J~L
É verdade
Gosta dela como vê
Talvez ela de você
Nem pergunte a ela.
Pois não vai falar, só vai demonstrar se você a beijar.
(Beije a moça - A Pequena Sereia)
Alegria era a palavra daquela manhã de sexta-feira para Lily.
Alegria por ser sexta-feira, mas principalmente, por como a sua quinta-feira terminou. James havia se despedido dela com um beijo. No rosto, mas ele havia dado o passo quando Lily mesma havia decidido apenas entrar na casa e não dar ela mesma o beijo. Ele escolheu ir até ela e lhe dar aquele beijo que não era necessário na dinâmica entre eles. Era um passo a mais para eles e ela não teria palavras para descrever como foi dormir naquela noite, como a boba esperançosa que se sentiu.
Novamente, acordou mais cedo do que o previsto, tendo tempo de tomar café da manhã com a sua mãe, podendo conversar e sair um pouco do tornado que estava em sua cabeça e corpo desde ontem. Geneviève contou sobre um cliente importante da nata de Londres e como as pessoas poderiam ser ruins quando sentiam-se tão poderosas. Parecia que a mãe precisava desabafar e ficou feliz em estar ali para ela. Orion era a rede de suporte para ela desde sempre e Lily sabia o quanto sua mãe sofria ainda todos os dias por não tê-lo mais.
Pensou em continuar na cozinha e comer enquanto a mãe saia para o trabalho, mas James ainda demoraria para vir, então subiu para o quarto para se trocar.
Quando o seu celular começou a tocar em cima da cama, ela correu para atender. Talvez fosse James querendo saber se ela havia acordado, já que não estava lá embaixo.
- Caiu da cama? - Ela atendeu quando viu o nome do irmão na tela.
- Algo assim. - Ele respondeu, bocejando. - Não consegui dormir direito, pensando na volta para casa.
- Como assim? Você não quer voltar?
- Pelo contrário. Estou ansioso.
Ela franziu o cenho enquanto tirava a saia do armário e colocava na cama.
- Poderia ser mais específico?
- Não. - Ele respondeu, fazendo a irmã parar no meio do quarto, confusa. - Te explico quando chegar. Ou amanhã. Acho que volto muito tarde hoje.
- Vai aproveitar os últimos momentos com Marlene?
Quase podia ver Sirius revirando os olhos.
- Se você quer saber, sim. É exatamente por isso.
- Hm. - Lily sorriu. - Você gosta bastante dela, Sirius. Por que não ficam juntos de uma vez?
- É complicado e você sabe.
- Não é não. Em alguns meses você estará chegando em Oxford. Qual o problema de ficarem à distância durante esse tempo?
- Lily...- O irmão suspirou. - Conversamos depois.
- Ah...ela está por perto, não? - A ruiva não esperava uma confirmação, já que não era necessária. - Conversaremos quando você chegar.
- Enfim...eu preciso falar com James, vou ligar para ele. - Sirius perguntou, mudando de assunto. - Te vejo hoje à noite, caso você ainda esteja acordada.
Desligando, ela jogou o aparelho de volta na cama e trocou seu pijama por uma saia e camiseta. O tempo inglês estava ficando cada vez mais louco, ficando quente mais cedo no ano do que o normal.
Desceu as escadas e ouviu a voz dele. Não estava no hall desta vez, mas vinha da cozinha.
- Acho que ele vai querer fugir. - James dizia. Lily foi se aproximando e seus olhos se depararam com ele apoiado no balcão de costas para ela, dando uma bela visão de seu traseiro naquele jeans perfeito. - Ainda sim. Você lembra como ele fugia dela?
Antes de subir para se trocar, ela deixou suas frutas intocadas no balcão sabendo que James as encontraria. E não estava surpresa ao vê-lo ali, comendo. Havia algo instigante em ver aquela cena hoje em dia. Anteriormente, ela até brigaria com ele por roubar suas frutas...agora, ela só queria poder dividi-las com ele.
Parecendo sentir que não estava mais sozinho, ele se virou: uma mão segurando um morango e a outra com o celular. Percebeu que ele lhe deu uma olhada rápida de cima a baixo, antes de continuar com Sirius.
- Você quem sabe. Eu não vi o que você viu, então talvez você esteja certo. - Jogou o morango na boca e se recostou, de frente para ela dessa vez. - Não que você esteja certo sempre, mas enfim. - James escutou um pouco mais de Sirius e revirou os olhos. - Certo, certo. Eu tenho que desligar, sua irmã está aqui. Ok. Amanhã.
Desligou e pegou uma outra fruta, não tirando os olhos da ruiva.
- Bom dia. - Disse Lily. Esperava que soasse casual, pois vê-lo lhe dava uma loucura sem igual.
- Bom dia. Obrigado pelo café da manhã. - Pegou uma última fruta e jogou na boca. - Pronta?
- Pronta.
Ela saiu da cozinha primeiro, tendo plena consciência dele logo atrás dela. Era um campo elétrico enviando faíscas em suas costas, deixando sua nuca completamente arrepiada. Uma presença que poderia ter estado ali por anos, passando despercebida, mas que não poderia ignorar mais.
Já no pátio, ele desligou o alarme para ela e, como não precisava de ajuda para andar, Lily foi para o lado do passageiro sozinha. Havia algo diferente no ar, mas não era algo ruim. Era uma tensão boa de algo que ambos estavam conscientes agora: de que Lily queria algo e que ele parecia estar com ela nessa. Mas nenhum dos dois parecia saber o quê ou como fazer com aquilo ainda.
- O que o meu irmão tanto queria falar com você logo pela manhã? - Resolveu puxar assunto, antes de puxá-lo pelo pescoço.
- Seu irmão é louco.
- Ninguém tinha te enviado o memorando antes? Claro que ele é. Mas por quê?
- A filha da sua prima Andrômeda...Ninfadora.
- Dora? - Lily perguntou estranhando a conversa sobre a prima de dezesseis anos. - Algo está errado com ela?
- Não, ao contrário. Está muito bem. Sirius trombou com Andrômeda em Oxford ontem e Dora estava junto. Já faz alguns anos que vocês não se vêem, certo?
- Graças a parte ruim da família Black. - Lily resmungou. - Andrômeda foi para o norte da Inglaterra e não nos vemos por anos.
- Aparentemente estão voltando e Dora quer Oxford em dois anos. Andrômeda estava lá para começar um dossier com o conhecido da família.
- Certo. - Ela ainda não entendia o motivo de Sirius ser louco nessa história.
- Dora está muito bonita e Sirius quer apresentá-la.
Sua mente entendeu logo em seguida o que ele estava falando e a raiva subia como vapor em todo o seu corpo. Seu irmão queria apresentar - ou reapresentar, no caso, pois James conhecia Dora a anos -, Dora para ele? Para o quê? Serem namorados? Ela ia matar seu irmão quando chegasse.
- Não sabia que ele bancava o cupido agora. - Seus dentes quase rangeram de tanto que os apertava.
- Nem eu. Remus vai ficar louco. Lembra o quanto ela corria atrás dele quando éramos pequenos? Ela sempre foi apaixonada por ele.
Espera. O quê?
- Sirius quer empurrar Dora para Remus ou para você? - Por favor, diga "Remus". Por favor.
- Para Remus! - James quase gritou de indignação. - Jesus, está louca? Dora é engraçada e tudo mais, mas definitivamente longe de ter estado na minha lista um dia. - O alívio do tamanho do Everest escapou de seu corpo, seus ombros caindo. - Porém, Remus vai ficar puto. Ele ficava nervoso com ela em cima dele.
- Ou não. Dora não atualiza nenhuma social media, mas na última foto que vi, ela estava linda.
Depois de conflitos sem fim por conta de seu casamento, Andromeda havia se afastado completamente de Londres - ou por deus, do Sul da Inglaterra o máximo que podia -, e se refugiou em Carlisle, com quase um pé na Escócia. Desde então, todos de Londres mal os viam. A última vez talvez tenha sido no velório de Orion e com a estadia de Dora na casa durante o verão na mesma época. Depois, se falavam apenas pela internet e isso requeria um esforço hercúleo, já que Andrômeda e Dora não eram fãs de redes sociais.
Mas uma coisa é certa: se tivesse alguém que poderia entender Remus quando bêbado ou nervoso, essa pessoa poderia ser Dora. Não que Carlisle ficasse tão perto de Newcastle, mas era no norte o suficiente para isso.
Lembrou quando a pequena Dora de apenas doze anos se apaixonou por Remus naquela época, seguindo-o por todos os lados. O garoto não sabia o que fazer, já que ele nunca faria algo com uma garota de doze anos, e obrigando Sirius brigar com a prima o tempo todo para dar espaço para ele e os amigos. Lily foi encarregada de ser babá de Dora, levando-a para o shopping ou parques, deixando-a o mais ocupada possível para que os garotos tivessem suas liberdades de garotos irresponsáveis pela cidade. E ela nunca reclamaria, já que o ocorrido com Peter havia rolado a alguns meses e uma distração havia sido boa.
- Acho que ela vem na semana que vem, no feriado. Sirius quer dar um jantar sem compromisso para jogar a coitada na rede de Remus.- James continuou. - Você não estava sabendo disso?
- Não. Sirius dificilmente diria que está bancando o cupido para alguém da família, ainda mais para mim. - Ela se ajeitou no banco, pensando em como o seu irmão era cara de pau. - Engraçado, não? Quer arranjar algo entre Dora e Remus e eu...pf...fico a ver navios.
- Você não estava a ver navios até semana passada.
- Mas não é como se o meu irmão tivesse me apoiado nessa, não é mesmo? Por que fazer isso com Dora, mas não comigo?
- Você queria ser empurrada para Remus? - James perguntou bruscamente, se virando para ela.
- Não, seu besta. - "Queria ser empurrada para você". - Falo sobre ele não ser um neandertal para cima dela, mesmo Dora ser mais nova do que eu.
- Acho que sabemos o que pesa nessa equação. - Ele limpou a garganta logo depois, lembrando-se de Peter. - De qualquer maneira, o seu irmão é estranho, então não ficaria surpreso em vê-lo agindo de maneiras bizarras.
E se ela dissesse para Sirius sobre o que vinha rolando com James? Bom, não tinha nada rolando, mas ela queria que rolasse. Tinha certeza que aquela história de Dora com Remus era apenas por ser com um amigo que ele confiava muito. Sirius não iria entregar a prima para qualquer um.
Por que, então, não ela e James?
Viu que o dito cujo estava concentrado na direção, mas pensativo. O que será que rondava os pensamentos dele? Será que, após aqueles joguinhos da semana, ele não pensava muito no que acontecia? Ou nela?
Chegou a pensar se ele estava apenas tirando com a cara dela, mas via as expressões e reações dele. Eram genuínas, não era possível que estivesse lendo tão mal os sinais.
- Você vai ficar com frio. - A voz dele quebrou o silêncio.
- Como é? - Ela perguntou.
- Vai chover mais tarde e você vai ficar com frio. - Ele olhou para ela rapidamente, meio que apontando com os olhos suas roupas.
- Besteira.
- Você tem alguma blusa de frio na bolsa?
- Não. Mas não vou ficar com frio, porque não vai chover. Olha este céu lindo e raro, Descabelado.
Ele deu ombros, um sorriso de sabichão escapando. James ainda era irritante, além de lindo.
Remus, como sempre, estava esperando por eles no estacionamento da escola. Lily apreciou o sorriso do amigo, querendo que ele aproveitasse o quanto podia, pois sabia que Sirius viria com tudo em relação a Dora.
- Como está o casal?
Aquela mania! Agora ela torcia para que Sirius viesse mesmo com tudo.
- O que vai fazer no feriado? - James esquivou da pergunta do amigo jogando outra. Ele abraçou Remus pelos ombros.
- Nada até onde eu saiba.
- Jantar na casa do Black...- Lily pigarreou, chamando a atenção deles. James revirou os olhos. - Dos Black-Evans. Você está convidado.
- Ok. Alguma comemoração específica?
- Talvez, veremos. - James respondeu e começou a empurrar o amigo. Ele olhou para trás e piscou para ela.
E mesmo sabendo que era sobre o assunto Remus-Dorcas, aquela piscada lhe deu frios na barriga que apenas ele conseguia.
L~J
Sexta-feira era o único dia da semana que Lily dividia aulas com James. Estava acostumada com aquilo, mas como estava cansada de pensar e repetir, aquela semana não era muito normal e estar na presença dele sempre lhe dava aquele frio na barriga e fazia seu coração acelerar.
Ao sair da aula de História Avançada, entrou na sala de Inglês VI. Remus e James já estavam sentados e conversavam animados com Frank sentado na cadeira de trás. Alice chegaria logo da aula de Espanhol, então se acomodou na frente dos dois amigos sem que percebessem.
Eles conversavam sobre alguma luta que ocorreria na noite do sábado, algo que Lily não se importava muito, então pegou o seu celular e começou a rodar os aplicativos para matar o tempo. Deu like em algumas fotos...
- Oi!
Ela levantou o rosto para o assento ao seu lado.
- Este lugar está reservado. - Ela respondeu para Edgar.
O garoto apenas se ajeitou ainda melhor na cadeira e se aproximou pela mesa, apoiando o cotovelo perto dela.
- Você está muito bonita hoje. - Lily continuou sua atenção no celular. - Eu queria saber se você estaria mais tranquila para conversar hoje.
- Eu estou tranquilíssima para conversar, mas não com você ou sobre qualquer coisa relacionada a você, Edgar. Não estrague a minha sexta-feira, por favor.
Edgar se aproximou ainda mais dela, invadindo o seu espaço e obrigando Lily a se afastar um pouco. Ele sorriu de um jeito que Lily costumava gostar, mas agora parecia faltar tanta coisa naquele sorriso. Mais charme, mais malícia, mais intenções - boas e más -, além de seus olhos faltarem brilho.
- Estou tentando provar para os caras que os boatos que correm por aí não são verdade. - Ele continuava a sorrir e tentou aproximar a sua mão da dela, mas Lily a tirou de alcance.
