Capítulo 5
Um: encontro. Dois: desastres
- Ai! – Remus grunhiu ao virar o corpo sobre o colchão da cama onde estava deitado. Sentia a sua pele arder por causa dos arranhões e mesmo que os olhos ainda não estivessem abertos, podia sentir que a sua perna deveria estar em um estado lamentável, pois era a parte que doía mais ao mesmo tempo em que parecia estar dormente. Suas pálpebras tremularam e seus olhos latejaram quando uma intensa claridade o cegou por alguns segundos. Gemeu novamente, virando-se sobre a cama macia e segurando a vontade de espreguiçar-se, pois sabia que isso apenas faria seu corpo ficar mais dolorido. Será que estava novamente na ala hospitalar de Hogwarts depois de mais uma noite de lua cheia?
- Hora de acordar e brilhar! – uma voz em tom rouco sussurrou perto do seu ouvido e todos os sentidos de Remus despertaram para esta ameaça. Num impulso o homem sentou, usando a perna boa para deslizar o corpo pelas cobertas enquanto olhos castanhos largos estavam fixos na figura que estava apoiada no dossel ao pé da cama. Fios negros de cabelo caíam desleixados sobre frios olhos azuis, emoldurando o rosto de queixo firme e que em uma das bochechas havia três marcas quase cicatrizadas. Três feridas semelhantes a marcas de garras.
Ainda assustado e com o coração aos pulos, Remus olhou ao seu redor, percebendo que não estava mais naquele quarto minúsculo e apertado, mas sim em um espaçoso e luxuoso aposento cuja enorme cama ocupava metade do lugar. A sua perna dormente estava enfaixada desde o tornozelo até o joelho e os seus braços e a outra perna possuíam cortes e arranhões que de alguma maneira ele sabia que não foram feitos por pelo lobisomem.
- Você ficou metade da manhã apagado. – Sirius continuou, desencostando do dossel e aproximando-se mais da cama. Remus prendeu a respiração e com todas as forças que conseguiu reunir rolou pelo colchão e de maneira desajeitada saiu da cama, trazendo as cobertas no processo e enrolando as suas pernas nela, o que o fez cair dolorosamente no chão frio.
- O que houve com você? – murmurou com a voz quase sumida enquanto tentava se colocar de pé e ganhar uma distância maior entre si e o outro homem que engatinhava sobre a cama em sua direção. Não era apenas o rosto de Sirius que estava marcado, os ante braços expostos pela manga da camisa de linho branca, que estava enrolada até os cotovelos, também apresentavam feias marcas vermelhas também cicatrizando.
- Um lobo furioso foi o que aconteceu. – gracejou o demônio, sentando-se elegantemente na cama como se fosse algum modelo posando para a capa da Bruxa Semanal. As bochechas de Remus ficaram vermelhas, incomodado com a presença daquele sujeito. Na noite anterior quando o conheceu junto com o Potter havia uma grade os separando e toda a sua atenção estava voltada a Harry, com quem conversava. Mas hoje eram somente eles dois e tinha algo em Black que o incomodava profundamente, que fazia um calafrio surgir na boca do seu estômago enquanto era avaliado por aqueles olhos azuis.
- Lobo furioso… - por um breve momento Lupin considerou a idéia de que Sirius havia brigado com algum companheiro em sua forma demoníaca, mas então se lembrou de que lobos eram criaturas leais e que não atacavam o companheiro a não ser que houvesse uma boa razão para isso, como alta traição. E Black era o segundo em comando do Potter, quem seria tolo o suficiente para contrariá-lo a ponto de arrumar uma briga?
- Você realmente tem uma mente afiada. – Sirius escarneceu quando viu olhos castanhos alargaram-se no rosto jovial de Remus, marcado pelas feridas da noite anterior. Porém, rapidamente esses mesmos olhos estreitaram-se e as sobrancelhas claras franziram em uma expressão que todos os alunos de Hogwarts conheciam como a expressão furiosa de Lupin. Aquela que se surgisse em seu rosto era melhor sair correndo implorando por sua vida.
- Eu te ataquei ou coisa parecida? – perguntou com uma voz contida, rilhando os dentes. Se fosse avaliar todo o contexto com certeza poucos eram aqueles na Mansão Potter, isso se ele ainda estivesse na casa e não em outra propriedade da família, que deveriam saber da sua situação. Apesar de ser um demônio, Potter ainda tinha a sua honra e matar um inimigo sem chances de se defender, mesmo que seja um lobisomem considerado perigoso, não era honra nenhuma. Mas Potter também sabia que arriscar-se perto de um lobisomem era pedir para ganhar alguns ferimentos e, até onde ele se lembrava da noite da transformação, ele estava muito bem trancado naquela cela. Então como foi que isso aconteceu?
- Mais ou menos. – Sirius respondeu com ar de pouco caso, observando intensamente cada reação de Remus. O bruxo tinha parado de tentar fugir dele e agora estava em uma posição defensiva. Seus punhos fechados sobre o carpete mostravam o quanto ele tentava obter o controle de seu corpo, obviamente dividido entre ficar e encarar Black ou fugir desesperadamente. Os pêlos de seu braço estavam arrepiados em clara indicação de que os instintos lupinos do lobisomem estavam, devido a recente lua cheia, ainda se sobrepondo ao humano e os olhos castanhos escureciam e clareavam em uma explícita indicação do humor do homem.
