J~L
Amor mío
Meu amor
Si estoy debajo del vaivén de tus piernas
Se estou embaixo do vaivém das suas pernas
Si estoy hundido en un vaivén de caderas
Se estou mergulhado num vaivém de quadris
Esto es el cielo, es mi cielo
Este é o paraíso, é o meu paraíso
(Mana - Labios Compartidos)
- James!
Ele se virou para trás ao ouvir seu pai lhe chamar. Estava sentado de frente para a piscina e aproveitando os últimos raios de sol daquela segunda-feira enquanto terminava alguns resumos de Física Avançado.
Gostava de ficar nos jardins de casa quando precisava se concentrar ou pensar.
- Pensei que voltaria tarde. - Disse enquanto juntava todos os papéis e dava lugar para o pai sentar-se ao seu lado.
- Eu também, mas foi uma saída rápida, coisa que eu não esperava. Obrigado por levar os documentos até Londres.
- Sem problemas.
Fleamont tinha um laboratório em Londres onde passou boa parte de sua vida. Ele amava aquela vida, os testes, as descobertas. Quando começou a envelhecer, os anos enfiados naquele lugar começaram a cobrar: cansaços, dores de cabeça, dores no corpo. Aos 60 anos, o patriarca já não aguentava as horas em pé, os horários doidos que precisava fazer para estar presente para os resultados. Não largou o laboratório, mas ia com menos frequência e mais para gerenciar do que para qualquer outra coisa.
James, assim que conseguiu sua carta de motorista, se ofereceu para fazer muitas coisas para ele, evitando ainda mais as idas e vindas do pai. Afinal, Fleamont não estava na flor da idade e se ele pudesse fazer qualquer coisa para evitar que o pai ficasse mal, ele faria.
- Eu era péssimo em Física, sua mãe também. Não sei de onde você tirou esse talento. - Fleamont comentou ao ver as notas do filho.
- E eu sou bem ruim em Química.
- Nem todas as coisas boas você pode tirar dos seus pais. Você já nos roubou todos os genes da beleza.
James riu, porque era verdade. Em uma humilde opinião, seus pais foram bem generosos nesse quesito.
- Ainda bem.
- Você também é inteligente, então fico feliz que também pegou isso.
- Pai, eu já não sei se você está elogiando seu filho ou você mesmo agora.
Fleamont deu de ombros e sorriu. Aquele sorriso que era igual ao do filho.
- Com tudo isso dito e com tudo isso que você herdou de nós, o que faz aqui em uma segunda ensolarada? - Fleamont mudou de assunto.
- Eu tenho que entregar trabalhos e lições se eu quiser ter um diploma, sabe.
- Sim, sim. Mas digo, foi um bom dia para passear, tomar um sorvete...acompanhado. E meu filho está nos jardins, fazendo resumos de Física.
Entortou a boca e voltou sua atenção para os papéis.
- Eles estão anunciando sol toda a semana. - Respondeu vagamente.
- Ah sim, isso é verdade.
- Além do mais, é segunda-feira.
- Isso impede algo? - Fleamont perguntou.
- Não exatamente, mas tenho muita coisa para fazer se eu quiser ficar livre a partir de sexta-feira.
Levantando enquanto ria levemente, Fleamont se esticou.
- Justo. Você deve saber melhor do que eu como gerenciar seus horários. Eu acho que a tarde de hoje me deixou um pouco mole, pensando que meu filho poderia estar aproveitando por aí. - O pai se esticou, feliz, enquanto olhava em volta. - Fui comprar um presente para a sua mãe, sabe. Nós comemoraremos o nosso aniversário de encontro esse fim de semana.
- Uuhhh! - James gemeu. Na primeira e última vez que aceitou jantar com os pais nesse aniversário de encontro anual, se arrependeu 200%. Foi o suficiente para traumatizá-lo para a vida.
Fleamont riu um pouco mais.
- Eu também reagi assim na primeira vez que sua mãe propôs para comemorarmos essa data. Afinal, é só o dia que nos conhecemos. - Fleamont revirou os olhos. - Mas quando a noite termina, tudo vale a pena
- Eu espero que você esteja falando sobre estar feliz em jantar com ela, ao invés de outra coisa.
- Vou deixá-lo com a dúvida.
James fechou os olhos, querendo esquecer aquela conversa.
- Tchau, pai. Nos vemos no jantar - Tentou se desembaraçar daquela conversa.
Rindo e orgulhoso, Fleamont deu as costas e voltou para a casa principal.
James largou os papéis ao seu lado novamente e se recostou na cadeira, deixando a Física completamente esquecida.
Pegou-se pensando quando foi o seu encontro com Lily. Foi há tanto tempo, tantos anos, que dificilmente lembraria. Conheceu Sirius na escola quando tinham 4 ou 5 anos. Nem isso lembrava. Então deveria ter sido começo de Setembro. Imaginava que não demorou muito para conhecer Lily, já que ela estava na mesma escola.
Lily meio que fazia parte da sua vida desde sempre, assim como Sirius e Remus. Era difícil pensar em momentos que eles não participaram de algo como aniversários, festas ou o que fosse.
Também não conseguia lembrar como começou a gostar dela.
Quando o assunto "garotas" começou a ficar cada vez mais recorrente entre os amigos, quando eles olhavam para elas de um jeito diferente na escola, foi o momento que ele pareceu "ver" Lily. E dali para frente, tudo perdeu o freio.
Foi um pouco depois dos treze anos, diria. De alguma forma, os cabelos de Lily pareciam legais, seus olhos muito bonitos, seu sorriso cada vez mais cativante. Ela adorava irritá-lo, assim como ele adorava irritá-la. Tinha um carinho e admiração enorme por ela, mas nunca como um irmão, não como ele via Sirius como irmão.
Deveria ter visto Lily e a considerado como uma irmã, então hoje em dia ele não estaria arrancando os cabelos por conta daquela situação.
Abriu um sorriso bobo. Ou talvez não. Apenas deveria entender que a coisa aconteceu como deveria.
Foi difícil ter que se forçar a não pensar em Lily daquele jeito depois daquela festa maldita e do imbecil do Pettigrew. Tudo o que ele desejava virou tão fora de mão, tão inacessível, que teve que aprender apenas a admirar de longe, sua cabeça pareceu aprender a lidar com qualquer situação com Lily em volta e seu coração se acalmar em sua presença.
Nem havia espaço para fantasias mais, muito menos suspiros. Ele a via, sabia o quanto gostava dela, o quanto admirava, o quanto gostaria de estar com ela, mas seu cérebro entendia que nunca a teria, então ele simplesmente meio que vivia com aquele sentimento como se fosse parte do seu dia a dia. Não é mais novo, não é algo excitante, mas apenas está lá.
James não tinha o coração disparado quando via seus amigos, ou seus pais. Ele os amava e aquele amor fazia parte dele e ele sabia que o sentimento estava lá. E isso não era diferente em relação à Lily. Viveu por anos com o fato de que a ama - de um jeito diferente do que sente pelos outros, isso é fato - e por anos lidou bem com aquilo.
Mas agora as coisas mudaram. Depois de tantos anos, ele a beijou. Esteve em seu quarto, em sua cama e a beijado mais. Em seu banheiro, no banheiro do Três Vassouras.
