Capitulo 4- Ouroborus
-Encontrei! Remus, olha! Está aqui.
Remus viu-a quase lançar-lhe o livro "Morgana la Fey", a feição eufórica depois de horas de procura incessante.
-Onde?
-Esta passagem "Avalon é..." espera... – ela folheou o livro incessantemente – não consigo ler, desapareceu tudo ! como é que é possível - abriu e fechou o livro várias vezes, virou-o de pernas para o ar – é como se ...
-Deixa ver
Remus pegou o livro e abriu, parecia estar tudo normal, havia texto em todas as folhas. Começou a ler e o texto desapareceu.
-Como é que isto é possível? – disse um pouco mais alto que o normal e Madame Pince pediu silêncio rispidamente.
-Moony, Lily! Finalmente encontrei-vos .
-Chhssss
-Desculpe Madame Pince – o moreno disse sussurrando mas com o ar de galanteio que sempre o acompanhava – é que é uma felicidade tão grande pisar o chão desta biblioteca.
-Nesse caso cumpra as regras Mr Potter !
-Às suas ordens.
Remus viu Lily revirar os olhos e esconder o livro no seu saco discretamente, Remus lançou-lhe um olhar inquisidor "Não é suposto estares a esconder coisas do teu parceiro, mesmo que esse parceiro seja o Prongs "
Ela devolveu-lhe o olhar.
-O que é que estás aqui a fazer Potter?
-Bom dia querida Lily , trago novidades. O que estás a esconder aí atras?
-Que repetitivo Potter. O meu nome é Evans, que novidades tuas é que me poderiam interessar?
-É novamente aquele teu admirador secreto do ano passado?
-Prongs...
- O que foi Moony? – Lily olhou para Remus em pânico e ele respirou fundo.
-Não há admirador secreto, ele...
Os olhos de James pareceram iluminar-se como se uma nova chama o consumisse, e Remus viu como tantas outras vezes James passar insistentemente a mão pelos cabelos, um gesto que denotava tanto nervos como contentamento.
-De verdade? Ele tinha verdadeiro mau gosto Lily, e uma veia um tanto quanto ultrapassada. Eu sou muito mais divertido – disse aproximando-se da ruiva e retirando uma madeixa da frente dos olhos.
A ruiva afastou-se imediatamente, o assunto da conversa visivelmente mexia com ela ou James por esta altura já não teria mãos.
-O que te trouxe aqui?
- O clube de duelos é claro. – tirou do bolso um pergaminho – Temos a autorização finalmente.
-Como assim? Mas nem falamos sobre ir para a frente com o projeto... Potter tu foste até ao diretor sem mim?
-Não foi bem assim Lily querida.
-Querida é a tua ...
-Lily ! – Remus disse tentando chama-la à razão. Só ele sabia como ela conseguia ferver em pouca água por razões de nada relacionadas com o seu amigo.
-É melhor leres ...
O moreno disse sentando-se e brincando com a snitch que trazia no bolso enquanto esperava que ela abrisse o pergaminho.
"Mrs. Evans,
Tenho o maior gosto em comunicar-lhe que o seu pedido para a realização de um clube de duelos foi aceite. A Administração aceita a sugestão com muito entusiasmo e aguarda ansiosa pelo regulamento do mesmo e respetivas regras de segurança . Pretendemos uma reunião assim que for possível para que o projeto seja certificado.
Para a presidente do clube, Lily Evans, desejamos as maiores felicidades neste inicio e esperamos uma lista completa do vice presidente e respetivo secretario(a)
Sem mais a dizer,
Albus Dumbledore."
Remus leu por cima do ombro da ruiva com um sorriso no rosto. Finalmente James começava a perceber...
-Eu...eu mandei um pedido?
-Apesar de não teres conhecimento de causa – James deixou de brincar com a bolinha dourada para se aproximar da ruiva – eu fiz questão que o mesmo chegasse ao diretor.
Um sorriso iluminou o rosto da ruiva, quase como se a antiga Lily estivesse ali. Tão radiante que Remus sentia que ela ia começar a voar. Em vez disso e para surpresa de todos os presentes, a massa de cabelos vermelhos lançou-se a um pasmado James num abraço esmagador.
Mas tão rápido como foi o impulso, ela também se afastou mais vermelha que o próprio cabelo quando percebera o que tinha feito. Remus susteve a respiração com medo de começar a rir tresloucadamente. Mais engraçado foi a reação de James, que evoluiu de aparvalhado para um sorriso malicioso.
-Ora Lily fico muito feliz com tanto entusiasmo, podemos repetir quando quiseres. Não ? será que nesse caso... eu não deveria ser recompensado com...digamos... uma volta a Hogsmeade no próximo fim de semana?
-POTTER – a outra rugiu em fúria.
"Não, James ainda tem muito que percorrer para perceber a ruiva"
Remus afastou-se, não contendo o riso que lhe escapava por toda a situação, mas saindo do campo de conflito dos dois amigos.
Era bom que James distraísse Lily. Nas ultimas duas semanas tudo o que ela fizera, fora enterrar-se na biblioteca à procura de livrar Ana da maldição que esta carregava.
Desde que Remus descobrira quem Ana era, ele nunca tivera essa esperança. Essa esperança tinha sido trazida por Lily. Ele nunca lhe fora tão grato.
"Setembro do 5º Ano:
-Bom dia a todos, a aula hoje vai ser diferente. Já estamos um pouco atrasados, mas só consegui esta espécie este ano. Façam pouco barulho, os rapazes fiquem atrás das raparigas.
