Capítulo 6
Acordos… de paz?
Se uma agulha caísse naquele momento na sala, com certeza qualquer um seria capaz de ouvir o barulho que ela iria fazer. Harry olhou discretamente um a um que estava ali dentro, ainda mantendo seu braço ao redor de Draco. Os olhos de Mcgonagall estavam estreitos por detrás de seu pequeno óculos enquanto a boca enrugada era comprimida em uma fina linha de desagrado. A pele macilenta de Snape a cada segundo ganhava tons cinzentos enquanto os ruivos Weasley pareciam estar ficando com o rosto da cor de seus cabelos. Kingsley dava a impressão de ser um sujeito que acabou de ser atingindo por um raio. O olho mágico de Moody, ironicamente, estava parado no lugar como uma estátua enquanto os olhos azuis de Dumbledore brilhavam como duas estrelas cintilantes no céu.
Ron pareceu ser o primeiro a reagir quando subitamente começou a gargalhar no meio da sala, tirando os outros bruxos de seu estado de choque. Fred e Jorge ergueram uma sobrancelha diante da reação do irmão enquanto um Draco ainda silencioso não se mexia dentro do abraço de Potter.
- Bela piada Potter! – Ron parou de rir e encarou o demônio furioso. – Se você disse isso apenas para poder esconder a identidade da sua adorável esposa, fique sabendo que não colou! – Malfoy por um momento realmente desejou que todos estivessem seguindo a mesma linha de raciocínio que o Weasley, que todos estivessem achando que tudo não passava de uma brincadeira do Potter para poder esconder a identidade do seu conjugue. Porém, conhecendo Harry como ele conhecia, agora que o demônio tinha aberto a boca não iria fechá-la tão cedo.
- Eu nunca fui muito bom contando piadas, sou bom em fazer piadas práticas, mas contá-las… Meu pai sempre dizia que não entendia como eu nunca havia herdado essa veia criativa dele. – ponderou o moreno com um olhar distante e depois voltou a sua atenção a Ronald. – E por que eu mentiria em relação a isso? Achei que já que vamos fazer uma aliança, seria bom contar a verdade. Sinceramente, encontros noturnos às escondidas estão começando a me cansar. Você não acha, querido? – disse num tom meloso e Draco ergueu o rosto antes escondido pelas suas mãos, saindo do aperto de Harry com um tranco e afastando-se consideravelmente do outro homem, olhando pela primeira vez para as expressões das pessoas que estavam naquela sala.
- W-Weasley, você não t-tinha uma m-missão a cumprir? – sua voz gaguejou um pouco e o loiro pigarreou para poder retomar o controle dela. – O que ainda faz aqui? – exigiu com um tom mais firme, quase normal.
- Eu estou esperando uma explicação Malfoy. – retrucou Ron, cruzando os braços sobre o peito e plantando os pés no chão numa clara demonstração de que não iria a lugar algum antes de ouvir alguns esclarecimentos. O ex-sonserino encarou os outros membros da Ordem que tinham a mesma expressão no rosto, todos querendo entender a situação.
- Bem… eu… - mordeu o lábio inferior. Nunca dera satisfações a ninguém, nem quando era pequeno, menos ainda quando tinha se tornado líder. Nunca havia explicado as suas ações, mas o olhar duro de Minerva, a expressão traída de Snape por não ter sido confidenciado este segredo já que era ele que sempre cobria Draco quando esse saía às escondidas para se encontrar com Potter, sempre achando que era um encontro meramente "profissional", e os rostos chocados dos outros o fazia perceber que teria que dizer alguma coisa se realmente quisesse que essas pessoas nutrissem ainda algum respeito por si. Com um suspiro cansado, puxou novamente a sua cadeira e deixou seu corpo cair nela pesadamente.
- Bem… isso aconteceu há uns dois anos atrás.
Nottingham, dezembro, 1996
Estava nervoso, muito nervoso. Seus dedos tremiam e não era por causa do frio. Ar condensado saía da sua boca e nariz, a única coisa que denunciava a presença deles ali. Seus olhos cinzentos miraram seus companheiros. Bruxos mais velhos e muito mais experientes do que ele, um mero adolescente de dezesseis anos. Mas era ele que os estava comandando. Seus olhos se voltaram para a cidade ao longe, para as criaturas que voavam sobre os pequenos prédios, para o sangue que manchava a neve branca naquela noite gelada. Isso não o animava a estar ali e apenas o fazia desejar voltar a Hogwarts e aproveitar o saboroso chocolate quente que os elfos preparavam nas noites de Natal.
- Malfoy? – Remus sussurrou o seu nome e Draco virou-se para encarar o homem que era o seu segundo comandante agora que ele era o novo líder da Ordem da Fênix. – Por quanto tempo ainda vamos esperar? Eles precisam de nós. – perguntou, voltando a sua atenção para a cidade quando uma explosão de luzes multicores iluminou o céu.
- Vão! – murmurou para os companheiros que desaparataram imediatamente. Draco respirou fundo, trocando um olhar com Lupin que deu um aceno positivo de cabeça para ele, lhe dando forças para continuar, como se soubesse do seu tormento interno, como se soubesse do seu medo de falhar. Em resposta, apenas fechou ainda mais as expressões de seu rosto, não deixando transpassar nenhum sentimento e desaparatou.
