-Acorda. Eu não estou a acreditar que estou a fazer isto outra vez.

-O que se passa Remus?

Um resmungo.

-O Sirius.

-Ele continua na mesma não é?

Mas era uma pergunta retórica, ambos sabiam que Sirius bebia quase todas as noites, faltava a cada vez mais aulas, dormia com tudo o que mexia e acordava cada vez mais miserável.

James respirou fundo e segurou no braço do amigo, sabia bem que o humor de Padfoot não ia melhorar se Moony lhe atirasse água para cima.

-Deixem-me dormir, ainda é cedo.

-Já estamos atrasados Sirius por amor de Merlin MEXE-TE!

- Ai não grites Moony eu ainda ouço bem!

-Onde estiveste ontem Padfoot? Quem foi a sortuda?

- Querias tu saber...

-Se conhecesse podia dar-te umas dicas

- Não preciso de dicas – disse dando de ombros.

-Como não?

-serviu o seu efeito, não pretendo voltar a vê-la.

- Vou buscar o pequeno almoço, já não temos tempo de descer todos. – disse Remus abanando criticamente a cabeça e lançando aquele olhar a James . "Por favor mete-lhe algum juízo na cabeça"

Ele? James Potter é que o ia ajudar? Há um ano atrás estaria a fazer companhia a Sirius, mas depois do fim do ano passado parecia que tinha tanto com o que se preocupar que não tinha tempo para mais nada.

-Hey Sirius – ele disse do quarto, usando o nome de nascença do amigo de propósito – quando me vais contar o que aconteceu?

Silêncio.

-Não precisamos de falar nisso se não quiseres, mas tu não andas bem .

-Pareces o Remus. Deixa-me em paz Prongs, o ano passado fazias pior que eu.

-Por desportivismo e não para afogar as mágoas.

Silêncio. Saiu do banheiro a acabar de se vestir.

-Pensei que tinha pedido para não tocarmos mais neste assunto – acendeu o cigarro com a varinha e James viu os nós dos dedos de Sirius brancos da força que o amigo usava para fechar a mão.

-estamos preocupados contigo seu idiota!- disse Remus que voltava com um tabuleiro de comida

-Então parem de se preocupar, porque eu não vou MUDAR!

-É bom que mudes, ainda agora o ano começou e a McGonagall já te deu duas detenções.

-O Seboso e o MAlfoy mereceram.

- Ninguém aqui questiona, mas é preciso despareceres todas as noites? Onde vais?

- Por aí – o outro disse de olhos postos na janela.

-Fazer o quê?

- Tu agora tens uma namorada Remus não me obrigues a explicar-te.

-É que nós não percebemos Padfoot.

-Está tudo bem.

-Mas nós nem te vemos, é a primeira vez este ano que estamos os quatro. – Sirius parou no meio da sua raiva, percebendo que Peter estava ali pela primeira vez – temos tanto para preparar e não podemos fazer sem ti. A lua cheia está a chegar...e falta acrescentar a ala este toda ao mapa e as passagens secretas.

-Quase chorei com esse discurso gay.

-não te vires contra nós . Wormtail está a tentar ajudar como todos nós e tu estás a fazer tudo errado. Não é assim que vais conseguir.. "ah Remus tu sabes tão mais do que o que dizes"

-Desculpem

-Estamos atrasados, temos de descer agora. Padfoot hoje temos treino para escolher os novos jogadores e preciso lá de ti. – disse intrometendo-se ao ver a cara de Sirius fechar-se ainda mais, se é que era possível.

"Que raios se passa com o meu amigo?"

Quando se sentou na aula de poções ainda pensava nas razões que podiam ter levado o amigo a tornar-se ainda mais reservado. Será que teria sido por ter saído de casa? Isso abalaria qualquer um e Sirius tinha uma relação muito pouco saudável com os progenitores. (James não gostava de lhes chamar família )

Porque raios ele não lhe dizia nada? Desde sempre que eram unha com carne... o que podia estar a corroe-lo de tal forma que Sirius sentia que não podia partilhar com ele?

Não reparou quando Sirius deixou o lugar vago ao lado dele e Lily o preencheu passado um pouco com cara de poucos amigos. Também lhe preocupava vê-la mais séria que o normal, sempre taciturna, sentia falta do sorriso dela. Tinha-a conhecido assim, com um sorriso na cara e sempre pronta a ajudar o próximo, apaixonara-se primeiro pelo sorriso, um sorriso capaz de preencher o coração de um homem velho quanto mais o dele.