- Quais boatos?
- De que você está com Potter.
Sentiu que sua alma saiu do corpo e olhou ao redor, vendo os amigos de Edgar do outro lado da sala os assistindo. Eles riam entre si, exatamente como imbecis sem maturidade que eram.
- Isso é ridículo. Eu não ouvi nada disso, além de ser pura mentira.
- Vocês têm passado muito tempo juntos.
- Ele está me dando carona. - Ela respondeu alto. Ouviu o movimento nas cadeiras às suas costas. Bom, agora parecia que seus amigos haviam percebido a presença dos dois ali. - Você sabe que eu não estou dirigindo.
- Sim, eu sei. Mas eu sei que você não está com ele? Isso eu não sei.
- Bones! - A voz falsamente animada de Remus veio da cadeira de trás. - A que devemos a honra deste lado da sala?
- O lado dos idiotas não fica do lado da porta? - James continuou.
Lily viu a veia que saltou no pescoço do seu ex-namorado, mostrando o quanto ele parecia estar se segurando.
- Aparentemente, não. Acho que é do lado da janela. - Ele respondeu.
- Então você está do lado certo e nós pegamos o seu lugar e de seus amigos. - Disse Alice, recém-chegada, em pé atrás de Edgar. - Ou se preferirem, nós podemos trocar tudo. Acho que não nos importamos em trazer o lado legal para cá e mudar o de idiota para lá. - Edgar ia comentar, mas a garota jogou sua bolsa na mesa em que ele estava e continuou. - Sai do meu lugar agora ou eu vou arrastar sua bunda até a sua cadeira na sua ala.
Levantando a mão como se pedisse paz, Edgar se levantou e fez uma mesura para que ela sentasse. Lily se virou para frente, perdendo os olhares hostis trocados entre Edgar e James e Remus.
- O que ele estava querendo? - Alice perguntou.
- Encher o saco. - Lily olhou para os lados e conferiu que não seria ouvida. - Ele disse de um boato sobre James e eu. Você ouviu algo?
- Não, não ouvi nada e eu faço parte da turma de teatro, onde muita conversa e fofoca rola antes dos ensaios. - Alice deu uma olhada para Edgar do outro lado da sala. - Acha que ele estava tentando jogar verde? Talvez ele pense que algo esteja rolando e precisava inventar algo assim para arrancar alguma informação.
- Não sei. - Lily batia com os dedos na mesa, preocupada. Aquilo era o pior cenário possível, pois se o seu irmão voltasse para Hogwarts na semana que vem com um boato de que James e Lily estavam tendo algo, as coisas iriam por algo abaixo. - De qualquer forma, porque demorou tanto?
- Ah! Sabe aquela viagem que Hogwarts está promovendo para Southend-on-Sea? Frank e eu estávamos pensando em ir e eu fui dar uma olhada se ainda tinham ingressos para o parque. Você não quer vir?
- Talvez. Mas Frank não iria ficar incomodado comigo ?
- Você sabe que não. Não é para ser uma coisa romântica, mas algo divertido. Todos nós podíamos ir, na verdade.
Todo ano, Hogwarts oferecia opções para os alunos dos últimos anos para arrecadarem dinheiro para alguma instituição. No ano passado, foi Cardiff e o grupo passou um bom dia na cidade. Neste ano, mal haviam comentado sobre. Southend-On-Sea tinha um parque de diversão ao lado do grande píer da cidade. Lembrava de seus pais os levarem quando eram crianças e sempre era garantia de muitas risadas.
Ela virou para trás, chamando a atenção dos garotos que conversavam.
- Southend-On-Sea na semana que vem? - Ela perguntou, animada.
- A viagem do ano de Hogwarts? - Remus perguntou. - Por que não combinamos de ir antes? Normalmente nós sempre vamos nessas viagens de um dia.
- Acho que essa coisa de universidade pegou a maior parte do nosso cérebro nos últimos meses. - Frank respondeu atrás de Remus.
- Sirius comentou algo há duas semanas, mas não voltamos a falar sobre. - James entrou na conversa.
- Isso é um "sim"? - Alice perguntou.
- Sim! - Lily respondeu empolgada. - Vocês não vão desistir, certo? - Ela pegou o celular e começou a preparar uma mensagem para o irmão.
- Acho que vocês não estão nos deixando com muita escolha, mesmo se não quiséssemos ir. - Disse Remus.
- Ótimo. Está combinado.
Adorava quando recebia aquele boost de felicidade. Aquela viagem seria boa, os fariam mudar de ar e só ela sabia que precisava muito daquilo. O tempo que ficou no hospital após o acidente, recuperar o tempo perdido da escola depois, a bagunça com Edgar. A única coisa boa neste meio tempo era James.
Ela olhou para ele e percebeu que estava sendo observada. Ele sorriu de lado, algo simples e inocente, mas muito mais poderoso do que o sorriso que Edgar tentava lhe entregar enquanto tentava soar sedutor.
A felicidade daquele dia estava começando a ficar perigosa, pois criava uma coragem e uma vontade sem igual em seu peito. Era melhor que James tomasse cuidado, pois ela poderia dizer que as correntes que a seguravam antes, evitando alguma ação, estavam mais soltas e sua cabeça muito mais a favor de agir do que esperar.
Shala lala lala vai com fé,
Que agora vai dar pé,
É só você beijar.
Shala lala lala vai em frente,
Não desaponte a gente,
Você tem que beijar
Estava chovendo. E muito. O céu, que antes estava no tom de azul mais perfeito do mundo, agora estava cinza escuro. Não eram nem 4 horas da tarde e parecia começo da noite. Claro que iria chover quando James disse que ia e ela disse que não. Nem deveria ficar brava, porque se ela não acreditou que iria chover na Inglaterra de uma hora para outra, então deveria se envergonhar. Muito.
Falando nele, James estava treinando com Frank. Ele quase desistiu para não fazê-la esperar, mas ela insistiu para que ele fosse, assim dando tempo para Lily estudar. Ela não estudou. Ao invés disso, ficou andando igual uma barata tonta por Hogwarts, esforçando-se para não ir até o ginásio onde sabia que ele estaria. Na última vez, não tinha dado certo e ficou babando como uma idiota e apesar dele ser um pedaço de mau caminho, tinha sua dignidade. Além do mais, depois daquele encontro com Edgar e o perigo de que boatos podiam estar correndo por Hogwarts, era melhor não alimentar ainda mais.
A chuva deu uma trégua, virando apenas uma garoa, e sabendo que não tinha guarda-chuva, achava melhor esperar James perto do carro. Ele não iria demorar muito mais, mas pelos trovões que pareciam se aproximar, era melhor arriscar partir agora do que na hora da chuva pesada que se aproximava novamente. Viu os alunos chegando até ela embaixo da marquesa, cobrindo suas cabeças e correndo escadas abaixo, rindo e brincando enquanto tentavam chegar aos seus destinos. Bem, ela não poderia correr, muito menos nas escadas, então teria que se conformar em se molhar. A boa notícia era que James tinha estacionado perto de uma grande árvore e poderia ficar esperando ali.
- Aí vou eu.
Segurou no corrimão e começou a descer as escadas bem devagar, com receio de escorregar. Sua perna ainda era muito fraca para essa ação, então tinha que ser muito cuidadosa. Alguns alunos passaram por ela e se despediram, continuando suas corridas. Sentiu que seu celular estava vibrando em sua bolsa, mas não podia parar agora.
Desceu as escadas e tentou se apressar como pôde pelo caminho dos jardins até o estacionamento. Já estava molhada em um grau elevado quando a chuva recomeçou com força, então nem teria motivos para forçar uma corrida. Chegou na árvore e se recostou, apreciando tirar a perna do chão por um momento e tentando parar seu queixo de tremer de frio. Sua bolsa continuava a vibrar sem parar e decidiu atender.
- Onde você está?
Era James. Pelo barulho da chuva batendo com força ao fundo, ele deveria estar embaixo da marquesa que Lily estivera minutos antes.
- Esperando por você perto do carro.
Nisso, ela podia ouvir seus passos descendo as escadas e a corrida dele.
- Na chuva?
- Não na chuva. Não sou idiota, estou embaixo da árvore te esperando.
Ouviu os passos dele pelo telefone e pelo caminho do jardim, então desligou e se virou no momento que ele apareceu e acelerou até embaixo da árvore também. Ele ficava magnífico todo molhado daquele jeito, com parte de seus cabelos caídos no rosto, a camiseta grudando em seu corpo. Aquela cena era perfeita para fazê-la aquecer imediatamente.
- Por que não me esperou? - Ele perguntou tentando domar os cabelos e apenas ficando mais sexy do que antes.
- Qual seria a diferença?
- Eu poderia ter te ajudado.
- Bobagem. - Ela fez um gesto de despreocupação. - Eu estou inteira.
- Mas bem molhada.
Lily segurou o riso, não querendo dizer o que tinha em mente.
- Acontece. - Decidiu apenas dizer.
- Espere aí. - James destrancou o carro e correu até o porta-malas, tirando um guarda-chuva e voltando até ela. - Vamos.
- Tão britânico da sua parte ter um guarda-chuva sempre em mãos.
- Você deveria fazer o mesmo.
- Estou evitando pesos desnecessários na bolsa no momento.
A chuva começou a apertar ainda mais enquanto iam até o lado do passageiro.
- Obrigada. - Disse se virando para ele.
- Você está morrendo de frio. Eu te avisei e eu fui idiota de não ter voltado para a sua casa para te deixar pegar uma blusa de frio.
- Não estou com tanto frio assim. - Ela mentiu.
- Seus lábios estão sem cor, você está tremendo e não é frio? - James abriu a porta para ela.
Sua mão subiu até os proprios lábios, como se pudesse conferir o que ele dizia. Essa ação insconciente fez com que James acompanhasse seus dedos. Por estarem embaixo do mesmo guarda-chuva, a distância entre eles era quase zero. Quando Lily olhou para cima, James estava tão perto, que bastava uma brisa para que caíssem nos lábios um do outro. Só um pouco mais para frente e ela conseguiria aquele bendito beijo de James. Só mais um pouco.
James pareceu acordar do transe que também parecia ter entrado e olhou para os lados rapidamente.
- Entre. Eu vou ligar o aquecedor.
Lily piscou várias vezes, voltando à terra. Queria dizer que não precisava de um, sendo que ele parecia ser o suficiente para fazer o trabalho. Mas apenas concordando com a cabeça, a ruiva entrou no carro, assistindo-o pelo espelho retrovisor quando deu a volta por trás e mexia os lábios, provavelmente pensando alto. O moreno jogou o guarda-chuva no chão da parte de trás e entrou no carro.
Sem saber o que falar, a ruiva ficou quieta. Foi um momento, um piscar de olhos, mas o mais perto que chegou dele em dias - sem contar os beijos de despedida -, e aquilo lhe deixou mais angustiada para que acontecesse do que antes. Começou a duvidar da própria consciência, da própria força de vontade em não tentar algo. Era nítido que ele não estava alheio ao que aconteceu, mesmo que tenha sido tão rápido.
Dessa vez, James não ligou o rádio e não conversaram. A tempestade que batia sem piedade nos vidros e no teto era a única responsável pelo barulho dentro do carro, então ao invés de ficar nervosa e torcendo os dedos, Lily relaxou no banco e fechou os olhos, ouvindo as gotas e trovões apresentando sua sinfonia. Percebeu que chegaram em casa quando James apertou o comando e o portão abriu. Com a chuva, James não parou no pátio da frente, se dirigindo para a garagem coberta logo ao lado da casa. O lugar estava vazio, então sua mãe ainda não havia chegado. Sirius disse que chegaria tarde da noite, então o carro de James era o único ali.
Tinha que sair daquele carro o mais rápido possível, porque não poderia ficar mais no mesmo lugar fechado com James, não se quisesse evitar fazer algo.
- Obrigada pela carona.
- De nada. - ele disse desligando o carro. Ela não entendia o porquê, já que imaginava que seu trabalho de babá havia acabado pelo dia ou para sempre, pois Sirius voltaria essa madrugada. - Sardenta, escute. - James se virou para ela. Lily esperou pelo o que ele diria. - Olhe para mim, por favor.
James não deveria estar entendendo que ela não olhava para ele, porque sua consciência parecia ter perdido qualquer filtro que a mantinha minimamente afastada dele agora. Ele era bom em exatas, era o melhor matemático que conhecia e não considerava a Teoria do caos? O efeito borboleta? Aquela maldita borboleta do outro lado do mundo que estava batendo as asas e fazendo com que ela estivesse prestes a cair nele por conta do tal furacão que causou?
Se ele não se importava, então tudo bem. Melhor para ela até. Mas se ele não quisesse, teria que começar a ajudá-los ali.
Sentiu que ele ainda esperava para que ela se virasse, então vagarosamente ela movimentou os olhos, sem virar o rosto.
- Sim?
- Desculpe por essa coisa toda do Sirius e essa semana. Como eu deixei claro antes, eu acho ridículo e exagerado dele fazer tudo isso e eu me sinto um imbecil por ter caído na dele. Então só queria dizer, já que hoje foi o último dia de tudo isso...- Ele parou de falar por alguns segundos antes de continuar. - ... como o último dia, eu só queria te pedir desculpas de novo.
Não estava esperando por aquilo, principalmente depois dele já ter pedido desculpas depois da sessão de fisioterapia na quarta, mas ficou contente em ver que ele seguia com aquele mesmo pensamento, porque a última coisa que eles precisavam agora era James estar do outro lado da guerra, apoiando a loucura do irmão.
O fato dele ter repetido que aquele era o último dia e o tom que usou, lhe dava a ideia de que ele estava tão desanimado quanto ela. A partir daquela noite, eles voltariam para suas rotinas com Sirius, toda manhã juntos, o irmão sempre por perto, sempre colado neles. Colado em James, ela diria. Ter tido James só para ela talvez tenha sido o botão de "start". Talvez a sombra de Sirius criava aquele véu que nunca deixou Lily ver quem James Potter era, porque ela só o via como uma extensão de Sirius, um sendo parte do outro...mas agora seus olhos estavam descobertos e seu cérebro enlouqueceu com a descoberta.