Começou a rir sozinho ao pensar naquilo. Era difícil acreditar que era Lily com ele naqueles momentos, pois ele nunca esperou que acontecesse. E não pensava nisso de um jeito romântico como "oh, eu não acredito que é ela de verdade", mas de uma maneira completamente sóbria. Porque era realmente estranho saber que era ela depois de todos aqueles anos.
Mas era ela e era o que importava. E não contente com o fato de que era ela mesma, uma vez não tinha sido o suficiente. Nem só para ele, aparentemente.
Uma fala do filme Um Lugar Chamado Notting Hill - um dos preferidos de sua mãe e que foi obrigado a ter como som de plano de fundo mais vezes do que gostaria em sua vida - veio em sua cabeça quando Anna Scott diz para William Thacker que era melhor não contar para ninguém o que aconteceu entre eles e ele responde: "Claro, ninguém. Eu vou contar para mim mesmo às vezes. Mas não se preocupe, eu não vou acreditar".
Lily não era uma atriz estadunidense famosa e ele estava longe de ser como Hugh Grant - em todos os aspectos -, mas aquela frase parecia se encaixar no momento.
Se parasse para pensar, Lily quase parecia uma atriz famosa, pois ela havia sumido desde que saiu do Três Vassouras com Dora no sábado à noite. Naquela manhã, quando passou na casa dos Black-Evans, ela já tinha partido e Sirius estava na cozinha sozinho e com uma cara horrível. Aparentemente, os irmãos não estavam se falando e Alice passou cedo para dar carona para a ruiva. Em Hogwarts, ele a viu por cinco segundos quando trocavam de classe e foi naquele momento que ele entendeu que tudo o que sentia antes, toda aquela história de ter se acostumado com o que sentia por ela, havia ido para o ralo.
Não foram os beijos, as conversas, os toques, mas sim aqueles cinco segundos. Bastaram aqueles cincos segundos em que seus olhos se conectaram no meio do corredor cheio de alunos, para ele entender que aquilo estava fora de controle novamente. Não era um pre-adolescente em uma festa, pronto para se declarar e chamar a garota que gostava para sair, mas era um cara de dezoito anos que tinha total - ou quase - controle de sua vida, capaz de fazer muito mais do que aquele James tão novo e que mal sabia beijar na boca.
Bastou os olhos de Lily se encontrarem com os dele naquele corredor, seu sorriso se abrir ao vê-lo, uma leve levantada de sobrancelha para ele...foi tudo o que ele precisava para que o fato de Sirius ter surtado ao ver as marcas que James deixou nela após aquela sessão no banheiro do Três vassouras, não importar.
Sim, ele ainda tinha um peso nos ombros ao saber que fazia aquilo escondido do seu melhor amigo e irmão de Lily, mas cinco segundos daquela segunda-feira foram sua perdição.
No final de tudo, independente de como sempre lidou com seus sentimentos, Lily era sua perdição.
L~J
Largou sua caneta, seu caderno e fechou seu laptop.
Sua cabeça estava explodindo com tanta geometria. Era uma matéria que odiava e que se enfiou a tarde inteira apenas para tentar focar em algo diferente. Estava surpresa consigo mesma em ter usado geometria para isso, mas precisava estar distraída o suficiente para que James Potter pudesse lhe dar alguns momentos de paz.
Girou na cadeira e se levantou, andando pelo quarto.
Os números e os cálculos foram substituídos na velocidade da luz pela imagem de James e por tudo o que passaram nos últimos dias. O jantar onde esteve sentada ao lado dele e a brincadeira dela por baixo da mesa, subindo a mão por sua perna...depois os dois naquele quarto e todos os momentos que teve com ele depois disso.
Ele era viciante. James era pior do que droga, pior do que chocolate. Parecia entrar em sua pele com as palavras, com o jeito que a tocava. Apenas ao pensar naquilo, tinha a impressão que sentia seus dedos em sua pele agora. Era sempre gentil, mas firme, lhe dando toda a segurança do quanto ele a queria, o quanto ele estava com ela naquele momento.
Parou sua andança pelo quarto quando alguém bateu na porta, trazendo-a para a realidade que vivia na sua casa no momento.
Desde que foi embora do Três Vassouras, após aquele mini ataque de Sirius sobre as marcas que ela tinha, não falou com o irmão. Não desceu para o café da manhã no domingo, pois ainda espumava de raiva. Teve que se despedir de Dora e Andrômeda bem rapidamente com a promessa de que se veriam logo e de que Dora tinha o telefone de Remus agora. A prima parecia tão contente com aquele fato que parecia ir embora flutuando em uma nuvem de positividade.
Já Marlene, antes de partir para Oxford com Sirius, passou em seu quarto. A garota tinha uma expressão de pesar:
" Após um longo abraço de despedida, ela segurou os ombros de Lily e a fitou seriosamente:
- Escute...eu sei que você sabe que eu também vim falar em nome do seu irmão...
- Argh! - A ruiva reclamou quando se soltou dos braços de Marlene.
- Mas o que eu quero falar é: ele te ama, ele quer o melhor para você...mas ele não sabe como fazer isso direito. Eu soube que algo ocorreu no passado, apesar de não saber o quê, e que isso abala Sirius toda vez que chegamos perto demais do assunto. Ele vai passar por isso eventualmente e as coisas vão melhorar. Eu sei que ele está se esforçando.
- Sim, eu sei.
- Mas...não deixe com que essa falta de tato dele estrague algo. - Marlene passou a mão carinhosamente pelo rosto de Lily. - Principalmente se for algo tão bom e que te faça bem.
- Não deixarei. - Lily respondeu abrindo um sorriso sincero.
- E não deixe que isso assuste a outra pessoa também. O que vocês vivem, só diz respeito a vocês e a mais ninguém. Quando você se sentir pronta para vir à tona com a história, então faça. Mas não se sinta na obrigação de fazê-lo por conta do seu irmão.
Lily a encarou, absorvendo bem aquelas palavras. James havia dito que a prima parecia desconfiada de algo e aquelas palavras poderiam ser muito bem um indício, mesmo podendo ser um conselho para qualquer outra pessoa.
- Eu manterei isso em mente. Obrigada.
- Me ligue se precisar de algo. Estou em Oxford, mas posso estar aqui para você também."
A porta do quarto abriu e sua mãe apareceu pela fresta.
- Querida, podemos conversar? - Lily assentiu e sentou aos pés da cama, mas se levantou quando Geneviève abriu a porta e Sirius estava ao seu lado. Estava pronta para argumentar, mas sua mãe levantou a mão a impedindo. - Vocês sabem que eu não gosto de me intrometer em seus assuntos quando não sou chamada, mas há coisas que eu não posso ignorar.
- Eu disse que isso seria uma perda de tempo. - Sirius disse ao lado da mãe e deu as costas, pronto para voltar para o seu quarto, mas Geneviève o segurou pelo braço.
- Não, não. Vamos resolver isso agora.
- Não há nada para resolver. - Lily argumentou.
Geneviève apontou para o quarto, pedindo para que Sirius entrasse. A contragosto, ele assim o fez. Lily cruzou os braços com força ao ver o irmão parar em sua frente, mas com uma distância considerada segura. Geneviève também entrou e logo colocou as mãos na cintura.
