J~L
There's something in the way you roll your eyes
Há algo no jeito que você revira seus olhos
Takes me back to a better time
Me leva de volta a uma época melhor
When I saw everything is good
Quando eu via que tudo estava bem
But now you're the only thing that's good
Mas agora, você é a única coisa que é boa
(Walk me home - Pink)
James estava puto!
Puto da vida, puto da cara. Estava tão transparente quanto vidro, mas o motivo permanecia desconhecido pelas pessoas porque - novamente - ele sabia esconder alguns sentimentos quando precisava. Então ele estava puto e nem podia explodir aquela putice toda para o mundo, deixando aquela porcaria sair da sua cabeça.
O motivo?
Sirius Black. Ele não podia jogar sua putice pelo mundo, porque Sirius estava ao seu lado. Na verdade, James estava ao lado dele em seu quarto, junto com Remus, tentando terminar aquela miséria de trabalho que precisavam entregar amanhã, quarta-feira.
E por que James Potter estava puto e não podia extravasar sua putice com Sirius Black ao seu lado? Porque envolvia Lily Evans, sua irmã. Aquela ruiva que fez alguma magia e conseguiu com que James deixasse a única coisa que não podia escapar, escapulir: a vontade que tinha dela. Dias de uma crescente vontade de ambas as partes, para tudo explodir na sexta-feira dentro do seu carro.
Aquele beijo, tudo o que aconteceu...não deveria ter ocorrido, mas não havia jeito de impedir. Parecia estar escrito desde o começo que era o que deveria ocorrer. Então ele agiu como um idiota, fugindo como o covarde que era, porque sabia que estar perto dela era perigoso. Perigoso olhar para ela, se aproximar dela.
Depois de um domingo cheio de ressaca e com Geneviève e Sirius conversando com ele, talvez abrindo um pouco sua mente para as coisas, a dor de cabeça só parecia piorar. Não era como se Sirius dizer que ele não deveria se preocupar com as coisas, que ele simplesmente iria ignorar o amigo e correr para o quarto em frente e beijar Lily como se o mundo estivesse acabando. As coisas ainda eram complicadas, mesmo o caminho parecendo mais fácil.
- Nem fudendo!
Remus quase cuspiu as palavras. James não era o único puto dentro daquele quarto agora. Sirius jogou as mãos para o alto.
- Remus, você nem a viu.
- E daí? Eu não quero te ofender, porque Dora é a da sua família, mas Sirius! Lembra o quanto ela ficava em cima de mim?
E lá estavam eles. Desde aquela manhã, Sirius não parava de falar de Ninfadora, ou Dora, para Remus. O amigo, que foi alvo da garota quando mais novos, ouviu sem se pronunciar todo aquele tempo, até achar que o limite já havia sido alcançado.
- Ela tinha 12 anos e agora ela tem 16. Vai completar 17 em um mês. E essa diferença quando você tem 18 e ela praticamente 17 não é grande coisa. - Siriius insistiu.
- A questão não é a idade, mas ela.
- Ela não é boa o bastante para o senhor Lupin, é isso? - Sirius perguntou debochado.
- Eu não disse nada disso. Eu só tenho essa lembrança daquela pirralha atrás de mim, quase segurando nos meus tornozelos.
- Você está falando de uma garota de 12 anos que ainda devia brincar de barbie ou algo assim. - James se intrometeu naquela conversa que já durava uns bons cinco minutos. - Você era um idiota aos 12 também e hoje você é menos. Você não é o único com o poder de crescer.
Não parecendo convencido, Remus deu as costas e voltou sua atenção para o laptop, digitando com força.
Ouviu um barulho no corredor e olhou para a porta. Sabia que era Lily, já que Geneviève só chegaria mais tarde. Ele mal a viu no domingo, pois foi embora para casa um pouco depois de ter acordado. Na segunda-feira e hoje pela manhã, ela já tinha ido embora para Hogwarts quando chegou. Nem as frutas do seu café da manhã ela havia deixado para ele. Teve alguns vislumbres dela por Hogwarts, mas nada mais do que cinco segundos.
Queria tanto vê-la. Sabia que não deveria pensar assim, que deveria se afastar dela, era o mais fácil e menos problemático...mas não era o que queria. Só queria ser um pouco egoísta sem tanta culpa. Aquilo era pedir demais?
- Por que você quer me empurrar para a sua prima de segundo grau? - Remus perguntou girando na cadeira e se voltando para Sirius.
- Por que você tem que frisar que é de segundo grau? Ela é apenas minha prima e pronto. - Sirius se aproximou do amigo. - Você é um cara correto, sei que não machucaria Dora.
- James também não. - Remus apontou para o dito cujo.
- Não me inclua nessa. - Respondeu James, voltando com o celular e o jogo.
- Por isso! - Sirius respondeu apontando para James. - Ele é muito desprendido, não quer nada sério com ninguém desde que começou a notar que garotas eram bonitas.
- Mas por que sua prima tem que arranjar alguém?
Sirius sentou em sua cadeira de estudo, ao lado de Remus, e girava de um lado para o outro.
- Ela não tem que arranjar, mas assim que a vi depois de tantos anos, eu sabia que ela era o seu estilo. Se Andrômeda e ela chegassem antes, você poderia ir com ela para Southend-on-Sea, mas elas chegarão na sexta - Sirius continuou.
- Por que eu iria com ela? - Remus perguntou ainda bem perdido em toda aquela conversa.
- Por que não?
- Você vai com Marlene, por acaso?
Sirius parou de rodar a cadeira e encarou o amigo.
- O que tem uma coisa a ver com a outra?
- Por que eu tenho que ir com alguém e vocês não?
Parecendo bem incomodado para onde a conversa parecia ir, Sirius se ajeitou na cadeira. Olhou para James que parecia pouco interessado em participar e não desgrudava os olhos do celular.
- Você vai com ela? - Perguntou Sirius.
Sentindo os olhares em si, James levantou o rosto da tela antes de voltar para o jogo ao confirmar que ele era mesmo o destinatário da pergunta. Estalou o pescoço, desconfortável.
- Ela quem?
- A garota que você ficou procurando com os olhos desde ontem e que te deixou nesse humor horrível.
- Eu não fiquei procurando ninguém, Sirius.
- Ah, ficou. - Remus quem respondeu. - Se existisse um mapa com o nome de cada pessoa em Hogwarts e a sua localização, tenho certeza que você iria dar uma olhada para saber onde a pessoa estava
A música alertando que ele falhou de novo em passar aquela fase estúpida do jogo o fez desviar os olhos dos amigos. Estava cansado daquela porcaria de fase que o mantinha empacado há dias e dias, só aumentando a sua frustração do começo da semana. Dois dias que estava naquele mau humor do cão e nada parecia ajudar.
E para piorar, quando levantou o olhar, seu alerta de problema apitou. Sirius girava lentamente a cadeira e tinha as mãos cruzadas abaixo do queixo. Um sorriso nada inocente estampado em seu rosto.
- Não! - James disse, chamando a atenção dos dois.
- Não o quê? - Remus perguntou.
- Sirius está planejando algo. - Sirius levantou as sobrancelhas. - E pelo olhar dele e o sorrisinho debochado, ninguém vai gostar, além dele mesmo.
- Que exagero.
- Você dá a sua palavra de que não estava planejando algo?
Aquilo era uma coisa do grupo de amigos desde o começo, mesmo quando Peter ainda fazia parte e eles eram apenas uns pirralhos: nunca juravam em falso entre si. Normalmente com as outras pessoas também não, mas às vezes ocorrem alguns juramentos aqui e ali para escaparem de uma detenção ou outra. Mas entre eles, nunca.
- O que eu estou pensando seria legal. Honestamente, bem legal. Iria ajudar muita gente.
- Que bom samaritano você é agora. Eu nem quero ouvir. - Remus resmungou do seu lugar.
- Não se preocupe, porque o seu já está resolvido com Dora.
- Ah, então isso diz respeito a mim? - James largou o celular na cama, já temendo. - Não perca o seu tempo, eu estou tranquilo.
- Será mesmo? - James resolveu não responder e voltar sua atenção para o jogo infernal que, nesse momento, era melhor de lidar do que Sirius com alguma ideia escabrosa. - De qualquer maneira, não envolve apenas você. Eu estive pensando bastante nesses últimos tempos e acho que preciso mudar algumas coisas e...
A porta do quarto abriu com certa força, fazendo James e Remus darem um leve pulo no lugar. Sirius nem se mexeu, sempre acostumado com o furacão ruivo na casa, apesar de bufar por ter sido cortado no meio da frase.
Lily encostou no batente da porta enquanto falava no celular. Ela tinha os olhos brilhando como nunca, um sorriso tão maléfico quanto o do irmão alguns segundos atrás.
- Eu concordo. Os homens de hoje em dia são bem moles! - Ela disse. Seus olhos passaram por cada um dos presentes no quarto, demorando um segundo a mais em James. - Pelo menos eles têm a nós, senão... francamente, a humanidade estaria quase parando.
James tentou segurar o sorriso bobo que parecia quase escapar ao vê-la. Lily pensaria que ele era louco depois do fim de semana, a bebedeira, as merdas que ele falou ou como agiu...e no fundo, ela deveria mesmo, porque ele estava de fato louco e confuso. E ela estar puta da vida com ele também não era um segredo. O jeito que ela o evitava desde a bebedeira dele no sábado, não dava para passar batido.
No final, os dois se evitavam, mas James sabia que o pior era ele. Lily o evitava por estar brava por estar sendo evitada. E ele a evitava por receio...por ser um covarde.
- Com quem você está falando? - Sirius perguntou.
- Uhum. - Ela concordou com a pessoa do outro lado da linha, ignorando-o. - Claro. Você fica aqui, aliás. Não tem necessidade de pegar um hotel ou ficar na casa do familiar mais próximo, se é que me entende.
- Lily, com quem você está falando? - A voz de Sirius estava mais urgente.
Adorando assistir algo que deixaria Sirius muito desconfortável, James jogou as costas contra a cabeceira da cama e cruzou os braços.
- Sshhh! - Ela pediu para o irmão. - Trem? Sim, a gente vem te pegar. Mas não se preocupe, Sirius vai te levar de volta a Oxford!
- Filha da…
Sirius levantou da cadeira como um foguete e foi até Lily, que desviou dele. A ruiva manteve distância do irmão enquanto tinha um braço esticado para mantê-lo longe. Todos ali sabiam que se Sirius quisesse arrancar aquele celular da mão da irmã, ele faria em um segundo, mas ele não arriscaria uma manobra com a perna de Lily naquelas condições. Se fosse outra situação, as coisas já teriam mudado. James não sabia quantas vezes já presenciou os dois irmãos em disputas, apesar de nunca chegarem a brigas ou agressões físicas.
- Ele está bem na minha frente, eu vou te passar. Falo com você depois...claro. - Sorrindo bem inocente, Lily passou o celular para o irmão. - Sirius querido, Marlene quer falar com você.
Aceitando o celular e tampando o microfone, ele rosnou de volta:
- Você me paga.
- Tô morrendo de medo.
- Deveria mesmo. - De repente, Sirius mudou de irritado para feliz, colocando um bonito sorriso enquanto levava o celular até o ouvido. - Hey!
Saiu para a varanda e fechou a porta.
- Você tem contato com Marlene? - Perguntou Remus.
- Agora eu tenho. - Ela deu de ombros. - Social medias podem ser horríveis, mas às vezes são uma benção. Então eu meio que liguei para ela, depois de pedir o número de telefone pela internet, para dizer que vamos para Southend-on-Sea na quinta-feira. Perguntei se ela estaria interessada.
Remus deu uma gargalhada cheia de vingança explodindo para todos os lados. James sorriu sentindo-se tão vitorioso quanto o amigo.
- Ele vai ter que convidá-la agora ou Marlene vai ficar levemente ofendida. - Ele comentou. Lily olhou para ele e desviou o olhar rapidamente.
- É. - Ela respondeu, seca. - Eu estou morrendo de fome. Se vocês estão interessados em comer algo, eu vou preparar macarrão para o jantar.
- Eu aceito. - Remus respondeu prontamente. - Todos nós, eu diria.
- Certo. Então mexam essas bundas e venham me ajudar.
Saiu do quarto sem lançar um segundo olhar para James. Entendia que ela estava brava, mas se pegou pensando se tinha feito algo mais e não se lembrava. Além do óbvio de não falar com ela e ter fugido, claro.
- Lily está puta com você. - Disse Remus.
- Não diga, Sherlock. - James soltou todo o ar, frustrado.
- O que aconteceu?
- Não sei. Eu a ofendi no sábado, talvez?!
- Ofendeu? Eu mal vi vocês dois juntos... - Remus comentou. - Você estava estranho, falando umas coisas, dando a entender algo…
- Do que está falando?
- Sei lá...dava a impressão que algo aconteceu entre vocês. - Remus observava James, mas este estava sempre tão vigilante e cuidadoso sobre suas reações quanto a Lily por anos, que continuou com a sua poker face, não entregando nada para ele. - Mas como sabemos, você está nesse mistério com um outro alguém.
- Não tem mistério e nem nada demais. O álcool potencializa coisas que não deveriam ser tão importantes.
- E ele também potencializa coisas muito importantes.
Revirando os olhos, James se levantou ao mesmo tempo que Sirius entrou no quarto.
- Eu amo e odeio Lily. - Ele reclamou. - Desculpem desapontá-los, mas não vou acompanhá-los em Southend-on-Sea. - Ele sorria abertamente.
- Se você estiver com Marlene nessa viagem, é bom você agradecer a sua irmã. Se dependesse de você…- Remus não terminou a frase e saiu do quarto.
- Por que eu tenho a impressão de que você vai entrar para a família? - James brincou enquanto seguia Remus para fora do quarto.
- Porque talvez eu entre. - Sirius riu atrás dele. - Quem diria? E eu pensando que os seus pais ou os meus teriam que desistir de um filho e o outro casal adotar um de nós para que fizéssemos parte da mesma família.
James riu forçado. Ele tinha outra ideia de como poderiam entrar na família do outro, mas era melhor não comentar.
L~J
Tirou o pacote de macarrão e jogou com força desnecessária no balcão da cozinha. Assim como tudo o que vinha fazendo desde que acordou.
Seria tão mais fácil se tivesse saído para fazer alguma coisa depois da escola. Adoraria ir até o parque onde costumava sentar-se com Orion, mas era uma caminhada considerável para que sua perna aguentasse e Alice estava ocupada correndo contra o relógio para entregar um trabalho para amanhã, o mesmo que os três lá em cima também faziam.
Ela poderia estar tranquila em casa, mas pensar que James estava ali lhe deixava tensa. De um jeito bom e ruim. Ainda tentava se recuperar da ignorada monstra do fim de semana, das palavras dele, do fato de que aquela sexta-feira no carro não aconteceria de novo.
E de como Lily queria aquilo de novo e James parecia querer deixar aquilo para trás.
Tudo bem, ele poderia não querer. Ela sabia aceitar isso, mas custava agir normalmente e dizer na sua cara, de preferência quando sóbrio, que não queria? Não precisava fugir dela como se Lily fosse comê-lo vivo.
- O que você quer que eu faça? - Perguntou Remus arregaçando as mangas e lavando as mãos.
- Você pode tomar conta dos brócolis? Preciso deles a vapor.
- Claro!
Remus foi até a geladeira e começou a se ocupar. Lily virou para a porta quando viu James entrar, Sirius logo atrás.
- Macarrão alho e óleo com brócolis?! - O irmão perguntou ao ver os ingredientes sendo preparados. - Meu preferido.
- Não estou fazendo isso para você, porque é o meu preferido também.
- No fundo, é para mim também. - Ele cutucou enquanto entregava o celular da irmã.
- Ao invés de me irritar, você deveria estar me agradecendo, não? Tenho essa leve impressão e tal.
Pegando três cervejas na geladeira e começando abrir uma por uma, Sirius foi distribuindo entre os caras. Lily cruzou os braços, vendo que não foi servida uma também. Ignorando o olhar mortal da irmã, ele abriu a geladeira novamente e tirou a garrafa de suco e começou a servir um copo para ela.
- Seus remédios. - Ele disse explicando a falta de álcool para ela. Lily decidiu não discutir. - Você não deveria ter ligado para Marlene...se intrometeu em algo que não devia. - Sirius disse quando todos estavam servidos. Lily abriu a boca para discutir agora, mas o irmão continuou. - Porém, temos um resultado positivo. Só por isso que eu te perdoo.
- Acho que você deveria aprender com seus próprios sermões.
Ele ignorou e tomou um gole da cerveja, virando seu olhar para os jardins e mexendo no celular. Remus tinha as costas para Lily também, se ocupando dos brócolis ao redor da pia. Isso deixava apenas Lily e James de frente um para o outro.
O moreno foi até o balcão de cozinha, ficando mais perto dela. Lily não tirou os olhos dele.
- O que eu posso fazer? - Ele perguntou.
O jeito que James a encarava lhe dava a impressão de que não estavam falando sobre o macarrão. Ela pegou a embalagem do mesmo e perguntou silenciosamente se era isso que ele queria. James balançou a cabeça, negando.
Então ele realmente não estava falando sobre ajudar com o jantar.
Ajeitando sua postura e com as mãos ainda apoiadas no balcão, Lily não sabia o que falar. Como explicar que não queria que ele fugisse e encarasse aquilo como um homem e não uma criança?