"É uma pena que esse sorriso nunca seja para mim " era mais comum um par de berros e um ou dois feitiços "Ela até irritada fica linda..."

A maior parte das vezes ele não sabia o que fazia de mal mas gostava de a irritar e ter a atenção toda dela só para ele...

-O que fazes aqui flor?

A ruiva levantou uma sobrancelha irónica "Se calhar eram os constantes epítetos, era isso que fazia de mal, mas é tão engraçado vê-la a reagir a eles"

-Professor Slughorn escolheu os pares nesta aula. Amortentia – disse para o que era com certeza a sua cara de dúvida. Começou a dispor os seus ingredientes no balcão.

-E eu a pensar que querias ficar mais perto de mim Lily. Não há mal nenhum em admitires...

-É Evans Potter.

-Bem E-V-A-N-S não há problema em dizeres que querias fazer esta especifica poção comigo. Eu não vou contar a ninguém... mas não digas à Sanders, eu tenho um encontro hoje e ...

Sentiu-se ficar sem voz.

-Ai quase consigo ouvir os passarinhos a cantar agora...que dizes Potter?

Ele mandou-lhe um beijo apesar de indignado por ela o ter enfeitiçado.

-Tenho pena de ser portadora de más noticias mas ela pediu para nos reunirmos hoje e eu estou de bom humor parece um bom dia para te dar uma coça. – ele revirou os olhos. Logo hoje, levara algum tempo a convencer a Sanders. Bem, comparada com a Lily dois dias quase não era tempo. Um pouco de charme e ela fazia o que ele queria.

Ele começou a fazer uma serie de gestos "Não . É. Preciso. Eu . Prefiro "

- O quê?

Ele voltou a repetir o gesto para "de noite" e "abraço". Ela retirou o feitiço.

- James Potter não leva coças de raparigas. Se não querias que me encontrasse com a Sanders era só dizeres, não é preciso tantas desculpas.

-Mentir é feio Potter...mas a Sanders? a sério Potter? Eu pensei que ela não podia... – ela parou a meio da frase de repente quase mais vermelha que a côr do cabelo.

-O quê?

-Havia uns boatos de umas doenças – novo silêncio. Novo ataque intenso de rubor.

-Não – retrucou descrente

-Vamos Potter, as raparigas falam entre elas. Nós sabemos coisas...

-Como assim coisas? O que dizem de mim?

De repente pareceu-lhe muito mais interessante pentear o cabelo vermelho escuro. James achou o gesto lindo.

- Coisas que nenhuma prima algum dia gostaria de ouvir novamente – Ana falou da carteira da frente. Lily intensificou a rapidez com que fazia uma trança no cabelo e James sentiu um sorriso surgir nele .

-Já podias ter dito Lily. Isso era tudo curiosidade? Bem não é para me gabar mas é tudo verdade.

- A sério? Mesmo a parte em que falaram de como era pequeno o ...

-ANA! – Remus e Lily quase gritaram juntos – estamos numa aula – Moony completou

-Retira o que disseste prima, isso não é verdade !

-Tu é que disseste que era tudo verdade. Eu só repeti o que se fala por aí.

-Quem fala o quê?

-Ela está a brincar contigo Potter devias conhecer melhor a tua prima

-Tu não acreditas em nada do que elas dizem pois não Lily?

-É Evans e não me interessa minimamente. A Sanders é que se devia preocupar – ela terminou com um sorriso trocista.

- Ora Ruiva, devias saber que Tu estás sempre primeiro.

-Mentir é mesmo muito feio Potter.

-O que um homem tem de fazer para receberes um elogio?

Ela sorriu, o primeiro do dia. "lindo ..." um sorriso que tinha um segredo e um desafio e ele era James Potter, ele adorava um desafio. Passou o braço pelos ombros da ruiva ainda meio grogue por lhe ter sido direcionado um sorriso como aquele mas ao olhar as suas mãos percebeu que tinha os dedos colados uns aos outros.

-Eu avisei-te Potter, tira a mão!

Foi com grande satisfação que a viu corar de raiva quando ele passou a mão nos cabelos arrepiando-os. "Tu és sem dúvida nenhuma a rapariga que mais mexeu comigo até hoje"

A ruiva retirou o feitiço quando o professor passou por eles mas não deixou de lhe lançar um olhar suplicante de "Por favor não faças merda, esta é a minha aula favorita" ele retribuiu com a mesma intensidade"Eu vou-te mostrar Lily Evans, eu sou tão bom em poções como tu"

Sentiu-se analisado enquanto fazia a poção e viu que Snape os observava. Aquele olhar sobre ela dava-lhe nojo, como é que alguém que tinha tudo daquela ruiva, dedicação e carinho, podia trata-la como se não fosse nada? Ele sabia que eles tinham uma ligação qualquer, algo de infância, explicara a prima.