- Você não entrou deliberadamente na cela por que achou que seria divertido lutar contra um lobisomem, entrou? – perguntou desconfiado. Havia ouvido histórias de Shacklebolt de que Black era meio pancado das idéias e que encontrava nas situações mais absurdas uma fonte de diversão. Não duvidava nada de que ele tenha entrado espontaneamente na sua cela apenas para brigar com ele.
- Novamente a sua mente é bem afiada mestiço. – respondeu com tom de desdém e Remus segurou-se para não dar uma careta infantil para ele, pois detestava aquela palavra, mestiço. Dava a impressão de que ele era uma coisa insignificante, uma coisa suja. Ficaram se encarando por longos e silenciosos segundos até que o bruxo finalmente explodiu.
- Você é demente por um acaso! – seu tom de voz não foi muito elevado, apenas uma oitava acima do normal. Mas para quem conhecia Lupin e seu tom brando, uma alteração qualquer no volume do mesmo era um caso para se preocupar. Sirius encolheu-se um pouco como se tivesse acabado de levar uma chicotada. Já tinha ouvido vários tipos de gritos durante a sua vida: gritos de dor, raiva, frustração, loucura, mas esse quase grito o fez se sentir como um filhote novamente sendo repreendido pela maluca da sua mãe.
- Como? – Sirius rosnou, recuperando-se rapidamente do choque e erguendo-se da cama num pulo, parecendo muito mais assustador do que normalmente era. Remus levantou-se do chão apressadamente, cambaleando um pouco por causa da perna ferida, e afastou-se mais ainda do homem que estava aproximando-se de si em passadas quase predatórias. – Como ousa levantar a voz para mim mestiço? – cuspiu a palavra com desprezo, seus olhos frios parecendo fazer a temperatura ambiente diminuir. Pensou que com isso o bruxo iria recuar, mas surpreendeu-se quando Lupin endireitou mais o corpo para mirar Sirius nos olhos com uma expressão de desafio. O mesmo olhar que o lobisomem tinha lhe dado na noite passada. E o cheiro, o cheiro era o mesmo que ele sentira no campo de batalha naquela noite em que seqüestrou o homem.
Black deu um sorriso enviesado. Ele era uma criatura extremamente interessante, muito diferente dos outros lobisomens com quem já cruzara. Eles sempre eram extremos, ou selvagens demais por causa da licantropia ou passivos demais por causa da maldição. Remus não parecia ser daquele que gostava de sofrer em toda noite de lua cheia, que gostava que o seu lado racional desse lugar a um lado selvagem, mas ele também não deixava isso o abater. Realmente muito interessante. Será que era pelo fato de ser um homem de confiança do próprio Draco Malfoy que Remus Lupin não se deixava vencer pela maldição?
- Bem – Remus começou firmemente como se estivesse repreendendo um de seus alunos mais rebeldes, coisa que ele tinha aos montes. – se o Potter é incapaz de colocar algum juízo nessa sua cabeça, alguém tem que fazer isso. – a intenção era fazer Sirius perceber que o fato de ele ser um demônio não diminuía o perigo de ficar na presença de Moony e que se o lobisomem tivesse matado o outro com certeza Remus teria grandes problemas agora. Porém, o sorriso malicioso que Black deu fez o sangue do bruxo gelar e correr ao contrário no corpo. O que ele tinha dito de errado?
- E você está se candidatando para ser essa pessoa que irá me tornar um lobo mais responsável? – disse em um sussurro e agora o sangue de Lupin esquentou, subindo das pontas dos dedos até as bordas de suas orelhas. Que criatura mais estranha era essa? Primeiro o tratava com extremo desprezo por ele ser um mestiço, arrumava brigas sem sentido com ele transformado, passava do mau humor a uma postura sensual em questões de segundos. Ele realmente era totalmente desequilibrado e… fascinante ao mesmo tempo.
- Por que eu estou aqui? – desconversou, desviando-se de Sirius quando esse avançou mais um passo que passou os limites do seu espaço pessoal. Rapidamente afastou-se do demônio, colocando a cama entre os dois apenas por questão de segurança.
- Pensei que já sabia disso. Te seqüestrei naquele campo de batalha, esqueceu? No dia que atacamos Durham. – respondeu Black, cruzando os braços sobre o peito e recostando-se na larga cômoda do quarto.
- Não! Eu quero saber por que estou neste quarto e não naquela cela? – continuou, com os olhos fixos em Sirius para qualquer movimento suspeito.
- Porque sim! Qual é o problema? Este lugar não te agrada? – rodou os olhos pelo quarto, ele era bem agradável. Ventilado, iluminado, com móveis caros e uma cama bem macia. Remus deu um pequeno sorriso enviesado. Nada naquele lugar o agradava. Ele estava na toca dos lobos e isso não era uma notícia que o fazia ficar extremamente relaxado. Tencionou um pouco os ombros. Toda a atmosfera daquele lugar lhe causava arrepios e o lobisomem dentro de si não gostava de saber que estava em território alheio e em menor número, enquanto o homem não se acostumava com o fato de que era um prisioneiro de guerra.
- Vejo que está tenso. – Black desencostou do móvel e deu um passo à frente, causando uma reação imediata em Remus que recuou causando uma dança de vai e vem que estava começando a irritar o demônio.
- Verdade? – escarneceu o bruxo e arregalou os olhos quando num pulo Sirius passou por cima da cama, agarrou Remus pelos ombros e o lançou contra o colchão, sentando-se sobre ele e prendendo as mãos do homem sobre a cabeça do mesmo.