Com Sirius e Remus como plateia?
- Como está? Sentindo-se melhor depois daquele show de sábado? - Ela perguntou.
- Sim, bem melhor.
- Ficamos sabendo que é um problema com mulher. - Tentava disfarçar a decepção que sentia, tentando não ser ríspida em suas palavras.
- Eu deveria estar surpreso por Sirius abrir a boca para todos? - Ele passou a mão pelos cabelos.
- Acho que não foi surpresa para ninguém. - Sirius comentou de seu lugar. Certo, deveriam tomar cuidado, porque o irmão estava prestando atenção no que ocorria em suas costas.
Pegando o macarrão, jogou todo o conteúdo dentro da grande panela e da água já fervente. Aqueles três poderiam ser iguais dinossauros comendo, então tinha que fazer tudo em dobro.
- Mas Sirius me deu umas boas sugestões no domingo. - James voltou a falar, tentando capturar seu olhar.
Funcionou, pois Lily parou de mexer na panela e o encarou.
- Sirius te ajudou com essa questão?
- Vamos dizer que ele me deu uma luz sobre como lidar com isso, mesmo não sabendo o que está acontecendo.
Olhou para o irmão, que parecia enviar mensagens para alguém - provavelmente Marlene, -, enquanto continuava virado para os jardins.
- O que Sirius poderia ter dito sobre isso? Estou morta de curiosidade.
- Você fala como se eu não desse bons conselhos. - Sirius voltou a falar.
- Claro que você dá, eu só não conheço os românticos. - Ela virou para James novamente. - E então?
- Foi algo a se pensar. Vou trabalhar nisso, já que não é tão fácil assim.
- É sim, se você não dificultar as coisas. - Dessa vez foi Remus quem disse, virando-se para eles. James deu um passo para trás, afastando-se de Lily e disfarçando, pegando o pacote de macarrão vazio, o levando até a lixeira. - Lily, talvez você tivesse algumas dicas para dar? Você é mulher, sabe mais do que nós.
Aquilo estava tomando um caminho que ela não esperava. Parecendo curioso, Sirius também se virou e sentou na mesa de café da manhã e olhou para a irmã. James voltou para sua frente, mas um pouco mais afastado, enquanto Remus estava ao seu lado com os brócolis.
- Mas eu não sei o que está acontecendo. - Ela respondeu.
- Nós também não, mas ele está empacado com uma garota. - Remus explicou rapidamente. - Não sabemos se por culpa dele ou dela.
Lily não tirou os olhos do macarrão dentro da panela, tentando não entregar nada com a sua expressão.
- Considerando que eu não sei o que está acontecendo, eu só poderia dizer que se você tem vontade de algo, nada e nem ninguém deveria te impedir de fazer. - Pegou a colher e mexeu o conteúdo da panela. - Se vocês são livres para isso, então não vejo o porquê de sofrer.
- Mas e se as coisas não forem tão simples assim? - James perguntou.
Lily largou a colher e olhou para ele.
- Eu acho que é mais simples do que você pensa.
- Eu não acho que seja. - Ele retrucou.
- Talvez você esteja criando problemas para nada. - Lily voltou a dizer.
- Ou talvez você esteja em uma posição diferente da minha.
A troca de olhares agora era intensa. Por que ele não conseguia fazer aquilo? Claro, ela sabia o por quê, mas não entendia James deixar Sirius ditar o que ele faria e com quem.
- Sim, aparentemente eu estou mesmo. Não só em uma posição diferente, como estou completamente no escuro. Fica um pouco difícil ajudar sem saber o que está realmente acontecendo, não acha?
- Às vezes, isso pode só piorar.
- Como? - Ela colocou uma mão na cintura. - Como isso pode piorar? Uma boa conversa não deveria piorar nada. Entendeu? Nada! Fugir piora, ignorar também. Agir como um idiota ainda mais.
- Eu não estou agindo assim por ser maldoso, apenas pela situação ser delicada.
- Eu já falei, James: foda-se o que está te segurando! - Sirius disse do seu lugar, quase assustando os dois e lembrando-os que não estavam sozinhos ali.
- A situação é delicada. - James repetiu virando o rosto minimamente para o amigo, antes de voltar para Lily.
- Bom…- A ruiva voltou a pegar a colher e dar atenção ao macarrão. - Faça o que quiser, James. Tanto faz. Se você não liga o foda-se para isso, então eu ligo.
Se permitiu lançar um último olhar para ele, vendo-o um pouco surpreso pela resposta dela. Se ele esperasse que ela ficasse ali, pedindo por um outro beijo, James Potter estava muito enganado. Ela queria muito poder repetir o feito de sexta, mas não ficaria mendigando
- Você irrita até Lily com essa sua cabeça dura. - Remus comentou e voltou para a sua parte do trabalho.
- Você vai ficar solteiro o resto da sua vida. - Disse Sirius se levantando e parando ao lado do amigo. - Não que você queira mudar esse status, porque namorar não é a sua praia. Mas ainda sim.
Mexendo com certa violência - mas nem prestando atenção a isso -, Lily tentava, de verdade, entender o lado dele. Não era egoísta para não considerar a posição de James. Ele estava em uma situação mais complicada que a dela, mas apenas queria que as pessoas parassem de dar mais ouvidos ao irmão e ter mais consideração por ela. Era tão difícil? Dane-se Sirius e seu ciúmes ou o que quer que fosse. Lily o queria e era isso que deveria contar naquela história.
- Você é um idiota! - Ela disse.
James e Sirius se viraram para ela. Remus foi o único que não se virou, não sentindo-se culpado por nada para ser chamado de idiota.
- Por que? - Os dois também perguntaram ao mesmo tempo.
- Porque sim. - Ela respondeu sem dizer para quem aquela mensagem era. - Terminem o jantar. Eu não quero comer
Largou tudo em cima do balcão e se afastou.
- Lily?!
Não respondeu o irmão e saiu da cozinha.
A quarta-feira veio como uma boa porrada no meio do rosto.
Era o último dia de aula antes do longo feriado pela frente. Amanhã eles pegariam a estrada para Southend-on-Sea e lhe faria bem sair um pouco daquela bolha de Londres, vendo algo diferente, se divertindo um pouco.
- Bom dia. - Foi recebida pelo irmão na cozinha.
- Você está mais adiantado do que eu, quem diria. - Passou por ele e lhe deu um beijo, antes de ir até suas frutas e começar a preparar tudo.
- Vimos essa semana que se eu não levantar com o primeiro alarme, eu só vou levantar com o vigésimo e você ligará para Alice te pegar.
Apenas assentiu, mesmo sabendo que Sirius não a olhava. Ficaram em silêncio enquanto preparavam e tomavam seu café da manhã. A casa parecia um sepulcro de tão quieta, com apenas os talheres ecoando pela cozinha.
Lily sentou em seu lugar de costume no balcão, comia suas frutas e lia uma revista, enquanto Sirius comia seu cereal e checava o celular. A porta da frente abriu e os dois se olharam e, como se fosse combinado, eles olharam para o relógio logo em seguida. Os passos típicos de anos se aproximavam e Sirius, que estava de frente para Lily e a porta, levantou uma sobrancelha.
- Que horas teve que acordar para estar aqui tão cedo? - Sirius perguntou.
A ruiva se virou ao mesmo tempo que James parou ao seu lado. Ele olhou para as suas frutas que ainda estavam na metade.
- Eu estive acordando bem cedo na última semana, meu corpo acostumou. - Ele pegou um morango do prato de Lily e quase levou uma garfada na mão. - Apenas não consegui dormir mais e resolvi vir mais cedo. Talvez levar a Sardenta caso você acordasse tarde como fez nos dois últimos dias.
- O que seria de nós sem a sua proatividade?! - Engolindo o cereal, Sirius mudou de assunto -. Você viu o jogo ontem?
Ótimo, eles começaram um outro assunto, assim deixando-a completamente de lado e livre para tentar se desligar do cheiro de James que parecia ter se agarrado ao seu nariz. A cada vez que se mexia, o perfume dele voava até ela.
E ele continuava com aquela barba rala que não esquecia de sentir em sua barriga, e subindo cada vez mais. A boca dele tão macia, os lábios traçando um caminho delicioso...
Desceu da cadeira de repente, tendo que se recompor. Ficar relembrando aquilo a fazia desejar segurá-lo pelo colarinho e pedir "me beija de novo" bem ali, na frente do irmão. E ela não iria fazer aquilo e não só pela presença de Sirius.
- Eu vou me arrumar. - Disse antes que alguém perguntasse o que aconteceu.
- Você mal comeu. - Sirius comentou enquanto olhava para o seu prato, mas ela não parou o seu caminho.
- O Descabelado fará questão de não deixar nem uma fruta sobrando.
Sua perna era uma porcaria mesmo. Queria ir bem mais rápido do que aquilo, desaparecer até o seu quarto, mas tinha que respeitar o seu tempo. Pegou uma calça qualquer e uma camiseta. Tinha que pensar em outra coisa, em outra pessoa, em outro momento da sua vida. Tinha que sair daquele furacão de sexta-feira e seguir em frente.
Terminou de se arrumar e pegou sua bolsa com tudo o que precisaria para o dia. Acabava mais cedo de quarta-feira, mas teria que ir até o consultório de fisioterapia dessa vez. Seria um longo dia.
- Hey! - James chamou sua atenção quando ela desceu até o hall. Sirius não parecia estar por perto - Seu irmão está terminando de se arrumar. - Ele disse parecendo ler seus pensamentos.
- Ok. Diga a ele que estou esperando no carro.
Passou por James e abriu a porta.
- Espere. - Ele sussurrou e foi atrás dela. - Eu vim mais cedo querendo te encontrar sozinha.
- Aparentemente a telepatia que vocês dois compartilham não funcionou hoje, então.
- Lily, por favor. Me deixe explicar sobre sábado.
- Sobre o dia que você bebeu todas, fugiu de mim e ficou falando todas aquelas baboseiras? Eu acho que entendi o recado.
James olhou rapidamente por cima dos ombros, para dentro da casa, antes de voltar para ela.
- Olha, podemos nos encontrar em algum lugar para conversar?
- O que você quer me dizer, James? Acho que você pode dizer em dez segundos, não?
- Não quero que seja assim. Eu quero te explicar, mostrar o meu lado.
- Me diga uma coisa: o "seu lado" gostaria que eu pedisse desculpas pelo o que ocorreu na sexta?
- Não! - Ele respondeu com veemência, quase insultado.
- Porque eu tenho a impressão que devo, já que eu virei um problema. Um que te faz beber até cair, que deixa todos preocupados. Eu não quero ser isso para ninguém.
- Você não é um problema, Lily. - James sussurrou, mas com intensidade. - Nunca foi.
- Então eu não sou o problema, nem a solução e muio menos o suficiente…- Ela viu a sombra do irmão descendo as escadas pela fresta da porta. - ...para que você queira de novo.
Lily deu as costas no momento que Sirius abriu a porta, deixando James completamente pego no meio de uma ressaca marítima. Não que ele parecia encorajá-la muito, mas estava dando sinais tão fortes de que tudo aquilo havia sido negativo?
Idiota, claro que sim. Ele bebeu, disse coisas e desviou dela. Era tudo tão contraditório o que pensava e queria em comparação com o que fazia. Ele amarelava quando estava na frente dela e tão perto de Sirius, que dava sinais errados.
- Está tudo bem? - Sirius perguntou ao ver que James estava parado e olhando para o nada. - Vocês brigaram?
- Ahm? Ah, sim. Eu fiz uma piada e ela não gostou.
- Chamou minha irmã de pato manco de novo?
Apesar da pergunta, Sirius riu. Lily já estava no banco do carona do carro do irmão, então James seguiu para o seu. Há uma semana, ele levava Lily para Hogwarts. Foi uma semana tão intensa de certa forma, que tinha a impressão de que aquele arranjo de carona estava errado. Ela deveria estar no seu carro e não no de Sirius.
Aquilo ia ser infernal. Passou uma semana levando Lily para Hogwarts e já achava que não tê-la ao seu lado de manhã era errado. Qual seria o próximo passo? Vê-la com outra pessoa e achar que ela deveria estar com ele também?
Para o inferno aquilo tudo. Ele precisava tomar uma decisão antes de ficar maluco.
- Você está me ouvindo?
Lily soltou o ar que segurava enquanto comia sua maçã. Seus olhos estavam em uma outra mesa não muito longe dali.
- Sim, Alice, estou te ouvindo. Você dizia que pegou todos os ingressos para Southend-on-Sea e que escolheu uma instituição de caridade para cada um de nós com o dinheiro dos ingressos. Obrigada, aliás.
- De nada. - Alice respondeu e olhou para a mesa que a amiga tinha os olhos presos até alguns segundos antes. - Estava pensando que poderíamos sair daqui de tarde e fazermos um picnic na praia antes de irmos para o parque. O que acha? Algo leve.
- Claro. Por que não manda uma mensagem para o grupo?
Estava cansada e o dia mal havia terminado. Bem, as aulas do dia sim, agora tinha que esperar o irmão para levá-la para a fisioterapia. E por falar nisso, sua atenção mudou quando viu o grupo dos caras que observava levantar e sair da cafeteria para o treino no ginásio.
- Se nem todo mundo aceitar, não tem problema. Podemos ir nós duas e Frank.
- Ou talvez apenas você e Frank. Você sabe que eu não me importo em estar com vocês, mas acho que o seu namorado gostaria de ter um tempo só com você também.
- Temos tempo o suficiente para nós dois. - Alice deu de ombros.
- Com a mãe dele sempre na cola? Eu acho que não.
Adorava sair com a amiga e o namorado, mas não era sempre que ela sentia-se confortável com os dois. Alice, desde que começou a namorar Frank, sentia-se culpada em deixar Lily de fora e a ruiva não entendia aquilo. Ela nunca havia reclamado, então não sabia de onde vinha aquela preocupação toda da amiga. Talvez por Lily não ter nenhuma outra melhor amiga além dela, mas isso nunca a incomodou. Quando não estava com Alice, ela poderia ficar muito bem sozinha ou com seu irmão e os amigos.
- Se você não quer ficar conosco, é só dizer. - A voz de Alice estava levemente ofendida. - Ou você prefere ir com outra pessoa...? James, por exemplo.
Lily virou para a amiga e quase pulou em seu pescoço.
- Alice! Não fale esse tipo de coisa assim, tão alto.
- Qual o problema? Eles todos acabaram de sair da cafeteria.
- Mas não o resto de Hogwarts. - Lily olhou ao redor, mas ninguém parecia interessado na conversa. - Tome cuidado.
Sorrindo nem um pouco inocente, Alice se aproximou da amiga.
- Lily, você me disse que James te ignorou no sábado, que estava dizendo coisas que te desencorajavam e tudo mais. O que você está esperando acontecer?
- Não estou esperando nada acontecer. - Respondeu um pouco ríspida. - Porque nada vai acontecer.
- Você já teve o seu beijo com ele, então por que você não segue em frente? - Alice sorria abertamente olhando por cima do ombro da amiga. - Inclusive, sabe quem não está tirando os olhos daqui?
- Quem? - Perguntou sem muito interesse.
- Gideon!
Aquilo a alertou. Gideon Prewett estava olhando? Não arriscou olhar para trás, acreditando na amiga, mas o que era aquilo? Ele não olhava para Lily por anos, provavelmente com receio de Sirius pular em sua frente e arrancar o seu pênis fora depois de Lily ter perdido a virgindade com ele e o irmão ter afastado o garoto dela.
- Ah, um interesse parece ter surgido de repente. - Alice brincou vendo a reação da ruiva.
O que a amiga não entendia era que aquilo era curiosidade, mas não tanto interesse. Bom, talvez se ela colocasse logo na cabeça que James era um caso perdido, sua atenção poderia voltar para Gideon. Afinal, ele tinha sido a sua primeira paixão, além de outras primeiras vezes.
- Eu preciso ir. - Ela se levantou pegando seu livro e sua maçã terminada.
- Para onde você vai? Seu irmão deve ter chegado no ginásio agora com os caras para treinar. Ou você quer que eu te leve para casa?
- Não precisa. Eu vou na sala de monitoria, talvez ajudar alguns alunos.
Não esperou a amiga responder e saiu da cafeteria sem olhar para a mesa de Gideon, que tinha os olhos bem presos nela.
- Você vai perder a circulação se prender tão forte assim. Sua mão está quase branca já.
Frank pegou a faixa que James enrolava em sua própria mão direita e a desenrolou.
- Não percebi que estava tão apertada.
- Não, você não percebeu. Está distraído demais para isso. - Frank respondeu enquanto enrolava a faixa na mão do amigo. - O que está acontecendo? Não está normal esses últimos dias.
- Nada.
- Problema com mulher. - Remus disse logo atrás deles. O fofoqueiro.
Os três já estavam prontos para treinar, esperando apenas Sirius que não estava ali. Apesar de ter saído da cafeteria com eles, o moreno disse que tinha algo para resolver e que chegaria alguns minutos atrasado. Aquilo cheirava a encrenca para James, com certeza encrenca. Depois de presenciar ontem aquele olhar do amigo de quem estava para aprontar, James sabia que havia algo chegando e que não iria gostar nada daquilo.
- Você está com problema com mulher? - Frank perguntou divertido. - Isso é bizarro. Não foi uma intercambista de novo, né?
