J~L


I got no regret right now (I'm feeling this)

Não tenho nenhum arrependimento agora (estou sentindo isso)

The air is so cold and low (I'm feeling this)

O ar está tão frio e baixo (estou sentindo isso)

Let me go in her room (I'm feeling this)

Deixe-me ir ao quarto dela (estou sentindo isso)

I want take off her clothes (I'm feeling this)

Eu quero tirar as roupas dela (estou sentindo isso)

Show me the way to bed (I'm feeling this)

Me mostre o caminho da cama (estou sentindo isso)

Show me the way you move (I'm feeling this)

Me mostre o jeito que você se move (estou sentindo isso)

Fuck it, it's such a blur (I'm feeling this)

Porra, está tão embaçado (estou sentindo isso)

I love all the things you do (I'm feeling this)

Eu amo tudo o que você faz (estou sentindo isso)

(Feeling this - Blink 182)


Eram manhãs como aquela que Lily sentia a falta do irmão. Manhãs calmas, silenciosas e que poderiam ser aproveitadas para relaxar, mas ela as odiava.

Eram prelúdios de um uma rotina não muito longínqua. Agora com ambos aceitos em Oxford e com certeza não estariam dividindo um apartamento, tinha que se acostumar com a ausência dele.

Não que Sirius fosse deixá-la em paz ou vice-versa, mas não teriam mais seus momentos que ela tanto estava acostumada.

- Acordou tarde hoje.

Geneviève entrou na cozinha e deu um beijo no topo dos cabelos ruivos da filha.

- Eu tomei um remédio a mais ontem quando cheguei de Southend-on-Sea e isso me nocauteou.

- Está melhor, pelo menos?

- Sim, estou melhor. Minha consulta com o médico é na semana que vem. Veremos se ele mudará alguma coisa.

- Ou pedirá exames. Eu recebi os detalhes das últimas duas sessões de fisioterapia. Você está indo bem, mas ele está preocupado com as dores constantes.

- As dores são constantes, mas não sinto que estou piorando.

Servindo-se do café já pronto, a mãe sentou-se no lugar de Sirius pelas manhãs, de frente para ela. Lily sorriu aliviada com aquele lugar sendo preenchido.

- Como foi ontem à noite? Você se divertiu? - Perguntou Geneviève.

- Foi legal. - A filha respondeu. - Sirius não está aqui, aliás.

- Não? Mas o carro dele está lá fora. Ontem à noite eu vi o carro de James e não o do seu irmão. Hoje de manhã, eu vi o carro do seu irmão, mas não o de James.

- Sirius ficou em Southend-on-Sea...com Marlene.

O tom de voz malicioso foi o suficiente para que Geneviève sorrisse.

- Verdade?

- Alugaram um hotel, mas voltarão hoje. James nos trouxe de volta.

- Certo. - A mãe mexeu no café por alguns segundos. - Sirius e Marlene, hm? Eles estão namorando?

- Não faço ideia, mas espero que sim. Aliás, ela está vindo pra cá hoje, vai ficar para o jantar. E dormir aqui.

Elas se entreolharam, antes de baixarem o olhar para seus respectivos cafés da manhã.

- Eu acho ótimo, mas não podemos oferecê-la o quarto de hóspedes, já que Andrômeda e Dora ficarão lá.

- Ela pode ficar no meu quarto. - Lily respondeu. - Ou… - Ela não terminou a frase. Geneviève ficou inquieta no lugar. - Mãe, qual é? Você acha que eles passaram a noite lá, cada um em um quarto de hotel?

- Com certeza não. - A mãe respondeu.

- Além do mais, não seria a primeira vez de Marlene dormindo no quarto de Sirius, só para te avisar.

- Seu irmão já trouxe Marlene para dormir aqui?

- Claro que sim e não foi a tanto tempo. Então apenas deixe que fiquem juntos no quarto dele, não há problema algum.

Geneviève mergulhou em pensamentos e Lily segurou para não rir. Talvez foi um erro ter dito sobre o irmão entrando e saindo às escondidas com alguém, mas talvez ajudaria mais do que atrapalharia.

E se ele tomasse um esporro, bem...ele merecia, às vezes.

- Eu lembro daquele menininho de cabelos escuros caindo nos olhos grandes e curiosos. Sirius era o menino mais lindo que eu já tinha visto, como se tivesse saído do paraíso. - Geneviève sorria para o nada, completamente perdida em lembranças. - Eu pensei que seria tão difícil ganhar a confiança dele, eu tinha tanto medo dos traumas serem tão fortes e ele me empurrar para longe. Mas ah, que alegria. Na primeira noite, ele aceitou jantar comigo ao seu lado, contando sobre a cama que Orion havia comprado para ele em formato de carro. Logo após comer, ele quis me levar até lá e me mostrar. Me deixou sentar e começou a trazer todos os brinquedos favoritos que tinha. - Ela suspirou. - E agora, meu pequeno com uma namorada.

Adorava ouvir histórias de quando eram pequenos, assim como assistir as centenas de vídeos cassetes de seu pai. Era triste saber que hoje em dia um vídeo é tão fácil de ser feito e assistido, que quase perde a graça. Mas as fitas cassetes...elas trazem um toque todo especial, mesmo para as filmagens mais aleatórias do dia a dia.

- O seu pequeno não é tão pequeno agora.

- Ele vai continuar o meu pequeno. - A mãe alcançou sua mão pelo balcão. - E você a minha pequena.

- Eu posso ser considerada pequena ainda. - Lily apertou a mão de sua mãe.

- Você não é tão baixa quanto pensa, Li. - A mãe revirou os olhos elegamentemente, se é que Lily poderia dizer que aquele gesto era um revirar de olhos. - Sabe, eu sempre pensei que você seria a primeira a trazer um namorado aqui. Bem, eu conheci o tal Edgar, mas vocês não ficavam aqui em casa.

- Culpa do seu pequeno. - Ela murmurou, mas a mãe não parecia ter escutado.

- Quando eu era adolescente, eu conversava horas e horas com a minha mãe sobre os garotos que eu gostava. Ela me ajudava muito, me guiando, me abrindo os olhos...eu sempre quis ser essa mãe, sabe? Com a minha pequena. No começo, eu te imaginava crescendo como uma garotinha romântica, suspirando por aqui e ali. Mas nossa, eu não pude estar mais enganada - Geneviève riu gostosamente. - Você cresceu tão forte e decidida, não precisa de conselhos da sua mãe sobre os garotos.

- Mãe! - Lily disse gentilmente. - Você é uma mãe espetacular e você me ajuda mais do que pensa. Você foi forte e decidida, me ensinando a ser exatamente assim. Pode ter certeza que eu virei até você caso eu precise.

Geneviève pareceu quase aliviada. Lily nunca percebeu o quanto sua mãe desejava uma ligação daquelas com ela, mas a ruiva menor sempre foi tão tranquila com o assunto garotos…

- Andy e Dora chegarão em meia hora. - Geneviève pareceu enxugar uma pequena lágrima teimosa e se levantou. - Vou tomar banho e ficar pronta. Teremos lasanha para o jantar hoje.

- Perfeito.

- Sabe se estamos esperando alguém mais?

- Alice não poderá vir, mas teremos Marlene, James e Remus.

- Ah…- Geneviève balançou a mão no ar e riu, enquanto saía da cozinha. - Com os dois últimos eu já contava.

Dando a última garfada na última fruta da sua tigela, Lily mal podia esperar pela família Tonks.


James encarava a tela do celular como se estivesse prestes a explodir ou que uma frase insultando sua mãe piscasse para ele.

Mas não era nada disso.

- Filho de uma…cacete!

Ele passou aquela fase maldita daquele jogo maldito. Não estava acreditando. O café quase espirrou para todo o lado quando ele colocou a xícara na mesa. Tinha aberto o jogo apenas para se distrair durante o café da manhã no seu lado da casa dos Potter, sem expectativas de nada, sem querer ler as notícias ou entrar em qualquer aplicativo social. Só abriu o jogo e, de primeira e apenas uma mão, ele passou. Não estava acreditando.

- E eu só precisei pagar com a minha sanidade por dias.

A silhueta da sua mãe na porta de vidro da frente chamou sua atenção. Ela acenou e James pediu para que entrasse.

Euphemia Potter, como sempre, estava elegante. Ela ainda tinha aquela velha mania que pegou de sua mãe de sair do quarto toda impecável. Vinda de uma família tão abastada, Euphemia mantinha velhos costumes ainda vivos, apesar de ter a cabeça como um pássaro livre.

- Você parece feliz. - Ela disse da porta.

- Feliz? Eu não sei se é o adjetivo certo. Eu consegui algo que vinha tentando há tanto tempo, que eu estou quase desapontado de ter sido fácil.

Refletiu por um momento. O começo daquela frase poderia ser usado para duas coisas recentes em sua vida, mas uma delas com certeza não o estava deixando desapontado e muito menos foi fácil. Muito, muito pelo contrário.

- Algo sobre a Universidade? - Euphemia perguntou.

- Mãe, quando eu resolver sobre isso, você será uma das primeiras a saber. - Respondeu ele colocando o celular para baixo e a encarando.

- Filho, não pode arriscar esperar por tanto tempo. Eles esperam uma resposta rápida.

- Eu sei. - O moreno suspirou. - Eu vou decidir nas próximas semanas, certeza.

- Por que não escolhe Oxford de uma vez? Todos sabem que você e Sirius são grudados.

Era verdade que Cambridge lhe interessava mais sobre a grade curricular, mas Oxford era tão boa quanto e seu melhor amigo estaria lá.

E a irmã dele.

Não que isso significasse grande coisa. Estava tudo bem claro sobre o que estava ocorrendo entre eles: era um lance físico. E essas coisas não costumavam durar muito, pelo menos nunca durou muito com ele. Era fácil você se pegar aqui e ali, ter algumas noites juntos aqui e ali e depois PUF. Acabou. A vontade acabava, o tesão acabava e antes que qualquer um começasse a nomear aquilo como um namoro ou algo do tipo, era melhor cair fora.

Não sabia o que Lily queria daquilo, até onde ela queria ir. Apenas uns beijos escondidos? Uma noite juntos? Alguns amassos? Não tinha ideia. Para falar a verdade, ele não se importava muito. Depois de ter certeza na vida de que nunca teria uma chance com ela, agora que tem, não iria desperdiçá-la. Iria até onde ela quisesse, mas entre todos aqueles pensamentos, James tinha certeza de uma coisa: ele iria dar o seu melhor, independente de qual fosse a vontade dela.

Não podia deixar essa oportunidade passar. Então se ela quer um lance físico, ela teria um senhor lance físico. Ou o melhor que puder dar.

- É uma garota, não é?

Levou um susto com a empolgação da mãe. Tinha esquecido que ela ainda estava ali.

-Euphemia! Parece uma vitrola velha com problema. Deixe o garoto em paz!

A voz do pai soou pelo jardim, entrando diretamente na pequena cozinha de James. O filho sorriu enquanto a mãe marchava até a porta.

- Fique quieto, seu velho enxerido. Eu tenho o direito de conversar com o meu filho.

-E contar tudo para os vizinhos enquanto faz isso aos berros. Eu não tenho 100% da audição e consigo te ouvir daqui!

Euphemia rugiu e deu as costas, voltando até o filho.

- O que você dizia, querido?

- Eu não dizia nada. - James respondeu, brincalhão.

- Certo, você não quer me contar sobre a pessoa em questão. Tudo bem, James Fleamont, tudo bem. Você faz jus ao nome que tem.

- E você me ama por isso.

A mãe soltou uma risadinha engraçada.

- Não posso discordar. - Ela fez um carinho rápido no rosto dele. - Agora vou voltar para casa e colocar um pouco de sonífero no café do seu pai. Talvez, assim, ele me dê alguma paz para terminar meu livro.

- Para depois você sentir falta dele e o acordar.

- Exatamente.

Ela respondeu e saiu da casa. James respirou fundo e se recostou na cadeira.

Parecia que as coisas estavam se encaixando em sua vida agora.


- Lily!

Ninfadora, ou para todos mais conhecida como Dora, pulou na ruiva assim que esta abriu a porta, e a abraçou.

A foto que Lily tinha da prima não era digna do que ela tinha diante de seus olhos. Dora Tonks estava maravilhosa em todos os sentidos, com um rosto maduro, os cabelos com algumas mechas azuis. Lily sempre quis ter cabelos azuis, mas achava que não combinaria com os ruivos.

- Você está ótima. - Lily disse com empolgação. - Eu senti muito a sua falta.

- Tenho certeza que não. Você foi tão gentil anos atrás, quando eu era uma piveta chata.

- Eu não te achava uma piveta chata. - Lily se defendeu.

- Verdade. Esse era Sirius.

Sendo empurrada levemente para o lado, Andrômeda Tonks entrou em seu campo de visão.

Ali, na sua frente, estava um dos magníficos exemplares do gene Black. Andrômeda era uma mulher maravilhosa da cabeça aos pés, de dentro pra fora. Ela e suas duas irmãs (não tanto Bellatrix, é verdade) eram maravilhosas. Lily tem essa lembrança de estar em um evento da família Black quando era criança, um dos raros eventos que Orion participou quando Lily já fazia parte da família, e pôde ver as três irmãs juntas. Eram como aquelas deusas gregas desenhadas em um vaso antigo, com traços perfeitos, cabelos sedosos e sorrisos bem alinhados. Lily não era chegada a Bellatrix. Narcisa foi gentil uma vez ou outra, na maior parte preferindo ficar junto ao seu namorado - que hoje é recém-marido -, nunca se misturando tanto, principalmente com as crianças. Mas Andrômeda era a pessoa mais coração puro, toda sorrisos, brincadeiras, fazendo Lily e Sirius gargalharem.

Além do mais, Andy - como era conhecida - tinha alguns trejeitos de Orion. Ter alguém bem a sua frente que a lembrava do pai, fazia Lily querer sorrir sem parar.

Sem dizer nada, ela apenas abraçou Andy. A mulher sabia porquê Lily a abraçava daquele jeito, do porquê passar tantos segundos sem se mexer. E Lily também sabia o motivo de Andy abraçá-la forte de volta.

