Capitulo 3
"Agarrou-a num corredor e puxou-a para dentro de uma sala de aula.
-Nox
Sem lhe dar tempo para pensar beijou-a. uma mão segurando-a pela cintura e a outra na face da ruiva. Os lábios dela sabiam a amoras e tinha a certeza que ela tinha sorrido no meio daquele beijo fazendo-o deseja-la ainda mais.
Não resistiu a morder-lhe o lábio levemente, apertando-a contra si e os seus odores misturando-se num rodopio de sensações. "Lillian Evans vais levar-me à loucura"
Sentiu a mão dela dentro da camisa, subindo pelo abdómem e acabou por gemer nos lábios dela. Doce erro, ela aproveitava qualquer fraqueza dele.
As pequenas mãos agarraram o cabelo longo dele e ele voltou a gemer desta vez de dor, não só prazer, quando ela os separou.
-Achas que isto tem piada...divertes-te com isto não é? – custava-lhe a recuperar o fôlego, conseguia ouvir o coração dela a bater fortemente traindo a voz aparentemente calma – Sou uma pessoa ocupada, que não gosta de perder aulas.
Ele riu de forma debochada "Quero-te , só isso importa e nada mais. Eu vou mostrar-te o que tu sentes por mim" voltou a segura-la mais perto e ela deixou-se levar, como tinha acontecido desde o inicio , sentia-a cada vez mais a perder-se naqueles minutos que pareciam horas. Beijou-a naquele sitio que sabia que a fazia perder a força nas pernas, entre a orelha e o pescoço e ela arquejou o corpo contra ele, entregando-se e procurando avidamente os lábios e o combate furioso de línguas.
Ela apertou e puxou com força os cabelos dele, fazendo com que ele lhe desse atenção.
-Se eu estou aqui ainda, é porque eu estou curiosa. Quem és tu e o que queres comigo? – as mãos dele repousaram no quadril dela puxando-a para si, tentando não ser vulgar mas mostrando-lhe que precisava dela.
Retirou os cabelos da cara dela num gesto óbvio de afecto. – A minha amiga acha que és o Severus – ele riu descontroladamente. "que ideia idiota confundi-lo com aquele nojentinho"– Também achei que não fosses...seria demasiado esquisito. Quem és tu e porque te escondes?"
Sirius acordou mas não abriu os olhos. Queria aquela lembrança só mais uns míseros segundos. De quando ela se apaixonou por ele, apesar de não saber quem ele era.
Abriu os olhos quando a dor de cabeça foi demasiado grande para suportar e desejou ter continuado a dormir. Mal se lembrava da pessoa que dormia ao seu lado. Estava a começar a tornar-se um habito um habito que ele tanto odiava como precisava. Uma droga.
Sexo para esquecê-la, álcool para esquecer-se de a esquecer e a dor no dia a seguir quando não conseguia viver consigo mesmo e olhar-se no espelho. Fugiu do sitio onde estava sem sequer dizer uma palavra, apenas queria fugir. Tudo era doloroso e ele não sabia como parar aquele ciclo .
A culpa tinha sido sua por a ter perdido mas não tivera escolha. Ela não teria uma vida com ele, ele sabia. Ele tinha visto e não suportara. Amava-a mais que tudo. Deixara-a ir para lhe dar a oportunidade de ser feliz, mas ele não sabia ser nada sem ela. Queria sentir alguma coisa mas não fazia ideia como. As únicas alturas em que não eram de todo vazias era quando estava com os Marotos e mesmo assim eles não compreendiam, mas não precisavam. Estavam lá e era o que importava.
Um duche rápido iria limpar aquele rancor do sistema dele. Chegou à aula de transfiguração quando a professora ia fechando a porta e sentou-se ao lado ade um PRongs que o recebeu com palmadas nas costas
-Bom dia Campeão! É a terceira vez esta semana e é apenas quinta feira. Só por curiosidade é sempre a mesma?
