Grupos de dezenas de akayashis, vestidos em todo seu glamour chegavam à entrada do luxuoso parte dos Tengus. Ouvia-se de fora música suave, e burburinho dos convidados. O grupo do Tenjin'ya ia desembarcando e se reunindo junto a Odanna e Aoi, quando todos se aproximaram, o casal puxou a dianteira em direção à festa.
O grupo chamava muita atenção, e causava espanto entre os aglomerados de convidados na fila de entrada, "- quem é esta moça acompanhando o Deus-Ogro?" Ouvia-se comentar. Aoi ficou intrigada "não era costume frequentarem esta festa todo ano, por que tanto espanto?" Enquanto pararam na entrada do parque, perguntou a uma das colegas do Tenjin'ya sobre isto, obteve a resposta: "- A novidade é que o mestre nunca vem acompanhado ao baile, ele sempre encabeça o grupo do hotel, comparecendo mais por motivos de cortesia profissional do que por diversão. O fato dele trazer uma moça – desconhecida dos outros Tengus – demonstra que esta noite ele também veio para festejar, como a grande maioria dos akayashis presentes."
Aoi se sentiu um tanto lisonjeada ao saber disto, e sorriu olhando Odanna que ia um pouco à frente. Ele se virou para trás, e estendeu o braço para que ela o acompanhasse. Os dois formavam realmente um belo casal, era o comentário dos colegas do Tenjin'ya, que agora já estavam acostumados com a presença da moça e viam nela todas as qualidades que o mestre apreciava.
Foram recebidos por Matsuba-sama, que abraçou alegremente a moça, a quem estimava como uma neta, piscou para Odanna "- Agora vejo que você está tratando melhor Aoi, não relaxe... ainda posso busca-la para casar com algum dos meus filhos" falou rindo amigavelmente. Odanna sorriu, respondeu olhando para moça e não seu interlocutor "- Não abrirei mão dela assim facilmente!" Aoi corou, sorrindo e olhando para baixo um pouco tímida, Matsuba respondeu "- Percebo que não... divirtam-se! Se precisarem de qualquer coisa, providenciaremos para nossos convidados de honra!"
Aoi perdeu o fôlego ao avistar o parque em seu esplendor! Cerejeiras por toda parte, majestosas, cintilavam com milhares de micro lâmpadas, dando ao local uma beleza sobrenatural. À uma certa distância, um canal cortava o parque, cercado por outras dezenas de sakuras. Na enorme clareira de entrada, várias mesas de banquete, ricamente organizadas, e um espaço para pista de dança, tudo sob a luz de diversas luminárias japonesas.
O grupo de Odanna se acomodou na grande mesa reservada para o Tenjin'ya, ele e Aoi se assentaram lado a lado, mesmo depois de se acomodarem, ele permaneceu segurando a mão da moça, causando uma sensação de calor e ao mesmo tempo calafrios na boca do estômago: ela nunca havia ido a uma festa em que comparecesse como par de alguém, especialmente de um homem tão cobiçado como ele, o que era atestado pelos olhares que percebia os encarando desde que entraram no recinto.
Tendo recebido todos os convidados, Matsuba fez um discurso de boas vindas, um grande brinde com champagne, e finalmente o banquete foi servido. Todos se fartaram das iguarias luxuosas das quais os Tengus se orgulhavam. E aos poucos, os pares foram levantando-se e enchendo a pista de dança. Aoi e Odanna foram os últimos, pois a moça estava degustando uma sobremesa, especialidade daquela região. Se levantaram e se ajuntaram a grupo de amigos que se divertia animadamente na pista de dança, sorrindo e flertando com os outros convidados.
Depois de um tempo dançando, Aoi sentiu sede, pediu licença para se buscar algo para beber próximo à mesa. Odanna a observava de longe, sem a perder de vista. Uma convidada o abordou, insistindo para que dançasse com ela, enquanto ele se esquivava educadamente, Aoi saiu de seu campo de visão.
Distraída, buscando um copo d'água, a moça não percebeu que alguém se aproximava pelas suas costas, e foi surpreendida, quando um tengu, um pouco mais bêbado que os outros, a encostou numa árvore, a prendendo com seu quadril. Tentou não se tomar pelo desespero, enquanto o ayakashi perguntava o que uma moça humana tão bonita estaria fazendo numa festa destas. Seu colar começou a irradiar uma luz de um verde forte, o que assustou o inconveniente tengu, e antes que ele tivesse tempo que investir novamente contra a moça, Odanna o segurara com uma mão e a abraçara com seu outro braço, tirando-a totalmente do alcance do assediador.
"- O senhor tem algum assunto a tratar com minha noiva?" Percebendo de quem se tratava, o homem pediu mil desculpas e se afastou tropeçando. Aoi tremia pelo choque do que quase lhe aconteceu. Odanna então, a guiou pela mão até a mesa, e lhe ofereceu um copo d'água, dizendo "- Me desculpe por te perder de vista, minha querida... te recomendei tanto cuidado, e me descuidei de você..." Acariciou de leve o rosto da moça e seu braço ainda arrepiado pelo susto. Ela respondeu: "- Não se culpe por isto, foi tudo muito rápido, e eu estava próxima a todos... não tinha como prevermos..."
