N/A: Segunda parte da one-shot (que virou short-fic, haha)!

Espero que estejam gostando!


PARTE II

Um toque de celular me faz perceber que os primeiros raios de sol da manhã já estão dando seu ar da graça. Demorei muito a pegar no sono, devido à empolgação e ansiedade, e sinto como se só tivesse cochilado por meia hora. O que provavelmente foi o que de fato aconteceu.

Alcanço minha bolsa sobre o criado-mudo ao lado da cama e procuro meu celular, constatando ao pegá-lo que o toque não vem dele. Vejo que são seis e meia da manhã e sento na cama, olhando para o lado e encontrando Edward ainda dormindo profundamente, todo esparramado no colchão, mesmo que seu celular esteja apitando loucamente ao seu lado.

Como fiz na noite anterior, aproximo-me da beirada da cama e, dessa vez, cutuco seu ombro com o dedo. Ele mal se mexe. Sua viagem do dia anterior deve ter sido mesmo exaustiva.

Cutuco sua testa dessa vez, e ele só a franze um pouco, ainda sem dar o menor sinal de estar despertando. Subo o dedo até seus cabelos, e eles são tão macios ao toque que, quando dou por mim, acabo infiltrando os dedos por ali, acariciando-os por alguns instantes. Levo um pequeno susto quando Edward suspira, ainda dormindo, e reprimo a vontade de rir quando recolho a mão e balanço a cabeça, sem entender o que diabos estou fazendo.

— Edward... — chamo, baixinho, logo percebendo que isso não vai funcionar, já que ele não acordou com os gritos do seu despertador. — Ei, Edward. Acorde — chamo um pouco mais alto, balançando seu ombro. — Edward, você precisa acordar. Edward...

Ele murmura um pouco e, quando penso que vai finalmente abrir os olhos, ele vira para o outro lado.

— EDWARD! — grito e jogo um travesseiro nele ao mesmo tempo, conseguindo com que ele finalmente acorde. Me sinto mal por vê-lo levar um susto tão grande que se senta no colchão de uma vez, parecendo bem desorientado, mas logo deixo de sentir pena para começar a rir.

— Porra, garota! Qual é o seu problema? — questiona, a voz rouca e confusa, enquanto os olhos apertados se ajustam à luz do dia.

— Você tem o sono pesado demais — digo entre risadas. — Estava me sentindo o Rei Julien tentando acordar o Alex.

— Quem?

— Naquela cena do filme Madagascar!

— O quê?

— Argh, fala sério. Nunca viu Madagascar? — Ele balança a cabeça negativamente. — Pois deveria. Coloca aí em alguma lista imaginária de filmes para ver antes de morrer e você vai lembrar disso quando assistir. Só faltou eu ter que te perguntar "Tu chupa dedo?".

A lembrança da cena me faz quase rolar de rir, junto com toda a situação, e o que me acaba fazendo parar é a grande sombra que se forma diante de mim de repente. Até eu perceber que a sombra na verdade é Edward, perigosamente perto de mim com seu peito nu ao meu perfeito alcance, se eu quiser.

— Quer que eu te diga o que eu chupo?

Seu olhar, apesar de sonolento, é intenso, e é difícil interpretar se ele está realmente sentindo o que seus olhos transparecem ou está fazendo isso apenas para me provocar.

Obtenho minha resposta quando ele percebe o momento em que engulo em seco e começa a rir. Idiota.

— Por um instante, eu tinha esquecido o grande babaca que você é. Devia ter deixado você dormir aí e seguido viagem sozinha com o seu carro.

— Ohhh, olha quem é a perigosa agora! — Ele ergue as mãos e debocha da minha ameaça. Estreito os olhos para ele.

— Você está tentando fazer eu me arrepender de ter te pedido para me deixar viajar com você?

Edward expira lentamente e me olha, desmanchando a expressão brincalhona em seu rosto.

— Não. Estou bem empolgado com isso, na verdade.

— Sério?

— Claro. Estava começando a me sentir meio solitário, e isso é uma merda. Sem contar que é divertido demais te provocar. Não que eu queira que você se irrite pra valer, mas você fica engraçada e tão bonitinha quando tenta bancar a bravinha.

— E você fica ainda mais babaca quando tenta se explicar.

— Oh! Me sinto grato por você apreciar um dos meus maiores talentos.

