A verdade é que isso sempre vai acabar
Essa sinfonia zumbido na minha cabeça
Hinata
Demorou, no total, duas horas e meia para que todos estivessem parados em uma sala grande, com malas aos seus pés, olhando de um para o outro, sem saber o que dizer.
Assim que Itachi passou o endereço da casa de sua mãe, com quem ele estava morando há um mês, e ofereceu uma carona para quem precisasse, a ligação foi encerrada e o caos se instalou no apartamento que eu dividia com Ino.
Com um beijo, a loira se despediu de Kiba, que foi buscar suas coisas e trazer, junto a Sasuke, todos que estavam na casa de Naruto. Assim que eles saíram, Neji ficou encarregado de ligar para Tenten e Temari, enquanto eu ligava para Gaara, e Ino para Shikamaru, para avisar a situação, e o ruivo concordou em pegar sua irmã e o Nara, enquanto meu primo ia buscar a namorada na estação de TV, e juntos iriam para casa arrumar suas coisas.
Enfim sós, eu e Ino corremos para arrumar nossas malas, colocando roupas, dois notebooks, e os livros de botânica de Ino, que estava imaginando que nunca mais voltaríamos ao prédio e que ela ficaria sem poder estudar caso não levasse todo aquele peso em conhecimento para a casa da senhora Uchiha. Ao fim da escolha de objetos para levar, discamos o número de Itachi, que chegou logo depois, pronto para nos levar para a casa.
Fomos as primeiras a chegar e, por sorte, a mãe de Sasuke ainda não estava em casa, portanto tivemos tempo de ficarmos sentadas esperando, enquanto o Uchiha mais velho fazia ligações e mais ligações, para ajudar os outros a chegarem no lugar correto.
E voilá, todos em círculo, naquela nada modesta sala de uma mansão que devia custar o mesmo valor que meu prédio inteiro, sem dizer uma palavra.
— Ah, vocês estão todos aqui! — A voz doce fez com que todos virássemos a cabeça para ver a bela senhora de cabelos negros que entrava no cômodo.
Mikoto Uchiha era linda, e tinha um sorriso que me fez imaginar que tudo ficaria bem no momento em que ela abriu os braços para seu filho mais novo.
Ela abraçou Sasuke com tanto amor que não pude evitar sorrir. Logo em seguida ela abraçou Naruto e Neji com o mesmo sentimento que deu à sua cria, e repetiu o processo em todos que ela já conhecia, o que deixou a mim e a Yamanaka por último.
— Você deve ser a melhor amiga da prima de Neji. Ele me falou tanto de você! — ela envolveu a loira em um abraço carinhoso, e Ino o recebeu de bom grado.
— Prazer em conhecê-la, senhora Uchiha.
— Me chame de Mikoto, minha querida, fiquei sabendo o que fez por Hinata, e acho linda uma amizade como essa. — A morena acariciou os cabelos louros de minha amiga e logo se virou para mim, segurando meu rosto com as mãos, e sorrindo gentilmente — E você deve ser a jovem Hyuuga que meu querido fala tanto.
Ela se vira para Neji, que lhe assente antes de ela me abraçar também. Seu cheiro era uma mistura de cravos com perfume de flores, e logo suspirei, lembrando de minha mãe e retribuindo o abraço.
— Sinto muito por essa confusão, senhora Mikoto. Tudo começou por minha causa… — Ela me dá leves tapas no ombro, me interrompendo.
— Não há nada que se desculpar. Hiashi e Fugaku estão agindo como duas pessoas cruéis e mesquinhas, e são os únicos culpados disso.
— Você conhece meu tio? — O Hyuuga arregalou os olhos ante à confirmação dada pelo aceno de cabeça da Uchiha.
— Ele costuma pegar algumas causas em nome dos bancos de Fugaku. — Itachi esclareceu, aparecendo finalmente no batente da porta, com os braços cruzados, e indo até sua mãe, lhe dando um abraço caloroso.
— Agora se sentem todos, vamos conversar. — A ordem da matriarca foi obedecida no mesmo instante, e todos se espalharam pelos sofás, cadeiras e poltronas na sala.
— Tia Mikoto — Naruto chamou, com um sorriso de orelha à orelha —, eu agradeço sua intenção, mas não precisa abrigar todos nós aqui. Somos muitos e não acho que haja espaço suficiente para tantos problemas debaixo do seu teto.
— Você está brincando? — O irmão de Sasuke perguntou descrente, enquanto a mãe deles ria da afirmação do loiro.
— O que foi?
— Minha mãe sempre sonhou em uma família ao estilo italiana, bem grande — O Uchiha mais novo respondeu, dando de ombros enquanto parecia se divertir com aquilo —, tenho certeza que essa casa aguenta vocês e muito mais gente, caso precise.
— Oito quartos. — Shikamaru se pronunciou pela primeira vez desde que chegara, atraindo a atenção de todos — O que foi? Deu pra contar pela arquitetura da casa.
— Arquitetos… — Karin torceu o nariz.
— Você nem acabou a faculdade de Engenharia e já está problemática como um engenheiro. — O Nara respondeu, cruzando os braços.
— E dois ateliês também, que posso facilmente desocupar para vocês os ocuparem, se preciso. — A senhora Mikoto riu, atraindo novamente a atenção de todos — Primeiramente, eu sei que deve estar sendo difícil pra vocês essa situação toda. Mas eu garanto que essa casa não será colocada na internet, já que fica escondida nos limites da cidade, e já que Itachi sempre dá um jeito de manter os jornalistas longe. Vocês podem ficar o tempo que precisarem, que eu sempre acolherei as pessoas que fazem bem aos meus filhos.
— Senhora Mikoto, desculpe interromper, mas… — Temari olhou em volta e deu de ombros — Não temos como manter nossas casas e apartamentos e ajudá-la nas despesas.
— Oh, não, querida, vocês não vão manter suas casas e apartamentos. — Ela respondeu simplesmente.
— O que? — Sakura arregalou os olhos e a matriarca Uchiha voltou a rir.
— Com exceção do sobrado onde Naruto mora, que foi comprado pela querida Kushina, todos os contratos de aluguel de vocês estão sendo cancelados nesse momento, certo, querido? — Ela pousou os olhos em Itachi, que olhou à tela do celular e assentiu.
— Mas nossas coisas estão lá! — Sai segurou os cabelos, ficando ainda mais branco — Meus computadores!
— Não se preocupem. Vocês irão, neste fim de semana, cuidar de trazerem tudo que puderem para cá, incluindo móveis, visto que a maioria dos quartos não tem nem sequer uma cama, e vocês irão mobília-las com suas coisas.
Todos se calaram, o riso nascendo em seus rostos. Era a oportunidade perfeita de transformar aquela palhaçada em algo interessante.
— Então não se preocupem em pagar estadia, já que essa casa foi comprada por mim. E as despesas básicas, podemos todos dividir.
— Tia Mikoto, você sempre foi à melhor! — O loiro Uzumaki a levantou do chão e a girou, enquanto ela ria.