- Como você está, querida? - Andrômeda perguntou quando soltou Lily.

- Bem. Vocês fizeram uma boa viagem?

- Sim, foi tranquila. Dora dormiu em algum momento, me dando um pouco de paz.

Dora bufou seu descontentamento do outro lado da sala.

E quebrando a conversa, a porta da frente abriu novamente. Um surpreso, mas sorridente Sirius entrava. Ao seu lado e de mãos dadas, estava Marlene. Lily viu quando as três outras mulheres do recinto olharam para o casal recém-chegado com espanto e alegria.

- Aparentemente você irá encontrar todo mundo de uma vez. - Sirius comentou para Marlene. - Olá, mulheres da família.

Andrômeda foi a primeira a se jogar para frente e abraçar Sirius. E ali Lily assistiu novamente aquela troca de sentimentos de ambos os lados. O irmão amava Andy como Lily amava, e tendo-a como um pedaço de Orion andando pela terra também. Para Andrômeda, Sirius e Lily eram os outros dois pedaços.

- Eu disse para Sirius quando o reencontrei em Oxford, mas vou dizer novamente: desculpe pelas palavras, querido, mas você está a cara da família Black.

- Eu ainda não decidi se considero isso bom ou ruim.

- Neste quesito, eu diria bom. É a única coisa boa que aqueles genes nos deram.

Dora deu um passo à frente e assim que sua mãe deixou um espaço, ela abraçou Sirius.

- Para mim, você continua chato e feio. - Ela disse.

- Para mim, você continua insuportável e horrenda. - Se afastando das duas, ele foi até a mãe e lhe deu um beijo, ganhando um afago nos cabelos. - Oficialmente, eu quero apresentar Marlene McKinnon para todas vocês. Marlene, essa é Andrômeda, Dora...e a minha mãe.

As duas primeiras cumprimentaram Marlene com entusiasmo. Quando Dora estava soltando Marlene, Lily percebeu a mãe enxugando uma lágrima rapidamente antes de ir até a garota. Era a segunda vez que a mãe chorava naquele dia e pelo mesmo motivo.

- Seja bem-vinda, Marlene. É um prazer enorme conhecê-la oficialmente, apesar de já tê-la visto de longe há alguns anos.

- O prazer é meu.

Lily se aproximou do irmão e limpou a garganta.

- E eu?

- Você o quê? Você já conhece Marlene.

- Eu não ganho nem um cumprimento seu, bocó?

Revirando os olhos, ele a abraçou pelo pescoço, esmagando Lily entre seus braços e seu peito.

- Você sentiu a minha falta. - Ele disse com um tom sorridente.

- Um pouco. Mas bem pouco.

Sirius deu um beijo em seus cabelos e a soltou.

- Eu senti sua falta também.

- Hunf, claro.

- Hey Lily.

Marlene, como sempre, sorridente e linda. Percebeu agora, olhando ao redor, que dificilmente poderia estar mais feliz do que aquilo, considerando a vida atual. Orion não estava com eles, mas havia muitos representantes naquele cômodo que a deixava como se estivesse ao seu lado.

Com Marlene ao lado de Sirius, sentia que o irmão era a própria felicidade ambulante. O quanto aqueles dois estavam apaixonados um pelo outro era absurdo.

Agora só faltava esperar pelos outros dois convidados do jantar. E um deles ela mal podia esperar para ver.

J~L

- Eu vou matar Sirius. E você! - Remus disse assim que James entrou como carro no pátio da casa dos Black-Evans.

- Eu? Eu?! Qual seria a minha culpa nisso, Remus?

- Não sei, mas normalmente você está envolvido nas coisas que eu reprovo. Isso quando não é o próprio mentor.

James gargalhou.

- Você é um idiota. Eu não estou envolvido em nada que diz respeito à Dora. Mas escute. - James segurou Remus, que estava prestes a sair do carro. - Se você não quer, você não faz nada. As coisas são simples assim.

- Não quando Sirius tem algo em mente.

- Sirius não manda em você, nem em ninguém.

- Eu não estou falando sobre ele me forçar a algo, mas sobre as situações que eu sinto que ele tentará me colocar.

- Você é esperto, sabe como se esquivar das coisas. - Os dois saíram do carro e caminharam até a porta de entrada. - Além do mais, eu acho que você está fazendo tempestade em um copo d'água sobre isso.

- Você não conhece o seu melhor amigo, James?

- Conheço e sei que ele não te forçaria a nada. Não nego que ele vai testar o terreno, mas vendo que você não quer, ele vai parar. Sirius não está fazendo isso na maldade.

A porta abriu, fazendo os dois se virarem assustados e impedindo Remus de responder.

- Eu pensei ter escutado uma conversa aqui fora.

Lily sorria para eles. James, sem nem perceber, sorriu de volta. Se Remus estivesse prestando atenção nele ao invés de querer botar fogo no mundo, perceberia que aquele sorriso estava além de apenas amigos se revendo.

- Vamos ver quem vai rir por último. - Remus bradou, mas deu um beijo em Lily e entrou quase batendo os pés. A ruiva seguiu-o com o olhar, surpresa pelo humor tempestuoso.

- A coisa toda com a sua prima. - James explicou a irritação do amigo.

- Uma tempestade em copo d'água, se quer a minha opinião. - Ela respondeu e apontou para dentro. James riu de leve com o comentário idêntico ao seu. - Vamos, Descabelado, não temos a noite inteira. Há algumas cebolas para serem cortadas ainda.

- Cozinhando para nós? Você? O que será, macarrão? Água morna? Talvez frutas?

Lily mostrou o dedo do meio e fez uma careta para ele enquanto fechava a porta.

- Não é pizza congelada, pelo menos. Eu soube que é isso que vocês comem na sua casa.

James começou a segui-la para a cozinha.

- Com os caras, sim. Mas você não sabe como o meu café da manhã é bom. - Respondeu baixinho. Havia uma conversa bem alta na cozinha, impossibilitando ouvir o que diziam, mas era sempre bom tomar cuidado.

- E você ousa comer o meu café da manhã quando vem aqui. - Ela retrucou na porta da cozinha, olhando para ele.

- Porque ele é muito bom também. Imagina se juntássemos nossos dons.

Ele adorava provocá-la. Aquele olhar sabichão dela, sempre querendo sair por cima, era uma delícia vê-lo ser substituído pela consternação. Ou considerando os últimos acontecimentos, a consternação e a vontade.

Ao invés de respondê-lo, Lily sorriu de lado, a maior cara maliciosa que James já viu nela, e entrou na cozinha.

- James Potter! - Andrômeda lhe pegou nos braços com força sem dar-lhe tempo sequer para ver o seu rosto, mas ele a abraçou de volta. - Veja só como você cresceu. Está um gato.

A família Black tinha algum pacto com alguém do submundo, pensava James, porque eles eram todos bonitos. James lembrava das irmãs Black, de alguns tios e tias de Sirius também. O próprio Sirius e Orion sempre chamaram muito a atenção. Andrômeda continuava linda como ele se lembrava.

- Mãe, não começa com essas gírias dos anos 90. - Uma voz reclamou logo ao lado.

E Dora seguia o mesmo caminho. A garota estava bem mudada desde a última vez, bem longe dos traços de 12 anos, o rosto mais fino, os cabelos coloridos...era claro que ela tinha atitude, como uma pessoa com sangue Black, apesar dela ser uma Tonks.

- Veja só quem saiu das fraldas. - James brincou e a cumprimentou.

- E veja só quem ainda está usando. - Dora retrucou.

- Ele nunca saiu delas. - Ouviu a voz de Marlene vindo de algum lugar da cozinha.

Passou rapidamente por todos, cumprimentando um por um. Quando parou ao lado de Remus, viu o rosto dele vermelho, como se tivesse levado dois tapas bem fortes de cada lado.

- Está tudo bem? - Perguntou. Remus olhou para ele e depois desviou o olhar para qualquer lugar da cozinha.

- Sim.

- Por que você está com vergonha?

- Eu não estou com vergonha. - Remus respondeu emburrado.

- Eu te conheço, Lupin. Você está morrendo de vergonha, está tímido. Qual é?

James olhou para trás e seus olhos caíram em Dora que conversava com Lily, Marlene e Andrômeda do outro lado da cozinha. James abriu um sorriso enorme e se virou para o amigo.

- Não começa. - Remus o advertiu antes mesmo de James abrir a boca.

- Começar o quê?

- A falar suas abobrinhas.

James se postou ao lado dele, virado para as mulheres. Geneviève e Sirius estavam perto da geladeira, conversando e separando alguns ingredientes.

- Bonita, não? - James comentou.

- Cala a boca.

- Sirius me disse que ela tem uma personalidade do diabo, no bom sentido.

- E daí?

- Solteira...vai se mudar para perto, depois tentar Oxford.

- Bom para ela.

O rosto de Remus ficou mais escarlate ainda quando Dora cruzou o olhar com o dele. James fingiu tossir para rir.

- Sim, bom para ela. - Batendo o pé despretensiosamente, James se aproximou ainda mais do amigo. - Não seria legal chamá-la para sair?

Estava apenas apertando aqueles botões para irritá-lo e por ter visto que Remus, provavelmente assim que viu Dora, percebeu que as coisas poderiam não ser tão ruins assim.

- Talvez. Por que não vai lá tentar? - Remus jogou a pergunta de volta.

- Apesar de tudo, ela não me atrai.

- Hum, certo. Não é essa parente de Sirius que te agrada, não é?

Arrumando a postura, James deu uma olhada torta para ele antes de começar a se afastar.

- Vou ajudar Geneviève. Me parece mais útil do que ficar aqui com o seu mau humor...só porque tá aí mordendo a língua depois das merdas que falou de Dora antes.

- Vai lá cortar cebola e disfarçar seu choro, Potter.

- Idiota.

Pelo canto de olho, Lily percebeu que James foi em direção do irmão e da sua mãe. A ruiva ajudava Andy com a sobremesa, enquanto conversavam com Dora e Marlene. As Tonks pareciam querer conhecer tudo da garota, tentando arrancar qualquer coisa possível dela. Até o momento, Marlene se deu bem, sem nem gaguejar, deixando Andy e Dora satisfeitas em como ela se saiu.

- E quando Sirius for para Oxford? Vocês têm planos?

- Tia! Perguntar do passado e do presente é uma coisa…

- Não se preocupe, Lily, está tudo bem. - Marlene a tranquilizou. - Nós falamos um pouco sobre isso, mas não temos nada tão certo ainda.

- Vocês vão morar juntos? - Dora perguntou e levou um cutucão de Lily por baixo da mesa.

- Quem sabe? Veremos no começo do semestre.

- Ok, Tonks, parem de pegar no pé dela. Sirius gosta demais de Marlene para aceitar que vocês a assustem com tantas perguntas.

Marlene olhou para Lily e sorriu. Ela arriscaria dizer que era um sorriso de agradecimento e não era um agradecimento por pedir para que os familiares parassem de fazer perguntas, mas por comentar sobre o quanto Sirius gostava dela. Ele ainda não disse o quanto gostava de Marlene? Seu irmão era um imbecil desse calibre?

Olhou para o outro lado da cozinha e fuzilou o irmão com o olhar. Sirius, parecendo sentir ser observado, olhou para a irmã.

- O que foi? - Ela leu seus lábios.

- Eu vou te matar depois. - Lily respondeu.

Virou a atenção para as garotas novamente, dando as costas para ele. O que mais tinha que acontecer para Sirius dizer para Marlene o quanto gostava dela? A garota estava em sua casa, conhecendo uma parte de sua família, iria dormir ali e sem ser escondida…era tão difícil assim para ele? Seu irmão estava com a cabeça tão ferrada graças as coisas do passado, sua mãe biológica, que o impedia de dizer para a garota que ele era apaixonado, de que ele era apaixonado por ela?

- E você, Dora? Você tem alguém em Carlisle? - Marlene perguntou.

- Tive, mas muito imaturo. Os caras nessa faixa de idade são tão entediantes.

Andy tinha uma expressão jocosa, meneando a cabeça.

- Não posso discordar. - Lily comentou.

- Nem eu. - Marlene concordou.

- Dezesseis anos é uma idade um pouco complicada para um garoto. - Andy começou enquanto levava a sobremesa até a geladeira. Quando voltou, olhou para as três à sua frente com toda a sua sabedoria. - Mas alguns conseguem melhorar rapidamente. Isso aconteceu com o seu pai. - Ela olhou diretamente para a filha. - Assim como eu vejo essa mudança em Sirius. Não o vejo há alguns anos, mas fiquei tão surpresa em Oxford. Tão responsável, tão assertivo…

- Responsável por alguns pontos de vista. - Lily a corrigiu. - Sirius ainda consegue fazer muita merda.

- Apesar de tudo, ele tem apenas dezoito anos, querida. - Disse Andy, sorrindo. - Mas não são todos os caras nessa idade que vão até Oxford para tratar da aceitação da irmã com o gestor.

Seu rosto ficou vermelho. Sim, era verdade. Sirius simplesmente se viu em um papel que não lhe cabia, o de pai, indo até lá para ajudá-la. Ele não era responsável por ela, nem deveria ser, pois era apenas o seu irmão…mas sabia que era assim que ele se via.

- Mamãe não disse isso para te deixar sem graça. - Dora rapidamente adicionou.

- De jeito nenhum. - Andy concordou com a filha. - Apenas quero mostrar que ele está crescendo e se tornando um homem espetacular.

- Sim, ele está. - Marlene suspirou ao seu lado, fazendo as outras três a observarem fixar os olhos no dito cujo.

Lily tinha seu limite sobre falar sobre o seu irmão e aquele limite foi alcançado ali, com Marlene babando nele. Rindo, ela desviou o olhar daquela cena romântica e viu James ajudando sua mãe, fazendo-a rir enquanto ele cortava cebolas para ela. Podia ser uma cena completamente normal, e na verdade, era. Quantos jantares os garotos não ajudaram a preparar antes? Uma vez, James colocou fogo no macarrão por estar distraído e Remus derrubou o bolo de aniversário de Sirius ao levá-lo para a mesa. Eram cenas corriqueiras, mas que Lily nunca viu com aquela perspectiva antes.