Para distraí-la, ele a convidou para a pista de dança, estando em sua companhia, ela sabia estar segura. Aoi levantou-se recompondo-se e seguiram para a pista. Assim que alcançaram seus amigos, a música animada foi substituída por uma balada romântica, ao som da qual os casais foram se formando, e dançando abraçados. Odanna sorriu para Aoi, que tinha corado da cabeça aos pés e comentou "- Acho que estamos com sorte!" Pegou as mãos da moça, enlaçou-as em seu pescoço, e a abraçou pela cintura.
Inicialmente ambos se inquietaram com o contato de seus corpos, daquela maneira, ficando com a respiração um pouco rápida devido ao ritmo que seu coração se impôs com a emoção nova. Aoi relaxou um pouco no abraço protetor de seu par, e deitou a cabeça em seu ombro, a respiração tocando-lhe o pescoço.
Odanna já tivera muitas mulheres, mas não costumava ir a festas, ou viver romances. O perfume de Aoi, fresco e floral, a sensação do corpo esguio da moça contra o seu, estava mexendo com sua imaginação. Os seios pressionados contra seu peitoral, com apenas a leve camada de seda e renda os separando, estavam começando a fazê-lo se sentir mais quente do que o normal, a cintura fina, a qual suas mãos cobriam completamente, a curva do quadril, ela era mais bela do que ele vislumbrara... era quase como um sonho deslizar com ela pela pista de dança. Se não tivesse tanto autocontrole, estaria perdido em beijos com ela, ali mesmo no meio de todos.
Aoi por sua vez, apreciava o corpo forte contra o seu, era sua primeira vez numa situação de tanta proximidade com um corpo másculo como o dele. As mãos enlaçadas em seu pescoço, brincavam distraidamente com seus cabelos – causando arrepios de prazer no Deus-Ogro, ela mesma, alheia ao efeito que lhe causava, seguia de olhos fechados, respirando o delicioso perfume masculino, totalmente confortável em seus braços.
A música lhes tirou do doce transe, e um burburinho lhes distraiu um do outro por uns instantes. Começaria a queima de fogos. Deram-se as mãos e seguiram os convidados para próximo do canal, se colocando sobre as pontes que o atravessavam. A queima foi um espetáculo à parte, minutos de explosão de cores e luzes no céu. Os Tengus dominavam a arte da pirotecnia com primazia, sendo o momento de ápice da festa.
Após a queima de fogos, os convidados voltaram animados para a pista de dança e para as iguarias. Já era tarde, mas os funcionários do hotel não demonstravam o menor desejo em retornar. Odanna entretanto, já considerava voltar para casa, e perguntou a Aoi que também compartilhava seu desejo. Se despediram dos amigos... alguns mais alegres pela bebida brincavam "- Tenham juízo, os dois!" Em sã consciência não brincariam dessa maneira com seu mestre, mas era festa, todos estavam felizes... no dia seguinte, voltariam às formalidades.
Despediram-se dos anfitriões, e embarcaram na carruagem. Uma vez embarcados, Odanna, que não conseguia mais se segurar, enlaçou a cintura de Aoi com um braço, trazendo-a para si. A moça surpresa, olhou-o nos olhos, para entender-lhe as intenções, ele a olhou sério, com uma intensidade que ainda não tinha demonstrado, e tomou seus lábios num beijo apaixonado.
A moça inexperiente, retribuiu à carícia, a princípio um pouco incerta e insegura, e tonta de prazer por aquela surpresa agradável. Mas conforme o beijo se prolongava, relaxou e seguiu o ritmo apaixonado de seu parceiro, que a abraçava estreitando-a a seu corpo. Se afastaram ofegantes, encarando-se com desejo estampado em ambos rostos. Odanna então, puxou Aoi para seu colo, e continuou a beijá-la apaixonadamente, desta vez, explorando a boca de sua amada com a língua, tirando completamente toda sanidade que restava à moça. As mãos grandes do ogro, acariciavam suas costas, por cima da renda, subindo até seu pescoço, roçando as partes de sua pele que não estavam cobertas pelo tecido.
A carruagem parou, denotando que chegaram ao seu destino, mas o casal, alheio à sua volta, continuou se beijando apaixonadamente, fascinados pelas novas sensações que seus corpos lhes proporcionavam. Odanna voltou à sensatez primeiro... não queria apressar as coisas, não queria que ela se entregasse a ele pela emoção de um momento. Salpicou seus lábios e rosto com beijinhos leves, e levantaram-se para sair.
Caminharam de mãos dadas até o anexo, coração disparado de paixão. Chegando na porta, Odanna a beijou na boca novamente, desta vez mais lentamente, com muita ternura, deixando que o beijo causasse cada sensação à sua vez, reverenciando sua dama com seus lábios. A moça entendeu o recado, sentindo em seu coração, pela primeira vez conscientemente, um amor infinito por ele.
Ao terminar o beijo, ele lhe disse, "- Aoi, eu gosto de você, não quero que seja minha noiva somente pela dívida do seu avô, quero conquista-la, vamos fazer como no seu mundo, seja minha namorada!" Como resposta, Aoi segurou o rosto de Odanna entre as duas mãos, e o beijou os lábios amorosamente, dizendo "-Sim!" E assim, começaram seu relacionamento, totalmente incomum a tudo que já aconteceu no Kakuryio.