Sirius não sabia, nem queria saber. Nenhuma delas conseguia fazer com que ele sentisse um decimo do que ela provocava nele só de a olhar três cadeiras à frente e sentir o seu perfume. Era tudo em vão. Estava à procura do que não podia ter.
Remus passou-lhe o pequeno almoço que tinha guardado mais uma vez para ele e Sirius agradeceu com um aceno de cabeça apesar do olhar reprovador de Remus.
-Então o que é que se faz aqui?
-Mr. Black será que posso ter o dom da palavra na minha sala?
-Pois claro professora, o som da sua voz são rouxinóis nos meus ouvidos.
James soltou uma gargalhada ao lado dele.
-Muito agradecida. Miss Evans estava a dizer-nos quais as transformações mágicas existentes no campo da transfiguração humana?
-É o lobisomem, o animago e o ...
-MEtamorfomago
-Correcto Mr. Black, Miss Evans. Alguém sabe o que difere o Metamorfomago dos restantes?
- O Metamorfomago nasceu com a sorte de se transfigurar. O lobisomem e o animago é uma transformação que ocorre por escolha ou no caso dos lobisomens infligida por outros.
Desta vez o olhar da ruiva demorou-se sobre ele enquanto se remetia ao silêncio e se encostava à cadeira. Era o que custava mais, aquele silêncio.
- Está muito participativo hoje Mr Black . cinco pontos para os Gryffindor.
Sirius fez uma vénia exagerada e afundou no seu lugar. James estava estranhamente quieto ao seu lado, quando seguiu o seu olhar percebeu que parava em Lily. Sirius conhecia bem aquele olhar lânguido, o amigo não sabia mas estava apaixonado pela ruiva . algo dentro dele doeu de verdade, como se fosse possível doer mais, como é que ele ia lidar com o seu melhor amigo e o amor da sua vida juntos?
"Tu não a quiseste, tens de a deixar ser feliz"
"Eu não escolhi isso. Teve de ser. Comigo tudo o que a esperava era a morte..."
Voltou a sentir aquele sabor ácido com o qual ele se acostumara nos últimos tempos.
Como se tivesse ouvido os seus pensamentos, ela olhou por cima do ombro na direção dele e corou ligeiramente. "Como ela era linda! E como custa vê-la assim por minha causa. " se ele pudesse voltar atrás no tempo...
-Ela é mesmo, mesmo uma força da natureza.
-Quem Prongs?
-A ruiva.
-hum cuidado com essa cara de parvo ela vai achar que és obcecado por ela.
-Não sou obcecado Padfoot, mas sou persistente.
-Sei..no teu caso vai dar no mesmo.
-É aquela covinha do sorriso, é...fascinante.
Ele sabia bem a que é que James se referia. Tinha-se debatido com a mesma questão por muito tempo.
-Humf ... como vai o treino? – Não sabia porque fazia aquelas perguntas. Mas era como uma droga e ele era um viciado, falar dela e com ela era o que acalentava a sua dor.
-Ela um dia vai ser uma excelente professora! Tem a exigência e a calma, a ternura e a paixão. E aqueles poderes... já perdi a conta às coças que levei.
-Quem diria James Potter a ser passado para trás em duelos.
-Tu nunca duelaste com ela. –"Sei muito bem o quão poderosa ela é " – Ela levou-me a uma sala, a sala de...
-Gryffindor – disse com asco – conheço bem o sitio e ela também. Selene... – mas as palavras perderam-se.
-PAdfoot tu nunca me contaste a história deles. Selene e Salazar, eles ...
-Chhhs fala baixo Prongs. Não quero falar sobre isso. É uma historia de sangue e lagrimas.
- É por isso que ela e tu andam tão tristes? Por terem avivado as memórias deles o ano passado? "antes fosse!"
-Não faço ideia do que se passa com a Evans.
