Vocês já saíram correndo atrás de um olifante desembestado Harad adentro? Pois é...

Agora, contudo, após um pequeno intervalo de alguns anos, consegui subir em cima do bicho de novo. É tudo meio estranho, claro; estamos nos conhecendo de novo, recuperando a confiança um no outro, tentando retomar a jornada de onde havíamos parado.

E onde havíamos parado mesmo? Ah sim! Depois de cinco anos tão esticados que passaram de seis (como essas coisas podem acontecer?), o tempo de reapresentar suas esposas chegara para os haradrim, assim como chegara para Haldir e para sua Cabelos Negros.

Quer dizer, tenso né? Será que todos os casais renovariam seus votos após cinco anos?

O tempo que sedimenta e reforça os alicerces de muitas parcerias, também escava fossos de profunda incompreensão, mágoas acumuladas, raivas e frustrações sem remédio entre outros. O tempo rasga nossas fantasias e nos revela como realmente somos, aos outros e a nós mesmos, e nenhum casal passa incólume por isso (nenhum, nem mesmo Éowyn e Faramir, e nem mesmo Arwen e Aragorn).

Mas onde eu estava mesmo? Ah sim! Passados cinco anos o tempo de reapresentar suas esposas chegara para os haradrim, assim como chegara para Haldir e para sua Cabelos Negros ... Muito preconceito, confusão e um crime depois, contudo, tudo estava se resolvendo.

Eu falei que tudo estava se resolvendo?


CAP XL – A PAIXÃO FERMENTADA

Havia sempre muito a fazer numa comunidade haradrim, fosse numa cidade, fosse num acampamento, fosse num palácio, fosse numa tenda, e Darai o aprendera desde sempre.

Muita coisa estava agora ao encargo das mulheres que retornavam ao acampamento do Pelennor, claro, mas muito ainda sobrava para Darai, e disso ela não se queixava.

Ele viria, ela sabia que viria.

Ele viria, e quanto mais se preocupasse porque ele ainda não viera, mais ele demoraria a vir.

Ele viria, viera da outra vez, e não seria diferente agora.

Mas bem que podia sê-lo, por instantes cogitava ela, dividida entre o temor e a esperança que habitavam em cada possibilidade.

Dividida, ela que nascera para ser só certezas.

Esperava e temia pelo dia em que o veria entrar em sua tenda, aplacar o fogo de Harad que voltara a queimar dentro dela quando se reencontrara com sua tradição, com sua essência, consigo mesma.

E levá-la embora de tudo isso novamente.

Esperava e temia que esse dia não se concretizasse nunca, humilhando-a e desmerecendo-a exatamente da forma como Daror preconizara:

"Se não te procura é porque não te quer. Viu além de teus encantos poucos e enxergou toda tua peçonha, mulher infeliz, e teu feitiço não mais o prende: abandonou-te sem nem sequer dar-se ao trabalho de repudiar-te."

De que lhe valia, atingir a masculinidade de Daror, escarnecer dele, se estivesse certo, e ela, então errada.

Desprezada.

Contudo, todas as possibilidades de Harad se lhe descortinariam então, se não lhe prendesse mais aquela aliança.

Confusa, Darai embaralhava-se às vezes no enovelado de seus pensamentos: como se podia desejar tão ardentemente duas coisas opostas? Como podiam duas opções tão diferentes ser tão carregadas de ventura e tão carregadas de espinhos?

Arre! E a tradição de mulher de Harad a queimava mais a cada dia, impacientando-a: não nascera para dúvidas, nascera para certezas!

E também não nascera para ficar aguardando a iniciativa de ninguém.

Arre!

Ficar simplesmente aguardando, como uma mulher reles, que um homem descerrasse a entrada de sua tenda, à mercê de sua vontade!

E o que adviria disso?

Uma resposta completamente súbita e inaudita surgiu da noite e do tempo, materializando dentro da tenda uma imagem que a acompanhara longamente nos caminhos mais difíceis de sua existência.

