A manhã do último dia do festival acordou a todos animados. Fazia um dia lindo como todos do verão no sul. Suzuran preferiu sair para tomar café da manhã no salão, ver o movimento do último dia de festa, guardar os detalhes em seu coração, foram dias especiais, e, nem mesmo no Tenjin-ya que a acolheu quando Shiro a devolveu com Akatsuki para o Reino Oculto, ela se sentira tão feliz, tão leve e em casa.
A presença e o apoio de Ranmaru, é claro, fez muita diferença para que ela se sentisse assim Mais do que um dos "solteiros mais cobiçados dos 8 hachiyos" ele era um homem valente, verdadeiro, generoso. Na sua presença ela se sentia protegida, acolhida, era uma sensação muito boa, como quando Shiro cuidou dela e do irmão, mas ao mesmo tempo diferente. Sempre que ele estava por perto, ela sentia seu coração disparado, a respiração irregular, seu aroma masculino aquecia seu coração e seu corpo, trazendo a tona várias sensações que ela não conseguia compreender completamente.
Sua tarefa do dia era apenas a dança final do festival, ao entardecer. E mais tarde, o passeio com Ranmaru… será que poderia chamar de um "encontro"? Melhor não criar tais coisas na mente… ele só estava sendo amigável, até então seu comportamento sério e cortez não indicava nada mais que amizade - repetia para si mesma. De qualquer forma, sentia um frio na barriga ao pensar que passaria momentos a sós com ele esta noite.
Passeou pelos corredores do hotel tranquilamente, foi para o terraço observar o mar e relaxar. No horário do almoço, fez a refeição no salão com algumas funcionárias do hotel com as quais fez amizade, todas a tratavam com afeição sincera, o que a deixava mais à vontade naquele local. Mais tarde foi para as termas, tomar um banho relaxante para sua pele ficar mais bonita, e finalmente se recolheu aos aposentos para se aprontar. A ansiedade da apresentação do número mais importante da estadia começava a aumentar.
Ao entrar no quarto encontrou um quimono deslumbrante sobre seu futon com um bilhete de Ranmaru: "Se agradar a seu gosto, use este quimono na apresentação final. Esta veste é uma das jóias mais valiosas de nossa coleção, e ficaria honrado se você lhe desse vida, encerrando com ele o festival." Ela sorriu extasiada… em todo seu tempo de gueixa, na capital ou no reino comum, nunca viu algo igual, eram vestes de uma princesa, uma rainha, algo que alguma esposa de ayakashis de alto escalão vestiria.
Suzuran se olhou no espelho, o quimono de uma seda puríssima cor de vinho tinha o acabamento no decote e nas mangas de seda preta com bordados de fios de ouro. O tecido fluía em seu corpo como se fosse um líquido, a sensação era perfeita. Fez um coque e deixou parte do cabelo solta. Dentro do coque volumoso, uma camélia vermelha como as vestes. No topo da cabeça um adereço cravejado de pedras vermelhas com uma tiara delicada sobre a testa. Passou nos lábios batom carmim, a ocasião pedia, e os olhos devidamente delineados. Nunca se sentira tão bonita na vida.
Escutou uma batida na porta, e um pedido para entrar, era Ranmaru, seu coração entrou em descompasso. Ao abrir a porta perguntou:
A senhorita está pronta?
Sim! Ah meu Deus! Estou atrasada? Perdi a noção do tempo me aprontando…
Não se preocupe, ainda falta um pouco para sua apresentação, é que eu queria te trazer algo, para completar sua indumentária desta noite…
Ela sorriu timidamente, o olhando curiosa, enquanto Ranmaru abria uma caixa média. Era um colar belíssimo e um par de brincos. O colar era formado por várias flores das quais os miolos eram enormes safiras. O brinco seguia o estilo oriental, pendendo da orelha até o ombro, cravejado com as mesmas pedras. Impressionada, ela levou uma das mãos na boca, não tinha palavras para falar daquela jóia, nunca viu algo assim pessoalmente, ele queria mesmo que ela usasse?
-Essas joias eram da minha mãe adotiva, a Hachiyo do sul antes de mim. Tenho as guardado desde muito tempo, mas pensei que algo assim não devia ficar em um cofre, e sim, sua beleza deveria adornar a beleza de uma dama que se equiparasse…
Ele falou olhando fixamente nos olhos de Suzuran, ela se sentiu emocionada, tocada por aquela honra.