- Mestiços com certeza não são a minha área. São desprezíveis, umas aberrações da natureza… - foi dizendo, vendo com divertimento o rosto do bruxo se contorcer em fúria diante das ofensas. -… mas confesso que você é bem interessante, tanto na forma de besta quanto na forma humana. Então, quem sabe, eu possa abrir uma exceção pra você. – terminou, dando uma longa e molhada lambida na bochecha de Remus, que prendeu a respiração diante deste gesto.
- Sr. Black, eu agradeceria se você tirasse as suas patas imundas de cima de mim. – rosnou enfurecido e com uma joelhada acertou Sirius entre as pernas, erguendo o punho fechado e socando o demônio fortemente no rosto, o tirando de cima de si. – Obrigado. – ofegou, erguendo-se rapidamente da cama e ajeitando as suas roupas surradas.
- Oras seu mestiço desgraçado filho de uma… - Sirius rosnou, avançando para cima de Remus que sentiu o coração parar. Quando tinha batido no demônio não havia pensado muito nas conseqüências, mas agora era tarde.
- Lorde Black eu trouxe o café como o senhor pediu. – uma serva entrou no quarto carregando uma bandeja com comida, parando Sirius no meio de seu ataque e gerando um suspiro de alívio de Lupin. – Er… interrompo alguma coisa? – perguntou amedrontada ao ver o olhar quase mortal no rosto do demônio.
- Não! – Sirius grunhiu, recompondo-se o máximo que pôde depois de ter recebido um golpe tão baixo e mirou Remus com fúria. – Nossa conversa não termina aqui mestiço. – caminhou em direção a porta de entrada, segurando a maçaneta dourada fortemente. – Eu volto mais tarde para pegar as minhas coisas.
- O quê? – balbuciou Remus com a voz fraca.
- Eu não te disse mestiço? – Lupin deu uma negativa com a cabeça. Disse o quê? – Pois então fique bastante agradecido diante da minha grande generosidade em ceder o meu quarto para o repouso do prisioneiro ferido. – Remus empalideceu enquanto Sirius dava um sorriso malicioso. – E acredite, eu vou cobrar. – e saiu batendo a porta do quarto atrás de si.
- Você vai criar uma cratera no chão se continuar neste ritmo. – Harry falou em um tom monocórdio, apoiando o queixo na palma da mão enquanto via Draco andar de um lado para o outro no centro da sala de reuniões ocupada apenas pelos dois. Rapidamente o loiro parou de perambular e como uma fera encolerizada virou-se para o demônio sentado sobre a mesa de conferência. Com grande passadas chegou perto dele, espalmou as mãos do lado das coxas de Harry e aproximou o seu rosto do rosto do homem mais velho.
- Como é que você pode estar tão calmo! – rugiu enfurecido, sua voz ecoando nas paredes de pedra.
- Séculos de meditação e treinamento! – Harry esclareceu, arqueando as sobrancelhas negras e não se importando com a proximidade do loiro de si, invadindo seu espaço pessoal e deixando amostra o rosto rubro de raiva bem próximo dos olhos verdes do moreno.
- Você sabe o que eles estão fazendo agora? – grunhiu Draco apontando para uma pesada porta de carvalho a um canto da sala que levava a um caminho que ia direto para a sala do diretor. – Com certeza eles estão discutindo se ainda vale a pena eu ficar na liderança da Ordem. – explicou. Quando voltaram para Hogwarts, Dumbledore tinha retornado imediatamente a sua sala e pedido para Draco esperar, guardando o Potter, na sala de reuniões enquanto o diretor convocava os outros membros do conselho da Ordem da Fênix.
- Ah, se eles fizerem isso vai perder toda a graça. Estamos empatados no campo de batalha Malfoy e eu ainda quero ter o prazer de derrotar você. – escarneceu, inclinando um pouco o rosto pra frente e deixando que a sua mão, a que antes apoiava o seu queixo, deslizasse pelo braço pálido de Draco até chegar ao pulso fino do garoto. – Quero vê-lo sob mim, subjugado, implorando por clemência. – sussurrou num tom de flerte.
- Potter, agora não é hora para essas suas brincadeiras de duplo sentido. – sibilou entre dentes, divergindo o olhar do rosto de Harry para a mão em seu pulso. – E faça o favor de me soltar! – ordenou e recebeu como resposta um grande e enviesado sorriso de dentes brancos.
- Devo lembrá-lo, Draco, que nesta nossa relação não é você quem dá as ordens? – algo pareceu inflar dentro do loiro que se segurou para não soltar um grande grito de raiva diante da ousadia daquele demônio.
- Você não é meu dono Potter! – cuspiu venenosamente e um canino afiado pareceu ficar mais saliente dentro do sorriso de Harry, que deu um puxão no braço de Draco o trazendo para mais perto de si.
- Não importa quanto tempo passe você sempre será essa criaturinha arisca, não será? – Malfoy mordeu o lábio inferior para poder segurar qualquer resposta abusada, querendo saber até que ponto Harry iria para poder disciplina-lo. O demônio sempre estava tentando enfiar algum tipo de respeito ou medo dentro do rapaz, mas sempre falhava. Draco foi criado durante a infância por Lucius Malfoy, a pessoa mais orgulhosa que ele já conheceu na vida, depois foi educado por Severo que nunca permitiu que ele se rebaixasse a ninguém e não seria Potter que iria mudar isso agora, por mais que tentasse.