- Disseram-me que estava sozinha.

Ramur!

- Voltei correndo à frente da comitiva e dos rebanhos, justamente na esperança de encontrá-la assim.

Ramur!

- Disseram-me que teu marido cá não vem.

Ramur?

- E vim ver se isto poderia ser verdade.

Ramur.

Que Ramur estava fazendo ali?

Que lhe diria?

Como defender-se de Ramur, logo de Ramur?

Ramur que fora seu brinquedo e seu vassalo?

Viera agora escarnecer dela? E Darai soube então o que era de fato humilhação.

Não tinha como defender-se dele, não de Ramur, que simbolizava seu destino roubado, sua vida que era para ter sido e não fora. E que agora ressurgira do nada para gritar-lhe seus erros e sua situação de mulher infeliz e repudiada!

Podia valer-se de seus truques e de sua dissimulação para atingir a Daror.

Mas não encontrava em si forças para voltar-se contra Ramur, pois dele proviera a força que usara durante muito tempo.

A lembrança intacta que a sustivera.

A certeza de como homem e mulher deveriam ser.

E nunca outra coisa.

- Onde está teu marido? – Repetiu Ramur aproximando-se dela.

Finalmente tornara-se mais alto que a prima, percebeu Darai ao ter de levantar os olhos para mirar os olhos acima dos seus.

A ele, ela não encontrava em si recurso para desconcertar, para inverter seus lugares, por menos que lhe quisesse a piedade ou a troça sobre o irônico destino de seu casamento.

Tudo que pode foi responder:

- Não sei.

Darai deu um passo para trás quando Ramur se aproximou mais. Tudo, menos piedade!

A violência com que ele a puxou pelos ombros e beijou-a gerou um dos poucos momentos na vida da filha de Harad em que esta foi tão envolta pela surpresa que se viu efetivamente sem ação.

Por um bom tempo ela sequer se deu conta propriamente do que acontecia e, quando seus sentidos se organizaram de forma a lhe permitir ter alguma noção do que ocorria, ainda assim não lhe transmitiram a informação à mente.

Apenas seu corpo de mulher chegou a entender que estava sendo beijado, com a ferocidade de uma paixão fermentada durante quinze anos.

As mãos dele haviam-se crispado sobre os braços dela, e o beijo violento assaltava sua boca, seu corpo, seus sentidos, suas memórias, transportando-a de volta aos seus 15 anos, ao momento em que o mundo era seu.

Aquele beijo com gosto de Harad e de juventude, de caminhos livres, de uma vida inteira pela frente.

Aquele beijo tão inesperado quanto precioso.

Aquele beijo único e eterno, capaz de calar todas as suas dúvidas, de responder todas as suas perguntas.

Era Darai de Harad novamente.

...

- Rá-rá-rá, eis aqui a invencível Darai – ria-se Ramur – e está à minha mercê.

Realmente, Darai arrependia-se de haver subestimado seu oponente; o filho de Hamur voltara ainda mais forte da última campanha, bem diferente da última vez que se haviam batido, duas ou três estações atrás.

- Larga-me, Ramur! – ainda bradava a moça, debatendo-se, quando, para sua fúria completa, o rapaz arrastou-lhe os pulsos pela terra molhada do pequeno oásis, prendendo-lhe ambas as mãos acima da cabeça com apenas uma, fazendo-a ainda mais rendida, apesar de suas tentativas de mordê-lo, das quais ele só se ria.

- Está enlameando meu cabelo! – ainda reclamava, tentando inutilmente soltar-se.

- Teus cabelos rescendem à terra já, prima, lembrei-me do teu cheiro o plantio todo – sussurrou Ramur às orelhas que mordiscava, enquanto seus dedos revolviam-lhe o corpo como haviam de ter revolvido a terra vermelha de Harad.

Cruel. Cruel estava o primo, torturando-lhe o seio.

- Ai, Ramur, pára – a voz agora chorosa – está me enlouquecendo assim.

