J~L

What if I'm far from home?

E se eu estiver longe de casa?

Oh, brother, I will hear you call

Oh, irmão, vou ouvir você chamar

What if I lose it all?

E se eu perder tudo?

Oh, sister, I will help you out

Oh, irmã, eu vou ajudá-la

Oh, if the sky comes falling down, for you

Se o céu vier caindo em você

There's nothing in this world I wouldn't do

Não há nada neste mundo que eu não faria

(Avicii - Hey Brother)


PRÓLOGO

Não era de praxe sentir-se nervoso daquele jeito.

Não. Podia lembrar-se de poucos momentos da vida, da infância até hoje, quando sentiu-se assim e, normalmente, eram momentos que exigiam nervos à flor da pele: quando seus pais morreram em um acidente; quando teve sua primeira briga na escola; quando pediu a mão de sua ex mulher em casamento (deveria ter escutado a voz da consciência nessa e não ter feito) e quando seu filho veio ao mundo (a única coisa boa que veio do tal casamento).

Foram momentos bem pontuais, onde não sentir aquele frio na barriga seria desumano. Mas se enganara ao pensar que os altos da vida teriam passado naquela idade e aquele sentimento não voltaria mais, já que ali estava ele: esperando e desejando que os minutos passassem logo enquanto seus passos pesados e ansiosos ecoavam pela casa vazia em Hampstead Lane.

Na verdade, a casa não estava completamente vazia. Havia alguns móveis aqui e ali, um novo sofá que foi entregue naquela manhã, a grande televisão vinda de sua antiga casa e uma ou outra decoração. Nos quartos, camas e armários prontos, mas ainda vazios, sem nunca terem sido usados. Na cozinha, a maioria da louça já estava no lugar, cortesia de seus novos funcionários para a grande casa.

O resto da mobília e a decoração chegariam mais tarde naquele dia. Mas o principal, e o que lhe deixava tão nervoso e ansioso - e muito feliz -, estava para chegar em poucos minutos.

Geneviève havia avisado que estavam saindo de casa e que chegariam em quinze minutos. Os quinze minutos já haviam passado.

- Papai!

Orion Black se virou para trás e se deparou com Sirius, seu filho, que vinha correndo do corredor ao fundo. Desde que chegaram ali, o garoto rondava o lugar e explorava, entrando em todos os cômodos. Ele ainda tinha três anos, mas era absurdamente esperto e ativo. Tinha os cabelos negros, tão negros, que brilhavam. Os olhos eram como os dele: cinzas. Azuis claros, dependendo da luz.

Se abaixando, o pai segurou o filho no colo e o levantou, ambos indo até a grande janela em curva com a vista para o pátio da frente.

- Você está feliz por finalmente conhecê-las?

Sirius apenas assentiu, juntando os braços em sua frente, como se estivesse com vergonha.

O pobre garoto. Se soubesse que nunca havia conhecido o amor com sua mãe biológica, Walburga - que o inferno a tenha -, ele teria se intrometido antes. Em seu divórcio com sua ex-mulher (agora falecida) enquanto ainda estava grávida, Walburga tentou tirar quase tudo o que tinha, mas como não conseguia arrancar os milhões dos cofres de Orion, ela lutou pela guarda de Sirius, assim conseguindo muito dinheiro todo o mês. Foi tudo tão feroz, que Orion perdeu o direito de ter o filho aos fins de semana e só podia vê-lo com visitas monitoradas por advogados a cada quinze dias, o que significava passeios pelos parques, tomar sorvete e visitar a família Black com desconhecidos em sua cola.

Mas engano seu quando pensou que ela era apenas interesseira e juntou o útil ao agradável. Walburga, como ele teve notícias apenas após a sua morte, tratara Sirius como um caixa eletrônico: de onde o dinheiro saía e só. Sem afeto, sem amor e sem um mísero abraço para confortá-lo.

O que lhe consolava, era que, na época, dava bastante de tudo isso para o filho, ainda que fossem apenas duas vezes no mês. Assim que Walburga passou desta para uma pior - ele só podia imaginar que ela estivesse no inferno -, Sirius soube o que era ter amor de uma família todos os dias e todas as horas. E agora, seria ainda mais.