— Agora parem de bobagens e vão se dividir nos quartos e ligar para seus pais, para avisar o que está acontecendo.
Tomou um mercado de lixo
E vendeu como o verão
Depois que os oito quartos da casa estavam preenchidos, e eu insistir com Ino até que ela parasse de se desculpar por dividir o quarto com Kiba e não comigo, entrei no ateliê que pertencia a Sasuke quando esse era mais novo, o qual seria meu novo quarto a partir daquele dia, e fiquei encantada com as peças que ali estavam, as fotografias penduradas, os quadros pela metade, os escritos na parede, explicando como ele via o mundo quando fotografava, e como essa visão era diferente da visão que ele tinha quando pintava.
Me permiti sorrir e me aproximar de um dos quadros, o tocando com as pontas dos dedos. Era o início de uma paisagem, mas qual paisagem? E por que ele parou?
— Se tudo isso estiver atrapalhando o espaço eu posso tirar e levar para o outro ateliê quando você trazer suas coisas. — A voz grossa atrás de mim fez com que meu rosto esquentasse e eu me afastasse instintivamente do quadro, me virando para ver Sasuke carregando um futon para que eu dormisse naquela noite.
— Não, sem problemas. Eu não tenho muitos móveis para trazer e — suspirei antes de continuar —, tudo isso é muito lindo e sensível. Eu nunca pensei que você se interessaria tanto por pintura.
— E eu nunca pensei que uma prima de Neji pudesse se interessar por um palco e uma tela de cinema. — Ele ri levemente, enquanto arruma o futon e começa a colocar suas coisas mais arrumadas em uma das paredes do cômodo.
— Justo. Acho que somos meio contraditórios… — O Uchiha se virou para mim e se aproximou, parando a minha frente, olhando por cima de meu ombro, na direção do quadro.
— Acho que está na hora de voltar a pintar.
— Eu acho uma ótima ideia. — Seus olhos negros se movem do quadro até os meus, e apesar de ser mais alto do que eu, a proximidade com que estávamos me dava a visão perfeita do brilho em suas orbes escuras enquanto ele dava um sorriso de canto.
— No meio de toda essa confusão, parece que algumas coisas ainda conseguem me inspirar.
Não respondi, e apenas me afastei, levando a mão até o bolso da calça, onde o celular se encontrava. Eu precisava ligar para Hanabi.
Me virei para Sasuke, que apenas assentiu com a cabeça, se virando para sair do ateliê.
— Ah, mamãe pediu para avisar que, como aqui não tem banheiro, como os quartos, você pode se sentir livre para usar o quarto dela e de Itachi para tomar banho e, sabe, tudo que precisar. — Agradeci com um aceno de cabeça e ele passou pela porta, mas não sem antes terminar de falar — Você chegou há mais de uma semana, mas o impacto que ficou parece que está aqui a uma eternidade.
Não consegui perguntar se aquilo era um elogio, pois ele já havia ido, e suspirei, discando o número de Hanabi, pronta para contar tudo.
A conversa não foi longa, visto que Neji já havia ligado mais cedo e dito tudo que precisava. As lágrimas vieram aos meus olhos quando ela quis saber se eu estava bem, após contar sobre o rapaz que me seguiu, e me sentei no futon abraçando as pernas, enquanto garantia a ela que estava tudo bem e que ela estava protegida na Europa, e eu não deixaria nada acontecer a ela. Me despedi e desliguei o telefone, finalmente deixando as lágrimas caírem enquanto fechava os olhos.
Eu sempre fui uma pessoa boa, uma filha boa, uma irmã boa, uma prima boa, uma amiga boa. E, para Hiashi, eu ainda fui mais, eu fui uma serva boa. E, mesmo depois de tudo, eu ainda não conseguia me livrar dele.
Por que parecia que o sangue sempre me levaria a ele?
— Família pode ser complicada, Hinata. — Abri os olhos com o susto, e limpei as lágrimas enquanto Itachi descruzava os braços e entrava no cômodo, colocando minha mala ao lado do futon e se sentando no mesmo — Mas você tem que saber que, mesmo que o sangue seja mais denso que a água, nada se compara ao laço que você tem com a família que você escolheu para si.
— Obrigada Itachi. — Respirei fundo e sequei o rosto com a blusa, enquanto ele ria.
— Você não se lembra mesmo de mim? — Franzi o cenho, abrindo a boca para falar, mas sem saber exatamente o que, então apenas balancei a cabeça, negando — Seu pai ouviu que um de seus clientes tinha um filho da sua idade e ele lhe obrigou a ir ao aeroporto recepcioná-lo, mas Sasuke havia ficado em casa e eu fui ao Japão com meu pai no lugar dele.
Arregalei os olhos e levei a mão à boca, finalmente me lembrando. Foi um mês antes de Neji chegar. Meu pai fez com que eu me arrumasse e recebesse um garoto qualquer, que ficaria hospedado em nossa casa com o pai por algumas semanas. Filho de banqueiro, que era mais velho do que ele pensava.
— Desculpe esquecer… — Ele riu e negou com a cabeça.
— Eu entendo, já faz mais de dez anos. Eu tinha dezessete anos e você tinha…?
— Onze.
— Isso, e você tinha muita coisa na cabeça, lembro que você cuidava da sua irmãzinha como se fosse sua filha. Quantos anos Hanabi tinha? Três?
— Quatro, quase cinco. — Sorrio, me lembrando de minha irmã correndo pela casa com suas mãozinhas e pezinhos gordinhos, enquanto Itachi corria atrás dela.
— Isso. E logo depois o acidente de seus tios… Não me espanta que esqueceu de mim.
Revirei os olhos e o chutei com um pé livre, como se tivesse onze anos novamente.
— Eu não esqueci de você, na verdade. Eu apenas não percebi que aquele garoto de cabelo solto nos ombros era você. Porque, pelo visto não continua um babaca desbocado. — Vejo-o arquear a sobrancelha, divertido, e ele se deita no futon, me empurrando com os pés.
— E você abriu mão do puritanismo, olha como evoluímos.
— Babaca.
— Idiota.
— Senti falta daquele garoto. Me desculpe por não lembrar. E obrigada por lembrar por mim. — Volto a abraçar as pernas enquanto o moreno dá de ombros, passando a mão esquerda pelos cabelos que caiam em seus olhos.
— Você foi minha melhor amiga naquela época, mesmo sendo bem mais nova.
— Quer dizer que fui sua melhor amiga no Japão.
— Quero dizer que eu não tinha muitos amigos no geral, e você me escutou falar sobre meu irmão mais novo, sobre minha casa, sobre meus sonhos e, muitos deles, inclusive com você inclusa. Pra mim isso se classifica como melhor amiga.
— Deus, aquele foi um ótimo mês. Quando Neji chegou, logo que vocês foram embora, me lembro de pensar que vocês se adorariam.
— Acabou que foi Sasuke quem se apaixonou pelo Hyuuga. — Ri baixo e ele me acompanhou, me puxando pelo braço para deitar ao seu lado.