- Estou te enlouquecendo, prima? Estou? Como tu fizeste comigo todos esses anos?

-PÁRA! – gritou mais uma vez, tentando girar o corpo para libertá-lo de sob o dele, sem sucesso.

- Mais, prima, debata-se mais – desafiou, sabedor do que ela sabia também, que tão logo esperneasse ele lhe agarraria a perna por trás do joelho, suspendendo-a, e ela estaria definitivamente perdida.

Darai franziu a testa olhando-o, sem a menor preocupação de esconder o cálculo, parando de se debater, parando de resistir, deixando as feições pouco a pouco suavizarem-se, e uma excelente simulação de fragilidade prender os olhos do primo nos seus.

Ramur olhou-a.

Estava usando de olhos de corça, ele o sabia ... sua própria mãe, como todas as tias que julgavam a tradição de Darai aprovavam seus olhares, o da águia, o da serpente ... "Não basta ter técnica, é preciso ter feitiço, e Darai o tem."

E dentre todos, o de corça era de longe o mais perigoso, paradoxalmente...

Sabia-o bem.

- Prima ... – murmurou, um tom incerto saindo de sua boca, como quem não sabe se quer resistir, ou se quer deixar-se enganar – prima, não me olhe assim ... não sabe o que faz comigo ...

- O que faço contigo?

Ramur gemeu em resposta, Darai não estava mais presa por seus braços que ele por seu olhar.

O olhar que o puxava para ela.

Que aproximava seus rostos.

Que punha seus lábios tão próximos que se roçavam.

O mero roçar dos lábios dela, a carícia tão esperada ...

O percorrê-los...

O deixar-se percorrer por eles ...

- Aaaaaaaa! – berrou Ramur quando ela cravou firmemente os dentes fortes e afiados em sua orelha – Solta! Solta! Solta, Darai!

Mas gritos só não seriam suficientes para demovê-la, a prima não negociava, e a orelha de Ramur iria rasgar-se se este não acertasse com força suficiente aquele maxilar carnívoro.

O tapa de Ramur projetou a menina para longe dele, mas Darai aproveitou o impulso para pôr-se de pé na maior rapidez, e já correr a vestir-se, que por ela a brincadeira acabava agora.

- Ai! Sua doida! Quase arrancou minha orelha! – voltou-se o rapaz para a prima que já pusera a camisa.

Mas Ramur estacou quando Darai pôs-se em guarda à sua aproximação.

Sabia que, desavisada, ela lhe facilitara demasiado as coisas, e que tal não sucederia num novo embate: o que lhe faltava em força, a pupila de Terair sabia compensar em agilidade e no uso do movimento como alavanca.

Cruel e violenta então, ela seria: indisposta a perder, impiedosa com os perdedores.

Alguém se machucaria seriamente num embate verdadeiro com a prima.

E Ramur não desejava machucá-la de fato.

Bem como não poderia simplesmente entregar-lhe a vitória: Darai não o respeitaria como homem nunca mais se o derrotasse agora, a predadora.

- Estás com medo de Ramur, priminha?

Mas os filhos de Raor herdaram-lhe a característica, e sequer escutavam às provocações, jamais perdendo-se em respondê-las.

Pernas afastadas, punhos fechados à frente do rosto, Darai apenas aguardava.

Ainda assim foi com um sobressalto que a moça pulou para trás, atônita, quando Ramur rojou-se sobre os joelhos, postando-se aos seus pés.

- Não tenha medo de mim, prima.

- Êh Ramur, o sol te ferveu os miolos? Levanta daí!

- Que te incomoda, prima, que Ramur aqui esteja, assim?

- A mim? Nada, oras! – Mas a incomodava sim, ser desconcertada ...

-Então que prevenção é esta?- riu-se

- Tua arma continua apontada para mim – o sorriso voltara a ela também, predador.

- Minha espada anseia pela bainha dela, onde mais encontrará repouso a arma de um guerreiro? – galanteou-a.

