J~L


IMPORTANTE:

Alerta de gatilho de abuso para este capítulo. Eu colocarei em itálico a parte que você poderá pular. O intuito não era escrever e nem deixar a cena muito pesada, porque essa não é a intenção da história. Mas caso você tenha algum problema com o assunto, é melhor evitar, ok? ;)


Now we've got problems

Agora temos problemas

And I don't think we can solve 'em

E eu não acho que podemos resolvê-los

You made a really deep cut

Você fez um corte bem profundo

And baby, now we've got bad blood.

E, querido, agora temos uma rixa.

(Bad blood- Taylor Swift)


Quatro anos antes...

Muitas coisas podem acontecer quando se tem quatorze anos.

Nesta fase, muitos erros chegam ao ápice. Você está entre sair daquela fase estranha onde você não pode fazer muita coisa ainda e entrando na fase "ei, você está quase no meio do caminho para os seus vinte anos, tome aqui algumas responsabilidades". Então, sem surpresas, as coisas podem ficar confusas. Mas a vida é feita de erros, todos nós sabemos e, chegando uma certa idade, aqueles erros se tornam risadas seguidos de frases como "nossa, como eu era ingênuo", seguido ainda por uma avalanche de supostas soluções para aquelas questões.

Mas aos quatorze anos, você ainda está longe de ter muitas soluções. Mesmo aos trinta, quarenta e adiante, você não terá toda essa sabedoria, pois continuamos a viver, fazer escolhas e, as vezes, errando. Isso quer dizer que aos quatorze, você está cometendo erros ou simplesmente vivendo a vida também. Mas deve ficar salientado que nem toda decisão com resultados negativos é considerada um erro, porque, como será dito mais abaixo, a gente não prevê o futuro e agimos de acordo com o momento.

Mas aos quatorze, para quatro pessoas específicas, decisões do momento podem virar uma autocondenação. Um flagelo sobre ações tomadas quando você não vê o que está vindo. E como você poderia ver?

Alguns podem se apegar ao receio de receber um "não" e adiar uma declaração, esta sendo velada ou não. Depois, isso te faria pensar que aquela decisão poderia ter ajudado alguém, mas você não pode prever o futuro.

Alguns podem pensar que erraram em não ter deixado claro que queria entrar no quarto, que exigia que a porta fosse aberta, mesmo você não sendo o dono da casa ou o irmão da dona do quarto. Depois, isso te faria pensar que aquela decisão poderia ter ajudado alguém, mas você não pode prever o futuro.

Um outro até poderia jurar que lamentaria até o fim de seus dias pela decisão de uma festa em sua casa, uma festa que ele era o único que queria, aliás, independente de você ter escolhido fazê-la para, justamente, trazer um pouco de alegria dentro daquelas paredes tão tristes. Poderia ter respeitado a vontade alheia. Depois, isso te faria pensar que aquela decisão poderia ter ajudado alguém, mas você não pode prever o futuro.

Por fim, alguém pode pensar que se tivesse sido mais atenta aos sinais, se tivesse reagido mais rápido quando o viu entrar, ou fechado a porta antes ou, até mesmo, não ter subido para pegar aquele maldito carregador, nada daquilo teria acontecido. Isso te faria pensar que poderia ter ajudado a si mesmo, mas você não pode prever o futuro.

Você não pode prever o futuro e você não pode prever os planos de alguém que está prestes a cometer um erro.

Mas esses pensamentos ainda não haviam chegado. Aquelas quatro pessoas ainda estavam alheias ao que ocorreria mais tarde naquele dia. Então, podemos dizer que o que Lily mais tinha em mente naquele momento, em frente ao espelho e terminando de se arrumar, era que apenas Sirius era louco em dar uma festa em casa quando a mãe finalmente toma a iniciativa de ter um fim de semana de folga e se refugiar em um SPA por dois dias.

Desde a morte de Orion há um pouco mais de um ano, os dois filhos viram Geneviève abrir uma luta enorme contra a tristeza. Lily se lembrava quando via a mãe ser forte por eles, tentando ser o suporte que precisavam, mas desmoronando quando estava sozinha e pensava que ninguém a via. Eles faziam bem em não comentar as olheiras dela todas as manhãs ou os olhos sempre inchados pelos choros da noite.

Também se lembrava o quanto o seu irmão demonstrava que estava triste na frente de todos, apenas para ninguém perceber que se deixava desmoronar de verdade somente quando estava sozinho.

Lily percebeu tudo isso e nunca comentou, assim como nenhum dos dois comentou que ela não parecia abalada, porque ninguém a via ou ouvia chorar, seu rosto continuava intacto todas as manhãs e nunca precisou colocar música alta para esconder o choro.

E tudo isso porque ela chorou no primeiro dia e só. Deixou toda a tristeza e mágoa em se ver sem o pai, transbordar naquele hospital, transbordar na rua, em casa. No dia seguinte, não derramou uma lágrima sequer e seguiu assim até hoje. Até hoje, quando ela não conseguiria mais fingir ser forte ou quando finalmente se deixaria sentir tudo o que precisava.

Estava frio. Era Fevereiro, havia nevado em Londres uma semana antes, mas aquilo não impediu Sirius de enviar convites a todos para a festa na casa dos Black-Evans. Aquilo significava que a maioria ficaria dentro da casa a maior parte do tempo, obrigando os dois irmãos a esconderem e trancarem todos os objetos com potencial de quebra em um armário no porão, assim como trancar bem o quarto da mãe e os seus. O de hóspedes ficou aberto por decisão de Sirius.

- Eu não vou trocar os lençóis daquela cama e nem limpar nada. - Lily dizia enquanto descia as escadas e encontrava o irmão e um dos seus amigos, Peter Pettigrew, perto da entrada da casa.

- Já falei que eu me encarrego dessa parte. - Sirius respondeu.

- Tem que aprender a lidar com isso, Lily. Como fará quando for a sua vez de limpar os próprios lençóis? - Peter piscou para ela, fazendo Lily apenas abanar a mão no ar.

- Continue a incentivar a minha irmã de quatorze anos, Pete. Por que não?

- Não será a minha brincadeira que vai incentivar, Sirius. Tem muita gente querendo fazer isso por eles mesmos.

Peter era sempre cheio de brincadeiras. Ele podia ser bem tímido, às vezes, mas quando sentia-se confortável, podia ouvir as coisas mais loucas de sua boca. Lily achava engraçado essas nuances e, de vez em quando, as suas piadas. Mas como qualquer garoto de quatorze anos, ele podia ser bem babaca.

Nada novo no horizonte, pensou ela.

A porta da frente se abriu e o resto do grupo chegou.

- Oi, meninos. - Ela os cumprimentou e saiu pela porta lateral que dava nos jardins.

- Oi, Sardenta. - James acenou.

- Oi, Lily. - Remus devolveu. - Está tudo certo com as bebidas. Você tem certeza que não vai dar merda?

- Claro que não. - Sirius riu. - Não vemos nenhuma merda acontecendo nas outras festas com bebidas.

- Não sei não. Aquele cara da adega ficou desconfiado da identidade falsa. Nós não temos cara de dezoito anos e quando viu que estávamos de carona e não com os nossos próprios carros, ficou ainda mais. - Remus continuou.

- Ele não pegou o carro e nos seguiu, muito menos ligou para a polícia. - James revirou os olhos. - Fica tranquilo.

- E mesmo se desse qualquer merda, sabe que é só chamar o juiz. - Peter disse, lembrando-os de seu pai.

O que era algo recorrente quando se tem tanto poder e participa de um grupo como o deles. Ou a típica desculpa para se usar para convencer pessoas a fazerem algo que não deviam. Não que os Marotos já tiveram que tirar proveito desse fato alguma vez, tirando Peter que se safava de algumas encrencas com alguns alunos em Hogwarts. Na maioria das vezes, eram apenas Orion Black, Fleamont Potter e John Lupin tendo que lidar com as chamadas do diretor e da vice-diretora.

- As bebidas estão todas no freezer lá embaixo, mas trouxemos as outras aqui pra cima. - James dizia enquanto ia para a cozinha. - Deixamos alguns packs na entrada da garagem…

Muitas cervejas estavam espalhadas pelo balcão da cozinha, então eles começaram a preencher a geladeira com elas. Uma risada alta chamou a atenção deles e viram Lily do lado de fora, falando no celular.

- Pelo menos ela ficou ok com a festa, finalmente. - Remus comentou ao vê-la e continuou o trabalho de abrir as embalagens.

- Mais ou menos. Ela acha que não é o momento para uma festa, mas discordo completamente. - Sirius respondeu. - Tanto ela quanto eu precisamos de um pouco de animação nessa casa.

Nenhum dos marotos comentou, já que entenderam do que ele falava.

- A conversa está animada. - Peter disse parando o que fazia e olhando para Lily pela grande janela da cozinha.

- Deve estar falando com Prewett. - Sirius resmungou dando uma olhada rápida para a irmã, antes de se virar para a geladeira.

- Qual Prewett? - Perguntou Peter.

- Gideon. Eu não contei para vocês?

- Acho que eu fui o único felizardo em ouvir em primeira mão. - James respondeu sem emoção.

- Ah. Prewett beijou Lily na semana passada, aquele infeliz. Primeiro beijo da minha irmã e foi com ele!

Sirius meneava a cabeça e resmungando para si.

- Ele é um cara legal. - Remus defendeu o garoto. - Acho que foi uma boa escolha dela.

- Hunf! Claro.

- Você está apenas com ciúmes. Ele é um cara legal, Sirius, e você sabe.

- Eu não sei de nada, Remus. Só que ele é um pilantra que aproveitou aquela saída no cinema do grupo. Ow, você vai ajudar ou não?