- Seria errado dizer que, apesar dos pesares, eu fiquei feliz? - Ela se viu dizendo. James franziu o cenho.
- Você está feliz?
- Sim. Eu pude conhecer um outro James, ou uma outra parte de você. Eu arriscaria dizer que conheci o James inteiro dessa vez.
- Você me conhece há anos. - Ele riu. - Dificilmente teria algo para você conhecer.
A risada dele foi a última gota d'água. Não soube o porquê, apenas sentiu que o som da felicidade dele dentro daquele carro era a coisa mais bonita deste mundo. Esteve na ponta do precipício todos esses dias, querendo e desejando, mas nunca tão louca para tentar. Mas agora era tarde demais. A teoria do caos começou, a borboleta fez a sua parte e o furacão chegou. Ela queria beijar James. Queria beijar o melhor amigo do seu irmão ciumento e não podia mais esperar.
Lily virou-se completamente no banco, encarando-o firmemente agora. James, que ainda sorria, começou a fechar os lábios, vendo a intensidade do olhar dela. Os próprios olhos dele, agora, tão intensos quanto.
- Você acha que Sirius não deve se intrometer na minha vida amorosa, pelo o que eu entendi. - Ela disse, se aproximando inocentemente do banco dele. James deu uma singela olhada para baixo, reparando na aproximação.
- É o que eu acho, sim. - Ele respondeu.
- Então ele não deveria ligar ou se intrometer com quem eu me envolvo.
- Não do jeito que faz.
A ruiva se aproximou mais, os olhos verdes mais intensos do que antes. Lily sabia que agora a sua intenção estava clara e que ele entendia o que ela estava fazendo, pois os olhos bonitos de James pareciam vacilar, além de terem se desviado rapidamente para a boca dela por um segundo.
- Interessante. - Ela deixou escapar bem baixinho.
Faltavam poucos centímetros agora.
- Lily! - Ele sussurrou com um tom de advertência, mas não se moveu.
- Sim? - ela respondeu sussurrando também.
- Eu...- James passou a língua pelos lábios. Um pequeno sorriso surgiu em Lily, vendo que ele parecia tão pronto para aquilo quanto ela. - Lily, não.
- Não? - Ela parou de avançar, o encarando.
Não entendia. Ele não queria? Então por que ele não se afastava? Por que ele a olhava daquele jeito, tão profundamente? Havia entendido mal os sinais no final das contas?
- Você...- James olhou de novo para os lábios dela, se demorando um pouco mais dessa vez. - Nós não podemos.
- Você quer? - ela perguntou em uma onda de coragem.
- Eu não posso.
- Mas você quer?
Ele respirou fundo e fechou os olhos.
- Muito mais do que deveria. - James respondeu.
Lily se aproximou o máximo que podia sem beijá-lo, mas o suficiente para sentir o mínimo do toque entre seus lábios. James continuou sem se afastar e ela esperou, querendo saber se ele desistiria, se deixaria algo em sua cabeça pará-los de fazer algo que ambos tanto queriam naquele momento.
James segurou o rosto dela. Ele tinha uma expressão de indecisão, quase de dor, mas sua mão estava firme em seu rosto, deslizando por ele, chegando até os cabelos ruivos e os apertando forte, fazendo Lily se arrepiar.
Ela esperou cinco segundos, dez segundos. James não ia se mexer, ela sabia.
Desistiu, não podia mais esperar. Lily cobriu os últimos milímetros faltantes e o beijou. Assim que seus lábios se tocaram, James não parecia pensar em nada mais além daquilo, pois correspondeu no mesmo instante. Lily pensou no beijo do carro do outro dia, em como ele beijava e em como aquilo estava acontecendo com ela agora.
Ele tinha, sim, os lábios macios, a língua se movia perfeitamente com a dela, a mão dele a segurando firmemente dava um toque a mais. Tudo o que ela viu, tudo o que ela esperava que fosse, era. E era mil vezes melhor. James a deixava em fogo com o beijo, fazendo-a se empertigar no assento, querendo mais dele, mais de ambos juntos.
A ruiva afastou sua boca da dele e o encarou. Seus olhos passearam pelo rosto de James, seu dedo contornou seus lábios e viu quando ele fechou os olhos, aproveitando o carinho. Meu deus, James era lindo demais e seu beijo era a melhor coisa que havia experimentado até hoje. Ele se aproximou dela e mordeu levemente seu lábio inferior, fazendo Lily suspirar e sentir uma onda de calor subir por todo o seu corpo. Ela precisava de mais, então o beijou novamente e se permitiu chegar mais perto, quase sentando no comando central do carro, querendo senti-lo contra ela.
A mão de Lily caiu para a coxa dele, apertando o local e deslizando para cima. Os lábios de James pareceram perder o ritmo, como se desacelerassem, enquanto a mão dela não parecia querer pisar no freio. Ela passou por cima do seu jeans, quase querendo parar por ali, mas continuou subindo, sua mão entrando por dentro de sua camiseta ainda molhada e encontrando a pele de seu abdômen, subindo por seu peitoral, depois descendo e deixando suas unhas passearem levemente por ali. A cabeça dele caiu um pouco para trás, se afastando dela, com os olhos fechados e a boca aberta. A mão dele que estava na coxa de Lily a apertou e deslizou, subindo até a sua cintura.
Sem parar, Lily continuou a passear e conhecer o corpo dele que tanto pensou naqueles dias, que tanto admirou durante sua sessão de fisioterapia, sentindo James em um estado constante de arrepio.
De repente, ele a segurou pela nuca e a puxou para um beijo. Ambos pareciam sedentos, esfomeados um pelo outro. Os gemidos que James soltava só a fazia querer mais e sua mão começou a descer, até encontrar o topo de sua calça.
- Lily. - ele a chamou se afastando poucos centímetros da boca dela. - Meu deus, Lily. O que você está fazendo? O que estamos fazendo?
- Eu posso parar, se quiser. - Ela respondeu, os lábios se tocando quando falavam. Os dedos da ruiva subiram até o botão da calça dele e o desfez rapidamente, atacando o zíper logo em seguida.
- Se você quiser parar.- James soltou um gemido quando sentiu a mão dela tocá-lo por cima da boxer enquanto descia o zíper.
- Eu não estou abrindo esse zíper por querer parar.
Como ele parecia em dúvida, ela diminuiu o ritmo e apenas manteve sua mão em sua coxa. Ela percebeu que James estava absurdamente pronto quando o tocou levemente enquanto baixava o zíper e quando ela desviou suas mãos para a coxa dele, automaticamente ele se remexeu, como se procurasse pelo contato anterior dela.
- Eu posso continuar? - ela perguntou.
- Sim. - ele disse quase antes dela terminar a frase, a voz fraca e trêmula.
Mas ao invés dela voltar para onde tinha parado, Lily prendeu a respiração quando a mão dele desceu de seu rosto para o seu pescoço. Naquela altura, James diminuiu o toque para apenas as pontas de seus dedos, passeando pela gola da camiseta de Lily. A ruiva fechou os olhos e tentou controlar a respiração de volta, mas o toque de James era tão leve, porém tão forte em termos de reação, que era impossível sair daquela posição e fazer qualquer coisa.
Um único dedo desceu por entre seus seios vagarosamente, passando por seu esterno, sua barriga e encontrou a barra da camiseta dela. Não sabia quais eram as intenções dele, mas queria que fossem as mesmas que as dela.
Sua mão entrou pela camiseta e se aconchegou em sua cintura, segurando-a forte. Que alguém a ajudasse, mas estava perdendo a cabeça
- Eu quero mais, James. - Ela sussurrou contra sua boca. Ela mal havia beijado-o, mas queria mais. Queria tudo o que ela poderia ter naquele momento. Sua cabeça pedia por isso, o seu corpo gritava.
- Eu quero te dar mais. - Ele respondeu.
Pegando-a pela cintura com as duas mãos, James a manipulou facilmente: deitou Lily no banco, a cabeça colada à porta do passageiro; as pernas separadas e a curva de suas costas por cima do freio de mão, impedindo que a machucasse, com James se postando entre suas pernas. Ele a beijou ferozmente, fazendo os corpos se chocarem. A saia de Lily subiu até sua cintura por conta da posição, então ele não poderia estar melhor encaixado do que aquilo, fazendo-a senti-lo no lugar que ela queria. A mão dele voltou para onde estava antes: por dentro de sua camiseta, com toques tão delicados, mas excitantes ao mesmo tempo. Se o toque dele em sua clavícula era estimulante, ela não teria adjetivo para o que sentia agora com ele em sua barriga, a lateral de seu corpo e subindo cada vez mais. Quando sua mão encontrou com a pele de seu seio por cima do sutiã, os dois soltaram o ar quase como um gemido. Ela nunca agradeceu tanto a si mesma por ter escolhido um sutiã de renda, porque podia sentir o toque dele por inteiro.
Ele abandonou seus labios e foi até o primeiro sinal de pele descoberto pela camiseta dela e a beijou. Lily fechou os olhos e apenas focou na sensação da boca dele em sua barriga, nas pequenas mordidas que ele dava e em como seu corpo reagia tão forte com cada ação dele. Ele subia cada vez mais, passeando sem pressa pelo corpo dela, o contraste de sua boca quente no corpo ainda gelado da chuva de Lily era uma sensação maravilhosa. Sua mão deu lugar para a sua boca em seu seio, mordendo-o e lambendo por onde conseguia contato com a pele, fazendo Lily gemer alto, arrancando um sorriso dele. A cintura dela se mexeu, friccionando contra James. Uma mão dele desceu para a cintura dela e a apertou mais contra si, fazendo os exatos movimentos, no exato lugar e na exata velocidade.
Lily teve que levar uma mão à boca para conter os gemidos. Sabia que se continuasse daquele jeito, ela teria um orgasmo em alguns segundos.
O barulho do portão abrindo parou todo e qualquer movimento dentro do carro. James saiu de cima de Lily e começou a fechar sua calça com dificuldade. A ruiva se sentou melhor no banco e desceu a camiseta, assim como a saia.
Ambos olharam pelo retrovisor e congelaram: era o carro de Sirius entrando e parando logo atrás deles.
- Puta merda! - James deixou escapar.
O coração dela quase parou. Não. Não. Por que ele tinha que aparecer? O que era aquilo? Tinha que pensar rápido, mais rápido do que estava fazendo, colocar o seu cérebro para fugir do problema e sair da fumaça hipnótica que James a colocou.
Agora, Lily!
Ela abriu a porta do carro e colocou a maior carranca no rosto.
- Você é um idiota, Potter. Você e meu irmão. Dois idiotas! - ela gritava enquanto saia do carro. James a encarava com os olhos arregalados.
- Lily! - Sirius saiu de seu carro rapidamente ao escutar os gritos da irmã. - O que está acontecendo?
- Você e o seu amigo. Dois desvairados. Vocês me irritam!
- Se acalma, você está tão vermelha e descabelada, que eu acho que vai explodir de raiva. - Sirius continuou, vindo até ela.. - O que eu fiz?
- Deixou uma babá para mim. Uma babá, Sirius. Eu te odeio!
Deu as costas para o irmão, sem olhar na direção de James, e entrou na casa pela porta da garagem, batendo-a com toda sua força. Completamente chocado, Sirius foi até o carro de James e se abaixou pela porta aberta do passageiro.
- James, o que houve?
James tinha as mãos e a cabeça no volante, respirando com dificuldade. Ele parecia com dor, o corpo dobrado para frente e parecia rezar ou amaldiçoar, não saberia dizer.
- Nada, Sirius. - conseguiu falar finalmente. A voz um pouco estrangulada ainda.
Sentindo-se mal pelo amigo por conta de sua irmã, Sirius se sentou no banco do carona, uma perna para dentro e outra para fora. James abriu os olhos e virou minimamente a cabeça para o amigo, vendo-o sentado exatamente onde James tinha Lily contra si, enquanto a beijava de um jeito que faria Sirius cortar seu pênis e o fazendo comer logo depois.
- Desculpe, cara. Lily deve ter dado trabalho, principalmente se percebeu que eu pedi para você manter um olho nela nesses dias.
- Sim. De nada. - Ele respondeu um pouco sem nexo. Ainda estava lutando contra a ereção enorme que tinha, tentando esconder de Sirius.
- Como foi, aliás? Bones manteve a distância?
James soltou um riso e bateu a cabeça no volante.
- Você precisa arranjar as coisas na sua cabeça, Sirius. - Ele começou. Pensar em Edgar Bones, aquele bosta ambulante, estava ajudando seu corpo a voltar ao normal mais rápido, pelo menos.
- O que quer dizer?
- Parar com essas loucuras com a sua irmã. Ela é grandinha, pode tomar conta de si. - Percebendo que tudo em seu corpo voltou ao normal, James se permitiu recostar-se no banco.
- Minha irmã pode ser um pouco, ahn, demais para lidar, mas...
- Sim, demais. Eu concordo.
- Mas eu não posso deixar os caras se aproveitarem dela, não como Pettigrew fez. Eu vou morrer antes de deixar algo assim acontecer de novo.
- Aaahh! - James não podia ouvir aquilo agora. - Se ela quer fazer algo, deixa-a fazer. Se quer namorar com alguém, deixe. Se quer fuder com o nerd do clube de xadrez, deixe.
- Fuder com o...? Está louco?
- Lily tem dezoito anos, Sirius! Deixe que ela fique, transe, case ou o raio que a parta com quem quiser! - James se exasperou, abrindo os olhos e se virando para o amigo. Os olhos cinzas de Sirius estavam bem surpresos. - Escute, nos falamos amanhã, ok? Estou com uma dor de cabeça gigante. Pode tirar o seu carro, por favor?
Por alguns segundos, Sirius estudou o amigo. Sem falar nada, saiu do carro e fechou a porta do passageiro, se direcionando ao próprio carro. James tinha o coração explodindo em seu peito sem acreditar no que havia acontecido ainda e da morte que escapou por pouco.