- Como se isso não te excitasse Potter. – provocou ao murmurar tal frase ao pé do ouvido. Harry sentiu um arrepio descer a sua espinha e eriçar todos os pêlos do seu corpo. Comparado a si Draco era apenas uma criança querendo posar como homem grande, mas ele não conseguia, por mais que quisesse, resistir a essa criança.
- Chega! – gritou, segurando agora em ambos os braços do bruxo e o erguendo violentamente do chão, o jogando com um estrondo sobre a mesa de madeira que gemeu diante do peso do loiro sobre ela. Virando o corpo Harry inclinou-se sobre Draco, o imprensando entre a mesa e si.
- H-Harry! – gaguejou alarmado, pois a posição em que estavam agora era bastante comprometedora. E se alguém entrasse? – O que pensa que está fazendo?
- Você faz idéia de como eu senti a sua falta nesses últimos meses? – murmurou contra o pescoço do loiro, aspirando o cheiro tão particular que ele possuía. – Como senti falta do seu cheiro, da sua pele. – deslizou uma mão sob a camisa de Draco, tocando a pele macia do quadril dele. – Da sua voz. – deslizou os lábios pelo rosto do bruxo, dando leves beijos nele.
- P-Potter… - gemeu longamente, ainda tentando colocar algum senso na cabeça do demônio. Eles não podiam! Eles tinham um acordo!
- Gemendo o meu nome. – concluiu Harry, selando os lábios de Draco com os seus em um beijo sedento, deslizando as suas mãos pela pele clara, apertando o corpo dele aqui e acolá. Travando uma batalha de línguas dentro da boca do loiro enquanto esse gemia contra a sua e escorregava seus longos e elegantes dedos pela nuca do demônio, chegando ao elástico que prendia as mechas negras, as libertando em um movimento só e formando uma cortina sobre os dois enquanto os corpos se esfregavam em um balanço cadenciado.
- Pare… - ofegou quando a boca de Harry soltou a sua, apenas para ser calado novamente pelos lábios rosados e úmidos enquanto uma mão ávida batalhava contra o cinto de couro em seus jeans. Quando o estalo de algo arrebentando ecoou pela sala é que Draco acordou, arregalando os olhos e segurando os ombros de Potter com força, o empurrando para longe de si. Quando o demônio fez menção de avançar novamente sobre o bruxo, este esticou a perna e plantou o pé no peito do moreno, o parando no meio do caminho. – Como é que um sujeito com uma audição tão apurada não consegue me ouvir dizer pare? – esbravejou ainda tentando recuperar o seu fôlego.
- Difícil quando se tem uma língua atrevida brincando no meu ouvido. – Harry provocou e soltou uma risadinha entre dentes quando viu o estrago que tinha feito no cós da calça de Draco quando arrebentou o cinto que a segurava.
- Esta calça me custou uma fortuna Potter, e você vai pagar por ela!
- Para que eu vou pagar por uma calça que me interessa mais fora do seu corpo? – gracejou e Draco grunhiu, dando impulso na perna e empurrando Harry contra a parede da sala, deslizando sobre a mesa e pondo-se de pé no chão. - Você realmente anda ficando rabugento com o passar dos anos, não anda? – resmungou o demônio, ajeitando novamente os cabelos e os prendendo enquanto alisava a sua roupa, sumindo com qualquer amassado nela.
- Por que você tem a mania de falar como se eu fosse bem mais velho que você Potter? – rebateu Draco, cruzando os braços sobre o peito e soltando um bufo de indignação, inclinando o seu corpo para trás para apoiar-se na mesa e mantendo os seus olhos fixos no outro homem para prever qualquer movimento suspeito dele.
- Porque você é? Quando eu tinha a sua idade Malfoy eu ainda era bebê de colo. E por mais séculos que eu tenha, eu ficarei jovem pela eternidade. Mas você vai envelhecer, ganhar rugas, fios brancos e tudo mais.
- Bruxos também demoram a envelhecer, Potter, caso tenha esquecido. E qual é o nexo dessa conversa afinal? – falou exasperado. Por que eles estavam discutindo a diferença entre o processo de crescimento bruxo e demoníaco?
- Porque eu estou entediado e você não me deixa fazer nada além de falar. – respondeu Harry quando a porta que levava a sala do diretor abriu com um rangido e um grande grupo de pessoas passou por ela, sendo guiadas por Dumbledore. Maioria já eram bruxos adultos, muitos com cabelos brancos e talvez tivesse um ou outro que se aproximasse da idade de Draco. Harry também reparou que boa parte do grupo era composto por ruivos, com certeza pertencentes à mesma família, assim como reparou que Malfoy não tinha ficado nada feliz em ver ditos ruivos.
- Ah, vejo que nenhum incidente ocorreu na nossa ausência. – Dumbledore disse com um tom jovial enquanto seus cintilantes olhos azuis percorriam de Draco para Harry. O demônio deu um sorriso malicioso quando viu que exceto o diretor, nenhum outro humano estava se arriscando a aproximar-se dele.
- Se você diz. – resmungou Draco ao lembrar-se do seu cinto destruído e da sua calça arruinada. Inconscientemente puxou a barra do casaco mais na direção do quadril para disfarçar o estrago que Potter tinha feito, ao mesmo tempo em que evitava fazer movimentos bruscos para a calça não cair.