- Por que todo mundo se lembra disso? - James sussurrou enviesado.
- Porque você foi responsável pela garota ser arrancada da escola pelos pais. - Remus respondeu.
James reclamou um palavrão baixinho.
- Se eu conheço você, eu sei que isso vai ser resolvido logo. Ou a garota vai sair da escola ou você estará se pegando com ela em algum armário desses corredores. - Comentou Frank ao finalizar a faixa em James.
- Se pegar num armário é muito "15 anos", Frank. - Disse James se preparando para começar o treino. - Vai dizer que você e Alice ainda fazem isso?
- Não sempre. Mas quando a vontade aparece, a gente se vira como pode.
Frank deu o primeiro soco na punching bag que Remus segurava. Não entendia aquele choque todo com sua vida amorosa e não podia dizer o quanto aquilo o incomodava. Para ser sincero, ele nunca se importou em falar sobre isso com os caras, mas agora era muito incômodo. Claro, ele nunca precisou esconder com quem estava saindo ou quem beijou.
- Acorda! - Um soco em seu braço o fez virar para um Sirius apressado que jogava a sua bolsa perto dos outros pertences e já terminava de enrolar sua faixa na mão. - Pronto?
- Onde você estava? - James perguntou enquanto ia para a outra punching bag.
- Resolvendo algumas coisas. Vamos falar sobre isso mais tarde.
- Sirius, se você fez merda, eu vou substituir essa punching bag pela sua cara.
- Nah!
E querendo finalmente explodir, ele começou a socar a sua raiva para fora naquela maldita punching bag.
- Está vendo isso? - James perguntou para Sirius, apontando para a punching bag. - Imagina você aqui depois de fazer qualquer coisa que você não devia… - James deu quatro socos seguidos, fazendo Sirius gargalhar enquanto segurava com mais força a punching bag por conta da raiva do amigo.
- Coloque toda essa sua mágoa para fora, pequeno James. Assim você não precisa chorar hoje à noite.
- Filho da puta! - James resmungou. - Você vai ver quem vai chorar à noite.
- Exatamente. Mostra pra gente que você cresceu e não vai ficar por aí chorandinho por uma garota que você não consegue ficar.
Seus socos só aumentaram, assim como sua raiva também. Por um segundo, até imaginou sua mão errando a punching bag e acertando Sirius. Ele adorava atiçar a raiva de James ao máximo, porque o desgraçado do seu melhor amigo sabia que ele precisava chegar no seu limite e deixar tudo transbordar para que, assim, pudesse melhorar. Mas isso não queria dizer que era legal ou fácil.
- Cala a sua boca, Black.
- Vou calar quando você for homem e agir. Vai, James! É só isso que consegue fazer? Tão fraco, essa punching bag nem se mexe...eu posso segurar com o meu dedinho se eu quiser.
James socou a punching bag com toda a sua força e raiva, fazendo Sirius ser lançado para trás e cair. Remus e Frank pararam o treino, assistindo os dois.
- Seu idiota. - James disse oferecendo sua mão para Sirius levantar, mas não deveria, já que o amigo ainda ria da sua cara.
- Alguém aprendeu a bater de verdade. Muito bem, Potter.
Assim que Sirius levantou, ouviram uma confusão na parte da frente do ginásio.
- Ah merda! - James enxugou a testa sem acreditar que aquilo estava acontecendo de novo.
Lily estava novamente ali, no mesmo lugar da semana passada, na passarela acima do ginásio. Ela era praticamente o ponto de atenção de todos com seus cabelos vermelhos, além de estar entre tantos idiotas ali embaixo que treinavam.
- Ariel, você voltou. - O cara que brincou com Lily da outra vez começou a se aproximar.
Sirius nem abriu a boca, indo em direção a irmã. James colocou na cabeça que não iria se meter dessa vez, deixando esse problema para o amigo, que claramente, estava menos feliz do que ele.
O cara piadista estava quase chegando em Lily quando Sirius segurou seu ombro e apontou para o seu rosto, dizendo algo nada amigável. O piadista levantou as mãos no ar e começou a dar alguns passos para trás, voltando para o seu lugar. Sirius continuou seu caminho até a irmã, subiu no banco que James subiu na última vez, mas se agarrou na grade e se levantou até a plataforma.
- Por que ela tem vindo aqui? - Perguntou Frank ao seu lado, assistindo a cena dos irmãos discutindo.
- Ela tem vindo? - Remus indagou.
- Sim, é a segunda vez em uma semana. - Frank continuou.
Queria poder dizer que não sabia, mas James tinha uma leve impressão que era por sua causa. Não costumava se achar, mas lhe parecia coincidência demais as visitas dela ali enquanto ocorria aquela coisa toda entre eles.
- Vai saber…- Respondeu.
Lily pareceu terminar a discussão pegando um livro e sentando-se em uma mureta logo atrás de si. Sirius jogou a mão para trás, nervoso, e pulou a grade de volta, voltando ao ginásio. Não perdeu a oportunidade de dizer algo a mais para o cara piadista, que apenas assentiu, antes de voltar até os amigos.
- Sua vez de segurar essa merda, Potter. - Disse assim que chegou.
Com um sorriso enorme, James foi para trás e segurou a punching bag. Sirius começou o treino, usando uma força fora do normal, assim como James anteriormente.
- Está nervosinho, Black? Qual foi dessa vez? É pela sua irmã que está aqui olhando para algum cara sarado?
- Cala a boca. - Sirius rosnou batendo com mais força. Ah a vida. Ele adorava aquelas voltas que a vida dava.
- Sei. Talvez eles estejam agora trocando olhares…- Enquanto dizia isso, James olhava diretamente para Lily, mas ela tinha sua atenção no livro. -...combinando de se verem logo mais, escondidos atrás do ginásio.
A punching bag acertou James no estômago, fazendo-o soltar o ar e rir.
- E eu aqui pensando no bem-estar dos dois…- Sirius reclamou e parou os socos. - Quer saber? Preciso tomar um banho. Isso vai me acalmar. Me encontre no estacionamento depois, preciso falar com você e Lily.
E assim, Sirius saiu do ginásio, deixando James completamente surpreso e curioso. O que ele teria para falar com os dois? Com certeza não era sobre o beijo de sexta-feira ou James estaria pendurado no lugar daquela punching bag desde o começo.
Virou para a plataforma e viu que Lily desviou o olhar para o livro.
- Você está aqui por minha causa, não é? - Ele sussurrou, um sorriso escapando.
- O que disse? - Remus se virou para ele.
- Nada, estou falando sozinho. - Passou a mão pelos cabelos quando percebeu Lily querendo levantar o olhar, mas abaixando-o ao perceber que James ainda a olhava.
Sim, você está aqui por mim.
Nada parecia muito perdido.
L~J
Quando todos os garotos do grupo foram para o vestiário, Lily levantou e saiu do ginásio. Queria poder dizer que colocou a leitura em dia, mas estava longe de ter lido uma página sequer. Só ficava entre olhares para James e a curiosidade sobre o que seu irmão queria falar.
Antes de sair desvairado de raiva da plataforma, Sirius a convocou para uma conversa no estacionamento. Era estranho, já que ele teria que dar carona para ela de qualquer jeito e eles poderiam conversar no carro.
Então ali estava ela, esperando por ele ao lado do carro. Tentou ler o livro novamente, mas sua cabeça estava ocupada demais para isso.
- Onde está James?
Maldição. Sirius quase a matou de susto com aquela mania idiota de andar sem fazer barulho
- Por que eu deveria saber? - Ela se desencostou do carro. - O que você quer me falar e por quê aqui?
- Preciso esperar por James primeiro.
Aquilo soava muito mais estranho agora.
Cinco minutos se passaram até eles ouvirem passos pelo jardim. Era muito bizarro ela reconhecer James apenas pelos seus passos e o chacoalhar das chaves do carro? Porque na sua cabeça era.
- Finalmente. - Resmungou Sirius.
- Eu treinei até o fim, só para a sua informação. Onde você estava? - Perguntou James.
- Por aí. Vem...a gente vai resolver alguns problemas agora.
Do que diabos o seu irmão falava?
James e Lily pararam um ao lado do outro no porta-mala do carro, encarando um sorridente Sirius.
- Eu não gosto desse seu sorriso. - Lily avisou, já imaginando algo vindo do irmão que não seria interessante para ela tanto quanto era para ele.
- Você vai gostar e me amar ainda mais depois, verá.
- Por que eu estou aqui? - James perguntou.
- Mesma situação. - Sirius bateu uma palma e esfregou as mãos. - Eu arrumei um encontro para vocês dois.
Os dois quase deixaram os olhos saírem das órbitas.
- O que...O que você disse? - Lily perguntou.
Sirius queria que eles saíssem? Juntos?
- Lily e eu? - James perguntou também, confirmando que entendeu a mesma coisa que a ruiva.
Sirius começou a gargalhar como louco, enquanto Lily sentia seu coração pular em seu peito como se fosse Ano Novo. Seu irmão estava louco, meu deus, e estava deixando-a louca também.
- Claro que não. - Sirius se recuperou da gargalhada. - Eu arrumei um encontro para cada um de vocês. Eu não fui muito claro, desculpe.
Aquilo não melhorou em nada a situação, considerando que os dois ainda estavam tão em choque e tensos agora quanto estavam antes.
- Que porra você está falando? - James passou a mão pelos cabelos.
- Para Southend-on-Sea. Considerando que a sua prima vai vir comigo, Frank com Alice, Remus está indo em grupo, eu pensei: e os outros dois? Não é justo ficarem sozinhos. Então arrumei pares para vocês.
- Você está falando sério? - Lily ainda não acreditava no que ouvia.
Seu irmão, que não aceitava ninguém sair com ela, que deu um piti há uma hora por Lily estar no ginásio, havia encontrado alguém para ir em um encontro?
- Super sério. - Ele respondeu, bem orgulhoso. - Agora você não pode falar que eu não te dou suporte para sair com alguém, porque até arrumei um cara para você.
- Sirius, que diabos você fez? Eu não dou a mínima para ir sozinho nisso e creio que Lily também não. - James estava tão nervoso, que apontava para todos eles, gesticulando o máximo possível.
- E qual seria a graça?
- A mesma. - James respondeu com a voz engraçada, um pouco fina.
- Nah, vocês vão me agradecer. - Sirius abanou a mão no ar. - Para você, eu chamei Emmeline Vance. Vocês já se pegaram, então vai ser um bom remember. Ela ficou toda feliz.
A Fulana-escocesa-Emmy-Emmeline que Lily viu James beijando no carro aquela vez. Não podia crer que seu irmão estivesse fazendo aquilo com ela. Tudo bem que ele não sabia o que vinha acontecendo, mas poderia colaborar um pouco, mesmo que inconscientemente.
- Emmeline? Você chamou Emmeline para ir comigo? Você tem problema?
- Por quê?
- Porque...porque eu não quero sair com ela. - James continuava a gesticular para todo o canto. - Se eu quisesse, eu já teria saído desde a festa.
- Foi ruim? Eu não te ouvi reclamando. - Sirius sorriu de lado.
James cruzou as mãos na nuca e se virou, caminhando pela calçada, falando sozinho. Provavelmente amaldiçoando toda a família Black, de todas as gerações.
- Você não deveria ter se intrometido nisso. - Disse Lily.
- Emmeline está tão feliz, coitada. James pode cancelar, se quiser. - O irmão deu de ombros enquanto ouviu um grunhido do amigo ao fundo. - E para você, querida irmã, nunca irá parar de me agradecer.
- Eu já detesto sem nem saber quem é.
Tinha certeza que era algum cara aleatório que talvez ela nem conhecesse, ou o carinha do clube de xadrez que Sirius sempre falava que era o cara mais inocente da vida. Sentiu que começava a suar de nervoso, mas ainda era a reação em saber que James iria sair com Emmeline Vance, a loira bonita que os observou beijando.
- Será mesmo? Porque eu acho que não. - Sirius limpou a garganta antes de soltar a bomba que ela não esperava. - Gideon Prewett!
Com apenas aquele nome, Sirius fez com que Lily chegasse a quase engasgar e James quase quebrar o pescoço ao se virar.
- QUEM? - James não tinha a intenção de gritar, mas foi mais forte do que ele.
- Ah! - Sirius colocou uma mão no ouvido na direção de Lily. - Não estou ouvindo reclamações, estou?
Ela estava sem palavras, abrindo e fechando a boca como um peixe. Gideon, para ela, seria o namorado perfeito, alguém que ela sempre quis ter algo a mais anos atrás, até Sirius enlouquecer e acabar afastando o garoto.
E agora o seu irmão enlouquece de novo e arranja um encontro entre eles?
Mas não era ele que Lily queria beijar e sair para um encontro em Southend-on-Sea. Seus olhos encontraram James, que voltou até o carro e encarava Sirius com raiva.
- Você quis matar Prewett de todas as maneiras possíveis antes. Agora arranja um encontro com a sua irmã?
Pois é, pensou ela.
- Eu queria encontrar alguém para ela, alguém que eu sei que Lily iria gostar. - Ele se virou para a irmã. - Você sempre teve uma queda por ele, eu sei. Não que você ter perdido todas as virgindades possíveis com ele indicasse o contrário, mas…
- Sirius! - Ela bradou, mas apenas fez o irmão revirar os olhos.
- Não estou mentindo, não é?
- Mas Prewett? Por que Prewett? - James perguntou.
- Melhor que Bones. Pelo menos eu sei que Prewett é um cara decente, apesar de ter tirado a virgin…
- Para de repetir isso, idiota. - Lily disse entredentes.
- Enfim, Gideon e Emmeline concordaram. Mas se vocês quiserem cancelar, fiquem à vontade. James precisa parar de pensar na tal garota e eu estou querendo ser um irmão melhor pra você. Então se eu fosse vocês, aproveitava essa boa oportunidade.
O celular de Sirius começou a tocar. Checando quem era, ele sorriu e, com essa frase, piscou para eles e se afastou, deixando uma Lily chocada e um James completamente fora dos trilhos.
- Ele é louco. Completamente louco. Lunático.
Lily ignorou o momento dramático de James, tentando entender a situação. Não imaginava que esse dia chegaria, que Sirius lhe "desse de bandeja" um cara para que ela saísse. Ainda mais Gideon, que, como o próprio irmão disse, tirou todas as virgindades possíveis dela. Com todo o aval dela, claro, e de uma maneira correta e boa.
Mas ainda sim. O que diabos foi isso?
Se virou para James, que encarava o vazio em sua frente. Ele iria sair com aquela garota, provavelmente beijá-la novamente. Aquele beijo que ela não conseguia esquecer, mas não por ter assistido, mas por já ter experimentado.
- Aproveite o seu encontro. - Ela disse e foi em direção à porta do passageiro.
- Lily! - Ele gemeu, frustrado. - Você não vai dizer que acha mesmo coerente tudo isso, não?
- Em qual sentido você diz isso?
- Sobre sair com eles. Com Prewett.
- E qual o problema em sair com ele?
Ele não respondeu, mas ela podia ler em seus olhos o quanto ele não queria aquilo. Mas como ele mesmo não estava dando assistência, a concorrência chegou, mesmo que ela adoraria ir com ele e que Emmeline passasse longe.
- Quer mesmo que eu responda?
- Ah sim, eu adoraria. - Cruzou os braços, esperando a belíssima dissertação que deveria vir da boca do cara que correu dela como o diabo corre da cruz.
- Bom, você sabe. - Ele começou, completamente perdido. - Enfim, você sabe.
- Eu não sei de nada, James. - Ela se aproximou e, pela primeira vez em dias, ele não se afastou.- Eu só sei que eu tenho um encontro com alguém que parece querer sair comigo e eu vou aproveitar.
Com toda a velocidade que podia com a perna doendo como o inferno, ela voou para a porta, apenas querendo manter distância dele.
Mas a mão dele a segurou delicadamente pelo cotovelo, impedindo-a de continuar.
- Então você vai com ele?
Lily olhou na direção de seu irmão, que estava a alguns metros de distância falando bem empolgado com alguém no celular. Sua atenção completamente fora dos dois.
- Ele, pelo menos, não foge de mim. - Deu um passo na direção dele. - Se eu tentar beijá-lo, eu tenho a impressão que ele não vai escalar uma árvore apenas para se afastar de mim. - Os lábios dela estavam bem próximos de seu ombro. - Se eu segurar a mão dele, ele não vai tirá-la do meu alcance. - Ela encostou na mão dele e James se manteve firme onde estava, deixando com que ela segurasse sua mão.
A mão dela se deslocou para o seu braço, o dedo subindo cada vez mais, passeando pelos músculos dele, indo até o ombro. Os olhos verdes subiram e se depararam com um James completamente perdido e fora da linha. Reconhecia o desejo no rosto dele, os olhos escuros e a boca entreaberta.
- Eu não vou forçar nada com ninguém, James. Então se você não quiser, eu aceito a sua resposta.
Se afastou dele e entrou no carro, deixando James pensando o quanto tudo estava saindo como não planejado.
Desceu as escadas naquela quinta-feira já completamente pronta para aquela viagem até Southend-on-Sea.
Não sabia o que estava fazendo mais, realmente. Que virada a sua vida deu em pouco tempo, deixando-a completamente fora de controle de tudo o que acontecia. Não que ela sempre teve 100% de controle das coisas, mas não costumava ter aquela bagunça na sua vida.