— Um deles?

Tento não ceder ao sorriso que ameaça surgir em meu rosto, mas é impossível diante da maneira com que Edward pisca para mim e deixa a resposta no ar.

Puta merda. Eu estou ferrada, não estou?

.

.

Depois de disputarmos quem usaria o banheiro primeiro e Edward me encher o saco ao me apressar para sairmos, finalmente estamos prontos para seguir viagem. Nenhum de nós quis comer por não gostarmos de colocar nada no estômago assim tão cedo, mas passamos no refeitório do hotel para tomarmos um cafezinho e nos sentir mais despertos.

Edward termina de acomodar nossa bagagem no porta-malas de seu Toyota Corolla preto e assume o banco do motorista, enquanto tento ficar confortável no banco do carona. Colocamos os cintos de segurança e, com um friozinho na boca do estômago, saímos do estacionamento do hotel e pegamos a estrada.

— Como você consegue entender esse troço? — pergunto quando tento ler o mapa enorme que estava no banco de trás do carro. — Nunca ouviu falar em GPS?

— Ah, Bella. O que é uma road trip sem um mapa? Por favor.

— Se você está dizendo.

— Nunca pegou a estrada assim antes?

— Não mesmo.

— Opa! Então quer dizer que estou tirando a sua virgindade de road trip?

— É, pode-se dizer que sim.

— Uau. Que honra.

Fico surpresa por sua voz estar livre do tom de provocação debochada com que ele costuma se referir a tudo para me irritar.

— É, tanto faz. Me avisa quando estiver cansado que eu assumo o volante. Só vamos parar em... como que chama mesmo? Richville? — Tento localizar e ler o nome no mapa.

— Richfield.

— É, isso.

E é tudo do que me lembro até despertar algum tempo depois, ao sentir o carro perder velocidade. Nem percebi o momento em que caí no sono. A noite mal dormida acaba de cobrar seu preço.

Espreguiço-me no banco do carro, abrindo os olhos aos poucos e olhando ao redor do local desconhecido para mim.

— Bem-vinda de volta, Bela Adormecida — Edward diz ao desligar o carro e logo em seguida, começa a rir. — Ah, viu o que eu fiz? Bella... Bela Adormecida...

Ele ri como se essa fosse a melhor piada do mundo e eu decido ignorá-lo.

— Por quanto tempo eu dormi?

— Umas quatro horas.

— Já estamos em Richfield? Pensei que levaria pelo menos dez horas até chegarmos.

— Estamos no Colorado.

— Denver?

— Na verdade, em Aurora. Fica a meia hora de Denver.

— E o que estamos fazendo aqui?

Edward não responde. Apenas sai do carro, dá a volta e abre a outra porta para que eu também saia.

— É hora do brunch — diz, apontando de forma – não muito – graciosa para o Rosie's Diner à nossa frente. — E eu preciso muito mijar.

— Você sempre me surpreende com a sua delicadeza — comento, revirando os olhos.

Seguimos para o interior do restaurante com cara de filmes dos tempos da brilhantina e escolhemos uma mesa após usarmos o banheiro. Uma garçonete nos traz o cardápio e meu estômago ronca quando leio as opções. Faz realmente muito tempo que não como pra valer.

Acabo pedindo um prato com ovos Benedict, panquecas e bacon, e Edward escolhe um waffle enorme com vários pedaços de frango empanado. Mal trocamos três palavras durante a refeição; estamos tão famintos que nos concentramos apenas em acabar com aquelas delícias pelos minutos seguintes.

Sinto-me mais do que satisfeita ao dar a última mordida.

— Caramba... melhor brunch da minha vida.

Edward concorda com a cabeça enquanto termina de engolir sua última mordida também.

— Quando você disse que é a primeira vez que faz uma viagem assim, decidi que tinha que te trazer aqui. Uma road trip não é uma road trip sem comida deliciosa e gordurosa que nos ajudam a manter a sanidade enquanto dirigimos.

— Você já veio aqui antes?

— Sim. Uma vez.

— Mesmo itinerário?

— Aham.

Suas respostas repentinamente vagas me deixam curiosa, mas decido me segurar. Não tenho direito de xeretar a vida do cara, e ele me conta o que estiver a fim de contar.

— E você? Por que nunca esteve em uma viagem dessas antes? — ele me pergunta ao tomar um gole de água.

