Sentia seu corpo todo se arrepiar ao toque das mãos fortes em sua pele nua, os beijos em seus lábios, cada vez mais quentes, deixando sua respiração ofegante, entre um e outro, o vislumbre daqueles olhos completamente apaixonados... Aoi acordou suada, com uma sensação de borboletas no estômago, levantou para jogar uma água no rosto, seria difícil pegar no sono de novo, desde aquele último jantar, já faziam duas semanas, ela tinha sonhos recorrentes que estava nos braços de Odanna...
Estaria enfeitiçada por aquele ogro? Seria algum tipo de sortilégio, ou poder que ela desconhecia? Sentia os lábios pegando fogo, e um desejo que a deixava inquieta. Entretanto, racionalmente, tentava dar um sentido para tudo aquilo... nunca se apaixonou por ninguém, não seria agora que cairia pelos encantos de um akayashi... não era conveniente, precisava pagar a dívida e voltar para casa... apesar de que, já ouvira falar, que amor não tinha nada a ver com conveniência ou razão.
Desde que ele viajara para capital, não teve mais notícias suas, e se pegava pensando em alguns momentos do dia, aonde ele estaria, o que estaria fazendo? Com quem estaria? E então tentava se distrair, preparando os pratos do restaurante que ficava mais solicitado a cada dia.
Eventualmente perguntava a Ginji, sobre seu mestre, a raposa apenas dizia despreocupadamente: "- São negócios complicados Aoi, muita burocracia, na maioria das vezes o mestre demora muitos dias na capital..." Estas respostas evasivas só aumentavam a angústia da espera, apesar de Aoi não querer admiti-la nem mesmo para si. A verdade era que havia se acostumado com a companhia diária do mestre-ogro, sem perceber, esperava o momento do dia em que passariam alguns momentos juntos, sentia falta até das piadinhas e comentários picantes que ele fazia as vezes.
Na primeira semana de ausência dele, Ginji a encaminhou às lojas de roupa feminina que seu mestre mencionou. O akayashi sugeriu que Aoi escolhesse algumas roupas formais e de festa, além das roupas de dia a dia e de trabalho. Haviam alguns eventos no futuro próximo, e ele tinha certeza que ela seria convidada a comparecer.
A moça escolheu alguns vestidos, sapatos e roupas íntimas no estilo moderno, que costumava usar ou desejava usar no reino aparente, e nunca tivera oportunidade de comprar. Seus colegas do Tenjin'ya lhe explicaram que o quimono não era traje obrigatório, e ela poderia também, utilizar roupas de sua época, se quisesse. Os quimonos, ela não precisaria adquirir, pois o estabelecimento mantinha sua própria coleção. Ela então se limitou a comprar um par de yukatas para dormir, de seda bem leve.
Passou-se mais uma semana, em várias noites, Aoi sonhava estar nos braços de Odanna, vivenciando intimidades que não havia imaginado nos braços de nenhum homem, mas que com ele pareciam perfeitamente naturais... e durante o dia, trabalho e mais trabalho para distrair a mente do tempo que ainda demoraria para ele chegar, ou esquecer o fato de que ela estava exageradamente incomodada com esta demora...
Ela tentou parecer despreocupada perante Ginji, mas seu coração saltou quando seu amigo lhe informou que o mestre chegaria ao Tenjin'ya naquela tarde... talvez seu rosto tenha ficado um pouco vermelho, pois ele lhe perguntou: "- Tudo bem Aoi?" Tentando disfarçar, ela respondeu: "- Sim, sim... que bom que correu tudo bem! Vou voltar para a cozinha, estou um pouco atrasada com o preparo dos ingredientes." Ginji apenas sorriu e voltou para suas tarefas no prédio principal.