- Vocês sabem que eu sou muito tranquila, porque vocês nunca precisaram que eu enlouquecesse. Nós sempre conversamos nessa família, é uma regra básica desde o começo, certo? - Os dois irmãos apenas fizeram barulhos com a boca, concordando. - O seu pai também nunca precisou enlouquecer com vocês, sempre prezando pela conversa. Isso sempre funcionou. - Os dois continuaram emburrados, fazendo a mãe olhar de um para o outro. - Eu posso saber o porquê dos meus dois filhos não estarem se falando desde o fim de semana?
De repente, os dois começaram a falar, se atropelando nas palavras, apontando braços para todos os lados, gesticulando, puxando a camiseta para mostrar o pescoço e muito mais. Geneviève levantou os braços e foi o suficiente para os dois pararem. Ela respirou fundo e passou a mão pelos cabelos.
- Um de cada vez. Como eu não sei quem começou o problema, vocês sabem como decidir quem começa.
A mãe deu um passo para trás, os dois irmãos se aproximaram e jogaram pedra, papel e tesoura três vezes. Era um jeito que os dois arrumaram para dar a voz entre eles. No começo os pais não foram muito a favor, mas nenhuma outra maneira parecia funcionar com os filhos, então deixaram com que eles usassem aquele modo de decisão, já que não causava briga.
Sirius venceu. Lily revirou os olhos e voltou para o seu lugar, enquanto o irmão permaneceu no meio do quarto.
- Eu não estou bravo com Lily. - Ele começou. Geneviève levantou uma sobrancelha surpresa para ele. - Ela está brava comigo, mas porque eu fiquei bravo no Três Vassouras.
- Por que você ficou bravo no Três Vassouras? - Geneviève perguntou.
Ele olhou para Lily e a irmã apenas deu de ombros, indicando que ela não se importava se a mãe soubesse do problema.
- Gideon marcou Lily.
As duas ruivas olharam para ele. Lily quase engasgou. Ele ainda pensava que era Gideon quem a deixou toda vermelha? Ela não havia negado, claro, mas não confirmou também. Não imaginava que ele tinha mergulhado de vez naquela hipótese.
Bem, era uma boa saída, melhor do que a verdade, mas não sabia que Sirius tinha se fixado no garoto.
Lily sentiu os olhos da mãe em si, sentindo que estava sendo escaneada por inteiro.
- O que quer dizer com isso? - A mãe perguntou, já que não via nada.
- Não tem mais nada, eram apenas marcas vermelhas pelo pescoço, no colo dela. No colo!
Geneviève encarou o filho por alguns segundos, talvez esperando por algo mais.
- Isso é tudo, Sirius? - Ela finalmente perguntou.
- Sim.
Os dois voltaram seus olhos para Lily. Isso era o sinal de que ela, agora, tinha a voz.
- Eu estou brava, porque eu quero viver! - Lily disse abrindo os braços e levantando o tom de voz. A mãe lhe lançou um olhar de aviso para que ela mantivesse a calma. - Sirius não tem que se intrometer na minha vida, mãe. Eu posso beijar e fazer o que quiser com quem eu quiser!
- Edgar Bones está fora de cogitação. - Sirius voltou a falar e se virou para a mãe. - Ele dá remédio para as garotas para que elas fiquem quase desacordadas; traz garotas para umas orgias doidas e provavelmente coisas ainda piores.
- Meu deus, isso é verdade? - Geneviève se virou chocada para o filho.
- Eu não quero Edgar! - Lily respondeu, nervosa. - E ele é um idiota mesmo, mas está fora de jogo já.
Os dois irmãos voltaram a discutir e Geneviève encarava o vazio por alguns segundos antes de balançar a cabeça e levantar os braços novamente. Os dois pararam imediatamente.
- Edgar já te deu algo? Ele fez algo? - Perguntou para a filha.
Ele tinha chamado uma garota para participar de algo entre eles e sem ter pedido para ela, mas achava que não precisava preocupar a mãe com isso, ou o irmão. Apesar dos pesares, Sirius não estava ciente disso, apesar de James e Remus sim.
E se um deles tivesse dito algo, sabia que Edgar não teria se safado de Sirius.
- Não. - Respondeu simplesmente.
- Ótimo. - Geneviève se virou para o filho. - Sirius...
- Mãe, o cara marcou a minha irmã em uma festa. Sabe o porquê os idiotas de Hogwarts fazem isso?
- Por quê? - As duas ruivas perguntaram juntas.
- É uma espécie de marcação de território, quer mostrar que aquela pessoa é dele. Existe até competição em festa para ver quem faz mais. Os caras decidem em uma roda a "assinatura" de cada um, o lugar onde cada um vai fazer a marca. Aí no final, eles saem contando para saber quem tem mais marcas pela festa.
A mãe e filha tinham o rosto contorcido de desgosto.
- Você faz isso? - Lily perguntou.
- Claro que não! - Sirius respondeu ofendido.
- Mas já fez?
- Não, nunca fiz. Mas eu não preciso fazer para saber como funciona. Então não, eu não vou gostar de ver que um cara fez isso com a minha irmã. Você não vai andar por ai com uma marca no corpo feito por um idiota que acha que te domina!
Lily cobriu o rosto.
- Ninguém me domina, Sirius. E isso inclui você! Só por você não me marcar como um gado, também não quer dizer que tem que ficar por aí afastando os caras de mim, botando medo neles ou o que for.
- Eu fiz isso com os idiotas.
- Para você, todos são.
- E é a minha culpa eles serem? - Sirius abriu os braços.
Ela soltou um riso pelo nariz por já terem tido essa conversa antes.
- Ok. - Geneviève interveio. - Vamos devagar aqui. Lily, querida, eu entendo o que o seu irmão está falando. Nós sempre tivemos conversas abertas e francas sobre garotos, beijos, sexo e tudo mais. Eu também não gosto dessa coisa de marcas, independente de ser competição ou não.
- Não foi de propósito! - Ela se defendeu, mas sabendo que estava defendendo mais James do que qualquer coisa. - Eu sei que não foi, porque ele viu e ficou chateado. Foi apenas um acidente. Ele não faz parte desse grupo que sai marcando as garotas ou o que for.
- Como você pode ter certeza? - Sirius perguntou.
- Eu o conheço.
- Você mal falava com Gideon até uns dias atrás, Lily! Você nem sabia sobre Edgar Bones e as merdas que ele faz e vocês estavam há alguns meses juntos, não?
O nome de James parou na ponta da sua língua, quase escapando. Não podia simplesmente falar sobre isso sem saber se James queria aquilo. Ele não era Edgar, um Zé Ninguém para Sirius, e nem Gideon, um cara aleatório da escola. Era James. Qualquer merda que escapasse sobre aquilo não seria apenas um respingo e James tinha o direito de escolher e aceitar contar.
- Apenas acredite em mim dessa vez. Eu sei que não foi de propósito. - Sirius cerrou os olhos, desconfiado. - Olha, muito obrigada por me contar sobre essa coisa das marcas e o que os caras fazem. Eu não sabia, é muito bom saber e, de certa forma, eu fico agradecida por você me defender nesta questão. Mas é isso, Sirius, e acabou. O resto eu tomo conta, eu me viro.
- Mas Gideon...
- Pare, chega de Gideon aqui e ali.
- Vocês estão namorando então?
Lily abriu a boca, mas não tinha ideia do que responder. Era a hora de dizer que não tinha nada com Gideon, mas Sirius entraria na história das marcas e iria querer saber quem as fez, tendo certeza que tinha sido de propósito.
- Não, não estamos namorando. - Respondeu. Era a verdade, pelo menos.