Dou de ombros, olhando ao redor ao responder.

— Ah, sei lá. Nunca fiz nada de legal, ou interessante, ou emocionante na vida.

— Como assim? Você nasceu! Tem coisa mais legal ou interessante ou emocionante do que isso? — ele diz, não sei se em uma tentativa de me animar ou me provocar, mas mal penso quando falo em seguida.

— A minha mãe morreu quando eu nasci.

A mão de Edward para no caminho quando ele vai levar a garrafinha de água mais uma vez à boca. Dou um sorriso amarelo e me recosto no assento, vendo a expressão dele ficar mortificada aos poucos. Ele toma um gole de água com certa dificuldade e depois suspira.

— Eu sinto muito, Bella. Eu não quis...

— Tudo bem. — Dou de ombros mais uma vez e torno a mudar de posição, apoiando os antebraços sobre a mesa. — Não cheguei a conhecê-la. Fomos só eu e meu pai até eu fazer cinco anos e nos mudarmos de Tulsa, Oklahoma, para North Liberty, Iowa. Meu pai então conheceu a minha madrasta, que nunca me tratou realmente como uma filha. Não sei se meu pai não percebia ou preferia não abrir os olhos para isso, mas ficava claro quando ela sempre se referia a mim como "a filha do meu marido". Zafrina é uma mulher rígida, correta, e sempre se aproveitou do meu status de meia-irmã mais velha dos seus filhos para mimá-los e me deixar para depois, porque eles eram mais novos e eu tinha que me conformar. Apesar de o meu pai ter sido uma pessoa maravilhosa pra mim, sinto um pouco de mágoa por ele ter deixado Zafrina tomar conta das nossas vidas e, de certo modo, estragá-las. Sempre me senti tão presa, e não somente por ela, mas por minhas próprias amarras, os medos que aprendi a ter, a culpa caso quisesse pensar em mim por uma vez na vida que fosse...

Respiro fundo e engulo o nó que se formou em minha garganta. Olho para Edward, que me observa atentamente, sem o mínimo resquício de diversão em sua expressão. Acho engraçado conhecê-lo há menos de um dia e já achar estranho seu rosto sério. Faz com que eu me arrependa um pouco por ter estragado o clima, mas ao mesmo tempo, me sinto bem por desabafar.

— O seu pai... você fala dele no passado. Ele também...?

— Morreu há cinco anos. Eu tinha acabado de completar dezoito.

Ouço Edward estalar a língua e me preparo para responder seu "sinto muito" iminente, mas ele não diz isso. Ao invés disso, estica a mão e a põe sobre a minha, em um conforto silencioso. Meu primeiro instinto é puxar a mão, mas seu carinho é tão terno que me faz desejar ficar assim para sempre.

— E agora eu estou aqui, no meio da coisa mais louca que já fiz na vida, te contando coisas que sobre as quais você não perguntou e arruinando o clima da viagem — digo, meio sem graça.

— Não, Bella. Você não arruinou nada. Gostei de saber um pouco mais sobre você, apesar de ter sido através de um comentário bola fora meu.

— Já disse que tudo bem.

Ele finalmente torna a sorrir para mim e mantém a mão sobre a minha.

— Então, quer dizer que você agora meio que acordou para a vida e quer recuperar o tempo perdido?

— É, mais ou menos isso. Cheguei a um momento em que percebi que não queria ser uma mosca morta para o resto da vida debaixo da asa de Zafrina, já que ela nem mesmo fazia questão de me ter por perto, ainda mais depois que perdemos o meu pai. Preciso de um recomeço, sabe? E eu sinto que há um esperando por mim em Los Angeles. Mesmo que a culpa por deixar tudo para trás assim ainda queira me assombrar de vez em quando...

— Ei, você não deveria se sentir culpada por buscar o que é melhor para você. Não sei se você sabe, mas antes de querer salvar o mundo, você precisa salvar a si mesma. Ninguém consegue erguer nada nem ninguém se não estiver de pé, Bella. — As palavras dele fazem com que eu vire minha palma para cima e aperte sua mão, sem receber nenhum protesto; muito pelo contrário. Recebo o mesmo gesto. — Fico feliz por saber que já está dando os primeiros passos. A vida pode ser bem assustadora, mas arriscar é sempre melhor do que ter que conviver com a dúvida de como poderia ter sido. E, ó: também acredito que há um recomeço para você em LA. Você vai tirar de letra, garota.