Sirius parou o que fazia para chamar a atenção de Peter que olhava pela janela, em direção a Lily.

- Acho que está falando com Alice. - Peter disse ainda sem tirar os olhos da ruiva.

- Dane-se o que ela está fazendo ou com quem está falando. Abra essas malditas embalagens. As pessoas vão chegar em meia hora. - Sirius reclamou e voltou para o seu trabalho.

James, ignorando a conversa e torcendo para mudarem de assunto, bateu com um pack de cerveja fechado no peito do amigo distraído.

- Trabalhe, Pettigrew.


Muitas coisas acontecem aos quatorze anos, assim como muitos descobrem a bebida, cigarro, drogas...alguns descobrem o beer pong ao mesmo tempo. Que, aparentemente, pode ser tão nocivo quanto os outros citados acima.

A festa já rolava por três horas e, pela primeira vez, Lily havia experimentado álcool e aquilo lhe rendeu uma enorme dúvida: porque as pessoas faziam tanto barulho para cerveja? Era uma incógnita para ela. Aquilo era horrível.

Porém, uma bebida com saquê e frutas foi bem interessante de se experimentar, apesar de ter dado apenas alguns goles do copo de Alice depois de Sirius ter preparado a bebida para a amiga.

Aliás, como ele sabia fazer uma bebida tão bem assim com apenas quatorze anos? Era outra incógnita.

- Eu quero mais disso. - Alice falou, depositando o copo vazio do drink na mesa de jantar.

- E eu acho que você quer ir devagar. É a sua primeira vez bebendo também. - Disse Lily.

- Eu estou na sua casa. Qualquer coisa, eu durmo aqui. - A morena sorriu enquanto olhava para o outro lado do cômodo. - A não ser que Frank queira me levar para a casa dele.

- Jura mesmo que você quer ter algo com ele enquanto está bêbada?

Alice fez uma careta.

- Não. Mas até lá, eu não estarei mais.

- A não ser que pare de beber. Se pegar outro drink, não acho que esse plano funcionaria.

- Para de ser estraga prazeres, Lily.

Uma explosão de risadas surgiu da sala de estar e as duas checaram pelo vidro que separava os dois cômodos. Uma roda formada apenas por garotos pareciam se divertir enquanto assistiam dois deles virarem uma garrafa de cerveja em uma disputa.

- Os vômitos que vão aparecer logo logo...eu não vou ser a responsável em limpar. - Lily anunciou para ninguém específico.

- Se o seu irmão estiver tão ruim quanto esses caras estão ficando, você terá. Ou sua mãe vai te matar.

- Que ela mate Sirius.

- Você está na festa também.

- Mas não sou o cérebro por trás dela.

As garotas assistiram por mais alguns segundos os caras virarem mais e mais garrafas, fazendo Lily se perguntar quanta bebida seu irmão e amigos compraram para ser o suficiente para todos eles.

- Eu sei que você não está com o espírito para festa, ainda mais na sua casa. Mas amiga, a festa já está rolando e você está aqui. Aproveite. Ficar nessa negação não vai ajudar.

- Eu sei. - Revirou os olhos para si mesma. - É só por ainda ser muito difícil ver toda essa bagunça, essas risadas e comemorações dessas pessoas que nem sabem o que se passou aqui há um ano. - A ruiva estalou a língua e suspirou. - A vida tem que seguir, eu sei, e o meu pai não iria querer me ver assim, reclamando. Você e todo mundo tem razão, eu posso e tenho que aproveitar, mas aviso que eu continuo não querendo limpar o vômito de ninguém.

Enquanto fazia uma careta de nojo, Gideon Prewett, ruivo e olhos azuis mais bonitos que Lily pensou ter visto, passou por elas e sorriu para a ruiva. Ela ajeitou sua postura, tentando disfarçar a careta horrível que fazia antes e sorriu de volta um pouco tímida.

- Hmmm. Mantenha esse pensamento de que tem que aproveitar a festa, porque alguém quer repetir o feito da semana passada. - Alice comentou, rindo.

- Ele ou eu? - Lily perguntou enquanto ainda seguia Gideon com os olhos. Ele olhou para trás, fazendo com que ela desviasse o olhar.

- Os dois.

- Eu não nego que adoraria. Talvez até limparia um vômito ou dois depois, para mostrar o quão feliz eu fiquei com essa festa.

Capturando o canudo do seu suco, Lily bebia de seu copo enquanto bebia Gideon com os olhos. Ele era lindo e tão apaixonante. Talvez por ter sido o seu primeiro beijo e por ter sido tão bom, que a fazia suspirar aqui e ali quando o via.

- Tem caras mais interessantes nessa festa, Lily.

A voz de Peter cortou seus sonhos românticos com Gideon, fazendo as duas garotas se virarem para ele.

- Desculpa?

- Prewett é muito óbvio, o típico cara bonitão que as garotas querem. - Ele bufou. - Tem que olhar para os outros caras, aqueles que você não imaginava que seriam interessantes...esses podem te surpreender.

- Tipo quem? - Alice perguntou, sem parecer acreditar muito naquele papo.

- Há muitos desses caras por aí. É só abrir os olhos.

- Talvez eu não queira. Talvez eu só queira ir pelo óbvio, pelo típico cara. - A ruiva deu de ombros.

- Vamos trabalhar nisso depois e você vai me agradecer. - Peter se recostou na parede ao lado das garotas enquanto assistia Gideon conversar com Frank Longbottom. - Você ainda tem interesse em Frank, Alice?

A garota fez um barulho engraçado com a boca ao ouvir a pergunta e se virou para Lily.

- O seu irmão é tão fofoqueiro.

- Eu sei, assim como eu avisei para não falar nada para ele naquele dia. Ele faz de tudo para arrancar essas coisas das pessoas e você caiu como um pato.

- Sejam justas com Sirius. Apesar dele ter aberto a boca pra gente, ele também te ajudou.

- Como assim? - Alice perguntou, alarmada.

- Sirius gosta de Frank e gosta muito de você. - Peter cruzou os braços despretensiosamente. - Então podemos dizer que ele quis dar uma mãozinha.

- O que ele fez, Peter? - Alice agarrou a camiseta dele, quase desesperada, mas apenas fez o garoto rir.

- Você não reparou que o nosso querido Frank tem lançado uns olhares para você hoje?

Alice arregalou os olhos e Lily se virou para Frank que ainda conversava com Gideon. Por alguns segundos, nada aconteceu. Mas então, Frank pegou uma bebida e se virou, olhando em direção a Alice.

Não um olhar comum, mas um carregado de interesse.

- É verdade. Eu não tinha reparado.

- Claro que não, você não tira os olhos de Prewett. - Peter comentou.

- Nossa, mas que disco arranhado e chato. Por que tanto rancor contra o cara, Pete?

- Nada. Só querendo ajudar Lily. - Ele respondeu Alice rapidamente, como se quisesse mudar de assunto. O garoto parou por alguns segundos, parecendo pensar enquanto tinha os olhos do outro lado da sala. - Vocês já jogaram beer pong? - Perguntou finalmente.

As duas amigas se entreolharam.

- Não. - Responderam juntas.

- Que tal chamarmos Frank e Prewett para jogarem? Um de nós terá que ser o juiz, porque tem que jogar em dupla.

- Eu vou ser a juíza. Eu não quero beber mais. - Alice se prontificou.

- Ótimo. Vou chamar os caras e vocês podem ir para a cozinha, separando as garrafas. Sabem como preparar o jogo, pelo menos?

Lily levantou o dedo do meio para ele, deixando claro sua resposta e fazendo Peter rir, enquanto ele ia na direção dos dois garotos.

Feliz com aquele plano, mas não entendendo o motivo de Peter querer ajudar a ambas de repente - já que ele estava reclamando de Gideon alguns minutos atrás -, Lily puxou Alice em direção a cozinha.

- Essa é a nossa vez de vencer nessa festa, Lice querida.

- Não vai ser muito difícil para você, já que Gideon está prontinho para cair nos seus pés.

- Frank está tão pronto quanto para cair nos seus.

Elas riram, cúmplices.

- O que é tão engraçado?

Sirius saía da cozinha, quase trombando com as duas.

- Nada. Vamos jogar beer pong. - Lily respondeu.

- Com quem?

- Peter, Frank e Gideon. - Alice respondeu. - Aliás, aproveitando que nos esbarramos, eu agradeceria se guardasse um futuro segredo meu, caso caia em seus ouvidos. Não foi nada legal da sua parte em falar não-faço-ideia-do-que-mas-tenho-medo-de-perguntar para Frank.

O moreno sorriu e abraçou os ombros de Alice.

- Eu não disse nada que vai te prejudicar, Lice querida. Acredite em mim. - Sirius se virou para a irmã. - E você, não beba muito.

- Não irei. Vou fazer de tudo para ganhar, já que eu não gostei de cerveja.

- Mas eu vi que você deu mais do que um gole na bebida que eu preparei para Alice.

- Sim, estava delicioso. Esse é o meu tipo de bebida.

- Eu vou te preparar um mais tarde, então. Quando as pessoas começarem a ir embora e não tiver muitos caras aleatórios que não conhecemos.

Lily revirou os olhos e concordou, entrando na cozinha enquanto puxava Alice com ela.


Aos quatorze, não só das bebidas, cigarros e drogas - sem mencionar o beer pong, pois talvez você já conheça -, se vive os descobrimentos. Nesta idade, você também pode entender que aquela sensação estranha ao ver alguém, não é você ficando doente. É a sua primeira paixão.

- O QUÊ?

James tampou a boca de Remus que, com o seu grito, fez muitas cabeças virarem em suas direções.

- Você é idiota? Para de gritar.

