... Estava deplorável.

Ao abrir a porta, deparou-se com a imagem do jovem Shimura em uma expressão preocupada. Sai pareceu querer dizer algo, mas, antes que o fizesse, foi surpreendido pela noiva que desabou em lágrimas no instante em que o viu. A presença do noivo ali, no momento em que a Hyyuga lamentava a ausência de outro homem, fez Hinata perceber que sua vida estava de pernas para o ar e que ela era a única culpada por permitir as coisas chegarem ao ponto em que estavam. Em silêncio, Sai apenas abraçou a noiva deixando que secasse suas lágrimas em seu sobretudo preto de lã grossa. Levando Hinata de volta para dentro do apartamento, o herdeiro Shimura contou que, na noite anterior, Sasuke havia ido à sua casa e pedido-lhe que cuidasse da Hyuuga, pois estava saindo da vida da morena. Revelou também, em detalhes, sua antiga relação com o Uchiha e, consequentemente, seu triste laço com Ino.

"Mas, você percebe? Essa é a nossa chance de recomeçar! De alguma forma não temos mais empecilhos... Se houvesse uma chance, a menor que fosse, por que não tentar?"

"Mas... e a Ino san? Vocês finalmente se reencontraram e..."

"Ino está recomeçando a vida dela. Eu cometi erros demais no passado e não tenho direito de aparecer agora para confundi-la. Eu a perdi por ter sido covarde, mas não quero que o mesmo aconteça com você! A culpa de tudo isso é minha. Se eu tivesse sido menos intransigente e aceitado suas intenções, não estaríamos nessa situação agora. Mas, antes que seja tarde, eu também quero aprender a te amar..."

Naquela manhã, os dois fizeram sexo pela primeira e única vez. Sai, na tentativa de criar um vínculo com aquela que lhe deram como esposa. Hinata, na tentativa de apagar as lembranças que Sasuke deixou em seu corpo e coração. Não houve amor, nem desejo, apenas uma esperança tênue e tímida de um futuro melhor que nasceu no instante em que seus corpos se uniram.

Desde então, apesar de mais longos, intensos e cansativos que o esperado, os três meses necessários para a preparação do casamento se passaram e o fatídico dia que Hinata esperava há mais de 2 anos, finalmente havia chegado.

~x*X* *X*x~

"Yosha! Essa foi a última caixa!" Naruto disse pegando uma caixa de papelão na caçamba vazia da picape alugada e subindo as escadas do pequeno prédio onde morava.

"Contou para sua prima?" Gaara perguntou enquanto fechava a carroceria e seguia o namorado.

"Mandei uma mensagem. Ela visualizou, então, uma hora qualquer responde. Mas, não se preocupe. É raro a Karin vir ao Japão..." O loiro respondeu caminhando animadamente.

"Naruto, tem certeza de que não vou incomodar?" O ruivo perguntou hesitante.

Semanas antes, no intervalo de uma maratona de séries, Gaara estava em mais um de seus longos discursos a respeito da quantidade de sódio presente em pacotes de macarrão instantâneo, alimento-base da dieta de Naruto, quando disse brincando:

"Eu devia vir morar aqui! Só assim para que a sua expectativa de vida que passe de 40 anos."

Apesar do claro tom de brincadeira, os olhos do Uzumaki brilharam e o rapaz ficou tão empolgado com a ideia que convenceu Gaara a concretizá-la. Contudo, o namoro com Naruto ainda era recente, estavam juntos há pouco mais de meio ano. Temia que a proximidade excessiva do mesmo teto acabasse sufocando o Uzumaki que, no final, fugiria.

"Quantas vezes eu vou ter que repetir que não? Fui que te convidei para morar comigo, certo?"

"Eu sei! Mas é que... sei lá... Sinto que posso te atrapalhar de alguma forma. Tirar sua liberdade..."

Gaara sabia que o envolvimento de Naruto e Sasuke havia sido muito intenso, tanto físico quanto emocionalmente, e algo assim precisava de tempo e espaço para ser processado, curado e abandonado. Estar em um relacionamento com alguém por quem sempre fora apaixonado em segredo era maravilhoso, mas morarem juntos era como um sonho bom demais para ser real. Não queria precipitar as coisas, afinal, levou muito tempo esperando o momento certo para se aproximar do loiro.

Colocando a caixa com os pertences do ruivo no chão, Naruto parou em frente à porta de entrada de seu apartamento e disse colocando as mãos nos ombros do Sabakuno:

"Você nunca atrapalha, nem tira nada de mim. Você só soma e, por isso, te convidei para darmos esse passo juntos... Agora se você não quer é só falar logo..." Elevou o tom da voz em forma de brincadeira na última frase, sendo interrompido pelo namorado:

"Não, não! Quero! Quero sim! Quero muito. Foi mal! Acho que tenho vestígios de insegurança em algum lugar..." Gaara disse envergonhado, mas logo foi abraçado por Naruto que afirmou:

"Então, vamos apagar esses vestígios juntos." Após um beijo doce e calmo, o loiro sussurrou apenas para seu amado ouvir:

"Gaara... Obrigada por tudo."

~x*X* *X*x~

"Nee sama!" Hanabi exclamou colocando as mãos sobre a boca em uma expressão de surpresa.

Depois de horas cercada por uma grande equipe de camareiras, maquiadoras e cabeleireiras, Hinata finalmente estava pronta para subir ao altar.

O quimono branco composto por várias camadas de tecido era pesado e um pouco desconfortável, porém, era lindo. Apesar de ser monocromático, a trama possuía várias texturas que formavam estampas de garças, carpas, bambus e outros elementos que representavam boa sorte na cultura japonesa. O rosto naturalmente claro da Hyuuga estava ainda mais pálido graças a base branca que o cobria. Os lábios estavam pintados de vermelho vivo e os olhos marcados com uma maquiagem escura, porém suave. O longo cabelo azul índigo, que estava arrumado com o penteado tradicional, fora coberto com um grande wataboshi branco que ocultava toda o cabelo e o rosto.