Eles aproximaram-se da floresta proibida e pararam numa clareira. As raparigas foram as primeiras a reparar soltando pequenos "ohs" e "ahh que lindos" e só então Remus os viu. Um par de lindos cavalos brancos que poderiam ser apenas isso, não fosse o chifre que tinham no focinho.
Prongs e Padfoot ao lado dele quiseram aproximar-se mais, até Wormtail, que normalmente odiava a aula de Criaturas Mágicas mas Remus deu um passo atrás inconscientemente.
-Os rapazes mantenham a distância.
Não era preciso pedir-lhe duas vezes. Ele queria distância daquelas criaturas, ele até conseguia perceber que eram magníficas e míticas, mas eram anti natura para ele. Demasiado boazinhas, ele só pensava em rasgar e dilacerar quando as via. Era assim.
-Alguém sabe dizer de que cor nascem os unicórnios?
Lily e Ana levantaram a mão quase ao mesmo tempo, Remus também.
Lembrava-se desse dia como se fosse agora porque esse dia marcara o inicio de muita coisa.
Ana foi a primeira a aproximar-se, como sempre. Era a sua aula preferida e era a melhor a lidar com animais, sempre fora. Lily olhou para trás, para ele, mas Remus acenou com a cabeça "Está tudo bem, eu estou bem. São só uns cavalinhos"
A professora afastara os rapazes porque as raparigas precisavam de privacidade e deixou-as explorar quem é que conseguia aproximar-se dos cavalos.
-Mr. Lupin, encontra-se bem?
-Sim Professora.
-Pode ter dispensa da aula a qualquer momento. Não precisa de...
Ele fez um esforço para sorrir.
-Eu aguento Professora. Obrigada.
Ele ouviu Lily a chamar por ajuda antes de todos os outros e passou pelos colegas a correr e pelas raparigas que se afastavam, os unicórnios fugiam face o alvoroço. Quase começou a respirar novamente quando viu que Lily estava bem, mas ajoelhada junto dela estava Ana e Remus ouviu antes de tudo o silencio dos batimentos cardíacos de Ana.
-O que aconteceu?
-Ana tocou no unicórnio e apagou, simplesmente apagou.
Ele devia-se ter afastado quando ouviu isso, mas foi mais forte do que ele. Colocou a mão no peito dela e puxou da varinha.
-Ener...
Não conseguiu acabar de pronunciar o feitiço, uma dor lancinante percorreu-o desde a ponta dos dedos até à cabeça. Conseguia ouvir Lily a chamar por ele, a levantar-se e a chamar a Professora, Padfoot e Prongs ao seu lado, mas não conseguia responder. Desfaleceu e acordou num salão de mármore negro. Ana estava ao lado dele e afastou-se quando ele se sentou.
- Onde estamos?
Assim que ela perguntou um homem entrou pelo salão e Remus sentiu instintivamente um arrepio. Era alto, pálido, lindo em qualquer padrão de longos cabelos negros e olhos de um azul cristalino, os mesmos de Ana. Trazia um embrulho nos braços e passou por eles como se não os visse.
-É uma memória – Remus espreitou o bebé que ele carregava. Olhos do mesmo azul – a tua primeira memória. Chhsss.
O homem aproximou-se do centro do salão onde agora Remus percebia um túmulo do mesmo mármore negro. "Eu não gosto nada disto."
Uma mulher irrompeu pelo salão, furiosa, vestida em ricos trajes.
-O que é que tu fizeste Sebastian? É proibido um de nós deitar-se com uma sacerdotisa.
-Eu cumpri o ritual a mando de Lilith.
"Oh Não! Bom Merlin " Espreitou Ana pelo canto do olho, mas ela estava demasiado quieta.
-O que tu fizeste é punível com a morte.
-O que eu fiz – disse olhando a criança que agora dormia nos seus braços – vai-nos salvar a todos um dia, eu tenho a certeza. A profecia...
-A profecia é o fim da nossa existência.
-E que existência é essa? – ele tocou o túmulo e este brilhou, incandescente – É ela quem vai destruir os guardiões e quem nos vai fazer humanos outra vez. Temos Cibele e Lilith juntas outra vez no meio de nós, não há espaço para duvidas. Eu acredito.
E desapareceu e Remus e Ana desapareceram com ele."
Sentiu a sua visão ser tapada por duas mãos longas e elegantes. Sabia bem quem era, os seus instintos lupinos eram infalíveis com ela. Não sabia onde é que a aversão visceral virara atração inevitável, talvez quando ela o perseguira, quase o matara para ser mais preciso. Começara como uma fome avassaladora e um instinto animalesco de a possuir, tal como naquele preciso momento.
Prensou-a contra a parede, as mãos percorrendo o corpo todo e os lábios desde o peito até ao queixo. Aquela atração assustava-o, como se não conseguissem tirar os olhos um do outro, numa febre impossível de saciar.
-Tens a certeza que não nos vão incomodar aqui?
-hmmm... não, mas ... -beijo – é mesmo – beijo – nisso que – gemido – estás a pensar?
Levantou-a como se fosse uma pena e carregou-a enquanto desatava os vários laços do corpete que ele sabia que usava por baixo da camisa.
-Adoro o vermelho – era a côr dela.
Ela ajudou-o a livrar-se das calças e sapatos e ele da saia e lingerie.
-É tão cedo...
-Nunca é demasiado cedo para isto.