Havia traído a confiança de Sirius. Mais um amigo que o decepcionava, mais um que tirava proveito de sua irmã. Não!, pensou logo em seguida. Ele não havia tirado proveito dela, pois Lily quis, ela estava ciente do que estavam fazendo.
Se existisse algum deus nesse mundo, que ele fosse testemunha de que ela quem começou. Isso não queria dizer que era culpa dela, porque não era...não era culpa de ninguém. Ele não a parou, mas se Lily não tivesse dito nada, não tivesse se aproximado com os olhos seduzentes, a boca entreaberta, o chamando, perguntando se ele não queria...ele estaria já em casa, fazendo qualquer outra coisa do que quase transando com ela em seu carro, na garagem da casa deles. Meu deus, ele beijou Lily pela primeira vez e estava a ponto de arrancar as roupas dela. Ele era louco? Não poderia fingir e dizer que nunca havia imaginado como seria beijá-la pela primeira vez, mas nunca tinha sido tão selvagem, tão sexual daquele jeito.
E Sirius chegando no meio. Enquanto estava em cima dela, pensando como um louco excitado, não pensou na loucura que era aquilo. Não queria pensar que havia traído Sirius, mas foi uma traição. Sirius contava com ele, contava com o fato de James nunca se aproximar, não tentar nada, não olhá-la de outra maneira, de tomar conta dela - ainda que fosse de uma maneira ridícula-, enquanto ele estava fora. E o que ele fez? Quase arrancou as roupas dela. Quase.
Ele tentou se controlar desde o começo, tentando manter suas mãos longe, ou o mais comportadas possíveis. Mas Lily queria mais, pedindo para isso com a voz tão carregada de desejo, de pura vontade, e ele apenas queria dar tudo o que ela queria. Tocá-la e beijá-la por cada canto, cada pedaço de pele que pudesse...
Balançou a cabeça quando começou a se perder no momento novamente. Olhou pelo retrovisor e viu que Sirius já tinha tirado o carro de trás do seu a um tempo, então rapidamente engatou a ré e saiu da garagem.
Sem acenar, sem falar nada ou sequer lançar um olhar para o amigo, James acelerou pela rua, desaparecendo e se afastando de Lily o máximo que podia.
L~J
Fechou a porta do quarto e se escorou nela, completamente chocada com o que aconteceu.
James a levou a um patamar que nunca conheceu e apenas com o seu beijo, subindo ainda mais de nível quando ele a tocou, quando se colocou entre suas pernas, fazendo-a quase parar em outro planeta com os dois ainda vestidos e ele com as mãos em sua cintura. Seu coração estava tão disparado e sentia-se tão frustrada por terem parado de repente, com aquele balde d'água gelada que era o seu irmão. Diabos, ele deveria chegar mais tarde, então o que fazia ali aquela hora? Bem naquela hora.
Fechou os olhos e começou a respirar fundo, precisando esquecer e apagar aquela cena da cabeça para poder voltar ao normal...do beijo dele, de como ele a segurava...de como James Potter trouxe e entregou tudo o que ela procurava em um cara: excitação, tesão, loucura e vontade, muita vontade dele.
- Que loucura!
Foi até a cama e se jogou, olhando para o teto e ainda tentando controlar o que ele havia feito com ela. Quem diria...James fez com que ela enxergasse que a vida era muito mais do que Edgar Bones, do que sexo na cama e papai e mamãe, e fazendo apenas algo básico. Ele tinha mais escondido nas mangas, tinha certeza. Ela sentia que James sabia como fazê-la sair do chão completamente, fazendo-a ver o quanto perdia tempo com caras que pareciam perdidos com as próprias mãos e bocas.
Perdendo tempo com Edgar e perdendo tempo quando não olhou para James com outros olhos antes. Por que demorou para ver o que ele era?
Não adiantava remoer o passado, o importante é que agora ela podia corrigir aquele erro. E ela precisava de mais, mais James, mais do beijo dele, muito mais de tudo.
Duas batidas na porta lhe trouxeram para a realidade.
- O que é, Sirius?
A porta abriu um pouco, mas o irmão não entrou.
- O quão brava você está?
- Muito. - Sirius abriu mais a porta e entrou parcialmente no quarto, a olhando.
- Desculpe, mas eu tive que pedir para James te levar e buscar...
- E ficar de olho na minha fisioterapia, manter Edgar afastado também, eu imagino...- Ela enumerou em sua mão e Sirius abaixou a cabeça. - Se fosse só a carona, eu estaria tranquila, mas o resto? Isso é ridículo, Sirius.
- Eu só queria que você ficasse bem enquanto eu estivesse fora.
- Eu posso tomar conta de mim, obrigada. - Ela sentou na cama, encarando-o. - Eu tenho dezoito anos, pelo amor. Para de me tratar como se eu fosse um bebê que precisa de atenção e cuidado 24 horas por dia. Eu não quero brigar com você de novo sobre isso, então me deixe viver a vida, Sirius, por favor.
Ele respirou fundo e se apoiou no batente da porta, cabisbaixo.
- Como as coisas se passaram? - Perguntou, desviando do assunto. Lily revirou os olhos.
- Nada a reportar. - Ela respondeu, mas morrendo de vontade de gritar que ele empacou um amasso muito bom com James alguns minutos atrás. Podia apostar que ele não iria desviar de assunto. - E você?
- Bem. - Ele tentou segurar o sorriso, mas não conseguiu. - Tenho novidades.
- Marlene decidiu ficar com você para sempre, assim você vai me deixar em paz?
Sirius fez uma careta, imitando-a.
- Não, sua tonta. - Ele tirou um papel de seu bolso, uma carta. Lily podia ver que o papel havia sido dobrado várias vezes, parecia ter sido segurado por muito tempo também.
- O que é isso?
Entrando no quarto em definitivo, o irmão tinha uma expressão de gatuno, virando o papel e brincando com ele.
- O quanto você vai me amar por isso?
Entregou o envelope que continha o logo da Universidade de Oxford. Suas mãos começaram a tremer de nervoso.
- O que tem aqui? - Ela perguntou.
- Abra e veja.
Rasgou o envelope em velocidade máxima e leu o conteúdo. O conteúdo. A sua aceitação, a sua admissão.
"Senhorita Lily Evans..." um monte de blá blá blá blá que ela não se importava e "com um imenso prazer que comunicamos a sua aceitação..." e não leu o resto. Apenas se levantou na cama e pulou em Sirius, fazendo o irmão quase cair para trás enquanto a segurava no colo.
- Eu entrei. Eles me aceitaram. Eles me aceitaram!
- Se você tinha dúvida, você é muito tonta mesmo.
Não estava crendo. Tudo de uma vez, em um dia. A sua aceitação de Oxford, o beijo de James... seu peito explodia de alegria pura. Aquele dia podia ser mais feliz, mais perfeito?
Ela deu um beijo estalado na bochecha do irmão e foi colocada no chão com cuidado. Não percebeu que chorava de felicidade até Sirius limpar suas lágrimas.
- Sua carta ficou perdida na pilha errada, na pilha das aceitações adiantadas do ano que vem. Por isso não havia sido enviada.
- Jura?
- Juro. - Ele se jogou na cama da irmã. - Por que você acha que eu fui ver o reitor? Não era para falar de mim. Eu tinha que conferir o motivo da demora da sua carta. Se eu fui aceito, você deve chegar lá com um tapete vermelho.
Lily arregalou os olhos.
- Você foi lá por mim?
- Claro! Eu sabia que você tinha sido aceita, não tinha como ser o contrário.
- Mas Sirius...
Ele levantou a mão, pedindo para que ela parasse toda a ladainha sobre a aplicação um pouco tardia, assim como a demora da resposta.
- Quando o papai fez o pedido para o reitor por mim alguns anos atrás, ele também fez para você, mesmo você tendo todo um outro plano primeiro.
- Como você sabia? Por que você sabia disso?
O moreno bateu ao seu lado na cama, pedindo para que ela se sentasse. Lily se aproximou e sentou, a confusão clara em seus olhos. Sirius respirou fundo.
- Não sei, ele me contou um dia. - Viu que o irmão teve uma dificuldade absurda de engolir, parecendo arranjar coragem de continuar. - No mesmo ano que ele morreu.
Aquela felicidade pura deu uma caída, fazendo Lily fechar a cara e abaixar a cabeça. Aquilo era estranho. O seu pai sempre deu todo o apoio para que ela fosse seguir os estudos fora, ajudando-a com universidades nos Estados Unidos e na Austrália. Como era possível que ele tenha pedido um dossier para ela também em Oxford? Eles tinham até reservado uma viagem para os Estados Unidos para visitarem as universidades durante as férias ...
- Sirius. - Ela disse baixinho. - Você acha que ele sabia? Sabia que tinha alguma coisa errada com ele?
Não olhou para o irmão quando perguntou, porém sentiu o quanto aquelas palavras não soavam como uma surpresa para ele, e percebeu o quanto aquilo o machucava.
- Eu nunca li a certidão de óbito, apenas ouvimos mamãe dizer que foi o coração. Eu tenho certeza que ela nunca mentiu, mas...eu não sei. - Sirius se levantou de repente, assustando-a. - Eu não sei.
- Por que teria algo para mim em Oxford, Sirius? - Ela se levantou também, parando na frente dele. - Eu nunca dei nenhuma indicação de que queria ir lá. Ele...papai, ele...
- Parece que ele queria dar uma chance para que ficássemos juntos. - Sirius terminou a frase por ela. - Se ele soubesse de algo da própria saúde, eu acho que ele saberia que você não iria embora. Que você ficaria aqui com a gente.
Aquele não era o dia para chorar, não. Havia sido um ótimo dia...pelo amor de todos os deuses e deusas, ela havia beijado James Potter e de um jeito tão mais poderoso do que imaginava, que ainda tinha ondas de calor ao pensar nisso. Sirius chegou com a carta de aceitação de Oxford...
Então não. Não era dia de chorar, não de tristeza.
- De qualquer maneira...- Ela fungou, tentando se livrar do choro que ainda a rondava. - Isso não muda mais nada, muda?
Voltou até a cama e pegou a carta de aceitação. Independente de seu pai ter supostamente escondido algo sobre a sua condição de saúde, ele pareceu saber o que a sua filha iria escolher no futuro. Fazer seus estudos longe era algo que queria tanto, mas...se virou para Sirius e o observou, tão pensativo, os olhos cinzas tão bonitos perdidos em um ponto da parede em sua frente.
Como ela poderia deixá-lo? Deixar sua mãe? Mesmo se Orion estivesse vivo, como poderia deixar a família toda?
Claro que hoje ela tinha uma mente diferente sobre partir, pois sentiu na pele a perda de alguém. Talvez ela não se sentiria assim caso não faltasse uma parte de sua família.
- Vamos comemorar. Já falei com a mamãe sobre um jantar na semana que vem. - Sirius disse, mudando completamente de humor, querendo mandar embora aquela angústia que pairava sobre eles.
- Aquele em que Dora vem?
Sirius fechou a cara.
- James é muito fofoqueiro.
- Olha só quem fala! - Ela se virou para ele. - Quantos segredos de tantas pessoas você não saiu espalhando por aí já? Você não tem vergonha de dizer algo assim?
E como o cara de pau que era seu irmão, Sirius sorriu e deu de ombros.
- Falando nele, por que você brigou com ele?
- Briguei?
- Você saiu do carro igual uma louca, gritando com ele. Isso daí é ser carinhosa?
Meu deus, havia esquecido da pequena encenação de mais cedo. A única coisa que pensava era no beijo dele...e em suas mãos, e em como ele a segurava, e seus lábios...
- Ah. É, briguei.
- Peça desculpas depois. Ele estava chateado.
- James Potter não se ofende fácil assim, Sirius.
- Eu conheço James melhor do que você. Eu sei quando ele está perturbado.
- Você acha que ele estava perturbado? - Perguntou preocupada. Saber que James estava perturbado não era lá uma boa notícia, mesmo seu irmão não ter a mínima ideia de que o que ocorria dentro do carro estava longe de ser uma briga.
- Estava. Provavelmente se sentindo culpado pelo o que aconteceu.
- Então quem deve pedir desculpas é você, seu idiota. Eu não fui a responsável em colocá-lo nessa posição.
- Mas você não precisava brigar com ele.
Sirius conseguia fazer um belo final de tarde virar um saco.
- Sai daqui, Sirius. Vai tomar um banho, sei lá. Eu bem sei que preciso depois da chuva que peguei, então eu te vejo depois.
- Peça desculpas para ele, Lily.
Sirius dizia enquanto era empurrado para fora do quarto. Quando Lily finalmente fechou a porta, respirou fundo.
Esperava não ter que pedir desculpas pelo o ocorrido, pois se James estava perturbado, era um mal sinal para o que ela esperava do futuro.
A linha ficou muda. Lily esperou por alguns segundos, tentando ouvir qualquer coisa ao fundo ou se teria alguma resposta logo.
- Alice, você ainda está aí?
- Sim. Tentando me recuperar.
Era meio-dia do sábado e Lily lutou contra muitas vozes na sua cabeça que discutiam sobre contar o que havia acontecido para alguém. No caso, sua melhor amiga.
- Quem está lutando para se recuperar sou eu, não você. - Ela disse. Passou boa parte da noite pensando em James. Teria como não pensar? Teve que se segurar para não entrar em contato com ele. Isso seria bizarro.
Mas ela só queria saber se estava tudo bem. Se a perturbação dele era resultado da chegada de Sirius tão de repente e não pelo beijo em si.
E também adoraria saber quando eles poderiam repetir.
- Além do tesão maluco que você parece estar sentindo, como você está lidando com isso? - Alice perguntou.
- Por que essa pergunta? Eu deveria me sentir mal ou algo do tipo?
- Não mal, mas...não é estranho? Não sei, você conhece James sua vida inteira quase.