- Bom dia. - Disse automaticamente para Sirius, dando o beijo em seu rosto enquanto o irmão terminava o seu café.
- Dia. - Ele cumprimentou de volta. - Você vai levar a sua muleta hoje? Vamos andar bastante.
- Talvez eu deixe no carro, para caso precise. De qualquer maneira, vou levar meus remédios também.
Enquanto arrumava os remédios dentro da bolsa, sentiu os olhos do irmão em cima de si. Parou o que fazia e o encarou de volta, esperando.
- Eu não te agradeci sobre a coisa toda de Marlene e tal. Você não deveria ter se intrometido, mas demos sorte que ela aceitou e nada de ruim aconteceu.
- Nada de ruim aconteceria, Sirius. Ela está tão imersa nessa coisa toda quanto você. Se o objetivo dela fosse encontrar um cara por lá, ela nem te daria bola, não andaria pelo campus com você, não tomaria café da manhã perto da universidade e nem te chamaria para os bares com os amigos.
Sirius sorriu enquanto encarava o chão, sendo levado pela descrição da irmã. Lily, sentindo-se orgulhosa, foi preparar o seu café da manhã tardio.
- Eu sei que eu tenho sido um babaca com você. - Ele disse depois de alguns minutos. De alguma maneira, aquele assunto parecia ter ligação com o outro na cabeça de Sirius, pois ele falava como se continuasse a conversa sobre Marlene. - Eu quero melhorar, eu juro. Eu...eu estou lidando com isso na terapia.
- Está?
- Sim. - Ele respirou fundo. - Faz parte do "medo de perder as pessoas e ser abandonado" ligado ao "me sinto responsável pelas coisas ruins que acontecem com as pessoas". - Sirius abanou a mão, tentando amenizar. - Aquela coisa toda de ser abandonado pela mãe, Peter Pettigrew, etc etc. Enfim...
Lily largou as frutas e a faca no balcão e encarou o irmão. Sirius passou por tantos traumas desde criança começando com a sua mãe odiosa, a perda de Orion, a coisa toda de Peter…Se ele não tivesse encontrado as boas pessoas na sua vida, ser amado por tantas outras, ter uma família estruturada e amorosa, amigos leais e verdadeiros, Lily não tinha ideia de onde ele iria parar.
E todos sabiam que não adiantava dizer que o que ocorreu não era culpa dele, mas ficava feliz que as coisas pareciam ficar claras cada vez mais em sua mente durante a terapia.
- Você é um ótimo irmão. Eu não pediria por outro, sabe?
- Hunf! - Ele se limitou a responder. Então ela viu aquela aura triste desaparecer, sendo jogada por Sirius em um porão escuro e bem fechado. No maior estilo "vamos mudar de assunto" que ele tinha mestrado. - Sabe...eu gosto de Gideon.
Lily não reagiu, esperando o irmão dizer que era brincadeira e que apesar de irem juntos para Southend-on-Sea, ela não deveria ficar a menos de 1 metro de distância do garoto.
- Desculpa? - Perguntou quando Sirius não riu.
- Ele foi um cara correto nesses últimos anos. Fabian foi mais complicado, mas Gideon namorou sério uma vez e não saiu quebrando o coração de geral.
- Eu perguntei alguns dias atrás três nomes de caras decentes e você me veio com Frank, o único cara que eu não colocaria a mão na minha vida.
- Minha cabeça mudou um pouco desde a nossa conversa. Eu quero ser um irmão melhor para você, mas há limites. Por exemplo, Bones: nem pensar.
O nome de James estava na ponta da sua língua, pronto para escapar no ar.
- Não é você quem coloca limites, Sirius. - Ela retrucou. - Muito menos deveria se intrometer na minha vida.
- Eu sou muito enxerido para isso, você sabe.
Lily não respondeu, pois ele era mesmo.
- Enfim, mudando de mim para você. Quando Marlene chega?
- Em uma hora. Eu vou pegá-la na estação de trem e iremos direto. Você vai com Gideon, James e Emmeline.
- No mesmo carro? - Tentou disfarçar a voz de desespero.
- Sim. Algum problema?
Sirius parecia genuinamente curioso com a reação da irmã, mas Lily apenas fez um sinal de descaso.
- Não, nada. Então eu verei Marlene apenas quando chegarmos lá? - Ela voltou a mudar de assunto para um mais seguro.
- Sim. - Sirius apontou para ela enquanto levantava para colocar sua tigela na lava-louça. - E não fale nada que você não deveria falar.
- Tipo o quê? Que o meu irmão é apaixonado por ela?
- Se você disser isso, eu desovo o teu corpo lá mesmo.
Lily deu de ombros e focou nas suas frutas. Sabia que não demoraria para Gideon chegar e, aparentemente, James e Emmeline também. Ficaria 2h no carro com os três e apenas pedia para não ter que testemunhar um beijo de James e Emmeline novamente.
Tudo, menos isso.
J~L
James esperava no pátio da frente da casa dos Black-Evans. Sirius havia saído para pegar sua prima na estação de trem e Lily parecia terminar de se arrumar já que não estava na parte térrea da casa.
- Essa casa é tão bonita. - Disse Emmeline enquanto andava pelo pátio e observando as plantas e flores que Geneviève gostava tanto de cultivar. - Eles sempre moraram aqui?
- Sim. - Ele respondeu.
Aquela viagem mal havia começado e já estava levemente arrependido. Não tinha a mínima ideia de quantas vezes repetiu que não deveria ter vindo com Emmeline, mas havia aquela parte mesquinha e idiota em sua cabeça que não queria deixar de ir com alguém sendo que Lily iria com Prewett. Era estúpido, ele sabia, mas foi mais forte do que ele. Além do mais, ele teve a informação menos de 24h antes e não seria justo com ela.
Mas não era mais injusto levá-la quando não estava interessado?
- Somos nós os adiantados ou são eles que estão atrasados? - Emmeline perguntou novamente. Ela parecia ansiosa.
A resposta dela veio com uma buzina do lado de fora. James se desencostou da pilastra e abriu o portão para o brilhante e recém-lavado carro de Gideon Prewett. Pelo visto, ele estava querendo impressionar e James tinha certeza que não era ele e nem Emmeline.
- Potter! - O ruivo o cumprimentou quando saiu do carro.
- Prewett. - James respondeu um pouco menos empolgado. - Acho que você conhece Emmeline Vance?
Os dois se cumprimentaram rapidamente, até os olhos de Gideon voarem para a porta de entrada, procurando. Pois é, amigo, eu sei bem o que você está procurando.
- Tenho algumas coisas para colocar no carro, se importa em me ajudar? - James perguntou indo até o seu carro. Gideon pareceu confuso por um segundo. - Ah, legal. Sirius não te avisou que vamos no seu carro? Você, Emmeline, Lily e eu?
- Não?! - Gideon respondeu com uma risada sem graça. - Precisamos? Algum motivo específico?
Qual é? Você já está querendo queimar a largada com Lily na ida?
James engoliu aquela resposta e tentou sorrir.
- Talvez por ele querer que você saia com a irmã dele, mas não que você pule nela na primeira oportunidade.
Os olhos de Gideon arregalaram com a sinceridade, mas James não tinha tempo a perder com aquela conversa, porque Sirius deixou o trabalho sujo para ele de novo e aquele dia não cheirava nada bem para ele.
- Hey Evans. Tudo bem?
A voz de Emmeline e o som da porta da frente fechando fez os dois levantarem o rosto do porta-malas. James bateu a cabeça na porta ao não medir o quanto esta estava levantada, dando alguns segundos de vantagem para Gideon. Fechou o porta-mala com força, passando a mão na cabeça.
- Inferno, maldito inferno esse dia. - Ele reclamou dando a volta no carro e se aproximando do trio na frente do carro. - Vocês estão finalmente prontos ou vocês preferem montar picnic aqui mesmo?
- Ah, vemos que alguém está de mau humor. - Lily respondeu. - Foi pelo meu atraso?
- Não. - Ele respondeu simplesmente. - Podemos ir?
Emmeline quase deu um pulo de excitação, enquanto Lily fazia uma careta para ele e Gideon não tirava os olhos dela.
Ótimo. As coisas só pareciam piorar.
L~J
Bom, James Potter estava de mau humor e ele não parecia querer esconder de ninguém. Pela primeira vez, ficou com pena de Emmeline em ter que aguentá-lo naquele dia.
- Precisa de ajuda com isso? - Gideon perguntou apontando para a sua bolsa e sua muleta.
- Ah, obrigada.
- Acredito que seja melhor você vir na frente comigo. Você terá mais espaço para a sua perna. - Ele sorriu gentilmente para ela. Um bufo vindo de trás fez Lily levantar uma sobrancelha, mas não se virou na direção de James, o responsável pelo bufo irônico. Gideon pareceu não se importar.
Os quatro se ajeitaram no carro e partiram para aquela viagem. Nos primeiros segundos, Lily só conseguia pensar que era uma mistura interessante dentro daquele carro e graças ao seu irmão. Era óbvio que ninguém parecia muito confortável com todas as presenças ali. Tirando ela e James, os outros dois não tinham nenhuma intimidade, assim como James não tinha com Emmeline e nem Lily com Gideon.
- Bem, isso vai ser divertido. - Emmeline finalmente quebrou o silêncio do banco de trás.
Lily tinha que lhe dar crédito, pois Emmeline parecia ser aquele tipo de pessoa que sempre via o lado bom e positivo das coisas, sendo a única com o astral lá em cima.
- Desculpe não te enviar uma mensagem quando Sirius veio falar comigo sobre tudo isso. - Gideon disse para ela. - Eu não tinha o seu número e não sei se era inteligente da minha parte pedir para ele. Foi tudo tão rápido e quando ele falou comigo, vocês foram embora logo depois.
Era fato de que aquela coisa toda de irem em pares tinha sido muito repentina. Sirius apenas lançou a bomba nela e em James e ficou por isso mesmo. James, aparentemente, tinha contato com Emmeline, mas Lily não conversava com Gideon por anos.
- Por curiosidade, o que ele te disse? - Perguntou para o ruivo.
- Para mim, ele disse que James estava procurando por um par e que considerando nosso histórico, seria uma super combinação. - Emmeline cortou a conversa no banco da frente.
Agora Lily teria aquele histórico dos dois sendo jogados na sua cara?
- Ele disse isso? - James perguntou logo atrás do seu banco. Ele exalava indignação.
- Disse. Eu achei legal por ele ter pensado em mim. - Emmeline continuou. - Acho que tem algum significado.
Olhando para o relógio, a ruiva confirmou que dez minutos passaram e que teria, pelo menos, 1h50 minutos para aguentar a lembrança dos dois sendo jogada por todo o lado e ricocheteando.
- Respondendo…- Gideon chamou sua atenção. O par no banco de trás começou a conversar sobre Sirius e o convite. James parecia querer mais informações também. - ...Sirius me encontrou ontem e queria saber qual era a minha atual situação na vida: cigarros, drogas, bebidas…
- Meu deus. - Ela cobrou o rosto com a mão.
- Foi estranho no começo, mas não achei ruim quando ele se explicou. - Gideon riu. - Ele estava checando antes de dizer que se eu tivesse interesse, ele gostaria que eu te trouxesse hoje. - Gideon abriu um sorriso sincero. - Tendo em conta que eu estou aqui hoje, acho que você sabe que o interesse existe.
Não sabia como reagir, pois ele era um fofo e uma graça...além de lindo e interessante. Mas...existia o "mas" e ele não era pequeno.
- Vamos colocar uma música? Talvez seja mais legal do que conversas aleatórias!
James se enfiou entre os dois bancos da frente e conectou o próprio celular no carro. Assim que a primeira música começou a tocar, ele aumentou o volume o suficiente para que as conversas no carro fossem inexistentes.
- Assim está melhor, não? - Ele gritou para todos. Lily fechou os olhos e jogou as costas contra o banco; Gideon sorriu um pouco sem graça e Emmeline começou a dançar como podia.
Sim, seria uma longa viagem.
Southend-On-Sea era uma cidade litorânea de Essex. Além de sua praia lotada durante o verão, a cidade também era conhecida por ter uma vida noturna razoavelmente agitada com muitos pubs e seu parque de diversão, assim como o maior píer de lazer do mundo com seus 2 km de extensão.
Lily não poderia dizer que já esteve ali ou que já tenha pensado em visitar a cidade, mas enquanto Gideon seguia os outros carros e a praia ficou visível, ela ficou feliz em ter decidido vir. Ainda não estavam no verão, a praia estava longe de estar cheia de banhistas, mas muitas pessoas pareciam ter a mesma ideia em ter um almoço tardio por ali.
Pararam no enorme estacionamento não longe do parque e pegaram tudo o que trouxeram para o picnic, caminhando até a praia.
- Eles estão ali. - Escutou James ao seu lado.
Vindo da cidade, Lily avistou Sirius e Marlene. O irmão tinha um braço nos ombros dela e Lily não podia pensar em um casal mais bonito do que aquele. Era óbvio para qualquer um que eles foram feitos um para o outro e não só por ambos serem tão bonitos e charmosos. Eles esbanjavam uma aura de casal feliz.
Sirius parecia tão relaxado ao lado dela, tão leve. Lily quase arriscaria dizer completo. Ver seu irmão tão feliz daquele jeito aquecia seu coração de um jeito que ninguém mais conseguiria.
Ela lembrava de Marlene de seus últimos anos de Hogwarts, mas se esqueceu o quanto ela podia ser uau! Talvez por saber que ela fazia o seu irmão tão contente, Marlene parecia a garota mais bonita que ela já tinha visto, com o sorriso mais encantador, porém não desconhecido.
Olhando para o lado, viu James que também sorria para o casal. Ah, Marlene e James tinham o mesmo sorriso, a mesma covinha do lado esquerdo...os genes daquela família eram incríveis.
- Lily! - Marlene a cumprimentou de longe e se desvencilhou de Sirius, caminhando até a ruiva e a abraçando. Lily a abraçou de volta com força, praticamente a agradecendo por trazer tal alegria para o seu irmão. - Faz muito tempo que não nos vemos. Você está linda.
- Obrigada, mas você quem está.
Marlene a soltou e passou as mãos pelos cabelos ruivos enquanto lhe entregava aquele sorriso da família que deixava Lily tão confortável e em casa.
- Besteira. - Marlene disse. Ela se virou para o primo. - E você? Estou até agora esperando pela sua visita! - Ela o abraçou também e lhe deu um estalado beijo.
- Você parece sempre estar com visita. - James lançou um olhar para Sirius, que revirou os olhos. - Eu não quero ficar no meio.
- Se viesse com Sirius, saberia que eu deixaria minha cama para vocês dois dormirem juntinhos e eu dormiria no sofá.
- O fim de semana perfeito. - Sirius comentou.
Gideon e Emmeline foram apresentados para Marlene, fazendo-a olhar para todos os presentes por alguns instantes, parecendo não entender algo.
- Quem veio com quem? - Ela perguntou, rindo.
- Prewett com Lily e Emmeline está comigo. - James respondeu por todos.
- Hm. Engraçado. - Essa última frase foi ouvida apenas por Lily, mas ela preferiu não perguntar o que era engraçado.
Ao longe, sentados perto da faixa da areia, Alice e Frank acenaram para eles. Remus não se juntaria aos casais, então o grupo parecia formado. Após o longo descarregamento e o lugar perfeito ser achado, todos eles se aconchegaram em uma grande parte da faixa de areia, começando o almoço.
- Pelo menos está fazendo um bom tempo. - Gideon comentou ao seu lado. - Nem muito quente, nem muito frio ou vento.
- Soube que este lugar pode ficar bem cheio durante o verão.
- Quase insuportável. Vim bastante com os meus irmãos aqui. Até que Fabian se achou muito descolado para viajar com a família durante o verão e Molly casou, tendo sua própria família para viajar.
Lily deu um empurrão de leve com seu ombro no ruivo.
- Fico feliz por estar te trazendo aqui de volta.
- Tecnicamente, eu te trouxe. - Ele respondeu piscando para ela.
Ela revirou os olhos, mas riu. Olhou para cima e viu James a encarando do outro lado da roda. Lily limpou a garganta, deu um gole em seu suco e olhou de novo para ele, que não desviou o olhar.
- Ahm, er…- Gaguejando, ela se virou para Gideon, querendo focar apenas nele. - Vocês têm uma casa aqui? - Perguntou a primeira coisa que lhe veio à cabeça.
- A família Prewett, sim. Agora meus tios e primos são os mais empolgados em vir.
Enquanto Gideon continuava a falar, ela sentia aqueles olhos queimando a lateral de seu rosto. Seu cérebro queria tanto virar, mas ela se forçava a manter os olhos no ruivo ao seu lado. O esforço era tanto, que seus olhos quase embaçaram e não conseguia mais compreender o que Gideon falava. Se ajeitou e deu uma grande mordida no lanche, tentando fazer seu cérebro concentrar em algo além de James a encarando.
Gideon riu e Lily se assustou um pouco, forçando-se a rir também. Meu deus, ela estava longe de prestar atenção em qualquer coisa que ele falava e Gideon não merecia aquilo.
- Prewett! - A voz de James fez com que algumas cabeças virassem para ele. - Pode me passar uma cerveja? Está logo atrás de você.