Ranmaru, não sei se sou digna de tal honra…
Claro que é! Tenho certeza que a Princesa Iso ficaria feliz em ver suas jóias em uma jovem artista… por favor, me dê a honra!
Ele falou fazendo menção para que Suzuran o deixasse colocar o colar em seu pescoço. Ela já o conhecia suficientemente para saber que ele não mudaria de ideia, então, lisonjeada virou-lhe as costas para que ele lhe colocasse a jóia. Deparou-se com seu reflexo no espelho, e ele logo atrás dela abotoando o colar em seu pescoço. Ao terminar, ele lhe sorriu através do espelho. Por um momento, Suzuran pensou em como eles ficaram lindos juntos… por um segundo entreteve a ideia dos dois como casal. Este pensamento a fez corar… virou-se de volta para ele, que também parecia um pouco tímido "que pensamentos haveriam passado por sua cabeça"... Ele então pigarreou, cortando o clima do momento:
Bom, tenho que ajustar os últimos detalhes do show de encerramento, por favor, coloque também os brincos… como eu imaginava, somente uma beleza como a sua valorizaria as jóias da minha mãe. Nos vemos no encerramento, e mais à noite, poderemos relaxar um pouco, com o dever cumprido!
Aquela promessa de "logo mais", acompanhada de um olhar significativo, fez com que Suzuran sentisse borboletas no estômago e um calor agradável no coração. Ela não queria admitir nem para si, mas estava mais ansiosa pelo jantar do que pela dança de encerramento.
Separou sobre o futon um vestido que comprara no reino comum, para logo depois da apresentação, era tão lindo mas nunca havia usado. Tomaria um banho e se o vestiria para ficar mais à vontade em seu passeio com o inugami, seria esta noite Suzuran, e não a misteriosa gueixa da capital.
Ranmaru esperava ansioso assentado na área especial do evento, agora, em qualquer momento, Suzuran subiria ao palco para a dança final do festival. Estava muito feliz por tudo ter corrido tão bem, Princesa Iso se orgulharia dele por ter organizado um evento tão auspicioso. Fora o incidente com os herdeiros de Yahata-ya, tudo correra perfeitamente conforme programado, até melhor do que as expectativas. Os hospedes, até os mais ilustres, estavam encantados com toda programação e os serviços de seu hotel, definitivamente Orio-ya entrou em uma fase de ascensão após a cerimônia do Umi-Bozu.
Uma música doce chamou a atenção de todos, e ele a viu no meio do palco, magnífica! Parecia uma miragem, uma personagem saída de um sonho. Seus pés eram leves, e em umas das mãos, segurava uma flor de lótus branca a qual movimentava de maneira quase sobrenatural. Ele sequer percebeu que estava segurando a respiração, seu coração estava descompassado, ele sabia que ela era bonita, mas naquele momento, parecia a coisa mais bela que já viu.
O sol poente pintava seus cabelos de escarlate e realçava a cor do quimono. Seus movimentos estava em total consonância com a música. Ranmaru percebeu que os mais sensíveis se emocionavam às lágrimas com a performance de Suzuran. Finalmente a música terminou juntamente com os movimentos da gueixa que se posicionou imóvel no centro do palco. O público ainda estava hipnotizado e demorou alguns segundos para começar a aplaudir de pé a linda dança.
Assim que a gueixa deixou o palco, Ranmaru subiu e fez o discurso oficial de encerramento, agradecendo a todos, desejando um bom retorno a quem estava de partida, e uma boa estada a quem continuaria no hotel. Então, se dirigiu a seus aposentos, para relaxar, banhar-se e vestir algo confortável para encontrar-se com Suzuran. Não queria jantar na cidade desta vez, por isto, pediu aos chefs que preparassem um jantar informal no terraço privativo de Orio-ya. Depois levaria Suzuran para passear nos arredores, como era noite de lua cheia, havia um lugar que queria mostrar a ela.
Vestiu-se com seu yukata convencional, azul claro, resolveu aproveitar a noite fresca ao ar livre, e aguardar Suzuran no terraço. Pediu que Nene a guiasse quando estivesse pronta, mas não a apressasse. Serviu-se de um pouco de saquê, e assentado junto à mesa bebericava enquanto olhava a lua.