Abro o que acredito ser o sorriso mais genuíno que já dei em toda a minha vida. É incrível que Edward, um cara que acabei de conhecer e que demorou muito para me convencer de que não é um pilantra de alguma categoria, tenha me dito mais coisas positivas e encorajadoras do que toda a minha família me falou durante a minha vida inteira.

É incrível como seus olhos verdes brilham quando ele sorri.

É incrível como meu coração bate forte enquanto continuamos nos tocando.

É incrível como, apesar de ser meio babaca, ele me faça sentir bem perto dele.

É incrível... mas não.

Nosso tempo juntos tem prazo para terminar.

Não posso sentir nada. Não posso.

Ou talvez eu possa, justamente por nosso tempo juntos ter prazo para terminar...

— EI! — Edward me arranca dos meus pensamentos malucos com um susto. — Você já assistiu Friends?

— Acho que você quis perguntar quantas vezes eu já assisti Friends — retruco, quase ofendida ao ser questionada sobre a minha série favorita de todos os tempos.

— Lembra daquele episódio em que a Monica começa a trabalhar em um restaurante parecido com esse? Onde os funcionários trabalham fantasiados e têm que dançar no balcão toda vez que toca uma música?

— Claro que lembro. Por quê?

Assim como quando perguntei o que estávamos fazendo aqui quando chegamos, Edward não responde. Apenas mantém uma expressão sapeca no rosto quando se levanta e vai em direção ao que deduzo ser uma jukebox. Por que não estou surpresa pelo fato de um lugar desses ter uma jukebox?

E é claro que tinha que ter YMCA, do Village People. A música começa a entoar pelo ambiente e, à distância, Edward olha pra mim e gesticula para o balcão. Olho para lá e não vejo nada acontecendo e, quando lanço um olhar questionador de volta a Edward, ele aponta pra mim e depois para o balcão.

Oh.

É claro que o meu primeiro instinto é balançar a cabeça negativamente. Mas, depois do que conversamos e de toda a vibe que essa viagem está me dando, respiro fundo e me levanto, indo até o balcão do restaurante para subir nele. Tomando o cuidado de não quebrar nada, posiciono-me e começo a dançar e acompanhar a letra da música, agitando os braços e incentivando as pessoas a cantarem e baterem palmas. Algumas me olham incrédulas, e outras se divertem ao me verem fazendo a coreografia desajeitadamente, morrendo de medo de cair dali.

Mas essa é a ideia, não é? Se está com medo, vai com medo mesmo.

Edward me acompanha, ainda ao lado da jukebox, e se torna um pouco difícil continuar porque não consigo parar de rir do quão mal ele dança. Os funcionários estão rindo, gritando e aplaudindo, mas vejo a diversão acabar quando uma pessoa surge não sei de onde e coloca as mãos na cintura, ostentando uma expressão nada satisfeita. Olho para Edward, que também percebe e se apressa em chegar até mim e, quando penso que vai me ajudar a descer, ele me joga sobre seu ombro, passa em nossa mesa e joga algumas notas sobre ela para pagar a conta, e sai dali me carregando, enquanto algumas pessoas ainda batem palmas e assobiam.

Estamos os dois praticamente sem fôlego de tanto rir quando alcançamos o carro e Edward me põe no chão. Seus braços me seguram quando me desequilibro um pouco e apoio a cabeça em seu peito ao tentar me recompor. Aos poucos, nossas risadas cessam e, quando olho para cima, encontro-o me encarando com um olhar um tanto enigmático, apesar de ainda apresentar a ternura que conheci minutos atrás.

— Sobre aqueles talentos que você disse que tem... sabe que dançar não é um deles, não é?

Edward finge se ofender com meu comentário.

— Você se aproveita porque não posso falar o mesmo sobre a sua sincronia perfeita naquela coreografia.

— Argh, fala sério!

— Eu estou falando sério! Você estava linda lá em cima — ele diz, retirando a mecha de cabelo que está sobre meu rosto e afastando-a para detrás da minha orelha.

Sua mão se demora um pouco mais que o necessário em meu pescoço, e arrepios cobrem meus braços quando sinto sua palma deslizar por meu ombro e minhas costas até pousar na minha cintura. Nossos rostos estão tão próximos que o mínimo movimento meu ou dele pode resultar no que estou querendo desde que terminamos de comer.