Entraram na banheira cheia de espuma, por momentos lutaram para se equilibrar.
Ele retirou o cabelo molhado da face de Ana enquanto ela gritava o nome dele. Ana mordeu-o gentilmente, sexy e excitante, fazia com que só tivesse olhos para ela.
Raras vezes pensava no que significava estar com ela. Ele era a única criatura que ela não conseguia matar, talvez por isso a paixão que os unia fosse quase sobrehumana.
-Ana ... – ele conseguiu dizer quando a sentiu perder-se no frenesim. Odiava quando ela fazia isso, sentia-se usado e de alguma forma não queria que fosse assim. – fica comigo.
Ela beijou-o, mostrando-lhe que estava ali, ainda, por pouco, mas atingindo o clímax antes dele em ondas de prazer que se fundiram com as dele, doces, arrebatadoras e sensacionais.
-Remus?
-Hum?
Ana mexeu-se ligeiramente, abraçando-o abaixo do peito, ajeitando as pernas entre as dele.
-Não tens medo? – Remus pegou no queixo dela, fazendo com que olhasse para ele.
-Que uma succubus tire a minha vida enquanto estamos... humm ...
-Estás a corar?
-Talvez um pouco
-Mas tens?Medo?
-De ti? Não Ana, sabemos bem que para isso acontecer teríamos de estar a dormir.
-Achas que eu não sou capaz? De me incluir nos teus sonhos?
-Eu sei que és, mas isso não me assusta. Apenas tenho medo do que isso faria contigo.
Ana sentou-se em cima dele. Olharam nos olhos um do outro e Remus respirou fundo.
"Eu devia dizer-te a verdade "
-Liberta-me desta maldição.
-Queres livrar-te de mim tão rápido?
-Não é essa a questão. Nunca quis ninguém assim, muito menos um lobisomem...
-O sentimento é mútuo – disse com um sorriso, beijando o peito dela...sabia bem onde aquela conversa ia acabar. – não foi fácil ultrapassar o que somos. Nós não cobramos as nossas naturezas um ao outro.
-Então liberta-me. – ele sentiu o desespero na voz, cheirou a manipulação e afastou o olhar apreciando o detalhe da banheira dos monitores em que estava recostado.
" e aqui estamos nós outra vez, como um animal selvagem enjaulado"
-Não posso fazer isso.
-Porquê? Ou não confias em mim? Eu não sou como era no ano passado... eu deixei o meu mundo para trás depois de saber quem a Lily era.
-Vocês as duas são a esperança de que o mundo não mergulhe nas trevas. Não vou deitar isso a perder, não posso. Sabes que poderiam aproveitar-se de ti. Tu não tens noção do teu poder.
-Não te cabe a ti decidir isso.
Ana saiu de cima de Remus enrolando-se numa toalha.
-Mas cabe-me proteger se conseguir.
- A quem? A mim ou a Lily?
Remus olhou-a sério. Já tinham tido aquela discussão, na altura a resposta dele fora obvia. Tinha feito tudo para proteger Lily e voltaria a fazer de novo. Mas agora...
Demorara um segundo a mais.
-Vamos voltar sempre ao mesmo não é Remus? Sempre à mesma questão.
-Pensava que o que tínhamos era suficiente
-O quê Remus? Sexo do melhor que há? Uma atração incontrolável? Eu quero mais
"Eu não quero ter este segredo...eu não devia estar aqui contigo porque há um preço para os quatro guardiões conseguirem destruir Voldemort e Remus estava cada vez mais perto dela, mais apegado..."
-Eu quero mais também. – disse firme.
"Eles odiavam-se. Sempre existira uma certa animosidade entre os dois. Remus que era sempre tão amável com toda a gente e Ana que sempre fora uma rapariga cheia de vida, com um temperamento um quanto explosivo não fosse ela prima de James, nutriam um pelo outro uma embirração mutua que nenhum conseguia explicar. Os seus amigos brincavam com isso desde sempre.
Agora ele sabia porquê. Ana era uma súcubus e os seus poderes estiveram adormecidos até ela tocar o unicornio, um ser puro demais para estar em contacto com ela. Ela podia ter morrido, viraria um demónio ... mas quando Remus a tentou reanimar...ele trouxe-a de volta. Trevas com Trevas. Ela não era nem um humano, nem um demónio, antes algo entre os dois e isso era algo bem mais difícil de lidar.
E tudo se dificultara quando ele percebeu quem Lily era... Sari, a dríade da floresta, a guardiã da Terra...ele não permitiria que Ana a matasse. Morreria antes que deixasse alguma coisa acontecer com Lily.
Por isso a vigiava e lhe ensinava oclumência, pois tinha receio que alguém entrasse na mente dela, percebesse o potencial, a possuísse e acabasse com a esperança que os guardiões traziam para o mundo bruxo. Acabasse com Lily, a sua amiga mais preciosa que ele tinha de defender a todo o custo.
Ana passara por todos os estágios. Perda e dor de saber que não era quem achava que era, raiva e nojo de estar intimamente ligada às artes das trevas que ela tanto odiava e aceitação. E a aceitação era doce e amarga. "Eu nunca passei da raiva e nojo"
-Outra vez! Estás desatenta, desconcentrada. Como queres proteger-te assim?
-Tu atacas-me com raiva Lupin, como se eu fosse o teu inimigo "Tu és" Eu não vou matar ninguém Lupin, eu não sou assim.
-Tu estás desprotegida Ana. Oclumência é a única forma de garantir que ninguém vai conseguir possuir-te.
