Golden Days
Eu encontrei uma pilha de Polaroides
Nas caixas de uma loja de discos
Sasuke
Estaciono o carro na frente do bar bem localizado no centro de Los Angeles, aproveitando o que podiam ser meus últimos momentos com o carro, visto que eu não havia acabado de pagá-lo, e estava usando o dinheiro que ganhava dos bancos pra isso. Saio do lado do motorista, enquanto Naruto termina de arrumar seus cabelos loiros antes de pular do banco do carona, com uma caixinha em mãos, pronto para entrar.
— O que tem na caixa? — pergunto, guardando a chave do carro e o acompanhando, procurando por Neji ou qualquer pessoa conhecida.
— Neji me disse que a prima dele gosta de flores.
— Idiota, se ela gosta de flores, por que você trouxe uma caixa ao invés de trazer flores?
Ele abre a boca para falar, mas um gritinho agudo fez com que ambos nós virássemos para encarar Sakura aos abraços e pulinhos com uma garota tão loira quanto Naruto, e por um momento estreito os olhos, e ele me encara com a confusão no olhar que devia estar em meu rosto também.
— Essa não pode ser nem de longe a garota que eu vi nos palcos que o Neji mostrou… — sussurrou, apenas para que eu ouvisse.
— Yamanaka, você está linda! — Karin diz, indo abraça-la também.
— Obrigada! Mas, embora seja difícil de acreditar, eu estou modesta perto dessa beldade que a Hinata se tornou desde que vocês deixaram o Japão! — A loira responde, puxando a jovem de cabelos negro-azulados para o meio da roda, para que ela fosse bombardeada de abraços e mimos de suas amigas.
— Ah… — suspiramos em uníssono, finalmente entendendo o que estava acontecendo ali.
A loira era a melhor amiga que havia ficado no Japão. A morena era a prima do Neji, a deserdada. Fazia sentido, visto que ela não fazia jus a todas as descrições que o Hyuuga fizera da prima.
Nos aproximamos e Naruto era todo sorrisos. Assim que somos vistos por Neji, o mesmo se levanta e vem até nós, com um copo de cerveja na mão, para conversar longe do resto das pessoas que estavam ali para recepcionar a nova Hyuuga.
E era bastante gente. Nunca vi sequer Gaara ter tempo de sair com os amigos, mas até ele se encontra sentado em uma poltrona, ao lado da irmã, sorrindo de canto para Hinata quando essa lhe diz alguma coisa.
— Que bom que vieram. — Os olhos claros de Neji pareciam querer saltar do rosto dele, de tão ansioso que parecia, e apenas concordo com a cabeça, lhe dando um tapinha no ombro — Eu não pensei que todos viriam, na verdade. Senão eu teria reservado um restaurante, ou pelo menos um bar maior e menos movimentado.
Os três olhamos para o local e, realmente, parecia quente ali, principalmente pela grande concentração de pessoas no canto onde Hinata estava.
— Bom, agora que já estamos aqui, nos resta apenas curtir. — Naruto diz, alto, indo dar um abraço em Neji, que retribui sem muita vontade — Não vai nos apresentar sua prima, finalmente?
O moreno ri e acena com a cabeça, nos convidando a segui-lo, nos esquivando entre as outras pessoas no bar, até chegarmos onde nossos amigos estavam.
— Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka — Neji chama, fazendo com que elas se voltem para ele, que segura a prima pela mão e aponta para nós com o queixo —, quero que conheçam meus melhores amigos. Esses são Sasuke Uchiha — Ele aponta para mim —, e Naruto Uzumaki, primo da Karin.
— Você e tão loiro quanto eu! — Ino abre os braços, o envolvendo em um abraço apertado, enquanto Naruto ria de sua apresentação.
— Nós somos quase gêmeos! — responde, arrancando ainda mais risos da loira, que se afasta dele e abre caminho para Hinata, que se aproxima, sorrindo para ele — E você deve ser a Hinata. Eu ouvi muito sobre você esses anos.
Ele a abraça apertado, fazendo-a rir e corar com a proximidade, e logo depois a entrega a caixinha muito bem decorada, a surpreendendo.
— Ouvi dizer que gosta de flores e de dentes-de-leão. — ele se justifica, encabulado, enquanto ela abre a caixinha e se depara com dois brincos que eram iguaizinhos aos botões de dentes-de-leão, todo em prata — Espero que goste.
— Olha só, quem diria que o primo da Uzumaki teria bom gosto. — sussurra a Yamanaka, surpresa, olhando por cima do ombro da amiga, que tinha um grande sorriso no rosto corado.
— Não sei se mereço um presente assim, mas muito obrigada Naruto. — ela sorri e lhe dá um beijo singelo na bochecha, antes de se virar para mim, me estudando por um minuto antes de erguer a mão livre para me cumprimentar, a qual aceito de bom grado, aliviado por ela não vir me abraçar — É um prazer lhe conhecer, Uchiha. Você não parece ser alguém que gosta de muito contato físico, então...
— Uah, sua prima é uma daquelas médiuns ou isso é coisa do teatro? — Naruto pergunta, espantado, arrancando risadas de todos, enquanto voltávamos para a mesa.
Eles eram sexy, sexy olhando para trás
De uma noite que o tempo esqueceu
— Neji nos mostrou os vídeos de suas peças de teatro e você estava simplesmente incrível, Hinata! — Kiba dizia, servindo mais um copo de cerveja para a Hyuuga e sua amiga, que já estavam com as bochechas rosadas pelo álcool.
— Vocês tinham que presenciar ela no palco — a Yamanaka concordava, sendo seguida por Sakura e Karin, que fizeram teatro com ela —, ela fica possuída pela paixão de atuar.
— Você parece uma pessoa que dançaria muito bem. — Shino dizia, tomando mais um gole de seu martini enquanto a analisava — E cantaria também.
— Não posso dizer que sou boa dançando, a menos que eu ensaie bastante, como aconteceu com o sapateado na última peça que fiz — Ela responde, balançando a cabeça para reforçar o que estava falando.
— Mas ela canta muito bem! — Karin interveio, atraindo a atenção de todos — Ela arrebentou no Fantasma da Ópera!