Mas, ao invés de tomar alguma iniciativa, me afasto abruptamente, mantendo o sorriso no rosto e fazendo de conta que não há clima nenhum rolando entre a gente.

— Ok, então... humm, é a minha vez de dirigir — digo e ele logo coloca as chaves do carro na minha mão.

— Vê se não vai fazer a gente se perder, hein — Edward provoca ao se acomodar no assento do passageiro.

— Ah, não se preocupe. Tenho o seu mapa para me ajudar a fazer isso.

.

.

— Então, você mora em Chicago? — pergunto ao dar mais uma mordida na fatia de pizza.

Já era noite quando chegamos a Richfield, Utah. No meio do caminho, Edward assumiu o volante novamente, mas não dormi mais nem um pouco. Conversamos sobre algumas banalidades, inventamos jogos malucos de estrada para não cairmos no tédio total e beliscamos alguns dos salgadinhos que eu trouxe na mala.

Agora, estamos no quarto de hotel que alugamos, jantando pizza e jogando conversa fora. Bom, pelo menos eu estou tentando puxar assunto enquanto tudo o que Edward parece querer é ficar encarando minhas coxas mal cobertas pelo meu short curto de pijama ou meus mamilos arrepiados sob o tecido fino da blusa. Posso ou não tê-lo vestido de propósito, e não sei dizer se ele está fazendo isso só para me provocar e me ver bancando a bravinha, mas mal sabe ele que o Edward provocador acabou se tornando a minha versão favorita dele.

— Morava — ele responde ao morder a pizza também.

— Também está se mudando para Los Angeles?

— É, por aí.

Ele sempre é tão vago quando faço perguntas sobre sua vida. Edward mal teve que abrir a boca antes que eu abrisse a minha torneira e lhe contasse praticamente tudo de importante sobre mim, e quando faço perguntas inocentes, recebo a menor quantidade de monossílabos possível. Isso é meio frustrante, mas quem sou eu para obrigar o cara a me contar a história da sua vida?

— Quem sabe, no fim das contas, possamos mesmo continuar amigos quando a viagem acabar — brinco, engolindo meu último pedaço de pizza.

— Amigos, é? — ele pergunta, lançando-me um olhar divertido, mesmo que seu tom de voz não ponha muita fé nessa ideia. — Bom saber que não está mais com medo de mim.

Rio baixinho e deito na cama, ao lado dele — pois é, nesse quarto não há um colchão extra e teremos que dividir a cama —, e sinto-o se remexer ao colocar de lado a caixa de pizza vazia.

— Meus medos em relação a você mudaram completamente — sussurro, pensando que talvez ele não tenha me escutado, mas fica claro que ele entendeu cada palavra quando paira sobre mim e me encara com algo no olhar que espalha um calor por meu corpo inteiro.

— Ah, é? E o que isso quer dizer? — inquire em uma voz baixa e rouca.

Meu coração bate forte ao senti-lo tão, tão perto. A pele macia e fresca do banho que senti vontade de tocar na noite anterior está ali, a centímetros de distância do meu toque, e o cheiro gostoso que emana dele quase me faz esquecer de tudo e de todos, inclusive do que pretendo responder.

Engulo em seco e encaro seus lábios, sentindo um frio na barriga de antecipação quando ele os umedece com a língua.

— Agora tenho medo do fim dessa viagem — confesso em um fio de voz, em uma vontade desesperada de não querer que esse momento acabe. — Tenho medo de nos despedirmos sem que eu tenha feito o que sinto vontade. Tenho medo de ter que conviver com a dúvida de como seria, em vez de arriscar...

Vejo sua garganta se mover quando é a sua vez de engolir em seco diante de minhas palavras. Não sei dizer como é possível, mas seus olhos parecem ficar mais escuros à medida que ele torna a percorrer meu corpo com o olhar. Minha respiração fica presa por um instante quando sinto seu rosto se aproximar ainda mais do meu.

— Você pode fazer o que quiser, Bella — ele diz, e sei que não se refere apenas a este momento. — Me diz... o que você está com vontade de fazer?

Minha palma finalmente encontra seu peito, e é tão firme e macio quanto pensei que seria. Não, não, não. É muito melhor.