Caos era pouco para descrever a cena que Draco encontrou quando apareceu na rua principal de Nottingham. Havia pessoas gritando histericamente pelo local, corpos caídos no chão. Corpos bruxos, corpos trouxas. A cidade possuía uma mistura entre as duas raças, vários renegados moravam lá, mas como era um ponto importante no mapa, a Ordem costumava manter um olho no local. Como era um lugar misto, óbvio que o mais lógico seria os trouxas atacarem a cidade procurando o controle dela e tentando expulsar os bruxos. Mas não era isso o que estava acontecendo no momento.
Demônios alados voavam por sobre as casas, atirando bolas e mais bolas de fogo nas pessoas que fugiam aterrorizadas de suas moradias. Uma matilha de enormes lobos rosnava e uivava enquanto desviavam e atacavam os bruxos que tiveram que sair do anonimato para poder proteger a cidade.
- Hei! – alguém agarrou o braço do loiro e Draco deu um puxão, soltando-se da pessoa que o tinha pegado. – Ora, ora, ora. – o rosto redondo de uma mulher de cabelos escuros pareceu brilhar nas luzes das chamas que engoliam a cidade. – A Ordem anda mandando crianças para o campo de batalha? Que interessante. – o sonserino fez uma expressão de desdém para a mulher, olhando diretamente dentro dos olhos dourados. Uma cauda negra balançava de um lado para o outro atrás dela enquanto duas orelhas pontudas e peludas tremiam no topo da cabeça. A expressão desgostosa do rapaz pareceu ficar ainda mais acentuada ao reconhecer a raposa.
- Quem e você? – afastou-se ainda mais dela, trazendo a sua varinha à altura dos olhos e a apontando para a mulher. Pansy apenas riu escandalosamente e jogou uma mecha do seu cabelo escuro por cima do ombro pálido.
- Pansy Parkinson. – apresentou-se, estendendo a mão para receber um cumprimento, mas Malfoy apenas deu um sorriso malicioso para ela. O que ela achava? Que ele era algum idiota? No momento que se aproximasse mais ela com certeza o atacaria sem dó. – E você? – perguntou, lançando a ele o que achou ser um sorriso sexy.
- Draco Malfoy. – respondeu e os olhos dourados da raposa ficaram extremamente largos. Então aquele era o tal de Draco Malfoy, o novo líder da Ordem, o que assumiu o lugar do velho Dumbledore? O fato de os bruxos terem um novo líder era de conhecimento geral, mas eles não tinham imaginado que o sucessor de Alvo Dumbledore fosse um menino. Pansy riu mais ainda.
- A Ordem deu a liderança da resistência a uma criança? – caçoou e Draco empertigou-se, arqueando uma sobrancelha para ela. – Realmente eles com certeza não devem mais ter esperança alguma, não é mesmo? Porque isso é o fundo do poço. Uma criança! – riu mais ainda, porém parou abruptamente quando sentiu uma mão em seu ombro, o apertando levemente.
- Cuidado Pansy. – uma voz suave sussurrou perto do seu ouvido. – Não devemos subestimar nossos inimigos, ainda mais o líder deles. – a mulher deu um relance por sobre o ombro para ver o rosto de Harry Potter bem perto do seu. Draco sentiu seus joelhos tremerem ao ver quem estava a sua frente. Era o líder dos demônios em carne e osso.
- Potter. – sibilou o nome entre dentes e em um tom venenoso.
- Draco Malfoy. – Harry respondeu longamente. – Faz alguns anos que não te vejo. – completou, lançando um olhar para Pansy que ordenava com todas as letras que ela sumisse dali. A mulher fez uma reverência contida ao seu líder e foi juntar-se aos outros no ataque. – Você cresceu. – deu um sorriso torto, aproximando-se do rapaz que recuou um passo e mais outro à medida que Potter chegava mais perto.
- O que está fazendo? – perguntou, segurando a sua varinha com mais força e a apontando para o peito do demônio, que parou bem em frente a ela, tendo a sua ponta o cutucando bem em cima do coração.
- Eu que pergunto. Há oito anos atrás você não me temia, chegou até a me bater. – riu um pouco diante da lembrança daquele menininho de oito anos abusado que lhe agrediu duas vezes. Contudo, o que estava parado na sua frente não era mais um menino, era um rapaz, quase um homem. Era mais alto, mais forte, os olhos azuis infantis agora eram cinza metálicos. Os cabelos dourados quase brancos caíam sobre esses mesmos olhos que observavam, impassíveis, cada movimento de Harry.
- Não é medo Potter, é precaução. E há oito anos atrás eu era apenas um menino qualquer, não é mesmo? Agora eu sou algo mais. – rebateu presunçoso e Harry riu.
- Tem razão. Você é o líder dos bruxos, por isso está aqui. O que você achou do meu show? – gesticulou com uma mão, mostrando a cidade quase destruída.
- Está querendo me dizer que armou isso tudo para me atrair até aqui? – brandiu um pouco mais a varinha, cutucando Potter com mais força.
- Oras, eu queria conhecer meu novo inimigo apropriadamente. – Harry deu um passo para trás, começando a circular Draco que se virava para não perder o demônio da sua mira.
- Já conheceu Potter, agora pode ir embora! – grunhiu em uma voz de comando e o moreno deu uma longa risada.