Virando para pegar a cerveja no cooler atrás de si, Gideon deixou o azar ao lado de Lily e fazendo a ruiva se virar para James. Ele sorriu, mas sem um pingo de inocência.
Gideon fez passar a cerveja até James, que o agradeceu. Ao lado do moreno, Emmeline comia seu sanduíche com todo o charme e beleza que tinha, conversando com James. O moreno desviou os olhos de Lily, prestando atenção na loira ao seu lado. Lily respirou fundo, tendo certeza que aqueles dois teriam um beijo igual ao do carro até o final da noite e a vida estaria de volta ao normal, com Lily retomando o seu lugar: a irmã do melhor amigo.
- Emmeline é uma super garota. - Gideon comentou ao seu lado. Merda, ele percebeu que Lily encarava os dois do outro lado.
- Ah? Ah, acho que sim. Eu não a conheço muito bem, para ser sincera.
- Ela saiu com Fabian por algumas semanas no ano passado. Ela é bem legal e se namorar com Potter, tenho certeza que vocês se darão bem.
Oh inferno. Conseguia imaginar algo assim? James chegando em sua casa com Emmeline debaixo do braço, os dois sorrindo, dando beijos perfeitos na sua frente? Ela deveria começar a imaginar, porque com Emmeline o querido não parecia ter problema, não é mesmo? Ela não tinha um irmão protetor até demais, não. Ela era livre para aproveitar aquele passeio com James, beijá-lo, tocá-lo ou o caramba a quatro.
Com toda a elegância que não tinha por conta da perna, Lily se levantou. Tentou não parecer tão irritada quanto estava ao pensar em todo aquele cenário, mas duvidava que conseguiria.
- Acho que estou pronta para o parque de diversão. - Disse enquanto amassava a embalagem do sanduíche e jogava a garrafa de suco no lixo.
Deu as costas para a roda de amigos e seguiu para fora da praia.
J~L
James viu quando Gideon se levantou apressado, se livrando de todo o seu lixo e indo atrás de Lily. O que eles estavam planejando?
- Onde eles estão indo? - Emmeline perguntou.
- Não sei. Você já terminou seu lanche?
- Não ainda, mas não pretendo comer tudo agora…
- Ótimo. Então vamos indo também.
James se levantou sem perceber que a garota parecia ter a intenção de dar uma ou duas mordidas ainda. Dando de ombros, ela colocou o resto do lanche dentro da bolsa e se levantou enquanto James não tirava os olhos do casal de ruivos que se afastava cada vez mais deles. Gideon parecia dizer algo e Lily ria alto.
- Vocês já vão indo? - Sirius perguntou.
- Sim. As filas vão ser menores a essa hora. - James respondeu se afastando. Emmeline o seguiu.
Lily e Gideon já desapareciam pela rua, virando à esquerda na direção do parque. James acelerou o passo, com Emmeline quase correndo ao seu lado.
- Espero que você não queira ir em uma montanha-russa neste momento, ou nossos lanches não ficarão por muito tempo aqui dentro. - Emmeline ria enquanto dava passos largos para acompanhá-lo.
Percebendo que não estava sendo justo com a garota que ele aceitou trazer - independente do fato de não tê-la convidado diretamente -, ele desacelerou. E apesar de James não estar dando a devida atenção a ela todo esse tempo, ela continuava gentil e sorridente. Sentia-se um idiota agora. O mínimo que poderia fazer era dar uma boa experiência para ela naquele dia, ao invés de agir como um neandertal.
- Não, não iremos. Onde você gostaria de ir? - Ele perguntou quando ela se juntou a ele.
- Algo mais tranquilo. Que tal tentarmos a sorte nas máquinas de presentes? Eu adoro.
Assentindo, James apontou o caminho e pegou os ingressos em seu bolso. Ao entrar no parque, seus olhos procuraram por Lily, mas ela não estava por ali. Como estavam no fim de tarde, o lugar começava a encher e dificilmente ele encontraria o casal ruivo depois.
Talvez fosse a melhor opção para todos os envolvidos.
Enquanto Lily e Gideon saíam do picnic da praia, Gideon deu a ideia para que caminhassem pelo píer para conhecê-lo, já que Lily nunca estivera pela cidade antes. O céu estava com uma bonita coloração por conta do pôr do sol, então parecia uma ótima caminhada depois de comer e evitar os brinquedos por enquanto.
- Como ocorreu o seu acidente? - Gideon perguntou após se certificar de que a caminhada não a afetaria muito.
- Um idiota bateu no meu carro. Passou no farol vermelho e atingiu a minha porta, acertando a minha perna direita em cheio.
- Ele parou para ajudar, pelo menos?
- Sim. Digo, ele não teve escolha, já que ele ficou bem machucado e esteve inconsciente por alguns minutos.
- E ele ainda está vivo?
Lily se virou para Gideon e soltou uma risada pela nariz, surpresa.
- Claro. Não foi uma batida tão violenta.
- Não digo pela batida, mas por Sirius.
Ela riu.
- Neste caso, o cara quase não sobreviveu. Os seguranças do hospital ajudaram, não só segurando Sirius, como o deixando saber que o cara que me atingiu é meio poderoso, então era melhor não tentar contra a vida dele.
- E eles conseguiram fazer o seu irmão mudar de ideia?
- Ele foi expulso do hospital e só poderia me visitar novamente, caso estivesse calmo e não fosse até o andar do quarto do idiota. Sirius é impulsivo, mas não burro.
Caminharam por apenas cinco minutos e sentaram-se em um banco de frente para o fim do pôr do sol. As luzes do parque de diversão ao lado lutavam contra os últimos raios no céu laranja, assim como o silêncio no pier contrastava com a felicidade das pessoas nos brinquedos. Lily fechou os olhos e respirou fundo aquela brisa marinha e salgada que vinha com o vento leve. Aquele contato com a natureza a lembrava tanto de seu pai, quando eles iam até o parque e podiam ficar entre os cantos dos pássaros, os esquilos, alguns coelhos. Caminhar depois da chuva era ainda melhor, pois o odor da grama molhada, das árvores parecia limpar seu corpo todo.
Às vezes ainda era difícil acreditar que ele tinha partido há quatros anos já. Quatro anos sem a presença de Orion e ela ainda sentia que o vira ontem e, ao mesmo tempo, tinha a impressão que não o via por mais de uma década.
- Eu tenho uma pergunta, espero que não fique ofendida. - Lily, curiosa, o encarajou a continuar. - Você sabe por que Sirius me convidou para vir com você?
Aquela pergunta fez Lily abrir os olhos imediatamente. Colocando os pensamentos melancólicos de lado, ela pensou no irmão.
- Sirius está tentando mudar. Ele tem feito coisas que me magoam demais e acho que ele está entendendo isso.
- E ele me viu como um cara bom o suficiente para isso? - Gideon sorria e se acomodou no banco, cruzando os braços na nuca. Lily ousaria dizer que ele parecia orgulhoso. - Dentre todos os caras de Hogwarts, incluindo Potter e Lupin?
- Você parece orgulhoso.
- Eu estou, honestamente. - Ele se virou para ela e viu que Gideon parecia bem feliz com aquela constatação. - Nenhum cara pode chegar perto de você sem levar uma boa rasteira dele e eu fui escolhido a dedo para estar aqui hoje. - Ele deu de ombros displicentemente. - Eu preferiria que fosse você me chamando ao invés dessa coisa da Idade Média da família escolhendo um candidato para a dama, mas considerando todos os elementos que existem nessa história, eu estou feliz que ele tenha feito.
Ele dizia tudo com tanta inocência, daquele jeito todo bom moço que Gideon sempre teve, que não podia não sorrir.
- Sirius pensa que você é o bom moço de Hogwarts. - Gideon gemeu e se abaixou mais no banco. - O que foi?
- Uh, que fama! O "bom moço"? Isso soa tão chato e nada interessante. Ele disse isso?
- Não com essas palavras. - Ela respondeu achando engraçado o desagrado de Gideon.
- Estou vendo tudo isso com outros olhos agora. Ele acha que eu sou um beato ou algo assim? Seguro o bastante para estar com você? Como se até aquele cara do clube de xadrez fosse mais perigoso do que eu.
Apesar das palavras, Lily notou o tom de piada que ele usava. De certa forma, não poderia discordar do que ele dizia, pois ainda que Sirius tenha escolhido alguém que ela gostaria de sair - o que foi o mínimo que ele poderia fazer - , sabia que Gideon foi escolhido por ser um cara "seguro", ainda que ambos tivessem uma história.
- Ninguém, principalmente as garotas, pensa que você é desinteressante. A ala feminina de Hogwarts te adora e você sabe disso.
- Eu não sei nada disso.
- Agora sabe.
- Bem...de qualquer maneira, não adianta ter a ala feminina de Hogwarts quando a pessoa que estamos interessados não está interessada em você ou não sabemos se ela está, certo? No final, só isso importa.
Gideon virou a cabeça minimamente para ela, com uma mensagem clara: "você está ou não interessada?". E foi salva pelo gongo quando o instrumental de "Hey Brother" começou a tocar.
Por falar no diabo…
- Sirius, qual é? - Ela atendeu o celular.
- Está tudo bem? - Pelo barulho ao fundo, o irmão já estava no parque de diversão.
- Por que não estaria?
- Não sei. Só queria conferir se...sabe...está tudo bem e Prewett não está sendo um babaca ou algo assim.
Sirius era uma dor na bunda, mas sabia que aquela preocupação, por mais chata que fosse, tinha origem de algo concreto. Preferia que ele não ligasse, que não empatasse seus encontros, mas preferia encorajá-lo a melhorar do que o contrário. Ele tinha ido de "não quero que você saia com ninguém" com "estou ligando para saber se você está bem". Era uma bela evolução.
- Não. Está tudo bem.
- Ok. Se você precisar, você sabe...eu estou na discagem rápida do seu celular, então...só ligue. Ok?
- Ok. Agora relaxe e aproveite com Marlene. Ela veio de muito longe para estar aqui hoje com você, então é bom você dar uma boa razão para que ela não se arrependa!
- Pode deixar que vou me encarregar disso.
Ele desligou. De alguma maneira, aquela ligação a deixou feliz. Seu irmão parecia ter voltado para aquele estado de humor que tinha antes daquela maldita festa há quatro anos: não era louco, mas se preocupava com ela. Ela diria que as coisas estavam se equilibrando.
- Ele estava checando se o bom moço de Hogwarts estava se comportando como deveria: mãos longe, boca mais longe ainda? - Gideon perguntou relaxado.
- Aparentemente ele não te acha tão bom moço assim. - Ela disse baixinho, como se fosse um segredo.
Gideon abriu um sorriso enorme.
- Eu nunca quis ser julgado como um cara que as pessoas deviam temer, mas isso deu uma aliviada no meu ego. - Ele levantou e ofereceu a mão para que Lily levantasse também. - Vamos? Acho que estamos com o espírito melhor para encarar aqueles brinquedos.
Sentindo-se um pouco mais energizada, Lily seguiu com o revitalizado Gideon até o parque de diversão.
Ela não estava em lugar algum. Sumiu, tomou chá de sumiço, desapareceu completamente.
Era verdade que ele tinha certo grau de miopia, mas as lentes sempre ajudaram, então tinha certeza que Lily não estava em lugar algum daquele parque. Nem nas filas, nem nos brinquedos, nem na entrada.
E estava se sentindo patético em ficar procurando por ela em todo o lugar, mas era mais forte do que ele. Como o idiota que era, deixou as oportunidades de falar com ela, de lhe dizer o que pensava, passarem e agora estava em um encontro com uma garota que ele não tinha interesse - por mais que isso soasse maldoso, era a verdade -, e Lily estava perdida com Gideon Prewett em algum lugar.
Essa sensação de perda era a pior. Tinha a faca e o queijo na mão e deixou os dois caírem.
Era um idiota de nível estratosférico.
- Ah, minhas amigas estão ali.
Emmeline o puxou em uma direção e ele apenas seguiu. Ela era uma ótima pessoa, não deveria estar trancada com ele naquele encontro. Tinha tantos caras de Hogwarts ali que poderiam dar uma noite mais interessante para ela do que ele. O que fizeram até agora? Conversaram sobre coisas aleatórias, ele ganhou um urso para ela no tiro ao alvo, foram em uma montanha-russa. E durante todo esse tempo, ele só conseguia olhar para os lados, tentando achar Lily.
- Olá, James. - As três amigas de Emmeline o cumprimentaram. Ele sorriu e acenou.
- Oi, garotas.
Elas riram, cúmplices. James franziu o cenho, mas continuou sorrindo. Emmeline pareceu dizer algo para as amigas com os olhos, e elas riram mais. Era desconfortável ser o assunto de uma roda de pessoas e sem poder participar, mas não acharia ruim. As garotas apenas pareciam contentes por Emmeline.
Isso porque elas não sabiam o quão sem graça encontro estava sendo, mesmo sem fazer por maldade.
- Que tal comermos um algodão doce? - Emmeline perguntou. - Você se importa se as garotas vierem?
- Não, claro que não.
Era até melhor, na verdade. Isso iria distrair Emmeline e lhe dar alguns bons momentos que ele não conseguia dar.
As quatro garotas estavam na frente, as cabeças juntas e cochichando, rindo de tempos em tempos. James apenas colocou as mãos nos bolsos e foi andando tranquilamente atrás delas. Viu Sirius e Marlene pegando a fila da roda gigante. Ah, claro que o amigo não deixaria passar aquela oportunidade com a sua prima: alguns minutos sozinhos em uma cabine, bem no alto, sem ninguém para atrapalhar. Era sempre o lugar perfeito para um beijo.
Sirius o viu e apontou para as garotas na frente, perguntando o que era aquilo. James deu de ombros e Sirius também, voltando a atenção para Marlene depois. James, quando virou para frente, parou seu caminho.
Lily e Gideon saíam de uma montanha-russa aos risos. Ela o viu também e sua risada parou. Gideon continuou, completamente alheio ao fato de Lily estar com os olhos grudados em James. O casal se aproximava dele, que continuava parado no meio do caminho. Muitas pessoas desviavam e reclamavam com James ali parado, Gideon continuava alheio ao que ocorria e Lily chegava cada vez mais perto.
A ruiva passaria ao seu lado em alguns segundos agora e, não sabia o porquê, mas seu coração estava disparado. Ela chegava perto cada vez mais.
Quando Lily passou ao seu lado, quase colada à ele, não tinha ideia de onde tirou aquela coragem, mas James apenas moveu sua mão para o lado, esbarrando na dela. Foi um toque sutil, nada mais do que duas mãos esbarrando, dedos indicadores se enroscando por um segundo, e que poderia ter acontecido com qualquer um daquele lugar. Mas com Lily era diferente. Primeiro, por ter sido proposital. Segundo e muito importante, ela não desviou do toque.
Os dois ruivos continuaram seu caminho e James virou o pescoço para olhá-los. Por um momento, ele pensou que aquilo havia terminado...até ela se virar para trás por um segundo e o encarar.
Sim! Ela gargalhava com Gideon, mas ainda existia uma chance dele recuperar a faca e o queijo.
Ele sorriu para ela e, antes dela virar para a frente, podia jurar que viu um pequeno sorriso em seus lábios também.
- James!
Emmeline o chamando cortou aquela epifania que estava tendo sozinho no meio do parque. Ela estava com as amigas na barraca de algodão doce e acenava para ele se aproximar.
- Estava pensando, que tal irmos na roda gigante e depois passearmos pelo píer? - Emmeline perguntou quando ele pediu o seu algodão doce. - Só nós dois, é claro.
As outras três garotas riram baixinho.
Ali estava: o pedido singelo para um beijo da parte de Emmeline. Infelizmente James tinha outros planos agora e aquele suposto beijo não fazia parte dele.
There's something in the way I wanna cry
Há algo no jeito em que quero chorar
That makes me think we'll make it out alive
Que me faz pensar que sairemos dessa vivos
So come on and show me how we're good
Então, venha e me mostre o quanto somos bons
I think that we could do some good
Acho que podemos fazer algo de bom
Gideon acabou encontrando alguns amigos de Hogwarts e eles pararam por um instante para conversarem. Parecia que boa parte dos alunos havia decidido aproveitar o dia de caridade e o feriado prolongado.
Aquela pausa que estava tendo do encontro foi muito bem-vinda. Dez minutos se passaram e sua mão parecia não querer esquecer daquele toque. Até agora, Lily não sabia se havia sido ela ou James quem o fez o movimento, mas de certo que nenhum dos dois desviou ou retraiu a mão. Não interessando quem deu o passo para ocorrer, foi uma vontade mútua.
Seu celular apitou com uma mensagem. Revirou os olhos imaginando ver outra mensagem de Sirius perguntando se ela estava bem, mas seu coração disparou ao ver o nome de James na tela. Gideon estava distraído, conversando, então ela conseguiu abrir a mensagem sem ter nenhum espectador.
Porém, não era uma mensagem de texto, mas uma localização. Para ser mais exata, era no meio do longo píer. Fico encarando a tela por alguns segundos, sem saber o que fazer, até uma mensagem chegar.
"Eu vou te esperar por meia hora", era tudo o que dizia. Estava sentindo o peito abrir com excitação e curiosidade.
- Escute. Aproveite um pouco com os seus amigos. - Lily comentou, fazendo Gideon se virar para ela. - Nos encontramos na fila da roda gigante em, não sei, uma hora?