-Nem eu... mas não gosto de a ver assim. As únicas alturas em que tem o seu olhar de volta é quando está chateada. Acho que é por isso que a tenho provocado mais. – acrescentou com um risinho
-Devias deixa-la em paz. A ela e a mim
-Não consigo PAdfoot é mais forte do que eu e bem quanto a ti eu preciso do meu parceiro em condições.
- Para quê?
-Dar uma lição no Moony , ou ele achava que se ficava a rir depois de ter atacado a minha prima?
- és uma personagem Prongs e mais retrógrada que a minha querida mãezinha.
-Padfoot, como é ter as memórias de Salazar?
-Uma merda! – disse já sem estofo. Remus olhou para trás com uma sobrancelha levantada devido ao palavrão. – Mas eu não sou ele Prongs... um dia, um dia conto-te uma história.
Uma história de lágrimas e sangue que começara no fim daquela maldita festa do Slughorn com uma ruiva ainda inocente.
" Ele ouviu os pequenos passos atrás dele ecoarem no castelo vazio e um segundo depois sentiu um puxão na manga. Ela não estava de todo no seu melhor estado de sobriedade . Por norma, Lily era uma rapariga alegre, mas não desenvolta e nem sempre descontraída.
As garrafas de firewhisky que ele tinha contrabandeado deveriam ter ajudado, mas quando ele se levantou da sala onde os amigos riam descontraidamente nunca pensou que ela o seguisse.
-Vamos por ali – ela pediu
-Devias voltar para o Remus, ele vai procurar por ti.
Ela acenou que não, teimosa. Já nessa altura sentia uma paixão difícil de controlar por ela e ele sabia que ela sentia algo por ele. Talvez ainda não soubesse o que era, mas era forte. Esconder a sua identidade tinha sido a forma que ele arranjara de se aproximar, mas agora já não sabia como se revelar a ela.
-Mas o nosso salão comunal é por ali – ele disse apontando para o caminho contrário.
-Preciso de ir a um sítio...
-Com medo do escuro? – ele brincou
- Sim – o seu rosto era sério. ele quase acreditou apesar de não perceber como era possível alguém com dezasseis anos ter medo do escuro.
Ele seguiu-a no seu encalço pelo corredor fora, até chegarem a uma porta. Ele sabia onde ia dar, ao telhado. Era um sítio que não era comum os alunos irem.
-Alohomorra - a porta abriu-se e eles subiram a escadaria até ao telhado – Há muito tempo atrás os alunos vinham aqui, fazer os seus pedidos, atirar os seus desejos ao vento para que assim fossem concretizados. Tens um pedaço de pergaminho?
Sirius procurou nos bolsos uns segundos até encontrar e estender-lhe. O vestido azul que ela trazia assobiou quando o vento passou por ele e a pele alva de Lily era iluminada pela lua.
Sirius definitivamente não sabia o que estava ali a fazer.
A ruiva escreveu num pedaço de papel e largou-o perto da beirada.
-Eu não quero mais ser surpreendida numa sala de aula por um admirador secreto. – ela sussurrou baixinho e Sirius sentiu de repente a mão da ruiva na sua. Não era quente, mas era macia e pequena.
-Eu nunca estive no telhado com uma rapariga tão bonita.
Essa noite, quando Sirius fosse deitar, ele ia sonhar com aquele momento."
Estavam junto ao carvalho grande perto do rio, a apanhar os últimos raios de sol que Setembro ainda permitia, escondidos dos olhares curiosos por uma seve estrategicamente colocada. Era hora do almoço e eles aproveitaram que a maioria dos alunos estava no salão para explorarem melhor o mapa do Maroto.
Sirius fumava um cigarro de olhos presos no horizonte longínquo negligenciando o seu dever que era estar de vigia. Os outros três debruçavam-se no mapa.
-Devíamos voltar a falar com o Hagrid, tenho a certeza que ele vai deixar escapar o sitio da nossa próxima aventura.
-Eu sei onde devíamos ir.
-Sim Prongs mas o problema é que não chegamos a um consenso.
-Devíamos voltar a tentar os Centauros
-Eu voto nas sereias.