- Você não mudou nada Malfoy, apenas cresceu. – e com isso avançou para cima de Draco, segurando no pulso dele e tirando a varinha do meio do caminho, bloqueando o feitiço que o loiro por reflexo tinha soltado. Com uma das pernas chutou o sonserino nos calcanhares, o derrubando no chão. Malfoy sentiu o ar ser expelido do seu corpo com o impacto com o solo duro e seus olhos lagrimejaram. A varinha já esquecida há alguns metros de distância enquanto Harry ria triunfante sobre si. O loiro soltou um rugido furioso, erguendo uma perna e dando um chute no peito do demônio que fez um barulho de dor ao receber o impacto do golpe, o fazendo cambalear vários passos para trás. Num envergar de coluna o bruxo pôs-se de pé e com um girar de pulso acionou a sua varinha que rapidamente voltou a sua mão.
- E confesso, ficou mais forte. – murmurou Harry, colocando uma mão sobre o peito atingindo e que, com certeza, estaria com um hematoma mais tarde. Os olhos verdes arregalaram-se quando viu um facho de luz vir em sua direção e com um impulso ele deu um salto para o lado, saindo do caminho da azaração que acabou chocando-se contra a parede de uma casa, abrindo um grande buraco nela. Potter soltou um baixo assovio diante do estrago do feitiço, não querendo nem imaginar o que teria acontecido se tivesse sido atingido.
- Você ainda está aqui Potter, você e seu bando. – desdenhou Draco e o demônio deu um sorriso enviesado, inspirando profundamente e mostrando um canino saliente para o rapaz.
- Eu sei! Acontece que ainda falta uma coisa para fazer. – provocou, dando outra inspirada de ar. O motivo desse ataque não foi apenas para conhecer o novo líder da Ordem, mas foi também para rever Draco. Ele já estava na idade de cumprir o destino que Harry havia previsto para o menino no primeiro encontro deles, e o demônio não arredaria o pé da cidade sem antes iniciar o processo.
O bruxo franziu as sobrancelhas, não entendendo o que mais Potter queria. A cidade estava quase destruída, praticamente sob o domínio dos lobos e outros demônios. Os bruxos agora nada faziam além de resgatar aqueles que ainda estavam vivos. O rapaz cruzou o olhar com Remus ao longe, que deu um aceno de cabeça para ele indicando que havia sido sua idéia a retirada e que era para Draco se apressar. Lupin sabia que em briga de lideres era melhor não se meter, mas se o loiro não se livrasse do Potter em dois minutos, outros bruxos viriam socorrê-lo.
- O quê? – perguntou desconfiado, apertando a sua varinha firmemente e a cabeça já repassando toda a lista de feitiços conhecidos para derrubar o demônio caso ele atacasse. Draco soltou um grito abafado quando viu Harry desaparecer de seu campo de visão e seu corpo protestou de dor quando foi arremessado contra um muro de tijolo e concreto. Quando deu por si o jovem estava imprensado contra a parede com um demônio o prendendo. Deu outro grito de dor quando sentiu caninos afiados cravarem na carne de seu ombro, sendo logo seguidos por algo molhado que parecia lamber o sangue que escorria da sua nova ferida.
Harry afastou-se de Draco com um sorriso vitorioso no rosto e com a ponta do dedo limpou um filete de sangue que escorreu pelo canto da sua boca. Chocado o garoto levou a mão em direção a mordida, a sentindo latejar sob os seus dedos. Potter sorriu mais ainda ao ver o resultado do seu trabalho.
- Você… você me marcou. – balbuciou aterrorizado. Potter o tinha marcado, uma marca de posse. Como? Por quê?
- É apenas o primeiro passo do processo de cortejo. – riu o moreno, estendendo a mão para tocar o rosto de Draco que recuou com uma expressão enojada, encarando o demônio com raiva. Por acaso aquilo era alguma brincadeira de mau gosto? Por acaso Potter tinha feito aquilo para assim ter uma vantagem sobre os bruxos? Como pôde ter sido tão fraco? Como pôde ter sido tão desatento?
- Se você pensa que por causa disso nós vamos declarar derrota, Potter, pode tirar seu pêlo de vira lata fedido da chuva. O mundo mágico não será seu! – gritou irritado.
- Mas eu não quero o mundo mágico, eu quero apenas você. – sussurrou de volta. – Não se preocupe, com o tempo você vai entender. – e com um último sorriso sumiu. Draco ainda ficou ali parado, chocado diante dos acontecimentos e mal registrando o uivo que soou ao longe e a retirada dos demônios da cidade praticamente destruída.
- E foi assim que tudo começou. – Draco deu de ombros ao terminar de explicar a história de como ele acabou se envolvendo com Potter. Tudo tinha começado no primeiro encontro deles, quando Harry o tocou e previu o seu futuro. O demônio tinha visto que ele seria o novo líder da Ordem, assim como tinha visto que ele seria o companheiro dele. E por mais que Potter quisesse negar esse fato, ele não poderia resistir ao chamado da natureza, não poderia suprimir seus instintos e ignorar a existência de seu parceiro, mesmo que este fosse o seu inimigo.
- Por acaso vocês… - Snape falou, dando um pigarro e com uma expressão que dizia claramente que nem sabia por onde começar a sua pergunta. – vocês… - continuou e alguns olharam divertidos para o mestre de poções que, obviamente, estava embaraçado em satisfazer esta curiosidade.
- Vocês já fizeram as coisas impróprias que Snape se recusa a dizer? – Fred colaborou, recebendo um olhar contrariado do professor, mas o ignorando veementemente porque sabia que se olhasse para o homem mais velho desataria a rir.
- Isso não é da sua conta Weasley! – Draco gritou com a voz falhando um pouco no meio da frase e saindo em um tom mais agudo no fim dela.