- Por que não? - Sirius cruzou os braços. - Ele quem não quer? Prefere ficar com você só de vez em quando e com outras ao mesmo tempo?
- Sirius. - Lily pediu, revirando os olhos.
- Porque eu posso falar com ele, você sabe.
- Você não vai falar com ninguém. - A mãe se intrometeu. - Sirius, Lily não quer que você se envolva, não quer que você fale com os garotos.
- Mãe, se os caras querem apenas se aproveitar da minha irmã, eu tenho que fazer algo. Eu tenho que proteger Lily.
- Eu fico tranquila ao saber que você quer tanto proteger a sua irmã, mas há limites! Ela vai viver a vida dela como ela quiser, sem a sua interferência. Estamos entendidos?
Sirius cruzou os braços.
- Sirius...- Lily se aproximou dele. - Se alguém te machucasse, eu ficaria maluca! Se Marlene fosse uma idiota e te machucasse, não existiria canto neste mundo que ela poderia se esconder, porque eu iria encontrá-la e acabaria com a raça dela. Se qualquer outra pessoa ousar fazer qualquer coisa com você, tenha certeza que eu serei a primeira a me jogar na briga. Eu sei que você faria o mesmo por mim, mas não precipite as coisas, ok? A coisa nem aconteceu e você já está na guerra.
- Não custa nada ser precavido.
- Neste caso, custa. E quem paga o preço sou eu.
Viu que os olhos do irmão amoleceram. Olhou para a mãe e viu que ela também parecia ver Sirius abaixando as armas.
- Eu sei que errei, eu ferrei tudo. - Sirius disse em tom de desculpas. - Eu não quero saber o que você anda fazendo, então. Honestamente, eu não quero saber. Se ele fizer merda, eu quero saber, mas... - Ele fez uma pausa, fechando os olhos. - Dane-se. Eu preciso só de um tempo...para lidar com algumas coisas.
Sem se explicar mais, Sirius saiu do quarto, deixando a mãe e a irmã confusas.
- Você sabe do que ele está falando? - Lily perguntou.
- Não. - Geneviève respirou fundo. Ela segurava sua corrente, um presente de Orion quando eles se mudaram para aquela casa e que ela nunca se separava. Na mesma semana do presente recebido, segundo a mãe, ela comprou dois pingentes: um com a letra S e outro com a letra L. Naquele momento, ela segurava o pingente com a letra S.
Sua mãe sempre foi a melhor mãe que existe, nunca sendo menos para Sirius por não terem o mesmo sangue. Ela o amava como se tivesse dado à luz. Sabia que ela era grata pelo seu pai ter trazido Sirius em sua vida e também sabia que ela morria de medo de Sirius achar que ela o amaria menos por Orion ter partido e ela ficado.
Lily também sabia que tanto Sirius quanto ela nunca fizeram loucuras, por respeito à mãe que sempre estava ali por eles, mas que sofria tanto pela ausência do amor da sua vida. Era difícil para ela de tantas maneiras, que sentia-se culpada e ingrata quando deixava a mãe triste ou decepcionada.
Imaginava que naquele momento, Geneviève apenas desejava voltar para os braços de Orion e conversar sobre os filhos, porque ela mesma adoraria poder abraçar o seu pai agora.
- Eu também queria que ele estivesse aqui. - Disse Lily.
Geneviève levantou os olhos para a filha e sorriu fracamente antes de se virar e sair do quarto.
Não viu mais o irmão depois, mas ouviu quando ele saiu de casa antes do jantar e só voltou perto da meia-noite. Sabendo que o irmão estava bem e seguro, deixou a preocupação cair de seus ombros e finalmente se permitiu dormir.
Acordou na manhã seguinte e ainda estava escuro lá fora. Tomou um banho tranquilo e foi tomar o seu café da manhã mais cedo.
Geneviève já havia partido. A mãe se isolou no quarto após o jantar e Lily sentiu-se mal por ela. Só podia imaginar o quanto ela sentia falta de Orion nesses momentos de crise. Ela sempre foi uma mãe justa, mão firme quando precisava, mas sempre tentava resolver as coisas com calma. Nunca gritou, nunca precisou gritar, mesmo nas piores brigas quando eles eram crianças. Era tudo resolvido com uma boa conversa.
Só que agora eles não eram mais crianças e discordavam de muitas coisas, deixando as conversas mais complicadas.
Tomava o café e esperava que seu irmão descesse logo para poder olhar para ele e confirmar que estava bem, apesar de tudo. Não estava mais brava com ele e estava grata pela mãe intervir e os feito conversar, mas como a conversa terminou um pouco abruptamente - mesmo que Sirius não parecesse bravo -, ainda precisava ter certeza de que as coisas poderiam voltar ao normal.
Não queria que aquilo fosse mais longe do que deveria. Vinham brigando muito nos últimos tempos e apenas desejava estar bem com ele.
Quando Sirius finalmente desceu e entrou na cozinha, murmurou um "bom dia" quase inaudível. Ela respondeu normalmente, assistindo-o preparar o café. O barulho da máquina de café era quase um berro naquele silêncio mortal, deixando-a mais ansiosa a cada segundo. Sirius pegou sua xícara e começou a tomar, sem se virar para ela.
Lily se ajeitou em seu lugar.
- Está tudo bem?
Viu que Sirius congelou com a sua pergunta. Colocou a xícara em cima do armário e virou o pescoço o suficiente para olhá-la.
- Por quê?
- Você sumiu ontem e voltou tarde. Fiquei preocupada. Estava com os caras? - Ela colocou uma boa quantidade de frutas na boca.
- Desculpa, eu não sabia que estava esperando por mim. Mas sim, estava com eles, nos distraindo.
- Certo.
Ele continuou a beber seu café, mas dessa vez se posicionou de lado, tendo uma visão periférica dela e do resto da cozinha, se abrindo mais para a conversa.
- Foi tudo bem no jantar ontem? - Ele voltou a perguntar.
- Sim, tudo bem. Comemos salada.
- Hmm.
Silêncio novamente. Sirius se movimentava, preparando torradas, tomando seu café, e ela ficava em seu lugar com suas frutas.
- Você tem consulta hoje, não? Com o seu médico. - Ele recomeçou a conversa.
- Sim, tenho. - Ela confirmou.
- A mãe vai te encontrar lá, mas não vou poder te levar. Você se importa se Remus te dar uma carona?
Ok, aquilo era novo. Estava acostumada a ter o irmão em cima, inclusive em suas consultas, querendo saber tudo e mais um pouco.
- Onde você vai? - Não resistiu perguntar.
- Terapia.
- Mas sua terapia não é na quinta-feira?
- Também!
Seu peito apertou. Sirius não tinha dupla terapia há anos.
- Terapia?! Duas vezes na semana? - Sua voz tremeu. Dupla terapia significava que seu irmão não estava bem e isso a assustava a cada segundo.
- Está tudo bem. - Ele respondeu. Ouviram a porta da frente abrir e Sirius se virou para ela com um sorriso que não alcançava seus olhos. - Está tudo bem, Lily.
Os passos de James se aproximavam e ela viu quando Sirius acenou com a cabeça para o recém-chegado. Lily ainda mantinha os olhos no irmão e mal viu quando James roubou um pedaço de kiwi.
- Bom dia, Sardenta.
- Bom dia. - Ela respondeu automaticamente, sem tirar os olhos do irmão.