-E tu estás a ser ilógico. Não vou deixar que logo tu, visites os meus pensamentos!
-De que tens tanto receio? Que eu descubra dos teus sentimentos por ele? Ana...dá-me um pouco mais de crédito. -ele viu o choque na cara dela,do segredo que ela achava estar tão bem escondido ser exposto daquela forma- Tu sabes o que uma sucubus faz?
-Eu sei controlar-me, eu sei quando devo parar... eu não vou matar ninguém. Mas eu não posso negar o que sou.
-Tu já tentaste? Tu já entraste nos sonhos de alguém?
-Eu estou no controlo quando o faço. EU NÃO SOU COMO TU!
-Que sorte a tua Ana! Tu achas que vais ser racional e estar no controlo PARA SEMPRE? – Remus segurou o pulso dela, a marca fresca em forma de lua crescente que o unicornio tinha feito – Tu voltaste lá, voltaste aquela salão mesmo depois de eu te ter pedido, de te explicar como é perigoso para ti...
-Ao menos lá, deixam-me ser quem sou. Tu prendes-me Remus, tu sufocas a minha essência e eu não posso voltar atrás...tu acordaste-me...
Este era o preço da verdade. Por muito que ela o acusasse do contrário, Remus não conseguia controlar as visitas que ela fazia aquele salão em noites de lua nova, onde de certeza alguém já percebera o que ela era.
-Diz-me...
-Ninguém sabe quem eu sou.
-Oh Ana ...já todos naquele salão sabem quem tu és."
Era dia de lua cheia e a única coisa boa era saber que o dia a seguir era sábado e não teria de inventar desculpas porque provavelmente não iriam dar pela falta dele.
Lily empurrou-lhe um prato recheado de bifes mal passados mas sentia que nem o cheiro do sangue lhe dava vontade de comer.
-Devias deixar-me ajudar-te, sabes que poderia fazer tudo ficar mais fácil.
-Não vamos voltar a esse assunto Lily
-Mas...-Ele agarrou a mão dela talvez com um pouco mais força do que deveria.
-Não é uma opção.
Ela baixou os olhos como sempre, escondendo a tristeza.
-eu vou estar acordada e amanhã estarei na enfermaria.
-Vais ter que te revezar com a Ana.
-Onde é que ela está?
-Tivemos uma pequena discussão. Ela quer que quebre a maldição.
-Não podemos arriscar ...
-Ela está impaciente.
-Eu falo com ela.
-Não gosto de vos ver juntas. – desta vez foi a vez de Lily agarrar a mão de Remus – não faças isso Lily, não gosto que mexas com as minhas emoções.
-Só quero dar-te um pouco de conforto, não estou a tentar manipular ...
Ele respirou fundo, tirando os cabelos loiros da cara.
-Desculpa, sabes que fico um pouco irritado. Não é por mal
A ruiva acenou com descaso.
-Devias evitar estar a sós com Ana
-Não confias nela?
-Há uma parte dela... que ninguém conhece.
-Ela é a minha amiga mais querida à muito tempo Remus. Não posso excluí-la da minha vida, nem deixar que ela passe por isto tudo sozinha.
-Eu sei mas não podemos esquecer que... "Que o destino dela é matar-te"
-Eu sei proteger-me.-Remus sorriu tristemente
-É que tu confias no melhor das pessoas.
Remus sentiu os braços de Lily em volta dele num dos seus abraços espontâneos que ela muitas vezes apenas tinha para ele.
-É o melhor das pessoas que nos vai salvar a todos.
"Não. És tu Lily. Eu acredito que és tu que nos vai salvar a todos."
-Se tu não acreditares no melhor da Ana, ela vai começar a duvidar de si.
-Eu acredito. Um pouco. Acredito que ela quer fazer o bem, mas ...não posso arriscar perder-vos às duas – disse levantando o queixo da ruiva.
-Porque estás com ela Remus? Pena ou controlo, é que quando vos vejo juntos eu vejo mais do que isso...e Ana não aguentaria, ela precisa de alguém que pense nela e apenas nela.
-Eu também vejo mais. Ainda há uns meses não a suportava e agora, agora...
-Agora ela faz o teu coração bater mais rápido.
-Não é isso, não é só isso...
-Porque é que ela não está aqui?
-Ela não consegue estar ao meu lado quando... quando estou assim. Mexe com ela, com o lado negro dela. Eu sinto isso e ela também. Nestas alturas há algo nela que quer ferir e rasgar e eu não quero que ela sinta isso por mim.
-Lamento
-Está tudo bem, é só hoje.
-Eu estou aqui Remus e vou estar com ela quando tiveres que ir hoje à noite, não te preocupes com nada .
Mas ele preocupava-se.
-Moony uma namorada não te chega? Queres tirar a Miss Evans do mercado também?
-Que piada Prongs. Isso não são brincadeiras que se tenham.
-Eu sou alguma vaca por acaso para estar num mercado em exposição?
-Vaca? claro que não Evans, és uma obra de arte!
-Que é que tu percebes de arte Potter?
-Percebo muita coisa, especialmente de musas... – Lily bufou e Remus transfigurou a boca de James num fecho.
-Perfeito Remus – Lily disse feliz.
-Estás de TPL Moony?- Remus lançou um olhar assustador a PAdfoot, que deitou as mãos ao ar e se sentou no seu lugar sem abrir mais a boca.