Aninho minha nuca em seu braço e ficamos calados por um instante, olhando para as pinturas no teto.
— Estou feliz que veio para os Estados Unidos.
— Estou feliz de reencontrar você.
— Eu ainda lembro de todos os planos que tínhamos.
Fecho os olhos e sorrio, me recordando de um jovem Itachi, carregando Hanabi em seus ombros, me dizendo que queria viajar o mundo todo assim que ganhasse o prêmio de matemática. achar uma bela moça pra se apaixonar e dedicar a ela uma de suas medalhas.
— Achei que, aos vinte e sete anos, você já estaria casado e conheceria o mundo todo. Era isso que queria, certo? — Ele riu e se virou para mim, e imitei o ato, o olhando nas olhos.
— Acho que descobri que não sou bom com essas coisas de casamento. Mas os planos de viajar o mundo continuam. — Bocejei distraidamente, assentindo, enquanto meus olhos pesavam.
— Eu adoraria ouvir sobre esses planos…
E não me lembro de ouvir mais nada, pois adormeci em seguida, vestida na roupa de trabalho, com a cabeça apoiada no braço de Itachi, que me olhava.
A verdade é que todas as boas garotas atuam bem
Até que uma delas não esperar sua vez
Acordei com batidas na porta, sem saber bem onde estava, até que me sentei na cama e me lembrei gradativamente de todas as merdas que levaram ao momento em que todos estávamos abrigados na casa da mãe do Sasuke, o que me proporcionou uma experiência estranha com ambos os irmãos Uchiha na noite anterior.
Assim que abri a porta, Ino entrou como um furacão, se jogando no futon enquanto eu fechava a porta.
— Tenho tanta coisa pra dizer. — Ela clamou, me olhando dos pés à cabeça — Mas primeiro: Por que você dormiu nas roupas de ontem? Vá se trocar que vamos tomar café e começar as mudanças. E o que Itachi estava fazendo aqui com a porta fechada?
Senti meu rosto esquentar e me dirijo até minha mala, tirando meu notebook e começando a procurar uma roupa para usar. No processo, expliquei a ela tudo que aconteceu na noite anterior, depois que ela foi para o quarto com Kiba.
— Uau, isso parece uma oportunidade de testar qual dos Uchihas tem a melhor pegada na cama. — Joguei uma calcinha na loira, que apenas riu e continuou — Eu não vou me meter, juro. Mas seria bom se me contasse todos os detalhes quando transar com um deles.
Um sutiã na cara depois, ela parou de rir e se sentou na cama, séria, pigarreando antes de falar.
— Não era apenas isso que eu queria lhe dizer. — Parei de procurar uma roupa decente para vê-la estalar os dedos nervosamente, sem saber como começar — Eu não sei o que está acontecendo com Kiba, mas você acha que está indo rápido demais?
Arqueei a sobrancelha e me sentei ao lado dela, segurando suas mãos.
— Você está louca? Você estava interessada nele desde quando morávamos no Japão, antes de Neji vir com ele para cá. Agora vocês têm a oportunidade de ficar juntos.
— Sim, Hinata, mas fazem anos que não nos vemos! E, mesmo de volta ao Japão, naquela época eu sequer trocava mais de duas palavras com ele.
— Ei, que insegurança é essa na cabeça da minha melhor amiga? Você é incrível, ele parece um rapaz maravilhoso, e vocês claramente se adoram. Acho que estão indo bem. E, se ele te irritar, bote ele pra vir dormir no ateliê que eu vou para o quarto com você.
A Yamanaka riu gentilmente e me abraçou forte.
— Siscode. — Concordei com a cabeça, enquanto ela continuava a falar — Bom, ontem a noite, quando fui pegar água e vi Itachi saindo de seu quarto sorrateiramente enquanto você estava dormindo, outra coisa que vi me deixou curiosa.
— O que?
— Sabia que Temari está dividindo o quarto com Shikamaru?
— E o que que têm? Você está dividindo o quarto com Kiba, e Neji divide com Tenten.
— Sim, mas são todos casais assumidos. E eles dois não.
— Você sabe que qualquer outra dupla poderia ser gay e estar se pegando né? Sai mesmo nunca escondeu do que gostava. — Ela riu e jogou o cabelo por cima do ombro.
— Sai e Shino não estão se pegando, ainda. Têm muita tensão sexual ali pra eles estarem juntos… — ela assentiu, como se estivesse estudando uma tese — e meu gaydar apitaria se houvessem mais casais gays debaixo desse teto se pegando.
— Você não têm um gaydar.
— Como mulher bissexual, ainda mais depois de namorar Anko por tanto tempo, eu posso sim dizer que tenho um fodendo gaydar. — Comecei a rir e ela me ignorou — Eu juro que vi eles se beijando pela fresta da porta.
— Eles são melhores amigos a muito tempo, pode ser que tenham se apaixonado.
— Isso seria uma bomba! — Ela se levantou e foi até a porta, dando pulinhos de alegria — Agora tome um banho e desça para o café.
Assim que ela saiu do quarto, peguei uma toalha e minha roupa e atravessei a porta, tentando me lembrar qual era o quarto de Mikoto, que já estava no andar inferior, pois era possível ouvir sua voz animada.
Depois de pensar um tempo, vou até o segundo quarto na direita e abro a porta, entrando lentamente e fechando a porta, apenas para virar e me deparar com Sasuke sentado na cama, apenas com uma calça de moletom, e Itachi saindo do banheiro enquanto secava os cabelos, com apenas uma toalha enrolada na cintura. Itachi era mais cheio de músculos, como se fosse à academia regularmente, seu corpo era mais bronzeado e ele possuía a pele lisa, sem marcas, já Sasuke tinha o corpo mais magro e a pele mais clara, que continham pequenas cicatrizes pela extensão dos braços e do tronco. Eu apostava que deviam ter em suas costas também, mas desviei o olhar, pois seria mal-educado ficar encarando. E Sasuke não devia estar no quarto do Naruto?
Nenhum dos dois falou nada, e apenas ficaram me encarando, com aqueles sorrisos cínicos que obviamente me acusavam de querer vê-los nus.
— Desculpem, eu… — engasguei nas palavras e engoli em seco, olhando para a parede pintada de azul marinho, evitando os olhares — Achei que era o quarto dá Mikoto, sabe, tomar banho.
— Ah, fique à vontade, Hinata. — Itachi acenou com a cabeça na direção do banheiro, divertido — O banheiro é todo seu.
Corri para o banheiro, depois de agradecer, ainda vendo seus rostos cheios de cinismo me acompanharem até que eu fechasse a porta.
Me escorei na porta e suspirei antes de tirar a roupa e ir para o box tomar uma ducha. Meus deuses, esses dois eram quentes.