Um dos portões da garagem começou a se abrir, como se lesse seus pensamentos, e o coração de Orion disparou, tirando-o daquele lugar sombrio que ficava quando pensava no passado do filho. Um carro preto elegante entrou, estacionando na porta da frente.

- Ok, meu garoto. Elas chegaram. - Orion se virou para Sirius e se afastou da janela, voltando para a sala. - Pomfrey?

A babá recém-contratada, mas que já tinha uma boa relação com Sirius, veio da cozinha e se aproximou com um sorriso.

- Venha, meu querido. - ela pegou Sirius no colo.

Enquanto isso, Orion foi até a porta da frente, onde os bonitos olhos de Sirius não alcançavam o pai. O pequeno coração do garoto parecia uma pequena festa por como batia, os olhos procurando e esperando por uma visão de algo que ele havia apenas ouvido falar até agora.

Demorou apenas dois minutos, mas parecia a eternidade para o garoto. Quando o seu pai veio do saguão de entrada, ele não vinha sozinho: uma bonita mulher o acompanhava e, no colo dela, havia uma garota tão pequena quanto ele.

- Sirius, estas são Geneviève. - Orion passou a mão pelos cabelos da mulher, que sorriu para o homem e depois para Sirius. - E esta é Lily. Lily, este é Sirius.

Os olhos da garota fitavam Sirius desde o primeiro momento que o viu, Pomfrey não havia recebido nem um segundo olhar.

Geneviève se aproximou.

- Olá, Sirius. Você é ainda mais bonito do que nas fotos. - A mulher continuava com o seu sorriso para ele. - Olá, madame Pomfrey. É bom vê-la novamente

- Olá, Sra. Evans.

Em um acordo mútuo, as duas mulheres colocaram as crianças no chão.

- Lembra que conversamos sobre Sirius, querida? - Geneviève perguntou para Lily, esta que não tirava os olhos do garoto. A garota assentiu. - Ele vai fazer parte da nossa vida agora. Vai morar nesta casa conosco e dormir no quarto ao lado do seu.

Os olhos dela se abriram mais, tendo Sirius a imitando. Orion se aproximou do pequeno grupo tentando não mostrar a tensão que havia em todo o seu corpo. Sirius era um garoto adorável e carinhoso, mas o pai não sabia como reagiria com uma nova criança em sua vida.

- Por que você não cumprimenta Lily, querido? - Perguntou Pomfrey no ouvido de Sirius, mas alto o bastante para todos ouvirem.

Sirius deu um passo à frente, hesitante, mas parou. Os olhos verdes da pequena ruiva pareciam curiosos e ansiosos.

- Está tudo bem, querido. Venha. - Geneviève o encorajou.

Mas antes de Sirius dar o seu passo, Lily se adiantou e pegou o garoto em seus braços, dando um desajeitado abraço pelo pescoço. Os adultos riram levemente, enquanto Sirius ficou parado como uma estátua. Os rostos das duas crianças estavam colados bochecha com bochecha, um sorriso gentil brincava no rosto de Lily e uma expressão de surpresa no de Sirius. Cinco segundos depois, Sirius a abraçou de volta com a mesma força, abrindo um sorriso enorme.

Geneviève se levantou e sentiu Orion a abraçar pela cintura enquanto assistiam os dois filhos darem os primeiros passos juntos, como os irmãos que agora seriam. Nenhum deles conviveria com a ira de um pai alcoólatra ou com uma mãe desalmada mais. A madrasta daria todo o amor que faltava para Sirius e o padrasto entregaria todo o carinho que Lily não conhecia vindo de uma figura paterna.

Agora eles seriam felizes e completos. Como uma família.


N/A:

Aqui temos o início de uma nova história. Algo que eu sempre quis escrever, pois eu amo demais Sirius e Lily (no jeito mais platônico que existe). Espero que vocês gostem :D

Beijos e até o primeiro capítulo ;)