- A bainha que guardo não se prestará a repouso algum, disto o homem que me desposar deve estar certo – as mãos se lhe haviam pousado nos quadris, e o queixo arrogante se aproximara - bem como certo é que um guerreiro não se roja aos pés de outro, exceto se é um covarde.

- Não é covarde o homem que não tem medo de te amar, prima, e eu não tenho.

- Amar-me? – os olhos desconfiados estreitaram-se – Ama-me, se quiseres, priminho, mas não espera o mesmo de mim – Amar? Brincar sim, divertir-se! Casar, constituir uma aliança e uma família, gerar uma prole que a perpetuasse ... mas jamais expor seu coração a um apego desmedido, sujeitar-se para além do que lhe ditassem a razão e a conveniência ... nunca entregar as rédeas de sua vontade íntima a outrem dessa forma!

Ramur a mirava, a rosa mais selvagem, mais luxuriante, e mais espinhenta de todo Harad.

- Amo-te, e amo-te como tu és.

- Tu és um perturbado, Ramur – era um perturbado, e a perturbava ... com aquelas conversas que a faziam enternecer-se, a disposição sempre benfazeja a todos os seus caprichos que a faziam confiar demais, aconchegar-se naquela adoração ...

- Bem menos perturbado que tu, que foges ou finges fugir do que todos sabem: que somos destinados.

- Destinados? Eu e tu? Tu ainda não tens minha altura, nem me pagaste o dote ao meu Pai.

- Sabes qual uma das primeiras lembranças de minha vida, prima?

- Arre, Ramur, que interesse tem Darai em tuas lembranças?

- Ramur mal andava, nem sei se já sabia falar ... mas, quando notícia de tua chegada aportou na Casa de meu Pai, ainda conversando com teu mensageiro Hamur pegou-me no colo e disse: "Filho, tua mulher nasceu".

- ...

- Antes de te conhecer, já te amava, como antes de nascermos já estávamos destinados um ao outro, à renovação da aliança de nossas Casas.

- Isso foi noutros tempos, Ramur, tempos cheios de inimigos – fez Darai pouco caso do amor que Ramur sempre lhe reafirmava, espezinhando-lhe os sentimentos, como Raor divertia-se em fazer com o sobrinho – No Harad de hoje a primeira Casa não tem inimigos, e todos desejam tomar-me em aliança – seu convencimento não conhecia limites.

- Pois esta paz de que falas acabará se eu não a tiver, Darai, começo guerra, acho bom advertires teu Pai, que já estou a cansar-me da implicância do tio Raor...

- Advertir a Raor?! Rio de ti, Ramur: cheguem aos ouvidos de meu pai tuas bravatas, e o teu te dará uma boa surra, isso sim.

- Não são bravatas, é combinação entre os velhos que Meu Pai faz questão de ver honrada! Ele e a mãe já estão a comentar como vai ser quando te tiverem por lá para alegrar a casa.

- É mesmo?! – Darai havia-se aproximado, interessada, Hamur e Ashaya não haviam tido filhas, apenas varões, e desde sempre a quiseram como sua encarnação da graça.

- Minha mãe até sabe do que você gosta, vai mimar a nora como se fosse uma garotinha – sorriu Ramur, acariciando o rosto de sua eterna futura noiva.

- Mal posso esperar para chamar Ashaya de mãe, entendo-me muito melhor com ela que com Ravai ...

- Devias tratar o filho dela melhor, então. Ashaya te adora.

Darai acariciou a face do primo.

- Trato-te melhor que a qualquer outro, mas o Pai ordenou-me que conservasse o lacre. Minha mãe teve coxas manchadas de sangue para exibir, acho que convenceu Raor de que devo ter o mesmo, como se ainda vivêssemos na época dela, rá! – apoquentou-se.

- Tens de parar de te desentenderes com tua mãe, Darai, perdes a razão ante teu pai quando entras em conflito com ela.