Quando na sua vida ela veria James cozinhando em sua casa e pensaria que ele estava tão lindo com aquele pano de prato no ombro, manuseando a faca tão bem e fazendo piada ao mesmo tempo?

- Mas sabe quem também cresceu? James e Remus. - Dora dizia. Lily desviou o olhar de James e de sua mãe, voltando para a conversa.

- Ah, eles estão enormes. Tão crescidos, com certeza. - Andrômeda respondeu. Dora revirou os olhos.

- Não estou falando disso, mãe. - Dora lançou olhares para Lily e Marlene. - Eu não estava esperando por tudo isso, se é que vocês me entendem.

Dora deu uma olhada para Remus e depois para James. Lily limpou a garganta e começou a recolher os ingredientes que sobraram da sobremesa, os ajeitando.

- Você tinha uma paixão por Remus. - A ruiva jogou no ar enquanto fechava o saco da farinha com uma certa força desproporcional.

- Ah, sim. Aquilo foi vergonhoso. Por que ninguém me disse nada sobre isso? Eu ficava na cola dele, coitado.

- Eu acho que dissemos, querida. - Andrômeda disse aos risos. - Mas você é cabeça dura desde sempre e não quis largar o osso. Você era uma criança e ele já um adolescente, estava tudo completamente errado.

- Agora eu não tenho uma diferença enorme, não? Digo, somos todos adolescentes.

- Bem, sim. E ele me parece tão correto.

- Ele tem a mesma idade de James. - Dora voltou a falar, olhando mais atentamente o dito cujo do outro lado da cozinha.

Lily não se pronunciou. Nem deveria, na verdade. Quem era ela para falar ou achar ruim qualquer coisa relacionado a James? Ou James com Dora? Se acontecesse um interesse mútuo, ela ficaria quieta e aceitaria. Com uma vontade que não foi saciada, mas aceitaria.

E sorte seria da prima.

- James não é para você, Dora. - Andrômeda comentou cruzando os braços, bem pensativa.

- Por quê não?

- Ele tem a mesma idade de Remus, mas longe de ter a mesma inocência. - Respondeu a mãe. - Deve quebrar alguns corações aqui e ali.

- Ele é um cara muito desapegado. - Disse Marlene. - Não digo que ele não vá achar o amor da sua vida, mas ele não está procurando.

- Talvez o amor da vida dele chegou. - Dora riu e abriu os braços. Ao ver a mãe com uma clara expressão de divergência, a garota cruzou os braços. - Eu acredito no que Marlene diz, porque ela conhece o primo que tem. Mas como você poderia ter qualquer opinião sobre ele, sem conhecê-lo bem hoje em dia?

Andrômeda respirou fundo, parecendo pesar se valia a pena dizer o que se passava por sua cabeça.

- Eu conto com a minha experiência para dizer isso. O olhar dele, o jeito que fala... Não me entendam mal, não é ruim, nada ruim. Pelo contrário, é bom, hipnotizante, muito atraente. James é o tipo de cara que sabe o que está fazendo quando está com você e, acredite, ele não vai te decepcionar. Mas ele já está no estágio de entreter pessoas mais velhas e não você, com 16 anos. Você combina mais com Remus. - Andrômeda insistiu. - James não é para você.

Ah, não. Lily arriscaria dizer que James Potter não era para menores, muito longe de ser para menores. Não sabia o quanto a sua prima já aproveitou da sua vida amorosa, mas se ela tivesse algo com James, imaginava-a saindo de cabeça para baixo, sem saber o trem que a acertou.

- O que você acha, Lily?

Dora olhava para ela, curiosa.

- O que acho de James?

- Sim.

- Que vocês não poderiam descombinar mais do que já descombinam.

Ela foi sincera, independente de qualquer coisa. Era simplesmente irreal, muito sem química. E sim, isso foi fácil de se prever apenas quando eles se cumprimentaram. Não precisava de mais daquilo para saber.

E é isso.

- De qualquer maneira, eu não estava falando sério. - Dora respondeu. Ela apoiou os cotovelos na mesa e fixou seu olhar em Remus.

Ah, a paixão juvenil que voltava com força agora. Lily quase riu ao ver a prima babando em Remus, mas preferiu não comentar nada. Seus olhos cruzaram com os de Marlene e elas sorriram, cúmplices. Andrômeda deu um tapinha no ombro das duas.

- Eu vou guardar e limpar tudo isso. - Andrômeda fez menção de sair, mas Lily a impediu.

- Deixa comigo. Você já fez toda a sobremesa.

Pegou os ingredientes e foi em direção a James e Geneviève. Ele terminava sua tarefa e sua mãe pegava as cebolas e levava para a mesa do terraço, onde Sirius fazia as milhares de camadas da lasanha com bastante atenção. Lily estava guardando todos os ingredientes e deu uma olhada para o lado, onde James lavava suas mãos. Ele a olhou de volta e sorriu.

Após guardar a manteiga, ela olhou para o resto da cozinha onde cada um parecia ocupado com algo. Ela foi até ele despretensiosamente.

- Tem algo nesse armário que preciso pegar. - Ela disse enquanto apontava para o armário embaixo da pia, onde James ainda lavava as mãos.

- Tem? Que pena, eu estou ocupado agora. - James respondeu. Ele fechou a torneira e pegou o pano de prato de cima do ombro e começou a enxugar lentamente suas mãos, apenas para não sair do lugar. - Hunf. Minhas mãos ainda estão cheirando a cebola, melhor lavá-las de novo.

Encheu as mãos de sabão e voltou a esfregá-las. Ela soltou o ar pelo nariz, vendo que ele nunca iria parar de provocá-la, mesmo após os beijos, toques e loucuras entre eles.

Bem, ela tinha suas próprias armas de provocações também.

- Sem problemas, mas eu não posso esperar.

Lily se aproximou dele e enfiou sua mão entre o corpo de James e o armário. Pegando-o de surpresa, ele se afastou um pouco para não machucá-la, dando acesso para Lily abrir o armário. Mas ela não abriu.

- O que está fazendo?

- Pegando o que preciso. - Ela respondeu.

- Sua mão não está dentro do armário.

- Pois é, está difícil chegar até lá.

Ela não o tocava intimamente, mas não estava longe. Sua palma estava espalmada na coxa dele e suas unhas arranharam o jeans, subindo um pouco mais. James parou de esfregar as mãos e as apoiou na lateral da pia.

- Não brinque quando você pode não aguentar as consequências, Lily!

- Hm! Fiquei curiosa em quais consequências isso aqui pode levar.

- Se ficar aí por mais alguns segundos, você vai descobrir.

Oh. Aquilo fez com que ela sorrisse enormemente.

- Isso é uma ameaça? - Ela não resistiu e apertou a coxa dele um pouco mais forte.

- Não, apenas um aviso. - A voz dele estava comedida.

- Neste caso, então é melhor você dar espaço para que eu pegue o que eu preciso dentro do armário, não? - James a encarou por alguns segundos antes de se afastar e deixar o caminho livre.

Pegou o produto que precisava e quando fechou o armário, ela levantou a mão e a deslizou pela frente da calça dele. James fechou os olhos e riu, sem acreditar.

- Obrigada. - Ela disse no tom mais baixo possível.

Ele não respondeu, então Lily deu as costas e voltou para a mesa, limpando a bagunça do preparo da sobremesa.

Enquanto a lasanha estava no forno, eles serviram os aperitivos em volta do balcão da cozinha, conversando em grupo. A rodada de vinho já estava na quarta garrafa, sendo esvaziadas por 6 das oito pessoas presentes. Dora e Lily eram as únicas com suas bebidas "infantis", como a ruiva chamou.

- Acho desnecessário eu ficar apenas no suco, mãe. - Lily resmungou com Geneviève.

- Um pouco já é muito para os remédios, querida.

- Até Dora teve um pouco, mesmo com Andy reclamando que ela não podia ainda.

- Dora não está em tratamento.

Ela desistiu e pegou seu copo de suco, bebendo um pouco contrariada enquanto a mãe lhe lançou um olhar de fim de conversa. Estava sentindo-se uma criança entre os adultos.

- Dois goles e só. - A voz do seu irmão surgiu ao seu lado. Quando se virou, Sirius oferecia a própria taça disfarçadamente por debaixo do balcão.

- Três e ninguém vai saber.

Sirius fez sinal para que ela fosse logo, já que a mãe estava ocupada rindo com Andrômeda do outro lado da cozinha. Lily deu as costas e três goles no vinho do irmão, entregando a taça logo em seguida.

- Se você ficar com dor, não me culpe depois. - Ele disse.

- Se eu ficar com dor, você vai se culpar mesmo eu não te culpando.

Sirius resmungou qualquer coisa aleatória voltou para o lado de Marlene.

Antes de ter boa parte das pessoas nocauteadas pelo vinho, decidiram que já era hora do jantar. Todos ajudaram Geneviève Evans a trazer a comida para a mesa de jantar, enquanto conversavam e riam das piadas infames de Sirius.

Lily percebia que toda vez que James a olhava e ela se virava para ele, James desviava os olhos como se ela fosse a Medusa. Começou a perceber que ele tentava disfarçar o máximo na frente de todos, tentando não lhe dar mais atenção que o necessário. Honestamente, ela não o culpava e nem achava ruim. Ela mesma estava dando muita bandeira enquanto o observava o tempo todo, apenas querendo que todos sumissem por um tempo e ela pudesse beijá-lo.

Na sala de jantar, Lily sentou-se em seu lugar habitual, com sua mãe em uma ponta - Andrômeda dividia a ponta com ela-; Sirius na outra ponta - com Marlene dividindo-a com ele também -; Remus e Dorcas sentaram-se de frente para ela e apenas um outro lugar ficou vago para James: ao seu lado.

Talvez ele estivesse feliz pela disposição, já que não precisaria olhá-la e não precisava disfarçar mais do que já vinha fazendo.

- Estou morto de fome. - Sirius anunciou.

Cada um se serviu da deliciosa lasanha de Geneviève, a melhor desse mundo, e as conversas ficaram baixas e escassas, muitas apenas comentando o quanto estava bom e se deliciando a cada mordida.

Neste meio tempo, Lily apenas se remexia na cadeira a cada dez segundos. Não olhar para ele ajudava, mas ficar ao seu lado também não. Ouvia sua voz tão perto dela, sua risada...Os olhares de lado que lançava para ele eram constantes, assistindo como ele se movia. E como ela adorava fazer isso. O jeito que ele se mexia, os longos dedos pegando a taça de vinho, a perna direita que não parava de balançar por baixo da mesa.

Culpou Andrômeda e aquele papo todo de como você podia enxergar tanta coisa em seus movimentos, o quanto Lily conseguia imaginar o que ele podia fazer com suas mãos, seus dedos, sua boca, seu corpo todo. Sua cabeça estava louca por ele antes, mas não naquele patamar que foi levada agora.

- Algum problema? - O próprio demônio perguntou enquanto ainda estava ocupado com a sua lasanha.

- Não, por quê? - Ela devolveu a pergunta.

- Você me parece um pouco inquieta. - Ele levou o garfo até a boca e mastigava despreocupado.

- Tudo está bem.

- Certo. - Ele limpou sua boca com o guardanapo. James olhou ao redor da mesa antes de continuar. - Pensei que estivesse lembrando de ontem à noite. - Lily abaixou o garfo ao ouvir aquilo. - Sabe? Quando estava colada naquela porta, a minha mão na sua coxa...eu bem lembro de você colocando as suas mãos por dentro da minha jaqueta também.

Se estivesse comendo, provavelmente teria engasgado ao ter aquela cena descrita.

- Por que está falando disso agora?

- Porque é sobre o que eu ando pensando desde que cheguei aqui.

Não tinha bebido vinho, mas ela sentia um calor em seu pescoço como se tivesse bebido uma garrafa inteira.

- Você é um provocador. Sabe que eu não posso fazer nada neste momento, que nós dois não podemos fazer nada neste momento.

- Você quem começou com a provocação. Eu só achei que devia responder um pouco.

Inferno. Não diria aquilo em voz alta, mas ele era a provocação em pessoa. Não precisava abrir a boca, nem jogar aquela lembrança de ontem, daquele beijo na porta de entrada da sua casa, para fazê-la sentir aquele calor todo.

Precisava retrucar, não poderia ser a coitada sofredora ali.

- Você gosta das provocações, não é?

Pensou em alguns clichês de filmes e livros e tentou controlar o sorriso com a ideia que teve. Primeiro, observou cada um dos presentes do lugar, percebendo que estavam ocupados com a comida ou conversa. Sirius e Remus falavam sobre um episódio de uma série e Marlene os ouvia, enquanto Dora, Geneviève e Andrômeda discutiam sobre algo que ela não se interessou em saber.

Vagarosamente, Lily tirou seu pé direito de sua sapatilha e cruzou a perna. Se ajeitou melhor na cadeira, ficando um pouco mais ereta e, assim, movendo a perna no ângulo perfeito. Seu pé descalço encontrou o tênis de James e com a visão periférica, ela percebeu que ele parou de balançar a perna imediatamente, largando o garfo sem querer no prato e pedindo desculpas pelo barulho. Ela não podia demonstrar nada, ainda que estivesse louca para rir, então continuou comendo como se nada tivesse acontecido. O seu pé voltou a se mexer, subindo um pouco por ele, alcançando a barra de sua calça.

James limpou a garganta e deu uma tossida leve, pegando a taça de vinho rapidamente e virando o conteúdo de uma vez só.

Seu pé continuou a subir lentamente, fazendo a calça de James subir e seus dedos deslizarem pela pele dele. O maroto lançou um olhar rápido para ela, antes de voltar seus olhos para o prato. Ele estava, claramente, perdido com o que ela fazia, mas não se afastou em momento algum. Lily não queria fazer algo que James não quisesse, longe disso, mas ele parecia querer tanto quanto ela. Pelo menos ela esperava não estar lendo mal os sinais.