- Isso quer dizer sim. – Jorge cochichou para o seu gêmeo, ainda mais depois de ver o sorriso enviesado que estava no rosto do demônio.
- Como vocês… - o tom firme e profissional de McGonagall soou na sala, calando qualquer conversa paralela. Boa parte daqueles que estavam naquele lugar foi aluno da mulher e sabiam que quando ela falava, silêncio era exigido. – conseguiram ocultar isso de todos? Alvo? – virou-se para o diretor a procura de respostas, pois sabia que não havia nada que o homem não tivesse conhecimento. Mas este apenas sorriu para ela. Será que até mesmo Dumbledore não tivera uma leve desconfiança sobre o assunto? Ele pareceu saber bastante sobre os encontros noturnos dos dois líderes. Então por que não impediu Draco de cometer esta loucura? Por que permitiu que o garoto se tornasse comandante visto que ele estava ligado de maneira íntima ao inimigo? Eram várias perguntas que ela sabia que somente seriam respondidas com o tempo. Dumbledore era o tipo de bruxo que quanto mais ele sabia dos segredos alheios, por mais que esses pudessem afetar um grande grupo de pessoas, mais ele os guardava apenas para si.
- Dumbledore! Se for realmente verdade o que Potter disse, exijo que Malfoy seja retirado do cargo de chefia! Ele não é confiável. – Moody bradou e vários acenaram positivamente com a cabeça em concordância com o auror. Draco levantou-se abruptamente e sentiu algo entalar em sua garganta. Diante dos fatos recentes realmente não haveria como contestar este pedido do homem. Estava perdendo a confiança de seus companheiros e não havia nem metade deles na sala.
- Então acordo desfeito Olho-Tonto. – rosnou Harry, colocando-se em frente ao loiro e o protegendo de alguns olhares acusadores. – Se Draco não for o líder eu não vou perder o meu tempo planejando acordos com um idiota qualquer. – sentenciou e Dumbledore tentou apaziguar os ânimos. A aliança com Potter seria importante diante deste perigo iminente e conhecia o demônio tempo o suficiente para saber que não apenas ele quebraria o trato, como também se Draco for deposto ele levaria o bruxo com ele, o que não poderia ocorrer. Malfoy era o último de sua linhagem e com isso tinha herdado não só a fortuna, mas todos os poderes da família. Era forte demais para ser perdido para o inimigo.
- Até o momento Draco não apresentou nenhum motivo para desconfiarmos dele. – disse o diretor e metade dos integrantes daquela sala olharam para o homem como se ele tivesse enlouquecido de vez.
- Nenhum motivo… Dumbledore! – Alastor ainda tentou argumentar, mas um olhar firme de Dumbledore disse que não havia o que discutir.
- Alastor, por acaso nesses dois últimos anos o jovem Malfoy tem falhado com as suas responsabilidades? Embora ainda imaturo… - ouviu-se um resmungo atrás do diretor, com certeza vindo de Draco. – Malfoy provou estar acima das minhas expectativas, das expectativas de qualquer um. E embora ninguém queira admitir, ele tem sido um bom líder, com ou sem o seu casamento com o Lorde Potter. – novamente o lugar ficou em silêncio diante dessa reprimenda do diretor e Draco não sabia se ficava chocado pelo velho tê-lo defendido, se ria diante das expressões estupefatas de seus companheiros, ou se fugia por ainda não saber o que fazer em relação à boca grande de Harry. No fim, ele optou por voltar ao ponto de partida, antes dessa confusão toda ter começado.
- Weasley! – sua voz ecoou firme e forte pelas paredes de pedras e Ron, Bill, Fred e Jorge deram um pulo no lugar de susto. – Vocês não tinham uma missão para cumprir? O que ainda fazem aqui? – sibilou com os olhos estreitos e postura ameaçadora. Por um momento eles até pensaram em discutir, mas então se lembraram das palavras do diretor e resolutos foram saindo um a um da sala. Snape os seguiu de perto, mas, antes de sair, ainda lançou um olhar a Draco que dizia que aquela conversa ainda não estava encerrada. Moody mancou sala afora, ainda extremamente contrariado, acompanhado por Kinsgley, batendo a porta atrás de si quando partiu.
- Lorde Potter, esperamos o seu retorno a este castelo o mais rápido possível. – Dumbledore encerrou de modo cordial, saindo pela mesma porta que entrou, sendo acompanhado por Minerva, deixando apenas Draco e Harry na sala de reuniões.
- Bem, - Harry espreguiçou-se languidamente. – agora que está tudo resolvido, tenho que falar com os meus homens sobre este acordo. Se me der licença Malfoy. – e ia partir se não fosse uma mão segurando firmemente o seu cabelo e o puxando para dentro da sala novamente. Potter rosnou, arrancando as suas mexas negras do aperto de Draco e virando-se para ele com um olhar contrariado.
- Não tão rápido Potter! – grunhiu o loiro, dando duas largas passadas para frente e fechando os seus punhos no colarinho do sobretudo negro de Harry. – Você perdeu o juízo? – pontuou cada palavra em um tom baixo e ameaçador, perto do rosto do demônio. Potter arqueou as sobrancelhas negras e rolou os olhos, mirando o teto e soltando um baixo suspiro por entre os lábios semi-cerrados. Com certeza não terminaria de ouvir o sermão do rapaz tão cedo, pois sentia que aí vinha um longo discurso sobre privacidade e o conceito de segredo.