- Eu sei, mas é que minha mãe me persegue! Quer ver-me mudada, embora todos digam que na minha idade era igual a mim. – Queixou-se

- Casou de olhos vendados e selada. Tu te casarás com festa na tua Casa, quando eu te levar, e festa na minha, quando chegares, e dançaras em ambas as ocasiões, ninguém vai reparar se levou selo ou não – argumentou Ramur.

- Se Raor me entregar a ti, lembre-se, até lá me prometeu uma surra se perder o selo... – espicaçou-o mais uma vez, brincalhona.

- Está bem – concordou Ramur – Vamos deixar teu selo fora da brincadeira.

- Já não brincamos o suficiente hoje, Ramur? – Riu-se feliz. Adorava ser tão adorada por ele.

- Se foi o suficiente para ti, já vi que viverei à míngua de ti, mulher sem fogo.

- Tenho muito fogo – contrapôs incontinenti – Muita audácia tua dizer o contrário. Estás brincando com o que não podes controlar.

- Tu? És uma brazinha que tenho de ficar assoprando para inflamar, pareces uma menininha boba.

- Não me desafies, Ramur, que te deixo seco e ainda nem terei começado.

- Pois desafio-te! – Era sempre a melhor forma de lidar com ela – Faz-me prova de tuas habilidades e me forneça amostra dos favores que dizes possuir!

Arre, pois Ramur ia ver só!

Darai pôs-se a dançar, música que os haradrim conheciam de cor e evocavam quando queriam, ouvindo-a sem que fosse necessário tocá-la. Serpenteava o corpo, sacudia os cabelos, tirou a blusa, os quadris requebravam, os seios saltavam e agachou-se nua junto a ele.

Sentava-se entre as pernas cruzadas dele, sua próprias pernas cruzadas às costas de Ramur, os corpos quase colados, apenas o falo do rapaz entre os dois.

Darai imobilizou-se, como tambores que subitamente fazem silêncio.

E então começou.

Um vibrar ritmado em seu ventre.

Seu ventre que subia, descia e ondeava, como um poderoso conjunto de percussão que houvesse voltado a soar.

Seu ventre e seus seios dançavam. As mãos dele pousadas sobre seus glúteos sentiam-lhes o vibrar, seu membro acompanhava o sobe e desce da barriga, dolorosamente massageado pelos movimentos poderosos do ventre, os seios quase ao seu alcance provocavam-no sem que ele pudesse tocá-los sem romper a sequencia na qual ela o estava conduzindo.

Não que aquela demonstração de virtuosismo fosse necessária para conduzir ao jardim das delícias aquele rapazola apaixonado.

Estar com ela já era estar no jardim das delícias para Ramur.

Rolaram de rir quando a seiva dele jorrou, atingindo-os.

- Obrigado Harad! – Berrava Ramur – Sou o mais feliz de teus homens!

- Harad vai rir de ti – ria Darai – Nem um homem és direito ainda, primo!

- Sou sim – voltou Ramur a deitar-se junto a ela – Posso fazer de ti a mais feliz das mulheres também, deixa-me tocá-la...

- Ai, Ramur – gemeu Darai, querendo se negar, querendo se entregar...

E na indecisão dela ele já a acariciava, já dialogava com os peitinhos que ainda se lembravam de seu beliscão agridoce, já puxavam da seiva dela mesma, fluida, viscosa, intensa e perfumada, lambuzando os dedos que brincavam de explorar os caminhos de sua entrada...

- Ai, Ramur, tenho tanto fogo.

- Vou incendiar-te.

- Queimo já

- Vou fazê-la consumir-se

-...

Nem ocorreu mais a ela o que falar, pois entrara de fato em ebulição: Ramur encontrara-lhe o ponto de fora, e nele concentrara o polegar áspero, e também encontrara seu ponto de dentro, acariciando-o com seu dedo médio longo, sentindo-se um homem completo ao observar o que podia fazer com ela ao tê-la nas mãos, ao trabalhar-lhe o corpo...