Vire à memória de pedra e esculpa seu ombro
Hey, holy roller
O café foi corrido e divertido, e todos conversavam e discutiam sobre os mais diversos assuntos. O fim de semana passou em um pulo, enquanto íamos e voltávamos de nossas casas, com carros, vans, e caminhões de mudança, para trazer desde móveis até o restante de roupas. A discrição da empresa de mudanças era crucial para que tudo fosse levado sem que o endereço de Mikoto fosse descoberto, e, felizmente tudo deu certo.
Quando o domingo acabou, todos estavam esparramados na sala, que agora era preenchida por mais dois sofás e estava sem poltronas, já que essas estavam agora todas nos quartos, por falta de espaço. Enquanto comíamos pizza, combinamos de fazer turnos para que ninguém fosse para casa sozinho e sempre tivesse alguém de carro para acompanhar. Foi difícil encaixar todos os horários, mas não podíamos dar oportunidade de sermos abordados na rua antes de pensar no que fazer.
Sai ficará encarregado de usar seus contatos para tentar tirar o vídeo de circulação e conter a onda de ódio, avisando a todos que em breve teriam notícias dos atingidos pelas declarações de Hiashi Hyuuga e Fugaku Uchiha. Todos os meios de comunicação estavam esperando por um erro, ou uma declaração que confirmasse ou desmentisse o que sabiam até o momento.
As duas semanas seguintes se passaram sem grandes problemas, Itachi era o encarregado de me buscar no trabalho todo dia e se preocupou em ir e vir todas as vezes que precisei resgatar algo em casa e verificar se tinha mais alguma coisa para buscar. Era divertido conversar com ele no caminho, rir com ele quando parávamos em algum lugar no qual ele não conseguia estacionar, olhar para ele enquanto carregava alguma coisa, e simplesmente quando pensava, como naquele momento.
— Itachi, isso não vai caber no carro assim, está tudo bem desmontar. — Ri baixo enquanto ele, cuidadosamente, tentava tirar o quadro de fotos que eu havia montado há menos de duas semanas.
— Seria uma falha minha desmontar isso. — sussurrou em resposta, analisando as fotos e a grande moldura com tanto cuidado que seu nariz fazia um pequeno vinco na base.
Adorável.
— Você está muito feliz nessa foto… — Apontou para a imagem da minha formatura em Artes Cênicas.
— Foi um dos dias mais felizes da minha vida. — Sorri levemente, cruzando os braços enquanto lembrava — Quando eu ainda achava que podia me livrar de Hiashi.
— Sai disse que a coletiva ajudaria — Seus olhos se viraram para mim e ele se aproximou, a cabeça inclinada para a esquerda levemente, com um sorriso de canto triste, uma tentativa de conforto —, que, se você desse o primeiro golpe nessa batalha, podia ser decisivo para que conseguisse vencer seu pai.
— Não estou totalmente certa disso. — Fechei os olhos, indo lentamente na direção da janela, de onde vinha o sol do fim de tarde.
— Sabe o que você devia fazer? — Esperei uma resposta, abrindo os olhos assim que senti suas mãos em meu rosto, levando-o para que meus olhos encontrasse os seus — Eu acredito que você devia falar com a Ino para ela voltar a conseguir contratos para você.
— Eu na-
— Você está pronta sim, Hinata. Aceite fazer a coletiva de imprensa, de a eles a história que querem, e eu sei que irão adorar você, assim como todos adoram.
Sorri levemente e o abracei, me aconchegando em seus braços. Era quente e confortável, calmo e tão pacífico que me doía por dentro.
— Obrigada Itachi.
— Eu só digo a verdade, sempre. — Levantei a cabeça em sua direção e fui surpreendida por seus lábios nos meus, em um beijo tímido e lento, que me aqueceu desde o coração até a pele.
Minhas pálpebras fechadas exibiram uma sinfonia de cores e galáxias, enquanto seus lábios doces e macios se encontraram nos meus e sua língua brincou no céu da minha boca.
E o barulho da porta abrindo fez com que eu me afastasse do moreno à minha frente, corada, apenas para ver Ino falsamente chocada, ao lado de Sasuke, que se mantinha com o maxilar tenso e a expressão fechada, e Naruto, surpreso.
— Nós viemos ver se ainda tinha muito o que levar para casa — O loiro começou —, Sas- Ino estava preocupada com sua demora e achamos que Itachi tinha ficado até mais tarde no trabalho…
— Parece que faltam algumas coisas para pegar, não e mesmo? — A Yamanaka pigarreou, tentando cortar à tensão.
— Eu estava conversando com Itachi a respeito da coletiva.
— Você se decidiu? — Os olhos azuis de minha melhor amiga brilharam assim que Naruto perguntou.
— Eu vou fazer como Sai disse.
— Que incrível, Hina. O Sasuke aqui também decidiu fazer à coletiva dele e vocês poderiam combinar histórias, cert-
— Que bom que se decidiu, mas eu já montei uma história com Karin e Shino. — O Uchiha mais novo respondeu, já saindo do quarto com a última caixa embaixo dos braços.
Se você quer começar uma briga
É melhor dar o primeiro soco
Faça dele um bom
Sasuke
Assim que desci as escadas com a caixa nos braços, me permiti, por um momento, respirar fundo e me perguntar o que estava se passando na minha cabeça. Chegar e encontrar Hinata beijando meu irmão não era algo que eu podia imaginar, mas o que eu tinha a ver com isso? Não é como se, em três semanas e meia, algo tivesse acontecido para que eu desgostasse da ideia de ter a Hyuuga como minha cunhada. Com exceção daquele incidente.
Entrei no carro calado e cheguei em casa mudo. Nem Naruto e nem Ino disseram nada no caminho, pelo retrovisor, eu conseguia ver que no carro do meu irmão a situação não era muito diferente. Minha cabeça era uma confusão de pensamentos aleatórios que me distraiam e eu precisava de uma boa noite de sono.
Assim que entrei em meu quarto, me joguei em minha cama, pedindo silenciosamente que Naruto não viesse atrás, pra me dizer seja lá o que fosse e, assim que escutei batidas na porta minutos depois, me levantei pronto para aniquilar aquele loiro idiota que não sabia entender quando eu queria ficar sozinho, mas me surpreendi quando, ao invés do Uzumaki, encontrei um Hyuuga que, sem qualquer pedido, entrou no quarto e se jogou na poltrona, me olhando acusatório.
— Naruto me deu uma descrição bastante detalhada, embora rápida, do que aconteceu agora a pouco. — suspirei e fechei a porta, me jogando na cama em seguida.
— Manda logo essa lição de moral e saí do quarto depois.
— Está com ciúmes da minha prima. — Soltei um riso anasalado, com o rosto enterrado em um travesseiro, querendo simplesmente dormir.
— Não Neji, não estou.
— Não foi uma pergunta. — Me virei para o moreno à minha frente, arqueando a sobrancelha, e querendo que ele entendesse que aquilo era ridículo.
— Você ainda está falando sobre aquele incidente? — perguntei, me sentando na cama enquanto um sorriso de canto surgia em sua face.