-Agora que temos um pouco de silencio e aproveitando que estás aqui Potter.- Lily tirou um pergaminho da mochila – O Remus não aceitou ser o vice por isso eu achei justo dado o que fizeste, que fosses tu. Se estiveres interessado... Remus será que podes?
Remus desfez o feitiço, deixando o amigo falar. Quase se atirou para cima da ruiva, mas esta preparada para um ataque vindo de qualquer lado amarrou-o à cadeira em que ele estava.
-Assim não consigo expressar toda a minha felicidade. É claro que aceito! Onde é que eu assino?
Remus passou o resto da tarde com Lily perto do rio, enquanto ele dormitava e ela tentava ler o livro que tinham encontrado na biblioteca em vão. Ana manteve-se afastada e por muito que dissesse que não, era algo que o magoava. Eles não conseguirem controlar os animais que havia neles.
Lily levou-o à enfermaria ao fim da tarde e despediu-se dele prometendo ser a primeira visita no dia a seguir e Remus fez o caminho com a Madame Pomfrey até ao Salgueiro onde esta o imobilizou e ele já bastante fraco a seguiu e se atirou na cama, à espera, não querendo relembrar o dia em que fora mordido e como a sua vida tinha mudado tanto. Madame Ponfrey deu-lhe um sedativo para as dores mas ele sabia que o mesmo não surtia efeito.
Assim que a enfermeira desapareceu, ele ouviu o barulho inconfundível dos amigos a chegar à casa e como que por magia ali estava um grande cão negro com a cauda a abanar e o cervo de hastes gigantes com o rato preso ao lombo.
O cão pôs as patas em cima do peito dele e antes que Remus conseguisse fugir levou uma grande lambidela na cara que o fez rir um pouco.
-Comporta-te Padfoot, a lua está quase aí.
Mas o cão não conseguia conter a excitação e deu uma volta sobre a sala soltando latidos altos, até esbarrar no cervo.
-Preparem-se, está a chegar...
E assim que o disse a lua espreitou a janela e a dor começou. Os músculos a romperem-se ao mesmo tempo que a sua humanidade desparecia e o lobo entrava no controlo. Padfoot já não ladrava ou salivava de contentamento, os três estavam quietos à espera, atentos ao ultimo sinal de lucidez do amigo . Ele confiava a vida neles.
-AAAUUUUUUUUU!
"-Já alguma vez pensaste na profecia que o meu ...que Sebastian falou?
-Sim -baixou a varinha vendo-a sedenta por informação – Temos tempo, o que estamos a fazer agora é muito mais importante.
-Mais importante do que saber a que estou destinada?
Então Remus disse-lhe algo que ele próprio não acreditava:
-O destino somos nós que o fazemos. Se acreditasse que a tua única escolha é acabares com os guardiões, seria minha obrigação matar-te.
-Os guardiões...eu não percebo.
-Senta-te, deixa-me contar-te uma história. Há muitos anos atrás, não me perguntes como, surgiram os quatro guardiões. Não surgiram por acaso, eram eles que mantinham o equilíbrio do mundo magico a funcionar e surgiam sempre que um grande mal ameaçava a nossa forma de viver.
-Esse grande mal é Voldemort
-Eu achava que sim. Sari a Dreida e defensora das florestas, Nala a Fada e protectora dos céus, Juno o guardião do fogo e da perseverança e Dilme senhor das águas. Estes sãos os quatro guardiões. Não te parece que falta nada?
-Terra, Ar, Fogo e Água. Falta o quinto elemento, o espirito...
-Sim...eles são indestrutíveis os quatro juntos, porque juntos acordam Cibele. A arma que destrói o mal, separados eles são poderosos sim, mas são apenas isso: bruxos poderosos.
-E Cibele? – "Aí vem a pior parte da história, talvez não devesse contar já, mas ela precisa saber a importância...do que é."
-um dia, Lilith saiu do seu sono milenar e reencarnou em Cibele. Sari acreditou nela, acolheu-a contra todos os outros. Lilith estava sozinha... não percorria o mundo dos humanos à muito tempo, as suas emoções sem controle...matou Sari num ataque de raiva, impedindo que os quatro guardiões destruíssem o mal que afligia o mundo, fazendo-o mergulhar numa era de trevas e criando os vampiros com o sacrifício de Sari- Remus olhou para Ana que estava estática, quase conseguia ver as engrenagens do seu cérebro trabalhando rapidamente, juntando as peças do puzzle. – A profecia diz que Lilith vai voltar a reencarnar em Cibele e que desta vez, vai conseguir o que antes não foi conseguido. Matar os guardiões e dar aos vampiros o que eles sempre quiseram, a sua humanidade...
Ele respirou fundo.
-É aqui que tu entras Ana. Se o que Sebastian diz está certo e eu acredito que sim, tu és Cibele e Lilith, a nossa esperança ou a nossa queda e uma coisa te garanto: eu não vou permitir que tu mates os guardiões.
-Isso é uma ameaça?
-É uma promessa."
Ana ouviu o uivo percorrer a noite com um arrepio latente que não desapareceu do corpo dela. Sentiu a ligação entre ela e Remus diminuir, ficando mais fraca, frágil, mas sempre presente. Odiava que o lobo não confiasse nela, ele queria provar-lhes que era de confiança, que não ia matar Lily à primeira oportunidade e que queria tanto destruir Voldemort como eles.
Mas não conseguia esconder o que era, a sua natureza e se fosse justa com ela, iria admitir que Remus não era suficiente. Ela precisava de mais. Era filha de Lillith, era uma súcubos e pelava-se por aquele frenesim ainda mais em dias como aquele. E Remus devia-lhe essa liberdade, uma sucubus nunca esquece.