— Ela faria tanto sucesso em uma boate gay… — choraminga Sai aleatoriamente, arrancando risadas de todos, inclusive da Hyuuga, e deixando Neji vermelho, o que fez ela se divertir ainda mais, antes de dizer.
— Neji, eu sei o que uma boate gay significa. Eu não sou mais uma criança! — Ino engasga com a bebida, rindo histericamente enquanto limpa o vestido dos pingos de cerveja que caíram.
— Hidan que o diga! — Sakura arregala os olhos e se vira para Hinata, que fica vermelha no ato.
— Você transou com o Hidan? — Neji cospe a vodka na mesa e Tenten bate em suas costas, segurando a risada.
— Ok, Hidan? — Ele deu um muxoxo de descrença e respira fundo — Ele nem era um cara legal, e ainda tem uns oito anos a mais que você! Ele deve ter a idade do irmão do Sasuke.
— Então pode mandar trazer o bonitão do Itachi, porque aparentemente a Hinata gosta de uma diversão madura. — Karin faz um gesto obsceno com as mãos assim que acaba de falar e a Hyuuga, envergonhada demais para falar, segura suas mãos e as abaixa, para que ninguém mais visse. Sem sucesso, já que todos começam a rir.
— Quem diria Neji, logo a sua prima, como você chamava ela mesmo? — Shikamaru provocou, fingindo tentar se lembrar.
— Ah, era anjinha, não era? — Temari responde, rindo alto e batendo os punhos com Shikamaru, enquanto Neji ficava cada vez mais vermelho.
— Gente, Hinata já tem vinte e um anos e pode muito bem sair com quem ela quiser. — Gaara diz e a Hyuuga o olha, aliviada e agradecida, antes que ele sorrisse de canto e completasse, cheio de malícia — Mas talvez seja cômico para nós que ela não seja a pureza em pessoa, como Neji colocou.
— Não acho que o Neji está muito bem em ouvir vocês falarem sobre isso. — Tenten ri, colocando a mão sobre a testa do namorado, como se fosse avaliar uma possível febre, já que ele estava extremamente vermelho e suado.
— Vocês são horríveis! — Ino balança a cabeça e revira os olhos, tomando mais de sua cerveja — Eu adorei, continuem.
— Pessoal… — Hinata começa, provavelmente tentando encerrar o assunto.
— Ok, já chega desse assunto. — digo, atraindo a atenção geral e arrancando alguns suspiros de surpresa, visto que até agora eu não dissera nenhuma palavra.
— Uh, o Uchiha está nervoso… — Sai pede mais um whisky para o garçom que passava ali perto e continuou — O que houve dessa vez?
— Ele foi demitido. — Naruto dá de ombros, mesmo com as caras de espanto de todos os presentes — E mandou o pai dele enfiar o banco no rabo dele.
Fecho os olhos e espero. Dois segundos depois, a risada e geral, e até eu me rendo a rir um pouco da situação, abrindo os olhos e encontrando as orbes peroladas de Hinata me observando.
— Uau, eu nunca achei que diria isso, Sasuke, mas estou orgulhosa de você. — Temari ergue o copo para mim, e sorrio de canto.
— Diga isso quando levarem meu carro por falta de pagamento. — Bebo mais um gole de cerveja.
— Cara, isso é demais! — Kiba ri, balançando a cabeça — Você é louco.
A música pára e todos nos viramos para o palco, agora vazio, no qual qualquer um podia cantar por tempo limitado, para esquentar a noite.
— Você devia cantar, Hina! — Naruto a cutuca e ela tenta negar com as mãos, antes que ele as segurasse e a parasse e continuasse — Eu queria ver como ficaria com seus novos brincos no palco.
Tenho que admitir que Naruto sabia ser bem persistente, ainda mais sorrindo daquele jeito para ela, que já se encontrava vermelha a essa altura, enquanto se levantava e ia ao palco, com as palmas de todos.
Ele era algo afável em 1979
E ela tinha o cabelo da Farrah Fawcett
Ela se posiciona atrás do microfone, após falar com os músicos, e a melodia toca, calma e grave, enquanto ela cantava, fechando os olhos.
— Sorry if it's hard to catch my vibe, hn, I need a lover to trust, tell me you're on my side… — Ela inicia, em um inglês perfeito.
Eu sei que alguém assobia nesse momento, e alguém diz a Neji que ela canta bem, mas eu não estou mais prestando atenção em nada além da voz dela. Me levanto, sem sequer escutar se alguém diz meu nome ou não, e vou até o bar, que ficava mais perto do palco, para poder ouvir.
A voz dela tem um tom mais grave do que eu poderia apostar, diferente da voz doce com a qual ela fala. Uma voz poderosa e explosiva, que contrasta com seu rosto sorridente.
Só percebo que a música acaba quando ela, olhando em minha direção, desce do palco e vem até o bar, se sentando ao meu lado enquanto pede uma bebida.
— Obrigada por ter vindo, mesmo com tudo isso que aconteceu com você. — Sorrio de canto e ergo a bebida, antes de responder.
— Eu estou feliz em ter sido demitido na verdade. — sussurro, e ela sorri, pegando sua bebida e tomando um gole — E pareceu que você estava mais ferrada do que eu, então resolvi vir dar uma força.
— Eu na verdade estou me sentindo melhor do que nunca, mesmo deserdada. — Ergo a sobrancelha, vendo-a tomar mais um gole da bebida azul — Meu pai pode enfiar o dinheiro dele no mesmo lugar onde mandou seu pai enfiar o banco.
Dou uma risada curta mas, antes que eu possa responder, Ino chama Hinata para a mesa, elogiando sua voz, e a mesma se despede com um aceno de cabeça antes de ir para onde os outros estavam.
Não demorou muito até Gaara vir até mim e se sentar ao meu lado, apenas ficando lá por um tempo, antes de bater com punho levemente em meu queixo, apontando para a mesa com a cabeça.
— A Hyuuga já te deixou distraído? — Nego com a cabeça e olho para todas aquelas pessoas na mesa, sorrindo.
— Claro que não, você me conhece. — Ele dá de ombros, pedindo mais uma bebida — Eu sou um cara do mundo e não vou mudar.