- Vou pegar minhas coisas. Você está vindo cada vez mais cedo. - Sirius brincou e deu um tapa no ombro de James, saindo da cozinha.
Fechou os olhos e deixou aquela informação ser processada. Sirius fazia terapia desde criança e a única vez que precisou de duas sessões por semana foi após a morte de Orion. Viraram três sessões após Peter Pettigrew.
Após mais de um ano assim, conseguiu voltar para apenas duas, depois para apenas uma.
- Ei, o que foi?
A mão de James chegou até seus cabelos, depois em seu rosto. Era um toque tão bem-vindo, tão carinhoso, fazendo seu peito aquecer. Seus ombros caíram, deixando a tensão se esvair um pouco.
Ela sentiu tanta falta dele desde sábado. Não teve notícias no domingo e ontem, em Hogwarts, se viram tão rápido no corredor. Foi apenas uma troca de olhares, mas sentiu que mensagens foram trocadas entre eles apenas nesse momento. Não sabia explicar, foi diferente de qualquer olhar que você envia ou recebe de alguém normalmente... era carregado de algo, desejo talvez, querendo esquecer tudo o que estava acontecendo ao redor e apenas poderem matar aquela vontade deles.
Ela quase correu até ele e o beijou no meio de todos os alunos, mas teve que quase pregar os pés no chão.
- Sirius não está bem. - Ela respondeu ainda de olhos fechados, aproveitando o carinho dele.
Ouviu James suspirar e abriu os olhos, finalmente vendo-o naquela manhã. Ficou feliz em ver que ele não tinha feito a barba após sábado, apesar dela estar levemente mais rala.
- Não, ele não está. - James respondeu cruzando os braços no balcão ao seu lado. - Mas ele vai ficar, porque ele quer ficar e isso já é um imenso passo.
- Ele terá duas sessões de terapia por semana.
- Sim e isso é bom, não? Seu irmão quer ficar bem logo. - Lily respirou fundo e abaixou a cabeça. - Ele quer ficar bem por ele, para ter paz, para se livrar das coisas que o impedem de muita coisa. Mas saiba que ele também está fazendo por você. - James levantou o rosto dela delicadamente para olhá-la nos olhos. - Ele quer mudar por você também. Sirius quer te ver feliz mais do que qualquer coisa.
- E eu quero que ele seja feliz também.
- Ele irá. Vai ser um processo demorado para as coisas acontecerem, você sabe, mas tudo vai se acertar. Nós vamos estar aqui para ele.
Naquele momento, Lily percebeu que não existiria nenhum outro cara no mundo que ela pudesse beijar e sentir todas aquelas sensações doidas e que, ao mesmo tempo, apoiaria tanto Sirius como James. Eles sendo melhores amigos era ruim por Sirius ser super protetor. Mas também era maravilhoso, pois sabia que James nunca deixaria o lado do irmão.
Aquela constatação agiu nela, fazendo-a se debruçar no balcão e beijá-lo de leve. Era maluco o quanto ela sentia falta dos lábios dele.
Não era justo ele ser tão viciante assim.
- Eu prefiro um bom dia desta maneira do que o xoxo que eu recebi alguns segundos atrás. - Ele sussurrou contra sua boca.
- Não que eu pudesse te cumprimentar do jeito que eu queria na frente do meu irmão...
- Não podia. - Ele respondeu beijando provocativamente cada canto de seus lábios. - Mas ainda não me impede de querer, especialmente depois de tanto tempo sem.
- Foram apenas dois dias. - Ela disse, apesar de estar completamente de acordo com ele.
- Tempo o suficiente! - James reclamou.
- De sentir saudades? - Ela sorriu.
James se afastou de sua boca, sorrindo como ela, passeando um dedo pelo rosto dela. Lily estava a ponto de derreter.
- Não tem como não sentir. - Ele respondeu. - Saudade de te beijar, de...
Ouvindo Sirius nas escadas, ele se afastou imediatamente e pegou o resto das frutas delas, comendo como se fosse seu próprio café da manhã e que não estava seduzindo a irmã do amigo na cozinha.
- Saiba que seja o que for o resto da sua frase, é recíproco. - Lily respondeu antes do irmão entrar. Olhou no relógio e percebeu que os dois estavam adiantados, enquanto ela parecia a atrasada da vez. Se virou para o irmão. - Me dá uma carona hoje?
Sirius pareceu surpreso, mas longe de ser uma surpresa ruim.
- Claro.
- Eu já volto.
Assim ela subiu para o quarto com dois sentimentos mistos: a confusão e preocupação sobre seu irmão, mas a alegria que James lhe dava.
Enquanto isso, James terminava as frutas de Lily e olhava de lado para Sirius. O amigo tinha o olhar perdido no jardim e rodava as chaves do carro no dedo.
- Ela não parece mais brava. - Decidiu comentar.
Ontem, quando Sirius apareceu de repente em sua casa e o arrastando para pegarem Remus, não perguntou nada. Sirius dirigiu por bairros, estradas que James nunca tinha ido. Eles não conversaram, ou não sobre algo específico, apenas deixando a música tocar bem alto. Pararam em uma pizzaria bem duvidosa e comeram três pizzas em um estacionamento que ele não saberia dizer onde era ou porque fedia tanto.
Pensou que as coisas tinham ficado piores, que os irmãos tinham discutido e brigado mais, mas não era o que parecia naquela manhã. Talvez eles tivessem se entendido quando Sirius voltou para casa?
- Não está mais.
A voz dele estava miserável. James o assistiu saindo da cozinha como se carregasse o mundo nas costas, um pouco curvado. Não gostava de vê-lo assim. Sirius era um cara que sofreu bastante e ele sabia. Quantas vezes, quando crianças, o amigo sentava ao seu lado quando dormiam um na casa do outro e contava das coisas que sentia. Naquela época, James não entendia muito e duvidava que o próprio Sirius soubesse o que sentia e o porquê, mas agora quando pensava nas palavras do amigo daquela época, entendia que ele não sentia-se digno do amor de Geneviève, um amor de mãe, menos ainda de Lily, o que o impelia a fazer de tudo para ser amado, parecendo não saber ou ver que ele era boa parte do mundo para as duas.
- Estou pronta! - Lily disse quando terminou de descer as escadas e os encontrou na entrada.
James assistiu os dois entrarem no carro de Sirius e os seguiu até Hogwarts. Lily agradeceu a carona para o irmão, fazendo Sirius revirar os olhos. Ela se despediu de James de longe e piscou para ele quando percebeu que ninguém prestava atenção nela. James sorriu e piscou de volta enquanto se aproximava de Sirius e ambos se dirigiam até Remus.
- Olá, casal. - Remus os cumprimentou no estacionamento. Sirius apenas levantou o braço em um aceno sem graça e continuou o seu caminho. - O mesmo problema de ontem? - Ele perguntou para James.
- Eu nem sei mais o que está acontecendo.
- Eles brigaram mais? - Remus voltou a perguntar.
- Pelo pouco que entendi, não. Lily parece ok, mas preocupada com ele. Sirius parece que desligou do mundo. - James cumprimentou algumas pessoas que acenaram e bagunçou os cabelos ao voltar para Remus. - Eu acho que ele precisa falar, botar algo para fora, mas não está conseguindo. Você viu ontem: ele ficou calado o tempo inteiro, mas está claro que tem muita coisa acontecendo ali dentro.
- Algo sobre Lily?