-As sereias Moony? Andarem sempre semi-nuas não terá ajudado a tua decisão? Deixa a Ana saber disso.
-Só acho que ainda podemos aprender muito com elas PAdfoot.
-Elas metem-me arrepios.
-Tudo te mete arrepios Wormtail
-Não, o clã das fadas não me mete arrepios.
-Padfoot?
-OS unicórnios. Devíamos ir lá na próxima lua cheia. "Há uma teoria que preciso de pôr em pratos limpos"
-Sabes que os unicórnios e os lobisomens têm os astros desalinhados.
Ele encolheu os ombros, lançando fumo para o ar.
-Conclusão: não chegamos a acordo. Acho que vamos ter de nos aventurar nos deliciosos biscoitos do...
-Ok eu também prefiro os centauros – Sirius disse muito rápido. "Qualquer coisa menos aqueles biscoitos intragaveis"
-YES!
-Fizeste de propósito Prongs.
James riu baixinho enquanto passava a mao nos cabelos espetados e dobrava o mapa.
-Ele faz sempre isso e vocês os dois caem que nem uns patinhos.
-Adoro a democracia...
Sirius sentou-se rapidamente quando identificou as duas vozes perto dele. Os seus instintos caninos de repente ligados
-O que foi PAdfoot? – James perguntou imediatamente a seguir, todos os sentidos em alerta.
-Chhhss
-Eles estavam por aqui eu tenho a certeza.
-Essa tua obcessão vai ser o teu fim.
-Cala a boca Lestrange, eu tenho a certeza. O Potter e o Black estão a tramar alguma.
-Que poderiam estar a tramar? Tudo o que eles pensam é em gajas e como gastar o dinheiro dos pais.
-Que é basicamente o que tu pensas.
-Ora Ora Snape...não vamos partir para os elogios.
-Há qualquer coisa no Lupin e neles que não bate certo.
Sirius olhou para o lado, Remus estava branco como um fantasma.
-Devíamos estar preocupados com a missão do Lord. Não temos muito tempo.
-Está tudo dentro do prazo. Resta esperar que ela entre em contacto?
-Porque o Lord haveria de confiar numa pirralha?
-Não o questiono Lestrange...
-Diz-me Snape tu não te cansas daqueles dois a humilharem-te constantemente?
A paciência de Sirius estourara há uns dois minutos atras e quando ele fez tensão de aparecer, já James estava de pé, varinha em riste e a olhar para ele de lado. "É isto que adoro no Prongs, ele é capaz de me ler a mente nestas situações"
Ombro a ombro os dois apareceram em frente aos dois Slytherins.
-aí está uma grande pergunta Seboso. Não te cansas de meter o nariz onde não é suposto?
"Era uma noite de lua cheia onde tudo pode acontecer. As árvores dançavam ao sabor do vento e o perfume das flores pairava no ar. Era Primavera. No centro da clareira estava um rapaz, não mais do que vinte e cinco anos, cabelos curtos e negros como a noite, olhos escuros e brilhantes.
Ela entrou na clareira, longos cabelos negros entrançados aqui e ali e uns olhos verde esmeralda sábios e antigos, vivos e apaixonados. Vestia uma peça única translucida, o que fazia ressaltar os lábios vermelho escuro, da cor dos morangos maduros. Salazar prendeu a respiração, por mais que a esperasse não estava preparado para aquela visão. Era uma deusa apesar de tudo... a deusa da lua, do equilíbrio e da mudança ... Selene...amou-a desde aquele momento, aquela palpitação a mais do coração, aquele segundo em que deixou de respirar e que quando voltou...tudo era diferente.
Sorriu calmamente, preenchido de felicidade.
Ela olhou curiosa e surpresa por um humano ter o desplante de estar ali, de a ter chamado.
-Selene...estava à tua espera."