Aproximou-se do espelho, não o podia utilizar nos dias que eram supostos, os de lua nova quando estava mais forte, mas teriam de servir o seu propósito. Poucos sabiam o poder dos espelhos, transmissores de dimensões.
-Lillith – disse com a mão sobre o espelho de corpo inteiro e sentiu o vento à volta dela – preciso saber quem sou... – ela murmurou mais para ela do que para quem a estava a ouvir.
O frio instalou-se nela e ela fechou os olhos visionários, de um azul claro vendo as imagens no espelho. O ritual pagão entre uma sacerdotisa e um ser que poderia ser considerado não deste mundo, mas de um outro...próximo mas etéreo. Ele tinha uma beleza fora do vulgar, selvagem e letal ...um incubus. Ela era doce e jovem, muito jovem, toldada pela certeza do ritual.
Ele podia tê-la morto, tinha poder para isso é claro, mas a espécie dele não matava virgens e estava ali por outras razões.
-O que estás a fazer?
"Merda! Ela tinha o direito de saber as suas origens, como ousam interrompe-la?"
Naquele momento algo dentro dela quis magoar Lily, visceral e animal. Deu um passo na direção da ruiva afastando-se do espelho, toldada de raiva.
-Ana, afasta-te.
-Não ouses usar os teus poderes em mim guardiã.
-Então olha para ti! – a outra implorou
Ela olhou e ao inicio gostou. Olhos de um brilhante animal, músculos belos e tensos e uns proeminentes caninos. Fora este ultimo aspeto que despertara o seu lado humano e a fizera cair em si. "Quem sou eu e no que me estou a transformar?"
-Está tudo bem
-O que estavas a fazer antes de eu entrar?
-O que vieste aqui fazer?
A ruiva sentou-se perto da janela . Remus tinha razão. Lily era a sua melhor amiga, mas havia uma parte nela que sempre a iria tirar do serio. Era assim e fazia parte da condição das duas, podia lutar contra isso o quanto quisesse mas não deixava de ser verdade.
-Prometi ao Remus que olhava por ti hoje. Ele está preocupado contigo.
-Não...o Remus está com medo de mim.
-E não lhe deste razões para isso? – disse apontando o espelho. – Não usaste o facto de ele hoje não ter a sua humanidade para fazeres o que querias?
-Eu tenho o direito de saber as minhas origens. Eu quero saber... isto não cresceu em mim como um poder, como vocês que foram descobrindo...isto sou eu! Sou eu desde sempre, apenas esteve aqui, mascarado...
-Connosco é assim também.
-Vocês são bruxos. Eu sou...algo mais.
-E adoptada. É isso que te preocupa?
-O que me preocupa é que vivi este tempo todo como uma humana, uma bruxa e de repente descobri que não sou. Sou meio demónio, meio humana. Os meus pais não são os meus pais, o meu primo não é o meu primo e...
-Tu não sabes quem és.
Ana acenou com a cabeça. " Eu não sei quem sou... toda a minha vida pensei que..."
-Há algo mais
-Desde sempre que achava que era... suja por, por olhar para ele daquela forma...
-James?
Ana olhou para Lily seriamente. "É claro que ela sabia..."
-Eu pensava que ...
-Que me tinhas conseguido esconder algo assim? Sempre soube. Desde o primeiro ano, eu acho. Sempre soube que sentias por ele algo mais fundo, não devo ser a única a saber. – encolheu os ombros – e ele é tão cego por nunca ter reparado...
-É por isso que nunca cedeste aos convites e provocações dele?
-Sim, por isso e porque ele é um idiota convencido, mimado, arrogante, mulherengo...
-Já percebi Lily – Ana sentou-se no chão à frente da ruiva. – Nós não nascemos um para o outro. Eu sei isso quando olho para vocês...
-Que ridículo Ana!
-É verdade. Um dia vais perceber.
-Estás louca...quem era destinado para mim eu já perdi.
-então talvez não fosse o destino. "O destino dá tantas voltas..."
-Eu não quero falar sobre isso.
-Lily, solta-me.
-Eu não posso. Quero, mas não posso. Eu prometi, não posso ser eu...
-Tens medo de repetir os erros do passado?
-Não me permitem repetir os erros do passado Ana "Oh...agora eu percebo"
-Tão presa como eu então. Isso é que são bons parceiros
-Não foram os outros guardiões.
Um silêncio incómodo reinou durante os segundos que o cérebro de Ana buscava a pessoa que poderia ter enfeitiçado Lily.
-Eu quero ajudar. Não acho bem que tenhas contacto com essas forças obscuras sozinha. Chamas-me Ana? A próxima vez que tentares, na próxima lua cheia...eu quero estar aqui.
-O Remus não vai gostar disso.
-Nem eu nem o Remus te vamos deixar para trás.
-Tu talvez, o Remus tem outras prioridades.
-O Remus está a aprender a confiar em ti.
-O Remus não percebe nem aceita o meu lado.
-Ele não compreende. Ele consegue ser muito quadrado com estas coisas – Lily riu baixinho – lembro-me quando lhe disse que sabia do seu problema mensal. O pÂnico, o horror...ele estava capaz de fugir e esconder-se para nunca mais aparecer.
-Essa é a diferença entre nós. Eu não tenho...não tenho vergonha do que sou. – ela admitiu timidamente.