A ruiva entendia o que a amiga queria dizer. De fato, poderia ser estranho pensar naquele garoto que a irritava desde o começo, que participou de toda sua infância, juventude em geral...a viu em situações embaraçosas, chorando, gritando de raiva e muito mais. Mas não deveria pensar mais no fato de que ela nunca viu James além daquilo? Porque apesar de tudo, ele sempre esteve ali por ela, em muitas situações, inclusive nas piores.
E Lily nunca se deixou ver o quanto ele era um cara com o potencial de lhe fazer suspirar.
- Não. Porque eu conheci uma parte de James por quase toda a minha vida e agora eu estou conhecendo o James inteiro. - Sabia que soava sonhadora, mas não podia se impedir. - Lice, ele me fez voar, sentir aquele frio na barriga, o fogo que tanto falam...tudo.
- Aí meu deus...- A voz de Alice soou fraca. - Você vai se apaixonar, Lils.
- Não vá tão longe, Lice. - Lily ria. - E se fosse o caso, qual seria o problema?
- Você quer mesmo que eu diga?
- Se você for falar "Sirius, seu irmão", prefiro que não.
- Você imagina o que poderia acontecer se ele tivesse pego vocês dois no flagra ontem?
- Eu, com certeza, estaria brigando com Sirius até agora, mas porque ele não tem que se intrometer.
- E James? E ambos? Eu sei que você quer sua liberdade, eu também quero isso para você...mas eu fico com medo de algo entre eles dar muito errado.
Seria uma egoísta se dissesse que não pensou nisso. O maior problema em não ir até o irmão naquele momento e contar sobre o ocorrido, era a amizade deles. Por mais que tivesse decidido enfrentar Sirius a partir de agora, não poderia arriscar James.
- Eu sei. Ao mesmo tempo, é uma escolha de nós dois contarmos ou não.
- Você não tem muito a perder, porque Sirius vai te amar para sempre.
- Capaz dele se mudar de casa e aceitar o perdão de James do que o meu.
A porta do seu quarto abriu e sua mãe apareceu, sorrindo.
- Vamos almoçar?
- Estou indo. Alice, tenho que ir. Jantar e Três Vassouras mais tarde, então?
- Sim. Eu venho te pegar. Desculpa não poder vir almoçar, mas sabe como é a mãe de Frank sobre os almoços aos sábados.
Após se despedir, a ruiva desceu até os jardins para o almoço com a mãe e o irmão. Eles tinham comemorado juntos ontem à noite a sua aceitação, mas sua mãe queria continuar com aquilo até o ano que vem.
Sirius também disse que James e Remus estavam vindo, então estava mais do que feliz em ter aquele almoço. Apesar de saber que não haviam sido convidados para comemorar, mas sim porque seu irmão queria ver seus amigos.
Viu os pratos em cima do balcão da cozinha, então os pegou para preparar a mesa lá fora. Geneviève falava no telefone perto da piscina, enquanto Sirius colocava a comida na mesa e distribuía os talheres. Ela esperou para que ele terminasse e franziu a testa.
- Não deveriam ser cinco? - Perguntou ela ao contar o número de pares de talheres.
- Deveria, mas algo surgiu e James não pode vir. - Sirius respondeu.
Uma bola surgiu na garganta dela. James não viria encontrar o seu melhor amigo depois de quase uma semana sem se verem? Os dois caras que pareciam siameses?
Droga.
- Acha que é minha culpa ele não vir? - Ela perguntou se aproximando do irmão.
- Por ter brigado com ele? - Sirius terminou e se virou para ela. - Nah. Talvez esteja emburrado com você, mas não deixaria de vir. Ele só teve que ir fazer algo para Fleamont.
Aquilo não a convenceu.
Poderia James ter mudado de ideia após aquela pegação dentro do carro? Ele estava tão empolgado quanto ela e não poderia dizer que imaginou, porque sentiu. Em todos os lugares.
Mas "arrependimento" só acontecia após um evento e talvez aquele seja o caso. Ele havia se arrependido. Olhou para o irmão que parecia distraído, conversando com a mãe. Como sentia vontade de esganar Sirius algumas vezes por dia por causa daquela bagunça. Inclusive agora era uma boa pedida.
Seu pés saíram do chão quando sentiu alguém a segurar pelas costas e girá-la.
- Parabéns! - Remus praticamente gritou em seu ouvido, fazendo-a rir. - Estou chocado por você não ter entrado na Nasa ainda...talvez por você não ter mandado seu pedido.
- Obrigada, Rem. E obrigada por ter vindo.
- Eu só vim porque você foi na minha. Senão eu não me deslocaria até aqui por você, você sabe. - Ele deu de ombros, sorrindo.
O almoço se passou brilhantemente como deveria ser: Sirius tomando toda a atenção com as suas piadas, Lily retrucando, Remus cortando com algo inteligente e malandro enquanto Geneviève se deliciava em ver todos felizes. Faltava James naquela equação, sua ausência era sentida com força, principalmente entre Sirius e Remus.
- Você não me contou ainda sobre Marlene. - Lily perguntou quando Remus se ofereceu para ajudar com a sobremesa.
- Marlene é genial. - Sirius se deixou cair contra o encosto da cadeira. - Quando estou lá, eu consigo ter uma ideia de como as coisas podem ser. Mas quando eu chego aqui... é estranho.
- Você vai ter que desenvolver isso um pouco mais para eu poder entender.
Sirius cruzou as mãos atrás da cabeça e olhou para cima, refletindo. Lily deu o seu tempo, querendo que o irmão achasse as palavras certas para colocar aquilo para fora. O assunto "Marlene" era algo importante para ele e mesmo que Sirius batesse o pé para dizer o quanto não era apaixonado loucamente por ela, todo mundo sabia a verdade.
- A vida muda quando estou aqui e quando estou lá. Eu sinto que posso dar o mundo para ela quando estamos juntos, mas que eu sou um peso morto para ela quando estou aqui.
- Sirius!
Ela não tinha ideia de que seu irmão sentia tal tristeza em relação a Marlene. Tinha certeza que não era um peso morto para a garota e arriscaria dizer mais: tinha certeza que Marlene adoraria ficar com ele de uma vez. Na época que ela ainda estava em Hogwarts e eles tinham suas ficadas, ela estava sempre feliz e empolgada. Era verdade que, tanto pela diferença de idade quanto por Marlene ser uma garota, ela era mais responsável e madura...mas Sirius sabia como fazer uma garota feliz, ela sabia disso.
- Você já conversou sobre isso com ela?
- Não! E nem vou.
- Pois deveria. Você está colocando algo na sua cabeça que pode nem ser verdade. O que eu acredito que não seja, aliás.
- Você não vê ou fala com Marlene por mais de um ano e nunca conversou com ela de verdade sobre mim.
- Pois eu adoraria. - Aquilo acendeu uma ideia em sua cabeça.
- Ah, essa expressão de que eu tenho medo. - Sirius apontou para o rosto da irmã. - Não, nem venha com as suas ideias malucas.
- Não é maluca, é perfeita. Olha, sobre aquela viagem até Southend-on-Sea na semana que vem: vai ser feriado, não teremos aulas por dias, o mesmo para Marlene. Por que você não a convida?
- Está maluca? Eu não vou chamar Marlene para sair de Oxford e ir até Southend-on-Sea.
- Você pode chamá-la para Londres primeiro e então iremos todos para Southend-on-Sea. Depois, como o bom moço que você é e que foi educado por Geneviéve Evans, você vai levá-la para Oxford no dia seguinte.
- Lily, eu não posso fazer isso.
- Por que não?
- Porque ela nunca...
Ele não terminou a frase e jogou o guardanapo na mesa, soltando o ar com frustração. Lily apenas encarou o irmão, esperando por alguma explicação, tentando não demonstrar que estava sentindo muito por ele, pois sabia que ele iria levantar e se afastar caso percebesse.
- Você acha que ela não vai aceitar. - Lily continuou a frase por ele. - E então você iria ficar bem chateado e sentindo-se péssimo. Por isso você mantém essa distância dela e não digo só a física. Prefere não saber e ficar nessa coisa bizarra com ela, ao invés de arriscar.
- Você não sabe nada, Lily.
Remus e Geneviéve saíram da casa conversando e rindo, cortando a conversa. Sirius enviou um olhar de advertência para a irmã. Ela apenas fez uma careta para ele, cansada das reprimendas que vem levando desde ontem. Começando com James e aquele "Lily" em tom de advertência antes do beijo.
Para disfarçar e finalizar a conversa com ela, Sirius se levantou e serviu sobremesa a todos. Enquanto isso, Lily mexia em seu celular embaixo da mesa rapidamente. Sendo mais precisa, adicionando uma certa garota bonita que morava em Oxford em uma rede social.
Sirius poderia pensar que estava tomando conta dela sendo tão protetor, mas Lily iria mostrar que poderia tomar conta dele de um jeito ainda melhor.
Shala lala lala pegue a mão,
Escute esta canção,
E beije logo a moça
O Três Vassouras era um lugar aconchegante e razoavelmente badalado. Após a entrada e o porta casacos, você encontrava uma grande pista de dança com um pé direito alto de dar inveja a muitos arquitetos. Ao lado esquerdo, você encontrava uma escada preta que dava para o mezanino e as mesas VIP. Do lado direito, o bar que vivia lotado. Nada além daquilo, mas as melhores músicas, melhores drinks e a boa frequentação lotava o lugar todo o fim de semana.
Lily viu seu irmão no mezanino, onde ele e todo o grupo reservavam uma mesa VIP, com vista privilegiada da pista. Viu rapidamente Remus, mas mais ninguém.
Sem sinal de James.
- Vamos pegar bebida e depois subir? - Alice perguntou já se direcionando ao bar.
- Vou pedir apenas algo sem álcool dessa vez. Se eu beber de novo, capaz da minha mãe me matar por conta do tratamento.
- Boa ideia. Aliás, por que você não sobe e aquieta um pouco a sua perna? Eu pego as bebidas.
Concordando, Lily foi em direção das escadas do mezanino. Teve um problema ou outro para passar entre as pessoas na pista de dança, ou caras que tentavam puxá-la, mas conseguiu chegar até as escadas.
Ah droga. Era um segurança diferente para a área VIP. Ninguém sabia que ela estava vindo, então seu nome não estaria na lista. Se fosse o segurança de sempre, ele a reconheceria e a deixaria passar.
- Olá. - Ela cumprimentou o homem.
- Não vai funcionar. - O segurança respondeu sem rodeio. - Pode voltar para a pista.
- Olha, eu sei que você não me conhece, mas eu estou com a mesa do Black.
- Claro. Você e todo mundo desse lugar. - O homem debochou.
- Diferente do resto do lugar, eu sou irmã dele e estou sim na mesa.
O homem olhou para seus cabelos, seus olhos verdes que brilhavam com uma luz ou outra, e começou a rir.
- Realmente parece com o Black da mesa. Igualzinha, diríamos que são gêmeos até.
- Algum problema aqui?
Ah senhor. Era ele.
James estava atrás do segurança, vindo do mezanino. Ele conseguia estar mais bonito do que ontem, mais bonito do que com os cabelos bagunçados de um beijo cheio de vontade. Seus cabelos estavam bagunçados agora, mas não por ela passar suas mãos constantemente por eles enquanto tinha seu corpo colado na dele.
- Você está na mesa Black, não? Diga ao seu amigo que encontramos a sua irmã gêmea perdida. - O homem continuava a rir.
- Eles não são gêmeos, mas se ouvisse cada loucura que sai da boca deles, diria que são quase a mesma pessoa. - James deu de ombros. - No final, são apenas irmãos.
O homem se virou para James.
- Como é?
- Ela é a irmã do Black. Então, por gentileza, deixe-a passar.
Lily sorriu vitoriosa. Tinha certeza que aquele segurança não iria esquecê-la mais. Não que estivesse brava com ele, pois o homem estava apenas fazendo o seu trabalho, mas não precisava ser tão sarcástico.
Tirando o cordão, o segurança deu espaço para que Lily passasse e dando também a visão de James por completo. Deu dois passos em sua direção, pronta para agradecer sua ajuda, louca para falar com ele...mas assim que ela se aproximou, James desviou e desceu o resto das escadas, não parecendo ter muita estabilidade em seus passos, passando pelo segurança e desaparecendo pela pista de dança.
Seu coração, que estava batendo em ritmo de carnaval, pareceu dar uma cambalhota de choque e descontentamento. O que aconteceu? Ele estava mesmo bravo com ela?
- Algum problema? - O segurança perguntou vendo-a parada nos primeiros degraus, mas ele parecia genuinamente preocupado. Ela devia estar com a expressão de puro desolamento para que ele perguntasse aquilo.
- Espero que não. - Respondeu, deu um sorriso que não alcançou seus olhos e subiu.
Deveria ter descido atrás dele e perguntado o que tinha acontecido, tirado aquilo a limpo, mas ele não parecia muito afim de falar com ela.
De repente, aquele fim de tarde, aquele beijo e aquela vontade, viraram quase algo de sua imaginação, uma brincadeira de mau gosto do seu cérebro.
- Claro que você viria.
Sirius parou em sua frente com aquela cara de quem sabia que a irmã iria aprontar e não estava decepcionado em ter acertado.
- Claro que sim. Eu só não te falei.
- Eu não fico mais surpreso, você sabe. Mas como você conseguiu subir?
- James. - Ela respondeu. O nome dele saindo de uma forma dolorosa de sua boca.
- Ah é, ele desceu para pedir mais bebidas, já que o bar aqui está bem lento.
Ele estava pronto para se virar e voltar para a mesa, mas Lily o segurou pelo braço.
- Ele te disse algo?
- Ele quem, do quê?
- James. Ele está nervoso?
Sirius a encarou por alguns segundos, uma sobrancelha levantada. Lily trocou o apoio dos pés, ficando nervosa com a inspeção do irmão.
- Hum. Você também reparou? Ele está um pouco avoado, diz que está com alguns problemas, mas não quis falar nada. - Inconscientemente, ela fez uma careta preocupada. - Não tem nada a ver com você, então não precisa fazer essa cara de quem peidou sem querer no elevador.