- Não sei, mas começo a ter a impressão de que há algo a mais do que estamos vendo.
Os dois amigos franziram a testa ao mesmo tempo ao ver que Sirius pegou o caminho oposto do que deveriam fazer. Eles se entreolharam, mas o seguiram.
- Onde está indo? - Remus perguntou quando finalmente alcançaram o amigo.
- Preciso só fazer uma última coisa. E é a última vez, eu prometo.
- Do que você está falando? - James perguntou começando a ficar preocupado.
- Vocês vão ver. Eu vou ser justo, vocês vão ver.
Sirius entrou no prédio C da escola, o prédio dos laboratórios, e subiu as escadas rapidamente. James começou a temer a cada degrau que subia atrás dele. Não fazia sentido nenhum estarem ali. Ninguém da sua roda de amizade tinha aulas ali, ou não hoje.
Procurando pelas janelas de cada sala, Sirius parou quando finalmente viu o que procurava. James seguiu seu olhar e rapidamente se colocou na frente do amigo.
- Sirius, não.
- Eu não vou fazer nada demais, você vai ver. - Sirius tentou desviar de James, mas ele não saiu da frente.
- Eu não confio muito em você sobre isso, desculpa.
- Vamos, Sirius. Já estamos atrasados. - Remus puxou o amigo pelo braço.
Sirius se desvencilhou dos amigos com um pouco de raiva.
- Confiem em mim nessa.
Ele desviou dos amigos e abriu a porta do laboratório. O professor ainda parecia se preparar para a aula e os alunos conversavam. Quando Gideon fez contato visual com os três caras parados na porta e Sirius apontou para ele e pediu para que fosse para o corredor, o ruivo respirou fundo e tirou os óculos de proteção e suas luvas.
- O que está acontecendo? - Gideon perguntou assim que saiu e fechou a porta. Sirius percebeu que os amigos do ruivo estavam de olho, prontos para pular e intervir.
- É o que eu quero saber, mas vamos fazer isso na paz. - Sirius começou - Então me diga: foi de propósito? - Gideon enrugou a testa. - Se você me falar que foi sem querer, cara...tudo bem. - Na voz de Sirius, estava claro que não estava nada bem, mas que ele estava se segurando. - Mas se você é daquele tipo que fica com competições nas festas, aí sim eu vou te usar como experimento na minha próxima aula de química e eu vou garantir que você caberá naquele tubo de ensaio.
Gideon olhou para James e Remus, completamente perdido.
- De que porra você está falando? - O ruivo perguntou.
- Ela me disse que você disse que as marcas foram sem querer. Tudo bem, eu posso muito bem acreditar nisso, sem problemas. Mas foi mesmo? Eu só quero saber disso, então eu não vou ficar mais no seu caminho.
James arregalou os olhos quando entendeu. Sirius estava confrontando Gideon Prewett pelas marcas que Lily tinha no sábado. Ela confirmou que tinha sido Gideon e que ele não tinha feito por querer?
Desde o ocorrido no Três Vassouras, James teve que segurar a onda sobre alguns pensamentos. Ver a cara do amigo sobre algo que ele tinha feito em Lily - mesmo sem querer -, deixado aquela marca em seu pescoço e colo, o fez sentir-se culpado, ao mesmo tempo que aquele chilique de Sirius só lhe deu a certeza de que não estava fazendo nada errado. Sirius era quem precisava acalmar os nervos e não ele parar de ver Lily. E era apenas por isso que ele não deu nenhum passo para trás e muito menos daria.
Porém, por que Gideon Prewett estava sendo trazido para aquela conversa? Se Sirius conversou com Lily, imaginou que ela tenha negado qualquer coisa sobre o ruivo ter feito as marcas. Não esperava que ela dissesse que tinha sido o próprio James, mas por que ainda Gideon Prewett?
Engoliu em seco. Eles estavam se encontrando, mesmo não tendo sido Gideon quem fez as marcas, por isso que ela não se importou em corrigir?
- Pode ser mais específico? - Gideon pediu.
- As marcas que você deixou na minha irmã no sábado. De propósito ou não? - Gideon abriu a boca, surpreso. Sirius fechou os olhos e respirou fundo. - Olha, se você falar que foi de propósito, eu vou esquecer a parte do seu corpo dentro do tubo de ensaio, mas apenas me diga. Eu só quero saber se ela está ok. Apenas isso. Vou pedir para você parar, claro, porque isso é ridículo e você não vai ficar marcando a minha irmã por aí, você querendo namorar ou apenas curtir um tempo com ela, que é o que está aparentando.
O pobre Gideon olhou para cada um deles. James começou a sentir pena dele, mas só um pouco. Bem pouco, aliás.
- Você é louco.
E assim o ruivo deu as costas para eles e entrou na sala. Ainda deu uma olhada pela janela e meneou a cabeça em direção à Sirius.
- Que filho da puta! - Sirius disse. - Nem homem ele é para dizer qualquer coisa. O que ele acha, que ninguém viu as marcas?
- Não importa. - Remus empurrou Sirius para voltar para as escadas. - Você já teve sua pequena conversa, agora vamos sair daqui.
Eles se apressaram para a aula que dividiam. Após um pequeno sermão do professor, eles sentaram-se mais ao fundo da sala. Remus imediatamente pegou seu livro e caderno, anotando tudo o que já estava na lousa; Sirius fez o mesmo, mas com menos empolgação. Já James...
Os olhos estavam perdidos pela janela. Não havia muito a observar além do muro de tijolos vermelhos do outro prédio da escola, mas ele não estava mesmo concentrado naquilo, apesar da cor vermelha significar muita coisa em seus pensamentos agora.
Lily e Gideon. Um casal que devia ter acontecido a muito tempo, mas que por ironia do destino e de um filho da puta chamado Peter Pettigrew, não ocorreu. Pensando por aquele lado, James preferia mil vezes que Lily e Gideon tivessem começado um relacionamento anos atrás do que toda aquela coisa com Peter ter acontecido. Que o garoto tivesse beijado Lily pela segunda vez na cozinha daquela festa e que eles tivessem ficado juntos desde então. Iria quebrar seu coração, faria James repensar suas atitudes ou a falta delas - já que ele deveria ter falado com ela antes, ter chamado-a para sair, expor o que vinha sentindo -, mas evitaria um grande trauma na vida dela e Sirius não teria quebrado também.
Mas agora? Agora a vida parecia rir dele. Não se declarou, não a chamou para sair, mas aconteceu! Ali estava ele finalmente tendo a sua chance, depois de lutar contra no começo por conta de Sirius, e Gideon estava voltando na vida dela também? Não era possível ser azarado naquele ponto.
- Isso vai cair na prova. - Remus sussurrou do assento atrás de si.
James pegou seu livro e colocou na mesa, abrindo em uma página qualquer.
- Ela estava lá? - Virou para Sirius, quem fez a pergunta, sem entender. - A sua garota, aquela que te faz beber todas, que te faz ter segredos. Ela estava no laboratório?
- Minha garota?! - James balançou a cabeça. - Ninguém estava lá, Sirius.
- Hmm. - Sirius apoiou o rosto na mão e encarou o amigo. James o encarou de volta com uma expressão entediada. Sabia que Sirius estava pronto para começar a falar idiotice. - Você sabe que eu não te julgaria e nem te trataria diferente, não sabe?
- Ahn?
- Eu realmente não me importo com isso, eu quero só que você seja feliz.