- Tem certeza? Eu não me importo em ir agora com você.
- Sim, tenho certeza. Aproveite um pouco com os seus amigos. Vou achar Alice e Frank, adoramos jogar nas barracas de tiro ao alvo. - Ela sorriu. - Além do mais, a fila da roda gigante está bem cheia e, mais tarde, estará melhor.
- Claro, se você quiser.
Gideon se aproximou e lhe deu um beijo na bochecha, bem perto de sua boca. Ela sorriu para ele, porque não conseguia ser uma megera com aquele cara tão legal.
- Nos vemos mais tarde.
Deu as costas e se misturou com as pessoas ao redor. Apesar do lugar estar bem cheio, ficou de olho para ver se seu irmão não a vigiava, pois tinha certeza que ele a seguiria caso a visse indo para o píer sozinha.
Quando começou seu caminho pelas longas tábuas de madeira, deu uma olhada na localização enviada e viu que teria ainda uma boa caminhada. Como ventava um pouco, o barulho da água contra os pilares de madeira lhe dava uma sensação de paz, assim como a noite. Talvez devesse temer estar ali sozinha, mas podia ouvir as conversas e risadas das pessoas mais a frente ou atrás, apesar de estarem distantes.
Não precisou checar a localização novamente para encontrá-lo, pois James estava bem visível apoiado na grade, os olhos bem fixos na escuridão da água. Não havia muita luz onde ele estava, além da claridade da lua e do parque, mas era o suficiente para que ela o reconhecesse de longe.
- Eu não sabia se viria. - Ele disse quando Lily estava a cinco metros de distância.
- Podemos dizer que a curiosidade falou bem alto. - Lily respondeu parando ao seu lado, de frente para ele. - O que faz aqui sozinho?
- Pensando bastante.
- Onde está Emmeline?
James suspirou e se virou para ela.
- Ficou com as amigas. Queria ir na roda gigante e eu disse que tinha medo de altura, então que ela fosse com as garotas. A fila estava enorme, então acho que tenho uma hora livre.
Lily bufou uma risada.
- Você não tem medo de altura.
- Ela não sabe disso e agradeceria se não contasse. - Ele sorriu e se virou em direção a água novamente. - Onde está Gideon?
- Com os amigos dele. Por mais engraçado que seja, vou reencontrá-lo na roda gigante em uma hora.
- Vai na roda gigante com ele, hm?!
Ela ouviu o tom sarcástico dele. Todos sabiam que o casal que ia na roda gigante, queria um momento a sós para, possivelmente, um beijo. Mal podia imaginar a chateação de Emmeline em saber que James não pisaria no brinquedo com ela.
Não que ela estivesse indo com Gideon para beijá-lo, mas era um brinquedo que gostava de aproveitar.
- Eu não tenho medo de altura, assim como ele.
- Eu também não, mas não queria ir com ela.
Aquilo fez com que todas as respostas malcriadas dela desaparecessem por alguns segundos, quase como se fosse culpada, mas apenas até lembrar-se de tudo o que vinha acontecendo nos últimos dias.
- Eu não te entendo, James. - Deu um passo para perto dele e apoiando-se na grade também.
- Eu não te culpo.
Céus, que desalento. Como ele fazia isso com ela?
- Você queria me dizer alguma coisa, por isso queria me ver? - Resolveu perguntar.
- Provavelmente. - Ele passou a mão pelos cabelos. - Eu...fiquei pensando e está tudo tão confuso. - O moreno respirou fundo e abaixou a cabeça. - O que aconteceu aquele dia no carro, Lily…
- Não! Não jogue essa de "foi um erro" na minha cara, James. Não ouse.
- Lily, me escute.
- Não é justo você dizer isso. Eu queria e eu arriscaria dizer que você também quis. Ou estou enganada?
- Sim, eu quis, mas…
- Então isso é tudo o que importa. - Ele abriu a boca de novo para retrucar, mas ela continuou. - Estamos sozinhos aqui, tirando o fato de ter pessoas a alguns metros de nós, mas estamos aqui sozinhos. E é assim que você deveria ver tudo o que aconteceu nos últimos dias: que tudo aquilo só diz respeito a nós dois e mais ninguém. Estamos sozinhos nessa, então pare de colocar alguém nessa equação, transformando-o em um problema.
Ele se afastou, atravessando o píer até a outra grade. Lily o observava enquanto James apoiava-se no ferro como se estivesse cansado.
- Apenas queria que você entendesse. Eu tenho Sirius como uma das pessoas mais importantes na minha vida. - Ele começou, ainda sem olhá-la. - Eu tenho um carinho, respeito e admiração por ele que eu nem saberia explicar, como se ele fosse o meu irmão também. Eu sei o quanto essa questão é importante para ele, sei que depois daquele imbecil do Pettigrew, a cabeça dele pareceu dar um tilt e que você é alguém inalcançável.
- Eu não sou.
- Você é, você virou. Como eu posso ir contra ele, Lily?
- Então é mais fácil você ir contra você mesmo? - James ficou surpreso com a resposta dela, virando-se para encará-la. - Eu sou apenas Lily, uma pessoa normal de dezoito anos, solteira, que te beijou e gostaria de te beijar novamente. Sirius é apenas o meu irmão com um problema que tem que resolver ao invés de ser encorajado a continuar. Você concordou comigo que ele não deve se intrometer na minha vida deste jeito.
- Mas eu não falava de mim.
- Não há diferença.
- Eu sou o melhor amigo dele! - A voz de James estava cheia de um sentimento estranho, não muito longe de raiva.
- O que ainda não muda nada.
Pararam apenas para se encararem por alguns segundos. Algumas pessoas se aproximavam e James se virou de costas novamente, enquanto Lily sorriu gentilmente para a família que acenou para ela de volta.
- Por que você não diz logo? - Lily pediu quando ficaram sozinhos novamente.
- Dizer o quê?
- O óbvio: que não quer nada de mim. Isso descomplicaria tudo.
- Se eu não quisesse nada de você, você teria entendido logo de primeira de tão claro que ficaria.
Ela encheu o peito de ar com aquela declaração.
- Você fugiu de mim. Literalmente fugiu de mim, bebeu igual um louco no sábado por conta do que ocorreu...
- Se tudo aquilo não significasse nada para mim, eu não poderia me importar menos. Se eu não estivesse interessado, eu teria te encarado de frente ao invés de fugir, beberia socialmente ao invés de encher a cara...
- Então você está interessado. - Ela foi até ele do outro lado do píer.
- Não te chamaria até aqui se eu não estivesse. - Ele olhou para ela. - Eu só não sei como lidar com isso.
Ela queria surtar ali mesmo. Gritar até sua voz ser mais alta do que qualquer pessoa que se divertia nos brinquedos do parque, que ecoaria por quilômetros, provavelmente até a Bélgica. Era esse tipo de grito que ela queria dar.
Mas tinha consciência o suficiente para saber que aquilo não iria adiantar, então preferiu agir a seu favor.
Lily se aproximou dele e ele não se afastou. As mãos dela foram até o seu rosto e o puxaram em sua direção, selando os lábios de James delicadamente. Em momento algum ele tentou fugir, pelo contrário: ele facilitou completamente o beijo, encontrando-a no meio do caminho. Ajudou, aproximando-se também e se abaixando para que ela não tivesse que ficar nas pontas dos pés para alcançá-lo.
Lily o afastou devagar, ainda o segurando. James abriu os olhos para encontrar com os dela.
- O que você pensou quando eu te beijei agora?
- Que adoro o seu beijo e que quero de novo. - James respondeu de prontidão. A mão dele agora acariciou o pescoço dela, subindo até seu rosto. - . Que eu quero mais.
Aquilo era música para os seus ouvidos. Não música clássica, nem calmante...mas a mais excitante que já ouviu. A melhor melodia, os melhores acordes…
A melhor letra.
- Ninguém manda em mim, ninguém manda em você. Nós fazemos o que queremos...e se você quiser me beijar, saiba que eu quero te beijar de volta.
A resposta dele foi beijá-la novamente. Tão doce, lento e profundo. Do tipo de deixá-la completamente fora do mundo real, desafiando seu corpo a compreender que realmente estava ali e que não era apenas uma divagação dentre tantas que tinha ultimamente.
Ele tinha gosto de algodão doce, fazendo-a querer nunca mais parar de beijá-lo, mas teria que tirar forças do além para aquilo. Se afastou com dificuldade, vendo a sua vontade refletida nos olhos dele.
- Eu preciso voltar. - Disse ela. Lily deixou um sorriso leve escapar enquanto acariciava o rosto dele. - Pense no que conversamos.
- Você vai encontrar com Gideon? - James perguntou não soltando-a ainda.
- Ele estará me esperando. Emmeline também está te esperando, com certeza.
James assentiu, quase imperceptível.
- Isso é ridículo. - Ele mudou de assentir para menear a cabeça. - Por que estamos voltando para eles?
- Porque sumindo ao mesmo tempo, talvez ficaria na cara o que está acontecendo. Apesar de eu não querer me impedir de fazer o que quero, eu não estou disposta a espalhar isso e causar uma cena.
Lily estava pronta para soltá-lo, mas James a segurou.
- Eu não quero arrumar problema com Sirius…
- Vamos falar sobre isso depois. - Ela o cortou, vendo que um grupo de adolescentes se aproximava, podendo ser alunos de Hogwarts. Se afastou, sem tirar seus olhos dele - Primeiro, você tem que decidir o que quer.
- Eu sei o que quero.
A música para seus ouvidos de novo. Aquilo era tão bom.
- Tenha certeza disso e depois me procure!
Sorrindo, ela deu as costas e voltou em direção ao parque. Seu coração tão feliz, sua cabeça explodindo com aquela conversa, com o beijo dele...com aquele beijo delicioso de algodão doce de James Potter.
- Aí está você. Fiquei preocupado. - Gideon a recebeu na fila da roda gigante. - Encontrei Alice e ela disse que te viu há horas.
Deveria ter enviado uma mensagem para a amiga, droga. Tinha certeza que agora Alice sabia por onde ou com quem ela esteve.
- Eu procurei por eles e não achei. Então joguei sozinha por alguns minutos.
Odiava mentir, mas o que poderia dizer? Que estava com James no píer, beijando-o e pedindo para que ele não ouvisse aquela vozinha maldosa em sua mente e ficasse com ela?
- Sem problemas. Chegamos na hora certa, está quase vazio.
O ruivo apontou para que ela entrasse na fila, seguindo Lily logo depois. Começou a ficar nervosa enquanto via a fila andar mais e mais rápido, fazendo sua vez ficar mais e mais perto. Gideon estava confortável ao seu lado, olhando para o brinquedo e depois para ela, sorrindo.
Não tinha sido uma boa ideia ter ido ali com ele. Era óbvio o que aconteceria ou o que Gideon tentaria. Inferno, era para ser algo bom...se tudo isso tivesse acontecido duas semanas atrás, seria o paraíso. Os dois entrariam na cabine da roda gigante, conversariam sobre algo aleatório...Lily talvez escorregaria para mais perto, Gideon colocaria o braço por trás das costas dela…eles se olhariam e se beijariam. Não lembrava muito do beijo de Gideon, mas sabia que tinha gostado. Talvez não tanto quanto o de James.
Sabia que estava sendo repetitivo, mas o beijo de James era uma coisa de louco.
- Você vem?
Gideon estava subindo as escadas, enquanto Lily permanecia parada na fila. Respirando fundo e assentindo, ela o seguiu, entrando na cabine com Gideon.
Alguns metros atrás da fila, James empurrava e pedia licença para as pessoas, tentando manter as duas cabeças ruivas em seu campo de visão. Prewett falava com Lily, que estava parada, parecendo sonhar acordada, antes de seguir o ruivo para uma das cabines.
Apressando o passo, começou a empurrar com menos delicadeza as pessoas e o "Com licença" virou apenas "Cença". Chegou no final da fila quando a cabine dos dois fechou e a roda gigante continuou vagarosamente a rodar. Duas pessoas já esperavam pela cabine seguinte. Via a cabine de Lily e Gideon subir cada vez mais, o ruivo sentado bem próximo. Sem pensar, James se jogou dentro da cabine aberta na sua frente e a fechou, deixando o funcionário do brinquedo surpreso.
A cabine continuava a subir lentamente e James grudou o rosto no vidro, tentando enxergar o que ocorria na cabine acima.
Uma tosse nada sutil tirou sua atenção.
- Você não podia esperar a próxima? - O garoto responsável pela tosse perguntou. Ele tinha sua namorada ou o que quer que seja ao seu lado, abraçando-a pelos ombros.
- Foi uma emergência, desculpe. Mas podem continuar, eu não vou olhar.
James voltou sua atenção para a cabine acima, dando as costas para o casal emburrado. Na presente posição, ele não podia ver nada, apenas a parte debaixo da cabine acima. Aquela porcaria ia muito devagar... qualquer coisa poderia estar acontecendo e ele não fazia ideia.
- Você não é James Potter?
Ele se virou novamente para o casal. A garota o encarava com curiosidade.
- Sim. Nos conhecemos?
- Não exatamente. Graças a você, minha melhor amiga foi transferida de escola. Lembra da Loubna?
Ele se lembrava. A garota muçulmana que ele se envolveu, claro. Agora olhando bem para a morena em sua frente, lembrou-se dela também. As duas viviam juntas e a amiga havia alertado Loubna para não se envolver com ele.
- Sim, claro.
- Que bom. Porque ela é obrigada a lembrar de você todo dia naquela maldita escola que foi transferida.
- Eu sinto muito pelo o que aconteceu.
- Sente mesmo? Tenho lá minhas dúvidas.
Não era hora de lembrar de Loubna ou discutir com alguém sobre isso. Estava em uma missão ali e não podia se desviar.
- Acredite no que quiser. - Disse, por fim, voltando seu olhar para a cabine acima.
- Fácil falar assim…
James se virou para o casal de novo.
- Olha, por que vocês não fazem logo o que queriam fazer aqui? Eu não me importo se quiserem se pegar na mesma cabine, só preciso me concentrar em algo, ok? Aproveitem, língua na medida certa, não babe, não morda forte...etc etc.
Será que ele teria que ensinar adolescentes a se beijarem hoje em dia ou aproveitar uma volta na roda gigante? Fizessem o que quisessem, só queria ficar em paz.
Ah! Mas antes…
- Antes que vocês comecem. - Ele olhou para o casal que, de fato, começou a se beijar. - Poderíamos trocar de lugar? Preciso estar na sua janela quando começarmos a descer.
- Você está zuando com a nossa cara? - O garoto perguntou, incrédulo.
- Nem um pouco. Por favor. - James levantou, fazendo a cabine chacoalhar e o casal se segurar nas laterais, com o olhar de terror. - Mais rápido vocês se moverem, mais rápido vamos parar de balançar.
Sem muita escolha, o casal se levantou e trocaram de lugar. James não tinha a melhor visão, mas não tinha do outro lado também. Durante a descida, ele poderia ver dentro da cabine a frente durante um período.
Agora precisava esperar.
L~J
Na cabine acima, Lily aproveitava a vista bonita da cidade ao fundo, assim como as luzes do parque. Adorava estar no alto e ver todas as luzes possíveis do horizonte, principalmente naquelas condições onde estava em um lugar calmo.
- Bonito, não é?
Gideon perguntou enquanto tentava olhar pela janela dela. Nesse movimento, ele colocou o braço apoiado na parte de trás de seu assento. Ele estava começando a agir.
- Sim, muito bonito.
- Sabe...eu nunca imaginaria estar aqui com você.
Ela sentiu os dedos dele brincarem com os seus cabelos caídos no assento. Seu coração começou a ficar louco de nervoso e não era algo bom. Como poderia escapar daquilo sem ser rude? Estavam fechados a muitos metros de altura, nem se afastar educadamente ela podia.
Péssima ideia ter ido ali, péssima. Deveria ter dito que tinha pavor de altura, como James fez com Emmeline.
- Acredite, eu também não. - Ela riu, fazendo-o rir com ela. - Você é um cara legal e achei uma boa ideia de Sirius para que ele parasse com as loucuras dele, sabe?
Gideon caiu um pouco contra o banco.
- Então você, ahm, quis apenas vir comigo para fazer com que Sirius agisse diferentemente com você?
A culpa! Ah, a culpa doía. Até quando Sirius queria fazer algo bom, ele passava uma rasteira nela.
Não! Não iria culpar o irmão nessa. Ele fez aquilo querendo ajudar, de certa forma. Era um grande passo para ele aceitar que a irmã não era feita de cristal e poderia aproveitar a vida saindo com alguns caras.
Mas Sirius poderia ter pensado em outro, não? Aquele outro.
- Gideon, não é isso. Eu gostei de saber que ele fez isso e que pensou em você, sério. Você sabe que eu te adoro, não sabe?
- Eu nunca tive muita certeza. Muita coisa aconteceu entre nós e um pouco rápido demais alguns anos atrás. - Ele riu sem graça e coçou a nuca. - Mal tivemos tempo de discutir tudo o que aconteceu.
- Desculpa por isso. Eu contei para Sirius sobre...bem, sobre tudo o que aconteceu entre nós e eu não esperava aquela reação dele.
- Está tudo bem. Você tinha quinze anos e ele queria te proteger. - O ruivo deu de ombros, voltando seu olhar para ela. - Mas...se não fosse por ele, você acha que teríamos tido uma chance juntos?