Assim que desceu do palco, Suzuran escutou o discurso de Ranmaru encerrando oficialmente o festival de verão de Orio-ya. Se dirigiu então ao seu quarto, queria relaxar um pouco e tomar um banho para se livrar da produção de gueixa. Retirou com cuidado o precioso quimono e as jóias, guardando-os. Entrou para um banho de imersão, tirando toda tensão de seu corpo, Graças a Deus a dança saiu perfeita! Sentia-se feliz, com o dever cumprido! Seu coração deu um salto quando pensou "agora vou ao encontro com Ranmaru", seria ousado chamar isso de encontro?
Saindo do banho, passou um suave perfume de flores de cerejeira, arrumou os cabelos em um penteado romântico, um rabo de cavalo baixo de lado, adornado com laços de fita branca estreita. Ao contrário de todos os dias como profissional, preferiu não se maquiar muito, aplicou máscara nos cílios, e um gloss cor de pêssego nos lábios. Olhou-se no espelho, parecia tão jovem, realmente este visual combinava com o vestido que trouxe do reino comum. Tratava-se de um vestido tubinho, até o joelho, de uma delicadíssima renda branca, com mangas médias transparentes e um decote redondo mais generoso do que ela costumava usar. Apesar de discreto e singelo, diferente dos quimonos preciosos de suas apresentações, aquele vestido revelava um pouco mais seu corpo, mostrando como suas curvas eram femininas, deixando-a muito atraente. Colocou nos pés uma sandália delicada, também branca. Já estava pronta quando ouvir uma batida na porta, era Nene para levá-la para o jantar.
Senhorita Suzuran, está pronta?
Sim, já estou indo…
Assim que abriu a porta, pode observar o olhar de surpresa de da jovem recepcionista ao vê-la, será que não estava bem com aquele visual?
O que foi? Não gostou de meu vestido?
Não, pelo contrário, a senhorita está muito bonita, muito mais bonita do que em todos os dias… o mestre vai ficar muito impressionado! Aliás, mais do que já está…
O que é isso, do que está falando? Ranmaru-sama me trata normalmente, com a educação de um cavalheiro.
Sabe senhorita, não é segredo, que antes de eu perceber que o amor da minha vida era Hideyoshi, eu tive uma pequena paixão pelo mestre, apesar dele me tratar com respeito e educação, ele nunca me olhou como olha para você… nem para mim, nem para nenhuma mulher que eu tenha conhecido… me desculpe, esse assunto não é da minha conta… mas acredite, ele vai gostar de te ver tão bonita assim!
Obrigada, é bondade sua…
Chegamos…
Disse a recepcionista abrindo a porta que dava para um terraço deslumbrante, onde uma mesa para dois tinha sido primorosamente arrumada com um forro delicado branco, um arranjo de flores de verão e velas. Várias lanternas de vidro, com velas acesas dentro criavam um caminho iluminado até a mesa.
Ranmaru já estava assentando, e bebericava distraído um pouco de saquê. Ao vê-las se levantou e se dirigiu até elas, agradeceu a recepcionista que saiu deixando-os à sós, e pegou Suzuran pela mão guiando-a até a mesa. Aquele toque de intimidade, feito de maneira tão natural, aqueceu o coração da gueixa que se sentia a cada momento mais próxima dele.
Ela assentou-se impressionada com todos detalhes do ambiente, olhou para ele que a observava com olhos brilhantes e um sorriso que a fez retribuir com um sorriso cheio de afeto por ele:
Você está ainda mais bela esta noite! Eu achava que não havia como vestir algo mais impressionante do que aquele quimono desta tarde, mas confesso que nunca imaginaria algo como este vestido, não é do Kakuriyo, é?
Não, comprei no reino comum, é um tipo de estilo que as mulheres usam no mundo comum hoje em dia, não sabia se teria oportunidade de usar, mas fiquei tão encantada que o comprei assim mesmo.
É a primeira vez que usa? Me sinto honrado! Você aceitaria brindar comigo estas duas semanas de sucesso?
A moça apenas sorriu e ele serviu-lhe uma dose de saquê para brindarem ao sucesso do festival. Os chefs logo anunciaram sua chegada com o prato de entrada, e em seguida os outros pratos do jantar luxuoso preparado só para os dois. Quando a sobremesa foi servida, a lua já havia saído completamente detrás do mar, completamente cheia. Ranmaru esperou que terminassem os doces e então convidou:
A senhorita gostaria de dar um passeio comigo nos arredores?
