Lucille Lane ou Abibe como a mãe carinhosamente a chamava, era uma jovem comum. Se você não está indo para o mundo, ela tem que começar a se mostrar como uma mulher grávida, ao mesmo tempo em que ela se mostra ao mesmo tempo como uma mulher grávida do circo, voando de um lado para outro dando piruetas enquanto ia de um trapézio para o outro nas alturas. Se considerasse todos esses fatores, sim, ela era bem normal. O incomum fez parte do seu dia, afinal esse era um circo, as coisas aconteciam em todo momento e em todo canto.
Aquela estava sendo uma longa temporada, eles estavam cruzando o país do leste para o oeste, por conta de alguns anos, quando foram quase dois meses para chegar às regiões da cidade onde se encontravam. Estranhamente, quando a criança não chegou, nenhuma comemoração nem mesmo quando abriu uma bilheteria. Era quase como todas as pessoas que estavam desaparecidas ou na opinião de Lucy, cansado de ver circos. Não era algo novo, algumas cidades eram mais difíceis de ganhar o gosto do público do que em outras. Pensando nisso, a morena foi dormir, não foi capaz de atrair a atenção para atrair as pessoas para o circo, pelo menos não de uma forma que não fosse considerada um sequestro.
A razão não é mais difícil de se ouvir, mas é um pouco mais que o seu próprio dia de folga. Para sua infelicidade, as batidas não cessavam. Com pouca paciência, uma mulher isolada pela face tão corajosa ou tão estipidavel de atrapalhar seu sono maravilhoso. A cena que viu pela janela foi a tenra idade, o personagem principal estava em chamas, havendo passado por todo lado e ela teve certeza de que o que estava acontecendo era Jimmy Estavam Comemore seu irmão gêmeo Timmy. Seja lá o que contaminou o homem diminuto, também havia contaminado os seres que empurravam contra sua porta.
Lucy respirava fundo, sem saber como sairia daquela situação, estando encurralada e sem forma de se desvencilhar dos demônios, vampiros ou seja lá o que eram aquelas aberrações que buscavam pelo seu sangue e entranhas. Foi quando ela ouviu uma buzina, alta e forte que lhe chamou a atenção, porém não apenas a sua, os seres pareciam atraídos pelo som muitos correram em direção ao carro e até aqueles que a importunavam pareciam ter se distraído com o som mas tão rápido como veio o barulho, ao não reconhecer sinal de vida no circo e o perigo que corria, o motorista partiu. Com o sumiço do som, os bichos voltaram ao que estavam fazendo anteriormente.
Sem saber quanto tempo sua porta aguentaria, ela teve que pensar rápido, recolhendo tudo que precisaria, a jovem teve que ser veloz, colocou a mochila nas costas, abriu a claraboia do trailer e subiu. Sua atitude, trouxe uma atenção maior para si, os seres que estavam em sua porta começaram a soltar ruídos bestiais enquanto batiam mais forte fazendo com que o trailer balançasse. Era a hora, ou Lucy conseguia ou morreria naquele comento. Dando corta na pequena caixinha de música que carregava como colar, ela o retirou do pescoço, pirou a corrente algumas vezes e o lançou o mais longe que pode torcendo para que isso distraísse as anormalidades tempo o suficiente para que ela pudesse fugir para a floresta. Seu plano funcionou pois assim que ouviram o som, os bichos começaram a ir em sua direção, Lane por sua vez, correu. Tão longe e tão acelerado quanto pode.
A acrobata corria, quanto mais distante ficava mais sentia vontade de chorar, o circo era seu lar, o único que ela conheceu e agora ele não existia mais. Toda a sua história morreu, junto de todos aqueles que ela conhecia. E o colar, ele também foi deixado pra trás, algo que em sua primeira apresentação ela ganhou de sua mãe, agora havia sido abandonado. Não importava mais quem ela foi no passado, agora não tinha o menor valor, ela só poderia correr e mesmo isso não a afastaria de seus problemas atuais. Estava sozinha, o silêncio era horrível e permanente. Nunca mais ela ouviria as risadas escandalosas das crianças correndo pelo circo, nada de ouvir Frank fazendo seus levantamentos de peso, esquecendo em qual número ele parou e reiniciando a contagem, nada de ouvir os palhaços treinando suas piadas e histórias ou Claire de Lune tocando enquanto se balançava pelos ares. Tudo se foi, esmagado e dilacerado como uma folha seca.