"Hinata chan… Acho que é a noiva mais linda que eu já vi!" Sakura disse ao entrar no quarto de estética japonesa usado como vestiário no templo onde realizariam o casamento.

Hinata virou-se e olhou seu reflexo no espelho. Estava realmente incrível! Aquele era o quimono mais lindo que já havia visto na vida. O tecido, a cor, tudo caía-lhe perfeitamente bem. A maquiagem estava perfeita, o cabelo, impecável. Parecia saída de um quadro antigo que retratava as damas da corte do período Edo. Nunca havia se imaginado vestida daquela forma... Um leve sorriso riscou em seus lábios, mas, logo morreu afogado pela sensação de que havia algo estava fora do lugar.

"O que houve? Algo está te incomodando?" Hanabi perguntou abraçando Hinata com cuidado para não estragar nada.

"Não é nada, Hanabi chan… Estou apenas um pouco ansiosa." Respondeu disfarçando seus sentimentos.

Apesar do amor que sentiam uma pela outra, Hinata e Hanabi não dividiam um laço de amizade forte como aquele entre a morena e a rosada Haruno. Desta forma, foi impossível para a caçula perceber o que fora facilmente notado por Sakura: a sombra de tristeza que passou sobre o rosto da Hyuuga no instante em que se olhou no espelho.

"Ok, ok! Mina san, Vamos deixar a noiva sozinha. Hinata, precisa descansar dessa maratona de cabelo, maquiagem e quimono. Vamos, vamos, vamos..." Sakura disse colocando todos para fora do quarto.

"Ah, claro! Descanse! Volto mais tarde com otou san para te buscar." Hanabi disse enquanto era empurrada pela rosada.

"A-ri-ga-tou." Hinata sussurrou para Sakura que respondeu com uma piscadela antes de levar consigo toda a equipe que havia cuidado da primogênita.

Sozinha, Hinata sentou-se em um banquinho em frente ao espelho. O quarto de tatame amplo estava com as janelas de bambu e papel fechadas, porém, uma claridade pálida de inverno conseguia penetrar iluminando o ambiente e o rosto da moça. Em alguns minutos seria a senhora Shimura... Hinata passou a mão sobre o anel de compromisso que Sai havia lhe dado apenas por obrigação. Usava só por uma questão de formalidade, porque sabia que a verdadeira joia de compromisso era o medalhão que o rapaz lhe entregara certa manhã meses atrás. Sai era um bom homem... Falho como todos os seres humanos, mas, ainda assim, um bom homem. Então, por que continuava sentindo esse peso dentro de si?

Fechou os olhos, respirou fundo e tentou compreender a si mesma. Se seu lamento era só por não ter podido escolher, então era apenas uma teimosa egoísta! A escolha de seu pai não havia sido ruim. Sai seria um bom marido...

Então, obviamente, estava triste por outro motivo e sabia muito bem qual era! Mas, mesmo assim, tinha medo. Medo de assumir para si mesma; de verbalizar aquelas 3 palavras e nunca mais conseguir se livrar daquele fantasma em sua vida...

"Voce está linda…"

Uma voz disse atrás de Hinata fazendo seu coração disparar. Por reflexo, levantou o rosto e seus olhos se cruzaram através do espelho.

"Sasuke kun..."

Após três meses sem nenhuma notícia, sem nenhum contato, o Uchiha entrava calma e tranquilamente no quarto onde Hinata se preparava para unir seus caminhos definitivamente aos de outro homem? Onde estive? Por que fora embora daquele jeito? O que estava fazendo ali? Eram tantas perguntas ao mesmo tempo. Tantos sentimentos misturados: raiva, tristeza, alívio, felicidade... Tudo tão intenso e concomitante que os olhos da jovem se encheram de água e tudo o que tentou reprimir durante todo aquele tempo, transbordou em forma de lágrimas e, pela primeira vez, Hinata admitiu para si mesma e para o Uchiha:

"Eu te amo! Eu te amo tanto… Me perdoe! Não queria que as coisas acabassem assim... Me perdoe!" A jovem levantou-se de sobressalto deixando cair o grande wataboshi enquanto atirava-se nos braços do rapaz.

Naquele instante, Hinata não se importou se estragaria o quimono, a maquiagem; se ouviriam sua confissão através da porta entreaberta; ou mesmo o que responderia caso alguém chegasse e a visse nos braços de um desconhecido. Só queria tentar, ao menos uma vez, expressar o que sentia de verdade. Sem se preocupar com nada nem com ninguém

"Eu sei. Eu sei... Eu finalmente entendi que não podemos viver a vida fugindo. Se eu não tivesse fugido pela primeira vez, seria comigo que você estaria casando agora..." O Uchiha disse secando as lágrimas do rosto delicado de Hinata que o olhava sem entender o real significado de suas palavras.

"C-como entrou aqui? Como descobriu a d-data o local? Por que foi embora daquele jeito?" Hinata perguntava nervosamente gaguejando e atropelando as palavras.

Semanas antes Itachi havia entrado em contato com o irmão e contado que a família havia recebido um convite para um casamento. Quando contou quem eram os noivos, Sasuke ponderou seriamente qual deveria ser sua atitude. Não havia sentido tentar convencer Hinata a desistir, uma vez que ela própria nunca cogitou essa ideia em momento algum. Poderia ir apenas para afrontar Sai, porém, caso o fizesse, sabia que o efeito seria o oposto, afinal, era o Shimura que estava levando a mulher que o Uchiha amava para longe. O melhor a fazer era ignorar e se preparar para sua viagem ao exterior. Tomar jeito e seguir a vida de uma forma responsável... Mas, antes, não faria mal agir inconsequentemente pela última vez. Queria ver a Hyuuga só mais uma vez, a última. Depois disso, seguiriam caminhos separados definitivamente. E ali estava. Vestindo um suéter azul-marinho, calça jeans e uma jaqueta preta por cima de tudo. Sasuke apenas retribuía o abraço, abrigando o corpo pequeno em seu peito e tentando acalmar Hinata.