- Do que você está falando?
Sirius olhou para trás, como se chamasse Remus para a conversa, obrigando o amigo a se esticar até os dois na mesa da frente.
- Gideon Prewett ou algum outro? - James levantou uma sobrancelha. - Isso explicaria a sua reação quando eu combinei dele ir com Lily para Southend-on-Sea. Ou o quanto você não aproveitou com Emmeline e seu mau humor e tal.
- Você está mesmo falando o que eu estou entendendo? - Perguntou James.
- Provavelmente. - Sirius deu de ombros. - Se não é Gideon, o que me leva fortemente a crer e me perguntar por que todos ao meu redor tem uma queda por ele, então quem seria?
Olhou de Sirius para Remus e começou a gargalhar.
- Você acha que eu gosto de Gideon Prewett?
- Não está restando mais nada além disso. Está com ciúmes de Lily com ele.
Remus deixou sua caneta cair entre os dois amigos. Sirius se abaixou para pegar enquanto Remus lançava um olhar desesperador para James, mas este último o ignorou.
- Você tem as piores, repito, piores especulações. - James começou. - Eu não gosto de Gideon Prewett. Eu agradeço por vocês serem caras tolerantes e sem preconceitos, mas eu não preciso.
- Então a garota estava no laboratório! - Sirius sorriu, orgulhoso. James queria muito dizer o quanto o amigo era cego, mas chamaria muito atenção para algo que ele não queria que o amigo visse ainda.
No final das contas, o melhor era que ele pensasse que Gideon estava envolvido. Lily não devia explicações para ele, mas torcia para que fosse apenas uma coincidência e não que Gideon estivesse mesmo ganhando um lugar naquela bagunça. Afinal, era a única chance que James tinha agora e se ele não saísse destruído, seria um grande ganho.
Labios compartidos, labios divididos, mi amor
Lábios compartilhados, lábios divididos, meu amor
Yo no puedo compartir tus lábios
Eu não posso compartilhar os seus lábios
Y comparto el engaño, y comparto mis días y el dolor
E compartilho o engano, compartilho meus dias e a dor
Ya no puedo compartir tus lábios
Não posso mais compartilhar os seus lábios
O corredor estava lotado de alunos pós-almoço. O sinal para voltar para as classes soaria em poucos minutos e Lily esperava Alice do lado de fora do armário do teatro cheio de fantasias e objetos para os cenários.
- Olha, vou te falar. Se a casa dessas pessoas é como esse armário, não quero visitar ninguém. - A amiga dizia lá de dentro. Lily riu.
- Você já visitou mil vezes todos os seus amigos de teatro, Lice.
- Bem, talvez eu estivesse muito distraída e não notei. Está uma bagunça, tudo uma verdadeira bagunça. Não consigo encontrar uma porcaria de peruca rosa. Ela é rosa neon! Deveria ser fácil achar.
Enquanto esperava, Lily passava por alguns textos do livro de História, se preparando para a prova que teria em duas horas. Apesar de prestar atenção no que a amiga falava, estava bem concentrada no que lia. Tendo uma sensação esquisita, seus olhos se desviaram do livro e foram diretamente para o fim do corredor à direita e descobriu que estava sendo observada. Por James.
Ele, Sirius e Remus conversavam com Frank perto de uma máquina de snacks. Enquanto três deles pareciam engajados na conversa, James tinha as mãos no bolso e a encarava.
Fechou o seu livro de História e se apoiou na parede, olhando para ele de volta.
- Achei uma peruca verde neon, mas não a rosa. Argh, minha vida no teatro é uma tristeza. - Alice reclamou de dentro do armário de novo.
- Ainda temos tempo. - Ela respondeu sem tirar os olhos de James.
Seu coração estava disparado. O jeito que ele a encarava fazia Lily sentir-se nas nuvens, ao mesmo tempo que seus pés pareciam bem presos no chão, novamente, impedindo-a de se atacar nele. Ele deu aquele meio-sorriso charmoso para ela e Lily sentiu que perdeu tudo.
Ele sabia o quão bonito era, tinha certeza. E deveria saber o que aquele olhar, aquele sorriso faziam.
Pegando o celular, James começou a digitar enquanto os amigos continuavam a conversa. Alguns segundos depois, Lily sentiu o seu celular vibrar em seu bolso.
(12:45)Descabelado: Preciso conversar com você!
Era tudo o que dizia na mensagem. E com um ponto de exclamação no final. Aquilo não cheirava bem. Sabia que James escrevia bem, sabia como pontuar, mas aquele ponto de exclamação era apenas seu talento para escrever um texto ou era apenas para deixar bem claro a importância e urgência?
Aquele ponto de exclamação significava algo ruim ou ela estava apenas surtando?
- Droga!
- O que foi? - Alice perguntou ao sair e olhando pelo corredor, curiosa.
- Nada. Volta lá para dentro. - Lily dizia empurrando a amiga, mas sem tirar os olhos de James.
Alice se virou para o final do corredor, fazendo James desviar o olhar e fingir prestar atenção em Remus.
- Vocês estavam se comendo com os olhos, não é?
- Não sei ele, mas eu estava. Cada pedacinho dele. - Suspirou como uma boba.
- Meu deus, quem diria que ouviria isso de você sobre James.
- Me pergunto como eu não disse antes. - Lily observou James por inteiro, realmente se perguntando como não viu tudo aquilo antes. - Ele é tão alto, bonito pra caramba.. - Pensou em voz alta.
A risada de Alice a fez sorrir com as próprias palavras.
- Ah, eu sinto o cheiro de perigo daqui. Você não vai conseguir fugir, Lily.
- Fugir?! Eu não quero fugir dele, Lice.
- Mas queria fugir de se apaixonar, não?
Lily estalou a língua.
- Eu não estou me apaixonando, mas um pouco viciada nele.
- Certo, se você diz. - Alice disse ironicamente. - Mas eu entendo a loucura toda. James, de fato, é bonito para caramba.
- E ele é tão...malvado. Não no mal sentido, mas...ele tem uma malícia quando beija, quando te pega, como te segura. Uma mistura de paixão com essa malícia...me lembra um pouco aquela coisa de bad boy que te joga na parede e te deixa maluca, mesmo ele não sendo um bad boy.
- Resumindo: James Potter sabe como fazer bem a coisa. - Alice riu e voltou para o armário. - Eu fico feliz que você tenha uma boa experiência depois daquele babaca do Edgar.
- Aquele babaca. - Lily confirmou. Deu uma rápida olhada novamente para James e o observou por alguns segundos antes de desviar o olhar e encarar o chão. - Mas eu já estou vendo o fim enquanto estamos só começando.
- Por que diz isso?
- Ele me enviou uma mensagem dizendo que precisa conversar comigo.
Voltando para o corredor e dando uma última olhada para o grupo dos caras, incluindo seu namorado, Alice se virou para a amiga.
- Sobre o quê?
- Não faço ideia. Provavelmente vai me dizer que devemos parar por aqui ou que está muito arriscado e não quer fazer isso com Sirius. - Revirou os olhos.
Alice murmurou e ficou olhando de James para Lily.
- Eu acho que você está apenas viajando legal. - Alice finalmente disse. - Desde que vocês começaram esse namorico de vocês...
- Não é namoro e nem namorico. - Lily cortou a amiga.