Ela poderia revirar os olhos com aquela comparação, mas estava tão perdida com todos aqueles pensamentos loucos, que mal reagiu. Era possível que James tivesse alguns problemas, mas tinha certeza de que ela era um deles.
- Você está dirigindo? - Ela perguntou. De repente, aquela coisa toda de tratamento não lhe importava mais. Adoraria dar um longo gole em um copo de vodka com energético.
- Sim. Não bebi nada, juro. E nem vou beber. - Ele disse. - Assim como você.
- Perdão?
- Você não vai beber. Seu tratamento, lembra? Você está bem essa semana, não quer voltar a usar aquela sua amiga nos próximos dias depois de abusar da dança e sair pulando por ai, não?
- Quem te contou que eu estava de muleta?
- Isso é relevante?
- Sempre é.
Ele revirou os olhos e voltou para a mesa, deixando-a sozinha. Remus a cumprimentou de longe, então ela retribuiu. Foi até a grade do mezanino, tendo a vista do bar inteiro. Viu Alice no bar, conversando com alguma garota que Lily não conseguia reconhecer. Continuou procurando, mas não achou James no bar. Focou na pista de dança, já temendo ver algo que não queria, tipo James dançando com uma mulher linda ou beijando-a, mas também não o achou.
Diabos, onde ele estava?
Ficou olhando para o corredor dos banheiros por alguns minutos, mas nada dele sair. Ele tinha ido embora?
Desistindo de olhar por ali, seus olhos foram puxados para um canto do bar e se depararam com os olhos dele. James estava em um canto, bem isolado, perto de algumas cortinas e não muito longe da porta de saída. Tinha um copo na mão - de whisky, provavelmente -, e não tirava os olhos dela. Ele esteve ali observando-a desde o começo?
James deu um gole em sua bebida e fechou os olhos por alguns segundos. Mexeu o copo, como se brincasse com os gelos, e então virou todo o conteúdo. E ali Lily ficou, assistindo a cena e querendo fazer algo, querendo falar com ele, ter alguma ideia do que ocorria.
Ela pegou seu celular e discou. Viu quando ele colocou a mão dentro do bolso e olhou para a tela, parecendo ter dificuldade em enxergar algo, mas assim que percebeu que era ela, levantou o rosto. Lily levou o celular até o ouvido, esperando que ele atendesse.
James olhou para o celular de novo, parecendo pensar.
- Vamos, atende. - Ela disse.
Caixa de mensagens. Droga. Ligou de novo e olhou para ele. James não pareceu se assustar ao ver o celular tocar de novo. Olhou para Lily, depois para o celular. Tentou tomar um gole do seu copo, mas estava vazio, fazendo-o reclamar.
Ele atendeu, mas não colocou o celular no ouvido. Lily ouvia tudo em dobro do que ocorria no bar agora, enquanto não tirava os olhos dele.
Devagar, ele levantou o celular.
- Não desligue. - Ela pediu assim que James "atendeu" a ligação.
- Olha, Sardenta...
- Não. Por favor, me deixe explicar. Eu não estou brava com você, apenas fiz uma cena para poder tirar qualquer pensamento errado de Sirius ao nos ver lá.
- Eu sei. - Ele respondeu.
- Então por que está assim?
- Você precisa de explicação? Whop! - Ele soluçou. Lily começou a perceber que aquele copo não era o primeiro da noite para ele. Provavelmente nem o segundo. - Você estava mesmo dentro daquele carro ontem?
- Eu estava, por isso que eu quero entender a sua reação.
James olhou para o chão, ainda balançando seu copo e brincando com o gelo, provavelmente querendo que estivesse cheio de novo.
- Você tem que entender que...- Ele levantou o rosto para ela novamente, mas seus olhos arregalaram. Ele desligou no segundo seguinte.
- Algo interessante? Você está aqui desde que chegou.
Remus parou ao seu lado, olhando para baixo também. Lily tentou se recuperar do susto, precisando agir normalmente e colocando o celular de volta no bolso.
- Apenas admirando essa massa de pessoas suadas se esfregando ao som de uma música techno que poderia muito bem ser substituída por algo mais legal. Eles costumam ter um set mais estimulante.
- Concordo sobre a música. Acho que já deu a hora de trocarem. - Remus riu e bateu com o ombro nela. - E então, me conta melhor sobre os seus planos. Vai dividir um apartamento com Sirius em Oxford?
- Que pesadelo. Não! Se Alice for aceita, vamos dividir um. Mas de jeito nenhum vou morar com ele.
- E se Alice não vier? Prefere dividir o apartamento com uma galera aleatória e nojenta, que não lava o banheiro?
Só de pensar nessa possibilidade, sua pele começava a coçar com a sujeira imaginária de um suposto apartamento todo sujo, com ela sendo a única a limpar.
- Eu acredito na capacidade da minha melhor amiga ser aceita lá. Ela tem que ser aceita!
Remus riu com ela e Lily ficou distraída com a figura de James de volta no bar. Ele estava do lado de Alice e a amiga parecia falar algo bem sério para ele. Se a amiga estivesse falando qualquer coisa sobre o que soube de ontem, era melhor esquecer Oxford, porque Lily iria matá-la.
- James parece estar um pouco bêbado. - Remus comentou, olhando para o mesmo ponto do bar. Ele se virou para trás. - Frank, Alice chegou e está lá embaixo.
Ela viu quando Frank agradeceu Remus e desceu as escadas atrás da namorada.
- Ele já tinha bebido antes de eu chegar?
- James? Sim. Como Sirius prometeu que não iria beber, James se jogou nos copos de whisky. Parece que está com um problema, deve estar querendo esquecer.
- Ele não te contou o que era?
- Não. O que é estranho, porque ele costuma ser aberto pra gente.
Lily mordia o dedo enquanto ainda assistia Alice e James conversando. Ele bebia do seu novo copo como se fosse água e estivesse morrendo de sede.
- Deve ser algo sério. - Ela disse.
- Talvez. Ou ele deve ter brochado e não quer contar.
Ela levantou a sobrancelha para Remus.
- Amigos não contam essas coisas uns para os outros?
- Depende. A primeira vez pode ser mais difícil.
- Bom...duvido que seja isso.
- E como você saberia? - Remus perguntou, rindo.
- Apenas dizendo, sei lá. Ele...ahm...tem cara de quem contaria isso para vocês. E brochar não me parece um problema tão grande, te forçando a beber assim.
- Tem razão.
E o novo copo de whisky acabou mais rápido que o outro. Frank já estava com eles e quando James levantou a mão para pedir outro copo, Frank parecia tentar fazê-lo mudar de ideia. Mas não foi o suficiente, pois James teve seu copo reabastecido. Alice cobriu o rosto e Frank jogou as mãos para o alto.
- Sirius! - Remus chamou. O moreno levantou do sofá e veio até os dois. - Acho que já chega para o campeão lá embaixo.
Sirius ficou observando a cena por alguns segundos antes de assentir.
- A gente já volta. Francamente, cada fim de semana é um membro diferente ficando acabado assim.
Os dois foram para as escadas e desceram. Queria ir junto, mas talvez ficaria uma bagunça generalizada. Quatro pessoas para tentar convencer James de não beber lhe soava mais do que o suficiente. E Lily parecendo fazer parte do problema, talvez não ajudaria.
Então ficou no seu lugar, assistindo literalmente de camarote tudo o que ocorria. Sirius e Remus chegaram até eles e James percebeu que era o fim da sua bebedeira. Não podia ouvi-los, mas conhecendo todos os presentes, conseguia entender seus gestos e expressões: Sirius e Remus estavam tentando convencê-lo com muita paciência, mas com alguns insultos do tipo "larga de ser idiota" e descendo o nível; James, sem paciência, estava retrucando com, provavelmente, "vai tomar conta da sua vida e me deixa em paz" e descendo de nível; Frank e Alice estavam ao lado para suporte, prontos para interferirem.
James virou para o barman e gritou pedindo outro copo, com certeza. Sirius gritou de volta cancelando o pedido. Remus cochichou com Frank e o amigo assentiu, indo para um dos lados de James e conversando com ele.
O celular de Lily começou a tocar e viu o nome de Remus no visor. Olhou para o amigo, que a olhava lá debaixo.
- Sim?
- Acho que precisamos de você.
- Como assim? - Ficou desesperada. James tinha aberto a boca?
- Se você fingir que está mal da perna e tendo que ir embora, James vai concordar em sair dessa porcaria de bar.
Seu coração pulou. Talvez, em outra época, ela não se sentiria tão feliz por soar importante assim para ele. Mas depois de ontem, era como uma vitamina de felicidade ser importante o suficiente para que James mudasse de ideia sobre algo ou agisse de outra maneira.
- Estou descendo.
Se apressou como pôde pelas escadas. O segurança olhou para ela e lhe deixou passar, sem comentários sarcásticos dessa vez. Foi empurrada aqui e ali com os movimentos de dança alheia e nunca pensou ter sido tão difícil chegar até eles. Quando os tinha em vista, deixou baixar o melhor espírito atriz que poderia ter e começou a mancar, colocando a mão na perna e fazendo careta, como se estivesse morrendo de dor.
Remus a viu primeiro e fez um "jóia" com a mão, confirmando que estava indo bem. Sirius, Frank, Alice e James a viram logo depois.
- Isso é real ou fingimento? - Sirius perguntou se apressando até ela.
- Fingimento.
- Ótimo. - Seu irmão a segurou pela cintura, a apoiando. Remus parecia avisar Alice e Frank do combinado e James estava com os olhos bem abertos, parecendo assustado. - Eu vou ter que levar Lily para casa, ela está com muita dor. Caiu na escada.
Uau, ele não precisava ir tão longe, mas ela apenas continuou com o fingimento.
- Vamos embora então. - James embolava todas as frases. - Quem dirige? Eu dirijo? Não, eu não dirijo ou vou nos enfiar no primeiro poste. Você dirige? - Ele apontou para Sirius. - Você não bebeu. Você não iria dirigir bêbado comigo, Remus e a sua irmã no carro, né? Lily não pode dirigir...táxi? Ou Sirius dirige? Quem dirige? Temos que ir emb...
Ele terminou a frase com um soluço alto o bastante para todos ouvirem.
- Só vai andando na frente, James. - Sirius apontou o caminho da saída com a cabeça.
Remus teve que ajudá-lo a seguir o caminho. Pelo jeito que bebeu o whisky, o álcool deve ter caído forte e rápido, porque ele não agiu daquele jeito quando falaram no telefone poucos minutos atrás.
- Eu não sei o que deu nele. James não é de beber assim. - Sirius comentou ainda fingindo levar a irmã.
- Devemos nos preocupar? - Ela perguntou vendo os dois amigos cambaleando na frente, com Remus tendo que segurar James.
- Eu vou tentar falar com ele, ver o que está acontecendo.
Ouvir aquilo lhe fez ter a sensação de engolir um monte de areia, quase engasgando.
- Claro. Você é o melhor amigo, ele deve querer se abrir para você.
A conversa foi interrompida por James que gritou e agarrou o pescoço de Remus com um braço.
- E então ela deveria cantar: Ops I did it again, I played with your heart, got lost in the game...oh baby baby!
Ele cantava a plenos pulmões, quase enforcando Remus. Os últimos "baby baby" foram ainda mais altos que a música.
- Do que ele está falando?! - Sirius pensou alto ao seu lado.
- Para de cantar Britney Spears na minha cabeça! - James gritou de novo e se virou para os dois irmãos. - Lily!
James Potter iria abrir a boca no meio da rua sobre eles, bêbado daquele jeito, sem poder se defender de Sirius caso o irmão fosse para cima dele. O que ela teria que fazer, então? Se jogar no meio da briga, implorar para Sirius não acabar com ele?
- Eu não estou cantando nada, para de loucura. - Ela riu sem graça.
- Eu que te machuquei, né? Sua perna...- Soluço. - Fui eu, ontem, quando...
- Você não fez nada. - Ela o cortou. - Só continua andando até o carro. A gente vai comprar um menu de frango que você tanto gosta, assim você fica caladinho.
- Hmm menu de frango. - Ele devaneou. Remus tentou se soltar, mas James o segurou mais forte. - Só tem uma coisa mais deliciosa que isso...querem saber o que é?
- Sim. - Sirius perguntou, rindo.
Agora que o irmão estava entrando na de James, iria ser um inferno.
- Beijar alguém que você quer muito. Já fez isso? - James perguntou olhando para Remus. - Claro que sim. Lembra quando te vimos pegando aquela garota no ano passado? Vocês estavam quase transando na parede.
- Cala a boca, James. - Remus resmungou.
- Ou Sirius...- James parou de falar e olhou emburrado para o amigo. - Você pegou minha prima. Muitas vezes.
- Muitas mesmo. - Sirius confirmou.
- Engraçado isso. - James comentou, olhando para o céu. - Você pega a minha prima e eu não falo nada.
- E deveria? Você que quase nos empurrou um para o outro.
- É, mas ainda sim...a vida é engraçada. Porque se você pega a minha prima, eu...
- Olha lá. - Lily quase gritou, apontando mais a frente. - O carro de Sirius. Ah, que bom. Minha perna está doendo tanto. Como eu estou louca para sentar. Vamos mais rápido, vamos, vamos.
Chegaram até o carro e James ficou mudo de repente. Lily estava em estado de alerta, pronta para se intrometer na conversa caso ele começasse a falar demais. Não poderia sair do lado dele agora ou sentia que iria dar uma merda colossal.
- Foi ótima essa noite. Entrei, fiquei meia hora e estou indo embora. - Lily reclamou entrando no banco de trás, seguida de Remus ao seu lado. James entrou engatinhando no banco do passageiro, enquanto Sirius tirava foto dele.
- Muito bem, James. Um pouco mais vergonhoso...perfeito! - James caiu de cara no banco, fazendo Sirius rir ainda mais. - Agora senta e não vomita no meu carro.
James apenas reclamou e fechou a porta.