- Por favor, sentem-se todos! – o diretor indicou a grande e redonda mesa de reunião com as mãos, mas ninguém se moveu. Malfoy rolou os olhos diante da covardia de seus colegas e da teimosia de Potter. Os bruxos não se moviam com medo do demônio e o mesmo não se mexia porque não queria se misturar com os bruxos. Frustrado ele caminhou até Harry e segurou firmemente o braço dele, o puxando e o arrastando em direção a mesa, quase o jogando sobre uma das cadeiras. Olhos arregalaram-se na sala diante da ousadia de Draco de tocar aquela criatura tão perigosa e pelo fato de que tal criatura não tinha feito nada contra isso.
- SENTEM-SE! – ordenou Malfoy com uma voz firme de comando e rapidamente todos se moveram, ocupando seus lugares de costume, deixando as duas cadeiras ao lado de Harry vazias. Dumbledore deu um pequeno sorriso e sacudiu a cabeça, ocupando o lugar ao lado esquerdo de Potter enquanto um Draco exasperado conformava-se em sentar-se do lado direito do demônio.
- Bem, agora que estamos todos aqui podemos começar a discutir os eventos do dia. Draco? – o diretor virou-se para o jovem bruxo que arqueou as sobrancelhas. Se ele estava tão disposto a presidir o encontro, porque estava se dirigindo a ele?
- O quê? – perguntou petulante, inclinando a sua cadeira para trás e equilibrando-se nas pernas traseiras dela, enquanto cruzava os braços sobre o peito e percorria os olhos sobre os outros integrantes da Ordem que estavam com a atenção fixada em Harry que parecia bem à vontade dentro da toca do inimigo.
- Obviamente, Draco, você sabe mais desse incidente do que nós. – Dumbledore falou com um sorriso no rosto e uma expressão serena e Draco deixou a cadeira voltar a sua posição normal com medo de perder o equilíbrio por causa do susto. Como assim?
- O que você quer dizer com isso velhote? – desafiou num tom prepotente e Harry soltou uma risada, assustando metade da sala. E ele que pensava que Malfoy apenas agia assim com ele. Que confortador saber que o loiro era mal educado com meio mundo. Como é que essa criança mimada chegou à posição que estava?
- Ele tem grande potencial Lorde Potter, só precisamos ver além da pose arrogante. Draco terá muito tempo para amadurecer. – uma voz falou baixo ao lado de Harry e esse virou a cabeça para ver o diretor sorrindo sabiamente para si. Será que tinha pensado alto? Com certeza não. Então como o homem sabia o que estava na sua cabeça? Dumbledore sempre foi uma criatura estranha que ele nunca conseguiu entender mesmo com os anos de inimizade.
- Será que em vez de discutirmos o ataque primeiro, não seria mais sensato tentarmos descobrir porque o líder dos demônios estava em Hogsmeade? – Harry voltou a sua atenção novamente para os integrantes da mesa, especialmente para o ruivo que tinha falado. Parecia ser o mais jovem do grupo que estava na sala.
- Eu estava entediado e resolvi dar uma volta. – deu de ombros e podia jurar que estava quase saindo fumaça de sob os cabelos vermelhos.
- Em nosso território? – Shacklebolt indagou extremamente intrigado diante dessa desculpa insatisfatória. – Como foi que você conseguiu passar pelas barreiras?
- Bem, Kin, isso é fácil de explicar. Suas barreiras são ineficientes. E eu vim pela floresta, não há magia suficiente que me impeça de usar o poder da floresta para poder passar as suas barreiras vagabundas. – provocou e Kingsley franziu as sobrancelhas pensativo. Nisso ele tinha um ponto, os poderes de um demônio vinham da natureza ao seu redor, pois eles faziam parte dela, diferente do bruxo cuja magia vinha de dentro da própria pessoa e transferida através dos genes.
- Eu falei que além das barreiras deveríamos colocar armadilhas na Floresta Proibida, mas alguém me ouviu? – Draco acusou, lançando um olhar frio aos membros do conselho que sugeriram que armadilhas na floresta seriam prejudiciais as criaturas mágicas que viviam lá.
- Senhores, senhores. – Dumbledore chamou em tom brando para poder acalmar um pouco os ânimos. – Não importa o motivo da vinda do Lorde Potter ao nosso território, o que importa é que a presença dele aqui é essencial para podermos compreender o que aconteceu esta manhã no vilarejo. – explicou e cochichos começaram a soar na sala, cada um discutindo com a pessoa mais próxima sobre o estranho ataque que havia ocorrido. A marca que surgiu nos céus da cidade, o fato de que havia bruxos envolvidos na história e porque eles se retiraram tão rapidamente do local, como se só tivessem aparecido lá apenas para tornar a sua existência conhecida. – Sr. Potter, talvez queira explicar para os nossos companheiros um pouco sobre esse misterioso inimigo. – pediu o bruxo suavemente e Harry arregalou um pouco os olhos por estar sendo incluído no assunto e ainda por cima sendo solicitado para poder explicar a situação.
- Como assim? – perguntou desconfiado. Dumbledore por acaso achava que ele tinha alguma participação no incidente? Como havia sido idiota em se deixar levar pelo tom paternal do diretor e ser atraído para dentro de Hogwarts, estando propenso a qualquer armadilha. Quando foi que ele ficou burro e irresponsável deste jeito? A convivência com Sirius estava estragando seu brilhante raciocínio.