Mais uma vez não sabia quem ela era. Tinha uns cabelos castanhos avermelhados que lhe fazia lembrar de Lily , mas a semelhança acabava aí. Não existia ninguém que chegasse aos calcanhares dela por isso ele fazia o que sabia fazer de melhor: bebia para baralhar a memória. Embriagado quase que podia imaginar que era ela, o cheiro dela, o toque dela, o sorriso...
Sentiu uma mão nas suas calças quando a porta do armário de vassouras se abriu de rompante.
-Lily!
Estática sem ousar mexer-se , ela quase não respirava. Sirius engoliu em seco. Odiava aquele olhar.
-Padfoot! Recompõe-te. Tu! Melissa não é? É melhor ires para a tua casa, tens uma detenção amanha.
Sirius apoiou-se na parede não acreditando na falta de sorte que tinha na vida.
-Eu disse-te para não abrires
-Eu não ia adivinhar Lily que ia ser o Padfoot neste armário com uma qualquer.
-Agora todos fazemos uma ideia não é? Muito mais agradável. Que achas Black? Sentes-te melhor agora?
Era a primeira vez que lhe dirigia a palavra. Ele remeteu-se ao silencio como quem é esbofeteado. Ver o olhar dela magoado doía mais nele do que nela. Ela podia não compreender, mas naquele caso a ignorância era uma bênção.
Ela devia deixa-lo naquele estado degradado e seguir em frente sem olhar para trás , fosse com quem fosse. Se esse alguém fosse James, melhor. James iria protege-la de tudo e todos e tinha uma família influente para o fazer, não uma família de seguidores de magia negra.
- Se não tivessem passado por aqui iria sentir-me melhor por esta hora de certeza.
A ruiva girou nos calcanhares e desapareceu no corredor. "Quanto mais ela me odiar mais rápido nos ultrapassa"
-A sério Sirius? Era tão escusado...
-Estás à espera do quê para ir atrás dela Moony?
Com um ultimo olhar para trás o amigos desapareceu atrás da ruiva. "Inferno, maldito!"
Quando entrou na antecâmara do telhado, ela não estava vazia e continha a última pessoa em todo o mundo que queria ver, ainda menos do que Lily. Tentou sair sem fazer barulho.
-Espera!
Ele deu um gole na garrafa que segurava sem se virar. "Vadia maldita"
-O que é que queres? Nem devias estar aqui, este lugar é meu. – aquela raiva que trazia desde o inicio do verão pareceu concentrar-se toda nela, porque de facto ela era a causadora de tudo. Ela era a razão de ter deitado o seu destino fora – Não estás satisfeita com o que já fizeste Bela? – ele aproximou-se – O QUE QUERES MAIS DE MIM? JÁ ME TIRASTE TUDO O QUE TINHA!
-Chhhsss, o Filch...
-Não me toques – sentia as lágrimas perto mas incapazes de cair, apenas aquele ódio do mundo e de tudo mas principalmente daquele segredo que compartilhava com a pessoa que mais odiava. – eu tenho ÓDIO DE TI!
-Eu sei, eu sei – ela disse mais qualquer coisa que ele não ouviu. Foi isso que quebrou a febre nele de a insultar.
-Eu não consigo esquecer – ele finalmente disse escorregando para o chão – é como se, como se...
-Como se tivesses essa imagem de felicidade pregada na cabeça. Não era minha intenção.
Apesar de ela dizer exactamente o que ele sentia, não conseguia sentir pena dela.
-Eu preciso que me oblivies
-O que disseste?
-O feitiço. Preciso que faças isso, tu deves-me isso. Não consigo dormir, não consigo fazer nada só consigo vê-la a cair , os olhos verdes abertos ...
-Não. Não posso fazer isso.
Era uma ideia louca , ele sabia. Mas tinha de tentar porque toda a situação o estava a transformar, a comer por dentro. Encostou-se para trás e bebeu para tentar esquecer qualquer coisa.. não funcionou , desistiu e estendeu-lhe a garrafa.
-Boa sorte. Não funciona, mas podes sempre tentar.