Abaixando a cabeça em suas mãos, como se estivesse rezando, James engoliu em seco. Lily sentiu que a perna dele se moveu, mas para mais perto dela, como se quisesse ajudá-la.

- Lily!

A voz de Sirius a fez pular do lugar, congelando seu pé onde estava, assim como fez James quase derrubar o prato no próprio colo.

- Sim?

- Você está perto. - Sirius sorria.

- Do quê?

- Da cozinha, mais perto da cozinha. Pode pegar outra garrafa, por favor? - Sirius levantou a garrafa de vinho vazia.

- Você está, no máximo, uns dois metros mais distante. - Ela respondeu.

- Por favor? - ele fez um bico.

- Urgh!

A ruiva se levantou e foi até a cozinha. Sua respiração estava descontrolada, assim como seu coração. No momento, era pelo susto por pensar que Sirius havia visto o que acontecia, mas agora, enquanto se abaixava na adega que tinham e tirando uma garrafa de Malbec, sabia que era pela aventura. Ela o abriu e voltou rapidamente para a sala, vendo que as duplas de conversas não haviam mudado e que James era o único quieto na mesa, focado em seu prato.

- Mais vinho? - ela perguntou ao seu lado. James assentiu e, sem olhar para ela, pegou a própria taça e Lily o serviu. Quando o vinho estava pela metade da taça, ela parou de servir e se abaixou perto do ouvido dele. - Quer mais?

Ele se virou minimamente para o lado e a encarou. Ambos sabiam que aquela pergunta não era sobre o vinho.

- Não ofereça mais para ele. Eu bem sei que quanto mais você quiser dar para ele, mais ele vai aceitar. - Sirius riu de seu lugar, enquanto levantava sua taça vazia. Lily, ignorando o irmão e que o assunto era sobre o vinho, olhou para James.

- Verdade?

- Difícil recusar, ainda mais quando é tão bom.

Lily sorriu. Foi até o meio do caminho, entre James e Sirius, e colocou a garrafa na mesa.

- Sirva-se.

- Mal educada. - Sirius resmungou e se levantou minimamente para alcançar a garrafa, enquanto Lily voltava para o seu lugar.

- Perdão? - Geneviève disse quando ouviu por cima.

- Não de sua parte, mãe. - O maroto sorriu angelicalmente para a mulher do outro lado da mesa. - Você nos educou perfeitamente, sem defeitos.

Lily, ao perceber que seu irmão havia se virado bastante em direção à Remus e Marlene após levar uma boa olhada mortal da mãe, o agradeceu por lhe dar ainda mais liberdade para continuar o que fazia.

Porém, de uma forma melhor.

Segurando o garfo apenas com a mão direita, sua mão esquerda estava designada para outro trabalho. Usando o mesmo plano de antes, ela se ajeitou na cadeira e, no mesmo momento, se permitiu colocar a mão esquerda na perna de James. A toalha era grande o suficiente para tapar qualquer coisa de qualquer um, então não deveria ter com o que se preocupar.

Ele respirou fundo e, mais uma vez, não a afastou. Além de não afastá-la, ela percebeu que a perna dele parecia muito mais perto do que anteriormente.

Sua mão, então, começou a subir pela coxa dele.

- E você, James? - Geneviève perguntou. Lily parou sua mão no lugar, virando-se para a mãe.

- Eu?! - James perguntou, perdido.

- A universidade. Então vai mesmo para Cambridge?

- Er, ainda não é uma decisão definitiva.

- E pretende se mudar para lá, caso escolha?

A mão dela voltou a subir, lentamente. Os olhos castanhos-esverdeados olharam para baixo rapidamente antes de voltarem para Geneviève.

- Está em estudo. - ele respondeu com a voz um pouco estrangulada.

- Não acha que é muito cansativo pegar a estrada todos os dias? - Lily começou. - Afinal, uma hora e meia de trajeto todos os dias não é muito prazeroso.

Quando Lily disse a última palavra, sentiu que alcançou o seu destino. James olhou para baixo novamente e com a mão do outro lado do corpo, mexeu na barra da toalha, fazendo-a cobrir seu quadril e a mão de Lily.

- Poucas coisas são prazerosas nessa vida. - Ele finalmente respondeu. Olhou para Lily antes de voltar a atenção para Geneviève. - Algumas mais do que outras.

Lily murmurou em concordância com a frase dele e por ver o estado em que estava: completamente rígido em sua mão. Ele estava gostando daquilo tanto quanto ela.

- Mas uma viagem longa assim, ida e volta todos os dias…querido, você deve pensar melhor nisso. Não quero que se acidente na estrada por cansaço e aposto que Euphemia também não. - Geneviève tinha o cenho franzido para ele, preocupada.

- Não, ninguém quer me ver sofrendo, não é mesmo? - ele sorriu. Um sorriso afetado.

O sorriso dele morreu no segundo seguinte que Lily avançou mais nas carícias. James levou o braço à testa, enxugando o suor. Olhou para Sirius, Marlene e Remus que conversavam completamente alheios ao que ocorria debaixo da mesa e fechou o olho quando Lily abriu o botão da calça e abaixou o zíper. Agora apenas um tecido separava suas peles e, diabos, Lily parecia disposta a não parar por ali.

Não deveria ter provocado-a. Deveria se lembrar que ela não era muito fã de perder e que iria retaliar. E ele, como um idiota, não conseguia fazê-la parar. Não conseguia. Quando ela começou, a simples chegada de seu pé descalço em seu tênis, nada mais existia ali no cômodo: sem amigos, sem a sua prima, sem Geneviève Evans, sem Andrômeda e sem Sirius, seu melhor amigo e irmão super protetor. Apenas ela ao seu lado, o provocando, fazendo com que o corpo dele reagisse antes mesmo do pequeno pé de Lily começar a subir pela sua perna. E depois de Sirius quase o matar do coração e Lily sair para a cozinha, as coisas não melhoraram, porque ele queria mais. Odiou quando ela se afastou, sua calça caindo de volta no lugar, o pé dela longe dele.

Mas, infernos, ele deveria pará-la. Deveria pensar no risco que estavam correndo, em quão rápido a sua vida terminaria caso Sirius os vissem.

Como ele foi de "Não vou te beijar, porque seu irmão vai me matar" desde o começo daquilo tudo para "Eu deixo você me tocar embaixo da mesa com o seu irmão do lado"? Aquilo era loucura, mas que o diabo tivesse dó dele, era a melhor loucura que ele vivia.

O dedo dela, vagarosamente, subiu até a borda da sua boxer e o tocou. Ali, foi o momento que perdeu a cabeça.

- Lily. - ele sussurrou. Ninguém prestava atenção neles. Meu deus, ele estava com tanta vontade de reagir, que começou a duvidar que conseguiria disfarçar por um segundo a mais.

- Está tudo bem? - ela perguntou calmamente, se virando para ele.

- Não, não está.

A boca dela formou um perfeito "O". Sua mão parou o que fazia, seu dedo saindo de dentro da sua boxer. Ele se xingou internamente por isso, pois ela havia entendido mal o que dissera. O problema não era seu toque, mas o fato de que ele estava a ponto de explodir, se levantar e agarrá-la na frente de todos. E independente de seu irmão ser ciumento ao extremo, mesmo que Sirius não fosse daquele jeito, nenhum deles apreciaria assistir o que James queria fazer com ela.

A ruiva recuou completamente. Sua mão voltou para o próprio colo, seus pés estavam direcionados para frente e seu rosto sem expressão alguma. Calmamente, ela pegou seu garfo e voltou a comer sua lasanha e beber seu vinho. Não entrou em conversas, não olhou para James. Seu corpo virou para o lado oposto, fechando-se para ele.

- Gostaria de mais, James querido? - Geneviève perguntou ao vê-lo finalizar o prato.

- Não, obrigado. - Respondeu.

- Eu estou pronta para sobremesa. Eu vou buscar. - Lily levantou-se rapidamente da mesa, mesmo Remus e Sirius ainda não terem terminado seus pratos.

Estava se sentindo horrível. Foi até a geladeira e pegou a sobremesa, depositando-a no balcão. Foi até o armário e começou a pegar os pratos e talheres, tentando esquecer o que havia acontecido naquela sala de jantar, no fato de ter feito algo com James que não o agradou, forçando algo que ele não poderia parar na frente dos outros. Era uma idiota em ter feito aquilo.

- Precisa de ajuda?

James estava parado na porta da cozinha. Lily sentiu o coração disparar e virou de costas, abrindo a geladeira novamente, mas apenas para olhar lá dentro, já que a sobremesa já estava fora.

- Não precisa, tenho tudo sob controle. Mas se quiser levar os pratos, eu agradeceria. - Ela dizia mexendo nos potes, embalagens e comidas, como se procurasse por algo.

- Lily! - ele a chamou, bem baixinho.

- Olhe, James. Me desculpe. - A ruiva disse, fechando a geladeira e se virando para ele. - Eu forcei a barra, fui um pouco longe demais. Não queria ter feito algo que te desagradasse.

- Pare com isso, Sardenta. - disse ele.

- Aqui, os pratos. - Ela pegou os oito pratos e empurrou para ele. - Obrigada.

- Você não quer me escutar? - Ele perguntou, segurando os pratos com uma mão, enquanto a outra estava em cima do balcão, como se chamasse por ela ou mostrasse que ele não estaria saindo ainda.

- Talvez não seja o ideal.

- Por quê?

- Porque eu estou morrendo de vergonha.

E sem falar mais nada, ela pegou a sobremesa e saiu da cozinha. James olhava para o nada na sua frente, completamente perdido.

A sobremesa foi comida sob muitas risadas de vinho e piadas. Tentando normalizar a situação, Lily fazia um show com Sirius enquanto se atacavam ou riam um do outro, fazendo os outros gargalharem. James ria uma vez ou outra, mas sua cabeça estava bem longe dali. Na verdade, a sua cabeça estava ali ao seu lado, na cadeira vizinha, apesar de não fazer contato visual com ela.

Se fosse alguns dias atrás, aquele pequeno e mal entendido poderia ser uma dádiva. Ele poderia esquecer o ocorrido - desse jantar e todos os beijos de antes -, deixar aquilo passar e Sirius nunca descobriria o que aconteceu entre James e Lily. Seria uma dádiva, porque ele não ficaria com a consciência pesada por estar mentindo para o melhor amigo.

Mas agora soava como uma ruína. Esquecer o beijo dela, de suas mãos em seu corpo, os olhos verdes cheios de vontade e desejo. Por muitos anos aquela fantasia não passava de algo completamente fora de alcance, mas agora que aconteceu e que eles decidiram ir a fundo com aquilo, como poderia deixar de lado?

Ele tinha que resolver o problema. Deixá-la pensar que ele não queria estava fora de cogitação agora, completamente fora de cogitação. Eles já passaram da linha limite, sua cabeça estava focada nela, focada em fazer aquilo ser bom para eles...não tinha como o mal entendido ser a dádiva.

Quando finalmente saiu de seu torpor, percebeu que Lily já não estava à mesa. Olhou para os lados, perdido com aquilo.

- James, Remus. Acho melhor vocês dormirem aqui. Ambos tomaram vinho e eu não quero nenhum de vocês dirigindo. - Geneviève se levantava com Andrômeda, falando com os restantes da mesa.

- Vocês dois dormem no quarto de Sirius e eu durmo no de Lily. - Marlene ofereceu.

- Ahn? - Sirius de virou para ela. - Péssima ideia.

- Você não vai mandar os dois dormirem no quarto da sua irmã, né? Ela não teria tanta liberdade. - Marlene explicou.

- Não, mas…- Sirius não tinha mais nada para retrucar, porém sua expressão de desagrado era nítida sobre Marlene não ficar em seu quarto. - Merda!

- Eu vou pegar minha mala do seu quarto e falar com Lily.

Marlene se levantou e foi em direção às escadas. James apenas olhava para todos eles, ainda sem saber o que fazer.

- Vamos assistir um filme, então? Que tal? - Dora olhou diretamente para Remus. Os dois conversaram e se entrosaram bastante durante o jantar e James estava vendo o muro do amigo cair cada vez mais em relação a garota. Seu rosto ficava vermelho algumas vezes, em outras ele respondia inteligentemente, outras ele a fazia rir.

- Claro. - Remus respondeu.

- Pro cinema, então. Vai escolhendo o filme. - Sirius apontou na direção do cômodo.

Dora e Remus foram na frente, enquanto James tomava seu tempo para se levantar e Sirius o esperava.

- O que houve, cara? Você está esquisito. - Perguntou Sirius.

- Só cansado.

- Parece preocupado. Eu te conheço a vida toda, praticamente. - Sirius passou um dos braços pelo pescoço do amigo. - Bota para fora o que é.

- Apenas Cambridge. E tudo mais. - James abanou a mão no ar.

- Você vai mesmo deixar Oxford de lado, então? Não vai vir comigo e fazer aquele lugar cair?

Ele riu, sabendo que era uma ótima pedida.

- Você será o primeiro a saber quando eu tomar uma decisão.

Quando chegavam perto do cinema, encontraram com Geneviève descendo as escadas.

- Não se atreva a sair daqui dirigindo. - Ela disse apontando para James e deu um beijo nos dois marotos. - Andrômeda e eu vamos tomar alguns vinhos nos jardins. Nos chamem se precisarem. E se comporte!

- Eu sempre me comporto. Você quem deve se comportar com todo esse vinho.

- Eu estou em casa, querido. Não seja chato.

Ela sorriu e acenou, indo em direção aos jardins.

Remus e Dorcas já estavam bem aconchegados nas poltronas de cima, ambos conversando baixinho e rindo.

- Não façam um bebê no cinema. - Sirius disse indo até o aparelho e ligando o projetor.

- Lily não vai assistir? - James não se impediu de perguntar.

- Você estava mesmo fora de órbita, hein? Ela disse que estava cansada e foi deitar.

Isso era algo que ele mesmo queria fazer agora.

- Ah, eu não sabia que podíamos escapar e ir dormir. Eu acho que vou fazer o mesmo.

- Vocês são dois velhos que não aguentam nada. - Dora dizia de sua poltrona.

- James e Lily já foram melhores. - Remus continuou.