- Eu que pergunto se você é idiota. - Remus retrucou. - Você quer chamar a…?

- Fala baixo, Remus!

Remus levou uma mão ao rosto, encarando, chocado, o amigo.

- Você gosta da Lily? - Perguntou surpreso, mas vários tons mais baixos.

James não respondeu imediatamente. Não sabia se "gostar" era a palavra certa ou se estava apenas interessado, levemente interessado. O fato era que Lily era interessante e…

Dane-se. Sim, ele gostava.

- Por que você acha que eu quero chamá-la para sair? Por achar que ela é insuportável? - Respondeu um pouco desconcertado e desviou o olhar, sentindo-se exposto. Era por isso que não queria contar para ninguém, principalmente os amigos, porque ficava ainda mais nervoso. Preferia simplesmente lidar com o problema ele mesmo.

- O que Sirius disse sobre isso?

- Eu não falei pra ele.

Imitando o hábito do amigo de bagunçar os cabelos, Remus gemeu de frustração. Aí estava outro motivo por não querer compartilhar: o fato de que poderia haver um problema e alguém dizer em voz alta. Ele vinha ignorando a própria vozinha interior que insistia em "ela é a irmã do seu melhor amigo, tem certeza de que vai fazer isso?" e preferindo tentar a sorte. Sabia que Sirius iria entender, caso Lily aceitasse.

Caso ela não aceitasse, bom...aí seria um problema que ele teria que lidar.

- E, acredito, que não falará com ele.

- Não. - James deu de ombros.

Lily e Alice passaram por eles, parando na porta da cozinha e conversando com Sirius. O jeito que seu coração disparava quando a via após decidir dar aquele passo, lhe deixava ansioso.

Sirius acenou e foi para a sala, enquanto as duas garotas seguiram para a cozinha.

- Vai. - Empurrando James, Remus sorriu. - Eu prefiro você do que Prewett, mesmo ele sendo legal. Então vai, é a sua chance.

Sua barriga gelou, como se percebesse apenas agora o que estava indo fazer.

- E se ela disser não?

- É um risco que você corre. Vai!

Com um outro empurrão, ele seguiu lentamente para a cozinha. Parou no batente da porta e analisou o cenário: as duas amigas tiravam algumas garrafas de cerveja da geladeira, colocando-as no balcão, enquanto sussurravam uma para outra e riam.

Mas que diabos aquelas duas estavam fazendo?

- Hey Potter. - Gideon o cumprimentou e passou por ele, entrando na cozinha.

- Hey James. - Frank deu um tapa em seu ombro e seguiu Gideon.

Os dois garotos foram até Lily e Alice e conversaram algo rapidamente, antes de pegarem algumas garrafas e irem até a mesa retangular da cozinha.

Parecia que eles iam fazer algo juntos, então aproveitou que os dois garotos se afastaram, respirou fundo, passou a mão pelos cabelos e se lançou, já não querendo pensar mais e colocar o plano em ação.

- Lily?

A ruiva levantou os olhos quando ouviu o seu nome vindo dele e franziu a testa. Já havia começado mal. Ele estava chamando-a de Lily? Ele raramente o fazia.

- O que foi, Descabelado?

O garoto olhou para Alice ao seu lado, mas que estava tão presente quanto poderia, já que ela encarava apaixonadamente Frank do outro lado da cozinha conversando com Gideon. James limpou a garganta.

- Você está ocupada?

- Não muito. Vou começar um beer pong com os garotos em um minuto. Estamos apenas preenchendo os copos e esperando Peter. Poderíamos ir mais rápido, caso Alice decidisse ajudar.

Para Alice, Frank parecia mais interessante. Desde que James se aproximou, a garota nem notou sua presença.

- Certo.

- O que há de errado? - Lily perguntou, largando a última garrafa de cerveja no balcão da cozinha e se virando para ele.

- Nada, nada de errado.

- Você está tão estranho. Tem certeza que nada aconteceu?

- Tenho. - Ele passou a mão pelos cabelos. - Posso falar com você depois?

- Se tem algo errado, eu falo com você agora. - Ela se prontificou a sair da cozinha com ele, mas James a parou.

- Não, relaxa, não há nada de errado. Eu só quero falar com você depois.

Ele era um covarde. Não estava acreditando que estava agarrando a oportunidade de adiar a conversa com ela. Seria muito mais fácil fazer tudo agora.

- Assim que eu terminar aqui, eu te procuro. - Ela voltou sua atenção para os copos, pronta para levá-los até a mesa da cozinha e posicioná-los. - Tudo bem para você?

- Sim. - James olhou na mesma direção que Alice. - Ahn, Gideon vai jogar também?

- Vai. Eu farei dupla com Peter e Gideon com Frank. Alice ficará como juíza. Você pode ficar para a próxima rodada, se quiser. - Disse ela, indo até a mesa com os copos.

James olhou para Gideon, o cara que beijou Lily na semana passada. O cara que a beijou pela primeira vez, segundo Sirius. Quando o amigo lhe contou em primeira mão alguns dias antes, soltando fumaça pelas ventas, dizendo que Gideon era um idiota e que não merecia tal lugar na vida da irmã, James sabia que era besteira, porque Gideon era um cara legal, mas James tinha outras razões para não gostar do fato dele ter beijado Lily.

Simplesmente porque ele queria ter beijado Lily. O ciúmes e choque que lhe atingiram foram tão desconcertantes, mas Sirius estava tão fora de si tendo sua crise de irmão ciumento, que nem percebeu.

E foi por esse beijo, por Gideon ter tomado uma ação em relação à Lily, que James decidiu ele mesmo tomar a sua, mesmo não tendo falado com Sirius antes. Queria fazer aquilo separado da sua amizade, apenas como um cara que gosta de uma garota e quer chamá-la para sair. Deveria ter agido antes, antes de Gideon, mas o nervosismo que Lily lhe causava lhe paralisou muitas vezes. Havia chamado e saído com outras garotas, tinha todo um jeito tranquilo e nem um pouco inibido com elas, mas Lily mexia com ele de um jeito todo diferente.

Se qualquer um soubesse daquilo, diria que era besteira, pois ele sempre parecia tranquilo e relaxado ao lado dela, afinal, ela era apenas a irmã de seu melhor amigo de muitos anos. Mas o que alguns pensavam que James ignorava, era que Lily era a irmã bonita e legal de seu melhor amigo.

Bom, ele não ignorava.

- James? - Alice o chamou. - Quer ser juiz comigo? Seria legal ter alguém de um lado da mesa, enquanto eu fico do outro.

- Eu tenho outra coisa para fazer, mas obrigado. - Ele olhou para Lily que ria com Frank e Gideon agora.

Sem ter o que fazer naquele momento e torcendo para que Gideon não decidisse agir novamente, ele começou a sair da cozinha, esbarrando em Peter na saída.

- Não quer ficar para beer pong? - O amigo perguntou.

- Não. - Respondeu James um pouco contrariado.

- Vai perder um jogão. Vou derrotar Prewett, você vai ver, e ele vai sair dali sem lembrar do próprio nome, muito menos que beijou Lily semana passada.

Era incrível como Sirius podia fazer com que todos eles quisessem proteger a honra da sua irmã. Mas, no fundo, eles queriam porque conheciam Lily desde crianças e queriam protegê-la tanto quanto Sirius. Apesar de James querer mais do que proteger a irmã do seu melhor amigo, já que tinha os próprios interesses em jogo.

- Faça isso, Pete.

Só não sabia que Peter Pettigrew também tinha os seus.


Aos quatorze, você também pode desvendar alguns mistérios, desmascarar alguns vilões. Não passará sem uma surpresa enorme, porque...quem imaginaria, não é mesmo?

Subiu as escadas rapidamente e foi em direção ao quarto, destrancando a porta, mas como não levaria muito tempo, deixou-a aberta. Foi até a mesa de cabeceira do lado direito e começou a vasculhar, sem encontrar o que procurava. Deu a volta na cama e foi até a mesa de cabeceira esquerda, sentando-se e abrindo a gaveta. Precisava arrumar aquela bagunça e, mais importante, parar de socar as coisas naquela gaveta de qualquer jeito. Onde estava aquele bendito carregador? Tinha dito a James que o procuraria depois do beer pong e, pelo jeito que ele se comportou, a curiosidade quase a matou durante aquela hora inteira desde o pedido.

- Hey.

Lily se virou para trás, ainda sentada na cama. Era Peter.

Sirius conhecia Peter, assim como James e Remus, desde os quatro ou cinco anos, então a garota estava mais do que acostumada com a presença de todos eles na casa desde então. A sorte é que ela gostava e se dava bem com todos, o que ajudava bastante quando acordava e encontrava um deles ou todos no café da manhã durante a semana e no fim de semana ou pela casa durante qualquer outra hora do dia também. Não sabia quantas viagens eles fizeram com a família Black-Evans quando Orion ainda estava vivo e iam constantemente para Bournemouth durante o verão.

Mas havia algo que eles nunca faziam: passar do limite com Lily.

E agora o que Peter fazia seria considerado uma ultrapassagem do tal limite, já que ele se encontrava dentro do quarto dela, não muito longe da cama, ainda que fosse do outro lado. Nenhum deles nunca havia passado aquele limite antes, a não ser que fossem convidados a entrar ou estivessem com Sirius. Nas outras vezes, eles batiam na porta - mesmo ela estando aberta -, chamavam por ela, mas eles nunca passaram do batente.

- Pete. - Ela respondeu. Eles se separaram há três minutos, então não tinha muito o que falar para ele.

- Fomos uma dupla e tanto lá embaixo, hein?