Ela aceitou. Não pode deixar de reparar em como ela era bela, o nome fazia-lhe jus. Longos cabelos negros encaracolados que emolduravam uma pela alva de cetim. Não era como Lily , não ninguém era como Lily , mas era linda sim. Sempre fora, desde bebé.
Quem diria que a pessoa a quem fora mais próximo na infância se tornara a pessoa que ele mais odiava no mundo todo. A vida era de uma ironia atroz, o ser humano à frente dele tinha vindo ao mundo apenas para o lixar. Uma gargalhada incontrolável soltou-se da garganta e ele cambaleou enquanto ria.
-O que é que foi?
Sirius aproximou-se ainda a rir e segurou-lhe as duas mãos, imobilizando-a.
-Sirius o que estás a fazer?
-O que tu sempre quiseste mas sempre foste cobarde demais para ter.
Sem mais, fechou o espaço entre eles num beijo que iria mudar a vida dele. Sentiu o doce do firewisky nos lábios dela e trincou sem ternura, prendeu-a mais perto dele quando a sentiu relaxar entre o seu abraço e aprofundou o beijo querendo magoa-la mas desejando sentir a língua dela, húmida, ávida contra a dele.
Afastou-a com força e brusquidão e sentiu-se tonto da bebida.
-Quem diria Bellatrix, afinal somos mesmo da mesma família. Bom saber, até um dia.
Ele ia virar-lhe costas e ir embora, já tinha tirado aquele sorriso do rosto dela que ele tanto odiava mas ela caiu sobre ele fazendo-o esfolar as costas na parede. Os lábios novamente nos dele, desta vez era ela quem o prendia. Poderia-a ter dominado sem dificuldades mas no fundo queria que aquela raiva saísse do sistema dele . porque não com ela? Não gostava dele, não gostava de nenhuma sem ser a ruiva.
Ouviu-a gemer. Um som estranho aos seus ouvidos vindo dela, mas tão gutural que o excitou no momento. Sentiu os seios fartos nas mãos e pensou que percebia nem que fosse um pouco, porque é que ela dava a volta à cabeça de muitos rapazes em Hogwarts "vagabunda!". Os seus dedos introduziram-se de forma ansiosa e ele sentiu o liquido dela escorrer nos dedos dele.
-Tão ansiosa assim priminha? – ele sussurrou querendo ser o mais ordinário possível mas ela não se deixou ficar e ele gemeu quando ela meteu as mãos dentro das calças dele e o segurou duro. Ele riu.
Possuiu-a por trás com brutidão desejando magoa-la mas ele apenas sentia que ela gostava porque de alguma forma ela também tinha algo para tirar do seu sistema e ela foi seguindo as mãos dele pelos sítios que ela mais gostava, obrigando-o a tocar-lhe onde ela mais queria. Ele insultou-a varias vezes mas ela retrucou na mesma moeda, insultando-o de volta, anos de ódio finalmente a nú até ele não aguentar mais e gritar o nome de Lily bem alto atingindo o êxtase mas nem isso a demoveu, chegando ao climax logo a seguir a ele.
Caiu por fim, tonto, o nome de Lily ainda nos lábios e foi com esse pensamento que o sono e o cansaço o alcançaram.
Quando acordou, ainda de noite mas sem o fervor de umas horas atrás, o seu primeiro pensamento foi que ele fizera sexo com Bellatrix Black . Esse facto era incontornável.
A pessoa que odiava desde os cinco anos, que fizera com que a mãe lhe desse inúmeras tareias, que fizera com que ele e Regulus se afastassem, que provocara a saída de Andrómeda da família e por fim o seu próprio abandono de casa.
Não conseguia conter a curiosidade e espreitou sobre o ombro os contornos das costas, os caracóis negros e não ruivos...
Os lábios vermelhos escuros e não rosas...
A pele sem sardas até chegar aos olhos tão diferentes dos verdes esmeralda cheios de vida...
Estes eram de um azul escuro sem brilho... que olhavam fixamente para Sirius.