- Se não me engano, senhor Potter, a falecida Lílian Potter tinha um dom peculiar, um dom que ela passou ao filho, não é mesmo? – os cintilantes olhos azuis fixaram-se nos surpresos olhos verdes de Harry. Como ele sabia disso? A morte de sua mãe havia sido antes mesmo de Dumbledore sonhar em nascer, então como ele tinha esse pedaço de informação? Ninguém sabia disso além daqueles que eram bem próximo dele. Virou-se rapidamente para Draco. Bem, o loiro sabia sobre a vidência, mas não sabia de quem ele a tinha herdado.
- E daí? O que o faz pensar que eu tenha previsto alguma coisa? – desafiou em um tom neutro para saber até onde esta conversa iria e Dumbledore sorriu.
- Bem, talvez porque seja você quem coloca o nosso jovem líder em perigo durante a noite em território inimigo apenas para informá-lo sobre tais visões. – concluiu o velho bruxo e uma súbita tragada de ar foi-se ouvida na sala, assim como um repentino acesso de tosse. Toda a atenção dos outros bruxos voltou-se para um Draco extremamente pálido que tossia intensamente com o corpo envergado sobre a mesa. Assim que o acesso parou o loiro encostou a testa sobre o tampo de madeira, não encarando ninguém enquanto ouvia seu coração disparar em seu peito e ecoar em suas orelhas. Como aquele velho sabia disso? Somente Remus e Severo sabiam desse encontro e eles tinham um pacto mágico com Draco de não dizer isso a ninguém, ou sofreriam as conseqüências. Como Dumbledore descobriu?
- Como? – Alastor Moody bradou em uma borda da mesa, seu olho giratório quase fazendo um buraco na cabeça de Draco de tanto que o mirava.
- Acalme-se Alastor, acalme-se. – pediu Dumbledore. – Draco, será que você poderia explicar a todos sobre isso? – o loiro ergueu a cabeça em um rompante com os seus fios dourados caindo sobre os olhos cinza tempestade. Não tinha que explicar nada, não havia feito nada de errado. Não traíra o seu povo nem nada e queria ver quem ousaria o acusar primeiro.
- Malfoy, anda confraternizando com o inimigo nas nossas costas? – que previsível, tinha que ser o jovem Weasley o primeiro a jogar a pedra.
- Não, Weasley, - sibilou em um tom que não permitia interrupções. Ergueu-se melhor na cadeira, ficando a vista de todos. Os olhos estreitos, a postura ereta e firme parecia fazer muitos bruxos recuarem temerosos diante daquele menino que, no momento, os estava fazendo lembrar de maneira dolorosa quem que mandava naquele lugar. – o que fiz foi ter um encontro neutro com Potter que achou necessário me avisar sobre esta nova ameaça.
- E por que ele se daria o trabalho, Malfoy? – Ron ainda insistiu em argumentar e Draco bateu os punhos fechados sobre a mesa, erguendo-se num movimento ágil e elegante e inclinando-se um pouco sobre o móvel para poder encarar o ruivo mais abertamente.
- Caso você não tenha percebido, Weasley, há uma nova ameaça nos rondando. Mas não apenas a mim, como os outros dois povos também. Seja quem for, tem força o suficiente para atacar nós três. Então coloque esse seu cérebro de ostra para funcionar e faça as contas Weasley. Os bruxos têm um grande exército, assim como os demônios enquanto os trouxas têm um numero considerável. Se essa coisa, o que quer que seja, está se levantando contra nós, então imagine a força que ela deve ter para ousar tanto.
- Como pode ter tanta certeza que é um novo inimigo, Malfoy? Potter estava no vilarejo na hora do ataque… - Bill Weasley tentou argumentar.
- Caso você não tenha notado, eles estavam usando varinhas para nos atacar. – argumentou Draco em um tom mais paciente. Tinha algumas partes da família Weasley com as quais ele era bem mais tolerante, como os gêmeos, os dois filhos mais velhos e a Sra. Weasley.
- Assim como notei, pelo pouco que pude ver sob as máscaras e os capuzes, que eles não pareciam ser humanos muito normais, apesar da magia e tudo mais. Além do mais, como você sabe que apenas não foi alguma estratégia doida do Potter? – continuou Bill, mas com um tom curioso e não desafiador. Draco virou-se para Harry e soltou um suspiro, desapoiando-se da mesa e fechando os olhos, os esfregando em um gesto cansado.
- Em uma dessas nossas reuniões noturnas – fez um gesto com a mão livre em direção a Harry, sem abrir os olhos para não ver as expressões dos outros. – Potter e eu fomos atacados por umas criaturas bem estranhas e, infelizmente, salvos pela Granger e seu bando. Ela nos disse que esses tais de estripadores estavam destruindo os homens dela e como Potter disse que não eram demônios e atacaram a nós dois, concluímos que era uma nova ameaça.
- E você acreditou na palavra dele? – acusou Ron, apontando para Harry que ficou o tempo todo calado apenas observando a interação daqueles ao seu redor. – Por quê?
- Eu não lhe devo satisfações, Weasley! – Draco explodiu de maneira violenta, fazendo Ron recuar assustado em sua cadeira e muitos outros olharem para o bruxo com temor. Potter arqueou as sobrancelhas ao ver o loiro vermelho de raiva ao seu lado, parecendo brilhar por causa da fúria. Nunca tinha visto Malfoy realmente nervoso, no máximo irritado ou frustrado. Mas furioso mesmo era a primeira vez. E, pelos Deuses, como ele ficava sexy todo nervoso desse jeito.