Claro, a noite está tão linda, será um prazer!
Então a guiou pelo hotel, passando pelo prédio antigo, contando sua história e a saga de Aoi no verão anterior. Atravessaram uma trilha por entre o bosque de pinheiros e chegaram ao templo onde ele e Ginji cresceram sendo criados pela princesa Iso. O lugar impressionou Suzuran, não parecia com nada que ela havia visto - haviam templos nos arredores do Tenjin-ya, mas nada se parecia com aquela aura magnífica sob a lua cheia.
Suzuran sentiu então, a mão de Ranmaru segurar a sua, seu coração disparou com a surpresa, ela o olhou e ele entrelaçou seus dedos nos dela, e caminhou com ela em direção às escadas, assentando-se convidando-a para seu lado. Estavam perto, seus corpos levemente em contato. Ela sentia o calor que emanava do corpo dele, e o observava, ele tinha expressão calma olhando para a lua como se pensasse no que queria falar e como começar. Então, ele a olhou serena e profundamente nos olhos, e ela lhe sustentou o olhar, mostrando-se totalmente aberta a escutá-lo.
Foi aqui que vivi grande parte da minha infância, este lugar é muito especial para mim, por isso queria te trazer aqui antes de sua partida de volta para o nordeste.
Suzuran apenas o escutava calmamente, com um sorriso sereno no rosto, e ele continuou…
Eu e Ginji éramos órfãos e a Hachiyo dessas terras nos encontrou e nos criou, como tinha o dom da visão, ela previa que seríamos os protetores destas terras. Como os ayakashis viventes no reino oculto, você sabe que a segurança de todo Kakuriyo depende da cerimônia realizada aqui no Sul a cada 300 anos apaziguando as energias do Umi-Bozu. A cerimônia anterior foi sabotada, e minha mãe adotiva - que eu amava profundamente - se sacrificou para evitar o desastre sobre todo o reino oculto. Ginji e eu crescemos e fomos criados com a dura missão de realizar a próxima cerimônia com sucesso, e assim, sucedi à Princesa Iso como Hachiyo do Sul… foram séculos de trabalho duro, tensão… e o que eu nunca disse a ninguém: de muita culpa e saudades. Eu ainda sinto muitas saudades dela, mas o que mais me assombrava todo o tempo, era o medo e a ansiedade de que o sacrifício dela fosse em vão por minha incompetência… o sucesso da cerimônia de certa forma tornou meu coração leve, me sinto de novo como me sentia na infância, mas otimista e esperançoso.
Ele olhou para Suzuran e sorriu, olhos brilhantes de emoção por compartilhar com alguém a história que sempre lhe pesou o coração. Suzuran segurava sua mão entre as suas, acariciando de leve e o encorajando a continuar abrindo-lhe a alma, ele então continuou:
Você de alguma forma me lembra a princesa, sua suavidade, sua elegância e tranquilidade, por isso queria compartilhar este lugar especial com você, como agradecimento por ter se dedicado tanto ao nosso festival, mesmo sem ser nativa do Sul. Nesses séculos que se passaram, me tornei amargo e duro, não sei se a Princesa Iso se orgulharia de mim por ter desviado tanto de minha essência…
A emoção lhe interrompeu a fala e ele baixou o olhar refletindo sobre seu passado. Suzuran, tomada pelos profundos sentimentos que a vulnerabilidade dele lhe inspirava, levou uma das mãos ao seu rosto, fazendo com que levantasse o olhar para ela:
Por favor não diga isso! É claro que sua mãe adotiva se orgulha de homem que você se tornou: generoso, fiel, incansável no trabalho! Não há a menor possibilidade dela não gostar de quem você se tornou, Ranmaru, você...
Antes que ela terminasse a frase, ele selou os lábios dela com os seus, em um beijo delicado, mas antes mesmo que ela percebesse o que acontecera, ele se afastou assustado com a própria atitude, olhando para ela em suspense… ela podia ler o conflito em seus olhos: um pouco de culpa pela impulsividade e bastante desejo incontido. Sem pensar, envolvida com o impulso do momento, ela se aproximou e cobriu os lábios do inugami com os seus beijando-o delicadamente, mas sem fazer menção de interromper a carícia. Ele então relaxou levando as duas mãos para segurar o rosto da gueixa, aprofundando o beijo. Suzuran por sua vez, enterrou as mãos na vasta cabeleira de Ranmaru, mudando o ângulo do rosto, dando mais acesso para aprofundarem o beijo.