Sem perder mais tempo, James se despediu deles e se apressou para o andar de cima, esbarrando na prima nas escadas.

- Aonde vai, James Potter? - Ela perguntou parando em seu caminho.

- Dormir!

Marlene o encarou por alguns segundos e deu espaço para ele continuar a subir.

- Boa noite. - Ela se despediu.

- Boa noite, pirralha.

- Pirralho é você. Eu sou mais velha.

- Um erro da natureza. - Ele respondeu.

Entrou no quarto de Sirius. Ou seja: uma porta de distância do quarto de Lily. Forçou-se a não desviar o caminho, pois fugiu do filme com a ideia de falar com ela. Mas algo no meio do caminho o dizia para não fazer o que queria, para não desviar do seu destino final.

Jogou seu celular e sua carteira na mesa de canto e se jogou no colchão ao chão, encarando o teto.

Não, James. Não vá lá. Esqueça isso, volte para a normalidade da sua vida. Você está na casa deles, está jogado no quarto do seu amigo, o irmão dela, que está lá embaixo.

Mas talvez ele nem veria nada. Sirius estava com Marlene, tão distraído, tão empolgado. Se ele apenas fosse devagar até o seu quarto...

- Esqueci de dizer… - James se levantou do colchão e olhou para a porta, onde estava Sirius parado. Por um instante se imaginou subindo as escadas, indo para o quarto de Lily e Sirius o pegando lá. Seu coração disparou apenas com a ideia daquilo. - Eu estava discutindo com Remus no jantar e vi agora na internet...e se fôssemos escalar no fim de semana que vem?

Escalar? Cacete, eles não sabiam escalar.

- Está maluco? A gente vai se matar.

- E quando isso já nos impediu de algo? - Sirius riu. James concordou, já que ele estava brincando com a morte por alguns dias já. - De qualquer maneira, estou falando de irmos naqueles lugares fechados para escalar. Frank conhece um. Poderíamos ir no Sábado que vem.

- Você largou Marlene no meio do filme para falar de escalar no fim de semana?

- Preferi falar antes que você marque algo no fim de semana que vem.

Dando de ombros, Sirius saiu do quarto e desceu as escadas rapidamente. A garganta de James voltava a abrir, o pânico do "e se" indo embora, tentando se lembrar de que a realidade foi melhor: subiu, foi para o quarto certo e ali ficou.

Poderia ter desconfiado daquela aparição repentina do amigo ali para falar sobre algo tão aleatório, mas talvez fosse apenas impressão dele, porque Sirius nunca havia desconfiado e nunca precisou manter um olho nele antes. Se pensasse que James faria algo com Lily, não pediria para que o amigo ficasse de babá da irmã nos dias que estava fora.

Sem contar que Sirius não teria problema algum em dizer para James manter a distância caso desconfiasse. Ele nunca esperaria pegá-lo no flagra, preferindo cortar o mal pela raiz.

Se ajeitou melhor no travesseiro e encarou o teto. Tentou pensar que tinha que se preparar ainda antes de dormir, mas achava que caso levantasse, não era para ir ao banheiro escovar os dentes, então era melhor ficar ali e grudar suas costas naquele maldito colchão.

Mas por quanto tempo? Meia hora se passou e ele ficou ali, apenas remoendo a vontade, a culpa e a loucura que começava a crescer cada vez mais.

Não, James. Não. Fique aqui.

Mas e se fosse rápido até lá, apenas para que ela entenda que o problema não foi ela o tocando?

Não, péssima ideia. Ela já deve estar dormindo.

Mas foi dormir pensando que você não quer nada.

Deixa como está, vocês conversam depois.

No minuto 31, ele já não conseguia mais. Se levantou e foi até a porta, olhando para o corredor vazio. O filme estava tão alto vindo do cinema, que conseguia ouvir as bombas e tiros ecoando pela casa. Saiu do quarto, pegou a chave e fechou a porta, trancando-a pelo lado de fora. Foi até as escadas e deu uma olhada para baixo, percebendo que não havia nenhum movimento, além do filme no último volume. Continuou andando até o fim do corredor e percebeu que a porta de Lily estava entreaberta, a luz principal apagada, mas uma claridade azul iluminava o cômodo.

Bateu na porta o mais delicadamente possível para não chamar a atenção das pessoas lá embaixo, ainda que achasse difícil com todo aquele barulho.

Lily abriu a porta e se ficou surpresa, não demonstrou.

- James?

- Eu queria falar com você.

Olhando por cima do ombro dele, ela agarrou seu braço e o fez entrar no quarto, fechando a porta delicadamente depois. A televisão estava ligada e pausada em uma série que ele não conhecia.

- Eu não sei o que mais eu poderia dizer. - Lily começou. - Talvez minhas desculpas foram horríveis...com certeza foram horríveis, mas eu fui sincera.

- Eu não quero que você se desculpe, Lily. E é por isso que estou aqui.

- Por que não quer as minhas desculpas?

- Porque por mais que eu sinta que vou morrer bem lentamente caso isso seja descoberto…- James deu um passo até ela. - ...nós tomamos uma decisão ontem ao chegar de Southend-on-Sea, certo? Eu ainda estou nessa.

Agora ela parecia surpresa.

- Mas eu pensei que tinha dito que não estava tudo bem. - Ela parecia confusa.

- Não estava, porque eu estava quase perdendo o controle embaixo daquela toalha.

A ruiva deu passos decididos até ele e James estava mais do que preparado para recebê-la, mas ela se desviou. Lily foi até a cama, pegando o controle e apertando "play", além de aumentar o volume. O diálogo na série continuou enquanto ela dava passos lentos até ele, um pouco insegura.

- Então o problema não foi eu ter feito aquilo, mas por você estar gostando, é isso? Eu pensei que você não queria que eu o tocasse daquele jeito ou…!

Ele diminuiu a distância entre eles.

- Vamos combinar uma coisa? - James sussurrou enquanto aproximava sua boca da dela. Ele a provocava, tocando no canto de seus lábios. - Você pode me tocar quando quiser, onde quiser. A qualquer momento que você colocar sua mão em mim, saiba que o toque é muito bem-vindo. Se você não procura por reações fortes, então melhor tomar cuidado para onde vai com a sua mão. - Ela sorriu e mordeu o próprio lábio. - Se essa for sua vontade, então seja a minha convidada.

Ele a beijou bem leve em seu pescoço, ouvindo a respiração dela ficando mais rápida.

Segurando-a no rosto, James a encarou. Aqueles olhos verdes eram de "se morrer por". Ela o afogava, lhe trazia de volta, o afogava de novo. Ou era apenas James perdendo o ar quando percebia que era para ele que ela olhava daquele jeito.

Se aproximando lentamente, os lábios de James roçaram contra os dela, subindo e descendo, indo para os lados. Quando ele decidiu beijá-la, percebeu que Lily estava deixando tudo nas mãos dele, apenas esperando, ansiosa. As bocas se encontraram de vez, mas James não se apressou com o beijo em si, indo bem devagar e regrado. Porém, sentiu a língua de Lily chegar aos seus lábios, pedindo para que ele viesse. Ele se afastou e a encarou, vendo que os olhos verdes estavam tão escuros que era difícil dizer que eram tão claros como verdadeiramente eram.

Vendo que ela pedia pelo beijo dele com o olhar, James se aproximou novamente e a beijou com todo o desejo que sentia. Era lento, era profundo, suas línguas se encontravam lentamente e seus lábios não pareciam que se separariam tão cedo. Lily soltou um gemido e apertou o pescoço dele, ficando mole em seus braços.

Ele a conduziu gentilmente até sentir que as pernas de Lily chegaram até a cama. Por um segundo, ele pensou se aquilo seria prudente. Não podia esquecer de onde estavam, quem estava por perto, quantas pessoas estavam por perto. Era a casa dela e…

Lily o puxou pelo colarinho, fazendo-o cair em cima dela na cama e esquecendo de tudo aquilo. Enquanto a mão dela puxava a camisa dele pelas costas, ele esqueceu de onde estava; quando as pernas dela pressionavam as suas, enrolando-as, ele não pensou quem estava lá embaixo.

Mas aquele paraíso não durou muito..

-Sim, eu volto Domingo para Oxford.

A voz de Marlene encheu o corredor. James saiu de cima de Lily como se estivesse na beira de um precipício e precisava recuar. Os passos ficavam cada vez mais perto do quarto, enquanto a prima continuava a falar. Parecia estar no celular.

- Vai pro banheiro! - Lily levantou-se da cama e começou a empurrá-lo. James estava indo de boa vontade, mas a ruiva não parecia achar rápido o bastante. Marlene parecia ter parado no corredor enquanto falava. Se James ousasse dizer, era a sua tia do outro lado da linha.

Lily o empurrou para dentro, mas assim que ela tentou sair, James a segurou e a puxou com ele, fechando a porta do banheiro e a trancando no mesmo momento que ouviam a porta do quarto abrir.

Marlene ainda falava no celular e pelo barulho, mexia em sua mala.

Lily tinha o coração na boca com a adrenalina. Fechou os olhos e respirava fundo, tentando se acalmar.

- Está tudo bem. - James falou baixinho em seu ouvido.

Ela abriu os olhos e a primeira coisa que viu foram os dois pelo reflexo do espelho. James estava encostado na parede, ela com as costas em seu peito, os braços dele enlaçados em sua cintura. Ambos tinham os cabelos desarrumados - mais do que o normal para ele -, os rostos um pouco vermelhos...e os olhos. Eles tinham um olhar de desejo, de vontade crua. Não tinha como negar que eles estavam na mesma página daquele livro, pois ousaria dizer que estavam até no mesmo parágrafo, na mesma linha. Ele a queria tanto quanto ela o queria, mesmo ela não tendo dúvidas disso, mas ao vê-lo agora, ao olhar o reflexo dele, era uma certeza quase palpável, lhe dando toda a confiança que ainda faltava nela.

Tinham embarcado naquela loucura e agora não parecia que recuariam. Estavam perdidos naquela sedução, em uma eletricidade maluca. Se algum deles desse para trás, desistisse...o outro iria cair em desgraça. Pelo menos, ela poderia confirmar isso de si.

- Lily? - Marlene a chamou. Seus olhos arregalaram.

- Sim?

- Ah, só queria saber se você estava aí. Vou usar o banheiro debaixo.

- Ok. Eu…- James franziu a testa ao vê-la continuar a conversa quando Marlene, claramente, estava prestes a sair do quarto. - Não estou me sentindo bem. Acho que foi a lasanha.

- Sério? Você quer que eu pegue algo para você, algum remédio?

- Não, está tudo bem.

James pegou o braço dela e levou até a boca com um sorriso diabólico. Ela o assistiu assoprar sua pele, fazendo um barulho horrendo ecoar pelo banheiro como se fosse um enorme pum. A ruiva tentou puxar o próprio braço para longe dele, sentindo-se horrorizada.

- Oh! Er...eu vou descer, te deixar tranquila. - Marlene parecia tão sem graça quanto ela. - Me chame caso precisar de algo.

- Obriga…- James repetiu o barulho e Lily puxou seu braço para longe, querendo matá-lo. - Obrigada, Marlene.

- Por nada.

A garota já estava longe da porta do banheiro e Lily ouviu quando a porta do quarto se fechou. Estava prestes a xingar James de todas as coisas possíveis, mas ele tampou sua boca e fez um sinal de silêncio. Continuou a encará-lo pelo reflexo enquanto esperava.

Ouviram um outro barulho no quarto e depois a porta abrindo e fechando em seguida. Diabos, Marlene tinha fingido sair do quarto antes? Não ousou dizer nada ainda, esperando ter a certeza de que estavam sozinhos de novo.

- Ela está desconfiada e não é de hoje. - James comentou finalmente. - Marlene já fez da minha vida um inferno por dar uma de detetive.

- Acho que estamos dando muito na cara.

- Talvez. Não que ela fosse contra a gente. Marlene não diria nada para ninguém se pedíssemos, mas não quero que ela se veja obrigada a ficar nessa posição.

Era quase engraçado o fato de conversarem por um espelho, mas tinha a impressão que eles se conectaram ali, naquele olhar, não querendo desviar. O medo de quase ter sido pega começava a ficar esquecido e podia dizer que era o mesmo para ele.

- Onde paramos? - Ela perguntou.

- Hum.

Ele a apertou mais contra o próprio corpo e desceu até seu pescoço, a beijando. Soltou todo o ar de seu peito enquanto ele continuava a beijá-la. Por um segundo, considerou que aquele cômodo da sua casa seria perfeito para arrancar as roupas e transar com James Potter. Ela estava pronta para isso e não havia dúvidas nenhuma de que ele também, pois sentia a evidência.

Vagarosamente, ele começou a deslizar pela parede e levando Lily junto, não parando de beijar seu pescoço nem por um segundo. James sentou no chão com Lily entre suas pernas. As mãos dele agora subiam pela sua cintura…

- Agora está na hora de você me dizer onde eu posso tocar.

Lily deixou a cabeça cair no ombro dele. Estava tão difícil de respirar normalmente, mas não por um ataque de pânico dessa vez.

- Você pode ir exatamente onde você já estava querendo ir.

Então as mãos dele subiram, chegando tão lentamente em seus seios. Aquele banheiro parecia ficar pequeno para tudo o que ela sentia agora. Sem poder esperar mais, ela virou seu rosto para o lado e puxou James para um beijo. As mãos deles pararam logo abaixo de seu seios, a provocando, enquanto sua boca a provocava ainda mais.

Pelo santo amor de tudo o que era sagrado, ela ia ficar louca. E agora ainda mais, já que uma mão dele começou a descer por sua barriga, desabotoando sua calça e abaixando o zíper. Sim, era para lá que ele deveria ir também, imediatamente, naquele mesmo instante.

Os dedos dele entraram lentamente e encontraram sua calcinha. Com o dedo indicador, ele levantou o elástico e passeou por ali, acariciando sua pele.

Sua respiração não só ficou ainda mais rápida, como alta. A boca dela pareceu esquecer como beijar, pois seus lábios se soltaram dos dele enquanto precisava puxar mais ar.