- Coloque o cinto, por favor. - Ela pediu puxando o cinto até ele.
Segurando no cinto e na mão dela, James virou o rosto do lado da janela, onde apenas ela podia ouvir.
- Eu vou precisar muito mais do que um cinto. - Ele disse.
- Como assim?
- Porque os dois trens estão vindo tão rápido e vão me acertar...eu tô prevendo.
Ele soltou sua mão, fazendo Lily recostar no banco. Quais trens? Isso deveria fazer algum sentido ou ele só estava falando baboseira de bêbado?
- Como o nosso DJ oficial parece estar um pouco fora do ar hoje, quem vai ficar encarregado das músicas? - Perguntou Sirius.
- Eu sou o DJ, eu não tô fora do...- Soluço. -...ar. Eu vou colocar as músicas. - James tirou seu celular com dificuldade do bolso e levou uns bons dois minutos para conseguir conectar o aparelho com o carro. Sirius ria do amigo, enquanto Lily ficava cada vez mais preocupada e Remus mantinha um olho nele, com uma sacola de plástico em mãos que achou no carro, pronto para dar para James caso precisasse.
- Ah, essa é perfeita. Vocês devem cantar também.
"Losing my religion" começou a sair dos alto falantes e foi como uma injeção de energia em James. Sirius parou no semáforo e James apertou o botão para abrir o teto solar.
- Vai congelar todo mundo com o vento, seu idiota. - Remus reclamou do seu lugar.
- Então canta bem alto que esquenta. - James respondeu. - Oh life is bigger...It's bigger than you. And you are not me. The lengths that I will go to...The distance in your eyes. Oh no I've said too much. I set it up.
As pessoas dos carros ao lado começaram a olhar e James só continuou a cantar mais e mais alto. Remus tentava pará-lo, mas Sirius bateu na mão do amigo.
- Deixa ele botar isso para fora, talvez a gente consiga entender o que está acontecendo.
-That's me in the corner. That's me in the spot-light, losing my religion. Trying to keep it up with you and I don't know if I can do it. Oh no I've said too much...I haven't said enough.
A próxima estrofe foi contada pelos dois do banco da frente, ainda aos gritos:
- I thought that I heard you laughing, I thought that I heard you sing , I think I thought I saw you try.
- Meu deus, eu deveria ter ficado para trás. - Remus dizia, fazendo Lily sorrir.
Ver James e Sirius naqueles momentos loucos que só eles podiam proporcionar, era de aquecer o coração. Eles eram importantes demais um para o outro...e ela não podia acabar com aquilo. Sirius não poderia saber do que aconteceu e de que ela queria mais e que queria tentar. Ou pelo menos não tão cedo. Tinha que destrinchar a cabeça do irmão quanto a preocupação descabida dele, deixar as coisas mais simples. E então, ela entraria com a questão "James, seu melhor amigo...dei uns beijos nele e quero mais".
James se livrou do cinto de segurança e se virou para trás, ajoelhando-se no banco
- Every whisper of every waking hour, I'm choosing my confessions...trying to keep an eye on you. Like a hurt, lost and blinded fool, fool...Oh no I've said too much. I set it up.
- Coloca o cinto de volta, James! - Remus gritou contra o vento, mas James apenas balançou a cabeça e continuou cantando. Dessa vez, ele olhou diretamente para ela, enquanto abraçava o próprio banco.
- Consider this. Consider this the hint of the century. Consider this the slip that brought me to my knees, failed. What if all these fantasies come flailing around. Now I've said too much.
Sirius não parecia pegar o que estava acontecendo, já que ele continuava a dirigir e rir do amigo. Lily deveria estar com a expressão de desespero, pois era o que sentia naquela hora. Remus olhava de um para o outro, confuso.
James voltou para o lugar, quase deitando no banco, as longas pernas espremidas contra o painel do carro.
- Sirius, coloca o cinto nele. - Lily pediu para o irmão, que fez o que lhe foi pedido.
Parecendo ter usado toda a sua energia, James aquietou e estava bem preso no banco. Remus conseguiu alcançar o botão do teto solar, fechando, e o carro caiu no silêncio.
- Acho que agora estamos salvos. - Disse Remus.
Não estavam muito longe de casa agora e tudo parecia ir bem, até James se levantar do banco como um raio.
- Você passou direto pelo meu menu de frango!
Todos se viraram para o fast-food que ficava para trás.
- Você come em casa, James. - Sirius deu um tapa no ombro do amigo.
- Eu fui comprar suas malditas batatas da outra vez. Agora você vai me trazer esse maldito menu de frango!
Isso era bem feito para o irmão, não podendo discordar de James. Assim, eles se viram dar a volta e estacionar no mesmo fast-food da última vez, aquele em que o drive-thru não funcionava.
- Eu vou lá comprar. Alguém mais quer alguma coisa? - Sirius perguntou.
- Talvez eu venha e pegue algo também. - Remus fez como quem sairia do carro, assim como Sirius, mas James agarrou o último pelo braço.
- Não, você fica. - James lançou um olhar para Lily rapidamente. - E se...e se atacarem Lily? Eu não posso...e se...Lily e eu no carro e...
- Remus fica e Sirius vai comigo. - A ruiva disse. Era melhor evitar Sirius sozinho com um James bêbado, pronto para abrir a boca sobre eles.
Ela riu internamente ao pensar que aquele fast-food sempre trazia o desespero de Lily em deixar alguém sozinho com alguém dentro do carro. Só que dessa vez, ela não se importava em ficar sozinha com James.
Mas se ele não queria ficar sozinho com ela, ele também não iria ficar sozinho com Sirius. Os dois irmãos saíram do carro, deixando Remus e sua sacola de plástico com um James um pouco irritado e sonolento.
Apenas um grupo estava na frente deles, então a espera não seria grande.
- O que aconteceu essa semana que eu estive fora? - Sirius largou a pergunta repentinamente.
- Como assim? Do que está falando?
Sirius deu de ombros enquanto olhava o menu acima.
- James esteve com alguém? Você viu algo que indicasse isso?
- Não! Não vi. Não vi nada, nem ouvi nada. Por quê? - Tinha que se acalmar. Sirius não estava desconfiado deles, mas aquela conversa lhe deixava nervosa demais.
- Essa loucura dele... não te soa como um problema com mulher?
A atendente os chamou para fazer o pedido, para a salvação dela. Sirius pediu o maldito menu de frango de James e algumas batatas. Como o físico bem definido deles era mantido com toda aquela porcaria todo fim de semana, era um mistério.
O assunto parecia ter sido esquecido e Lily mal podia esperar para voltar para o carro e ir para casa, se trancar no quarto e esquecer que aquela curta noite era real.
- Uma vez, ele ficou com uma garota e descobriu depois que ela tinha namorado. - Sirius recomeçou a falar enquanto esperavam o pedido. - Mas faz um tempo já e ele não estava tão afim dela assim.
- Onde quer chegar com isso? - Ela perguntou assistindo o lanche quase vindo. Já estava a ponto de rezar para que ele viesse voando até eles e fossem embora.
- Que não vejo nenhuma garota que ele poderia estar sofrendo. Como alguém com um namorado, sabe?
Ah. Aquela era a confiança cega de Sirius de que nenhum de seus amigos agarraria sua irmã após ela saltar sobre ele dentro do carro. Ele tinha tanta certeza de que James e Remus estavam em um planeta diferente do dela, longe o suficiente para que não fizessem nada, que nem cogitava que algo tivesse acontecido.
Isso era culpa dele. Quem decidiu pensar daquele jeito era ele. Lily quem escolheria com quem ficaria e se isso incluía um amigo dele, um que queria algo com ela, então ele teria que aceitar.
- Bem, eu não vi nada. Se ele fez algo com alguém, eu não estou sabendo. - Ela disse.
O lanche e as batatas foram entregues e eles voltaram para o carro.
- Ele capotou. - Remus anunciou quando os irmãos entraram. James estava com a cabeça contra a janela e dormia profundamente.
- Ele vai acordar e comer essa maldição de lanche. - Sirius respondeu. - Acorda, Potter.
A sacola de lanche foi jogada nele, que acordou soltando o ar com o impacto do lanche em sua barriga.
- Não faça isso ou ele vai vomitar. - Lily reclamou.
- James raramente vomita bêbado. Se ele chegou no estágio de dormir, ele pulou a etapa de vomitar e já ficou dócil.
Enquanto pegavam o caminho para a casa dos Black-Evans, James comia seu lanche com grande satisfação, enquanto Sirius e Remus dividiam as batatas e Lily bebia o refrigerante do menu maldito de James.
E a paz havia sido restaurada.
J~L
Meu deus, aquilo era o inferno.
O lanche estava delicioso, mas a tontura do whisky lhe deixava irritado e morrendo de sono. Não ficou surpreso ao ser levado para casa dos Black-Evans ao invés da sua. Sabia que nenhum deles o deixaria sozinho depois daquela bebedeira modo-flash e Sirius iria amar encher o seu saco na manhã seguinte.
Mas meu deus, ele iria dormir muito próximo de Lily. A sua dor de cabeça subiu até o limite agora, quase fazendo-o chorar. Tinha se saído bem evitando-a. Escapou do almoço, mesmo não gostando de ter feito já que era uma espécie de comemoração por Lily ter sido aceita em Oxford. Ele estava muito feliz por ela e queria ter estado lá, mas...o que ocorria em sua cabeça era enlouquecedor. Mal conseguia falar normalmente com Sirius. Olhava para o amigo e só queria despejar tudo o que aconteceu, tirar aquilo da consciência, mas tinha amor à vida. Sirius não estava pronto para ouvir algo simples como James beijando Lily e não queria causar problema para a ruiva com o seu irmão.
- Acho que devemos dar um banho gelado nele. - Ouviu a voz de Lily em suas costas enquanto era levado para o primeiro andar por Sirius e Remus.
- Você também? - Seu lado bêbado perguntou, assustado.
- Acho que Remus e eu somos o suficiente para te enfiar debaixo de um chuveiro. - Sirius respondeu pela irmã, mas não soava bravo. Ele nunca se importou com as piadas dos amigos com Lily. James pensava que agora ele deveria, talvez
James viu Lily passando por eles e indo até o quarto de hóspedes. Ouviu o chuveiro ser ligado quando entrava carregado no quarto.
- Mantenha o seu amigo guardado. - Remus disse.
- Meu amigo?
- Não precisa tirar mais do que a sua calça, é o que eu quero dizer. - Respondeu Remus revirando os olhos.
- Como se eu fosse dar um show gratuito para vocês. - James reclamou enquanto desabotoava a calça e baixava o zíper.
Suas calças estavam na metade de suas pernas quando Lily e Sirius saíram do banheiro. Ele se manteve em pé, sem equilíbrio algum, olhando para eles.
- Não podia esperar a minha irmã sair antes de começar a arrancar a roupa?
- Eu não sei onde está cada um aqui, Sirius.
- Ele está com a camiseta ainda, eu não estou vendo nada. - Apontou Lily. E apesar disso, ela lançou olhares para ele e não era para o seu rosto.
Ele estava bêbado, mas não cego. Lily não podia ficar olhando para ele daquele jeito, jesus. Especialmente na frente dos outros dois.
- Eu vou indo. - Ela disse. - Me chamem se precisarem de alguma coisa.
Ah, ela iria embora? Queria que ela ficasse.
Não! Não queria. Lily tinha que sair, se afastar. O beijo dela estava tão marcado nele, tão forte, que era só em que pensava desde que saiu daquela casa na tarde anterior. Queria beijá-la de novo e de novo e mais uma vez.
Por que as coisas tinham que ser tão complicadas?
Sentiu a água fria em sua cabeça e percebeu que tinha sido conduzido até o chuveiro. Nem lembrava de ter tirado a camiseta.
- Inferno, está gelado igual a porra da Antártica!
- A Antártica vai te fazer sair um pouco desse estado. - Era a voz de Remus vindo de alguma parte do banheiro.
Se limitou a grunhir. Encostou a cabeça na parede fria - tão fria quanto a ducha -, e deixou a água atingir suas costas e nuca. De fato ajudava bastante, colocando a cabeça no lugar, tirando o grosso do álcool que nublou sua mente.
- Vai nos contar qual é o problema? - Dessa vez foi a voz de Sirius. Ele parecia mais afastado do que Remus.
- Não há problema. - Respondeu.
- Minha bunda que não tem. Você não bebeu para se divertir hoje, mas para se livrar de alguma coisa.
James riu sozinho. Se virou e deixou a água gelada cair pelo seu rosto, querendo sumir dali, daquela conversa. Se o amigo apenas soubesse que tinha bebido porque queria se aproximar de alguma coisa e não se afastar...ainda que não pudesse e tinha que se livrar da coisa de qualquer maneira.
- Como está a perna dela? - Perguntou sentando-se no chão embaixo da ducha.
- Lily? Bem. Ela vai ficar bem. - Remus respondeu.
- Ela caiu da escada? Está machucada em mais algum lugar?
- Não. Ela vai tomar um remédio e vai melhorar. Por falar nisso, vou pegar um para você.
Ouviu Sirius sair da banheiro e fechar a porta. No segundo seguinte, sentiu um par de mãos em seus ombros, o chacoalhando.
- Uau, não faça isso se não quiser que eu coloque todo o menu de frango pra fora.
- James! Aconteceu algo entre você e Lily, não? - Remus sussurrava. - O que você fez?
- Para de me chacoalhar, diabos.
- Eu já parei, você que está tonto.
Tudo começava a girar, mesmo sentado debaixo daquela ducha gelada. Tinha que se esforçar para manter tudo no estômago, tinha pavor em vomitar. Sentia que ia morrer engasgado toda vez.
- Eu não fiz nada. - Conseguiu responder. - Para de falar como se eu fosse pular no pescoço dela como a porra de um vampiro e matar a coitada, Remus.
- Alguma coisa rolou, isso é óbvio.
- Para de falar isso. Se Sirius ouvir, vai criar uma bagunça por nada.