Cinco noites antes, enquanto Hinata e eu conversávamos no telhado da mansão, ela adormeceu em meus braços e, tomado pela suavidade de sua pele à luz do luar, aproximei meus lábios dos dela. Foi apenas um segundo, mas o suficiente para que Neji fosse procurar pela prima, para conversar, e visse o ocorrido, antes que eu me recompusesse, entregasse a prima e ele, e o fizesse jurar que nunca contaria aquilo a ninguém.
— Não falo do incidente em si, mas sim do que levou a ele. Vocês iam todas as noites conversar no telhado até que ela tivesse cansada demais para falar qualquer coisa.
— E daí?
— Isso mudou depois do incidente?
— Não, ela não sabe do beijo, não teria porque mudar. — Ele riu e se levantou, sem dizer mais nada, saindo pela porta e me deixando sozinho. Novamente. Como eu queria antes dele entrar. E infelizmente agora não queria mais.
— Sasuke? — A voz de Sakura me despertou e, sem dizer nada, acenei com a cabeça para que ela entrasse — Naruto está preocupado que esteja acontecendo alguma coisa com você, e me pediu para vir verificar.
— E por que ele não veio conferir em pessoa se tinha algo errado comigo?
— Ahn… Bom, Naruto não acha que é um bom momento para falar com você. — A olhei, confuso, e ela corou — Ele sente que você prefere conversar com Neji sobre a sua vida.
— Quem disse isso?
— Ele pensa que, como vocês vivem brigando, ele atrapalha quando o momento sério chega, e você sempre vai falar com Neji.
Suspirei, fechando os olhos, e me levantei, passando as mãos pelos cabelos, pensando.
— Obrigado, Sakura. — Saí do quarto e fui até a sala, encontrando o loiro sentado, ligando o video-game — Naruto, nós vamos sair.
O Uzumaki abriu a boca para falar, mas se levantou e me seguiu, entrando no banco do carona e esperando enquanto eu dava partida no carro.
— O que precisa, Sasuke? — perguntou, ainda confuso.
— Não recebi um centavo do que tenho direito desde que meu pai deu a declaração, semanas atrás. — O loiro ficou calado, enquanto eu falava — E estou com medo de ir cobrar e ele me mostrar alguma cláusula no contrato que eu não havia visto, e que dá a ele esse poder. E pior, que ele queira começar outro escândalo, que envolva minha mãe, meu irmão, e que me faça ficar daquele jeito de novo, precisando me internar.
— Sasuke, v-
— Eu não contei pra minha mãe ainda, mas ela vai saber em breve. E, tem mais, desde que vocês passaram a morar em casa, todas as noites Hinata vai comigo ao telhado, para conversar. — suspirei e bati com a mão no volante, antes de continuar — No começo era porque nos sentíamos culpados de colocarem vocês nisso, mas depois era apenas para conversar. Eu me abria com ela e ela comigo e, uma noite, ela dormiu e eu… eu a beijei levemente nos lábios, e Neji viu.
— Puta que pariu, Itachi e Hinata…
— Eu não contei a ela, e nem Neji, então ela não sabe que a beijei, e está com todo o direito de sair com quem quiser. Eu não estou com ciúmes deles mas… ela nunca me falou sequer sobre um remoto interesse nele. Eu sei que eles merecem, ele sempre me apoiando e ela passando por tudo isso.
— Sasuke, você está pensando só neles e se esquecendo de você.
— Eu voltei a fotografar e a pintar. — Ele me encarou, o brilho nos olhos voltando — E eu vou fazer uma exposição em breve mas… minha inspiração estava com ela.
— Sua inspiração está com você, e mais ninguém, bro. Você é talentoso pra um caralho, e vai se erguer, mesmo que tenha que brigar com o idiota do seu pai. — Soltei um riso baixo e ele completou, confuso — E por que resolveu falar tudo isso? Eu nunca ouvir mais de três frases suas de uma vez só.
— Você também meu melhor amigo, tanto quanto Neji. E alguém me disse que mulheres aproveitam melhor as amizades, então estou treinando um brocode.
— Você está aderindo ideias de Ino Yamanaka? — Ele riu alto e me deu um tapa no ombro — O mundo está perdido mesmo.
— Babaca.
— Idiota.
E eu me permiti rir com Naruto, antes de voltar pra casa.
E se você quer fazer isso durante a noite
É melhor dizer o meu nome como
O bom, o mau, e o sujo
Depois do que aconteceu sexta com Itachi, Hinata não apareceu mais no telhado para conversar, mesmo que noite após noite eu a esperasse para falar sobre qualquer assunto. Como Naruto não conseguia manter a boca fechada, logo Karin apareceu, em uma noite no fim de semana.
— O que você quer, redhead? — sussurrei, sem sequer virar o rosto quando ela se sentou ao meu lado e cruzou as pernas.
— Presumo que já sabe porque estou aqui.
— Para me dar um sermão, como Neji.
— Sasuke, eu conheço você. — riu em resposta, balançando os cabelos ruivos enquanto olhava o céu estrelado — Nós tivemos nossa história, e eu, mais do que ninguém, sei o que está sentindo.
— Não, não sabe. Não estou interessado na Hinata, e acabamos aqui.
— Você vem todas as noites esperar por ela desde sexta, mesmo sabendo que ela está no quarto de Itachi. — A Uzumaki sorriu de canto, ajeitando os óculos — Você pode não estar apaixonado por ela ainda, ou não enxergar isso, mas sente falta de conversar com ela, porque ela também se tornou sua amiga, e não só seu interesse romântico
— Já chega.
— Quando eu cheguei do Japão, encantada em conhecer alguém como você, que me instigasse a querer descobrir todos seus segredos, eu me vi em um dilema. Deixar que meu sentimento cego me guie, ou ver o que estava à minha frente, que você era inalcançável.
— Eu nunca fui inalcançável, Karin.
— E eu entendi isso quando o conheci de verdade, quando descobri seus segredos e me tornei sua amiga. — Ela me encarou e sorriu — Depois daquela noite, eu passei a te ver com outro olhos.
Me lembrei vagamente do baile no qual levei Karin para o quarto, depois de vê-la se embebedar no bar. Ela chorou quando a segurei pelos braços e a questionei sobre o porquê de estar fazendo aquilo, tirou a maquiagem e o vestido, e se mostrou vulnerável, como nunca havia sido.
Me lembrei de segurar seu rosto e prometer a ela uma noite da forma que ela merecia, pois eu não podia dar mais do que isso. Eu fiz isso porque a amava, mas infelizmente sabia que nunca o sentiria da forma como ela sentia por mim. Felizmente seu amor se transformara em carinho, e depois daquela noite, quando me despedi com um beijo em sua testa, ela passou a me enxergar com outros olhos.
— Eu-
— Eu sei, Sasuke. Eu sei. Você também é importante pra mim.
Me deixei dar um sorriso de canto e ficar em um silêncio confortável com Karin, antes de escutar um burburinho na frente da mansão, me fazendo levantar e correr para a sala, com a ruiva em meu encalço.