— Primeiramente, você nunca foi um cara do mundo. Você, na verdade, nunca sai com ninguém, mas, já que está tão disposto à me fazer acreditar nisso, então devia parar de olhar para ela e ver o que tem em volta, pronto para um homem do mundo. — Ele indica com a cabeça um grupo de garotas que encaravam na nossa direção, e pisca para uma delas, chamando-a com um aceno de dedos.
Sorrio e me afasto, dando-o privacidade, enquanto vou até o grupo de garotas e levo uma delas pela mão até um lugar mais calmo.
Ela era boa de conversa, e seu nome era Konan, mas rapidamente ela se inclina sobre mim e passa a usar a língua para outras coisas e, por um minuto, me esqueço de que vim para a festa acompanhado de outras pessoas. Mas isso dura pouco já que, segundos depois, um barulho irritante de briga me tira do beijo e me afasto, olhando para trás bem a tempo de ver Naruto dar um soco no rosto de um rapaz, enquanto outro segurava uma câmera, que logo depois e tomada por Karin, que joga o aparelho no chão e pisa em cima, e Kiba o segura pela camisa, pronto para agredi-lo. No meio da confusão, estava Hinata sendo abraçada por Ino e Neji estava a frente das duas, possesso e pronto para se juntar a Naruto nos socos.
Entrego meu copo, ainda na metade, para Konan, e me despeço com uma piscadela antes de me juntar ao grupo de pessoas, na mesma hora que Gaara.
— Acho que está na hora de ir embora, antes que isso fique pior… — Shikamaru diz, separando Kiba do desconhecido, que ri de canto e diz, erguendo as mãos em rendição.
— Eu só vim perguntar quanto era o programa da mocinha ali. — Ele apontou Hinata com o queixo, e Shikamaru fecha a cara, batendo no ombro de Kiba com a mão esquerda.
— Todo seu, Inuzuka. — O mesmo nem pensa duas vezes antes de atingir um chute no estômago do rapaz, que caiu no chão, curvado.
Seguro Kiba, antes que ele terminasse o serviço, e saio com ele do bar, sendo seguido pelo resto do grupo, que começou a entrar em seus respectivos carros.
— Amanhã, apareçam lá em casa, e leve Hinata também, para conversarmos sobre isso. — Neji assente para Naruto, enquanto colocava Hinata no carro, e dou partida, ficando em silêncio o caminho todo dá volta para casa.
Jarras de vinho tinto de sangue
No verão, no verão
Acordo tarde na manhã seguinte ao incidente no bar, e encontro Naruto já preparando o almoço, me juntando a ele na cozinha e indo pegar uma jarra de suco de laranja na geladeira.
— Como acha que Hinata está hoje? — Ele pergunta, enquanto me sirvo de um copo, e dou de ombros, sem realmente saber como ela estava.
Naruto havia me explicado sobre a coletiva que o pai de Hinata havia feito, exibindo seu novo herdeiro, que era um rapaz chamado Pain, estudante de direito, que tomaria posse das empresas de advocacia assim que Hiashi se aposentasse. E, se fosse só isso, todos estariam bem, mas quando questionado sobre o porquê de sua filha mais velha não assumir como sua herdeira, ele expôs em rede mundial que ela havia "desonrado o nome Hyuuga e que havia ido fazer programa na América", o que provou o quão mesquinho ele é, e causou problemas para Hinata, que agora seria reconhecida onde fosse, por conta da maldita entrevista de Hiashi.
E foi o que aconteceu no bar.
— Eles vão vir? — pergunto, me levantando e indo para a sala, me jogando no sofá com o copo em mãos, e ele me segue, colocando um prato de panquecas na minha frente.
— Eles já devem estar chegando a essa hora, na verdade.
Não precisou que Naruto falasse novamente, pois logo a campainha tocou e ele se levantou para abrir a porta enquanto continuei comendo as panquecas que ele havia feito. Neji e Hinata adentraram e ela se sentou no sofá ao meu lado, ao passo que ele permaneceu escorado à poltrona, com os braços cruzados:
— Como você está depois de ontem, Hinata? — Naruto perguntou enquanto eu oferecia, silenciosamente, minhas panquecas a ela, que negou com um aceno de cabeça.
— Acredito que estou meio atordoada ainda, na verdade. — ela deu uma risada fraca, e Neji bufou, nervoso — Neji acha que devo fazer alguma coisa. Mas acredito que não há o que fazer agora, apenas esperar a poeira baixar.
— E até lá você adia seu sonho de continuar com Ino sendo sua assessora? Até lá você finge não estar recebendo convites para filmes pornô? Até lá você finge que está bem com o fato de que várias empresas estão recusando ter você nos palcos ou nas telas pelo que Hiashi disse?
— Isso está mesmo acontecendo? — pergunto, incrédulo.
— Mas ele deu a declaração ontem! — Naruto exclama, exasperado.
— Hiashi continua sendo um dos maiores nomes da advocacia e-
— Neji — chama Hinata, atraindo a atenção de todos —, está tudo bem. Nós vamos conseguir pensar em algo. Eu sei que sim. Eu estou com a consciência limpa.
O telefone de Hinata toca e ela sorri antes de atender, sem se preocupar com estarmos todos ali, no meio de um assunto sério:
— Ino! Onde você estava de manhã? — risadinhas no outro lado da minha — Sim, eu já estou na casa do Naruto. Neji veio e- — ela arqueia a sobrancelha, ouvindo atentamente o que ela falava — Por que você quer que eu pergunte ao Naruto qual a cor favorita do Kiba, Ino?
Ouvimos uma gritaria no outro lado da linha e finalmente Hinata começa a ficar vermelha como um pimentão, olhando para nós, parecendo finalmente perceber o que havia acabado de dizer na nossa frente. Pela cara assustada dela, meu sorriso de canto devia ser bem sugestivo, e o mesmo se podia dizer de Neji e Naruto.
— D-Desculpe… — ela começa, engolindo em seco — Acredito que eles já ouviram.
Mais gritaria, e Hinata finalmente tira o telefone do ouvido e liga o viva-voz, e a voz fina de Ino invade o cômodo.