Os dois, simplesmente, bateram todos os concorrentes. Depois de Gideon e Frank serem derrotados, mais pessoas começaram a chegar, querendo bater a dupla. Tiveram que beber algum copo ou outro, mas a vitória saiu com eles todas as vezes.

- Verdade. - Ela se virou ainda mais na cama. - O que está fazendo aqui?

- Estava te procurando. - Não estava gostando do tom de voz dele, então se levantou.

- Esqueça, eu não vou mais jogar. Aqueles copos de cerveja que fui obrigada a tomar estão matando o meu estômago. Vai ter que achar outra pessoa para a sua dupla.

- Ah, eu não vim para isso.

Peter deu um passo para trás, o que deu uma aliviada em Lily, que estava começando a se sentir um pouco acuada no canto do quarto. Tentou tirar aquela ideia da cabeça. Era Peter, no final das contas. Devia ser a bebida do jogo lhe dando ideias estranhas.

- Eu soube que você deu o seu primeiro beijo semana passada.

Certo. Talvez não fosse a bebida.

- Sirius abriu a boca para vocês até sobre isso?

- Isso importa?- Ele sorriu e deu outro passo para trás. Ela não estava entendendo qual era a dele. Peter subiu atrás dela, entrou em seu quarto para dizer aquilo e ir embora? Não que ela quisesse que ele ficasse, mas aquela era uma cena estranha.

- Bem...eu já estou descendo. Pode me esperar lá embaixo?

- Não precisamos ir lá para baixo.

E então, Peter colocou a mão para trás e pareceu pegar a chave que estava do lado de fora. Logo depois, fechou a porta com a mão e o pé, sem nem olhar para o que fazia. Quando a porta fazia o caminho para bater, Lily se apressou atrás de seu celular que deixara em cima da cama, mas Peter foi mais rápido e o pegou.

- Qual o problema, Lily? - Ele perguntou voltando alguns passos e trancando a porta quando tinha o celular dela em mãos.

- O que você está fazendo?

- Dando continuidade para o que estávamos fazendo durante a brincadeira, oras.

- Do que você está falando?

Peter revirou os olhos e se aproximou dela sem cerimônias. Lily tentou desviar, mas ele a segurou e a jogou contra a parede, cobrindo o seu corpo com o dele.

- Aqueles abraços de comemorações a cada vitória, aquele beijo no rosto no final. Eu entendi, Lily, eu entendi tudo o que você queria dizer. - Peter segurava o rosto dela com uma mão, ignorando completamente o olhar de puro desespero dela.

- Eu não sei o que você entendeu, mas não foi nada disso aqui. - Ela disse olhando para baixo, para onde ele a segurava em sua cintura com tanta força com a outra mão.

- Eu não vou contar para ninguém, se não quiser.

- Peter, me solta.

Ele não pareceu se importar com o pedido, a estudando: seus olhos passeavam pelo rosto dela, descendo até o colo. Um sorriso perverso se abriu, mostrando o quanto ele parecia gostar do que via.

- Você é uma das garotas mais lindas daquela escola, Lily. Eu diria a mais linda, na verdade. Você deixa os caras loucos com esses seus olhos verdes, sua boca deliciosa e seu corpo.

- Por favor...pare. - ela choramingou. Pelo amor, eles tinham quatorze anos, por que ele falava assim com ela? Seu corpo nem era tão desenvolvido como o de muitas garotas da sua classe ainda. Quantas vezes as outras garotas recebiam a atenção, enquanto ela parecia ser sempre a última a ser olhada?

- Gideon foi o único a te beijar ou teve algum outro?

- Isso é sobre Gideon?

Ele riu e aproximou o rosto do seu.

- Isso é tudo sobre você.

Tinha a impressão que ele estava tentando soar interessante, mas só fazia com que o nojo e a ânsia aumentassem.

- Eu não estou gostando disso, Peter. Eu não sei exatamente o que você quer, mas eu não estou gostando dessa brincadeira.

- Sabe o que eu quero? Eu quero que você me mostre o que você aprendeu na semana passada com o seu primeiro beijo.

- Pare, por favor. - Ela tentou empurrá-lo, se desfazer de seu aperto ou fugir por entre seus braços, mas Peter a segurou mais forte.

- Você me mostra o que aprendeu e eu mostro o que eu sei. O que acha?

- Não, para! Por favor...

Três batidas na porta fizeram a conversa parar abruptamente.

- Lily?

Reconheceu a voz de Remus. Lily abriu a boca para responder, gritar ou qualquer coisa que fizesse com que Remus agisse, mas Peter tampou sua boca rapidamente e aproximou os lábios de seu ouvido.

- Você vai responder normalmente. Não diga que estou aqui. Entendeu? - Ele a apertou contra si com raiva. - Se você fizer assim, nada vai acontecer com você ou com ele.

Lily abriu os olhos com medo. O que Peter virou? Ela não conhecia aquele monstro capaz de machucá-la ou machucar qualquer um de seus amigos.

- Lily! - A voz de Remus estava mais assertiva agora.

- Responda! - Peter sussurrou e soltou a boca dela.

- Si-sim? - Sua voz vacilou e Peter a olhou raivoso.

- Está tudo bem?

- Sim! Está tudo bem. - Ela choramingou um pouco na última palavra e Peter a apertou mais contra a parede. - Tudo bem.

- Ok!

Eles esperaram por alguns segundos até ouvir os passos de Remus se afastando finalmente e Lily sentiu a primeira lágrima escorrer pelo rosto.

J~L

Aos quatorze, você pode entender que é sempre melhor seguir o seu instinto, mesmo que aquilo não fizesse muito sentido na hora. Você também descobre que era melhor pecar por tentar abrir aquela porta do que ter deixado-os trancado lá dentro por mais alguns segundos.

Remus subia as escadas, quase não conseguindo se segurar mais. Deveria usar fraldas quando tomava cerveja, isso evitaria ter que correr para o banheiro de dez em dez minutos. O pior era quando o banheiro mais perto estava ocupado por mais de cinco minutos, com certeza sendo usado para outros propósitos, então tinha que procurar o outro mais próximo. Subiu as escadas rapidamente e foi em direção ao quarto de Sirius.

No fim do corredor, viu Lily em seu quarto pular até os pés da cama e a porta se fechar rapidamente. Parou no lugar e ficou encarando a porta por alguns segundos. O que foi aquilo? Não teve tempo para assistir bem a cena, pois tudo aconteceu muito rápido, mas teve a impressão de que Lily não parecia feliz e que a mão e o pé que fecharam a porta eram masculinos.

Devia estar vendo coisas.

Foi até o quarto de Sirius e o destrancou, agradecendo por ninguém mais ter acesso ali, mas parou na pia, a ponto de lavar as mãos. Os pensamentos não saíam da cena anterior. Talvez não fosse nada e, talvez, fosse se arrepender de não aliviar a bexiga naquele momento, mas tinha que ir conferir. Quando saiu do quarto, o corredor ainda estava vazio. Ele olhou para a porta de Lily, olhou para as escadas e depois para a porta novamente, decidindo se aproximar.

- Não, para! Por favor...

Ele arregalou os olhos. Não conseguia ouvir bem com a porta fechada, mas achava que não estava ouvindo errado. Bateu na porta quase sem pensar no que estava fazendo.

- Lily?

Silêncio. E por muito tempo.

- Lily!

- Si-sim?

- Está tudo bem?

- Sim! Está tudo bem. - Silêncio novamente, até ela repetir.- Tudo bem.

- Ok!

Remus, delicadamente, tentou abrir a porta, ainda que fosse muito arriscado para ele, e viu que estava trancada. Ele se afastou e começou a correr até as escadas, descendo rapidamente. Não, não estava tudo bem. A voz dela, o que ela estava dizendo antes, a porta trancada. Não, não estava bem e ele precisava encontrar Sirius.

Passou por James, que estava perto da escada enquanto segurava o cano que ia de um barril de cerveja direto na boca de algum garoto aleatório, rodeado por várias pessoas que assistiam, riam e esperavam sua vez. Vendo a expressão de Remus, ele parou de rir.

- Remus, o que foi?

- Sirius, cadê Sirius?

- Acho que foi na direção do cinema com a Clara. O que foi? - James repetiu a pergunta.

Remus se afastou e começou a ir na direção do grande cômodo que era apelidado de cinema, com as poltronas confortáveis e a grande tela. James largou o que estava fazendo e tentou alcançar Remus que corria entre as pessoas, desesperado.

A porta do cinema estava quase fechada e Remus não quis parar, bater e esperar alguém responder, então ele simplesmente invadiu o lugar. Dane-se o estado que encontraria o amigo e a garota. Acendeu a luz e Sirius se afastou de Clara, uma espanhola em intercâmbio, um ano mais velha do que eles e que o garoto vinha flertando por semanas. Por sorte, ambos vestidos.

- Que porra...? - Sirius reclamou.

- Lily! - Teve que recuperar o fôlego para continuar. - Lily está com problemas no quarto.

- Por que você não disse antes? - James bradou ao lado de Remus e saiu do cinema.

Sirius largou Clara sem nem lhe lançar um olhar e saiu correndo do cômodo, com Remus logo atrás. Mesmo com todas as pessoas entulhadas pela casa, Sirius conseguiu alcançar James e eles começaram a subir as escadas ao mesmo tempo.

L~J

Naquela idade, você se surpreende com a força que tem: física e emocional. Esse último normalmente está instável ainda, mas você está aprendendo como lidar com toda uma tempestade que a vida pode virar.

Quando Remus se afastou da porta, Peter voltou a sorrir novamente. Suas mãos foram até a barra do vestido de Lily e o levantou. A garota tremeu de horror e nojo, sentindo-se impotente e fraca por não conseguir revidar. Peter era mais alto e bem mais pesado, segurando o seu corpo contra a parede de um jeito doloroso, uma das mãos segurando firme as duas mãos dela em suas costas. Seus joelhos não conseguiam levantar e acertá-lo no meio das pernas.