— Então vocês estão todos entocados aqui debaixo da asa de Mikoto? — O riso de Fugaku preencheu a paz que reinava na sala enquanto, naquela noite de terça-feira, todos estavam espalhados pelo cômodo, fazendo seus respectivos trabalhos, ou lendo.
Itachi foi o primeiro a se levantar, assim que entrei no cômodo já pronto para partir pra cima do mais velho.
— Pai, seja lá o que veio fazer aqui, eu acho melhor ir embora. — disse meu irmão mais velho, abaixando seu livro até que o deixasse no sofá, e se impondo entre nós dois.
— Você largou a sua casa assim que esse idiota começou essa confusão.
— Itachi, você não disse que o plano sempre foi morar com sua mãe? — Hinata perguntou, estreitando os olhos, e atraindo a atenção de Fugaku.
— Ah, a prostituta deserdada de Hiashi.
Assim que ele terminou de falar, minha mãe colocou a Hyuuga atrás de si, a protegendo, enquanto eu e Itachi avançávamos para cima dele, juntamente com Neji.
— Ora, ora… Ela já está quebrando essa família ao meio. — Hiashi riu, olhando de mim para meu irmão e, enfim, para Hinata — Você deve ser muito boa no que faz.
— Fugaku, você n-
— Já chega! — Hinata me interrompeu, andando até ficar na frente de meu pai, erguendo a cabeça, decidida — Eu não vou me deixar ameaçar por tão pouco. Eu não saí das garras de Hiashi para aturar homem nenhum me dizer o que eu sou e deixo de ser.
— Olha só, ela fala- — O tapa que a Hyuuga deu no rosto pálido de Fugaku o interrompeu e ecoou pelo cômodo. Todos se levantaram lentamente, prontos para saírem em defesa da morena caso o mais velho revidasse mas, assim que ele se virou para ela, o rosto vermelho pelo tapa e pela raiva, ele deu um sorriso vacilante, mas trêmulo pelo choque — Espero que esteja certa do que está fazendo.
— E eu espero que você saiba com quem está se metendo.
— Sou eu quem devia estar falando isso.
— Se você se aproximar de mim novamente, se ofender a mulher que me abrigou, e tentar plantar discórdia entre seus filhos só porque você é um velho desocupado e infeliz, eu juro por todos os deuses que você vai perceber que eu deveria sim estar falando o que eu quiser. Você vai sair daqui agora, e não vai dizer pra ninguém onde fica essa casa, ou terá um escândalo pronto na sua mesa, ao amanhecer.
— Você não ousaria-
— Então me teste.
Fugaku se afastou um passo, depois dois, e se virou para mim, o maxilar trincado e os dentes cerrados quando falou:
— Espero que esteja preparado para um longo caminho, pois se depender de mim, você não vai ver um centavo da minha empresa!
— Pois saiba que, com ou sem sua permissão, eu vou pegar tudo que me pertence. Espero que goste de tribunais, pois vamos nos encontrar em um, muito em breve.
E enfim ele partiu. No mesmo momento, Hinata se segurou no sofá mais próximo, tremendo.
— Você foi incrível, Hinata. — Naruto riu e a abraçou, limpando as lágrimas que caíram de seus olhos claros — Uma atriz incrível, devo dizer.
— Eu nunca pensei que sentiria tanto medo de alguém que não fosse meu pai. — Ela riu sem graça e soluçou, tentando parar as lágrimas que insistiam em cair depois que a adrenalina deixou seu corpo.
Itachi se aproximou e a segurou pelos ombros, a confortando enquanto ela deitava a cabeça em seu peito, e engoli em seco, desviando o olhar e sendo capturado por minha mãe, que estreitou os olhos, confusa. Assim que ela se aproximou para dizer algo, Sai chamou a atenção de todos com um pigarreio, antes de se sentar no braço do sofá.
— Sasuke, Hinata, sabem o que isso significa, não sabem? — suspiro, me virando para ir na direção de meu quarto enquanto respondia.
— Marque a coletiva de imprensa para sexta, Sai. E nos treine bem o bastante para fazê-los comprar qualquer história que dissermos.
— Isso que eu queria ouvir. — O moreno riu e sacou o celular do bolso — Um furo e tanto para minha redação.
E entrei em meu quarto.
Eu sei o que é como ter que trocar
Os que você ama para os mais que você odeia
Não acho que um dia eu tenha usado minha educação
— Você está dizendo que não tem como ter acesso ao dinheiro? — Itachi suspirou, tirando os óculos e apertando a ponte do nariz, enquanto minha mãe relia os papeis e eu andava de um lado para o outro.
— Tem alguma cláusula secreta ou o que? — perguntei, e o advogado negou, se recostando na cadeira.
— Não há nada disso, seu pai simplesmente cancelou qualquer conta sua ligada ao trabalho, e se recusa a pagar. — Agradeci mentalmente por ter tirado todo o dinheiro da conta empresarial assim que fui demitido e ele continuou — Parece que ele quer realmente ser levado ao tribunal por direitos trabalhistas, já que ele está ciente de que nove anos trabalhando com ele vão lhe render uma quantia muito boa de dinheiro, devido ao seu cargo.
— Então é isso? Ele só está sendo um filho da puta comigo porque gosta de brincar de ter poder? — Ri, descrente, e me joguei a poltrona.
— E não temos como tentar transferir o dinheiro sem envolver um escândalo nisso? — Meu irmão perguntou, cansado demais para sequer se preocupar em parecer crente do que estava falando.
— Não. O dinheiro está todo em um fundo pessoal de Fugaku Uchiha e outros acionistas.
Me levantei e, em um rompante de raiva, chutei a cadeira mais próxima, assustando minha mãe, que se levantou e veio até mim, segurando meu rosto:
— Meu Sasuke, nós vamos conseguir, você não pode se estressar e sabe disso… O médico disse que-
— Mãe, perdão, mas eu preciso ficar sozinho agora.
Deixei a sala no mesmo instante, descendo as escadas ao invés de pegar o elevador para sair. Assim que me vi do lado de fora, entrei no carro e dei partida, arrancando e costurando pelas ruas de LA.
Bati no volante com força enquanto dirigia, minha cabeça com um único pensamento: ir para longe dali e me esconder em um lugar onde eu não conhecesse ninguém ou ninguém soubesse meu sobrenome. Eu tinha raras oportunidades de ir à lugares assim algumas vezes no ano, mas não agora, eu não tinha esse privilégio.
Porque eu era a porra de um brinquedo na mão de um pai que cansou de brincar, e agora está tentando me jogar fora.
E eu sempre odiei aqueles bancos miseráveis, sempre odiei aqueles ternos e gravatas apertados demais, sempre odiei mentir para fechar acordos e fazer favores para porcos para ganhar aliados.
Senti uma pontada no peito e comecei a ficar sem ar, com a visão turva, e segurei o volante com força, tentando achar um lugar para estacionar.
Freei bruscamente, no acostamento de uma rua qualquer, e deixei os faróis piscando, para conseguir ajuda, mas essa não vinha. Segurei o celular com as mãos trêmulas e disquei vários números rapidamente, tentando ser atendido por quem quer que fosse, sem muito sucesso.