Lembrava daquela paixão adolescente doida que tinha por ele. Dos olhares trocados, dos suspiros, do primeiro beijo, da festa em sua casa onde brincaram de beer pong e era certo que Gideon gostaria de repetir o beijo deles...
...de Peter e aquela cena no quarto. Do seu desespero em querer se livrar da sua virgindade com alguém que gostava antes de tê-la arrancada por algum "Peter" qualquer.
Sua respiração começou a sair um pouco de compasso, então fechou os olhos, lembrando de respirar corretamente.
- Lily? - A voz de Gideon estava um pouco longe. Não podia desmaiar ali, tinha que respirar. Gideon não sabia como ajudá-la, teria que se encontrar de volta ao normal. - Lily, o que há?
- Respirar.
Sua visão ficou turva e Lily colocou a mão no próprio peito, tentando lembrar-se do seu ritmo normal, querendo trazê-lo de volta. Um minuto se passou daquele jeito e sua respiração começou a acalmar sua cabeça parecia sair da neblina do ataque. Ok, não foi um ataque de pânico grande, bem mais light do que poderia ser. Abriu os olhos e se deparou com um Gideon chocado. Ele segurava sua outra mão, como se quisesse dar-lhe alguma força.
- Está tudo bem? - O pobre coitado estava pálido, os olhos bonitos bem abertos.
- Está tudo bem. Desculpe, foi apenas um ataque de pânico.
- Eu disse ou fiz algo errado?
- Não, não. Não se preocupe, não foi você.
Odiava quando isso acontecia e, ainda mais, quando tinha alguém sem muita intimidade por perto. Não se explicava, mas percebia que as pessoas a olhavam estranho depois. Gideon não a olhava estranho, pelo menos, mas preocupado.
- Posso fazer algo para te ajudar? - Ele perguntou.
- Já passou. - Ela riu e abanou a mão, querendo mostrar que estava bem. - Onde estávamos mesmo? - Ah não, era a conversa sobre eles ficando juntos anos atrás caso Sirius não tivesse se intrometido em sua vida. - Certo, sua pergunta sobre quando tínhamos quinze anos... honestamente? Da minha parte, eu gostaria. Eu gostava de você, sabe?!
- Sério? - Aquilo pareceu jogar a crise de pânico dela para o fundo da mente do ruivo. - Você gostava mesmo de mim?
- Você foi o meu primeiro beijo e a minha primeira vez. Eu, com certeza, gostava de você.
Gideon deslizou pelo banco, uma mão apoiada no encosto, a outra perigosamente apoiada na própria perna, mas perto demais dela. Aquela mão queria agir e Lily sentia que não tardaria.
- E eu sendo apaixonado por você desde quando nos conhecemos, sem saber que tinha uma chance concreta.
- Verdade? - Lily se ajeitou para olhá-lo melhor, realmente surpresa pela confissão dele. - Por que você nunca falou algo antes daquele primeiro beijo?
- Eu pensava que você tinha algo com algum dos caras, James, Remus ou aquele outro que sumiu. Eles eram tão grudados com Sirius, você sempre andando com eles, bem íntima. Eu pensei que algum deles pudesse gostar de você. E você gostar de algum deles.
Não podia falar que era a primeira vez que escutava isso. Não só Sirius afastava os caras, mas a sua aproximação com James e Remus era sempre citada quando ela estava em algum flerte com alguém de Hogwarts. Mas aquilo era tão bobo de se pensar, aquela velha história de que garotos não podem ser amigos de garotas.
Bom, ela não podia dizer aquilo de James agora. Não que nutrisse algo sentimento por ele naquele momento, mas não era um relacionamento platônico. Não como ela tinha com Remus.
- Bobagem. Isso nunca aconteceu. Tudo sempre foi muito platônico entre nós, nada de sentimentos.
Ele se aproximou mais. A ruiva viu quando os dedos daquela mão inquieta se retraíram por um segundo, querendo sair da perna dele e fazer algo. Sem dizer mais nada, Gideon começou a se aproximar. Ah não! Ela tinha que pará-lo. Por que aquilo estava acontecendo justo agora? Por quê não mais cedo, no mês passado?
Ela queria que Gideon tivesse reaparecido mais cedo? Queria ter perdido a oportunidade de descobrir James? De descobrir o beijo dele?
Se preparando para afastar Gideon, um barulho na janela assustou a ambos. Eles olharam para fora, mas não viram nada, já que estavam muito altos ainda.
- Um passarinho talvez? - Ela perguntou.
- Foi mais leve do que um passarinho.
- Espero que não tenha sido um pedaço do brinquedo desmoronando. - Ela riu, mas ficou nervosa. E se tivesse sido um parafuso? Os olhos verdes se arregalaram e começou a procurar por cabines caindo ou ficando penduradas.
- Não. Parecia uma pedra. - Gideon deu uma última olhada ao redor, antes de se virar para ela. - Não deve ter sido nada.
Ele voltou a se aproximar e Lily já colocou uma mão em seu peito para pará-lo, mas outro barulho no vidro os distraíram.
- Eu não estou gostando disso. - Lily comentou enquanto aproveitava a distração de Gideon e se afastava dele. - Quanto tempo até chegarmos no chão?
- Dois minutos, eu acho. Mas não se preocupe, tenho certeza que…
Ouviram vozes alteradas vindas de cima. Eles foram até a janela para tentar ver o que acontecia e viram que a porta da cabine acima estava aberta. Uma mão tentava fechá-la, enquanto a outra tentava mantê-la aberta.
J~L
James segurou a porta da cabine, a qual teve que abrir para jogar os pequenos pedregulhos que tinha no chão para atacar na cabine de Lily, mas a garota com quem dividia a cabine não parecia feliz.
- Fecha essa porcaria. Você quer nos matar?
- Vocês não vão cair. Não tem como um corpo passar pela fresta que eu abri, só o meu braço.
- Eu não quero saber. Fecha isso!
A garota tentou fechar a porta, mas James a segurou aberta de novo.
- Se afaste, senão irá mesmo cair.
- Isso é uma ameaça?
Olhando para o possível namorado da garota, que estava branco igual um papel colado na parede contrária, apontou para a garota.
- Será possível um pouco de ajuda?
- Eu tenho medo de altura. - O garoto respondeu.
- Por que você entrou nessa cabine então? - James perguntou atônito.
- Para beijá-la.
A garota parou a briga com James e a porta, e se virou para o garoto.
- Você subiu aqui por mim?
Ótimo, eles estavam distraídos o suficiente. James pegou uma outra pedrinha perto de seu pé e olhou pela fresta, mas Lily e Gideon estavam afastados agora.
Infeliz! Era óbvio que Prewett tentaria algo. Ele seria um idiota se não fosse com Lily para Southend-on-Sea e não pensasse em tentar um beijo. O cara tinha tudo a seu favor, mas não contava com uma coisa: James Potter não querendo facilitar as coisas para ele.
Sim, sim. Ele não deveria se intrometer naquilo, deveria deixar Lily decidir o que ela queria, mas infernos! Eles tinham se beijado alguns minutos antes...James só queria que ela ficasse com ele na memória e não Prewett.
Isso ainda era uma desculpa péssima e tinha noção disso. Estava com ciúmes e não queria que Lily debandasse para o lado do ruivo, já que havia um histórico entre eles. Lily teve sua paixonite por Prewett no passado...e se isso voltasse depois de hoje? Justo agora, de todos os tempos que poderia ter voltado, Gideon entrasse nas vidas deles novamente, com a benção de Sirius ainda por cima?
Com Sirius aceitando Gideon, então as coisas estariam perdidas para James. A paixão do passado de Lily combinada com a aceitação do irmão…
James seria apenas James novamente.
Aquilo acendeu uma labareda dentro de si. Ciúmes, raiva...tudo. Olhou pela fresta e percebeu que estavam já chegando ao chão. O casal da cabine abaixo parecia pronto para sair em alguns segundos. James se virou para trás e viu que o casal que dividia a cabine estavam em um beijo apaixonado, completamente alheios a sua presença. Bom, pelo menos alguém estava feliz naquela cabine.
Viu quando Lily e Gideon saíram. Ele demorou alguns segundos para descer da sua cabine, não querendo ser visto pelo casal de ruivos.
- Obrigado, você me ajudou. - O garoto que estava nos amassos disse a James quando este estava a ponto de sair.
- De nada. Da próxima vez, vá fazer algo que os dois curtam.
Dando um tapa no ombro do garoto, James saiu da cabine. Olhou para o celular e viu várias mensagens de Emmeline e Sirius.
Droga.
- Onde você estava?
Foi um belo coro de Sirius e Emmeline assim que os encontraram perto do píer. Marlene estava com eles, mas não parecia tão preocupada com o sumiço do primo quanto os outros dois.
- Por aí. Esperei Emmeline ir na roda gigante com as amigas. Acabei me distraindo com algumas pessoas jogando tiro ao alvo. Por quê?
- Eu estava preocupada. Você não respondia minhas mensagens. - Emmeline deu um passo à frente. - Então fui atrás de Sirius. Você só podia estar com ele.
- E então ela quis ficar conosco até você aparecer, já que, aparentemente, você me procuraria primeiro.
James entendeu o tom de Sirius e a mensagem explícita: muito obrigado por largar o seu encontro no meio do parque e enviá-la para empacar o meu. Em sua defesa, James poderia dizer que foi ideia do próprio amigo que Emmeline viesse com ele, então que aguentasse as consequências.
- Estou de volta. - Tentou disfarçar o suspiro e se virou para a garota. - O que quer fazer agora?
- Que tal comermos algo? Só comi aquele algodão doce e estou faminta.
- Claro. Um cachorro quente?!
- Ótimo.
- Podemos vir com vocês? - Todos olharam para Marlene. Sirius era o mais chocado e desesperado. - Eu também estou com fome. - Ela respondeu dando de ombros.
- Cl-claro. Vamos nos juntar a Emmeline novamente. - Sirius sorriu. A felicidade abaixo de zero do amigo estava explícito para os dois conhecidos.
Então os dois casais seguiram para a parte da comida do parque. Marlene estava entre Sirius e James, mas com Sirius parecendo distraído pelos jogos ao redor, ela se aproximou do primo, sussurrando.
- Onde você estava?
- Como assim? Pelo parque, distraído.
- Não, você não estava. Emmeline não era a única procurando por alguém.
- O que quer dizer?
- Que encontramos Gideon sozinho esperando na Roda Gigante, com uma cara de preocupado. Sirius perguntou onde estava Lily e ele respondeu que estava esperando por ela, que estava com Alice e Frank. E eu vi Alice e Frank cinco minutos antes, sozinhos!
James engoliu com dificuldade e desviou o olhar.
- Então vemos que eu não sou o único entediado por aqui. - Ele tomou cuidado para falar bem baixo e Emmeline não ouvir. Apesar de tudo, ela não merecia nada daquilo, apenas caiu em uma rede que não deveria ter caído.
- Ela é um amor. - Marlene disse olhando para Emmeline. - O problema aqui é você.
- Muito obrigado pela sinceridade. - Ele resmungou.
- Se você não quisesse ter vindo com ela, deveria ter cancelado isso.
- Eu sei, Lene.
- E por quê não fez?
- Porque Li…
Parou a frase. Sua prima tinha dessas, falar rapidamente e te pressionar até você se ver respondendo tudo o que não deveria.
- "Porque Li…"? - Ela indicou a frase, querendo que ele continuasse.
- Não importa.
Sirius voltou a atenção para os amigos, então a conversa parou por ali. Chegando até a comida, eles se espalharam, servindo-se do que mais queriam e sentaram juntos em uma longa mesa de madeira.
- Podemos nos juntar a vocês?
A voz de Lily em suas costas quase o fez pular do banco.
- Claro. - Marlene, a única com a boca livre, respondeu. - Fiquem à vontade.
A ruiva deu a volta na mesa e sentou-se ao lado de Sirius, enquanto Gideon sentou-se ao lado de James, de frente para os irmãos. Ah, genial.
- Onde você esteve? - Sirius perguntou para a ruiva. Não conversavam alto, mas se alguém prestasse atenção neles - como James estava fazendo -, conseguiria acompanhá-los.
- Do que está falando? Estava com Gideon.
- Antes disso. Alguma coisa aconteceu?
- Não. Eu estava com Alice e Frank antes. Qual o problema?
- Gideon estava sozinho, esperando por você. Você não responde as minhas mensagens...se o encontro está sendo uma porcaria, apenas me diga e a gente dá um jeito.
- Não é isso, Sirius. Apenas deixe para lá, ok? Está tudo bem.
Levando uma cutucada nas costelas, James se virou para Emmeline.
- Você não parece com tanta fome. - A loira disse olhando para o cachorro-quente com poucas mordidas e batatas fritas intocadas.
- Não muita, na verdade.
- Se quiser, podemos dividir suas batatas.
Ela pegou uma e mordeu, sorrindo para ele. O moreno sorriu de volta muito menos empolgado.
- Pode pegar tudo, se quiser. - E empurrou a embalagem das fritas para ela.
Marlene engatou uma conversa com Gideon, parecendo querer conhecê-lo melhor. Sirius prestava bastante atenção nas respostas do ruivo, apesar de não comentar em momento algum. Lily comia em silêncio, sem interesse em nada e nem ninguém.
- Acho que ele é certo para você. - Sirius comentou com Lily. Novamente, James parecia o único a ouvir a conversa dos irmãos.
- Não começa, Sirius. - Lily resmungou baixinho. - Você é oito ou oitenta, não? Agora vai começar a me empurrar para ele?
- Você não quer? Prewett seria um bom namorado.
James amassou a garrafa de plástico em sua frente com raiva e se levantou. Não disse nada para ninguém e saiu.
Aquele dia já tinha sido o suficiente para ele agora. Sim, Lily o beijou e parecia bem claro que queria beijá-lo de novo, mas Sirius com aquela nova missão de "Lily e Gideon", a coisa iria ficar complicada. Não demoraria muito para Lily se afastar e ir com o cara que o irmão não deseja matar.
Com a sua raiva e a cabeça cheia, mal percebeu que caminhou o píer inteiro. Estava sozinho ali, os pequenos postes de luzes amarelas e algumas gaivotas que tentavam dormir eram as únicas companhias. Seu celular não parava de vibrar em seu bolso e começou a se arrepender de não ter vindo com o próprio carro e ir embora naquele instante.
Espera. O trem. Ele podia pegar o maldito trem.
Burro, porque não pensou nisso antes?
Deu meia volta e quase correu aqueles 2 km de píer. Era só pegar o trem e voltar para casa, esquecer o que estava acontecendo, cair na cama e dormir.
- JAMES POTTER!
Enquanto passava pela entrada do parque e estava a ponto de atravessar a rua, ele se virou para Sirius. Ele vinha apressado até ele, com Marlene em seu encalço.
- Eu estou indo pegar o trem. - Disse assim que os dois chegaram até ele.
Sirius tinha uma expressão de culpado. Ele colocou uma mão no ombro de James e estalou a língua.
- Desculpa, cara. Marlene abriu meus olhos sobre a situação. - James ficou paralisado pelo o que viria a seguir. - Não sabia que você estava tão chateado por ter vindo com Emmeline. Pensei que você iria curtir.
- Na próxima vez, deixa que eu decido quem trazer. - James respondeu, não desmentindo o amigo sobre o que lhe chateava.
- Eu só queria fazer você mudar um pouco de ideia, parar de pensar na sua garota.
- Foda-se. Deixa isso para lá, Sirius!
Ele deu as costas e voltou seu caminho para a estação de trem.
- Espere! - Sirius gritou de novo.
- O que é? - Respondeu um pouco ríspido.
- Toma. - Sirius jogou as chaves de seu carro para o amigo. - Marlene e eu alugamos um quarto aqui. Voltaremos amanhã e pegaremos o trem. - Sirius olhou para Marlene que assentiu.
James rodou a chave do carro nos dedos. Aquela inveja que sentia dos dois era terrível. Nunca foi de desejar as coisas alheias, por mais legais que fossem. Mas aquilo, aquela liberdade de estarem com quem queriam, ele invejava
- Ótimo.
Deu as costas sem se despedir. Apertou o passo em direção ao estacionamento, pois sabia que perderia alguns bons minutos procurando pelo carro de Sirius, já que não veio com ele.
- James!
Era Emmeline. Ele apenas fez um aceno por cima da cabeça para confirmar que a ouviu, mas não parou, escutando a corrida da garota para chegar até ele. Se sua mãe estivesse ali, iria apertar as mãos em seu pescoço por ser tão mal educado, mas agora ele não tinha tempo a perder. A estrada de volta para Londres esperava por ele.
- Sei que eu fui péssimo hoje e que eu acabei de te largar sozinha na mesa, mas eu estou voltando para Londres. Então se você quiser uma carona agora, eu posso te dar. - Ele disse sem olhar para ela.
- Não, tudo bem. Gideon e Lily estão indo embora agora também e estão me esperando.
James procurava por cima dos carros, tentando achar o de Sirius. Maldição, ficaria ali até amanhã para achar aquele carro. Era melhor ligar para ele e perguntar onde estacionou.
- Então tudo bem. - Ele respondeu para Emmeline sem dar muita atenção enquanto pegava o celular. - Onde está a merda do seu carro? - Perguntou quando ouviu que a ligação foi atendida.