- Sr. Malfoy, por favor… - Dumbledore tentou acalmá-lo usando a voz que costumava usar em seus alunos mais rebeldes, e, por Merlin, na época da escola Draco fazia parte do topo desta lista.
- Por favor uma vírgula! Eu já estou cansado de ter todos questionando minhas ordens e opiniões como se eu não fosse nada além de um menininho curioso que quer de uma maneira ou de outra entrar de gaiato no grande conselho da Ordem da Fênix! – desdenhou com a voz elevando-se a cada frase dita. – Pois eu não sou! – gritou, socando a mesa e fazendo muitos papéis sobre ela pularem e voarem para tudo quanto é lado. – Eu sou o líder dessa Ordem e VOCÊS ME DEVEM RESPEITO! – finalizou como um trovão prestes a anunciar uma tempestade, sendo prontamente seguido pelo silêncio.
- E depois os meus homens dizem que eu sou intolerante! – Harry riu, cruzando os braços atrás da cabeça e fechando os olhos momentaneamente, equilibrando sua cadeira nas pernas traseiras. – Acho que eles ainda não te viram no comando.
- Cala a boca Potter! – ordenou e o demônio abriu um dos olhos, vendo que o loiro estava realmente falando sério e que, no momento, seria melhor ele manter-se calado e não contrariar o rapaz que parecia apto a explodir novamente. Potter descruzou os braços e deixou a sua cadeira cair de volta ao lugar com um estalo e encarou Malfoy mais fixamente. O rapaz ofegava, seus punhos estavam firmemente fechados e tremendo enquanto seu rosto variava entre o rosado ao vermelho intenso. Se não conhecesse bem o temperamento dele diria que essa era uma simples explosão de gênio, mas ele o conhecia o suficiente para dizer que Draco não era de perder a paciência tão facilmente, embora as discussões deles desse a entender o contrário. Todos os sintomas apresentados pelo bruxo no momento diziam que ele estava sofrendo uma grande pressão e estava a um passo da estafa total.
- O motivo desses novos ataques não estarem envolvidos com o meu povo é porque eu tive uma visão sobre esse novo inimigo. Nela não apareceu muita coisa conclusiva, mas mostrou que quem quer que seja é bastante forte e quer aniquilar os três povos. – começou Harry de modo a trazer a atenção de todos para si e deixar Draco livre para poder esfriar um pouco.
- O senhor é vidente, senhor Potter? – olhos verdes miraram a velha bruxa sentada calmamente na sua cadeira ostentando uma postura tranqüila e extremamente autoritária. – Saiba que o mundo da magia considera vidência uma ciência muito imprecisa senhor. Por isso como podemos acreditar nela? – concluiu Minerva e ao redor da mesa algumas risadinhas começaram a brotar, principalmente vindas dos gêmeos Weasley, Ron e Bill. De rabo de olho Harry viu Draco voltar para o seu lugar, o rosto sério distorcido em uma clara indicação de que ele também estava tentando segurar uma risada. Abruptamente o loiro jogou o capuz de seu casaco sobre a cabeça e disse em uma irritante voz em falsete:
- Oh meu querido, você tem… O Sinistro! – Fred e Jorge gargalharam histericamente, sendo prontamente acompanhados pelos irmãos. Dumbledore deu um sorriso também enquanto via a tensão antes criada pela frustração de Draco se dissipar diante dessa brincadeira dos meninos.
- Oh, que lástima meu querido, tão jovem e já condenado. – completou Bill, arregalando os olhos azuis largamente em uma expressão horrorizada. Potter entendeu menos ainda. Com certeza eles estavam zombando de alguém, mas de quem?
- A doida da Trelawney não consegue enxergar nem um palmo a frente do nariz, quanto mais abrir a visão interior para prever o futuro. Como é que ela ainda é a professora de Adivinhação? – Draco perguntou-se, dando um relance a Dumbledore, procurando uma resposta, mas esse apenas sorriu para o garoto. – Mas de qualquer maneira, Potter não é como a maluca da Sibila. – continuou, jogando a cabeça para trás e encarando o teto. – Alguns dos ataques dos trouxas que conseguimos evitar foram graças as visões do Potter. – com a cabeça ainda virada para o teto Draco não viu os olhares surpresos de seus colegas em direção ao demônio. Porque o moreno iria querer ajudar os bruxos? Por acaso era seguir a risca o ditado o inimigo do meu inimigo é meu amigo? – E se realmente um novo adversário está surgindo prestes a nos aniquilar… - soltou um suspiro sofrido, ficando em silêncio por um longo tempo. Ninguém disse nada, pois todos sabiam que quando Draco ficava quieto no meio de uma reunião era porque ele estava pensando e pobre daquele que atrapalhasse o seu raciocínio. – Weasley! – chamou, abaixando a cabeça para mirar Ron nos olhos.
- Sim? – respondeu o rapaz relutante.
- Você e seus irmãos irão com Snape a Londres. – ordenou e antes que os ruivos pudessem abrir a boca para poder contestar alguma coisa, ele continuou, os interrompendo. – O estrago que aqueles sujeitos fizeram a Hogsmeade com certeza foi apenas uma amostra da capacidade deles, por isso do ataque surpresa, por isso que eles bateram em retirada tão rápido. Não sabemos que tipo de criaturas eles tem ao seu lado, os relatos de Goyle e Jordan não esclareceram muita coisa. O que atacou Potter e eu em Londres parecia algo que não era desse mundo. Tenho a sensação de que sozinhos não conseguiremos muita coisa e se ele está atrás dos três povos, então os três povos deverão se unir temporariamente para combatê-lo. Quero que contate a Granger, a traga para Hogwarts. Temos um acordo a selar.