Remus pareceu se afastar, já que tinha a luz batendo em seu rosto novamente, mesmo não estando com os olhos abertos. Seu estômago não estava contente com aquela conversa ou aquele chacoalhão.
- Está tudo bem aí dentro?
Maldição. Era Lily do lado de fora.
- Está tudo ok. Seu irmão foi buscar algo para ele tomar.
James enfiou as mãos pelos cabelos molhados e abaixou a cabeça. Onde estava aquele remédio que, além de ajudar com o estômago, iria ser como uma bigorna em sua cabeça e dormiria até o fim dos dias?
- Pode pedir pro seu irmão ir mais rápido? James está quase verde agora.
Estava? Por que estava surpreso ao ouvir isso, na verdade? Sentia que o mundo era verde. Sua cabeça rodava cada vez mais...
E apagou.
Shala lala lala pra ser feliz,
Faça o que a gente diz
E beije logo a moça
A próxima coisa que James viu, foi a luz do sol. Ou era do banheiro?
Não, era o sol.
Ela vinha direto de uma brecha da cortina, batendo em seu rosto sem piedade. Que diabos?
- Ah, que dor do caral...
- Bom dia.
Abriu os olhos, surpreso, e levantou a cabeça na direção da porta: Geneviève estava parada ali com uma bandeja.
- Bom dia. - Ele retornou o cumprimento envergonhado. Conferiu que estava coberto, já que não sentia nenhuma peça de roupa no corpo.
- Soube que teve uma noite um pouco pesada, querido.
Geneviève entrou com a bandeja e James sentiu o cheiro de ovos e bacon. Seu estômago quase pulou de alegria, pronto para ingerir qualquer coisa gordurosa e alguma proteína.
- Obrigado. - Agradeceu quando ela colocou a bandeja ao seu lado na cama.
- Você está bem?
Lily era uma cópia física de Geneviève, enquanto todos os trejeitos vinham de Orion. Os cabelos ruivos eram lisos e ondulados na ponta do mesmo jeito e os olhos verdes eram os mesmos. Ambas lindas. Sorte de Orion que pôde ter anos ao lado de Geneviève. Já ele com Lily...
- Meu estômago parece melhor. Está reagindo positivamente a tudo isso.
Rapidamente atacou o café da manhã como se não houvesse amanhã. Fechou os olhos com o prazer de todo aquele sabor depois de uma noite de bebedeira.
- Fico feliz, mas queria saber como você está no geral. - Ele levantou os olhos para ela. - Remus me contou por cima o que ocorreu. Há algo de errado? Algo em que eu posso ajudar?
"Fale para o seu filho largar de besteira com a irmã, por favor" ou " arranque Lily da minha cabeça". Qualquer um dos dois era vantajoso.
- Apenas me descontrolei. Não deveria. - Disse.
- Eu já fui jovem, sabe? Eu sei que quando bebemos deste jeito, há algo por trás. Mas, claro, não vou forçá-lo a me dizer. - Geneviève sorriu e deu dois tapinhas gentis em seu braço. - Mas a nossa casa está sempre aberta para você.
Geneviève estava pronta para se levantar e deixá-lo sozinho. James pensou, por um momento, que aquilo seria uma boa ideia, mas não soube qual parte do seu cérebro que o fez abrir a boca logo em seguida.
- Tia G. - Fazia anos que James não a chamava assim. Quando era pequeno, sua língua embolava para dizer seu nome, então decidiu encurtar para "G". - Eu sei que quando encontrou Orion, você não caiu na dele tão rápido.
A ruiva sorriu para ele, um ar de nostalgia lhe tomando. Ela se ajeitou na cama para encará-lo melhor.
- Exato. Mesmo que eu tenha me apaixonado, eu não me entreguei completamente. Eu tinha tanto receio de deixar alguém entrar na minha vida, na de Lily. Tínhamos passado por tantos problemas, que apenas nós duas soava como o correto.
- Mas ele não desistiu.
- Não. - Geneviève suspirou com um ar apaixonada e cheio de saudade. - Ele foi tão pertinaz, tão cheio de vontade...- Ela parou por um momento, olhando para a coberta e passando seus dedos na costura da mesma, se perdendo em seu mundo por alguns segundos. - Eu aprendi que se eu estou fugindo de algo bom, de algo que me faz bem, então o problema não é a coisa ou a pessoa em si. Eu aprendi que tinha que lutar com os fantasmas do meu passado e não contra o amor de Orion. Me entregar para aquela paixão foi a coisa mais certa que fiz na minha vida e só há uma coisa que eu me arrependo de não ter feito.
- O que é? - Ele perguntou.
- De não ter me entregue antes. - Ela sorriu tristemente. - Eu perdi meses, um ano que poderia ter passado com ele. Se eu soubesse que o perderia tão cedo, eu não deixaria esse tempo passar sem estar ao seu lado. - Geneviève acariciou o rosto de James assim como Euphemia fazia as vezes, com aquele toque de amor e zelo. - Eu não sei pelo o que está passando, James querido, mas a vida é tão surpreendente. Tanto pelo bem quanto pelo mal. Pense nisso.
Ela se levantou, deixando a porta visível para ele agora e se surpreendeu ao ver Sirius recostado no batente, olhando para as próprias mãos. O amigo sempre tinha aquilo de aparecer de repente e em silêncio, como se fosse um maldito fantasma. Sirius parecia alheio ao fim da conversa, perdido em sua própria mente. Era engraçado como o sangue e genética não pareciam ser mandatórios para que pais e filhos fossem tão parecidos. O jeito de se perder em pensamentos, Sirius era igual à Geneviève e ele poderia indicar ainda muitas outras coisas que Sirius puxou da mãe adotiva.
- Querido! - Ela disse ao ver o filho na porta. Sirius levantou o olhar e sorriu. A mãe se aproximou dele e o beijou na bochecha. - Soube que não bebeu ontem e trouxe todos bem. Obrigada por ser responsável às vezes.
Sirius meneou a cabeça, o que fez a mãe rir. Geneviève se despediu e saiu do quarto. James engoliu o bacon com certa dificuldade e pegou o suco, querendo deixar sua boca ocupada por mais tempo. Desde a volta do amigo de Oxford, não tiveram muito tempo para conversar ou para James não parecer ou sentir tão culpado ao lado dele. Normalmente, ele teria ido no almoço de ontem, teria encontrado com Sirius e Remus para comerem antes de partirem para o Três Vassouras, mas evitou tudo o máximo que podia, escapando do almoço e encontrando os amigos direto no bar.
Mas não tinha mais como fugir agora. Nem vestido ele estava, então não poderia se levantar e sair do cômodo.
- Eu sabia. - Sirius disse finalmente.
Seu coração acelerou.
- Sabia?
- Sim. - O moreno entrou no quarto e se aproximou da cama. - Claro que o seu problema envolvia mulher. - Vacilou em ficar aliviado, mas ainda não tinha certeza se Sirius parecia saber mesmo o que aconteceu ou se estava falando de outra coisa. Era hora de se vestir, porque não queria ter que brigar com Sirius enquanto estava pelado. Seria humilhante. - Você não vai escapar agora, James. Eu estou vendo esse seu olhar de desespero, louco para sair dessa cama, mas você não vai a lugar nenhum.
- Sirius, a gente pode conversar tranquilamente? Eu explico o que tenho que explicar, não tem problema, só me deixe ficar com mais dignidade.
- Não, você vai me explicar agora. O que você fez foi algo um pouco novo, sabe? Eu fui para Oxford e as coisas estavam bem, normal, tudo em ordem. E de repente eu chego, minha irmã está gritando com você, o Três Vassouras deve estar gastando todo o dinheiro que você gastou ontem para comprar mais whisky, porque você bebeu quase tudo ontem...
Conhecendo Sirius, ele não estava nervoso ou pronto para matá-lo, então começou a ter certeza que o amigo estava longe de saber o que tinha acontecido.
- As coisas saíram um pouco do controle essa semana. - Respondeu.
- Eu percebi. - Sirius se aproximou e apoiou um pé na cama, um braço apoiado no joelho. - Você não é cara de namorar ou de se apaixonar, eu nunca vi em todos esses anos. - James rapidamente enfiou uma colherada de ovo na boca para não reagir. - Sempre tranquilo em relação a isso.
- Não é nada disso, Sirius. Eu não estou namorando ninguém.
- Mas quer. Ou algo bem perto disso, mas eu não estou entendendo qual é o problema. Nenhuma garota diz não para James Potter. - Sirius brincou e deu um soco na perna de James por cima da coberta.- Ah não. Você fez de novo, não é?
- Do que está falando? - James perguntou enquanto olhava pelo longo corredor, conferindo se Lily ou Geneviève estavam por perto, então saiu da cama, foi até a cadeira para pegar a sua calça e a vestiu. Onde foi parar sua boxer? Lembrava de ter tomado banho com ela, mas deveria ter sido tirada antes de o colocarem na cama.
- Você foi se aventurar no grupo dos intercambistas de novo? Lembra quando você seduziu aquela muçulmana linda? Ela até começou a tirar o véu na escola, tentando sair com você de novo e a família dela descobriu e tirou a coitada de Hogwarts.
- Tempos sombrios. - Reclamou ao lembrar da expressão da coitada sendo arrastada pelos pais. Não deveria ter seduzido a garota só por achá-la bonita, sabendo que ela estava em uma situação complicada.
Sirius ria e sentou na cama enquanto James pegava sua camiseta. Urgh, cheirava a álcool velho.
- Não coloca essa porcaria, eu pego uma minha. - Sirius disse. - Mas antes, me fala: você foi se aventurar de novo por lugares onde você não pode ganhar? Você sabe que teria que fugir com a garota caso ela fosse como essa muçulmana que você seduziu, certo?
- Não é nada disso. - Repetiu. - Apesar de ter sido um problema com mulher, eu vou resolver isso.
Se levantando da cama, Sirius parou no meio do quarto e o encarou. Enquanto fechava sua calça, viu seu reflexo e seu rosto podre de alguém que se entregou demais na bebida na noite anterior e precisava de um milagre para melhorar.
- Agora falando sério, você sabe que eu gosto de te zuar, mas eu não quero te ver assim. Eu te conheço e sei que quando você não quer falar, não adianta eu te pressionar...você não é o livro aberto que todos pensam que você é, eu sei que você consegue guardar algo muito bem e só vai falar quando sentir que está na hora. Então escute...- Sirius se aproximou e apoiou uma mão no ombro de James. - Se você gosta dessa pessoa, eu acho que ela merece mais do que você se embebedar na porra do Três Vassouras no sábado à noite. Você quer ficar com ela e é recíproco? Fique com ela. Se o problema é a família, a religião, seu ponto político diferente ou o que for, eu te digo uma coisa: foda-se. Foda-se tudo isso. Você consegue passar por cima de qualquer coisa. - Sirius deixou sua mão cair e deu um passo para trás. - Como a minha mãe te disse mais cedo: não corra da coisa errada. Se você está dando mais importância para o problema do que ela, então será que essa pessoa te merece mesmo?
Não sabia o que falar. Puta merda, o problema estava falando para que parasse de se importar com ele mesmo. Era fácil para Sirius dizer tudo isso quando via apenas um ponto de vista de toda a história, querendo que James não sofresse, mas ele diria a mesma coisa caso ele dissesse que a garota fosse Lily? Ele não pareceria muito feliz com essa filosofia de vida que os caras levavam em relação à ela.
Porém, por mais louco e dolorido que aquilo soasse, Geneviève e Sirius estavam certos. Se Lily o quisesse, se o queria para mais uma rodada, para mais cinco, seis rodadas...para até uma noite com ele, para qualquer outra coisa, não seria ele idiota o bastante para não embarcar naquela loucura? Nem ele podia medir o quanto queria aquilo tudo e o quanto seria cansativo continuar a negar, ainda mais depois de ontem. Seria mais fácil se livrar daquilo caso tivessem ficado apenas nas brincadeiras da semana? Sim, mas eles não pararam ali e agora havia um beijo no histórico e um que ele não iria esquecer tão cedo.
- Eu vou pensar no que você está me dizendo.
Não era fácil assim em sua cabeça. Separar as coisas, separar Sirius dessa equação seria complicado e, por mais que adoraria dizer tudo para ele agora, contar sobre quem ele estava dizendo para James lutar, não se sentia pronto para aquilo. Não depois de anos, depois de tanto tempo guardando aquele segredo. Era como se abrir sobre algo muito íntimo.
- Pense, mas não por muito tempo. Agora...- Sirius voltou para a cama. - Você não vai comer esse último bacon eu imagino?
Sirius pegou o último bacon do prato e comeu.
James olhou para o amigo, depois para fora, pelo corredor e que ia até a porta fechada do quarto de Lily. Voltou a olhar para Sirius e depois para a porta de Lily. Teria dias complicados pela frente.
Mas dias que ele teria que colocar a cabeça no lugar, tinha que decidir.
Lily merecia mais do que uma noite de bebedeira sua no Três Vassouras.
N/A:
Rapaz, eu não estava imaginando um capítulo tão grande, mas assim ele nasceu xD
Quem me acompanha no Instagram, entendeu a referência agora que lancei ontem. Se você não me acompanha no Instagram, está perdendo muita att lá, além de notícias das fics.
Resposta para reviews sem login:
Thaty: Aahhhhh que feliiiiz por voce amar a fic *-* Demorei, mas voltei. E a ação começou, agora espere por mais ;) ahahhaha Beijooos
Mah: Lily aqui é séria e não brinca mesmo em serviço. Ta com a faca e o queijo na mão, a garota vai usar LoL As coisas estao começando a avançar e logo logo decola ;) aguarde. E sim, Remus tem que começar a ser aquele amigo sensato de sempre, mas sera que ele estara com a cabeça no lugar no futuro? Nao sei, teremos que aguardar :x Beijoooos
Antes de ir embora, dá aquele coments marotinho que a gente gosta ;)
Beijos e até a próxima :D
P.S: não queria estragar a infância de ninguém colocando essa música nesse capítulo hahahaha mas ela combinava demais.