"Eu estava errado sobre um monte de coisas. Mas, principalmente, estava errado quando você me perguntou se eu era feliz do jeito que vivia. Eu nem ao menos sabia o que era felicidade até te conhecer..."

Esgueirando-se por entre os funcionários do cerimonial espalhados pelo templo, Sasuke esperou horas no frio pelo momento ideal para encontrar-se a sós com Hinata e, finalmente, encerrarem de uma vez sua história de amor equivocada.

"Espero que seja feliz. Que tenha filhos lindos, mas que nunca se esqueça que um dia eu te amei..."

Puxando a Hyuuga para perto de si, o Uchiha a beijou demoradamente. O último beijo. Intenso e molhado pelas lágrimas de ambos.

~x*X* *X*x~

O teatro vazio ecoava os passos de Ino que caminhava pelo centro do cenário. A apresentação daquela noite seria a última de sua primeira peça como protagonista. Uma temporada inteira do mais legítimo sucesso. Havia tanto a agradecer! Nunca antes em sua vida tivera um momento tão bom: Carreira, coração, bolso… tudo na mais perfeita harmonia.

Olhou em direção a plateia e contemplou as cadeiras vazias. Respirou fundo, fechou os olhos e se curvou em uma reverência muda ao lugar que lhe trouxe tanta alegria. Naquele lugar, até mesmo a maior dor do seu coração fora curada. Conseguiu perdoar Sai e virar a página. Nada mal para a garota mais azarada do mundo, como costumava de se definir. Estava até um pouco desconfiada: era felicidade demais para ser verdade!

"No que está pensando?" Shikamaru aproximou-se com as mãos no bolso.

"No que vou dizer hoje à noite, quando tudo acabar..." A loira respondeu com as mãos na cintura.

"Além de anunciar que vamos nos casar?" O rapaz subitamente abraçou a namorada pelas costas e lhe deu um beijo na bochecha arrancando-lhe uma risada.

"Não vamos nos casar, Senhor Diretor. E mesmo se fossemos, poderíamos simplesmente aparecer casados do nada. Isso está na moda no ocidente..."

"E perder as fugas de paparazzis, capas de tabloides e tudo mais?"

"E tudo mais que nunca aconteceria porque não somos tão famosos assim?" O casal riu.

"Mah! Ii ya! Se acontecessem seriam coisas muito problemáticas de lidar mesmo... Falando em problemas, tem falado com Sasuke? Alguns diretores que eu conheço estão atrás dele desesperadamente..." Shikamaru perguntou curioso.

Devido às críticas extremamente positivas por sua performance em Shisengumi, O Uchiha havia tornado-se um ator cobiçado. Contudo, ninguém era capaz de contatá-lo há pelo menos 3 meses.

"E não vão encontrar. Ele estava decidido da última vez que nos falamos... Além do mais, o casamento é esta tarde, então ele já deve estar a caminho do aeroporto..."

No dia em que jantaram juntos pela primeira vez, Ino fez com que Shikamaru rodasse toda a Tóquio atrás de Sasuke. Quando o encontram, levaram o Uchiha para a casa da loira, onde os amigos conversaram longamente sobre perdão e aceitação.

"Eu não te contei, mas sei que o noivo da Hinata chan é o Sai kun... Ele veio até mim meses atrás, pedindo perdão por toda nossa história... É claro que eu me senti mal quando o vi. Tudo o que eu havia passado voltou à minha mente, mas mesmo assim eu resolvi perdoá-lo. Não porque ele merecia, mas porque eu precisava de paz. Precisava enterrar esse assunto de uma vez por todas para seguir em frente sem amarras. Você também precisa fazer o mesmo! É hora de voltar para casa. Você precisa deles, assim como, eu sei, que eles precisam de você...

Sasuke passou aquela noite na casa da loira e desapareceu desde então. Esporadicamente, mandava notícias para Ino através das quais a loira soube que o amigo havia se reconciliado com a família e que pretendia passar um tempo fora do país. Contudo, há semanas não mantinha nenhum contato. Ino não se preocupava! Sabia que essa era a forma que o Uchiha encontrara de curar as próprias feridas. Logo que estivesse melhor, ligaria e daria sinal de vida.

"Pena que não tenha dado certo para eles." Mesmo apenas ouvindo a história por alto, Shikamaru lamentava o final infeliz da história de amor do casal Uchiha-Hyuuga. Talvez, simplesmente não fosse para ser...

"Foi melhor assim. Foi uma lição dura, mas eficaz... Ei!" Ino subitamente desvencilhou-se do namorado e reclamou energicamente:

"Por que o foco está no lugar errado de novo? Onde está o técnico de luz? Mou.. Será que eu sempre tenho que conferir o trabalho de todo mundo?" A Yamanaka gritava apontando para um divã vermelho no centro do cenário enquanto dirigia-se para a a cabine de iluminação.

"Taku... que mulher mais geniosa..." Shikamaru sorriu disse para si mesmo.

Ino era ainda mais exigente do que ele mesmo em relação aos detalhes das montagens em que trabalhava. Era intensa em tudo que fazia. Era inteligente, sábia e um senso de retidão únicos. Sem falar na intuição! Ela definitivamente era uma tigresa. Quando soube de sua história com Sai no passado, ficou ainda mais admirado por sua capacidade de perdão e resiliência mesmo sendo tão jovem... Definitivamente era a pessoa que queria ao seu lado para resto da vida...mas sabia que ela não seria dada a arroubos passionais. Não aceitaria se casar com ele com só 4 meses de relacionamento... mas, quem sabe com 8 a loira aceitasse.