- Era necessário Malfoy. Eu, melhor do que ninguém, vejo a grande vantagem que esta aliança pode ocasionar. Afinal, fui eu que te avisei sobre o novo inimigo. Mas não posso deixar me obrigar a fazer um contrato de lealdade mágica quando eu já tenho um… com você. – tentou mostrar seu ponto de vista sobre a situação e o fato de ter revelado o segredo deles.
- Potter, se você tivesse mantido a boca fechada eu teria arrumado uma alternativa para a proposta do Weasley. Mas graças a você agora eles me detestam mais do que antes e com certeza perderam a pouca confiança que tinham em mim. – rosnou irritado, soltando Harry com um empurrão. – Por que você foi fazer isso? – fechou os dedos sobre algumas mechas loiras do cabelo e começou a andar de um lado para o outro da sala, pensando no que iria fazer. As palavras de Dumbledore haviam acalmado um pouco os ânimos, mas nem todos seriam fáceis de controlar. Quando o restante da comunidade mágica britânica soubesse que Draco estava "amarrado" ao inimigo, toda a sua credibilidade iria para o buraco. Tinha que começar a pensar em algo para dizer ao Profeta Diário que com certeza logo estaria batendo na sua porta exigindo respostas.
- Hum, você parece tenso. – Harry disse calmamente, recostando-se na mesa de conferência e Draco virou-se para ele como um animal pronto a dar o bote.
- Claro que estou tenso! Você também estaria tenso se o estúpido do seu… - mordeu o lábio inferior fortemente, quase o ferindo no processo. – do seu marido – sibilou feroz. – cometesse a burrice de contar para todos sobre o nosso casamento.
- Um dia eles teriam que saber, não teriam? – atestou Harry.
- NÓS TINHAMOS UM ACORDO POTTER! – o loiro gritou e o demônio encolheu-se um pouco contra a mesa, pois a voz do rapaz tinha causado um zumbido desagradável em seus ouvidos sensíveis. – Nada de dizer a eles, nada de agirmos como um casal até…
- Até que a guerra estivesse encerrada. Malfoy, esta guerra perdura por séculos, você acha mesmo que terminaria de uma hora para outra? Você pode ter longa vida mago, mas não vive para sempre. – o moreno ergueu-se da mesa, estreitando os olhos para o rapaz e adquirindo uma expressão mortalmente séria. – E eu não concordei com acordo algum Malfoy. Você estipulou isso…
- E VOCÊ NÃO NEGOU! – gritou novamente, interrompendo o demônio.
- Eu apenas achei uma proposta sensata naquela época. Você era jovem, ainda estava se acostumando com o fato de que era meu conjugue. Mas já foram dois anos Malfoy e nada mudou nesses dois anos. Seu povo continua lutando contra o meu, nenhum acordo de paz é feito, ainda continuamos nos matando feito uns animais irracionais. Talvez seja difícil de acreditar, MAS EU ESTOU CANSADO DISTO! – Draco recuou assustado ao ouvir esta confissão de Harry.
- O quê? – balbuciou. Potter era líder dos demônios antes mesmo de Dumbledore existir. Durante dois séculos ele conduziu o seu povo contra bruxos e trouxas. O que mudou agora?
- Você só tem dezoito anos Draco, e mesmo assim dezesseis desses dezoito anos você viveu protegido pelas paredes da casa da sua família ou deste castelo. Eu estou há trinta décadas no meio desta confusão. Eu nasci no meio da guerra. No começo eu não me importava… - suspirou, esfregando o rosto com as mãos. – mas as coisas mudam quando você se apaixona pelo inimigo. Se você fosse um bruxo qualquer, eu te seqüestraria e te prenderia na minha mansão e viveríamos felizes para sempre. – Draco soltou um ruído de escárnio e Harry deu um sorriso diante dessa colocação piegas. – Mas você é o líder do inimigo, não é fácil pra mim ter que bater de frente com você toda vez que nos encontramos no campo da batalha. Meus instintos demoníacos dizem que eu tenho que proteger o meu parceiro, não tentar matá-lo. – apoiou-se novamente na mesa e seus olhos acompanharam todos os movimentos de Draco, o vendo cruzar a sala e encostar-se ao seu lado na mesa.
- Hum, foi um discurso e tanto, Potter! – sussurrou com um leve tom de zombaria, suas expressões suavizando um pouco ao absorver melhor as palavras do demônio. Um sorriso ameaçou brotar em seu rosto diante da confissão de amor, mas controlou-se bem a tempo de deixar qualquer emoção mais forte transparecer.
- É, acho que o nível de açúcar no meu sangue aumentou depois disso. – murmurou o demônio de volta depois de um tempo com a sala em silêncio, dando um pequeno sorriso. – Ainda irritadinho comigo? – arriscou, dando um relance para o bruxo ao seu lado.
- Sim. – respondeu o loiro em um tom não muito convincente. – O Profeta Diário eu até consigo enrolar, muitos levam extremamente a sério as coisas que eu digo. Posso não ser amado por todos, mas tem uma boa parte da comunidade bruxa que gosta de mim… ou ao menos fingem que gostam porque temem o nome Malfoy. Tanto faz. O problema vai ser explicar isso para Snape. – e fez um gesto com a cabeça, apontando em direção à porta por onde os outros bruxos tinham saído mais cedo.