- Isso é bom, não é? - Ele sussurrou contra sua boca que ainda lutava para respirar.

- Sim! - O som quase não saiu.

- E eu nem estou te tocando ainda. - Ele sorriu diabolicamente. - Imagina isso embaixo da mesa, durante um jantar na frente de toda aquela gente, Lily. - O dedo dele escorregou um pouco mais para baixo. Sua outra mão finalmente cobriu um dos seus seios e Lily sentiu que seu corpo escorregou um pouco pelo chão entre as pernas dele. - Não seria difícil de se manter, sem perder a cabeça?

- O que você quer? Que eu peça desculpas de novo? - A frase saiu quase alta demais agora, pois ela tentava tirar forças para falar.

- De jeito nenhum.

- Você quer me ver sofrer então? Como você sofreu?

A mão em seu seio a apertou e ela gemeu alto. James cobriu sua boca com a própria boca, tentando abafar o som.

- Eu quero te dar o melhor, sempre.

- O que você está esperando? - Sua voz voltou a ficar baixa de novo enquanto sentia o dedo de James deslizar ainda mais para baixo, chegando muito perto.

A única coisa que a consolava naquele momento, era saber que não era a única a quase explodir de vontade naquele banheiro, pois a vontade dele estava bem firme contra as suas costas. Apoiando as duas mãos no chão, ela conseguiu mais contato com aquela parte dele, friccionando o quadril contra ele.

- Lily, não…- Ele pediu, mas não parecia um pedido de verdade.

- Eu não sou a única que está sofrendo aqui, eu estou vendo.

James colou seu rosto no dela, sua mão acariciando o seu seio e quase a deixando louca, seu dedo brincando em estar tão perto do destino final…

- Neste exato momento, você não é nem de perto a única pessoa sofrendo aqui.

- Vamos parar de sofrer então. - Ela mordeu o lábio dele e o puxou, fazendo James gemer dessa vez. - Vamos apenas…

Ouviram a porta do quarto abrir e mesmo com a porta do banheiro trancada, James tirou as mãos dela, assustado.

- Lily, querida? - Era sua mãe. Diabos! Que balde de água fria. Seu corpo parecia gelar da cabeça aos pés.

- O que foi? - Sua voz tão estrangulada mostrava o quanto estava desesperada.

- Marlene me disse que está doente.

James bateu a cabeça contra a parede duas vezes e parecia amaldiçoar a prima.

- Sim, mas estou ficando melhor. Er, só preciso de um tempo aqui. - Ela riu, sem graça. Precisava de um tempo a mais com James e era isso. Era tudo o que ela precisava. - Está tudo bem, mãe. Até amanhã.

- Não quer um remédio?

- Não, mãe. Até amanhã. - Forçou a despedida de novo.

- Me chame se precisar.

- Sim, claro.

Geneviève pareceu ficar encarando a porta por alguns segundos antes de sair do quarto. Lily cobriu o rosto e respirou fundo três vezes antes de se afastar e virar para James, o fitando.

- Não é o melhor lugar para isso. - James comentou enquanto olhava para o teto, desolado. - A sua casa só me traz azar. É a terceira vez que eu fico neste estado e tenho que ficar pensando em cenas desagradáveis para voltar ao normal. Duas vezes apenas hoje.

- Se te serve de consolo, você não é o único.

Se afastando da parede, ele segurou o rosto dela.

- Não me consola, porque eu preferia um outro final. - Ele a beijou rápido antes de se colocar de pé e a trazer consigo. - Eu preciso ir. Logo menos, a casa inteira vai bater nessa porta e em algum momento, alguém vai perceber que eu não estou no quarto de Sirius. Melhor ainda, acho que vou embora.

- Não, fique. Não precisa ir embora apenas por isso.

- Não é "apenas por isso", mas por toda a vontade que vou ficar durante a noite. - Ele sorriu e acariciou seu rosto. - Eu te vejo amanhã.

- Te vejo amanhã. - Lily respondeu

Ela abriu a porta e conferiu se não havia ninguém no quarto. A série ainda rolava na televisão, viu que a mala de Marlene estava aberta, mostrando que ela estava mesmo pegando algo ali. Foi até a porta do quarto devagar e viu que o corredor estava vazio. O filme que eles assistiam no andar debaixo estava tão alto, que a fez pensar se todos estavam surdos naquele ponto ou se iriam ficar.

Lily fez um sinal para que ele saísse e James se apressou para fora do quarto. Pegou a chave do quarto do Sirius do bolso, mas antes de pegar o seu caminho para lá, ele se virou para ela.

- Só uma última coisa…- Ele aproximou a boca do ouvido de Lily. - Isso no seu banheiro não acabou.

Assim, James destrancou a porta do quarto de Sirius, pegou seus pertences e foi em direção das escadas, ainda sob os olhares atentos e desejosos de Lily. Ele lançou um olhar rápido para ela e um sorriso nada inocente antes de sair de sua vista.


Where do we go from here?

Aonde nós vamos a partir daqui?

Turn all the lights down now

Apague todas as luzes agora

Smiling from ear to ear (I'm feeling this)

Sorrindo de orelha à orelha (Estou sentindo isso)

My breathing has got too loud (I'm feeling this)

Minha respiração tem ficado muito alta (Estou sentindo isso)

Show me the bedroom floor (I'm feeling this)

Me mostre o chão do quarto (Estou sentindo isso)

Show me the bathroom mirror (I'm feeling this)

Me mostre o espelho do banheiro (Estou sentindo isso)

We're taking this way to slow (I'm feeling this)

Estamos levando isso muito devagar (Estou sentindo isso)

Take me away from here (I'm feeling this)

Me leve para longe daqui (Estou sentindo isso)

Após muita insistência de Dora para conhecer o Três Vassouras, todos eles confirmaram em levá-la ao bar na noite seguinte, Sábado. Andrômeda ficou relutante no começo, ainda não acostumada a Dora e as loucuras que Londres podia trazer, mas cedeu após insistência da filha e Marlene dizendo que ficaria de olho.

Lily duvidava que Dora fosse fazer qualquer coisa além de puxar conversa com Remus, ou puxá-lo para dançar. Apesar dela estar sendo discreta, bem diferente de quando tinha doze anos, a garota estava deixando um pouco claro que aquele crush juvenil ainda estava firme.

Que sorte a dela, pois Remus parecia cada vez mais aberto para isso.

Ao chegarem no Três Vassouras um pouco tarde, o lugar já estava explodindo, quase literalmente. Provavelmente lotado com todos os jovens de Hogwarts e escolas ao redor que não viajaram durante aquele fim de semana prolongado.

- Uau, esse lugar não mudou nada. - Marlene comentou ao seu lado. - Parece que foi ontem a última vez que vim.

- Você tem bares mais legais para ir agora, eu imagino.

- Não se iluda com a universidade, Lily, pois pode ser um porre. As pessoas estão mais malucas do que nunca com provas e trabalhos. Às vezes, sair no fim de semana apenas com universitários é querer voltar para casa cedo. Eles ficam muito bêbados, os caras podem ser uns imbecis de alto nível e as conversas podem girar em torno das aulas, professores e etc.

- Bom, estou bem empolgada agora. - Dora comentou ironicamente.

- Mas há momentos que nos divertimos também. Porém, eu recomendaria diversão agora, no seu último ano. Se vocês querem um diploma universitário, vocês terão que ralar mais do que em Hogwarts. Além de limpar seu apartamento, o banheiro, fazer compras, etc.

- A vida de adulto me parece o máximo. - Choramingou Lily.

- Mas tem suas vantagens. Tudo tem o seu lado bom, não se preocupem.

Sirius fez sinal para que elas se aproximassem, cortando a fila para entrar. Ele tinha uma lábia enorme para conseguir certas coisas. Lily lembrava como o irmão sempre arrancava doce dos pais fora do horário, sempre os convencendo do quanto ele merecia por ter feito suas lições antes da hora combinada, ter tirado 10 em alguma prova ou atividade e até mesmo usando os trabalhos de Lily para que ela ganhasse doce e, consequentemente, ele também.

E sempre funcionava.

E se você junta isso com James e Remus, outros dois que sempre conseguiam o que queriam também, era certeza de estarem dentro de qualquer lugar com filas enormes, escaparem de algumas confusões etc. Era um trio que não podia parar quando colocava algo na cabeça.

A música estava alta e ótima. Com dificuldade, passaram pelas pessoas em direção ao mezanino. Ali estava o novo segurança que Lily tinha discutido um pouco da outra vez. Quando a viu, sua expressão estava bem diferente daquela da primeira vez.

- Irmã do Black. - Ele a cumprimentou ignorando a todos e olhando para ela. - A mesa de vocês está pronta.

- Obrigada. - Ela sorriu e passou pelo grupo, enquanto subia na frente.

- Que isso? - Sirius perguntou logo atrás.

- Eu pareço ser mais importante do que você agora, maninho.

- Não me chama disso, é horrível!

Fazendo careta, Sirius pegou na mão de Marlene e a puxou, sorrindo como o bobão feliz que estava.

Olhou para o lado, para James, que piscou para ela e foi para o bar.

- Quer algo para beber? - Remus perguntou.

- Não posso. Remédios! - Ela deu de ombros.

- E se for algo fraco? - Ele a cutucou. - Bastante fruta, gelo...seu corpo vai pensar que você está na praia, tomando um suco.

- Você acha que seria possível?

- Tudo é possível, Lily. Só não conta pro seu irmão que eu te dei.

Remus se afastou e foi atrás de James no bar.

Foi até a grade do mezanino e observou as pessoas lá embaixo. Normalmente, é onde ela ficava e onde preferia dançar, já que todos ao redor dançavam e ninguém tinha tempo para julgar o quão bom eram seus movimentos. No mezanino, se você dançasse, todo mundo veria de camarote. Literalmente.

- Acha que Gideon está por aí?

Marlene parou ao seu lado, também observando a massa.

- Provavelmente.

- Você gostaria de dançar com ele?

- Honestamente? Não.

E ali estava ele. Os cabelos ruivos inconfundíveis. Alguns poderiam entrar em uma discussão sobre ser Gideon ou Fabian, mas havia uma grande diferença neles: a atitude. Gideon sempre foi um pouco mais tímido, mais recatado, mais na dele. Ele tinha um olhar doce, movimentos mais deliberados. Os cabelos sempre alguns centímetros mais curtos do que o do irmão e tinham uma leveza a mais do que os cabelos de Fabian.

Era só uma questão de reparar neles por algumas horas e você saberia diferenciá-los. Por isso, na humilde opinião de Lily, Gideon era mais apaixonante.

- Se não Gideon, quem então? Eu vi alguns caras interessantes daqui já, provavelmente todos de Hogwarts.

- Sim, há alguns sim.

- Mas você parece ter alguém em mente.

Oh se não tinha.

Preferiu dar de ombros como uma resposta. Marlene parecia uma pessoa que, se continuasse com o seu irmão, seria uma cunhada perfeita, podendo confiar segredos e muito mais...mas neste momento, as coisas ainda estavam sobre uma fina camada de gelo. Se colocasse algum peso a mais, aquilo iria quebrar e os dois envolvidos iriam cair naquele lago gelado.

Alice já estava por dentro e ter uma pessoa a mais sabendo, já soava perigoso na cabeça de Lily.

- Bom, me parece excitante. - Comentou Marlene.

- O que parece excitante?

Marlene não respondeu, apenas ficou observando a pista com um sorrisinho malandro. Ela também ia brincar de não responder e deixar a pessoa curiosa? De qualquer maneira, não era muito inteligente forçar a conversa. James disse que a prima estava desconfiada, então era melhor deixar o assunto morrer ali.

- Sua bebida. - A mão de Remus entrou em sua visão com um copo pela metade e ela sorriu agradecida. - O que estamos vendo aqui?

- Pretendentes. - Disse Marlene.

- Então eu vou cair fora. - Remus estava pronto para sair, mas Lily o segurou pelo braço.

- Não, você não vai. Podemos falar sobre a sua.

Remus revirou os olhos, mas se deixou ficar.

- Não há pretendente.

- Há sim.

- Dora está interessada o tanto quanto eu estou.

- Então isso quer dizer muito. - Marlene riu. - Você gostou dela, se interessou. Mas não quer admitir.

- Quem a convidou mesmo? - Remus olhou para Lily e apontou para Marlene.

- Rem, não é um problema ter mudado de ideia após ver e conhecer Dora. - Lily começou. - A garota é bem bonita, tem uma personalidade forte, é admirável, legal...normal você mudar de ideia. Nós já estávamos contando com a sua mudança de ideia, na verdade.

- Mesmo existindo o mínimo de interesse da minha parte, não há da parte dela.

As duas se entreolharam.

- Homens. - Lily reclamou. - Você deveria ser o mais inteligente dos três, Remus.

- Eu, com certeza, sou.

- Está faltando malícia, então. - Disse Marlene. - Dora está tão na defensiva quanto você, pois também não daria o braço a torcer. Ela tem o histórico de ter corrido atrás de um garoto aos doze anos, dando aquela imagem de garotinha chata. Claro que ela vai ficar na dela ao te reencontrar anos depois, ainda mais percebendo o quanto aquele cara ainda está merecendo tanto sua atenção quanto antes.

- Escute Marlene. - Lily apontou para a garota.

- O que vocês querem que eu faça, então?

- Dê o primeiro passo. - Lily respondeu. - Mostre interesse, não precisa ser descarado ou tão ofensivo. Mas mostrando o mínimo interesse, ela vai se abrir.

- E ela quer. - Marlene finalizou.

Apoiando-se na grade, Remus olhou para a multidão lá embaixo, bem pensativo. Conhecendo-o como o conhecia, podia ouvir seu cérebro maquinando sobre aquilo.

- Aproveite que o meu irmão te deu o sinal verde para uma garota da família. Não são todos que o tem. - A ruiva disse e deu um longo gole da sua bebida. Sentiu ser observada e se virou para os dois pares de olhos curiosos ao seu lado. - O que foi?

- Nada. - Remus e Marlene responderam ao mesmo tempo.