Tapou a visão de Snape, de certa forma pondo-se à frente da ruiva. Tinha sido assim que reparara de verdade nela pela primeira vez...

"-O que vais fazer Padfoot?

-Eu já escolhi o nosso alvo Prongs. Olha ali – disse apontando um rapaz do terceiro ano como eles que saía da sala de poções com uma mala demasiado grande onde ainda guardava um estojo de química. Um cabelo oleoso caía-lhe para a frente dos olhos, ao seu lado discutia entusiasmado a aula com Lillian Evans, a amiga da prima dele. Um pouco tímida mas sempre doce.

Vê-los parecia uma anedota.

De repente ficou com muito mais vontade de entrar em ação.

Sirius passou-lhe uma rasteira e o rapaz bateu com o nariz no chão, James transformou o chão em gosma fazendo com que ele ficasse todo sujo.

-Hey Seboso ...deixa-me ajudar-te a limpar essa gosma.

Num instante ele estava coberto de sabão, uma escova gigante esfregava-o sem lhe dar tempo para nada. Ouvia os risos trovejantes de Sirius e ele próprio ria tanto que se agarrava à barriga. Remus, mais atrás parecia entediado e Peter ao lado de Sirius, ria perdido.

-Que tal uma touca Prongs?

-Estás à vontade Wormtail ...

-Sabes que sou horrível em transfiguração. Ainda transformo a cabeça dele numa touca.

-Hum optima ideia Wormy

-O que é que vocês acham que estão a fazer? Desçam-no!

Ela estava enfurecida. Uma miúda, metade do tamanho deles, de varinha na mão e disposta a combater sozinha contra eles. "Que coragem"

-Lily, estás a interromper a brincadeira.

-Desçam-no, o que é que ele vos fez?

- Isto é saúde publica, sabes que os Slytherin são um pouco...sujos.

- Ele não fez nada. Desçam-no ou eu...

-O que vais fazer? Achas que nos vais derrubar a todos?

-se for preciso Black!

-Vamos Lily é Lily não é? Nós não atacamos meninas.

-Para ti é Evans, Potter! –"uau!" foi tudo o que conseguiu pensar. Era a primeira vez que alguém o enfrentava assim. Sem saber como, uma planta que surgira ele não sabia de onde amarrara-o e a Peter. Sirius estava frente a frente com a ruiva e Remus aproximara-se, mas não iria intervir, mais parecia que via um jogo de Quiddich, olhos vidrados em Sirius e Lily que se enfrentavam."

Sorriu com a lembrança. Aquela cena repetira-se vezes sem conta até ao ano passado, a cara magoada dela quando Snape gritara que ela era aquela-palavra-que-não-deve-ser-pronunciada, não lhe saía da cabeça e talvez por isso se sentisse mais reprimido em amaldiçoar pessoas...pelo menos à frente dela. E para o Seboso...ele ia sempre arranjar algum tempo para ele. Ninguém insultava Lily daquela forma e saía vivo para contar a história.

O professor passou por eles deixando um envelope para cada um. Sabia bem o que era aquilo e revirou os olhos com desprezo. Lily pelo contrario sorriu, fazendo uma pequena mesura.

-Que linda poção. Está fantástica. Cinco pontos para cada um. Vou trazer uma especialista de poções e tens de perder algum tempo a falar com ela, seria sem duvida uma ótima carreira para ti.

-Muito obrigada, professor, mas eu vou ser Auror.

James olhou para ela. "Ao fim de tanto tempo esta ruiva ainda me consegue surpreender" e a simplicidade com que dissera que iria seguir uma vida de risco total...sentiu um arrepio.

O professor encolheu os ombros.

-Tenho de tentar Lily.

-Bem sei professor.

-Muito bem, não se esqueçam de apontar os vossos resultados da poção e para a próxima aula tragam um relatório sobre os efeitos negativos de uma amortentia. Ah e quero uma proposta para o vosso projeto semestral.

Só então James percebeu o que tinha à frente.

-E então Lili? Que cheiro tem a poção para ti?