O crepúsculo se aproximava quando Lucy finalmente encontrou uma clareira e decidiu passar a noite lá. A primeira coisa que ela fez foi uma fogueira, utilizando um isqueiro e um ninho abandonado que havia encontrado pelo caminho, fez um chumaço e o colocou na case com gravetos maiores a seu redor. Quando o fogo parecia estável, ela passou para o próximo ponto, um abrigo. Isso foi mais complicado e quando ela finalmente terminou, a lua já era visível e o céu estava escuro. A Lane havia utilizado de todas as suas habilidades e construído uma plataforma sobre a fogueira, onde ela podia escalar para subir, estaria protegida de animais e também daquelas coisas, as vigas não aguentariam um forte ataque mas seriam resistentes o suficiente para ela conseguir saltar de lá e fugir por entre as árvores. Quem pensa que seria estúpido construir isso por cima de uma fogueira não entende de sobrevivência pois além de manter os animais afastados, aquilo a proporcionar calor e a fumaça garantia que ela não fosse comida viva pelos mosquitos.
A noite foi turbulenta, entre os vultos que a circundam e os pesadelos que a assombravam quando fechava os olhos, seu sono foi péssimo e acordar foi pior ainda pois seu estômago doía de algo difícil de distinguir entre fome ou uma úlcera nervosa. A única certeza que tinha é que precisava comer algo para ter energia o suficiente para continuar sua caminhada, o percurso seria longo até a cabana da família de sua mãe no estado de Washington, na divisa com o Canadá. O plano foi simples, pegar um graveto, afiar ele bem e caçar algo para comer. Pulando da plataforma ela executou essa tarefa e partiu para a caça.
A sorte estava ao seu lado pois em pouco tempo ela viu uma lebre. Era um grande roedor, peludo e saltitante saltando pela floresta. Sem pensar duas vezes, ela mirou e atirou a lança em direção ao quadrúpede. O lançamento foi perfeito, bem na cabeça do animalzinho. Lucy foi rápida, correu até o binho e cavou um buraco ao lado dele. Ela o abriu com sua faca, limpo o interior e enterrou aquilo que não seria utilizado para que a terra pudesse se beneficiar dos nutrientes e não atrair predadores para aquela área. Então pegou a lebre e levou para seu acampamento, lá fez os cortes da carne e colocou a pele para secar. Antes disso cortou um dos pés e usando um cipó fez um colar, não era de coelho mas ela esperava que trouxesse sorte. Os ossos ela retirou as medulas para comer e com eles em si fez para si utensílios, facas, garfos, agulhas e algumas pontas que enfiou em sua lança para tornar a arma mais mortífera.
Comer, ao lado daquela fogueira, sentindo a briza e ouvindo o balançar das folhas das árvores, a levava de volta nos tempos em que acampava com sua mãe, foi com quem ela aprendeu como sobreviver e cuidar de seu próprio nariz. Foi um curto momento de paz mas que Lucy aproveitou ao máximo antes de se levantar e juntar as suas coisas, quanto mais tempo permanecesse no mesmo lugar, maior seria a chance de atrair atenção indesejada. Era o momento de botar as memórias e sentimentos para dentro da mochila também, ela não teria como sobreviver se a cada uivar do vento chorasse pelo que deixou para trás. A noite se aproximava, a dançarina tinha certeza de que se começasse sua caminhada naquele momento, até o anoitecer chegaria a Great Salt Lake, onde poderia se orientar e buscar água nas duchas que cercam a praia do lago, aquilo sempre seria sua prioridade pois poderia aguentar dias sem comida mas sem água, era questão de horas antes que os sintomas da desidratação a atingisse. Infelizmente as águas do lago não eram potáveis pois tinha uma salinidade maior do que a do mar por outro lado, ela seria perfeita para curtir o couro da lebre para que Lucy pudesse fazer um cantil com ele em outro momento.
A época do ano também garantia a neve o que significava uma incidência menor de aves mas pelo menos a neve e o gelo garantiriam a letargia daqueles que a perseguiam e ela encontraria refúgio fácil em qualquer cabana ou resort que provavelmente estariam fechados por ser baixa temporada, as pessoas preferiam procurar praia ou algum lugar onde fosse possível esquiar, Salt Lake não combinava com nenhum desses perfis então se tornava um local desértico e com uma vasta opção de abrigos para escolher. Saindo da floresta e entrando na estrada, ela ouviu uma buzina, a mesma que ouviu no dia em que partiu do circo. Era uma mercedes, que diminuiu a velocidade a parou ao lado de Lucy, uma latina estava ao volante e com um sorriso disse:
_ Precisa de uma carona?
A acrobata levantou a sobrancelha e falou:
_Eu não deveria aceitar a carona de uma estranha.
_Não é por isso, sou Samantha, meu amor é meu, Ruby. E você é?
Perdendo a criança, era uma mulher adolescente com mulheres e isso era o suficiente para que ela confiasse nas estranhas e suspirasse dizendo:
Péretro, como coisas andam caóticas, é difícil saber em quem confiar. Eu sou Lucy e ficaria muito feliz em acompanhar vocês.
Desta forma Lucy entrou sem carro e foi ao lado de Ruby, uma música tocava bem baixo no carro, era Claire de Lune. Ouvindo aquilo, uma morena relaxou. Era um sinal claro de que a parte central da calçada estava se acendendo, e Lucy sorriu.