Agora a danada havia de amá-lo também, era o que dizia o sorriso que se instalara na face afogueada de tanto gemer e gritar.

E também os olhos contentados que encontraram os seus ... Darai o amava, acariciou ele a face adorada.

Manchando-a de sangue.

- Que é isso?! – Berrou Darai sentando-se

- N-não sei – gaguejou Ramur, mas ele bem imaginava que estava enrascado.

- Enfiou teus dedos dentro de mim! Estúpido! Rompeu meu lacre, meu pai vai me moer de pancada! Minha mãe vai me admoestar! Seu estrupício! – Os ataques de fúria da filha de Raor já haviam começado a se tornar lendários, comparáveis que eram à fúria do próprio Harad.

- Vou reparar-te, não precisa gritar, agora casa-mo-nos logo...

- Que casa-mo-nos logo, imbecil? Quero viajar ao Norte, e lá pode ser que surja um outro noivo para mim!

- O quê?! – Foi a vez de Ramur berrar. Enquanto a insistência dela naquela viagem era uma oportunidade para ele finalmente ir às Minas fazer dote, ele podia concordar com aquele capricho, mas nunca fora ventilada a possibilidade de Darai vir a ser dada em garantia de uma aliança estrangeira – Que história é essa?! Tu és minha prometida, pela palavra do Teu pai ao Meu Pai, e estou começando a não ver com bons olhos a ida de coisa minha para fora do Harad.

- Não sou coisa tua, Ramur! Menos ainda agora: que meu selo ficou contigo é coisa de que nenhum deve saber, seu jumento idiota! – ordenou.

- Vais ver agora se és ou não és minha! – Darai finalmente conseguira conduzir Ramur a uma ira desmedida, e o primo assomou sobre ela sem dar-lhe chance de defesa, com raiva e a ferindo.

Até ver-se abraçando-a muito apertado.

Apenas uma parte do lacre de Darai fora rompida de modo indolor pela carícia dos dedos de Ramur, a maior parte do selo só foi rasgada quando o primo invadiu seu corpo, e com um grito sufocado a menina encolheu-se nos braços dele.

Deusa-mãe! Devia estar doendo muito para a prima sustar a respiração assim – preocupou-se ao senti-la tão retesada, por fora e por dentro.

Como era apertada.

E como o apertava.

E como era quente, macia e molhada. Não houvesse Ramur gozado ainda há pouco, mal resistiria.

Mas agora precisava terminar o que começara, e fazê-lo direito – pensava abraçando-a, o ódio de um momento atrás dissipado.

- Deixa a dor passar, minha rosa – murmurou acariciando-lhe a face, puxando-lhe o rosto para olhar o seu rosto – também eu me feri em teus espinhos.

Darai conseguiu de si um sorriso, enquanto lágrimas doloridas escorriam de seus olhos, e Ramur a beijava lentamente.

A dor passa. No calor da batalha a dor passa.

No calor da batalha é preciso esquecê-la.

E Ramur e Darai há muito ansiavam por aquela batalha.

Demais.

Ele a tomara então, finalmente, e chegariam ao topo juntos.

Seu primeiro beijo, Ramur.

Sua primeira carícia, Ramur.

Todos os degraus daquela escada, galgara-os com ele.

Nada mais natural que completassem a subida juntos.

...

Depois de se amarem por um dia inteiro, finalmente Ramur e Darai aquietaram-se, ela recostada em seu peito, como estava destinado a ser pela vida inteira de ambos.

- Te fiz satisfeita, mulher?

- Por agora, homem – foi a resposta mais displicente que conseguiu Darai emitir, lassa sobre ele, sem mais qualquer vontade de discutir.- Por agora...

Homem. Mulher. Estavam se dando o tratamento dos que estão casados e, para Ramur, já o eram.

O pagamento do dote à Casa de Raor seria apenas uma formalidade, exigida pela tradição e merecida por aquela que, mais que sua noiva, seria para sempre sua mulher, senhora de seu coração desde sempre, e para toda vida.