-Eu...- não era a reação que ele esperava. – Não...maldita poção! – "então Lily? " ele queria loucamente saber qual o odor que mais a atraía, mas o olhar perdido fez com que desistisse de a incomodar.

-Queres que chame alguém?

-Não. Vou só ficar um pouco quieta pode ser? E para ti qual é o teu odor? – perguntou mais para se distrair do que outra coisa.

-Porque queres saber Evans?

-Não quero – disse encolhendo os ombros.

Sim qual era o cheiro que o atraia mais em todo o mundo? Inspirou profundamente.

-Amoras silvestres e um cheiro a folhas primaveris e água e ...e... – "merda!" sabia perfeitamente que cheiro era aquele, das poucas vezes que tinha conseguido estar suficientemente perto.

-E? James Potter eu não acredito que estás envergonhado.

-Não estou.

- e então?

-um cheiro a...adocicado a maçãs maduras. "o teu shampô"

-oh

Ela sabia claro.

Ele abriu um grande sorriso "E agora ainda achas que estou a brincar quando digo que quero uma oportunidade? " Mas essa pergunta era mais para si. Se calhar, se calhar Lily era um assunto muito mais sério para ele do que uma simples conquista.

Sentia-se surpreendido e sentiu um nervoso miudinho atingi-lo, como a premonição de algo grande.

Ele sabia que gostava "Gostar? Á muito tempo que não é gostar. Pois não, eu estou apaixonado... não... é possível que eu ame Lillian Evans"

Abanou a cabeça com um sorriso, espantando tal pensamento. Era muito novo. Sabia lá bem o que era amar.

Quiddich. Com a saída de Frank e Fabian eles precisavam urgentemente de alguém se se queriam preparar contra o primeiro jogo.

Alice queria experimentar o posto de apanhadora e James ansiava para voltar para Artilheiro, Sirius queria ficar com a vaga de batedor junto com a McKinnon e Wood ficaria como artilheiro como sempre.

O que queria dizer que precisavam de um goleiro e outro artilheiro.

Alice tal como ele sabia funcionava muito bem como apanhadora. Pequena, ágil e disposta a arriscar tudo. Era por isso que ele a escolhera para a sua equipa. Sirius era surpreendentemente um ótimo batedor e sentia que ira ser um ótimo escape para a raiva do amigo. Mas o que importava era a dupla e a química com o outro batedor e isso McKinnon e Padfoot tinham aos montes "Como se tivessem jogado a vida toda juntos"

A surpresa acabou por ser os candidatos para as novas vagas. Emeline Vance e Caradoc Dearborn eram claramente os mais capazes apesar de precisarem de pratica.

Chegou ao fim do treino cansado mas feliz, com os resultados nas mãos apesar de querer analisar tudo melhor. A equipa já se dirigia para o balneário quando Ana, Remus, Peter e Lily se aproximaram todos juntos.

-Alice e o Sirius estavam imparáveis hoje.

-Não digam isso alto ou eles vão ficar convencidos. Mas o que estão todos aqui a fazer? De certeza que não estão aqui apenas para ver as provas.

-A Lily teve uma ideia.

-Uma ideia Flor? Eu espero que tenhas várias ao dia mas o que é que esta tem a ver comigo? Ou...decidiste reconsiderar as minhas ofertas? Não?

-Alguém o enterre.

-Mas o que é que eu poderia fazer por ti debaixo de terra?

-Uma mulher feliz, eu seria.

-Hum hum

-Sim Wormsy?

-Isto está a ficar mórbido por isso eu vou explicar tudo muito rápido para podermos ir jantar enquanto vocês fingem que se matam um ao outro.

-Muito bem.

-A Evans queria muito amaldiçoar o Moony e a Ana mas não pode porque são todos amigos e para conseguir descontar a sua raiva neles legalmente, sugeriu fazer-se um Clube de duelo.

-O que até tem lógica dada estas histórias todas dos Homens mascarados que andam a bater à casa das pessoas para as matar.

-São Comensais da Morte Wormtail.

-Isso

-Porque é que a Evans não pode amaldiçoar o Moony? Nós também somos amigos e isso nunca a impediu.

-Nos teus sonhos Potter

-Nos meus sonhos nós somos muito mais minha...

-Se tu disseres Flor eu juro, juro que é a ultima palavra que dizes na vida.

-Quer dizer que nos meus sonhos não tem problema.

-Quer dizer que não vais poder ter sonhos decentes.

-e Indecentes? "e eu tenho tantos sonhos indecentes..."