- Você está falando sério? – perguntou Fred surpreso, pois nunca pensou que veria o dia em que Draco pisaria em seu orgulho e se uniria ao inimigo por um bem maior. Era o fim do mundo, com certeza.
- Não Weasley, este lindo discurso foi apenas para ver como era a sua cara de tacho. Claro que estou falando sério! – alguns riram e Fred rolou os olhos, erguendo-se da mesa e sendo lentamente acompanhado pelos irmãos.
- Espera! – Ron chamou antes que os outros ruivos saíssem da sala, e virou-se novamente para Draco. – Como podemos confiar? – o loiro piscou, não entendendo a pergunta do ex-grifinório. – Como podemos confiar nele? – e apontou para Potter. – Como podemos ter a certeza de que quando ele sair daqui não vai simplesmente aliar-se ao inimigo?
- E o que você sugere Sr. Weasley? – perguntou Dumbledore brandamente, pois o conselho parecia ter concordado com este ponto levantado pelo rapaz e começado a questionar o fato de que Draco parecia ter uma confiança desmedida no demônio, não parando nem para ponderar que talvez ele estivesse por trás dos ataques ou não. E o fato de que o loiro tinha defendido Harry dos bruxos horas com certeza ainda não foi engolido por ninguém daquela sala, por mais que o diretor tivesse tentado apaziguar os ânimos antes desta reunião.
- Um contrato mágico, um pacto que garantirá que Potter não irá nos trair. Um pacto entre os líderes. – ofereceu Ron e Snape levantou-se.
- Se isso for feito, melhor esperar a chegada da Granger para tal acordo ser feito entre os três. – propôs o mestre de poções. – Enquanto isso, o senhor Potter deve retornar ao seu povo para informar sobre o novo tratado. – Harry deu um aceno positivo com a cabeça, erguendo-se de sua cadeira.
- Não! – Moody bradou também se erguendo do seu lugar e Draco rapidamente pôs-se de pé. Conhecendo o auror, ele amaldiçoaria Potter antes mesmo desse por os pés para fora da sala. – O garoto Weasley tem razão. Melhor Potter fazer o pacto agora e depois partir, para assim nós termos a certeza de que ele não irá nos apunhalar pelas costas diante desses novos eventos. – rosnou, virando seu rosto deformado em direção ao demônio que deu um sorriso malicioso e cruzou os braços sobre o peito.
- Um pacto com votos de fidelidade? – indagou o moreno com uma sobrancelha erguida. – Sinto dizer que lobos são fiéis a apenas uma pessoa, e apenas para ela que oferece tal tipo de votos. Seus conjugues. E creio que eu já tenho o meu, muito obrigado. Por isso… - deixou a frase vagando no ar e Draco espalmou a mão sobre o rosto, não querendo ver a confusão que ia dar. O demônio e a sua irritante boca grande. Inspiradas surpresas de ar foram ouvidas ecoando na sala. Potter era casado? Como ninguém sabia desse fato? Ele com certeza era muito bom estrategista para conseguir manter tal segredo do inimigo, mas por que ele estava dizendo isso agora para este mesmo inimigo? Só porque não podia fazer o pacto, para ter um voto de confiança, ou tinha algo mais nesta história?
- Então sem acordos Potter, já que não pode fazer o pacto, não podemos confiar em você. – declarou Moody e Draco o encarou irritado.
- Olho-Tonto, quando foi que você foi promovido? – rosnou para o auror que rosnou de volta. Não toleraria que aquele fedelho lhe desse ordens quando o próprio não conseguia ouvir a voz da razão. Potter era uma besta demoníaca que não tinha controle. Um animal selvagem, como o resto do bando dele, que faria de tudo para conseguir vencer. Inclusive matar e trair. Bem, exceto seus conjugues, mas isto era outra história.
- Relaxa! – Harry riu diante da desconfiança dos bruxos. Será que eles não paravam para pensar que para ele esse acordo também era proveitoso? O demônio conhecia todos os pontos fortes e fracos de seu povo e suas visões lhe davam a sensação de que ele, dessa vez, precisaria de ajuda. Mas não dava para explicar isso a um bando de humanos teimosos. – Eu não vou trair o Draco. – falou o nome com naturalidade, como se os dois fossem próximos há anos. O loiro escondeu o rosto novamente com as mãos, não querendo nem ouvir onde isso iria terminar, pois com certeza mais perguntas viriam.
- Como assim? – Jorge foi o primeiro a indagar e Draco sentiu uma pontada em seu peito enquanto o seu estômago parecia estar embrulhando. Não! Eles tinham um acordo! Potter não seria burro o suficiente de deixar essa informação vazar. Ela não era relevante. Ou era? Soltou um gemido quase inaudível por entre os lábios. Seria queimado vivo se Potter abrisse a boca.
- Draco não contou? – o ex-sonserino quase podia ver o sorriso provocador de Harry dentro da sua mente. O braço do demônio envolveu a sua cintura, puxando o seu corpo de encontro ao dele. – Que há pelo menos um ano ele é o feliz Sr. Malfoy-Potter? – com isso Draco sentiu que iria desmaiar.