~x*X* *X*x~

"Vamos?" Sorrindo, Sai estendeu o braço para a noiva.

"Vamos!" Hinata respondeu com o mesmo sorriso e, segurando-se no antebraço do rapaz, desceu as escadas de madeira do prédio funcional do templo.

Minutos após da saída de Sasuke, Sakura voltou ao quarto-vestiário e encontrou Hinata aos prantos. A morena explicou o que havia acontecido e a rosada tentou acalmá-la lembrando-lhe que as outras pessoas ficariam desconfiadas se a vissem tão triste naquele dia. Com uma voz dura e racional, lembrou Hinata de que aquela havia sido sua escolha e que a Hyuuga precisava seguir em frente qualquer que fosse o preço. Só então a morena, após respirar fundo, pediu à amiga que chamasse de volta a maquiadora para refazer o trabalho. A rosada estava certa: era hora de parar de lamúrias.

O tempo naquele meio de tarde era um típico início de inverno japonês: estava frio e havia chovido o dia todo. Contudo, por volta de 10 minutos antes no horário marcado para o início da cerimônia, o céu havia se firmado e todos os convidados concentraram-se em frente ao templo, a fim de esperar os noivos. Apesar de estar localizado em uma área urbana, o templo Hikawa era cercado por um enorme jardim com uma natureza exuberante. Nessa época, as centenárias árvores de ginkgo biloba ficavam com as folhas amarelas que caiam formando um tapete natural por todo o lugar.

Saindo do prédio funcional, Sai e Hinata foram conduzidos até o templo pelo mestre, um senhor de idade, e por uma miko jovem. Um sacerdote jovem caminhava logo atrás, protegendo-os da chuva com uma sombrinha tradicional vermelha. Os noivos caminhavam lado a lado sendo seguidos por seus respectivos familiares: Shimura Danzou logo após Sai; Hyuuga Hisahi, Hanabi e Neji, logo após Hinata. Todos vestiam quimonos pretos como manda a tradição dos casamentos xintoístas. À frente de todo o cortejo, em fila indiana, 2 músicos tocavam instrumentos de sopro tradicionais anunciando o matrimonio até a chegada ao local da cerimônia. Após caminharem por cerca de 100 metros, o cortejo chegou ao pavilhão do templo. Os convidados esperavam em pé, do lado de fora a chegada dos noivos e famílias que, ao adentrarem o lugar, tomaram seus assentos e a cerimônia começou.

Os noivos foram levados para um altar especial onde o sacerdote anunciou o casamento aos deuses xintoístas e iniciou o ritual das três taças: Sai e Hinata tomaram, cada um, 3 taças de saquê que, aumentando progressivamente de tamanho e quantidade, simbolizavam a progressão da união e do amor do casal. Em seguida, finalmente, era a hora da leitura dos votos. Depois daquilo, seriam marido e mulher perante a sociedade e os céus. Hinata respirou fundo no momento em que o sacerdote entregou a carta com o texto escrito a Sai. O Shimura abriu, leu para si e em seguida dobrou novamente.

"Definitivamente não dá, ne?" O rapaz disse devolvendo a carta ao sacerdote que o olhava sem entender.

"Sai kun, o que está fazendo?" Hinata sussurrou ao noivo que, aproximando-se da jovem, cochichou:

"Confie em mim. Eu disse que te faria feliz, certo?"

Sai levantou-se e disse em voz alta aos convidados que assistiam a tudo sentados em seiza:

"Peço a atenção de todos aqui presentes. Como parece que nesse tipo de cerimônia não tem aquela parte do se há alguém contrário a essa união e blá blá bla, eu mesmo resolvi fazer o momento."

O templo se encheu de murmúrios e olhares de reprovação. Shimura Danzou fechou os olhos em uma expressão de raiva e vergonha. Hyuuga Hiashi tinha uma expressão tão confusa que parecia uma criança perdida no parque. Hinata puxou a barra do kimono preto do noivo e disse:

"Não precisa fazer isso! Vamos ter sérios problemas..." Mas o jovem respondeu só para a noiva ouvir:

"Não dá para encher um copo que já está cheio, ne? Você ama aquele cara! Hoje eu vi o quanto... É preciso coragem para ser feliz, Hinata san! Estou te dando a coragem que eu não tive..."

Nem Sasuke nem Hinata perceberam que, no momento em que se despediam um do outro, Sai havia se aproximado do quarto. Sua intenção era de encontrar-se a sós com sua noiva antes da cerimônia para acalmá-la, mas acabou ouvindo toda a troca de declarações dos dois amantes. Naquele momento, o Shimura viu uma sombra de si mesmo em uma despedida que nunca acontecera com Ino: se ao menos tivesse tido a coragem de vê-la pela última vez, a loira teria contado de sua gravidez e seu filho não teria tido o destino infeliz que teve. Voltando-se novamente para os presentes, bateu palmas 2 vezes para chamar atenção e concluiu dizendo:

"Eu gostaria de dizer que esse casamento é impraticável e eu assumo toda a responsabilidade. Esta bela jovem ao meu lado tentou de tudo nesses dois anos de noivado, mas, no final das contas, eu não quero casar com ela! Então, infelizmente, estou cancelando tanto o casamento, quanto o banquete. E eu sei que essa última parte é a que vocês realmente lamentam."

~x*X* *X*x~

"Hinata san, será que poderia fazer o favor de parar de cuidar da minha vida? A Tenten já faz muito bem o papel de minha babá." A voz do moreno Shimura soou pelo sistema viva-voz do carro.