-O Remus tem e vai ter para sempre. Ele repudia-se, rejeita tudo o que tem de artes das trevas.- e então riu alto, divertida – por isso é que é maravilhoso ver-vos juntos.
Ana lembrava-se bem da opinião de Remus sobre a relação deles.
"Principio de outubro do 5º Ano
-Voltaste a ir lá! Eu vi nas tuas memórias o salão, as orgias, o sangue – ele sentia o nojo e a raiva a apoderar-se dele, aquele lado do lobisomem que ele abominava tanto mas que com Ana vinha sempre ao de cima – Quem é aquela mulher que está sempre contigo?
-Eu não falei nada
-Tu não precisas! Tu não percebes, mesmo depois de te ter explicado, que isto vai arrancar a tua humanidade de ti se TU DERES ESSE ESPAÇO?
-EU NÃO CONSIGO CONTROLAR! Eu preciso disso. É como pedires a um bruxo para não usar magia ou pior , a uma sereia que não cante. Eu tentei não ir... mas eu preciso disso para viver.
-Eu tento proteger-te de ti mesma mas tu ...tu não ouves!
-O que estás a fazer Remus?- ela perguntou quando Remus apontou a varinha para o peito dela.
-Eu vou garantir que nunca mais possas ir naquele salão.
-Lupin abaixa essa varinha .
-Tu tens de perceber o risco em que estás a colocar todas as pessoas à tua volta!
-ABAIXA ESSA VARINHA! – berrou desesperada lançando despropositadamente uma onda psíquica que atingiu Remus e o fez cair no chão desacordado.
Em pânico e com medo do que poderia ter feito, abaixou-se e sentiu um alivio profundo ao sentir que ele respirava. Lagrimas surgiram e por momentos esse alivio e desespero consumiu-a. apesar de odiar Lupin a maior parte do tempo, não desejava que ele morresse e muito menos não queria ser a causadora disso. Não estava preparada. Uma coisa era sugar a energia vital de uma pessoa em sonhos, nunca matava, apenas retirava o que precisava, para alimentar aquela parte dela.
Quando se acalmou fez a única coisa que sabia que a ia fazer sentir melhor: tocou o pulso esquerdo na marca em lua crescente e sussurrou uma palavrinha orusborus.
Sentia-se quase em casa, no ultimo mês tinha sido o que de mais parecido tinha com uma. O mármore negro estendia-se sobre os seus pés, o cetim vermelho escuro do vestido que usava caía em folhos até ao chão e Ana olhava em volta maravilhada como se fosse a primeira vez.
Vários pares dançavam, havia musica de todo o tipo, comida e bebida que fariam o salão de Hogwarts morrer de vergonha, uma festa como nunca vira. Se olhasse bem, no entanto, poderia ver alguns casais desaparecerem atrás de biombos (os caninos de fora, quase a salivarem), alguns beijos que no seu mundo não seriam trocados num sitio publico, duas raparigas a dormirem juntas numa chaise-longue...sorriu com vontade de rodar sobre si mesma, feliz, sedenta por poder explorar aquele sitio mais um pouco.
Não ficou sozinha muito tempo. Samira aproximou-se com uma taça de vinho, dançaram até não conseguir mais e sentaram-se ainda a rir. Samira levou-a por trás de um biombo a uma sala com uma cama de dossel onde um belo rapaz da sua idade dormia o sono dos justos.
Ela sentou-se na cama, não diria que não tinha ido lá para aquilo, o seu coração batia mais rápido da expectativa, os seus sentidos apurados...cheirou-o...era delicioso e humano. Os humanos tinham os sonhos mais ricos.
Deitou-se junto dele e estava quase, quase a entrar no sonho do rapaz quando viu Remus irromper porta a dentro, esbarrando em todas as pessoas que passavam. Como se de repente todos tivessem tomado consciência do intruso.
Engoliu em seco ao ver os olhos dele, negros... estava furioso sabia disso.
-Vamos embora Ana.
Quis responder mas Samira entrou no meio deles.
-A Ana está aqui a convite e não posso dizer o mesmo de ti.
-Ninguém te perguntou nada vampira – o tom dele era puro asco.
-A princesa está entre os seus, não precisa de proteção e muito menos de um ser como tu.
Remus abriu a boca para responder, mas então duas coisas aconteceram, um movimento muito rápido da varinha de Remus que provocou uma reação ferina em Samira fazendo a sua expressão transformar-se por completo, numa besta horrível que ela teria dificuldade em esquecer e Remus tocou em Ana com a mão livre e ela perdeu os sentidos.
Demorou algum tempo a localizar que estava no salão comunal dos Gryffindor e que ainda era de noite. Remus estava na poltrona à frente do sofá com os olhos presos nela. A fúria animal passara, agora ela via nos olhos dele aquela raiva que ele guardava. Essa era pior, ela tinha mais medo. Sentia-se humilhada por ele a ter visto naquele lugar promiscuo e abriu a boca para dizer que percebera esta noite que ele tinha razão, que todos sabiam quem ela era. Sentia-se usada, que não voltaria mais lá. Mas era mentira. Pensou em pedir-lhe desculpa por o ter atacado, mas também seria mentira, ela apenas se tinha defendido.
-Tu pensaste que eu te ia matar ...- ele ajoelhou-se perto dela, do sofá, fazendo-a encolher-se – Quem é que pensas que sou? Achas que faria algo leviano assim? O que diria ao meu melhor amigo? Que matara a prima dele ou que não diria nada a ninguém e faria o teu corpo desaparecer com magia e viveria a minha vida tranquilamente? Não é que não me tenha passado pela cabeça, não aceito que ponhas o trabalho dos guardiões em causa.