Seu rosto estava encharcado de lágrimas.

- Não chore, Lily. Shh, shh. Está tudo bem. - Peter subiu uma das mãos e passou pelo rosto dela. - Vai ser bom. Pedirá para repetirmos depois, você verá.

- Me solte, Peter. Por favor.

- Ah essa sua boca. Eu quero tanto saber como vai ser te beijar, Lily, finalmente. Esquecer que alguém chegou aqui antes e te mostrar como se faz de verdade. Mas vejamos pelo lado bom: pelo menos você tem algo que ainda pode ser meu primeiro.

Peter atacou seu pescoço, beijando e lambendo cada pedaço que alcançava. O corpo de Lily tremia com o choro, sem se importar com o barulho e os soluços, enquanto uma mão de Peter a segurava pelos quadris, forçando-a a sentir o corpo e a ereção dele.

A maçaneta mexeu com violência pelo lado de fora, com alguém tentando entrar tempestuosamente, e Peter congelou. De repente, a porta fez um barulho ensurdecedor e os dois viram as rachaduras na madeira branca. Nem dois segundos depois, a porta explodiu do batente, caindo no chão, e James e Sirius se equilibraram para não caírem também. Remus estava logo atrás.

O alívio que lavou o corpo de Lily era indescritível e, ignorando completamente o choque puro no rosto dos três recém-chegados, ela apenas correu até eles, jogando-se em Sirius. Os braços do irmão a rodearam no mesmo momento, apertando-a contra ele, apesar dos olhos cinzas não estarem nela.

James avançou em Peter e o jogou ao chão, enquanto dava socos consecutivos em seu rosto. Sirius tremia, ou talvez era Lily quem tremia tanto que sentia uma espécie de terremoto entre eles. Ela estava gelada e soluçando com o choro. Lembrou que viu a irmã correndo até ele com o vestido levantado e a soltou rapidamente apenas para ajudá-la, abaixando a barra do vestido e a cobrindo.

Sirius nunca foi alguém tão lento para reagir, mas pensava que, talvez, era o fato de nunca ter tido um choque como aquele antes. Afinal, acabou de invadir o quarto da sua irmã, encontrando-a colada contra a parede, com Peter em cima dela, com as mãos nela, seu vestido para cima...e Lily chorando. Nem mesmo a morte de seu pai lhe deixou tão fora dos trilhos. Não passaram nem dez segundos desde que Lily veio até ele, de que James tinha Peter no chão e que Remus tinha os olhos arregalados ao seu lado...mas tudo o que passou pela mente de Sirius, toda aquela cena uma e outra vez, como se fosse um filme antigo com defeito, dava a impressão de estar imóvel por dez minutos.

O que o acordou foi um gemido de dor de Peter. Via James acabando com o filho da puta e a única coisa que lhe passou na cabeça era que devia ser ele ali. Ele deveria acabar com Peter Pettigrew.

- Remus, leve Lily para o meu quarto. - Sua voz era monótona, quase tediosa.

- Sirius. - Ela o abraçou mais forte.

- Eu não vou demorar. Vá com Remus.

- Vem, Lily.

A ruiva largou Sirius apenas para se agarrar a Remus, que a abraçou de volta e a puxou consigo, desaparecendo pelo corredor. Assim que a irmã entrou em seu quarto, Sirius foi em direção aos dois que estavam no chão e empurrou James com dificuldade para o lado, segurando Peter pelo colarinho e o levantando. Ele estava em uma situação já deplorável com a surra que James havia começado, quase irreconhecível, então se viu agradecendo pela primeira vez na vida por ser canhoto, porque James acabou mais com o lado esquerdo do rosto de Peter, mas o direito ainda tinha muito espaço para o seu próprio punho.

Sirius acertou o primeiro soco e o garoto cambaleou. Ainda segurando-o pela camiseta, o jogou contra uma cômoda, acertando outro soco.

Peter pareceu tentar dizer algo, mas essa tentativa apenas o fez cuspir sangue.

- Eu te recebi na minha casa. - Sirius deu um soco. - Eu te deixei entrar na nossa vida, na vida dela. - Outro soco e outro choramingo do garoto. - Isso é só o começo, seu filho da puta. - Ele continuou. - Eu vou atravessar a sua cabeça com os meus punhos, se eu puder.

Infelizmente para Sirius, os seus planos não se seguiram, pois sentiu três pares de braços o segurarem e o puxarem para trás. Peter, sem Sirius o segurando, caiu no chão quase desacordado.

- Me soltem! - Sirius rugiu enquanto olhava para o pedaço de merda que deveria ser seu amigo. Viu que James estava contido no chão por Caradoc em uma complicada manobra, provavelmente do jiu-jitsu que o garoto cursava.

- Sirius, ele está quase desacordado. - Frank disse atrás dele. Benjy Fenwick o segurava pelo braço esquerdo e Gideon no direito. - Vamos ter que chamar uma ambulância.

Todos os ocupantes da sala viraram para Peter quando esse começou a gemer e tentar falar algo.

- Sem ambulância. - Peter murmurou com dificuldade.

- Eu concordo. Deixem que ele morra. - James falou de seu lugar e tentou se soltar, mas Caradoc apenas apertou mais seu braço no garoto, fazendo James reclamar.

- O que é isso?

Era Alice que acabava de chegar, assistindo a cena bizarra dos seis garotos no quarto de sua melhor amiga: um deles no chão, sendo contido; outro desfigurado coberto de sangue e um terceiro sendo segurado pelos outros.

- Alice, mande todos embora. - Frank dizia tentando manter o controle em Sirius que começava a se debater. - E não diga um pio sobre o que viu aqui.

- Onde está Lily?

- Não aqui. - Frank respondeu. - Rápido, temos que resolver isso logo.

Alice saiu do quarto completamente desorientada, olhando para os lados em uma tentativa de encontrar a amiga.

Os três garotos que o seguravam conversavam entre si, mas Sirius não prestava atenção. Seus olhos cinzas estavam fixos em Peter, o ódio que sentia que era tão grande, que sentia seu peito queimar, sua cabeça prestes a explodir e uma reviravolta no estômago.

Nunca quis tanto fazer mal a alguém quanto agora. Nunca quis ver uma pessoa sofrer, sofrer muito...e em suas mãos. Queria pegar o pescoço de Peter e apertá-lo até Sirius sentir que ele sofreu mais do que Lily parecia estar sofrendo.

Peter tocou na sua irmã. Não foi flerte, não foi uma tentativa de beijo, não. Peter Filho Da Puta Pettigrew tocou a sua irmã.

Ele quase...se eles não chegassem a tempo, ele teria…

A raiva que o consumiu foi tão imensa, que Sirius conseguiu se soltar dos três garotos que o seguravam e pulou em Peter novamente. As mãos de Sirius fecharam no pescoço dele, os olhos daquele merda se arregalaram o máximo que podiam, pois seu rosto estava bem desfigurado, mas novamente ele foi puxado para trás. Ouviu quando Peter conseguiu respirar novamente, tossindo.

- Me larguem! Eu vou matá-lo de qualquer jeito. Hoje ou amanhã.

Sirius começou a ser arrastado para fora do quarto ainda lutando. Estava cego pela raiva e desespero. Queria se soltar e esganar aquele filho da puta até a morte.

A porta de seu quarto foi aberta e ele viu Remus em pé no meio do cômodo. Seus olhos correram pelo lugar até ver Lily deitada na cama, enrolada em si mesma. Naquele momento, o seu coração acelerou, mas de uma maneira diferente. Sentiu que não era contido com tanta força, então se soltou e correu até ela, deitando-se ao seu lado e a puxando em seus braços.

Lily chorava copiosamente, fazendo Sirius apertá-la mais.

- Eu estou aqui. Acabou, eu estou aqui. - E ele continuou repetindo por mais algumas vezes.

- Eu não fechei a porta quando entrei. - Ela conseguiu dizer entre as lágrimas.

- Não. Não é sua culpa. - Sirius respondeu.

A porta do quarto abriu violentamente e Sirius apenas levantou o rosto para ver James ser arrastado para dentro por Frank, Benjy, Gideon e Caradoc incluso. Os quatro o soltaram e tiveram que ficar entre James e a porta, impedindo que o mesmo saísse.

- Fiquem aqui. Nós vamos resolver o resto. - Frank respirava com dificuldade. - Remus, tranque a porta e se precisar, engula a chave.

Remus não respondeu, estando tão abalado quanto os outros. Os quatro garotos saíram e a porta foi trancada por Remus. Ele olhou para trás e fitou James sentado no chão, desolado. Olhou para a cama e viu Sirius segurando Lily. Seus olhos se encontraram.

- Remus, no meu banheiro tem um pote de comprimidos de tampa verde. É o único de tampa verde. Pegue um pouco de água e traga um comprimido. - Sirius pediu. Sua voz estava calma, o que ia completamente ao contrário de seu olhar.

Em cima da pia do banheiro havia apenas uma embalagem de tampa verde e Remus pegou um comprimido. Encheu um copo e voltou para o quarto.

- É um calmante natural. Apenas para os nervos, é com plantas, não tem nenhuma droga dentro. - Sirius se viu explicando para ninguém específico. Queria deixar claro que não queria drogar a irmã. - Levante um pouco e tome, Lils.

A garota sentou-se na cama e aceitou o comprimido e o copo d'água.