-Do lado oeste do estacionamento, perto de uma tenda...
Desligou antes do amigo terminar. Ele viu a tenda ao longe, na ala oeste. Agora Sirius poderia voltar a aproveitar a noite com a sua prima, enquanto ele voltava para Londres sozinho. Continuou sua caminhada apressada, mas ouviu passos atrás de si de novo e se virou.
- Você volta comigo então? - Perguntou quando percebeu que Emmeline ainda o seguia.
- Não, mas Gideon e Lily estão logo à frente. Apenas estamos pegando o mesmo caminho.
Estava tão afundado na raiva, que nem percebeu que as pessoas alguns metros à frente era o casal ruivo. Lily andava bem devagar, provavelmente bem cansada de andar durante toda a noite. Gideon ia preguiçosamente ao seu lado, sem pressa.
Tinha que ser justo: Gideon não era o pior que Lily poderia encontrar. Na verdade, ele era bem decente e um ótimo candidato para ela. Sirius, que mal podia aceitar uma mosca pousar na irmã, parecia nas nuvens com o cara. Mas tudo isso não poderia ter vindo na pior hora.
Era a pior maldita hora.
- Hey, casal. - Emmeline gritou do seu lado, fazendo os dois ruivos virarem para eles. - Esperem por mim.
Ela correu até eles, deixando James para trás.
Por que ele não recuava e deixava Gideon agir, fazer o movimento que tentava durante toda a noite? Lily merecia muito mais do que um cara que amarelava por conta do seu irmão. Mas era só olhá-la, que ele perdia tudo, especialmente do jeito que ela o olhava agora: com desejo, o tanto quanto ele devia deixar claro para ela também. Ou aquele sorriso, querendo lembrá-lo que eles haviam algo que nenhum dos outros dois ali sabiam ou sequer imaginavam. Um segredo que pertencia apenas a eles e ninguém mais.
Sozinhos. Ela disse que era apenas ela e ele, James e Lily, Descabelado e Sardenta. Era neles que ele devia pensar e focar, ninguém mais. Era para ser fácil, era para ser bom, era para ser a melhor coisa que poderia lhe acontecer.
E naquele estacionamento, James percebeu que ele poderia se deixar entrar naquela história com ela, porque ele era malditamente apaixonado por Lily por anos e não deveria existir ninguém lhe dizendo o que fazer sobre isso. Nem mesmo Sirius.
Seus lábios abriram o maior sorriso da noite. A raiva de antes estava completamente esquecida. Duvidava que mesmo Sirius, que passaria uma noite com Marlene em um hotel de frente para a praia, estaria tão feliz quanto ele agora.
- Não! - Gideon estava ao lado do carro e tinha as duas mãos na cabeça. - Não aqui! Eu não tenho o step!
Um dos pneus traseiros estava completamente no chão. No final, parecia que alguém estaria mais irritado do que ele naquela noite. Não que desejasse isso para ninguém, mas estava feliz em ter passado aquele troféu para uma outra pessoa.
- Carona? - Ele disse jogando a chave do carro de Sirius para cima e passando por eles.
- Com que carro você está contando em ir embora? - Lily perguntou.
- Aquele ali. - Apontando a chave, ele apertou o alarme e as luzes do querido carro de Sirius acenderam. - Peguem suas coisas e venham. Aproveitem o meu bom humor.
- Bom humor? Gideon trouxe todos nós hoje, o mínimo que poderia fazer era dar uma carona de volta, não?
Emmeline estava na grande defensiva do cara - e ela estava certa sobre o que dizia -, mas se ela quisesse mudar sua atenção para o ruivo, ela faria um enorme favor para ambos.
Falando nisso, ele abriu a porta e se apoiou no teto do carro enquanto encarava os três se aproximarem.
- Veja só, Lily terá que ir na frente por conta da perna. Você não se importa dela vir comigo, certo, Prewett?
- Não. - O ruivo respondeu com uma carranca enorme, mas ele parecia apenas irritado com o carro, sem perceber a maldade nas palavras de James. - Fabian vai querer me matar. Ele precisava do carro para amanhã.
Batendo na lataria do carro, James deu de ombros, pesando por ele.
- Se você ligar cedo para o seguro, eles vão lidar com isso rapidamente. Ou você pode ligar do carro, eles funcionam 24h.
Todos eles entraram. Aquela noite não poderia estar acabando de um jeito melhor. Nem acreditava que estava reclamando alguns minutos atrás. A vida parecia tão bonita agora. Teria que levar Gideon e Emmeline para casa, mas ele também teria que levar Lily.
E, claro, ela seria a última
L~J
Quando pegaram a estrada, o clima no carro parecia ser dividido por vários humores: Gideon estava irritado, Emmeline parecia frustrada e James...alegre?
Lily não entendeu aquela mudança de humor repentina dele, mas com certeza preferia vê-lo feliz do que rabugento como antes.
Já ela, estava neutra. Aquela noite não foi como o esperado e estava dividida sobre como se sentia. Não gostava de estar tratando Gideon daquele jeito, pois ele não merecia. Emmeline também não deveria estar naquele fogo cruzado.
E tinha a conversa com James. E seu beijo, mesmo que rápido, fazia seu coração pular de alegria e as borboletas voarem para todos os lados do seu estômago. As coisas não estavam concretas, ela ainda não sabia o que sairia daquilo, mas estava positiva.
Deitou um pouco no banco do passageiro, se acomodando para olhar pela janela. Gostaria de virar para o lado de James, mas não ousaria dar qualquer indício para os dois do banco de trás sobre o que ocorria com os dois do banco da frente.
A música estava baixa, perfeita para embalar um sono tranquilo e foi assim que ela acabou a viagem.
Walk me home in the dead of night
Me leve para casa na calada da noite
I can't be alone with all that's on my mind
Não posso ficar sozinha com tudo que tenho em mente
So say you'll stay with me tonight
Então, diga que ficará comigo esta noite
'Cause there is so much wrong going on outside
Porque tem tanta coisa errada acontecendo lá fora
A porta traseira do carro batendo foi o que acordou Lily. Estava um pouco perdida, mas se recuperou ao ver Emmeline indo até a porta da sua casa, batendo o pé de tanta raiva. Olhou para o lado e viu James com as mãos nos olhos e murmurando qualquer coisa.
- O que aconteceu? - Perguntou um pouco grogue.
- James não quis levá-la até a porta e ela levou isso como um insulto.- Gideon respondeu do banco de trás.
- Oh!
Balançando a cabeça, James ligou o carro de novo e saiu.
- Está tudo bem, tudo está bem. - James repetia. Ele sorriu, mas parecia um pouco forçado. - Eu pensei que ela queria brigar ou algo assim, por isso eu não desci. Essa noite foi um fracasso, como eu poderia adivinhar que ela gostaria que eu saísse e fosse com ela até lá e, sei lá, beijá-la?!
- É, cara. Às vezes elas só querem que adivinhemos o que se passa na cabeça delas. - Concordou Gideon.
- É sério isso? - Lily olhou para trás. - Só por existir gente doida, quer dizer que todo mundo é? Emmeline, talvez, apenas quis terminar a noite de um jeito diferente, mas vendo que ele não quis, aquele foi o jeito que ela lidou com a frustração.
Nenhum dos dois abriu a boca para respondê-la e Lily não sabia se achava bom ou se preferia continuar e dar uma lição sobre como sempre há explicações sobre como um homem reage a qualquer coisa, mas quando é uma mulher, a resposta é sempre a mesma: ela é doida, ela está de TPM, ela é mal comida, ela isso e aquilo. Mas deixou para lá, sem forças para aquele tipo de merda agora.
Seguiram daquela maneira até a vez de Gideon ser despachado.
- Lily, você me acompanharia até a porta? - Gideon pediu assim que James estacionou na frente de seu prédio.
A ruiva engoliu ar. Ela não tinha motivos para não acompanhá-lo como James tinha para não acompanhar Emmeline. Não poderia ser nada demais, certo?
- Claro.
O freio de mão foi puxado com força, deixando claro para ela que James não estava nada animado com a escolha. Lily nem ousou olhar em sua direção já que, afinal, ela não devia nada para ninguém daquele carro.
Sua perna tinha que se acostumar após ficar duas horas na mesma posição, então foi caminhando bem devagar, Gideon sempre ao seu lado.
- Obrigado por não ter desistido de vir comigo. - Gideon começou quando já chegavam perto da porta. - Foi legal ter conversado com você depois de tanto tempo. A gente mudou bastante.
- Dezoito anos é um pouco melhor do que quatorze e quinze. - Ela respondeu. - Obrigada pela noite, eu me diverti.
- Apesar de algumas coisas terem ficado pendentes na roda gigante. - Ele sorriu todo galante.
Ela cairia tão facilmente por aquele sorriso antes. Gideon era tão bonito e boa pessoa, mas parecia existir uma fumaça por cima dele agora, não deixando Lily vê-lo de verdade.
- Desculpa por isso, mas... é difícil.
- Por conta do seu irmão? Eu acho que ele não se importaria.
- Não, não por ele.
Gideon abriu a boca, como se compreendesse o que ela dizia. Ah não, ele havia sacado sobre ela e James?
- Certo, eu deveria ter adivinhado. Com ele falando tanta merda em Hogwarts, eu pensei que poderia ser o caso.
Lily enrugou a testa.
- Desculpe?
- Bones. Ele tem falado que vocês deram um tempo, mas que ainda estão apaixonados, querendo voltar.
Se estivessem em um desenho, Lily estaria soltando fumaça pelos ouvidos. Aquele idiota da pior espécime tinha mesmo a coragem de falar aquelas coisas? Em qual mundo louco ele vivia?
- Ele tem falado isso, é? Engraçado, está bem diferente da história que eu estou vivendo. Por favor, não dê ouvidos a Edgar Bones, francamente.
- Eu sei que ele não é alguém para se confiar, mas nunca se sabe.
- Agora você sabe. Mas obrigada por me informar sobre isso.
- Fico feliz por ter ajudado. - Gideon sorriu e deu um passo na direção dela.
Oh oh. Ele iria tentar de novo.
- Gideon, apesar de eu não estar louca apaixonada por Edgar, eu estou em uma outra fase…
- Você está com alguém?
- Não.
Mais um passo próximo a ela.
- Então você não tem interesse? - O ruivo perguntou. A voz dele era tão serena e convidativa. Tão fácil de cair naquela rede…
...caso ela não tivesse caído na rede de James Potter antes.
- O problema é…
Uma buzina assustou os dois. O coração de Lily subiu até a boca.
- Hey, eu adoraria voltar para casa logo. - James dizia pela janela aberta do lado do passageiro. - Seria bacana se vocês deixassem para conversar depois.
Com uma expressão de pesar, Lily apenas deu um beijo rápido na bochecha de Gideon.
- A gente se vê em Hogwarts na semana que vem.
- Claro. - Ele respondeu cabisbaixo. - Até semana que vem.
Acenando, ela voltou para o carro em sua super velocidade de lesma. James não tirava os olhos dela, batucando no volante e a outra mão já pronta no câmbio para engatar a primeira e sair dali. Lily olhou para trás uma última vez e viu que Gideon esperava por ela entrar no carro.
Ela desabou no banco do passageiro e James já acelerou.
- Você ouviu algo nos últimos dias sobre o que Edgar tem falado em Hogwarts?
James olhou para ela rapidamente, antes de desviar para a rua novamente.
- Não. O que ele tem falado?
- Nada. Se você não ouviu, então não deve ter se espalhado.
- O que ele tem falado? - Ele repetiu a pergunta.
- Baboseira, nada demais. Eu apenas queria confirmar.
- Hmm.
Seguiram em silêncio. Depois da conversa que tiveram no píer, ela não imaginava que ficariam tão quietos estando juntos novamente. E sozinhos. Parecia ter sido algo positivo, mas talvez tenha se enganado. Talvez James estivesse mais inclinado em não continuar - ou ela diria "nem começar" - aquilo com ela.
A garagem dos Black-Evans foi aberta e James entrou. O carro de sua mãe já estava ali, mas a casa estava com as luzes apagadas. Geneviève devia estar no vigésimo sono agora depois da semana pesada que tivera no trabalho.
- Obrigada pela carona. - Ela disse abrindo a porta.
- De nada.
Ela enrolou para sair propositalmente, esperando que James dissesse algo ou a impedisse. Mas ele não fez.
Saiu do carro e fechou a porta normalmente. Não queria deixá-lo saber o quão confusa e levemente chateada ela estava. Pegou suas chaves e quando a colocou na fechadura, foi virada para trás com urgência.
- Eu não posso ficar nem mais um segundo com tudo isso na minha cabeça.
James segurou seu rosto e a beijou. Ela o agarrou e correspondeu com todo o vigor que sentia. James a encostou na porta, colocando seu corpo todo contra o dela enquanto lhe proporcionava um beijo que Lily só podia chamar de espetacular.
O que ele tinha que o fazia beijar daquela forma era um mistério, mas Lily aproveitaria cada chance que tivesse.
- Isso é loucura e você sabe, certo? - Ele disse entre o beijo. Sua mão descendo pela coxa dela e a apertando contra o seu corpo..
- Sim. Mas a gente não se importa. - Lily respondeu colocando suas mãos por dentro da jaqueta dele, querendo arrancar aquela camiseta e jogá-la em frente da sua porta.
- Não, a gente não se importa. - James respondeu e parou de beijá-la para olhá-la. - Porque somos nós dois. Só nós dois.
Ele a beijou novamente, mas com mais ternura. Suas mãos voltaram para o rosto dela. Lily estava prestes a derreter com toda aquela explosão e delicadeza logo depois.
Finalmente. Ele parecia decidido agora. Finalmente.
- Então...estamos fazendo isso. - Disse Lily quase como uma pergunta. Precisava da confirmação dele antes de se jogar.
- Sim, estamos fazendo isso.
Foi a vez de Lily o beijar com toda a vontade, mas não o manteve por muito tempo, já que estavam se arriscando demais ali. Sirius podia não estar por perto, mas sua mãe sim.
- Eu te vejo amanhã. Para o jantar. - Ela disse o soltando com muita relutância.
- Com certeza até amanhã.
Ele se despediu com um beijo rápido. James pegou o caminho para o carro, enquanto Lily o assistia passar a mão pelos cabelos, deixando-os mais bagunçados do que o normal.
- James! - Ela o chamou. Conferiu se a mãe não estava perto de alguma janela, mas o quarto ficava para os jardins de trás da casa. Ele estava parado a meio caminho e olhava para ela. - Cuidado. - Ela sorriu. James franziu a testa, confuso. - Para não se apaixonar. - Ela sussurrou, rindo.
O rosto dele estava impassível, como se estivesse assistindo um palestrante sobre um assunto bem banal: ele não sorriu com a brincadeira, não revirou os olhos, nada. Parecia um manequim.
Ele se aproximou. Na frente dela, bem perto, ele a estudou por alguns segundos, uma expressão marota.
- Está projetando em mim um medo seu? - James perguntou.
- Um…? Medo meu? Claro que não! - Lily colocou o cabelo para trás. - Apenas achei válido dizer.
- Hm. Ok...porque isso seria apenas um lance físico, certo? - Ele voltou a perguntar, brincalhão, e cruzou os braços.
- Apenas um lance físico.
James assentiu. Ele estalou a língua e bagunçou os cabelos dela.
- Não se preocupe, Sardenta. - James enfim respondeu. O sorriso que enviou para Lily a fez quase suspirar. Realmente, esse lance físico iria acabar com ela. - Mas cuidado você…- Ele se aproximou e sussurrou em seu ouvido. - Porque eu vou me empenhar nesse lance físico e você talvez não consiga parar de querer mais.
Uma mordida abaixo de sua orelha fez seu corpo se arrepiar. E assim, James foi embora levando consigo a sanidade de Lily com ele. Enquanto o via entrar no carro e partir, teve a sensação de que a certeza de não se apaixonar talvez tenha partido com ele, porque por alguns segundos, ela não poderia dizer com tanta veemência de que seu coração ficasse protegido perto dele.
Ela poderia fazer aquilo sem se apaixonar e cair na desgraça depois?
Aparentemente ela estava indo em frente para descobrir.
N/A:
Tanto tempo sem aparecer. Olá você ai, tudo bem?
Será que vocês estão pegando o que é essa fic com esse final? Não é "ennemies to lovers", nem "best friends to lovers"... o lovers já está ai, mas acho que vai virar outra coisa =x
Resposta para reviews sem login:
Gabi: Eeeba voce ama a fic. Obrigada, linda. Espero que tenha curtido esse capitulo. Tentarei nao demorar na proxima xD Beijoooos
Mah: A gente se pergunta toda hora "Sirius, por que?" nessa fic, mas ele tentou se redimir dessa vez, porém...nao exatamente como os envolvidos queriam xD Espero que tenha curtido,linda. beijoooos!
Depois do que eu passei para reeditar, a raiva que passei com o James, toda a revisão desse capitulo de 51 paginas de word (22700 palavras), eu mereço aquele coments marotinho que a gente gosta ;)
Espero não demorar tanto na proxima vez. E já sabem: sneak peeks em alguns dias no Instagram :D
Beijooos
P.S: O F.F não avisou quando eu postei Duelling. Nem sei se vai avisar para esse também, mas caso você siga a minha outra fic, vai lá dar uma lida no ultimo cap ;)