— Sasuke? — A voz de Ino Yamanaka me encheu de alívio, e bati na buzina, tentando fazer com que ela percebesse que eu não estava conseguindo falar.
— Falta de ar… Hospital… — tentei dizer, respirando com dificuldade.
— Ai meu Deus, Sasuke onde você está?
— GPS…
— Certo, mande a sua localização que eu vou mandar uma ambulância agora.
Finalizo a ligação, enviando uma mensagem com minha localização com os dedos molhados de suor.
Há apenas duas maneiras dessas coisas irem
Bom ou mau e como eu saberia
Tudo que eu podia pensar era que eu ia morrer ali. Síndrome de Burnout? Ataque do coração? Eu nem sequer saberia o que me matou, e isso era o pior.
Estava frio mas o carro estava quente, eu suava mas não queria tirar a jaqueta, pois sabia que sentiria frio. Eu estava ficando mais e mais tonto, e sabia que era a falta de oxigenação chegando ao cérebro, e seria meu fim.
Mas, assim que fechei os olhos, um barulho me obrigou a abri-los novamente, para ver à porta do meu carro sendo arrombado por um paramédico enquanto, ao longe, eu podia ouvir uma voz preocupada pedindo para que me salvassem a qualquer custo. Eu fui tirado de dentro do veículo e carregado, tudo a minha volta era uma confusão, eu não sabia o que estava acontecendo, mas consegui ver os cabelos negro azulados que pertenciam à dona da voz preocupada, que tinha lágrimas nos olhos quando segurou minha mão, assim que a ambulância deu partida.
Logo antes de apagar.
.
Assim que abri os olhos, a primeira coisa que fiz foi tatear o espaço ao meu lado, segurando firme na primeira mão que encontrei, apenas para me virar e ver Hinata ali, parada, com um sorriso terno no rosto. Ela tinha o nariz vermelho e parecia ter chorado, mas ao mesmo tempo parecia aliviada de me ver acordar aparentemente bem.
— Como você…? — sussurrei, fazendo um esforço para falar com uma máscara de oxigênio no rosto.
— Ino ligou para o hospital onde eu trabalho e, quando eles avisaram que a ambulância ia demorar um pouco, ela me ligou desesperada dizendo que você estava morrendo. — explicou, com os olhos marejados pela lembrança.
— Então você foi ao meu resgate. — ri baixo e ela me acompanhou, seus ombro relaxando gradativamente em alívio.
— Naruto, Neji e Ino queriam vir também ma-
— Você não ligou para minha mãe ou Itachi, certo? Eles não podem saber, eles vão- — Me sentei, tentando tirar a máscara, até que ela teve que segurar minhas mãos.
— Sasuke, Sasuke, está tudo bem. Eles não sabem de nada… Eu não consegui falar com eles. — Ela baixou os olhos para o celular e, inconscientemente, segurei seu rosto e o trouxe para mim.
— Obrigado, Hyuuga. — Hinata sorriu gentilmente, segurando minha mão em seu rosto, fechando os olhos.
— Por nada, Uchiha.
O médico entrou na sala nesse momento e a levou para conversar, longe de minha vista, portanto não pude ouvir o que eles estavam falando, mas ela parecia muito séria e preocupada, afirmando a todo momento com a cabeça à tudo que ele falava.
Hinata voltou ao quarto momentos depois, com um sorriso largo na face, o qual eu sabia que havia sido bem treinado pela boa atriz que ela era. A morena esperou pacientemente que as enfermeiras tirassem as mascaras e o médico viesse com muitas e muitas recomendações sobre o que eu deveria fazer ou não fazer, para que enfim eu pudesse ir ao banheiro me trocar, pronto para ir embora.
Assim que saímos pelo saguão do hospital, depois que a Hyuuga avisou que não voltaria para o trabalho com permissão do doutor que havia me atendido, ela tomou as chaves do carro de minhas mãos, se jogando no banco do motorista enquanto eu entrava, temeroso, no banco do carona.
— Hinata, você não tem uma carta de motorista americana. — sussurrei, engolindo em seco.
— Então acho melhor não sermos pegos. — E ela arrancou com o carro, numa velocidade impressionante, que fez com que eu, recém-saído do hospital, me segurasse na porta.
— Você gosta de viver na linha tênue de legal e ilegal, certo? Porquê é a quinta vez que suspeito que vai ser presa!
E ela riu, sem responder, enquanto continuava dirigindo.
Fiquei olhando seu rosto enquanto ela colocava uma música no rádio e roubava meus óculos escuros do porta luvas, os colocando em seu rosto e me encarando, enquanto cantarolava Rich Love, do OneRepublic, e me fazia rir.
— Onde estamos indo? — perguntei, assim que ela tirou os óculos, e recebi um dar de ombros como resposta, enquanto a morena pensava.
— Recomendações médicas. Esquecer os problemas. Vamos dirigir enquanto pudermos, e parar em qualquer banca que tenha coisas que você goste de comer.
E ela o fez. Paramos para tomar sorvete, para andar pela praia, para ver gaivotas e tirar fotos, e ainda fui persuadido a colocar a cabeça para fora da janela do carro e gritar bem alto na estrada vazia, enquanto escutava o riso alto da Hyuuga.
— Você não foi mais ao telhado desde sexta passada... — digo, subindo as escadas que levavam ao andar superior da mansão quando chegamos em casa e ficamos esperando os outros chegarem para que eu garantisse que estava bem.
— Eu estou trabalhando em descobrir o que está acontecendo comigo e Itachi, nos conhecemos faz tempo e resolvemos… dar uma chance a essa tentativa.
Assenti levemente, abrindo a porta de meu quarto e entrando, sem olhar para trás.
Que todos os seus amigos não guardariam rancor
Eu tenho o julgamento final
E você se for há tanto tempo
Eu esqueci como você se sente
Na sexta-feira, como esperado, às cinco horas da tarde, nos encontrávamos todos no salão de um hotel, esperando para, dali à uma hora, dar uma declaração à imprensa, dando à eles o grande show que queriam. Eu chequei pela décima vez no espelho minha roupa, a jaqueta de couro aberta com uma camiseta branca por dentro, simples e sem muita formalidade, como um jovem garoto louco pela vida, como havíamos combinado com Sai.
Estalei os dedos, fechando os olhos e suspirando nervosamente, até que uma mão pousou em meu ombro e me virei para ver Shikamaru me olhando, com um sorriso mínimo no rosto, ao lado de Gaara.
— Vocês vão se sair bem. — O Nara começou, bebendo um pouco do uísque em seu copo — Não há nada que o Sai faça melhor do que armar um furo de reportagem. Vocês estão preparados.
— Eu até lhe ofereceria uma bebida, mas — O ruivo deu de ombros, rindo —, não acho saudável que você entre na coletiva bêbado.