"Não adianta tentar me ofender, Shimura Sai! Sou imune ao seu cinismo." Hinata respondeu calmamente.

O fiasco do casamento entre seus herdeiros foi o estopim para uma crise sem precedentes dentro dos grandes grupos econômicos Hyuuga e Shimura. A queda das ações e da credibilidade de ambas foi motivada pelo que a imprensa especializada chamou de o maior escândalo empresarial do Japão. Um golpe arquitetado para enganar acionistas? Um plano para esconder uma cartada ainda mais ardilosa? Uma artimanha para elevar o valor das empresas? Diversas teorias foram construídas com o intuito de desvendar o que havia por detrás da súbita decisão do sucessor Shimura de desistir do matrimônio diante do altar e, infelizmente, todas com o mesmo efeito negativo para os negócios das famílias.

Shimura Danzou gritou, xingou, ameaçou e estapeou o neto após a cerimônia. Esbravejava possesso de tanta fúria que nunca havia passado por tamanha humilhação em toda sua vida, que não conseguiria olhar para seus investidores e que aquele era o fim de tudo o que ele havia lutado para conseguir. Sai ouvia e suportava tudo sem dizer ao menos uma palavra, afinal, sabia muito bem que essas eram as consequências de seus atos. Apesar de todo o questionamento sobre suas ações, o rapaz manteve-se firme assumindo toda a responsabilidade pelo que acontecera e colocando-se como único culpado. Mas também, afirmando e reafirmando ao avô que trabalharia até a exaustão para recuperar o que perderam e perderiam dali para frente.

Por sua vez, o patriarca dos Hyuuga, se culpava pois acreditava que havia oferecido sua filha para ser vítima de um rapaz inconsequente e imaturo. Procurava consolar Hinata e acalmá-la com palavras de incentivo, mas a jovem, que sabia da verdade, estava mais preocupada com outra consequência do rompimento: sem a união das empresas, estariam mergulhados em uma grande crise e a falência não era uma hipótese distante. Talvez, fosse necessário fechar algumas unidades e, consequentemente, demitir milhares de pessoas. Hinata estava preocupada, inquieta e envergonhada. Sai havia desistido para vê-la feliz, mas feliz era tudo o que a moça não estava. Além de ter causado uma grande desgraça em sua família, também perdera seu grande amor. Sasuke havia desaparecido e não havia sinais de que voltaria.

"Eu não preciso de férias! O que eu preciso é de uma equipe nova de marketing. "

"29 anos, 11 horas de trabalho diário, apagões de memória por estresse, nenhuma vida social, você quer que eu continue listando?"

Agora, passados 3 anos, as duas companhias ainda lutavam para se reerguer, mas, felizmente, o cenário era muito mais animador. Sai havia reestruturado completamente a Shimura: Implantando sistema de mérito entre os altos executivos e distribuindo melhor os reinvestimentos da empresa. Quanto aos Hyuuga, Neji havia retornado do exterior e se tornado o braço direito de seu tio. Apesar dos vários contratos cancelados, multas a serem pagas e unidades fechadas, a empresa estava vendo sinais de restabelecimento e logo poderia sair da concordata.

Quase que em segredo, Sai e Hinata continuavam em contato um com o outro. Eram mais que amigos, eram irmãos, cúmplices, como disse Sai certa vez. Conversavam, apoiavam-se e continuavam a cuidar um do outro sem nenhum interesse que não fosse a amizade que cultivaram durante os tempos de noivado.

Naquela tarde, Hinata dirigia através da autoestrada que levava à bela mansão Hyuuga. Hiashi havia ligado no início da semana pedindo que a primogênita comparecesse a um almoço que seria oferecido a um parceiro com quem fechara um excelente negócio. Sem questionar nada, Hinata apenas confirmou sua presença. Dentro do carro, havia ligado a fim de contar a novidade ao ex-noivo e aproveitava para chamar sua atenção, pela milionésima, vez a respeito do excesso de trabalho do moreno:

"E o que me sugere?"

"Algumas horas livres e uma namorada nova." Hinata respondeu sorrindo enquanto passava a marcha.

"Ah! Não, obrigado! Ainda não superei o trauma que você deixou na minha vida..." O Shimura respondeu em tom de brincadeira antes de acrescentar: "Ah! Preciso desligar. Tenten conseguiu destrancar a porta"

"Ja ne!" Hinata despediu-se antes de cruzar o portão da bela mansão que pertencia a sua família.

~x*X* *X*x~

"Sai sama, Kurama Yakumo san está aqui novamente para vê-lo." A voz de Tenten soou após a secretária forçar a porta que estava 'emperrada' e adentrar o recinto.

"Mande-a embora, Peipei. Estou muito ocupado..." Respondeu lacônico sem nem olhar para a assistente.

Era sempre assim. Toda vez que algum fornecedor, investidor ou qualquer outro algumacoisador da vida chegava a empresa, mandavam direto e reto para a sala de Sai. Por que diabos não mandavam diretamente para a sala de seu avô, o presidente? Atrasavam todo seu trabalho e, no final das contas, não podia decidir nada, pois qualquer negociação deveria passar pelo aval de Shimura Danzou. Não atenderia ninguém e ponto final!

"Sai sama... por favor, atenda a moça. Já faz duas horas que ela está aí fora e essa é a quarta vez que ela vem aqui. Eu já não tenho justificativas para mandá-la embora..." Tenten, que já sabia muito bem que seu chefe desenvolveu o estranho hobby de inventar nomes diferentes para nominá-la, insistiu em tom de lamento.

Sai suspirou e olhou entediado para a secretária que mantinha o ar de súplica ao completar:

"Ela tem uma recomendação da Hinata sama..." Contrariado, Sai tampou a caneta tinteira e respondeu:

"Está bem! Ela pode entrar." O Shimura levantou-se e caminhou em direção ao sofá do escritório.