- O que importa é que é uma excelente ideia e a Lily acha que Tu e o Sirius são duas grandes ajudas.- interrompeu Ana ao ver Lily avançar sobre o primo.

-Não foi isso que eu disse eu só acho que eles têm mais experiencia da tradição bruxa e dotes naturais.

-A querer trabalhar comigo minha... meu raio de sol ? – ele modificou ao ver o olhar da ruiva.- dotes naturais? Tipo músculos?

-Isto está a ficar nojento .

-Vamos Moony tenta compreender. Não é todos os dias que Lily Evans me vem pedir ajuda.

-Eu não vim pedir AJUDA. Desisto! Isto foi um erro. FUI!

-Porque é que os querias amaldiçoar?

Lily fingiu não o ouvir e desapareceu no corredor escuro e James ficou a olhar para os restantes à espera de uma resposta.

Ninguém respondeu.

-Wormtail?

-Bem ... – o loiro olhou Remus com cara de "tem mesmo de ser, eu tenho mais medo dele do que de ti" – A Evans encontrou o Moony e a Ana seminus num armário de vassouras. – o lobisomem revirou os olhos e enfiou uma mão na testa.

-Bem agora já podemos todos ir jantar. Adeus priminho querido até já.

-Moony?

-O que é?

-Corre!

Ele encontrou-se com elas à meia noite em ponto junto ao lago e tinha sido o último a chegar. Fabian também lá estava "ótimo, estar sozinho com aquelas duas dava-lhe arrepios"

-Black

-Potter

Um comprimento simples de cabeça com Lily e Fabian.

-e então? Pensei que eramos só nós os três.

-Pedi ao Fabian para vir. Queria discutir algo com vocês.

-Deixa-te de rodeios Evans.

-Acalma-te Black

-Eu quero tentar reverter o processo da maldição de Lilith em Ana .

-Isso é impossível.

-Quem disse?

-Sem o corpo de Selene não há nada que se possa fazer. Ele já anda atrás dela, nós devíamos acabar com isto. Ela pode ser a nossa perdição. É o mais provável.

-Black eu não vou matar a minha amiga. Ela não vai ser um efeito colateral no meio disto. – "uau" apesar do teor da conversa ser de grande seriedade e de estarem as duas a falar da prima dele, James não podia deixar de apreciar a beleza dos poderes de Lily a virem ao de cima

-Efeito colateral? Porque é que ainda estou a falar contigo? És sempre tu que nos levas à desgraça!

-Não finjas que não te importas Black, nós sabemos que não é verdade. Com a Ana neutralizada, ela não podia ser uma arma para Voldemort

-Olha lá tu estás a tentar protege-la a ela ou a ti?

-Sabes muito bem que se eu morrer não temos como destrui-lo.

-E porque não começarmos por ai?

- Porque tu e o Potter ainda agora estão a descobrir os vossos poderes. Queres mesmo ir derrotar o senhor das trevas?

-Acalmem-se. O que sabes?

-Eu sei que precisamos das 4 armas para destruir Voldemort, mas com as 4 armas podemos dar uma esperança a Ana. Como, eu não sei ainda.

-Então podemos esperar para sabermos mais uma vez que precisamos das armas de qualquer maneira. A não ser...

-Sai da minha cabeça Prewett

-Que barreiras excelentes. Viste o futuro Bellatrix?

-Não muito bem...

-então?

-É como se estivesse enublado.

-O teu?

Ela atirou o cabelo negro para trás

-Sabes que não é assim que funciona. Eu não posso ver o meu futuro.

-Bem acho que o melhor para já é perceberem os vossos poderes. Vou falar com Dumbledore sobre as armas. Eu vou aparecer algumas vezes para te ajuda Bellatrix.

E assim dispersaram. Lily abraçou Fabian e prometeu escrever-lhe e James e Lily desapareceram na sombra do castelo.

-Onde vamos?

-Fabian e Bellatrix precisam de alguma solidão para treinarem juntos e precisam estar perto dos elementos dela. Nós também.

-Isto é melhor que nos meus sonhos

-Potter...

Era um aviso mas ele apenas conseguiu rir.

Ele trocaria cem, mil encontros com outras raparigas por cinco minutos a sós com ela.

-Selene mostrou-me esta sala. Disse-me que...

-Que...

-Tu já vais ver.

Eles entraram. Era vermelha e dourada com um grande hall de entrada, tão grande que dava para duas pessoas duelarem e ao fundo uma lareira enorme com um veado embalsamado, os chifres enormes e brilhantes.