Percorro meu toque por seu torso até o pescoço e, ao pousar a mão em sua nuca, aproximo-o ainda mais do meu rosto.

— Me beija — sussurro, olhando fixamente em seus olhos, sem sentir a mínima vontade de me esconder e ficar encabulada. Edward me inspira uma confiança que me assusta, mas, como já falei antes, parece que não há nada que não me assuste. Sem contar que me sinto tão atraída por ele que está começando a doer.

Quando nossos lábios estão a meros milímetros de se encontrarem, ele desvia e planta um beijo em minha bochecha.

— Aqui? — sussurra conta minha pele, e posso sentir seu sorriso contra ela.

Babaca provocador do cacete.

— Hummm... — decido entrar na sua onda, e me deleito conforme sua mão firme e enorme desliza por minha coxa.

— Ou seria aqui? — Desta vez, seus lábios pressionam um beijo em minha mandíbula, próximo à orelha, me fazendo arrepiar. — Melhor aqui? — Sua boca habilidosa agora faz estragos em meu pescoço, arrancando-me pequenos gemidos. — Porra, você tem um cheiro tão bom...

— Edward?

— Hum?

Acho que, por pegá-lo desprevenido, acaba sendo fácil inverter nossas posições na cama e ficar sobre ele. O sorriso safado em seu rosto desaparece no instante em que, finalmente, junto minha boca à sua. Ele não hesita em corresponder, correndo suas mãos por todas as partes do meu corpo que consegue alcançar. Suspiro e gemo ao sentir sua língua na minha, e recebo um gemido rouco seu em resposta ao movimento que meu quadril faz de encontro ao seu.

De repente, Edward me agarra com mais firmeza e senta na cama, comigo em seu colo e nossas bocas ainda se devorando.

— Eu quis fazer isso desde o primeiro instante em que te vi — comenta entre arquejos.

— Por que não fez?

— Eu precisava que fosse recíproco.

Dito isso, ele arranca minha blusa por minha cabeça, e minhas mãos agarram seus cabelos quando sinto sua boca quente envolver meu mamilo. Meus gemidos são cada vez mais intensos conforme ele lambe, suga, mordisca meus seios e, quando tornamos a nos beijar, deito por cima dele de novo.

Aproveito para explorar com a boca seu pescoço e seu peito enquanto ele agarra minha bunda, e com um movimento rápido, ele está por cima de mim novamente. Gemo em sua boca quando sinto seus dedos se infiltrarem por meu short e calcinha e me tocarem no lugar que mais pulsa por ele nesse momento. Um murmúrio de protesto me escapa quando o sinto se afastar por um instante, até perceber que ele estava fuçando sua mochila em busca de uma camisinha. Termino de me despir e fico esperando que ele faça o mesmo, mas seu próximo movimento não é o que eu esperava.

Seu rosto se enterra entre minhas pernas, arrancando-me gemidos cada vez mais altos e me deixando cada vez mais perto de um orgasmo sensacional. Sinto vontade de socá-lo quando ele para de me chupar, mas a excitação só cresce quando o vejo se livrar da cueca e proteger-se com a camisinha. Ah, sim...

Nossos olhares se prendem um no outro conforme ele me penetra aos poucos, em uma tortura deliciosa que faz nossos gemidos e arquejos se perderem uns nos outros. Encontramos o ritmo perfeito e nos levamos ao limite conforme nos beijamos, nos tocamos, nos arranhamos e nos encaixamos tão perfeitamente que o orgasmo me arranca um grito acompanhado de algo que nunca senti antes. Ele vem logo em seguida, com seu gemido gutural vibrando em meu ouvido conforme as últimas estocadas nos levam ao mais incrível alívio de prazer.

Edward mantém o rosto repousado em meu pescoço, aos poucos recuperando seu ritmo normal de respiração, e aproveito para acariciar suas costas, seus braços, sua nuca. Sinto seus lábios macios contra minha pele novamente e suspiro.

— Que horas nós temos que sair? — pergunto, ainda de olhos fechados.

— Podemos ficar mais um pouco, se você quiser — ele responde contra meu ombro, sua voz reverberando em minha pele.

Afago seu cabelo com ternura e, quando não respondo imediatamente, ele ergue a cabeça para me encarar.

Puta que pariu, o cara é lindo demais.