Kurama Yakumo... nunca ouvira falar! Ela realmente já havia ido 4 vezes a seu escritório? Não se lembrava, mesmo! E por que Hinata a havia mandado procurá-lo?

"Shitsureishimasu!" A voz imatura soou enquanto a jovem adentrava o recinto.

Devia ter, no máximo, 23 anos. Era pequena, magra e tinha uma aparência modesta: Cabelos cumpridos ruivos e lisos, olhos castanhos e redondos. Vestida daquela forma sóbria, passaria despercebida em qualquer lugar. Contudo, havia um brilho de esperança refletida em seu rosto que conferia à jovem um ar especial. Adoravelmente inocente e mágico.

"Shimura sama, muito obrigada por me receber hoje. Prometo que não tomarei muito do seu tempo."

Sai não respondeu. Limitou-se a pedir a Tenten que trouxesse água e café para ambos. A ruiva não se abalou com a aspereza do Shimura e entregou-lhe um projeto impresso antes de começar sua apresentação com uma empolgação comedida:

"Meu nome é Kurama Yakumo e sou uma das idealizadoras da ong A.N.B.U. Nosso projeto busca ajudar crianças de famílias sem condições a terem contato com as artes visuais através de atividades criativ..."

A medida que ouvia a jovem Kurama falar, Sai compreendia o motivo de sua visita à empresa: Estava atrás de uma doação. Em dias normais, o moreno nem se daria ao trabalho de dispensá-la. Apenas se levantaria e Tenten a acompanharia para fora de sua sala. Contudo, a despeito da falta de expressão de Sai, Yakumo continuava a falar sobre os feitos de sua ong com animação e fé em suas palavras. Falava sobre como montaram a organização do zero, como conseguiram a confiança dos pais e como os resultados estavam sendo promissores. Sua explanação estava cheia de orgulho e seus olhos brilhavam de uma forma que o moreno já havia visto em algum lugar... só não se recordava onde.

"O resultado no comportamento das crianças também está sendo 100% positivo. A autoestima deles aumentou, o relacionamento com a família melhorou e as notas e o desempenho na escola vêm apresentando excelentes resultados. Na página 20, há um comparativo onde o senhor pode... "

"Sai." O Shimura interrompeu, falando pela primeira vez diretamente com a moça desde o início da explanação.

"Desculpe?" A jovem ruiva indagou confusa.

"Pode me chamar de Sai. Não sou tão mais velho que você para me tratar por senhor."

"Ah! Sim! Me desculpe, Sai sama. A nossa ong..." Antes que pudesse continuar, Yakumo foi novamente interrompida.

"Afinal, o que você quer?" O herdeiro Shimura fechou o projeto e o jogou em cima da mesinha de centro enquanto olhava inexpressivo a jovem à sua frente no fundo dos olhos.

No mesmo instante, o brilho em seu olhar se apagou. Sua voz perdeu o colorido e ela explicou:

"Através de uma professora em comum, conheci Hinata senpai e ela disse para vir procurá-lo. Estamos passando por um momento muito complicado. Não conseguimos mais doações e, por isso, estamos quase sendo despejados. Precisamos do auxílio de uma empresa para seguirmos com nosso projeto ou teremos que fechar as portas. Na última página há uma planilha com a descrição do que precisamos e de quanto custará."

Sai abriu a última página e conferiu o valor. Mais barato que o último relógio que havia comprado...

"Essa é a planilha para um mês?" Indagou.

"É a planilha para um ano..."

O constrangimento nos olhos gentis de Yakumo era notório. A sombra sinistra de algo que Sai conhecia bem cobriu seu rosto: estava desesperada. A realidade estava batendo a porta de fazendo-a acordar de um sonho do qual não desejava abrir mão. Foi, então, que o jovem executivo percebeu de onde conhecia aquele olhar: do espelho. Foi a mesma mudança que viu acontecer em si mesmo quando teve de desistir de seus sonhos para cumprir suas obrigações perante o grupo Shimura.

Subitamente, Yakumo pareceu-lhe incrivelmente encantadora. Sai sentiu-se estranhamente tomado de um sentimento único; uma simpatia sem igual por aquela moça a sua frente. Viu-se nela; agarrado e lutando com todas as forças pela última chance de manter seu sonho vivo. Olhando-a nos olhos, perguntou enquanto pegava a pequena xícara de café deixada por Tenten e mexia o açúcar no fundo:

"Além de vir aqui conversar comigo, qual sua parte no projeto?"

Yakumo corou e respondeu orgulhosa com um leve sorriso:

"Sou a professora de pintura."

Um movimento tão rápido não poderia ter sido capturado pelos olhos castanhos de Yakumo, mas as sobrancelhas de Sai se contraíram em um movimento que durou milésimos de segundos.

"Eu também costumava desenhar... Anos atrás..." Percebendo que Sai havia abaixado a guarda e demonstrado interesse em sua conversa pela primeira vez, a ruiva Kurama não conteve a empolgação:

"Sério?! Então, por que não vem nos visitar qualquer dia? Seria uma forma melhor de conhecer nosso projeto do que através de papéis e fotos. Poderá ver como não estou exagerando quando digo que aquelas crianças são ma..."

Um sorriso pequeno e discreto brotou nos lábios do Shimura à medida que ouvia as palavras de Yakumo. Apesar de não ser grande coisa, era o primeiro sorriso sincero que em anos. Hinata... aquela raposa! Havia acertado em cheio! Enviando naquela tarde a meiga Kurama, com sua juventude e ares de fada, conseguiu despertar-lhe algo que há anos não sentia: esperança.