-Remus... – mas ele não a deixou falar colocando um dedo sobro os lábios dela, calando-a.
-Apesar de muita gente achar o contrário, eu gosto de pensar que não sou um monstro. E não vou desistir de ti até ao ultimo momento... tu ainda podes ser a nossa salvação.
-Q..quem és tu Remus? "Ele está tão perto...consigo contar as pequenas sardas loiras."
-Eu ? Eu sou o guardador das chaves, protetor de Cibele. Eu vou-te mostrar...
Então Remus fez aquilo que ela menos esperava. Num impulso rápido capturou os lábios de Ana num beijo forte e duro. Ao inicio a raiva prevaleceu e ela lutou contra Remus, mas ele manteve-se firme, uma mão no pescoço dela dizendo-lhe que não ia recuar e então ela deixou-se levar e ouviu os seus sentidos. O beijo explodiu nesse momento, como se toda a raiva se transformasse numa atração e de repente descobrisse que eles encaixavam perfeitamente.
Ela segurou-o , uma mão em cada lado da face dele, subindo para os cabelos quando sentiu a língua quente, o cheiro forte e almiscarado...ele subiu no sofá quando ela trincou levemente o lábio dele e deixou escapar um pequeno som de contentamento.
Isso pareceu acorda-lo. Abriu os olhos quando ele se afastou uns centímetros, confusão e tristeza nos olhos amendoados dele.
-Desculpa.
"Desculpa pelo quê?"
Foi quando viu as algemas nas mãos dos dois a brilharem incandescentes até desaparecer.
-O que é que tu fizeste? – sentia algo surgir dentro dela, algo que não gostava.
-Uma maldição... prendi-te fisicamente a este mundo. Não há mais salões, nem contacto com aquela gente...eu e tu compartilhamos agora um pouco da vida um do outro.
Ela não pensou. A mão voou em direção a Remus que com um baque surdo pareceu preencher o salão comunal de ainda mais silencio.
Sem dizer mais nada, subiu as escadas para o dormitório.
E assim Remus Lupin selara o seu destino."
-Bom dia bela adormecida.
-que horas são? Ana ...estás aqui. Como conseguiram as duas passar pela Madame Pomfrey?
Ela riu baixinho começando a inspecioná-lo. OS seus ferimentos eram a melhor forma de perceber como a noite dele tinha corrido. Lily contou dez ao todo, cinco deles ligeiros. Teria de falar com Madame Pomfrey.
-Pára com isso. Vais assustar a Ana.
-Estão a diminuir Remus, é maravilhoso. Lembraste de alguma coisa?
-Sabes que não.
Lily voltou a sentar-se, enquanto agarrava a mão do amigo e olhava Ana do lado de lá da cama. Ela ainda não tinha dito uma palavra, quieta e pensativa, arriscava vez ou outra um olhar para Remus. Aquele olhar preocupava-a, algo lhe dizia que Ana não estava ali mas num mundo à parte, um mundo só dela. Era cada vez mais comum.
-Eu costumo ficar o dia todo, mas desta vez pareces estar bem acompanhado. O teu stock de chocolate está reposto – a ruiva disse com um sorriso e tirando um sapo do mesmo – alegria Lupin! És um sobrevivente, isso é que importa. Portem-se bem.
E virou as costas, não era bom duas das pessoas mais próximas de Remus estarem ali, mesmo sendo visita a Hogsmeade nesse dia, existia sempre alguém que perguntava por Remus .
-Lily – ela virou-se ao som do seu nome – volta mais tarde sim?
Aí está um pedido que o seu amigo não fazia, o que raios Remus queria falar com ela a sós?
-Pois claro gentil cavalheiro.
Ana estava com Remus, Alice e Marlene tinham ido a Hogsmeade e era o segundo fim de semana em Hogwarts. Ela gostaria de um pouco de sossego, iria passar em Hogsmeade mais tarde para ver Fabian . Sentou-se perto do lago, o sítio que a fazia lembrar mais de Fabian. Sentia a falta do seu amigo ali para a aconselhar, mais velho e sábio.
-Sabia que te ia encontrar aqui.
-Potter será possível não existir um minuto de sossego longe de ti?
Mas James não tinha o seu tom jovial de sempre, antes a feição séria e alguns círculos debaixo dos olhos. Ele pousou as maõs nos ombros dela fazendo-a calar-se.
-O que aconteceu?
-Bellatrix desapareceu – as palavras pareceram como um murro no estômago – Dumbledore chamou-nos ao escritório dele.
Sentia a leve presença de James atrás de si, mas estava tão perdida em pensamentos que nem percebeu quando o seu poder a dominou e ela se desintegrou, invisível.
-Lily! Onde estás? Evans!
Mal o ouviu, agora à velocidade da luz voando para o escritório de Albus Dumbledore.
N.A – Muito obrigada a quem leu e está a acompanhar a fic.
Já devem ter percebido que paralelamente estou a contar o que aconteceu no quinto ano, que ainda tem muito para ser desvendado.
Apesar de escrever sobre vários pontos de vista, porque todos são importantes para a história, em todos os capítulos existirá sempre um pouco de James/Lily. Porque esta será sempre uma fic sobre os dois, será sempre a história principal.
Fico à espera de comentários.
Perolasverdes