— Podem desfazer esses risinhos nas suas caras agora!
— Como você sabe se estamos sorrindo? Eu posso simplesmente ser uma pessoa feliz. — Neji deixa uma risada escapar do comentário do Uzumaki, e reviro os olhos.
— Não vamos contar ao Kiba que está escolhendo sua lingerie baseada na cor favorita dele. — digo, com uma falsa compaixão, e Naruto cai na risada.
— Por que você falou em lingerie? HINATA!
— Ino, eu não tinha dito nada….
O silêncio se fez ouvir por quase um minuto, antes que todos nós começássemos a rir de Ino, que ameaçava desligar o telefone.
— Ok, parem de brincar, eu preciso de ajuda! — Todos nos calamos e ela continuou — Ontem, quando fomos nos despedir, ele disse que gostou de conversar comigo e me chamou para tomar alguma coisa hoje.
— Yamanaka, o que te leva a crer que nós queremos saber como o babão do Kiba estava dando em cima de você? — O Hyuuga disse, passando a mão pelos cabelos.
— Nós estávamos no meio de uma conversa séria. — concordo, bocejando, enquanto termino minha última panqueca
— Isso também é muito sério! Vocês tem que me ajudar! Hinata, diga pra eles. — A Hyuuga suspira e se vira para nós.
— Está nas nossas regras que devemos parar o que estivermos fazendo para ajudar uma a outra em uma situação como essa.
— Vocês têm regras? — Naruto perguntou, confuso.
— Uma espécie de siscode, na verdade. — Hinata ri, concordando com a cabeça.
Reviro os olhos e me levanto, indo para a cozinha pegar mais suco. Assim que volto, vejo uma cena cômica de Naruto passando um dossiê de Inuzuka Kiba para Ino, garantindo a ela que ele nunca foi um rapaz de brincar com esse tipo de coisa, todas as suas manias e suas preferências.
Só me restava esperar, enquanto finalizava mais um copo de suco.
Você não se pergunta quando as luzes começaram a apagar?
E o relógio apenas fez as cores se tornarem cinza
Assim que Hinata e Neji deixam minha casa, já bem próximo das quatro da tarde, Naruto vem se sentar ao meu lado, ligando a TV enquanto permaneço com os olhos no celular, checando mensagens e emails.
— Você acha que está realmente tudo bem com Hinata? — Dou de ombros, sem responder — O que acha da ideia de Neji, de chamar os outros para ajudá-la?
— Acho, sinceramente, que ela pode ficar brava se tentarmos fazer algo para ajudar. — O loiro tira os olhos da TV e me encara.
— Por que acha isso?
— Porque enquanto não tivermos uma ideia concreta, seria suicídio para a carreira dela ter os amigos saindo em sua defesa publicamente. — Bloqueio a tela do celular e o jogo de lado, estendendo os pés na mesinha de centro.
Fecho os olhos por um momento, respirando profundamente, enquanto escuto Naruto andando pela casa, em ligações telefônicas:
— Quem era? — pergunto, sem estar realmente interessado em saber.
— Era Sai. Ele, assim como a maioria dos outros, ligou para perguntar sobre a Hinata.
— Ela está realmente causando pânico generalizado entre todo mundo…
— Correção: o pai dela está causando seja lá o que for. — Ergo as mãos e me calo por alguns segundos, antes de ligar o videogame enquanto ele ia para a cozinha.
— Está interessado na prima de Neji? — consigo ouvir sua risada alta vindo do outro cômodo, antes que ele respondesse.
— Ser gentil e amigo não tem nada a ver com estar interessado em alguém. Além disso, você sabe que eu tenho sentimento sinceros por outra pessoa.
— Unf — bufo, esperando o jogo carregar —, você ainda não superou aquela festa com Sakura?
— Eu ainda acredito que ela vai me dar uma chance. — reviro os olhos e sorrio de canto.
— Ela estava superando um relacionamento ruim, Naruto, normal ela ter acabado na cama com você.
— Foi meu nome que ela disse enquanto dormia, e não o de Deidara.
— Ok, eu não toco mais no assunto Haruno.
O Uzumaki sai da cozinha e para ao meu lado, pegando um controle para si enquanto era possível ouvir o barulho de água no fogo.
— Você sabe que sua opinião importa pra caralho. Mas eu sinto que, assim que Sakura esquecer Deidara, ela irá ver que aquilo que passamos não foi só uma noite da qual ela se arrepende. — Ergo a sobrancelha e rio.
— Ah, eu garanto que ela não se arrepende de ter ido pra cama com você. Todos ouviram o que estava acontecendo no andar de cima.
Ele começa a rir e me mostra o dedo do meio, os olhos na tela onde apostávamos uma corrida.
O telefone do loiro começa a tocar ao mesmo tempo em que ele se levanta para olhar o macarrão que deixara no fogo. Olho a tela e arqueio a sobrancelha ao ver o nome e foto da Karin, e atendo por ele.
— O que você quer, ruiva? — escuto seu muxoxo do outro lado da linha, e um emaranhado de vozes ao fundo.
— Eu liguei para o meu primo, e não pra você, Uchiha. Passa o telefone pra ele.
— Ele está ocupado, fazendo nossa janta.
— São cinco horas da tarde, idiotas, isso não e hora de janta! Põe o celular no viva-voz e vai pra cozinha pra eu falar com ele, agora!
Suspiro e me levanto, pausando o jogo, e fazendo o que ela havia me dito:
— Naruto, responda rápido, quantos cômodos tem o seu sobrado? — ele ergue a sobrancelha, confuso, e dou de ombros, igualmente sem saber do que se tratava.
— Em baixo tem sala, cozinha, lavabo, lavanderia nos fundos. — ele provou um pouco do molho — Em cima tem um banheiro, quatro quartos com sacada. Por que?
— Os sobrados nessa rua são todos nesse modelo? — mais barulhos indefinidos no fundo da ligação.
— Karin, eu n-
— Me responde, Naruto. Questão de vida ou morte! — ele suspira e desliga o fogo do macarrão, colocando o mesmo pra escorrer a água, enquanto respondia.