- É mesmo, seu amante vai ficar muito frustrado em saber que você já tem dono. – caçoou e Draco controlou-se para não fazer uma horrorosa careta de nojo. Tudo para Potter envolvia guerra e sexo, parecia ser os únicos dois assuntos que corriam na mente do demônio. E Malfoy até conseguia associar Snape com a guerra… mas com o sexo. Preferia pensar que seu tutor era assexuado e não queria nem construir uma imagem mental que os relacionasse em posições nada agradáveis.
- Talvez se eu conversar com ele… - deixou vagando no ar, levantando-se da mesa e indo para o outro lado da sala, dando as costas para Harry e remexendo em uma coisa ou outra sem importância sobre um móvel encostado na parede. – ele não se importa em compartilhar. – disse em um tom sério e calmo e, mesmo que não pudesse ver, sabia que Potter tinha se erguido da mesa também e adotado uma postura extremamente ameaçadora.
- Espero que isso seja alguma brincadeira, como aquela que você fez em relação ao Lupin. – ameaçou e Draco deu de ombros, fixando seus olhos sobre um bolo de pergaminhos cheios de anotações, tentando ao máximo segurar as risadas.
- Só porque você é obrigado a ser fiel a mim por causa da sua herança demoníaca, isso não quer dizer que eu tenha que fazer o mesmo em relação a você. – um rosnado baixo e Draco virou-se bruscamente para se ver mirando brilhantes olhos verdes no focinho de um enorme lobo negro, cujas orelhas estavam em pé e firmes, assim como a cabeça baixa e as patas dianteiras curvadas indicavam posição de ataque. – Já considerou um curso de controle emocional, Potter? Você se abala com qualquer coisa. – brincou, passando pelo lobo e fazendo um afago na cabeça peluda. Isto pareceu desarmar Harry completamente ao sentir a carícia em sua orelha felpuda. O lobo ronronou e o bruxo riu. – Você não tinha que dar um recado importante a sua matilha? – lembrou e o demônio sacudiu as orelhas, afastando a mão de Draco, virou-se e correu em direção a porta que se abriu assim que ele chegou perto dela.
- Harry! – o ex-sonserino chamou, fazendo o lobo parar a meio caminho da saída. – Aproveita, já que com certeza você vai trazer na volta o desvairado do seu padrinho, e traga o meu comandante. Você pode não precisar dele Potter, mas eu preciso. – deu um sorriso escarninho e pôde jurar que, antes de sumir porta afora, o lobo o retribuiu com outro.
As cinco figuras encapuzadas aparataram no meio de uma rua escurecida e pouco movimentada de Londres, ao cair da tarde. Fred foi o primeiro a jogar o capuz da sua capa para trás e dar uma boa olhada ao seu redor. Aquele, com certeza, era um dos piores lugares da cidade para se morar. O que havia ao longo da rua eram apenas casas em escombros, lembranças do que um dia foi um local habitável e cheio de vida. Buracos no asfalto e marcas nas paredes que ainda remanesceram de pé era uma indicação de que o motivo do lugar estar um caos foi por causa de uma batalha. Snape lembrava-se vagamente daquele bairro quando ainda era um ponto intocado pela guerra. Era bonito, agora não passava de um buraco que servia de moradia para pessoas de ruas e animais abandonados.
- Eu ainda estou chocado. – comentou Ron, quebrando o silêncio que estava dentro daquele pequeno grupo.
- Ron, essa história toda de novo não. – Bill rolou os olhos, já sem paciência pra continuar ouvindo seu irmão caçula resmungando sobre o caso entre Potter e Malfoy. Até o presente momento Draco não tinha feito nada para prejudicar a comunidade bruxa, sempre teve uma postura firme como líder, e, às vezes, exagerava um pouco, mas Dumbledore tinha razão: o garoto não os tinha traído só porque dormia com o inimigo. Mas Ron, sendo Ron e sendo antigo rival de Draco desde a escola, não conseguia simplesmente esquecer. Era irritante.
- Bill, Malfoy anda dormindo com o inimigo, literalmente! – exclamou ultrajado e viu de rabo de olho Snape torcer o nariz como se tivesse um caldeirão de alguma poção bem fedorenta sob ele. Fred e Jorge deram risadinhas enquanto o mais velho dos Weasley soltava um suspiro e balançava a cabeça de um lado para o outro.
- Certo, mas vocês têm que admitir que para agüentar o temperamento do Malfoy somente alguém como o Potter. – sugeriu Fred, somente agora compreendendo o porquê das atitudes de Draco em relação à Harry desde o ataque a Hogsmeade. O fato de o loiro ter defendido o demônio dos bruxos, ter dado ordens a ele e derivado, não ter pulado no pescoço do homem enquanto este soltava provocações, se procurassem bem nas entrelinhas, se voltassem até aos acontecimentos dos campos de batalhas, cada briga entre Potter e Malfoy era um espetáculo, sempre um querendo sobrepor-se ao outro. Uma verdadeira briga… de casal.
- Agora quem é a esposa dessa relação? – caçoou Jorge e os outros ruivos pararam e pensaram por um momento, começando a soltar algumas risadas ao imaginar uma típica cena familiar envolvendo Potter e Malfoy e Snape rolou os olhos. Com certeza nas cabeças vazias deles estava vindo imagens de um Draco com vestido de anágua e avental branco e um Potter com terno de riscas de giz e pasta de couro de dragão, chegando em casa depois de mais um dia de trabalho. Bill foi o primeiro a perder a compostura, pois sempre era o que tinha a imaginação mais fértil dos Weasley, depois dos gêmeos claro, e começou a rir histericamente.