James sentiu náuseas. Nas laterais da lareira havia duas grandes portas envidraçadas para um terraço.

-A sala de Gryffindor.

-Não gostei – e só então percebera que o comentário tinha saído em voz alta.

-Não ? pensei que... bem ela é tua. Pensei que poderias sentir-te mais confortável aqui. Mas também não gosto muito dela.

-Porquê?

James deixou de observar a sala e olhou Lily quando o silêncio foi a única resposta. Só a tinha visto na forma de Sari uma única vez e na altura não estava em condições de apreciar até ao mais ínfimo pormenor. Os longos cabelos violeta que caiam em cascata e a roupa translucida e brilhante fazendo jus a cada curva. Sentiu a boca seca "bom Merlin. Ela é completamente...uau!"

"E as orelhas! Eu quero tocar aí...nessas delicadas orelhas pontiagudas"

E era tudo tão diferente das escamas translúcidas de Fabian.

Mas ele sabia que ela só se transformava quando a raiva levava a melhor nela. Fabian explicara isso. Por isso conteve a sua excitação face ao semblante carregado.

-Eu prefiro os cabelos cor de fogo. Não que não seja incrível ver-te assim. Mas não tenho elogios para esta tua...

-oh – ela olhou para si através do reflexo nas janelas. Como se só ali se tivesse apercebido da falta de autocontrole – é assustador não é? Sari conseguia ser...quando queria.

-Não assustador. Apenas...apenas uma força da natureza.

-Não. Isso era Selene.

-Selene era uma Deusa.

-Sim...era e não amava especialmente os humanos. Apenas o equilíbrio entre tudo e Salazar. Amava Salazar com todo o seu ser. – esta ultima tinha sido dita com tanta mágoa que o assustou. "quero abraça-la até aqueles olhos verdes deixarem de estar rasos de água". – estava disposta a largar a sua condição por ele.

-Ele era um monstro . – passaram as portas e ele sentiu um vento ainda quente atingi-lo .

-Não, não era um monstro. Apenas incompreendido. A história distorceu tudo...ele era um grande, grande bruxo. Eles foram almas gémeas sabes?

Acenou que não. Estava completamente hipnotizado pelas palavras dela.

- Mas tu não sabes. Quando as tuas memórias acordarem vai ser tudo mais fácil de perceberes. – ela fez-lhe sinal e sentaram-se – Não te deixes levar por Godric. Ele conseguia ser insensato.

-foi isso que aconteceu? Deixaste-te levar pelas memórias de Selene?

Um sorriso.

-Um pouquinho. A memória dela ensinou-me quase tudo o que sei.

-E Godric? O que ele lhe fez?

-Ele prendeu-a nesta sala. Torturou-a de várias formas.

-Eu não sou ele – não queria que tivesse saído como uma defesa mas não conseguiu evitar.

- Não, não és. A magia dele corre em ti, mas as vossas áureas são muito diferentes.

Ele achava que era o primeiro sorriso sincero que recebia dela dirigido apenas a ele.

-Isso é um elogio?

-Se fosse serias capaz de conter a tua estupidez natural?

-Não ao teu lado.

-Então não é.

- Tu és uma leitora de almas.

-Mais do que isso. Sou uma empata, está na minha natureza ser compreensiva, compadecer-me. Consigo ouvir cada ser e todos ao mesmo tempo . estou ciente da presença deles e por isso sou uma leitora de almas, consigo controlar muito facilmente as emoções numa sala. Por isso é tão importante que aprendas a resistir.

-Quer dizer que podes controlar os meus sentimentos sempre que quiseres?

-Não te preocupes Potter eu não uso os meus poderes em vão, estás à mercê da tua própria idiotice. Para alem disso há um preço. Eu sinto o que tu sentes. Vou-te mostrar.

James começou por sentir um arrepio e depois um frio cortante. De repente sentia-se irritado e frustrado e era tudo culpa da ruiva à frente dele. "porque é que ela não me pode dar uma oportunidade? Quantas mais vezes tenho de pedir para que ela saia comigo? Nunca ninguém resistiu a James Potter. Todas as raparigas caem a meus pés. Ela não é excepção, não vai ser ...eu vou ... eu vou" ele levantou-se . queria obriga-la a perceber que ele falava a serio, nem que para isso tivesse de prendê-la e...

"Mas o que é que eu estou a pensar'? É a Lily, seria incapaz de a magoar, é a ultima pessoa no mundo... ela não merecia isso."