- Peter! - Ela disse após tomar grandes goles de água. Os três garotos ficaram atentos ao que ela dizia. - Ele entrou no quarto e eu achei estranho. Começou a falar coisas sobre...sobre eu ter dado a entender que eu queria algo. Falou sobre o meu beijo na semana passada e então ele fechou a porta. - Sua voz falhou na última frase.

- Não precisa dizer nada. Eu não quero que você se obrigue a contar para nos dar a ideia do quão culpado ele é. - Sirius começou e passou a mão pelos cabelos ruivos da irmã. - Você não tem culpa e ele é um desgraçado maldito que nunca mais chegará perto de você.

Os quatro passaram duas horas dentro do quarto de Sirius. Lily dormiu um pouco graças ao calmante, mas sem largar Sirius nem por um segundo sequer. Remus ficou sentado na porta, para caso ter que agir se um dos dois garotos resolvesse tentar colocá-la abaixo também e James estava encostado na porta de vidro da sacada do quarto, o olhar perdido pelos jardins..

Naquelas horas, Sirius pensou em inúmeros jeitos de matar Peter, mas tinha que usar a razão além de apenas a sua sede de vingança. Talvez sabendo que o desgraçado iria escapar de alguma forma caso o denunciasse, passou a pensar em como proteger sua irmã. Dele e de qualquer outro filho da puta que ousasse pensar em fazer mal a ela. Não haveria homem no mundo que repetiria aquilo com Lily, ou tiraria proveito, porque ele ficaria por perto e sua irmã jamais choraria como chorou naquela noite.

Ele faria questão disso.

Soltando-se devagar do aperto de Lily, ele finalmente saiu da cama.

- Onde você vai? - Remus perguntou quando viu o amigo ir até a porta.

- Apenas ouvir. - Respondeu Sirius colocando o ouvido contra a porta e percebendo que a casa estava em puro silêncio. Alice deveria ter conseguido se livrar de todos e imaginava que Frank e os outros levaram Peter da casa. Para o bem de Peter Pettigrew, era bom que ele estivesse já na fronteira com a Escócia ou, de preferência, nadando em direção aos Estados Unidos.

- Eu vou conferir se está tudo ok. Fiquem aqui, vocês dois. - Remus tirou Sirius do caminho e destrancou a porta.

- Duvido que poderíamos ir a qualquer lugar, já que você vai trancar a porta quando sair. - James resmungou.

- Eu vi hoje que vocês dois podem botar uma porta maciça abaixo caso queiram, ela estando trancada ou não. Mas está certo em pensar que não vou facilitar para vocês.

Sem dizer mais nada, Remus saiu do quarto e trancou a porta.

Sirius foi até a sacada, abrindo a porta de vidro. Os jardins também estavam silenciosos e limpos, como se nenhuma festa tivesse acontecido ali horas atrás.

- O que você quer fazer sobre isso? - James perguntou logo atrás dele.

- Muitas coisas. - Sirius cobriu o rosto e apoiou os cotovelos na balaustrada. - Mas você sabe que qualquer coisa que fizermos, qualquer denúncia, cairá no limbo com o pai dele.

Peter adorava contar as histórias de seu pai, um grande juiz que conseguia livrar até os caras mais sujos da cadeia. O Sr. Pettigrew gostava de dizer de si mesmo que poderia livrar até mesmo Hitler caso ele fosse julgado hoje em dia e agora Sirius se perguntava como podia relevar aquele tipo de comentário, mesmo achando bem idiota já na época. Se tivesse raciocinado, estaria afastado daquela família antes e nada disso teria acontecido hoje.

O Sr. Pettigrew era um pedaço de bosta, assim como seu filho. E Sirius sabia que se eles fossem até a polícia com o caso, algo aconteceria com a sua irmã, assim como acontecia com muitas testemunhas ou qualquer um que fosse contra o juiz.

E denunciar o filho dele...Sirius não conseguia nem imaginar o que, eventualmente, poderia acontecer.

- Se formos para a polícia, talvez eles...eles poderiam fazer algo contra Lily. - James tirou as palavras de sua boca. - Mas se nós formos atrás de Peter…- Ele deixou a frase em aberto. - Nós sabemos por onde ele passa todos os dias, os lugares que ele frequenta, os horários...

- Eu não vou te colocar nessa, James.

- Você não estaria me colocando, eu estaria indo de boa vontade. Eu quero acabar com ele, Sirius, ele não pode sair dessa ileso.

Ouviram a porta do quarto destrancar e Remus veio até eles.

- Não há mais ninguém.

Sirius passou pelos amigos, deu uma última conferida em Lily, que continuava adormecida, e saiu do quarto. A porta do quarto de Lily estava apoiada na parede agora, mas completamente destruída, e ele foi até lá, como se quisesse conferir que Peter não estava mais por ali. O sangue que foi arrancado daquele desgraçado havia sido limpo e tudo parecia no lugar - sem contar a porta.

- Tenho que ir resolver esse problema da porta antes que a minha mãe volte ou ela vai me matar. - Disse baixinho quando percebeu que alguém estava na entrada do quarto.

- Eu posso ir resolver isso. Você tem que ficar com Lily agora. - Remus respondeu.

- Eu tenho que fazer algo, Remus. Senão eu vou enlouquecer e sair daqui para cometer um assassinato.

Tinha que se ocupar. Passou duas horas dentro do quarto se afundando em pensamentos negativos e criminosos, tentando descobrir o melhor jeito de tirar Peter da face da terra. Então tinha que fazer algo de suas horas antes de colocar aquelas loucuras em ação.

- Eu vou com você. James pode ficar com Lily e, se precisar, nos liga e a gente volta.

Era um bom plano. Tinha que ouvir mais Remus naquele momento do que suas próprias ideias, porque o amigo era centrado e sabia o que fazer. James era a pessoa que mais confiava e sabia que podia cuidar dela.

Onde ele estava, aliás?

Voltou para o corredor e foi até o próprio quarto, mas apenas Lily estava ali. Desceu as escadas, com Remus em sua cola, e ouviu um barulho na cozinha. Ali acharam James, pegando gelos e mais gelos, colocando-os em um saco plástico e cobrindo sua mão. O garoto de cabelos despenteados não parecia notar que tinha companhia, conversando consigo enquanto olhava para os jardins de trás da casa. Em um rompante e com a mão esquerda que estava livre, ele deu um soco na pia, assustando Remus, mas não abalando Sirius.

- James. - O garoto se virou surpreso com a presença deles. - Eu preciso ir resolver o problema da porta e Remus vai comigo. Poderia ficar com Lily neste meio tempo?

- Claro. - Ele respondeu baixo, voltando a se ocupar do gelo.

- Obrigado.

Saiu da cozinha e foi até o escritório de Orion. Pegou a chave escondida dentro de um vaso e que abria uma das gavetas do pai. Ali dentro, estavam os documentos mais importantes da família, assim como uma caixa com a bebida que Orion sempre degustava quando estava estressado...e um baú com uma arma.

Ficou encarando o conteúdo da gaveta por alguns longos segundos, debatendo, pensando em consequências, no futuro e em sua irmã.

Não estava acreditando que aquilo havia acontecido com ela, e o culpado era alguém que confiava tanto. Aquelas aulas que tanto ignoravam na escola e que ele mesmo já ignorou, explicando tanto sobre abuso...sobre a proximidade do abusador poder ter da vítima, voltava a toda hora e não conseguia se conformar.

Olhou para o baú com a arma. Ele parecia brilhar e chamá-lo para abrir, dar uma olhada ali dentro.

- Filho da puta. - Resmungou, pegou a chave do carro do pai que ali estava e fechou a gaveta com raiva, ignorando o baú.

Peter não iria ter o gosto de vê-lo na prisão por sua causa, mesmo que fizesse isso do inferno que ele, com certeza, iria.

- Você vai dirigir? - Remus perguntou quando Sirius chegou no hall de entrada.

- Não dá para trazer uma porta até aqui de outra maneira.

- Você não tem …

Sirius não ficou para trás para ouvir o resto do sermão do amigo sobre estar longe de ter uma carteira de motorista, indo em direção a garagem. Remus olhou para James, preocupado.

- Ele não vai bater e vocês não serão pegos. - James disse, não ajudando muito em assegurar o amigo. - Mas é melhor ele ter alguém ao lado do que fazer isso sozinho.

Concordando com a cabeça, Remus saiu apressado atrás de Sirius.


Aos quatorze anos, vê que muitas pessoas podem ser afetadas por um único acontecimento.

E tem certeza de que nunca estará sozinha.

Seus olhos estavam pesados, mas ela insistiu em abri-los de qualquer forma. Sentia que poderia dormir mais um dia inteiro e ainda teria a sensação de que não dormiu o suficiente. Levantou o olhar e deparou-se com uma sombra sentado na poltrona do irmão e, mesmo com a vista embaçada de cansaço e com a luz do fim de tarde invadindo o quarto, sabia que não era o seu irmão.

Esfregou os olhos, tentando acordar de vez e viu James esparramado, uma lata de refrigerante na mão pendurada ao lado do braço da poltrona. Ele tinha os olhos fechados, mas sabia que ele não estava dormindo. Confirmou a informação quando o viu levar a lata até os lábios e dar um gole, largando a mão ao seu lado novamente. Viu que no chão, logo abaixo da lata que segurava, tinha um saco plástico que continha um líquido, talvez água.

Limpou a garganta enquanto sentava-se contra a cabeceira da cama, o que fez James abrir os olhos no mesmo instante e se virar para ela.

- Como você está? - Ele perguntou, sem rodeios, também se ajeitando na poltrona para vê-la melhor.

- Cansada.

- Quer algo para beber?

- Um copo d'água seria bom.

James saiu do quarto e demorou um minuto para voltar com uma garrafa de água fresca e um copo. Ele entregou o copo para ela e a assistiu dar longos goles, como se tivesse passado um mês no deserto e sua garganta estava cheia de areia.