Ficaram um tempo se beijando delicadamente, sentindo a textura dos lábios um do outro, aprofundando as emoções. O beijo tornou-se então mais apaixonado, descompassando o coração de Suzuran que nunca tinha vivenciado algo do tipo. Sentia a cabeça leve, a respiração ofegante… interromperam o beijo sem se afastar, olhando-se nos olhos tão próximos, que ela ainda sentia a respiração dele sobre seus lábios. Ela via o seu desejo transparecer naquele olhar ferino, sensual, o que fazia seu coração disparar ainda mais pelas imagens que despertavam em sua mente… já era muito tarde, e ele então a convidou para retornarem para o hotel.
Caminhavam em um silêncio confortável sob a luz da lua cheia, Suzuran ainda sentia os lábios sensíveis pelo beijo de Ranmaru, parecia estar sonhando ao caminhar com a mão entrelaçadas na dele. O saguão do hotel estava vazio, todos aparentemente se recolheram cedo depois do dia festivo e de tanto trabalho. Não encontraram ninguém no caminho de seus aposentos.
Chegando na porta do quarto dela, Ranmaru a abraçou, agora seguro do que fazia envolveu sua cintura com suas mãos fortes a apertando contra seu peito. Suzuran apoiou uma das mãos na parte do peitoral dele que estava exposta pelo decote de suas vestes, sentindo a firmeza de seus músculos e o coração descompassado sob seu toque, a outra mão acariciava o rosto masculino que não cansava de maravilha-la com sua beleza incomparável.
Desta vez ele a beijou sem reservas, sem timidez e inseguranças. Tomou seus lábios como se ela fosse toda sua e sugava-lhes avidamente. Ela percebeu também em si, que todo desejo que negou ou relegou para segundo plano durante aqueles dias, vieram à tona no momento em que se beijaram pela primeira vez, aquilo parecia tão certo, tão perfeito, tão predestinado…
Ele então interrompeu o beijo, precisando respirar e falou ofegante em seu ouvido, surrurando como que a despertá-la de um sonho:
Não vá embora amanhã… fique mais uns dias aqui, comigo...
Antes que ela pudesse responder, beijou-lhe apaixonadamente de novo, uma das mãos enterradas em seus cabelos sensualmente, fazendo-a derreter em seus braços de forma que precisou entrelaçar as mãos em seu pescoço para que a pernas não lhe falhassem e a fizessem cair. Entretanto, ela tinha assuntos não resolvidos, não poderia ficar lá agora… Interromperam o beijo e ele a olhava nos olhos esperançoso…
Tenho assuntos para resolver, não posso ficar além de amanhã…
Ela viu uma sombra de tristeza em seu olhar, talvez um pouco de insegurança… será que fui insensível? Se perguntou… ele falou, ainda afetuosamente...
Tudo bem, acho que você precisa descansar, eu também… boa noite Suzuran.
Deu-lhe um beijo na testa e seguiu para seus aposentos, deixando uma gueixa dividida entre a euforia e a dúvida para trás.
NOTAS FINAIS:
Pessoal, a questão da periodicidade da cerimônia que acontece no Sul ficou um pouco confusa pra nós. Achamos que seja uma questão de tradução, ou mesmo uma confusão na hora de transpor a história das novels para o anime. Princesa Iso se sacrificou pela sua terra há 300 anos, e acreditamos que nesse meio tempo, não houveram cerimônias, se houvessem de 100 em 100 anos como falam no anime, o lógico seria que aconteceram sem Ginji e Ranmaru, e teriam sido bem sucedidas? Não justificaria a tensão dos irmãos em torno do tema, e também o fato de Raijuu fazer referências várias vezes de ter sabotado a cermimônia anterior. Então, deduzimos que não houve nenhuma desde a morte de Iso, logo, a periodicidade é de 300 em 300 anos como aparece na novel... por isso fizemos este recorte, pois achamos que dentro do tempo de vida de um ayakashi faria mais sentido. Caso tenhamos mais informações, corrigiremos na fanfic também...