— Sim, todos os sobrados aqui tem essa mesma configuração, por isso minha mãe escolheu essa rua e-
— Obrigada, priminho, você sabe que eu te amo e- Cala a boca, Sakura, caralho! — mais gritaria — Shino, avisa o Kiba! Tchau Naruto, tenho que ir agora!
— Mas Ka- — ele sequer conseguiu terminar, pois ela desligou e a ligação ficou muda.
Nós nos encaramos, suspirando pesadamente. A Karin estava tramando algo.
Para sempre jovem. Envelhecer é o mesmo
Todas as memórias que fizeram nunca mudarão
Hinata
Depois de muitas brigas, finalmente Neji concorda em deixar a poeira baixar e não fazer nada contra meu pai. Nem sequer deixei que ele ligasse para Hanabi, e evitei o assunto quando ela me ligou, animada como nunca por conta do curso que havia começado a menos de uma semana.
Ino havia se dado muito bem no primeiro encontro com Kiba e, depois daquela noite, vivia escapando de madrugada, ou demorando para chegar do trabalho, que não era longe do nosso apartamento.
Eu estava feliz que ela estava feliz. Ela tinha um coração enorme e merecia ser feliz.
Comecei a trabalhar na parte administrativa de um dos hospitais que Neji fazia residência, mas infelizmente não podia vê-lo todos os dias, já que havia outro hospital em que ele passava ainda mais tempo, e esse ficava bem mais longe.
Quando Neji não estava, minha área era movimentada por babacas que queriam saber sobre a declaração de Hiashi, e isso me enfurecia, pois já fazia uma semana que aquela entrevista miserável acontecera, e mesmo assim as pessoas ainda lembravam dela por onde quer que eu fosse. Eu sentia vontade de dar um soco no próximo que aparecesse, mas as coisas começaram a ficar estranhas quando, na quinta-feira, eu senti que estava sendo seguida na ida para casa, e cheguei em casa com o coração na mão, tentando me acalmar.
Na sexta, outro dia que Neji não estava por perto no trabalho, foi ainda pior. Minhas olheiras demonstravam claramente que eu havia passado a noite em claro, e as investidas de alguns rapazes ficaram ainda mais ousadas.
Assim que o relógio marca quinze minutos para que eu saia, mando uma mensagem para Neji, perguntando que horas ele sairia, pois talvez ele pudesse me dar uma carona e eu não precisasse ir de ônibus até em casa. Os olhares alheios masculinos me incomodam e eu sabia que seria seguida novamente.
Nenhuma resposta de Neji, nem de Naruto ou Sakura, já que os três estavam no hospital. Ino ainda demoraria para sair da estufa e ela não usava o celular lá dentro. Shikamaru atendeu, mas estava do outro lado da cidade e não poderia ir me buscar a tempo.
Dez minutos para meu horário. Eu tinha que tentar todos os outros que eu conhecia, na esperança de que me atendessem.
Disco o número de Sasuke, enquanto roía as unhas, apreensiva, e arrumava minhas coisas na mesa com a mão livre e procurava minha bolsa pela sala.
— Alo? — Ele atende, com a voz nem um pouco amistosa.
— Sasuke?
— Quem fala? — Fecho os olhos, engolindo em seco, assim que acho minha mochila.
— Hinata, prima do Neji. — ouço uma exclamação de entendimento e continuo falando, apressadamente — Será que você pode me passar os números de telefone do Gaara ou do Kiba?
— Hinata, eu estou no banco do meu pai agora e as coisas estão meio… Eu não acho que seja uma boa hora par-
— V-Você pode mandar uma mensagem pedindo para Temari me ligar, então, por favor? — Minha voz falha quando meus olhos ficam marejados e eu olho o relógio.
Cinco minutos. Saio da sala e a tranco, indo até o escritório do térreo para deixar a chave.
— Hinata? — ele sussurra, aparentemente confuso — Está tudo bem? Você está precisando de algo?
— Eu só queria que você visse pra mim se o Gaara está no trabalho agora. — Vejo uma grande tesoura de ponta na mesa do escritório e a coloco dentro da roupa.
— Onde você está? Você parece m-
— Está tudo bem Sasuke, eu vou voltar pra casa agora. Sinto muito ter atrapalhado sua reunião.
— Você está saindo do hospital agora? Eu p-
— Obrigada pela preocupação, Uchiha. — rio baixo, disfarçando o frio na barriga ao passar pelas portas automáticas do hospital — Tenho que desligar.
Desligo sem dar tempo de resposta, e começo a fazer meu caminho até o ponto onde passava o ônibus que eu pegaria. Meus passos rápidos fazem barulho no asfalto, e me amaldiçoo por não ter comprado um carro com Ino assim que chegamos, já que o ponto ficava algumas quadras longe do hospital, e eu podia demorar a chegar.
Olho o relógio no pulso e engulo em seco, xingando mentalmente a necessidade de usar saltos no trabalho, o que atrasava meus passos. Sinto algo estranho em minhas costas e inclino a cabeça para o lado, vendo claramente um rapaz que não devia ter oito anos a mais que eu, andando a passos lentos a certa distância de mim. Seguro o cabo da tesoura com força dentro da roupa e tento apressar meus passos, ouvindo quando ele faz o mesmo.
Os estabelecimentos mais próximos ainda ficavam a uns cinco minutos de distância, e eu desconfiava que ele estava me seguindo desde que saí do hospital, há quase doze minutos. Eu não podia correr naqueles sapatos e o desgraçado estava chegando cada vez mais perto, mais perto, mais perto.
— Ei, sua gost- — me viro em um rompante, a tesoura na jugular do rapaz, que se interrompeu na mesma hora. Um filete de sangue marcou seu pescoço e clavícula, mas a tesoura ainda nem o havia cortado de verdade. Ainda.
— Não se mexa! — ordeno, assim que ele tenta tirar a mão esquerda do bolso — Se você se mover um milímetro eu juro por Deus que eu enfio essa tesoura na sua garganta.
Burrice. Reagir a uma abordagem sempre foi e sempre será burrice. Ele podia estar armado, e isso podia acabar em uma tragédia mas, naquele momento, eu não conseguia pensar mais em nada.
