CAP 15 – A VOLTA DE LEANA
Anoitecera já, no dia em que Lëana finalmente retornou ao acampamento com suas crianças, na companhia de um carroceiro que viera a conduzir uma partida de víveres ao acampamento.
- Papai! Papai! – Correram as crianças de Nasser para o interior da tenda, seguidos da dama aconchegada em sua pele.
Muita festa fez o pai aos seus pequenos, objetos do amor preocupado de quem já perdera muito.
- E Alëna, veio contigo? – perguntou ao finalmente dirigir-se para a mulher de palidez ressaltada pelo abrigo branco.
- Não – respondeu baixo, voltando-se para o acomodar as crianças e o ver-lhes algo de comer.
- Augh! Caldo de acampamento!
- Irgh!
- Mas que bonito! E quando estiverem de campanha com o pai, que acham que vão comer, doces?
- Na casa do vô tem muitos doces!
- E bolos!
- E mel e biscoito de gengibre!
- E pão, e presunto, e queijo!
- Um queijo fedido!
- É! Fedido!
- Mas há de tudo isso lá? Não me admira que tenham se demorado tanto a voltar, e até bem gordinhos ...
Nasser sentiu o coração aquecido com o retorno de seus filhos, tão alegres a lhe contar dos mimos recebidos do avô, tantos que os viu adormecer sem lhe listarem todos.
- Acho que seu pai lhes quer roubar o coração de mim, com tão desmesurada presenteação – sorriu ao comentar para a mulher que já o esperava sob as cobertas.
Arre! Além de Daror, provavelmente era o único outro homem com mulher no acampamento aquela noite: que tivessem o bom senso de saber que não iria inspecionar guarda nenhuma nela.
...
- Por que Alëna ficou? – foi o cumprimento que a mulher recebeu do marido ao despertar.
- E ... Meu pai ... está meio adoentado ... Alëna quedou-se a cuidar dele.
- É grave o que tem teu pai?
- N-não ... nem tanto ... talvez.
- Cassor parece estar doente de saudades dela, não se conformará que tu vieste e a mulher dele não.
- Por que temo-nos que preocupar sempre com Alëna e Cassor?
Nasser finalmente prestou a atenção devida a Lëana.
- Que tens, mulher?
- Eu? Oras, não tenho nada, só queria que pudéssemos levar nossa vida somente eu e tu, nós dois.
Nasser olhou bem para a esposa que se vestira rapidamente, envolvendo-se nos xales para dar início às suas tarefas, pálida e angustiada, cobrindo os cabelos sem nem penteá-los.
Havia alguma coisa errada ali.
Contudo, antes que Nasser pudesse descobrir o que era, um grande alarido tomou conta do acampamento.
- Que é isso? – perguntou temerosa a mulher.
Porém o que os ouvidos de Nasser escutavam naquele momento não eram gritos de alarme, mas de alegria.
- Darai – esclareceu, o raiar de um sorriso em seus lábios – Darai está entre nós.