- Fale querido irmão, o que você pensou? – incitou Fred, tentando fazer o rapaz parar de rir por um momento para assim contar a sua criação mental.
- Eu imagino Malfoy sendo o tipo de esposa que ficaria de quatro todos os dias, o dia todo, pelo marido. – comentou maldoso e mais gargalhadas ecoaram na rua.
- Se vocês querem chamar a atenção dos trouxas – a voz de Snape soou como um trovão pelo lugar e rapidamente as risadas morreram quando os ruivos se lembraram que o professor estava com eles. O mesmo professor que nutria um grande respeito e carinho por Draco. – estão fazendo um ótimo trabalho! – desdenhou em um tom ameaçador com as pontas dos seus dedos comichando para pegarem a sua varinha e azarar aqueles quatro. Arthur Weasley tinha filho saindo pelo ladrão, um a mais um a menos não faria diferença dentro da sua prole.
- Desculpe professor Snape. – falaram os quatro rapazes em coro e Severo soltou um grunhido enraivecido, dando as costas para eles e com um farfalhar de capa começou a descer a rua rapidamente. Os Weasley não tiveram outra opção a não ser seguir o homem enfurecido. Snape conhecia mais os caminhos por Londres do que eles próprios. Exceto Bill que conhecia o lugar, pois há alguns anos atrás arriscara o seu pescoço na cidade para ajudar os duendes a sumirem com qualquer pista de que, um dia, o Gringotes existiu sob aquelas ruas. Agora o banco ficava seguramente sediado em Edimburgo.
Meia hora depois de longa e silenciosamente caminhada e já se podia ver Fred coçando os braços e soltando um suspiro atrás do outro enquanto o seu gêmeo ficava remexendo nos cabelos e olhando em cada reflexo de janela ou vitrine como eles estavam ficando. Bill desenvolveu um tique de ficar mordendo o lábio inferior e coçar o lóbulo da orelha ao mesmo tempo em que Ronald estalava os dedos um atrás do outro. Todos os gestos eram uma clara indicação de que os quatro homens estavam completamente entediados por causa do silêncio e não ousando a quebrá-lo para não serem azarados por Snape. Porque eles sabiam que o mestre de poções os amaldiçoaria sem dó e quando fosse dar satisfações a Arthur ainda iria fazer parecer que tinha sido culpa dos rapazes. Mais uns vinte minutos de caminhada e Severo parou em uma rua mais movimentada, onde alguns carros passavam velozmente e pedestres caminhavam distraídos, aproveitando o tempo livre antes do toque de recolher que a cidade agora sofria por causa dos ataques misteriosos dos estripadores.
- Certo! – Bill se arriscou a dirigir-se a Snape. – Agora que estamos aqui o que iremos fazer? – o homem mais velho deu uma olhada por cima do ombro, seus orbes negros quase criando um buraco no rosto sardento do ruivo. Um sorriso escarninho surgiu nos lábios finos do professor que em movimentos vagarosos retirou a varinha de suas vestes.
- Estejam preparados. – alertou e ergueu a sua varinha no ar. – Periculum! – um raio de luz vermelha saiu da ponta da varinha, indo até o céu e explodindo em fogos coloridos e extremamente barulhentos. A reação foi instantânea. Pessoas começaram a correr e a gritarem de um lado para o outro, olhando com espanto os fogos ainda explodindo nos céus e vendo que aquilo com certeza não era um acontecimento normal, ainda mais quando alguns perceberam que o que estava causando aquilo era um simples homem parado no meio da calçada que erguia nas mãos um objeto fino e alongado de madeira.
- Que discreto. – murmurou Ron, rolando os olhos e retirando a sua varinha do bolso. – Protego. – conjurou e um escudo transparente envolveu os cinco homens, evitando qualquer ataque ou esbarrão das pessoas assustadas por causa da presença deles ali. Um trouxa passou correndo por eles, gritando histericamente.
- É O APOCALÍPSE! BRUXOS EM LONDRES, BRUXOS EM LONDRES! – e sumiu por uma esquina. Fred e Jorge riram quando um adolescente trouxa de proporções avantajadas tropeçou nos próprios pés e caiu dolorosamente no chão sobre o traseiro gordo, sendo rapidamente erguido, com alguma dificuldade, pelos amigos que o rodeava.
- Qual é o propósito desse caos Snape? – Bill perguntou enquanto seus olhos não paravam de ir de um lado para o outro, atentos a qualquer movimento suspeito dos trouxas que corriam assustados pela rua.
- Veja, Sr. Weasley, e aprenda. – respondeu Severo calmamente, recolhendo a sua varinha e cruzado os braços dentro das mangas largas de suas vestes. Nem ao menos dez minutos se passaram quando cinco caminhonetes abarrotadas de trouxas armados até os dentes fecharam a rua, parando em frente ao pequeno grupo de bruxos. A porta de uma das pick-up se abriu e dela desceu uma mulher de cabelos castanhos cheios e um rosto jovial que estava contorcido em uma feia expressão de desagrado. Com um gesto suave ela colocou as mãos na cintura esguia, fazendo a jaqueta se mover e deixar amostra o punho das duas armas que estavam sob o casaco. Os olhos chocolate estavam fixos nos cinco homens vestidos de maneira estranha, mas, principalmente, no homem de negro que se mantinha inabalado enquanto os ruivos a sua volta pareciam agitados na presença de tantas armas.