— Hinata…? — O som da porta de um carro batendo me trouxe de volta a realidade, e empurro mais a tesoura na garganta do rapaz, que permanecia em choque, sem se mexer.
Olho para o lado rapidamente e a figura de Sasuke se aproxima, com o rosto preocupado com a situação a sua frente.
— E-Eu tenho tudo sobre controle, Sasuke. — o rapaz tentou dizer algo, mas Sasuke foi mais rápido e tirou a tesoura da minha mão, mantendo-a apontada na direção dele e fazendo-o se calar.
— Hinata, ligue para a polícia.
Nós vamos ficar bêbados, vamos ficar bronzeados, deixe o amor permanecer
E eu juro que eu sempre vou pintar você
— Eu podia ter resolvido sozinha! — abraço meus joelhos, no banco do carona, enquanto ele solta um riso baixo.
— Claro, porque tudo que você precisa agora é ser presa por enfiar uma tesoura na jugular de um babaca.
— Se você não tivesse aparecido, provavelmente era o que eu teria feito. — sorrio levemente, vendo-o se concentrar na rua enquanto dirige.
— E eu não estou julgando-a, eu também senti vontade de arrancar a cabeça dele. Homem é um lixo.
— Você também é um homem, Sasuke. — Ele dá de ombros e sorri de canto.
— Sim, e tudo que você não precisa agora é de um cara chato te dizendo que nem todos os homens são iguais. — olho pela janela, vendo a rua tomar as cores das luzes que começaram a ser ligadas nos estabelecimentos.
— Obrigada. Você foi muito gentil interrompendo sua ida ao banco para ir me ajudar. E foi muito gentil na delegacia também.
— Minha ida ao banco pode ser facilmente adiada. — ele suspira, e ficamos em silêncio pelos próximos minutos, até que eu resolva perguntar.
— Está tudo bem sobre sua demissão?
— Não sei. Fugaku não quis conversar comigo a respeito das minhas contas a acertar.
— Acha que ele teria te recebido se você não tivesse vindo me ajudar? — ele nega com a cabeça sem sequer precisar pensar.
— Eu duvido muito.
Mais silêncio. Era, de certa forma, reconfortante que ele não fosse o tipo de pessoa que fizesse perguntas, mesmo depois de ver a cena de mais cedo, ou de ouvir meu depoimento na delegacia. Eu apreciava poucas palavras e, pelo visto, ele também, como eu havia previsto.
Sasuke estaciona o carro assim que paramos em frente ao meu prédio, e saio do mesmo pronta para me despedir, mas ele faz o mesmo movimento e tranca o carro, me acompanhando até a entrada.
— Vou esperar com você até Neji e Ino chegarem. — ele disse simplesmente, antes que eu perguntasse algo.
— Neji?
— Eu liguei pra ele e contei o que estava acontecendo, então ele me deu a ordem de não deixar você sozinha até ele chegar. — reviro os olhos e suspiro.
— Eu consigo me cuidar. — paro em frente ao elevador, com ele em meu encalço — Você viu que eu posso cortar em pedacinhos qualquer filho da puta que atravessar meu caminho.
— Certo, claro. — ele ri baixo e acerto o punho em seu tronco, fazendo-o me olhar com falsa indignação — O que? Eu concordei com você.
Finalmente o elevador chega e entro no mesmo ao lado de Sasuke. Eu não tinha outra escolha mesmo.
Eu aposto que eles conheceram alguns diplomatas no iate da Bianca Jagger
Com o seu caviar e charutos mortos
— Então você e meu primo se conheceram nessa festa? — rio baixo, com as pernas dobradas enquanto tomo um gole de café.
— Foi assim que todos nos tornamos amigos na verdade, não só eu e Neji. — a fumaça da xícara de Sasuke dançava enquanto ele assoprava uma vez antes de beber um gole. — E como era a vida no Japão?
— Monótona. Eu ousaria dizer que, antes de me entender com Neji minha vida era triste. — penso um pouco e dou de ombros — Mas depois eu fiz amigos, pelo menos até todos virem parar aqui. Eu tive sorte de ter Ino comigo, senão eu tinha morrido de tédio.
Vejo-o rir baixo e tomo mais um gole de café, em silêncio, até que meu celular começa a tocar insistentemente e olho a tela de longe, vendo a foto de Ino aparecer.
— Não vai atender? — O Uchiha provocou — Você estava falando tão bem dela até agora…
— Ela deve estar surtando de preocupação depois de saber o que houve. — suspiro e seguro o celular, assim que ele para de chamar — Ela vai acabar virando minha babá, e não sei se estou pronta pra ouvir sermão.
No mesmo instante o celular de Sasuke começa a vibrar no sofá e ele o encara, sorrindo de canto antes de atender no viva-voz:
— Hinata estava agora mesmo me dizendo o quão super protetora você costuma ser, Yamanaka.
— Uchiha, passa esse celular pra essa escrota da Hyuuga que ela vai ver o quão super protetora eu sou! — começo a rir alto e ela continua — Bonito, dona Hinata, não atende o telefone, me ignora. O siscode não serve de nada nessas horas né?
— Ino, eu estou bem! — continuo rindo e coloco a xícara de café na mesinha de centro — Obrigada por se preocupar, mas eu já estou em casa, já registrei queixa, e está tudo ótimo.
— Maldito Hiashi. Eu quero voltar para o Japão só para socar a cara dele e-
— Ino, não sei se devia falar assim do pai dela… — a voz masculina sussurra ao fundo, e Sasuke e eu nos entreolhamos.
— Inuzuka? — o Uchiha pergunta, e uma pancada se ouve no fundo da ligação, seguido de um "Desculpe, amor" — Amor?
— Meu Deus, não me diga que você interrompeu uma transa pra me ligar, Ino! — a risada de Kiba foi abafada com o que parecia ser uma surra de travesseiro.
— Não mude de assunto, mocinha! — Ino pigarreia, visivelmente envergonhada, e continua dizendo — Por motivos, que não vêm ao caso agora, só consegui ver as mensagens do Uchiha agora, e por isso eu estou ligando. Eu estou voltando pra casa.