-Muito bem Potter, nunca ninguém me conseguiu resistir assim. Foi quase perfeito. Vamos lá ver agora...

Ele nem teve tempo de absorver as palavras dela. Começou com uma comichão no fundo da garganta e um pequeno sorriso quando deu por si estava a rir.

-Porque estás a rir?

-Eu não sei.

Sentia como se tivesse bebido uma poção hilariante . foi quando começou a gargalhar e a agarrar-se à barriga, a rebolar pelo chão.

-Pára...já..já chega . já percebi. Ufa! – disse quando se conseguiu acalmar. Olhou para ela com um novo maravilhamento no olhar. "Ela é tão poderosa"

-Não sou tão poderosa assim, tu é que és um pouco fraco – disse com um sorriso de deboche. "Eu mostro-te quem é fraco"

-Pensava que Fabian é que era o leitor de mentes

-Sim, um legiliments por natureza, poliglota também. Imaginas o que é ouvir as mentes de todas as pessoas ao mesmo tempo? Pode ser avassalador. Mas a tua áurea era muito óbvia. Tal como é obvio pela mudança de energia que me queres desafiar para alguma coisa, provar-me que tu não és "fraco"

-Qual é o meu poder?

-Estava a ver que nunca mais perguntavas. "porque é que sinto que me vou arrepender desta pergunta?"

-Nox visus

Ele ouviu-a dizer e de repente deixou de ver. Estava completamente cego. A primeira sensação foi de pânico mas riu alto quando percebeu que fazia parte do seu treino.

-Querias provar-me que não és fraco. Pois muito bem, estou à espera.

-Muito engraçado Evans . Devolve-me a visão.

-Tu podes fazer isso por ti mesmo.

- Raios partam.

-O que disseste?

-Que linda noite está – ele disse cerrando os dentes e ouviu-a rir baixinho. "Ela está a divertir-se com isto" – Vamos Evans, o que se vai seguir? Umas algemas?

Ela voltou a rir e só percebeu que ela estava ao lado dele quando sentiu a respiração quente dela no seu pescoço "tão perto...". um arrepio subiu-lhe pela espinha acima.

-James... -"Ela vai acabar comigo" Nunca a quis tanto beijar. Virou-se tentando agarra-la mas tropeçou nos próprios pés e caiu de cara no chão. "Hoje decididamente não é o dia que mais gosto de ouvir o riso dela"- No dia de são nunca!

Ela só retirou o feitiço passado meia hora quando lhe disse que não era capaz. Vê-la depois de tanto tempo sem ver nada foi como um naufrago se sente quando avista uma ilha: alivio profundo e ansiedade.

-Voltamos a tentar para a semana.

"deve ser assim que o Padfoot se sente quando põe o rabo entre as pernas"

Ele podia ter-se lembrado de um monte de coisas mas só lhe vinha a memória o dia em que decidira que iria descobrir todos os segredos de Lillian Evans.

Foi com essa memória na cabeça e o coração aquecido que se dirigiu para a sala comunal. A voz rouca da ruiva no seu pescoço ainda lhe dava uns arrepios esquisitos, mas decidiu pensar nisso apenas quando estivesse sozinho dado os sorrisos de troça que Lily lhe mandava constantemente.

"Ela entrou no salão comunal pé ante pé, mas ele era um mestre em sair escondido e para azar dela tinha sido um daqueles dias em que tivera um sonho, um sonho repetitivo que ele nunca se conseguia lembrar e que fazia com que ficasse o resto da noite a tentar lembrar-se.

Ela tinha o sorriso mais bonito que vira em alguém e ela estava decididamente muito feliz mas ele não conseguia deixa-la ir sem se intrometer.

-Evans.

-Boa noite Potter

-O que é que a nossa Monitora e exemplo da moral e bons costumes está a fazer fora do salão comunal a esta hora?

Ela corou fortemente . "Oh meu Deus será que estava com alguém? Eu vou MATAR O DESGRAÇADO!

-Bem Potter, tu não tens nada a ver com isso. – ela retirou umas madeixas do cabelo da frente dos olhos e colocou atras da orelha. James seguiu cada gesto até chegar à delicada orelha branca que... era pontiaguda como a de um elfo?

James esfregou os olhos mas continuava a ver o mesmo, levou a mão lá. Queria tocar só para ter a certeza mas a ruiva deu-lhe uma palmada na mão afastando-o

-Au!