~x*X* *X*x~

"Tadaima." A filha mais velha da casa disse após estacionar seu carro no jardim de seixos da entrada da mansão Hyuuga e seguir em direção a pequena escadaria de mármore antes da entrada principal. Seu vestido branco de tecido leve farfalhava ao ser soprado pelo vento quente do verão. Como sempre, a governanta Natsu veio ao seu encontro cumprimentando-a com uma felicidade contida pela rigorosa etiqueta dos Hyuuga.

"Ojou sama, Okaerinasaimase!"

Porém, desta vez, estava acompanhada de Hanabi que passava as férias no Japão antes de iniciar a vida de universitária. Ao contrário da mulher mais velha, a caçula Hyuuga deixava transpassar toda a sua empolgação por rever a irmã mais velha. Correu para abraçar Hinata e disse animadamente:

"Nee sama! Okaeri! Finalmente você chegou! Alguém para comentar o tanto que os filhos de novo sócio do nosso pai são lindos..."

"Hanabi sama! Por favor, contenha-se. Lembre-se que estamos com visitas." Natsu repreendia a filha mais jovem da casa sem sucesso. Hanabi apenas ignorava as palavras da governanta e conduzia, de braços dados, a irmã para dentro da casa.

"Eu, particularmente, gostei do mais velho. Mas parece que ele já é casado..." Choramingou a jovem e, imitando a voz de Natsu, Hinata brincou de repreender a irmã:

"Dame da yo, Hanabi chan! Você logo vai se tornar uma universitária. Tem que focar nos estudos e não nos rapazes." As duas riram enquanto Natsu apenas observava a brincadeira com um olhar misto de riso e reprovação.

Naquela tarde, os empregados da família Hyuuga estavam todos ocupados servindo refrescos, arrumando mesas, organizando bandejas com petiscos e garantindo que nada estivessem fora do lugar na área reservada a pequenas comemorações do enorme jardim tradicional da mansão, uma construção sem paredes, com teto tradicional, distante cerca de 100 metros do prédio principal. Havia uma espécie de deck às margens do lago artificial que cortava o lugar que mais parecia um bosque a um jardim. Logo que saiu da mansão, Hinata pode avistar Hiashi e Neji vestidos com yukatas claros e, sentados no conjunto de sofá de varanda, conversando a vontade com 2 homens altos e esguios igualmente trajando quimonos escuros de verão. O grupo estava em um ponto que havia sido projetado estrategicamente para a observação do pôr do sol, e da paisagem noturna da cidade.

"Ali! Não sei de onde saíram, mas tenho a impressão de que foi dos meus sonhos..." Entre risinhos, Hanabi cochichava para a irmã mais velha.

Hinata teve uma sensação estranha ao observar as costas daqueles homens. Havia algo de familiar naquelas 2 figuras de cabelos lisos e densamente pretos com quem seu pai conversava tão amigavelmente.

Quando os olhos de Hyuuga Hiashi encontraram os de sua primogênita, um leve sorriso riscou em seu rosto sério e ele acenou anunciando a chegada da filha aos presentes. Em um movimento natural, todos se levantaram e voltaram-se para as herdeiras Hyuuga. Foi, então, que Hinata sentiu todo o corpo amolecer.

"Fugaku san, gostaria de apresentar minha filha mais velha, Hyuuga Hinata."

Aquele definitivamente era Uchiha Fugaku, pai de Sasuke! Lembrava-se claramente de seu rosto em diversas situações anteriores. Na casa dos Shimura, e mesmo ali, em reuniões privadas com seu pai. Então, era ele o novo sócio das empresas?

"Hiashi san não exagerou quando disse que a senhorita é linda como uma princesa. É um prazer conhecê-la." Com seu charme natural, o patriarca dos Uchiha elogiou a jovem que enrubesceu e respondeu educadamente.

"Kochirakoso."

"Mas creio que já nos vimos antes, estou certo? Só não fomos apresentados."

Apesar da coincidência de estarem no mesmo ambiente por diversas vezes, a verdade é que nunca haviam sido formalmente apresentados por ninguém. A herdeira colocou um sorriso elegante no rosto e respondeu educadamente:

"Acredito que sim. Há alguns anos..."

"Então, permita-me apresentá-la aos meus filhos. O mais velho, Itachi e.. Ah! Ali está ele! Sasuke, o mais jovem."

Hinata sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha no momento em que seus olhos avistaram a figura que se aproximava, como se estivesse vendo um fantasma, alguém que não existia mais em seu mundo. Era ele. Estava ali, na sua frente, depois de todos aqueles anos. Sasuke caminhava elegantemente pelo deck com as mãos nos bolsos. Não estava vestindo um yukata escuro como seu pai e irmão, e sim, calça jeans com a barra dobrada até tornozelo, mocassim marrom, camisa jeans com as mangas dobradas e óculos escuros. Estava com os cabelos cortados e uma aparência mais saudável e refinada, porém, o ar superior era o de sempre.

"Ohisashiburi..." Sasuke disse sem esconder a proximidade que tinham.

"Ohisashiburi, Sasuke kun..." Hinata respondeu após uma leve menção de cabeça.

"Ah! Vocês já se conhecem?" Neji comentou surpreso.

"Conheci a senhorita Hyuuga anos atrás. Através de um amigo em comum." Sasuke esclareceu.

Os presentes ali não podiam perceber toda a tensão que existia entre os dois herdeiros. Tanto a ser dito e muito mais a ser disfarçado.

"Ótimo! Então, Hinata, porque não mostra o jardim para Sasuke kun enquanto esperamos o almoço? Ele parecia interessado nas carpas de sua mãe a pouco." Hiashi pediu a filha enquanto voltava para o sofá com os convidados e Hanabi.