Assim que me preparo para responder, escuto palmas vindas do centro do salão e me desloco até lá, acompanhado dos outros dois, apenas para ver Sai com uma prancheta, cercado por todos. Ele procurou por mim entre os presentes e me puxou pela mão, fazendo o mesmo com Hinata no momento seguinte.
— Certo, o que ensaiamos? — O moreno perguntou, olhando diretamente para nós.
— Meu pai deu uma declaração falsa para que eu não conseguisse ganhar dinheiro sozinha fazendo o que sonho — Hinata começou —, já que eu me apaixonei por Itachi Uchiha, filho de Fugaku Uchiha, e ele não aprovava o relacionamento, portanto não me queria fora do Japão.
— Por que seu pai não aprovava o relacionamento de vocês dois?
— Porque Fugaku e ele tiveram um conflito de interesses. Ele também não gostava de uma filha atriz estampada em uma revista, ainda mais se fosse namorada ou noiva de um Uchiha.
— Sasuke?
— Eu fui vítima de maus tratos na área trabalhista, vindos de meu pai, Fugaku Uchiha, o que resultou em uma doença conhecida como Síndrome de Burnout, e eu informei que largaria a empresa para seguir os passos de minha mãe e ser um artista, mas fui impedido por ele, que se juntou a outros acionistas para espalhar um vídeo na internet, onde eu apareço envolvido em uma briga.
— E por que ele faria isso?
— Porque ele não quer me pagar todos os meus direitos nesses anos de trabalho, já que está falindo e têm que pegar o dinheiro dos bancos para se manter na vida pessoal.
— E por que você se meteu em uma briga, no caso, a que foi gravada?
— Na verdade — olhei de relance para Hinata e desviei o olhar, engolindo em seco antes de continuar —, minha cunhada, Hinata Hyuuga, também prima de meu melhor amigo Neji Hyuuga, sofreu ataques vindo dos rapazes que apanharam, eles queriam forçá-la a ir embora com eles, devido às declarações de seu pai, Hiashi Hyuuga.
— Vocês são minhas maiores obras primas! — Sai sussurrou, nos abraçando enquanto ria — Essas foram apenas as perguntas-base, mas vocês estão bem treinados para qualquer tipo de coisa que venha a acontecer, eu estou certo disso.
— Os jornalistas já estão chegando, falta meia hora para o horário combinado. — Sakura apareceu, olhando o relógio, após dar uma espiada por fora da cortina, para ver o movimento de pessoas.
— Certo, vamos nos posicionar nas cadeiras para que vocês possam entrar e-
— Parem tudo o que estão fazendo! Agora! — Karin entrou no salão correndo, atraindo a atenção de todos, enquanto se escorava em Temari, que a olhava como se ela estivesse coberta de esterco.
— O que foi agora? — A loira perguntou, tirando à mão de Karin de cima de si.
— O que, na Terra, pode interromper nossa reunião de emergência? — Kiba perguntou, cruzando os braços.
— Vocês vão querer ver isso. — Os óculos de Karin estavam quase caindo, e ela os ajeitou antes de desbloquear o celular e mostrar para Sai o que quer que tivesse ali.
— Puta merda… — Sai nos olhou com piedade, enquanto passava o celular por todos da roda.
— Estão prontos? — Itachi andou até nós, e o celular foi colocado em sua mão, fazendo com que eu e Hinata fossemos os únicos a não saber o que estava ali — O que…?
Ele não conseguiu terminar, e me entregou o aparelho, o qual segurei com as mãos tremendo, enquanto me aproximava da Hyuuga para que pudéssemos ver.
Na tela havia um álbum de fotos compartilhado em um site de fofocas, com uma notícia da qual as imagens reforçavam por si só.
Primeiro havia Hinata em meu carro, no mesmo dia que fui com ela a delegacia, depois o momento que entrei no prédio com ela, para esperar Neji. Em seguida o momento em que Hinata adormeceu em meus braços, no telhado da casa de Mikoto, que deveria ser livre de pessoas de fora, e a imagem do momento em que encostei meus lábios nos dela, inocentemente, quando ela estava adormecendo. Foi um segundo, mas a câmera congelou o momento para sempre.
Havia ainda uma Hinata desesperada em uma foto enquanto eu dava entrada no hospital desacordado, em uma maca. E, tiradas no mesmo dia, imagens nossas rindo, andando pela praia, tomando sorvete, andando de braços dados.
— Vocês agora são o casal da nação. — Tenten disse, se aproximando com cuidado para abraçar uma Hinata chocada, que olhava de mim para Itachi da mesma forma que meu irmão olhava dela para mim.
— Eu… — Abaixei a cabeça, dando dois passos para trás, e Karin se aproximou, me abraçando e me confortando.
— Se eu disser agora que estou com Itachi…
— Eles vão achar que Sasuke foi demitido por uma rixa familiar, e vai confirmar os boatos de que você veio se prostituir na América. — Sai completou a fala de Hinata, passando a mão pelos cabelos curtos, desolado.
— Isso é ridículo! — Neji andava de um lado para o outro — Não pode estar acontecendo.
— Quando isso aconteceu? — A voz grossa de Itachi despertou todos do torpor para olharem para ele que estava de cabeça baixa e braços cruzados, quieto demais.
— Se está falando do beijo, Hinata nunca soube disso. — respondi, fechando os olhos — Nós só conversamos no telhado, mas nessa noite, antes de vocês estarem juntos na casa dela, eu apenas encostei nela quando adormeceu, e Neji chegou, ele pode confirmar. Assim que isso aconteceu, eu me afastei e nunca mais se repetiu.
— Sasuke… — Naruto se aproximou, e o afastei com um aceno de mão, me aproximando de meu irmão, a expressão neutra, mesmo que por dentro eu estivesse uma confusão de pensamentos.
— Se for sobre as fotos da praia e do hospital, saiba que eu tive uma crise e ela apenas me ajudou, como uma amiga. Eu a fiz prometer não contar para você ou nossa mãe, porque vocês ficariam preocupados de que meu pai estivesse fazendo isso.
— E agora? — Shino sussurrou e Hinata olhou para mim, os olhos marejados.
— Sinto muito te colocar em mais essa enrascada, irmão. — Sussurrei antes de abraçá-lo com força, e senti-lo retribuir na mesma intensidade.
— Vocês já foram expostos para todos os sites e, inclusive, já existem fanfics sobre vocês dois e seu amor proibido. — Sai disse, olhando o celular.
— Então vocês já sabem o que têm de fazer quando subirem lá. — Itachi completou, se afastando de meu abraço para contornar Hinata com os braços e lhes dar um beijo na testa — Boa sorte. Eu estarei esperando.
Olhei para a Hyuuga, apenas em silêncio e parado por um instante, antes de estender à mão a ela, para entrarmos no auditório. Ela segurou minha mão e eu a apertei com certa força, enquanto ela me sorria, antes de passarmos pelas cortinas.
Mas eu não vou pensar sobre isso agora
Vou continuar a ficar sob você
Vou continuar a ficar sob você
E todos os nossos amigos querem que a gente se apaixone