- Obrigada. - Colocou o copo vazio na mesa de cabeceira. Olhou para James, que estava parado ereto ao seu lado. - Onde estão todos?

- Sirius e Remus foram resolver o problema da porta do seu quarto. - Ele limpou a garganta, parecendo desconfortável. - Você quer que eu ligue para Sirius? Ele pode voltar...

- Não, está tudo bem. - Não sabia o que estava deixando-o tão desconfortável daquele jeito, já que James nunca pareceu se importar em ficar sozinho com ela antes. - Você está bem?

- Sim, sim. Estou bem. - Ele limpou a garganta novamente, mudando a garrafa d'água de mão sem parar.

- O que é aquilo? - Ela perguntou, apontando para o saco com o líquido no chão. Os olhos de James seguiram seu dedo apontando e ele pareceu feliz em falar sobre algo normal.

- Ah. Era a minha compressa de gelo.

- Compressa de gelo…?

Os olhos verdes caíram para a mão dele e se arregalaram ao ver que a mão direita estava inchada, vermelha e com vários pequenos cortes. Delicadamente, ela a pegou para examinar melhor.

A culpa caiu como uma âncora agora. Ele havia se machucado por sua causa e, ao invés de ajudá-lo, ela havia dormido como uma criança indefesa enquanto ele tinha que usar compressas. Devia estar doendo muito.

- Me desculpe. Meu deus, me desculpe. - Ela repetiu mais algumas vezes. - No porão, Sirius tem umas bugigangas de gelo no congelador para quando ele faz exercícios, eu vou pegar…

- Lily. - James a impediu de se levantar. - Está tudo bem comigo, não se preocupe. - Ele ia se sentar na ponta da cama, ao seu lado, mas se impediu. - Vou pegar a poltrona.

Lily o segurou pelo braço, fazendo-o sentar na cama.

- Não precisa. - Ela disse, sorrindo fraco para ele. - Por favor, não mude comigo pelo o que aconteceu.

- Eu só não quero que você fique desconfortável comigo. - Ele passou as mãos na calça, nervoso.

- Dificilmente eu ficaria desconfortável com você. É uma das pessoas que eu mais confio, mesmo sendo o melhor amigo de Sirius e não o meu.

Aquilo pareceu lhe acalmar, pois James relaxou os ombros e dava a impressão de estar mais confortável em sua presença. Ainda sim, ele parecia bem pensativo, encarando suas mãos, mas parecia ignorar a que estava muito machucada, como querendo esquecer dos machucados e do por que deles estarem ali.

- Escute…- Ele começou, a voz muito mais tranquila. - Não se desculpe por nada do que aconteceu hoje. Nada, ok?

- Mas olhe a sua mão!

- Isso vai sair em alguns dias e nem dói tanto quanto você pode imaginar.

Na verdade, estava doendo como o diabo, mal deixando-o fechar os dedos, mas nunca diria aquilo para ela. James nunca havia batido em alguém daquele jeito antes. Na verdade, havia brigado algumas vezes em Hogwarts, mas os socos e chutes trocados haviam sido mínimos, comparado com os de hoje...que foram carregados de ódio. Não sabia que os sentimentos por alguém poderia mudar tão rápido quanto quando derrubou a porta com Sirius e viu Peter, alguém que ele considerava quase como um irmão por tantos anos, prendendo Lily contra a parede.

Era aquela típica comparação de um touro e um toureiro: viu tudo vermelho, o ódio o tomou em um segundo e, quando percebeu, já estava em cima dele, sua mão acertando Peter e querendo mais e mais. Um sentimento que não poderia descrever, pois foi tão forte…

Sua atenção voltou para a ruiva. Não queria ficar revivendo aquela cena, preferindo focar na Lily que estava presente do que na das imagens que voltavam toda hora em sua mente.

- Sardenta. - Ele chamou sua atenção. - Olha, eu queria poder apagar o que aconteceu com você. Queria poder saber antes que Peter é um idiota deste calibre, assim ele nunca se aproximaria. Tenho certeza que Sirius faria questão de mantê-lo longe e Remus e eu estaríamos 100% nisso. Mas acho que fomos cegos o bastante ou idiotas o suficiente para deixar as dicas passarem batidas.

- Vocês não poderiam saber.

- Será? Pensando agora, eu vejo que ignoramos muitas coisas que apontavam que ele era um idiota. - Lily começou a balançar a cabeça, negando, não querendo que ele se culpasse. - Mas isso não interessa, eu acho. Não mais. Você não é culpada pelo o que aconteceu, nós estávamos cegos e Peter é o único que merece o rótulo de culpado. Então, por favor, não peça desculpas por nada...não por ter deixado a porta aberta, não por ter pensado que Peter era alguém decente e, muito menos, pela minha mão. Sabe que Remus e eu estaremos sempre aqui para você, não importa o que precisar, certo?

Ele sorriu, encorajando-a a sorrir com ele, mas por alguns segundos, pois ela olhou para baixo, brincando com os dedos.

- Eu dei muita liberdade enquanto jogávamos. Eu o abracei para comemorar, fiquei perto demais.

- Quantas vezes eu já não te peguei no colo em brincadeiras, te jogando na piscina ou no mar. Todas as vezes que você subiu nas minhas costas, depois de eu perder alguma aposta, me fazendo te carregar para cima e para baixo. Sabe quando você liga tarde da noite para Remus, pedindo que ele te arranje convite para as festas que o seu irmão não quer que você vá e Remus não pensa que você está interessada nele só por ficar ligando para ele tarde da noite? - Lily arregalou os olhos. - Sim, eu sei que é com Remus que você arranja os convites, assim como Sirius também, mas ele finge que é cego. Eu posso te dar uma lista de coisas que já fizemos juntos e que poderiam dar mais margem para pensarmos que você tem interesse, mas nunca fizemos. Porque temos cérebros e não somos uns fudidos tarados. E, ainda que pudéssemos pensar que você tem interesse, não iríamos fazer o que ele fez. - James pegou o copo dela e encheu com um pouco mais de água, entregando-a. Lily bebeu o conteúdo com gosto. - A culpa é inteiramente dele, ok?

- Ok! - Ela respondeu cabisbaixa. James levantou o rosto dela para encará-lo.

- Promete para mim que, quando a culpa tentar virar a mesa, você vai pensar no que conversamos aqui?

- Eu prometo.

A voz quebrada dela machucava seus ouvidos. Quando Orion Black faleceu, viu os olhos verdes opacos e sem vida pela primeira vez na vida, mas Lily foi tão forte, sendo uma rocha para sua mãe e para Sirius, que mesmo quebrada, ela ainda parecia a Lily.

Ali agora, em sua frente, via novamente aquele brilho se esvair...e de um jeito diferente, um pouco mais sombrio, e aquilo começou a assustá-lo.

- Sardenta, eu preciso te perguntar. - Lily levantou os mesmos olhos sem brilho para ele, fazendo James quase desistir. - Peter, ele...ele fez ou chegou a…

- Não! - Ela se apressou em responder. - Ele não teve tempo de fazer nada, ahm, pesado. Apenas...me segurou e disse coisas...e me beijou no pescoço. - A ruiva passou a mão pelo pescoço, como se o limpasse. - Ele é nojento. Nojento!

Não sabia o que dizer, além de concordar com ela. Podia apenas imaginar pelo o que ela estava passando agora, mas longe de poder saber toda a força e os sentimentos que a tomava.

- Eu sinto muito por isso. - Ele conseguiu dizer. - Você não saberia o quanto. Mas ele vai pagar.

- Eu acho que ele já pagou. Eu não vi o que aconteceu exatamente, mas pelo o que eu ouvi, posso imaginar.

- Ele está longe de ter pago qualquer coisa! Se depender de mim, ele nem deu um centavo por isso.

Lily se aproximou, sentando ainda mais perto dele, balançando a cabeça com vigor.

- Não se meta com ele, por favor. Nós todos sabemos de onde ele vem, do seu pai, de tudo.

- Ele encostou em você! Ele te atacou! A gente não pode deixar isso assim.

- Eu sei o que ele fez, obrigada. - Ela reclamou, fazendo James murmurar um "desculpe" sincero. Respirando fundo, Lily apenas continuou. - Ninguém mais precisa se machucar ou se ferrar por conta disso. Ele sendo o único saindo daqui com algumas boas marcas no rosto, já basta. Isso também evita que as outras pessoas saibam. - De repente, ela arregalou os olhos verdes. - Você acha que alguém viu ou ouviu? Será que as pessoas vão saber?

- Não, ninguém sabe o que aconteceu, além de nós! Os caras só viram Sirius brigando com Peter e nada mais. Clara, a intercambista espanhola que estava com Sirius, já recebeu uma ligação do seu irmão para pedir que ela não diga nada do que ouviu Remus dizer. Até duvido que ela tenha entendido o que Remus disse. Você sabe como ele pode falar enrolado e com o sotaque de Newcastle às vezes. Nem a gente entende.

Aquilo fez um pequeno sorriso aparecer nos lábios dela.

- E eu nunca vou abrir a minha boca, assim como Remus, com sotaque ou sem sotaque.

- Eu nunca pensaria diferente de vocês. - Ela respirou fundo.

- Isso vai ficar entre nós, eu juro. A não ser que você queira falar para alguém. Mas se você quiser conversar sobre o que aconteceu, quando os pensamentos ficarem demais, também conte conosco. Nós não estamos aqui apenas para dar uns bons socos na cara dele.