— Eu quero — respondo baixinho, acariciando seu rosto e traçando seus lábios com o polegar. Ele sorri ao aproximar sua boca da minha.

— Eu também.

.

.

— É aqui que você vai morar? — Edward pergunta quando, finalmente, para em frente à casa do endereço que Rosalie me passou.

— Acho que sim — respondo, dando de ombros, mas ele parece pensativo enquanto observa a vizinhança. — O que foi?

Ele pisca algumas vezes antes de forçar um sorriso ao tornar a me olhar.

— Nada. Eu conhecia uma pessoa que morava aqui, só isso. Faz muito tempo.

— Ok... — digo, desafivelando o cinto de segurança. — Então, acho que é isso.

— É. É isso.

O clima fica tenso dentro do carro. Como é possível que eu tenha passado menos de setenta e duas horas com ele e sinta como se o conhecesse durante a vida inteira? Como posso nem ao menos ter saído do carro e já estar sentindo uma tremenda falta dele?

Principalmente depois da noite passada. Perdi as contas de quantas vezes demos prazer um ao outro, e nenhum de nós parecia arrependido quando pegamos a estrada após dormir por míseras duas horas. O itinerário de Edward consistia em pegarmos dez horas direto de Richfield para Los Angeles, mas ele quis fazer uma parada em Las Vegas e, depois do brunch no Rosie's, foi a melhor ideia que ele poderia ter tido. Almoçamos maravilhosamente bem em um restaurante no qual o mais simples dos aperitivos era caro para mim e, ao voltarmos para o carro, degustamos a nossa sobremesa particular, se é que me entende. Meu pescoço ainda está dolorido e tenho certeza de que há um roxo pulsando na minha panturrilha, mas ah, valeu tanto a pena.

— Ahm... obrigada pela carona. E pelos orgasmos.

Ele ri com vontade quando falo, e meu peito aperta ao pensar no quanto vou sentir falta disso. Não conversamos sobre como vai ser daqui para frente, e me incomodou um pouco o fato de ele não parecer muito interessado em me procurar de novo, mas acho que preciso me conformar que essa viagem foi apenas isso. Carona e orgasmos.

Apesar do meu coração gritar algo completamente diferente.

— Obrigado pela companhia. E pelos orgasmos.

É a minha vez de rir e, ao lembrar dele me dizendo que eu poderia fazer o que eu quisesse, jogo-me contra ele em busca de um último beijo. Ele corresponde sem hesitar, e perco a noção de quanto tempo passamos nos despedindo dessa maneira. Por mim, eu ficaria assim para sempre. Já por ele... aparentemente não.

É Edward que interrompe o beijo e é Edward que diz:

— Acho melhor você ir logo.

Engulo o nó na garganta e forço um sorriso.

— É, é melhor. Tchau, Edward — digo ao sair do carro. Abro o porta-malas e retiro minha mala de lá, colocando-a sobre a calçada e mal tendo tempo de ficar ereta de novo ao sentir os braços de Edward me envolverem e sua boca buscar a minha.

Abraço-o pelo pescoço, beijando-o de volta com toda a vontade que há em mim, com toda a saudade que já sinto dele, mesmo que ele não vá sentir o mesmo. Podem ter se passado três ou trinta minutos, não saberei dizer, mas nos desvencilhamos e seu sussurro "Tchau, Bella" é tudo o que fica no ar antes de ele voltar ao carro, dar a partida e ir embora.

Respiro fundo e recolho minhas coisas, segurando as lágrimas que acabam correndo soltas por meu rosto quando chego à porta e Rosalie me recebe. Parece que não a vejo há séculos, e apesar de toda a confusão de sentimentos dentro de mim nesse momento, fico aliviada por me sentir em casa dentro do abraço da pessoa que, apesar de não compartilhar comigo laços de sangue, é a minha família.


N/A: Tô correndo contra o tempo pra tentar revisar tudo e postar o mais rápido possível! Quem mandou inventar escrever um troço de doze mil palavras em dois dias e em cima do prazo? HAHAHA *facepalm*

Vocês estão gostando? Quem estiver lendo e curtindo, deixa uma review camarada aí! :3

Postarei o próximo, no máximo, amanhã de manhã. Mas tentarei postar ainda hoje, se tudo der um pouco mais certo, hehe.

Beijos e até o próximo!