-Que estás a fazer Potter?

-A ... a tua orelha!

- chhhs! O que tem ela?

-está diferente, pontiaguda. – Lily levou a mão ao sitio que ele apontava, bestificada. E a seguir ele pode ver que ela desconversou

-Potter é muito tarde e tu estás a alucinar.

-Alucinar? Eu sei o que vejo ...que raios! Onde vais?

-Dormir, se me vêm contigo a falar de coisas que não existem, vão pensar que também enlouqueci.

-Eu não sou louco! Que segredos andas a esconder Lily Evans?

-Aconselho-te a não andares a berrar aos quatro ventos que vês coisas. Isso não é saudável.

-Hey Evans! Evans, espera !

Ele conhecia-se e adorava um quebra cabeça e não ia fugir de um. Depois de tanto tempo a implicar com ela, talvez fosse boa ideia experimentar outra abordagem para ela cair nas graças dele e então ganhar a confiança dela para ela lhe contar os seus mistérios . "Não perdes pela demora Lillian Evans!"

Foi por isso que no dia a seguir ao pequeno almoço:

-Evans .

Ela voltou-se. Não sabia o que ela tinha feito, mas ninguém parecia reparar naquelas duas orelhas arrebitadas e ela estava radiante o que lhe deu confiança para continuar.

Lily ouviu uma voz chamar que ela conhecia perfeitamente

-Potter – ela respondeu, claramente perguntando-se o que ele queria.

- A próxima visita a Hogsmeade é este fim de semana correcto?

- Sim ,mas poderias ter confirmado essa informação com o Remus. –"óptimo, ele podia esperar até ao fim de semana. Sorriu com todas as forças que tinha"

-Venho convidar-te para saires comigo – "Pronto está dito, agora ela vai-se atirar ao meu pescoço, dizer que não esperava este convite...Às tantas ainda recebo um beijo..." passou a mão nos cabelos

-Porque é que eu iria cometer um suicídio social desses?

James aproximou-se, nem tinha ouvido bem as palavras da ruiva.

-ótimo posso apanhar-te às 10 horas?

-POTTER! – aquele berro pareceu despertá-lo – o que raios é que tomaste com o sumo hoje? "Então mas ela não tinha aceite?" Eu não quero ir a lado nenhum contigo.

-Tu sabes que queres vir ruiva. Que mal tem? Eu não te vou comer -e nisto gargalhou voltando a ajeitar o cabelo e acrescentou baixinho – se não quiseres. Combinado?

Ele ainda hoje não sabia bem o que tinha dito de mail. Quer dizer para ser justo podia ter evitado o ultimo comentário, mas não era justificação para o que se seguiu.

-Eu disse que não Potter , não irei a nenhum encontro contigo , tu deves estar com febre e aconselho-te a ires visitar a Madame Pomfrey porque a tua saúde está em

risco se achas que eu alguma vez aceitaria sair com um arrogante como tu

-Nem se eu disser que fui colher esta rosa para ti? -ele estendeu-lhe uma rosa vermelha

que ela não apanhou – qualquer rapariga daria tudo para ter um convite meu e...

Mas James não acabou de falar porque Lily interrompeu-o despejando o sumo de abobora que tinha na mão em cima dele.

James deixou de rir.

-Pareceu-me que estavas a precisar de resfriar as ideias Potter , não precisas de agradecer – disse estendendo uma mão em sinal de stop – mais uma coisa porque pode não ter ficado muito claro mas irá ficar agora, eu não sou uma rapariga qualquer e eu nunca irei sair com um presunçoso como tu! E o meu nome é EVANS! "

James adormeceu com um sorriso ao lembrar a primeira vez que a tinha convidado para sair. Depois disso tinha-se tornado um desafio surpreende-la com novos pedidos cada um mais mirabolante do que o anterior.

Mas o que tinha começado com um desafio, uma conquista infantil de repente parecera ter mudado. O fim do ano passado mudara tudo, inclusive a forma como agora a admirava.

"James... " a voz rouca continuava a não lhe sair da cabeça.

Lily Evans era bem mais do que uma conquista.

N.A- Como tinha dito, apenas precisava de rever este capítulo. Ainda há muita coisa por explicar apesar de sentir que já levantei um bocadinho do véu da história...vai ficando mais claro aos poucos.

Se tiverem perguntas que eu consiga responder sem estragar o enredo, estão à vontade.

Espero que tenham gostado e ficaria imensamente feliz com a vossa opinião =DD Muito obrigada!