— Ino, está tudo bem, Neji vai passar aqui, e eu posso dormir sozinha. Pode seguir com seus planos de encontro.
— Eu prometi que não ia te deixar nunca. — sussurra a loira, de repente com um tom sério — E eu sei que Kiba consegue entender isso.
— Espero que não se importe se eu dormir aí, Hinata. — solto um riso baixo e me jogo deitada no sofá.
— Obrigada Kiba, você sempre vai ser bem-vindo aqui e sabe disso.
— Te vejo em breve. Não toque nela com segundas intenções, Uchiha, senão eu corto suas mãos. Tchau! — e a ligação se encerra, ficando muda.
— Vemos aqui um exemplo de conversa que eu nunca teria com Neji ou Naruto. — ele solta um riso baixo e guarda o celular no bolso, finalizando seu café.
— Vocês homens não sabem aproveitar uma amizade direito. — Sasuke revira os olhos e liga a TV, fingindo não me escutar — E, pelo menos, Ino não teve que me levar pra casa bêbada porque eu estava arrumando briga com o filho do sócio do meu pai.
— Ok. Primeiramente, isso foi muito baixo da sua parte. — rio baixo e dou de ombros, vendo seu rosto de perfil enquanto ele permanece zapeando pelos canais — E, segundamente, mesmo sabendo que essa palavra não existe, com certeza ela já teve que segurar seus cabelos para você vomitar depois de beber mais do que devia. Estou errado?
Sinto meu rosto esquentar e formigar e escuto sua risada vitoriosa. Ótimo, eu estava corada.
— Você foi tão baixo quanto eu.
— Eu jogo com o que tenho. — finalmente ele para de procurar, deixando em um filme qualquer.
Era um filme de ação, mas acho que eu já havia tido ação demais para um dia, porque logo caio no sono no meio do filme.
O ar estava quente como uma sauna
Eu aposto que eles nunca pensaram sobre
— Meu Deus, vocês babam enquanto dormem! — Ino diz, com a voz estridente, me acordando em um pulo, e despertando Sasuke, que havia dormido com a cabeça apoiada no encosto do sofá e estava com a boca aberta.
— Minha nossa senhora, Ino, dava pra ouvir sua voz do térreo. — Neji diz, entrando no apartamento ao mesmo tempo em que termino de acordar, ainda me recompondo e tentando lembrar exatamente o que estava acontecendo — Inuzuka?
— Oi, Neji. — o rapaz ergueu a mão, em um cumprimento envergonhado.
— Meu Deus, que barulhentos… — Sasuke diz, se espreguiçando e se levantando, indo até a cozinha, como se a casa fosse dele, e pegando um copo de água para si.
— Isso não importa. — Ino larga a bolsa em qualquer lugar, vindo até mim e me abraçando com força, quase interrompendo minha circulação de ar — Hina, você está bem? Como isso aconteceu? O que a polícia disse?
— Ino, Ino, está tudo bem. — sorrio de leve, me afastando dela com delicadeza — Foi só uma confusão que aconteceu na rua.
— Um cara seguiu ela, e ela quase furou a garganta dele com uma tesoura. — Sasuke diz, escorado no batente da porta.
— Isso mesmo, garota!
— Ino… — Neji sussurra, e a Yamanaka pigarreia.
— Digo, Hina, isso foi muito perigoso. Como isso foi acontecer? Você já tinha visto esse cara antes?
— Ele fazia uma entregas para o hospital e essa semana ele passava bastante na minha área e…
— No hospital?! — Sasuke, Kiba e Neji dizem em uníssono.
— Como deixam um louco assim trabalhar para um hospital? — o Inuzuka se senta ao lado de Ino, me olhando com solidariedade.
— Foi por culpa da entrevista de Hiashi, não foi? Ele quis transar com você, e quando você recusou, ele te seguiu pra ver se conseguia a força? — Meu primo pergunta, andando de um lado para o outro, a raiva visível em seus olhos.
— Neji, está tudo bem agora…
— Não está! Você chegou nesse país faz oito dias e estão te perseguindo por culpa do desgraçado do seu pai. — me calo, sem saber como responder.
— Vamos nos acalmar um pouco e ver o que podemos fazer pra resolver essa questão do reconhecimento da Hinata por culpa da entrevista. — Sasuke disse, cruzando os braços.
— O que quer dizer? — a loira indaga, confusa.
— Sai tem aquele blog famoso de fofocas. — o Uchiha continua, andando de um lado para o outro — Se ele soltar que Hinata está disposta a dar uma coletiva a respeito da merda que o pai dela falou, e ela mostrar o que vem acontecendo desde a declaração de Hiashi, ela pode ganhar a simpatia das pessoas, certo?
— Eu posso ligar para o Sai e ver o que ele pode fazer, sim, é uma boa ideia na verdade. — Kiba deu de ombros, concordando com a ideia.
— Mas para ganhar a atenção de um blog de fofocas como o de Sai, tem que ter algo a mais nessa história. As pessoas gostam de uma boa trama. — Ino diz, se levantando, enquanto estalava as juntas para pensar melhor.
— Gente, vamos com calma… — peço, olhando de um para o outro.
— O que as pessoas mais gostam de ver, além de briga de gente famosa? — a Yamanaka continua, como se não tivesse me ouvido.
— Romances proibidos? — Kiba sugere, mas assim que a loira ia responder, o telefone do Uchiha começa a tocar insistentemente, e ele atende no viva-voz:
O glitter dançando sobre a pele
As décadas poderiam ter lavado
— Naruto? — alguns chiados são ouvidos no outro lado da linha e Sasuke ergue a sobrancelha, confuso — Naruto?
— Sasuke, eu tenho duas notícias pra te dar. — responde, ofegante, enquanto se ouvia um mar de pessoas ao fundo.
— Deixe eu adivinhar: Uma boa e uma ruim?
— Não, bro. — O Uzumaki suspira — As duas são horríveis. Qual você quer primeiro?
Todos nos entreolhamos, e me levanto, começando a ficar apreensiva. Naruto parecia seriamente preocupado.
— Naruto, seu endereço está na porra do fórum! — A voz de Karin invade à ligação.