- Cinco bruxos? Malfoy anda perdendo o tato. – zombou e deu um passo à frente, parando a meio caminho quando viu o sol de fim de tarde refletir em algo que envolvia os cinco homens. Havia um escudo de proteção em volta deles e Hermione não era tola em arriscar um ataque sabendo que a probabilidade das balas cruzarem o escudo serem mínimas.
- Srta. Granger eu suponho. – Severo descruzou os braços e ouviu com um prazer mórbido ao menos umas quatro armas sendo engatilhadas.
- E você é? – rebateu a mulher com toda a sua atenção voltada a Snape, pois ele aparentava ser uma ameaça maior do que os ruivos que o acompanhava.
Parados em seus lugares, os Weasley observavam com interesse a interação de seu professor com o que parecia ser a líder dos trouxas. Obviamente eles já tinham ouvido falar de Hermione Granger, mas nunca chegaram a vê-la pessoalmente e se a viram no campo de batalha a dispensaram como apenas mais um soldado do inimigo.
- Severo Snape. – apresentou-se e os olhos da mulher estreitaram um pouco ao mesmo tempo em que um sorriso de reconhecimento surgia em seu rosto. Ouvira falar de Snape, óbvio, o grande estrategista de Draco Malfoy. Soube que era um homem brilhante e sempre teve curiosidade de conhecê-lo, mesmo sendo parte do exército inimigo.
- Sr. Snape a sua fama o precede. – falou, caminhando lentamente e rodeando os cinco bruxos. – Mas confesso que esta sua tática não foi muito esperta. Trazer apenas quatro rapazes consigo para o território inimigo… tsc, não foi muito inteligente, foi? Malfoy realmente anda perdendo o tato. Não que isso me surpreenda não é mesmo? Da última vez que eu o encontrei ele estava em Surrey, sem escolta, na companhia do Potter. – comentou e os observou atentamente para saber qual seria a reação deles ao saber que o líder dos bruxos estava se encontrando as escondidas com o líder dos demônios.
- Estamos ciente desse acontecimento Srta. Granger. – provocou Snape com um sorriso superior e Hermione arqueou as sobrancelhas. O homem realmente era esperto e havia captado rapidamente a jogada dela. – Por isso estamos aqui. – Severo deu um passo a frente e num estalo alguns trouxas que tinham baixado um pouco a guarda voltaram à posição defensiva diante do movimento do homem. Ron soltou um assovio baixo diante do temor daquele povo. Eles não paravam para raciocinar que, se quisessem, eles já teriam derrubado todos naquele momento, já que o grupo que a Granger trouxe com ela era grande, mas não o equivalente a pelo menos um batalhão de infantaria.
- Malfoy nos enviou aqui para escoltá-la a Hogwarts. – propôs e os orbes castanhos de Hermione arregalaram-se um pouco e ela trocou um olhar curioso com Seamus que estava parado ao seu lado. Hogwarts era quase um lugar sagrado para os bruxos. O número de barreiras protetoras em volta do castelo milenar eram enormes e nenhum trouxa ou demônio de baixa classe conseguia se aproximar do lugar. E agora esses cinco homens tinham arriscado a sua vida na cidade inimiga para convidá-la a ir à adorada escola deles? Muito suspeito.
- E há algum bom motivo por detrás desse convite Sr. Snape? – perguntou desconfiada e Severo deu um sorriso misterioso a mulher mais nova. Sabia que ela não estava dando muito crédito à proposta dele, mas podia sentir a curiosidade emanando dela.
- Draco nos informou sobre os tais estripadores e Potter… - falou o nome com nojo. – nos alertou sobre um novo inimigo. Estamos sob ataque assim como vocês e me arrisco a dizer que os demônios logo serão os próximos. Seja quem for que esteja por detrás disso tudo é poderoso o suficiente para investir contra os três povos. Portanto sozinhos não somos nada contra ele, srta. Granger, mas juntos, talvez, tenhamos alguma chance. O que me diz? Malfoy os convida a Hogwarts para propor uma aliança entre os três povos.
- Aliança, hum? – deu as costas para os cinco, caminhando até Seamus e parando ao lado dele, começando a sussurrar com o rapaz. – O que você acha?
- Em um ponto ele tem razão Mione, se entrarmos sozinhos nessa luta seremos dizimados. Talvez devêssemos considerar.
- Pode ser uma armadilha. – argumentou a mulher, olhando para trás para ver por um momento os bruxos ainda imóveis em seus lugares, rodeados pelos seus soldados.
- Ou pode ser a chance de finalmente terminar essa guerra. – rebateu e Hermione soltou um suspiro, virando-se em direção aos homens. Ficou minutos em silêncio, considerando as palavras de Seamus, os prós e contras dessa proposta e em como isto poderia afetar o seu povo. Deu uma olhada para os seus soldados, muitos deles ainda jovens, outros com anos de experiência no campo de batalha, mas todos já cansados de sempre ver alguém querido ou conhecido morrer em frente aos seus olhos. Voltou a sua atenção para o céu como se procurando uma resposta divina.
- Ah papai, o que você faria? – sussurrou baixo para ninguém ouvir e depois abaixou a cabeça, mirando novamente os bruxos que esperava pacientemente pela sua resposta. Soltou mais um suspiro, finalmente chegando a uma decisão. – Aponte o caminho Sr. Snape, acho que temos um acordo a fazer. – Severo fez uma expressão triunfante e Hermione não teve mais tanta certeza se essa tinha sido uma boa idéia.