Voltou sua atenção para a multidão abaixo. Apenas ao ver alguns passos de dança, a sua perna latejava. Vir ao Três Vassouras apenas para assistir aos outros não estava soando tão legal mais. Deveria ter outra atividade nos fins de semana.

- Gin tonic. - A voz de Sirius veio do lado livre de Marlene, entregando-lhe uma taça da bebida.

- Obrigada.

Marlene lhe deu um beijo rápido e ganhou um abraço de Sirius, que se acomodou ali. Honestamente, se o seu irmão deixasse aquela oportunidade de ficar com alguém que gostasse, passar, ela iria ficar muito ferrada da vida com ele.

- Você parece entediada.

Não se virou para o lado direito, pois não era uma boa ideia. Apenas deixou seu olhar cair para a pista de dança novamente.

- Podemos dizer que sim. - Respondeu, tentando esconder um sorriso.

- O Três Vassouras é o problema? - James perguntou.

- Sim. O lugar, não poder dançar, sempre vendo as mesmas pessoas…

- Poxa, eu pensava que você gostava da gente. - Remus comentou do seu lado esquerdo.

- Não muito.

O seu copo não veio cheio e estava bem fraco, quase mesmo como um suco, então o terminou rapidamente.

Um ano antes de Orion falecer, eles haviam começado a guardar boa parte do fim de semana para ajudar associações e ONGs de várias áreas. Na maioria das vezes, Geneviève e Sirius se juntavam a eles, mas sentia que era algo deles, que saiu de uma conversa entre pai e filha. Talvez deveria voltar para aquela ideia. Poderia ocupar seus fins de semana ajudando os outros ao invés dessa vida um pouco vazia que vinha tendo, além de estar mais próximo de Orion. Ele gostaria de ver Lily continuar a visitar e dar uma mão ou duas para quem precisasse.

- Você está pensando nele, não é? - Se virou para James, curiosa. - Você tem um sorriso característico quando pensa em Orion. - Ele explicou.

- Tenho?

- Tem! - Remus respondeu do outro lado. - Um sorriso que parece muito com o dele, aliás.

Era o melhor elogio que poderia ter: ser comparada ao pai. Com qualquer um dos seus pais e Sirius, também.

- Obrigada, então.

Ela se afastou, sentindo-se um pouco triste, um pouco nostálgica. Quando a saudade batia daquele jeito, sentia vontade de chorar, mas não só de tristeza. Gostava de lembrar dos tempos bons, dos anos que passou sendo tão feliz com ele… seu coração se contorcia de dor. Perguntava às vezes se ele estaria orgulhoso dela, se estivesse feliz pelo caminho que ela seguia...mas sabia que sim, pois Orion só fazia tudo o que podia para ver sua esposa e filhos felizes. Nunca forçou nenhuma vontade sua, nunca decidiu nada sem consultá-los - por mais importante que fosse a decisão -, então se existia alguma vida após morte, ele estaria feliz.

- Hey! - O braço do irmão em seu ombro lhe assustou. - O que foi?

- Apenas pensando...planejando melhor meus fins de semana, ao invés de vir aqui e fazer parte da decoração.

- Pensei que você gostasse daqui.

- Mas não todo fim de semana. - Ela deu de ombros. - Lembra quando íamos com o papai nas ONGs?

- Lembro. - O irmão sorriu, nostálgico.

- Você não gostaria de voltar a fazer? Por que paramos quando ele morreu? Papai ajudava tanta gente.

- Temos que falar com os advogados então. Sobre toda a coisa da herança e dinheiro, etc.

- Então falamos com eles e com a mamãe.

Sirius, ainda abraçado aos ombros da irmã, olhou os amigos rindo e se divertindo, a pista de dança tão cheia lá embaixo. As garrafas e drinks indo e vindo.

- Vamos falar com eles. - Ele finalmente disse.

Lily se animou e deu um beijo no irmão. Aquelas feiras solidárias seriam perfeitas e com a presença dele, mais ainda.

- Eu vou pegar uma bebida lá embaixo para comemorar.

- Remus vai te dar uma, espere.

- Remus? - Ela perguntou para o nada ao ver o irmão se afastar e falar com o amigo. Remus assentiu e foi até o bar do mezanino.

James viu a movimentação entre os amigos e, aproveitando a deixa e como quem não quer nada, foi até Lily.

- Te encontro no bar lá embaixo. - Ele disse ao passar pela ruiva.

- Mas minha bebida está aqui.

- Você pode descer com ela. - Ele piscou e desceu as escadas.

Ela deu de ombros e esperou por cinco minutos até Remus entregar um copo pela metade novamente.

- Uma bebida especial.

- Por que você está me trazendo bebida, Rem?

- Porque eu sou bonzinho. - Ele acenou e voltou para perto de Dora. Aquele tom de voz não a enganava e muito menos a declaração dele. Remus Lupin era bonzinho, mas não santo. Não que ela desconfiasse de algo ilegal em seu copo, mas sim de que faltava algo ali.

Lily deu um gole na bebidast e constatando que estava do mesmo jeito que a outra: um suco que beberia de frente para a praia.

- Hm!

Desconfiada, ela desceu as escadas vagarosamente. Andou pela pista de dança por alguns instantes, às vezes olhando para cima, tentando conferir se algum dos amigos estavam de olho, mas não havia ninguém na grade do mezanino. Assim, ela deu meia-volta e foi em direção ao bar.

James estava escorado no balcão, esperando por ela. Ele estava tão bonito hoje à noite, que era difícil olhar para ele sem ter "desejo" escrito na sua testa. Ele se espremeu um pouco mais no balcão, empurrando um cara completamente bêbado mais para trás, cedendo um lugar para ela.

- O que é essa bebida, afinal?

James perguntou ao seu lado. A melhor coisa de estarem em um bar cheio como aquele, é que eles podiam ficar grudados sem inventar desculpas. A última vez que o tocou foi na noite anterior e ela já morria de saudade de tocá-lo, beijá-lo…

Ainda mais hoje com aquela camisa com os primeiros botões abertos.

E o perfume. Aquele perfume gostoso.

- Uma boa pergunta.

- Tem álcool?

- Deveria.

Ele tinha uma expressão de desaprovação clara.

- Quem sou eu para dizer o que você deve beber ou não?! Mas você sabe que seus remédios podem perder efeito, certo?

- Sim, eu sei. Mas honestamente? Estou achando que fui feita de besta.

Estava tendo uma leve impressão de que não havia álcool nenhum naquele drink. Deu uma olhada para dentro do copo, como se pudesse ver algo ali que indicasse qualquer coisa, mais e mais desconfiada de Remus. Cerrou os olhos e olhou para cima, mas o amigo estava longe de ser visto.

Sua atenção foi mudada completamente para um toque sutil em seu cotovelo. O dedo de James deslizou por sua pele bem devagar, criando um choque em todo o seu corpo. Foi caindo pelo seu antebraço, levando aquele choque por toda a extensão que passava e a única coisa que ela fez foi fechar os olhos e ser transportada pelo paraíso apenas com aquilo. Perdeu a cabeça quando ele acariciou a lateral de sua mão, seu corpo se arrepiando por inteiro, uma bomba parecendo pronta para detonar dentro do seu peito.

Sentiu o copo sair de sua mão e abriu os olhos para assistir James dar um gole da bebida.

- Tem álcool, mas está bem fraco. - Ele devolveu o copo para ela. - Esse é o segundo copo da noite, correto? - Ele perguntou baixinho ao pé de seu ouvido.

Ela teve que engolir com força para que aquela bolsa de ar que formou em sua garganta sumisse e ela pudesse responder.

- Um meio copo antes desse e esse me foi entregue pela metade. Então eu considero que bebi quase um copo desse suco aguado.

- Então podemos dizer que você está sóbria, certo?

Lily franziu a testa.

- Sim. De verdade, eu não bebi nada praticamente. Mesmo se eu pudesse beber, eu não conseguiria beber tanto tão rápido assim.

A mão dele cortou o contato com sua pele e James dedilhou o balcão do bar enquanto olhava ao redor, os olhos subindo até o mezanino por alguns segundos. Não tirando os olhos de lá, ele voltou a falar:

- Sabe o corredor ao lado do D.J? - Ele perguntou ainda sem olhar para ela.

- Sim, o corredor dos funcionários.

- Me espere lá. Fique com o seu telefone em mãos.

E assim James se afastou, deixando Lily perdida. Ela olhou para cima e percebeu que nenhum conhecido parecia ter atenção nela.

Jesus, como ele fazia aquilo com ela? O que iria acontecer? O que ela deveria esperar?

Bom, ok. Ela deu um longo gole na bebida, comeu as frutas no fundo do copo e saiu do bar. Não via James em lugar algum, então tomou o caminho do corredor. Não tinha ninguém por ali, apenas algum ou outro funcionário passando para o depósito. Não sabia exatamente onde deveria esperar, então foi até o fundo do corredor, assim ninguém a veria ali parada e viria conversar.

Alguns minutos se passaram e ela apenas assistia o vai e vem da cozinha. Alguns funcionários olhavam desconfiados, mas ninguém se aproximou para perguntar o que ela fazia ali sozinha, esperando e batendo o pé ansiosa.

Seu celular começou a tocar.

- O que eu deveria esperar? - Ela perguntou.

- Nada de muito interessante. - James respondeu no mesmo momento que apareceu na entrada do corredor. Se encostando na parede, ele olhou para Lily e depois desviou o olhar para a pista de dança. - Terminou a sua bebida?

- Não exatamente. - Não estava entendendo o que ocorria. James nem a olhava. - O quão sóbrio você está?

- Bem sóbrio. Sóbrio demais. - James continuava quase de costas para ela. - Como está a sua noite?

Sabia que James era estranho às vezes, mas muitas outras ele se superava.

- Nada mal. E a sua?

Silêncio. Tinha certeza que James a ouviu, mas não sabia porquê não a respondeu de imediato. Aquela conversa estava tão estranha...

- Prestes a ficar boa. - Ele se virou e desligou a ligação, vindo em sua direção. Lily sentiu o estômago revirar de ansiedade, de excitação ao vê-lo vindo com passos decididos. - Gosta de clichês?

- Clichês? Não tenho problema algum com eles.

- Perfeito.

No segundo seguinte, Lily estava em seus braços, a porta atrás de si sendo aberta por um chute dele e os dois entrando no banheiro dos funcionários aos beijos.

- Eu disse que aquele beijo no seu banheiro não tinha terminado, não?

James jogou-se contra a porta, trazendo Lily consigo. Ele girou a chave, trancando-os, enquanto os lábios iam tomando caminho pelo rosto dela. Ah, ele sabia como botar fogo nas coisas, era maluco tudo aquilo.

- Eu estava apenas esperando você cumprir aquela promessa.

Sentiu o sorriso dele enquanto a beijava lentamente logo abaixo do seu queixo. Ao levar uma mordida leve ali, seus pés se levantaram nas pontas, pedindo por mais.

- Algumas horas apenas. Eu estou sendo rápido, não? Eu não quero te deixar esperando por alguma promessa. - A voz rouca dele era combustível sendo jogado naquele fogaréu.

E apenas para piorar - ou melhorar -, ele a levantou, segurando uma perna dela em sua cintura. Não tinha ideia para onde estava indo, sendo levada, onde iria parar. Ela confiava nele 100% sobre sua segurança e sobre como aquilo seria bom, então apenas o beijou, obrigando-o a diminuir os passos.

Sentiu que abaixavam, até se encontrar sentada no colo dele, que estava sentado em uma cadeira antiga de madeira. Aquilo iria dar para o gasto, não importava.

As mãos dele se embrenharam completamente nos cabelos de Lily, a beijando com tanta vontade, que ela não podia não corresponder do mesmo jeito. O fato de que estavam em um lugar onde não deveriam, com pessoas conhecidas não muito longe, era aterrorizante e tão excitante. Havia feito coisas escondidas inúmeras vezes, mas daquele jeito? Nem de perto. Não com toda aquela excitação que tinha entre eles, que a fazia pedir para não acabar.

Começou a desabotoar a camisa dele tentando parecer calma, mas ela queria arrancar aquele pedaço de pano dele com mágica, fazendo-a desaparecer em um segundo. Enquanto estava naquela missão onde tinha que tentar prestar atenção no que fazia ao mesmo tempo que era beijada daquele jeito por ele, James segurou a alça fina de seu top e a abaixou lentamente pelos seus braços. Lily já estava quase abrindo toda a camisa, mas parou quando os lábios dele foram até seus ombros e começou a traçar o mesmo caminho da alça do top pelo seu braço.

Ele fazia as coisas mais simples serem tão boas. Sabia que comparar as pessoas não era justo e nem hora para isso, mas se fosse Edgar ali, ela não estaria sentindo nem 0,00001% do que sentia com James. E quando ele mudou de braço, deslizando os lábios em sua pele junto com a outra alça do top, começou a ter sérias dúvidas sobre transar ou não transar com James Potter no banheiro dos funcionários do Três Vassouras. Não era o ideal, mas ele estava fazendo bem difícil desistir daquela ideia mesmo sem tocá-la tão intimamente como já havia feito, deixando-a louca apenas com seus beijos e suas mãos que apenas a seguravam pela cintura e sua coxa.

- Lembra quando você me perguntou sobre eu não gostar de sardas…? - A voz dele estava ainda mais rouca do que antes. Ela olhou para ele, que tinha os olhos pelo seu colo até onde ele abaixou o top, bem acima de seus seios.

- Sim.

Lily tinha muitas sardas, isso era fato. O apelido que ele lhe dera não era infundado, pois ela as odiava desde pequena pois seu corpo, ou pelo menos a parte superior, era cheio delas: seu rosto, seus ombros, seu colo, seus braços. Sua mãe sempre dizia que eram lindas, seu pai sempre as elogiava. Sirius, quando menor, fingia que as pintava como se seus dedos fossem os pincéis laranjas e cutucava Lily por longos minutos.

James a chamava de Sardenta desde que se lembra, a irritando, mas depois ela se acostumou.

E agora. Agora, hoje, naquele banheiro, sentada no colo dele, James começou a beijar seu ombro devagar, cobrindo uma boa parte de onde suas sardas se espalhavam. Ele começou a descer pelo seu colo, ainda tão lentamente, fazendo Lily sentir-se hipnotizada, sua cabeça a ponto de tombar para trás com o quão delicioso aquilo era.