— Porra, eles nos seguem em qualquer lugar… — Shino diz, e mais chiados são ouvidos.
— Meu endereço está aonde? — Naruto grita, parecendo se esforçar pra carregar algo — Sasuke, eu preciso do seu carro!
— O que o Shino está fazendo aí? — Kiba se levanta — Ele devia estar em casa, com Sai!
— Que porra está acontecendo aí, Naruto? — Neji vai até o telefone, tentando ouvir melhor, sem sucesso.
— Olha Sasuke, agora são três notícias ruins, e não acho que vá parar por aí! — Naruto choramingou — Shino, você não tem um carro?
— Está com o Kiba.
— Naruto, você está nos deixando assustados! — A voz de Ino parece calar a todos ali, dos dois lados, e o loiro suspira audivelmente, antes de recomeçar a falar.
— Ok, vou contar todas as notícias ruins como se fossem uma só. Porque de certa forma é. — O chiado ficou maior — Estamos todos ferrados! Karin apareceu aqui agora à pouco, dizendo que não tinha lugar pra ir porque estava sendo perseguida. Aparentemente os endereços do apartamento que ela divide com a Sakura, e o número do quarto na faculdade que o Kiba divide com Shino e Sai foram jogados em um fórum e eles estão sendo atacados.
— Como isso aconteceu? — Sasuke sussurra, tentando manter a calma.
— O celular do cara que estava gravando a briga de vocês no bar semana passada! — Sai surge ao fundo da ligação — Finalmente descobri o que foi, acabaram de me ligar da redação do meu site. Um dos caras que foi , entre aspas, espancado por vocês, é um filho de banqueiro, e ele não havia postado as imagens porque conhecia a família do Sasuke, mas depois da declaração de hoje, ele não poupou esforços para o vídeo parar na internet.
— Que declaração? — O Uchiha estreita os olhos, ficando vermelho de raiva.
— O se pai seguiu o exemplo do senhor Hyuuga. — Naruto responde.
Antes que qualquer um dissesse alguma coisa, o celular de Neji começa a tocar e ele o segura, confuso ao olhar o visor:
— Aqui diz que Itachi está me ligand-
— Graças à Deus, Itachi ligou. — Naruto diz — Eu liguei pra ele e deixei uma mensagem explicando tudo que está acontecendo, pra ele não ter a ideia errada. Eu pedi pra ele ligar para você o mais rápido possível. Acho que ele ouviu agora.
O Hyuuga assente e atende a ligação no viva-voz também:
— Naruto já conseguiu falar com você? — À voz grossa atinge nossos ouvidos. Claramente ele sabia que Sasuke estava com Neji, portanto nem se preocupou com cumprimentos.
— Ele está falando conosco agora.
— Oi, Itachi, ainda bem que você ligou. descobriu o que está acontecendo aí? — Naruto diz, no outro lado da linha.
— Alguém pode me explicar que porra está acontecendo? — Grito, atraindo a atenção de todos para mim, e automaticamente minha pele começa a formigar. Droga. Eu havia gritado.
— Certo. Você deve ser a Hyuuga. — Itachi diz, e solta uma risada, antes de continuar — Parece que os babacas que vocês espancaram no bar foram até seus papais e mostraram as imagens. Uma semana depois, Fugaku recebeu diversas ligações de banqueiros importantes, e até um sócio, que queriam seu desligamento da empresa para não intimarem todos vocês por agressão.
— Puta merda… — Kiba torna a se sentar, e Sasuke o imita, irado demais para falar.
— Mas Fugaku já tinha demitido você, certo? — Neji dá de ombros, antes de Itachi rir mais uma vez e o interromper.
— Mas não publicamente.
— Ah, não… — sussurro, colocando as mãos no rosto.
— Sim. Ah, sim. Fugaku não lhe atendeu na empresa hoje, Sasuke, porque ele estava se preparando para dar uma coletiva, que começou assim que você saiu daqui.
— Mas que porra!
— Ainda fica pior… — Itachi continuou — Sobrou até para nossa mãe levar a culpa por não ter te criado direito e você ser fraco demais e ter, nas palavras dele, tendências a ser um doente mental e que por isso ele não se espantava com o caso de agressão.
— Ele usou sua internação contra você… — Neji sussurra, chocado demais para falar mais.
— Parece que, não satisfeito, o cara que apanhou jogou os vídeos na internet, para quem quiser ver e distorceu a história toda. — Naruto suspira — E, como todos nós estávamos muito alheios à tudo que estava acontecendo na mídia essas últimas horas, não pudemos nos defender.
— Estão achando que somos um bando de animais por conta do vídeo… — Kiba conclui, enterrando os dedos entre os cabelos.
— Sim, e por isso começaram a jogar nossos endereços na internet, em fóruns de ódio, um a um, como se fossemos criminosos procurados. — Karin diz no fundo da ligação.
— As pessoas estão loucas! — Ino sussurra, e engulo em seco, antes de perguntar, tremendo.
— Quantos endereços eles já tem?
— Esses três. O meu, de Sai, e de Naruto. Mas já descobriram que Neji e Tenten moram juntos! — A ruiva exclama, nervosa.
— Eu tenho que ir atrás da Tenten… — Neji começa a andar de um lado para o outro — Está quase na hora de sair da estação de TV.
— E temos que avisar Gaara e Temari! — O Inuzuka levanta, começando à discar um número em seu celular.
— E agora? — digo, sem saber o que fazer.
— Por acaso — A voz grave de Itachi se fez ouvir de novo —, eu estou aqui para salvar a pele de vocês. Eu tenho uma solução provisória, até pensarem no que fazer.
— E qual seria seu grande plano, idiota? — Sasuke pergunta, se levantando.
— Busquem os outros e peguem tudo que consideram importante… — continuou — Mikoto está chamando vocês para virem passar um tempo aqui, na nova casa dela. E, para sorte de vocês, ela continua totalmente desconhecida.
E desligou. Todos se entreolham, visivelmente pressionados. A hora de relembrar os bons tempos tinham acabado.
O tempo nunca pode quebrar seu coração
Mas ele vai tirar a dor
Agora nosso futuro é certo
Eu não vou deixar isso ir embora