Lily sorriu e segurou a mão esquerda dele, a sem machucados, e apertou. James podia sentir todo aquele sentimento puro de agradecimento que ela lhe passava e se viu tão feliz e orgulhoso em ser alguém que ela poderia confiar, que sentia-se um tirador de vantagem em gostar daquela garota e ter querido se aproximar de outro jeito além da amizade. Isso não fazia sentido algum, mas depois do que aconteceu… como ele poderia fazer algo? Como?

Barulhos no andar debaixo fizeram com que James saísse daquele momento de auto-piedade e levantasse da cama.

- Acho que voltaram. Devem precisar de ajuda. - Ele se virou para ela. - Você vai ficar ok se eu for?

- Sim. Eu vou tomar um banho, um bem merecido. - Ela esfregou o pescoço novamente, inconscientemente desta vez, ele notou.

Ele assentiu, não querendo sentir-se mal por ela e, muito menos, demonstrá-la isso.

- Ela ainda está dormindo? - Sirius perguntou quando viu o amigo descendo as escadas.

- Não. Está indo tomar banho agora.

- E como ela está?

Entre o olhar de Lily e a voz de Sirius, James podia ver que aquele acontecimento viria como um segundo baque enorme para eles. O segundo em menos de um ano e esperava que eles continuassem tão fortes quanto ficaram no primeiro.

- Não está pulando de alegria, como se pode imaginar. Nós conversamos um pouco, tentei dizer que não é culpa dela, mas acho que ela vai precisar de ajuda.

Euphemia Potter gostava de fazer muitas visitas aos hospitais, orfanatos e todo e qualquer centro de ajuda. As histórias que James já ouviu de sua mãe, incluindo as que ouviu das pessoas diretamente quando era menor e Euphemia o trazia junto, eram inesquecíveis e de um jeito ruim. Conheceu mulheres que haviam sido abusadas, apesar de na época não ser tão específico para ele e um garoto de dez anos não tivesse a empatia necessária para isso. Mas hoje ele lembrava daquelas mulheres, do rosto delas, do olhar vazio.

Aquele olhar vazio não poderia ter residência fixa em Lily.

- Eu vou conversar com ela. - Sirius respirou fundo e largou a grande e longa caixa que trazia com Remus.

- E vocês vão contar para sua mãe?

A pergunta de Remus ficou pendurada no ar enquanto Sirius pensava.

- Seria o ideal, mas se eu conheço bem a minha irmã, ela não vai querer. Não quando a nossa mãe ainda está tão abalada. Eu vou conversar com ela, saber o que ela quer fazer. A última coisa que eu quero, é forçar a minha irmã a fazer algo agora.

- Um adulto precisaria saber disso. - Remus insistiu. - Não são dois irmãos de quatorze anos que deveriam escolher. Ou não sozinhos.

- Isso vai depender de Lily.

O tom de Sirius indicava o fim da discussão e James preferiu não se intrometer no assunto. Compartilhava a ideia de Remus, e também entendia Lily, caso ela quisesse poupar a mãe.

- Vamos colocar logo essa porta no lugar. - Disse pegando na frente da caixa, enquanto os outros dois amigos levantaram na outra ponta.

Para três garotos que nunca colocaram uma porta na vida, eles se saíram bem. Ficaram em silêncio na maior parte do tempo, provavelmente querendo esquecer e ignorar o que aconteceu naquele quarto algumas horas atrás.

O barulho de uma outra porta abrindo chamou a atenção dos três, que viraram para assistir Lily saindo do quarto de Sirius com os cabelos molhados e vestindo um conjunto de moletom do irmão. Ela parou no corredor e os encarou de volta.

- Lils. - Sirius largou a ferramenta que ainda segurava e já começou a vir até a irmã, mas ela levantou a mão para ele, o impedindo de prosseguir. Surpreendendo a todos, ela sorriu para ele.

- Está tudo bem. Eu estou bem. - Ela disse e limpou a garganta, enquanto via o trabalho deles. - Obrigada pela porta, garotos.

- Você precisa de alguma coisa? O que eu posso fazer? - Sirius insistiu, dando ainda outro passo em sua direção.

- Parar de me tratar como se eu fosse quebrar. - Ela respondeu. - Eu sei que você está preocupado, mas não quero fazer isso pior do que é agindo como se eu fosse uma coisinha frágil que precisa de conserto. Isso vai passar...como tudo passa.

Lily soava segura de si, apesar de seu olhar ainda estar um pouco instável. James olhou para Remus e fez um sinal sutil para que fossem embora. Sabia que agora eram mais intrusos ali do que qualquer coisa, tendo que deixar os dois irmãos passarem por aquele momento juntos, do jeito que apenas Sirius e Lily poderiam fazer.

Remus assentiu para James e se aproximou de Sirius.

- Nos ligue caso precise de algo, caso mude de ideia. Nós somos três testemunhas, além de Lily... contra ele. - Remus sussurrava.

- Ele é um imbecil com um pai muito poderoso que não hesitaria em machucar a minha irmã. - Sirius trincou os dentes, mas se forçou a se acalmar. - Obrigado pela ajuda, Remus. Obrigado por ter visto...se não fosse você indo checar...

- Não vamos pensar nisso, porque não foi o caso, ok? - Remus deu um tapinha no ombro do amigo e o apertou, tentando consolá-lo. Foi em direção a Lily e bagunçou os cabelos dela. - Tchau, Lily. Eu te vejo na segunda.

- Tchau, Rem. Obrigada por tudo.

Ele sorriu para ela, acenou para James e desceu as escadas.

- Eu ainda estou com Remus sobre fazer algo, mas você sabe...de um jeito mais radical. - James comentou para Sirius quando se aproximou do amigo, também baixo o suficiente para a ruiva não ouvir.

- Você será o primeiro a saber caso esse plano venha à tona. Tome conta dessa sua mão e obrigado, você sabe, por ter feito tudo o que fez. Eu vi hoje que minha irmã está salva de qualquer babaca com você por perto.

James apenas assentiu, mas não respondeu. Ele também olhou para Lily e tentou sorrir.

- Te vejo segunda, Sardenta.

- Para o meu desgosto. - Ela respondeu, mas sorriu. - Obrigada, Descabelado.

Cumprimentando Sirius da mesma maneira que fizera com Remus, James abriu a porta e estava pronto para sair, quando ouviu a voz de Lily chamando-o novamente.

- O que, afinal, você queria falar comigo antes? Eu fiquei tão curiosa.

Sentiu o peso daquelas palavras em seu peito. Parecia que aquela conversa na cozinha havia sido há tanto tempo, quase como se nunca tivesse existido. Sirius, curioso, também esperava por sua resposta e James se pegou olhando de um para o outro, ainda sentindo toda a raiva do dia gritando em sua cabeça, assim como o que queria ter feito, o que deveria ter feito quando teve a chance mais cedo.

Aos quatorze anos, você pode tomar decisões que irão definir seus quatro anos seguidos. Até o momento em que descobrirá que, não podendo prever o futuro, aquelas decisões do passado não valerão nada para o presente.

- Não era nada, Sardenta. Não é mais importante.

Abaixou a cabeça e saiu da casa do melhor amigo e da garota que ele tinha que esquecer agora.

Aos quatorze anos, você também pode deixar a tristeza que acumulou por um ano, vir à tona. E você não será fraca por isso, porque está na hora de alguém ser forte por você enquanto se deixa esvaziar.

- Lembra todas aquelas filmagens de Natal que papai gravou em DVD? - Ela comentou quando ouviu a porta da frente fechar quando James saiu.

- Sim. - Sirius respondeu.

- Você pode me mostrar onde estão?

Sorrindo levemente e um pouco triste, Sirius veio até ela e a abraçou pelos ombros, guiando-a pelo corredor, escadas abaixo. Ele sabia que Lily tinha plena noção de onde os DVDs estavam, entendendo que ela pedia algo completamente diferente do que saiu de sua boca.

- Sim e eu vou adorar assistir com você.

Lily se aconchegou nele, sentindo que era hora de deixar as lágrimas por Orion e um pouco pela tristeza do dia, saírem para que pudesse se reerguer novamente.

Porque ela ia se reerguer daquilo.


N/A:

Oi, gente. Tudo bem? Para quem leu "Say", sentiu um pouco essa vibe de flashback :D

E antes que vocês partam, apenas queria avisar que essa fic não é drama, ok? Esse episódio era necessário apenas para a compreensão da história. A partir do capítulo que vem, nós vamos embarcar na loucura Potteriana com a Lily xD

Resposta para reviews sem login:

Jullie: Fico feliz que tenha gostado do capitulo hahahaha apesar de ter querido dar um soco no Sirius LoL mas totalmente compreensivel :P O sexo masculino nos da esses sentimentos muitas vezes. E fico feliz que nao goste do Edgar tbm xD Obrigada por estar seguindo aqui e espero que continue gostando das fics :D Beijooos

Thaty: Ebaaaaa, chega maaaais xD Olha essa pressão que eu senti agora por estar escrevendo a tematica favorita. Mas confesso que é a minha também, então to tentando fazer de um jeito que agrade lol Beijos Beijooos

Mah: Ninguém pode discordar que Sirius foi um babacão mesmo, mas talvez ele aprenda uma coisa ou outra sobre isso ;x Nada melhor do que errar e aprender com isso, né? ;) Espero que tenha gostado (dentro das circusntancias) deste tbm :D Beijooos

MBlack: Yeeeey adoro, adoro, adoro saber que tenha gostado Vou continuar sim e espero que voce continue gostando. Beijooos

Sneak peeks, agora, sendo postados no insta xD Tenho tentado postar no dia seguinte do capitulo, então fique de olho ;) *as vezes posto mais de um até o próximo capítulo, então fique de olho em dobro*

Dá aquela comentadinha marota também. Ajuda que é uma beleza :D

Beijos e até a próxima :*