Segurando-a firmemente nas costas, ele começou a descer o corpo dela, deitando-a no ar como se estivessem em um passo de dança, mas com os lábios dele nunca deixando sua pele.

- Isso é o quanto eu gosto delas, todas elas. - Ele disse contra a sua pele. A língua dele passeou pelo seu colo, até acima de seus seios, voltando a subir.

- Mais! - Ela pediu com a cabeça no ar, suas mãos perdidas nos cabelos dele.

Ele puxou o top dela para baixo com os dentes e seus lábios finalmente encontraram o seu seio. Agora ela teve que se segurar no pescoço dele, a outra mão firme em suas costas, lutando contra a fraqueza que sentia. Quando ele trocou de seio, sentiu o corpo todo cair contra as mãos e braços dele.

Não aguentaria mais. Precisava que aquilo desse em algo naquela noite ou iria desfalecer ali mesmo.

Sentada estrategicamente onde precisava, tentou arrancar algo enquanto se remexia contra ele e o que conseguiu foram gemidos contra seu seio.

- Lily…

- Mais! - Ela pediu com a voz fraca.

A surpreendendo, ele levantou da cadeira segurando-a pelo quadril e a colocou sentada na pia. James estava em um estado louco: os cabelos completamente fora do lugar, o rosto mergulhado em tantos sentimentos, seus olhos estavam selvagens. Ele a beijou com tanta força, exatamente como ela estava precisando. Lily arrancou a camisa dele e nem viu quando ele a jogou em qualquer lugar. Ela o agarrou pelos braços, depois atacando seu peitoral, sua barriga, sentindo cada pedaço dele, depois descendo sua mão...

Pela primeira vez, ela se permitiu realmente tocá-lo, ainda que fosse por cima do jeans.

- Aqui não. - Ele parecia falar consigo mesmo sem parar de beijá-la, a segurando tão firme nos cabelos, que ela nem conseguia raciocinar.

- Aqui?- Ela perguntou apertando-o provocativamente, querendo saber se o problema era o modo como ela o tocava.

- Não, eu digo "aqui neste banheiro". Não vamos transar em um banheiro de funcionários, principalmente para uma primeira vez. Eu prefiro você bem esparramada em uma cama para isso.

Para ser sincera, ela não queria transar com James no banheiro dos funcionários também. Não naquela pressa, não com o medo de alguém descobri-los ali. Mesmo que tenha passado pela sua cabeça em transar com ele no banheiro da sua casa, também não era uma boa pedida.

Precisava de tempo com ele. Se apenas com aqueles amassos ela já enlouquecia, não conseguia imaginar como era transar com James Potter.

- Eu só quero te sentir. Você não? - Lily o respondeu ainda com as mãos em seu jeans. Ele soltou o ar e a beijou novamente.

Ele deslizou a mão pela coxa dela, subindo cada vez mais e levando sua saia junto. Eles se encaravam enquanto a mão dele entrava por entre os tecidos e quando seus dedos finalmente a tocaram. Foi leve de início, causando um arrepio em seu corpo, seus olhos se fecharem. James a segurou pela cintura e a puxou para mais perto, o que fez suas pernas se abrirem mais.

James se abaixou e sua boca deu toda a atenção para o seus seios, enquanto a sua mão parecia ter encontrado um trabalho em que era muito boa mesmo. Assim como no carro quando se beijaram pela primeira vez, ela sabia que em alguns segundos, ela iria ter um orgasmo.

Suas mãos soltaram qualquer parte do corpo dele e se segurou na pia, tentando recuperar o fôlego - era tão difícil respirar -, e pronta para aquilo. Estava a poucos nanosegundos daquilo…

Então James parou. Sua mão se afastou de sua calcinha, seus lábios subiram para o seu rosto novamente. E ele tinha um maldito sorriso presunçoso e malandro.

- O que você está fazendo? - Ela perguntou perdida e completamente sem fôlego.

- Alguém está tentando entrar! - Ele respondeu e arrumou seu top, puxando-o para cima. - Vamos ter que ir embora.

- Agora?!

- Agora!

- Eu não ouvi nada, você tem certeza?

Ele riu um pouco.

- Você estava tão longe, que não ouviu a porta balançar, a maçaneta girar e alguém dizendo que ia buscar a segunda chave. - James parou de sorrir ao dar um passo para trás e vê-la de verdade. Seu sorriso morreu no mesmo instante e aquilo deixou Lily em alerta.

- O que foi? - Perguntou, assustada.

- Eu te marquei inteira.

- Você me deixou uma marca? - Lily perguntou enquanto tateava o pescoço, mesmo sabendo que não sentiria nada.

- Não desse jeito. Você está toda vermelha. - Ele passou os dedos pelo seu pescoço e seu colo. - Acho que foi a minha barba e o fato de eu não ter sido tão delicado.

Ela se virou na pia e olhando pelo espelho, confirmou que boa parte do seu corpo superior estava vermelho como seus cabelos.

- Eu fico vermelha fácil. - Respondeu. Apesar de ter que arrumar um jeito de esconder aquilo, ela gostou de ver o caminho que ele fizera, onde sua boca estivera naqueles últimos momentos. Como uma memória.

- De qualquer maneira, eu vou tirar. - Dizia ele enquanto colocava sua camisa novamente.

- Tirar o quê? - Ela se virou para ele.

- A barba. Assim eu não te marco mais.

Ela se precipitou na pia e o puxou para perto.

- Não ouse. Eu adoro. - Passou a mão pela barba rala que ele tinha, que o deixava tão mais maduro, quase um outro James. Não o James que era o melhor amigo de Sirius, o pentelho da sua infância. Mas o James que a beijava como um louco dentro de banheiros, que a tocava e a levava até a Lua.

O seu James.

- Mas vou te marcar assim.

- Não tem problema.

A maçaneta começou a mexer novamente.

- Não sei, eu vim aqui antes e deixei aberta. - A pessoa dizia do outro lado.

- Eu não estou achando a segunda chave. - Outra pessoa respondeu parecendo mexer em um chaveiro cheio.

James foi até a porta e, limpando a garganta, respondeu.

- Estou saindo. Desculpe.

Houve um silêncio constrangedor do lado de fora, depois algumas risadas.

- Poxa, cara. Eu nem sei se prefiro que você esteja transando com alguém ou passando mal. De qualquer jeito, limpe o que você fez.

As duas pessoas se afastaram, trazendo alívio para ela. Alguns funcionários conheciam Sirius. Na verdade, alguns funcionários eram alunos de Hogwarts. O que menos precisava, era encontrar com alguém naquele momento.

- Você vai primeiro. - Disse James ao se aproximar e ajudá-la a descer da pia com menos impacto em sua perna. Ele abriu a porta e conferiu o corredor. Ela quase quis rir com aquela cena se repetindo em menos de 24h. - Está livre, vai.

Antes de sair, ela o puxou para um último beijo, o qual ele aceitou de bom grado.

- O beijo deste banheiro também não acabou, não é? - Ela perguntou.

- Nem um pouco. - James ajeitou melhor seu top e puxou seus cabelos para frente, tampando boa parte das marcas. - É uma promessa.

- Eu mal posso esperar, então.

Deu as costas e saiu com a cabeça baixa, evitando qualquer contato com qualquer funcionário que poderia aparecer no corredor, mas conseguiu sair tranquilamente.

A música era quase uma violência contra seus ouvidos agora. Estivera naquele banheiro calmo, tendo apenas as suas respirações e gemidos como trilha sonora e agora era atacada por um techno revolto

Passou pelas pessoas e foi em direção ao mezanino novamente, cumprimentando o seu novo amigo segurança que lhe dava passagem. Encontrou seu irmão e Marlene abraçados e conversando, dando alguns beijos entre algumas palavras. Remus ria e se divertia com Dora, os dois se aproximando cada vez mais. E ali, naquele momento, ela nunca quis tanto estar como eles, livres como eles. Com James.

- Onde estava? - Sirius perguntou ao vê-la parada no meio do lugar, os braços caídos ao lado do corpo, um pouco perdida.

- Dançando.

As luzes estavam por todo o lugar, piscando e girando. Seus olhos foram pegos pelos gestos discretos de Marlene. A garota apontava para o próprio pescoço e colo, mostrando que conseguia ver as marcas que o cabelo ruivo não cobriu.

- Com quem? - Sirius soltou Marlene e começou a vir em sua direção. Os olhos cinzas arregalaram quando ele se aproximou. Lily abriu e fechou a boca, mas não encontrou palavras. - Eu vou matar Gideon!

- O quê?

Sirius tentou passar ela, mas Lily o segurou. Remus apareceu no segundo seguinte, ajudando a contê-lo.

- O que está acontecendo, Sirius?

- Olhe para a minha irmã. Está toda marcada!

Remus deu uma segunda olhada para Lily e ela viu o olhar de pesar no amigo.

- Sirius, larga de ser idiota! - Dora surgiu ao lado do primo. Ela deu uma olhada em Lily e sorriu. - Isso sai rápido, é apenas marca de contato.

- Não me importa quando sai. - O irmão respondeu.

- Eles estavam dançando perto, provavelmente a roupa dele arranhou a pele dela. - Dora voltou a falar. - Ou a barba. Isso acontece.

- O que está acontecendo?

Agora era James quem chegava no círculo. Lily estava tão perdida, que não conseguia abrir a boca. Normalmente ela retrucava o irmão, até brigavam, mas estava com receio. Pela primeira vez, estava com receio em discutir aquilo com ele. Por James, pelo medo de algo escapar e ela dizer que foi James. Então apenas ficou com os olhos arregalados, a boca colada, assistindo tudo como se fosse um pesadelo, daquele tipo em que tinha que correr, mas não conseguia se mover.

- Gideon! Aquele maldito aconteceu. Eu não devia ter dado espaço para ele. - Sirius bradou e tentou passar novamente.

- O que ele fez? - James perguntou espalmando o peito do amigo e o impedindo de descer.

- Aquele desgraçado é um imbecil que...

Ela acordou. Balançou a cabeça e acordou, finalmente, no meio da frase do irmão.

- Cala a boca, Sirius! - Ela gritou. Levou as mãos aos cabelos, tentando controlar a raiva, a inconformidade com aquela cena. Ele não deveria mais fazer isso, não deveria. - Para, chega!

Todos eles congelaram, olhando para ela. Foi a vez de Sirius de arregalar os olhos, mas com receio da reação da irmã.

- Lily. - Ele soltou baixo.

- Chega, isso é insuportável. Me deixa em paz! Para, apenas para.

Ninguém ousou se mexer. Seu peito subia e descia tão rápido, mas infelizmente não era como estivera minutos depois, naquele banheiro em um mundo paralelo, onde só tinha ela e James, aos beijos, no paraíso.

- Vem, vamos embora. - Dora foi a primeira a reagir, indo até a prima. - Vamos pegar um táxi e voltar para casa.

Enquanto isso, James assistia a cena com o coração na boca. Era culpa dele, deixando aquele rastro vermelho na pele dela.

Assistiu Dora levar uma Lily ainda bem nervosa para baixo, enquanto todo o resto parecia não acreditar que viu uma Lily tão fora de si.

Sirius se virou e, xingando tudo e todos, foi até o bar. Marlene não o acompanhou, ela apenas deu alguns passos para trás e começou a olhar para a pista de dança, procurando. Remus estava perdido e tão fora do lugar quanto ele.

- Que porra! - Remus murmurou. Logo depois, ele olhou para James, o analisando. - Que porra! - Repetiu, mas James sentiu que daquela vez foi uma mensagem direcionada para ele.

Ele desviou e foi até Marlene que ainda parecia procurar algo na multidão.

- O que está fazendo?

- Ah, ali está. - Ela disse e apontou. James tentou seguir a direção, mas tinha muita gente junta. - Ali, de azul escuro.

Ela apontava para Gideon, que conversava animadamente com um grupo de amigos.

- O quê? Você quer montar uma gangue com Sirius e dar uma coça no cara também?

- Não. - Ela respondeu, ainda com os olhos fixos no ruivo. - Estava apenas confirmando. Ele está com uma camiseta normal.

- E daí?

- Se ele estivesse dançando com Lily, o algodão não iria fazer aquelas marcas.

- Quem se importa com isso? Lily pediu para que Sirius parasse. Você também deveria.

- Não estou querendo que Sirius continue isso ou parta para cima de ninguém, só estou tentando entender.

- Entender o quê?

- Como Gideon fez aquela marca com uma camiseta de algodão e como ele não parece ter nem um pelo sequer no rosto. - Marlene se virou para o primo e o encarou. James podia jurar que seus olhos desceram até a barba dele. - Poucos aqui têm. Fico imaginando, então, quem pode ter sido.

Novamente, ele estava acostumado em não entregar nada relacionado a Lily, então não reagiu como a prima devia estar esperando.

Por que eles não saíam do seu pé, aliás? Ela e Remus. Eles eram tão contra Sirius agir daquele jeito quanto ele, então qual diferença faz - caso eles soubessem que tinha sido ele o responsável -, ter sido ele, Gideon ou o Papai Noel?

- Não interessa o que aconteceu ou quem fez. Lily pode ter conseguido aquelas marcas de muitas maneiras, então não cabe a você analisar a roupa ou o rosto das pessoas. Para de botar lenha nessa fogueira, Lene.

- Eu não vou. Pretendo ajudar Lily nesta questão. Mas a pergunta é: e você?

- Eu o quê?

Marlene se afastou da grade, claramente querendo ir atrás de Sirius.

- Qual a sua pretensão nisso tudo?

Ela se foi, deixando James estático.

- Porra!


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Para quem não segue Duelling, aqui vai a minha mensagem:

Feliz 2022, pessoas bonitas. Sigam fortes, se cuidem e, caso você precise ouvir/ler isso: as coisas melhoram, independente de um novo ano ou não.

Beijos e até 2022 com mais capitulos!

P.S: desculpem os erros. As revisões dos últimos dias foram intensas e cansativas!