"Meu pai não é nem um pouco sutil" Hinata disse enquanto caminhavam pelo deck em direção à ponte vermelha tradicional que cortava o lago. Sasuke, caminhando ao seu lado riu baixo e completou:

"Pelo visto eles estão com as mesmas intenções. O meu estava em um discurso hoje de manhã sobre como ter uma Hyuuga como nora é melhor do que ter a filha do imperador na família. "

A luz do sol refletindo nas águas do lago, o caminho de pedras próximo à margem e toda a tranquilidade que aquele lugar proporcionava. Em silencio, os dois jovens apenas observavam o jardim. Existia muito a ser falado, mas nenhum dos dois sabia por onde começar. Sasuke apoiou os cotovelos na ponte vermelha e riu das carpas que nadavam embaixo de si. Suas bocas movimentando-se em um eterno abre-fecha mudo pareciam incentivá-lo a tomar a palavra, entretanto, recostada na ponte, Hinata o fez primeiro:

"O que fez durante todo esse tempo?" Perguntou enquanto os seus olhos contemplavam os delicados morros cobertos de grama bem aparada.

"Fiquei os últimos 3 anos nos Estados Unidos. Terminei a faculdade, fiz alguns cursos…"

"Fico feliz em ver que está se dando bem com sua família..."

"Foi fácil depois que eu percebi quem era o errado da história. E você?" O Uchiha perguntou virando-se para a jovem.

"Tentando chamar o mínimo de atenção o possível." A jovem respondeu com uma ironia amarga na voz.

"Por que não se casou?" Sasuke, sem rodeios, finalmente tocou no assunto.

"Sai me abandonou no altar. Uma cena lamentável, diga-se de passagem" Hinata respondeu ficando frente-a-frente com o moreno. Sasuke a olhou no fundo dos olhos e perguntou:

"Teve a ver com nós dois?"

"Obviamente"

Uma brisa morna soprou entre as árvores fazendo as folhas farfalharem em alta voz. Uma carpa pulou próxima à lanterna de pedra fazendo um barulho tão caricato que pareceu a trilha sonora de algum desenho infantil. Apesar da típica aparência controlada, Sasuke sentia o peito acelerado e a saliva espessa. Durante todos aqueles anos, acreditou que Hinata estava perdida para ele. Tentou de todas as formas esquecê-la: Mudou de país, cortou relações com quem pudesse trazer notícias suas, riscou de sua vida tudo o que poderia lembrar a morena, mas falhou miseravelmente. Quando voltou, seu pai decidiu que lhe daria o controle de um ramo novo das empresas para o qual estava negociando sociedade com os Hyuuga. Agora estavam ali, naquela tarde de sábado, com suas famílias reunidas, em um almoço como se as coisas sempre tivessem sido assim. Estendeu a mão e segurou a mão alva e pequena de Hinata.

"Eu me preparei para te encontrar casada e com filhos daquele cara. Torci com todas as minhas forças para que você estivesse feliz e para que ele estivesse te fazendo tanto bem que eu seria apenas uma memória distante. Me preparei para não sentir nada ao te encontrar de novo, mas quando voltei e soube do que tinha acontecido, não pude evitar de ter um pouco que fosse de esperança..."

"Eu quis tanto que você voltasse... Pensei várias vezes em te procurar, mas não me sentia merecedora de nada. Eu fui covarde e tive medo de escolher ficarmos juntos naquela época e..." Antes que continuasse, Hinata foi envolvida pelos braços do Uchiha que disse em seu ouvido:

"Nada disso importa mais! Estamos sempre um no caminho do outro de novo, esperando um pelo outro. Não avançamos um centímetro desde que nos separamos porque estamos apenas caminhando em círculos... Então, se você ainda me ama, vamos ficar juntos agora. "

Todos estavam muito distraídos com conversas e risos para perceberem que, longe dali, Hinata sorria e beijava aquele por quem esperou mesmo sem saber se retornaria. Um beijo cheio de sentimentos, doçura e da necessidade de suprir a falta que ambos sentiam em seus lábios e em seus corações.

~x~

~X Fim X~

~x~


Vocabulário:

"Eu encontrei uma razão para mim. Para mudar quem eu costumava ser

Uma razão para começar de novo e a razão e você."

The reason – Hoobastank

yosha - Algo tipo 'Isso aí' 'opa'

nee sama - irmã mais velha (honorífico)

wataboshi - Chapéu de casamento japonês ( . ?resize=349%2C446)

período Edo - 1603 – 1868

arigatou - obrigado

Mah! Ii ya! - Ah! Tudo bem!

(ma)Taku - Algo tipo 'aff'

Miko - sacerdotisa shintoísta

Tadaima - Frase dita ao chegar em casa

Ojou sama - Filha dos patrões de uma casa

Okaerinasaimase - frase dita no retorno do patrão (honorífico)

dame da yo - Não pode (enfático)

Yukata - Quimono de verão

Kochirakoso - Igualmente

Ohisashiburi - Há quanto tempo

Notas finais:

É isso!

Espero que tenham gostado de ROOMMATE.

Esse foi um projeto muito ambicioso, uma vez que envolvia lemon/yaoi/hentai que eram gêneros que eu não estava acostumada a trabalhar. Então, quero agradecer novamente às meninas que foram minhas co-autoras e trabalharam nessas partes para mim. Obrigada de vdd.

Obrigada tbm a quem acompanhou desde o tempo do SS e teve de reler a história td para lembrar dos capítulos passados td vez que eu atualizava. 5 anos, mas finalmente conseguimooooos! hahahaha

Queria tbm agradecer a quem leu durante as postagens no FF msm e comentou 3 Em especial, quero dizer às minhas leitoras que deixaram reviews em inglês que ficava tão feliz td vez que vcs comentavam algo que nem sei o que dizer! Saber que minhas histórias estão sendo lidas Brasil a fora é tocante. Me deu até uma vontadinha de, um dia, traduzir para outro idioma tbm^^

E vc que ainda vai ler depois que a história for concluída: obrigada desde já e não esqueçam de comentar!