- "Um lance físico, Alice, apenas isso. Nada mais." - A garota imitou Lily com uma voz enjoada. - Sim, eu lembro quando você me explicou.
- Exatamente. - Lily respondeu ignorando a ironia da amiga.
- Enfim, desde que vocês começaram isso aí, eu comecei a reparar mais em vocês. Sabe, os olhares, o jeito como vocês agem quando o outro se aproxima. - Alice lançou um olhar para o grupo masculino. - Eu posso dizer que James já não parece tão temeroso. Não que ele vá te beijar no meio da cafeteria e na frente do seu irmão, mas não o vejo cancelando tudo isso por conta do Sirius.
- Você não poderia saber apenas com base em olhares.
- Ah, eu posso! - Alice riu. - Ah, como eu posso. Olhares dizem tudo e um pouco mais, Lily. Você lembra como eu olhava para Frank?
- Não sei como Frank não tem buracos de tanto que você o olhava. - Lily riu ao lembrar como Alice sempre foi apaixonadinha por Frank e não perdia a oportunidade de vê-lo e ficar admirando o garoto quando passava. Considerando a idade deles, era tão fofo. Quando a amiga começou a ficar mais velha, parou de ficar fofo, principalmente o que ela falava quando o observava.
Mas também se lembrou de ver os olhares interessados de Frank naquela maldita festa, depois de Sirius ter aberto a boca para o garoto sobre Alice estar interessada. E os olhares eram bem claros. Foi ali que tudo começou para o casal. Uma festa que foi um inferno para tantos, foi uma benção para outros.
Alice e Frank, mesmo sem saberem o que havia acontecido em seu quarto - aliás, sua amiga até hoje não sabia nada sobre o ocorrido com Peter -, comandaram o time que arrumou toda a casa depois da festa e da briga no quarto de Lily. Eles ajeitaram, limparam, jogaram fora, expulsaram as pessoas, deixando a casa perfeita como deveria estar caso Geneviève aparecesse. Depois, eles foram embora sozinhos, Frank acompanhando Alice até a sua casa. Eles andaram quase se apoiando um ao outro de tanto cansaço, sentaram nos degraus em frente da casa da garota e conversaram por quase uma hora.
Até Frank enfrentar a timidez e a beijar, fazendo Alice a garota mais feliz daquela noite.
- Pois então, os olhares de interesse entre vocês é muito grande. Basta prestar atenção. - Comentou Alice. - Aliás, esse "lance físico" de vocês...até onde já chegou?
- Beijos, algumas mãos aqui e ali...
- Marcas de barba no pescoço, bla bla bla. - Alice disse. - Mas...nada mais?
- Não, nada mais. Você saberia caso eu tivesse tido algo a mais com ele.
- Talvez você preferisse guardar para si a informação. - Alice deu de ombros, mas voltou a sorrir maliciosamente para a amiga. - E você pretende ter algo a mais?
- Em qual sentido?
- Em qualquer um.
Como Alice estava de costas, James pareceu confiante em voltar o olhar para ela. Lily o encarou por alguns segundos e estava pronta para responder, mas um grupo de garotas pareceu sair do inferno e parou onde os garotos estavam, conversando com eles. Percebendo que a expressão da amiga mudou, Alice virou para trás.
- Oh. Quem são elas? Dois daquele grupo tem namorada. - Disse Alice.
- James não é meu namorado. - Lily rapidamente comentou.
- Você está muito na defensiva, Lily Evans. - Alice riu. - Não estou falando de James, mas Sirius e Frank.
As garotas recém-chegadas riam, assim como os caras. Alice colocou a mão na cintura e apenas assistiu a cena de longe. Frank era o cara mais apaixonado que Lily conhecia, completamente louco por Alice e a amiga sabia disso. Sirius não era idiota também e mesmo Marlene não estudando em Hogwarts, nunca faria algo com qualquer outra garota.
Restava Remus que não tinha nada com Dora - ainda, ela esperava - e James. O solteiro, super solteiro James Potter. O solteiro, super solteiro, gato James Potter.
Ele conversava com as garotas como sempre fazia, sempre sorrindo, sendo charmoso. Uma delas colocou a mão no ombro dele enquanto dizia algo para o grupo todo, mas na hora de rir, ela se virou para ele. Muito perto, Lily diria. E ele não fez nada, apenas riu com ela.
- Sabe, você mesma disse que ele não é seu namorado. - Lily olhou para Alice.
- Eu não disse nada.
- Não, mas está quase rosnando.
- James faz o que quiser. Afinal, é apenas um lance físico.
- Mas eu duvido que ele ficaria com outra garota enquanto está com essa coisa ai com você.
- Quem sabe?!
- Não, ele não é desse tipo de cara. Você o conhece, eu também. Nunca vi nada do tipo.
- Não, não vimos. O que vimos é James ficando com garotas aleatórias quando está afim. - Lily disse e olhou para o grupo, sendo pega de surpresa quando James a olhava novamente, ignorando a garota ao seu lado ou a conversa que ocorria. - Acho que sou a garota da vez que ele está curtindo, até tudo isso passar e ele aparecer beijando outra pessoa no corredor.
- E eu acho que você está criando histórias em uma tentativa de não se machucar. Inventando justificativas para algo que nem aconteceu, mas que você não quer que aconteça.
A ruiva se virou para a amiga.
- Cadê a sua peruca rosa, Alice? Você não precisa dela para o próximo período? Vai lá procurar.
Alice começou a rir.
- Tenho uma ideia melhor. - Alice olhou rapidamente para trás antes de voltar para Lily. - Não quer procurar para mim?
- Desculpa?!
O molho de chaves caiu na mão de Lily.
- Poderia achar a minha peruca rosa neon, por favor? De repente, tenho que estar em outro lugar, assim como todos esses alunos aqui em volta. Mas tenho que voltar em dez minutos, senão outra pessoa do teatro virá aqui para tentar me achar e nós não queremos outra pessoa do teatro vindo até aqui, queremos? Não, não queremos. - Alice cochichou/tagarelou tudo aquilo. - Claro, você não é obrigada a procurar a peruca rosa neon, mas acho que você precisa.
Sem falar mais nada, Alice pegou os livros de Lily e saiu pelo corredor. Ela passou pelo grupo risonho no fim do corredor e, sem nem dizer nada ou mesmo um olhar trocados, Frank se despediu de todos e abraçou Alice, fazendo-a rir enquanto era beijada pelo rosto todo e viravam na esquina.
Lily olhou para as chaves nas mãos e depois para o armário. O fluxo de alunos ficava mais fraco, mas Lily e o grupo de caras e garotas no fim do corredor ainda estavam lá. James parecia ser o único que tinha noção de que ela estava ali, aliás.
As garotas começaram a pegar o rumo da classe, deixando os três amigos ainda no mesmo lugar. Remus e Sirius conversavam enquanto James mexia no celular, sem olhar para ela em momento algum. Quando os dois primeiros fizeram menção de irem para o outro lado do prédio, James fez um sinal com o celular, dando de ombros. Remus e Sirius se afastaram, deixando o amigo sozinho.
Vagarosamente, James começou a andar pelo corredor, em sua direção, mas sem tirar os olhos da tela. Alguns alunos aqui e ali passavam correndo, sem prestar atenção em Lily parada como uma tonta ao lado do armário do teatro aberto e um James parecendo ocupado com algo no telefone.
Ele parou em frente a ela, do outro lado do corredor. Se encostou na parede e ainda não a olhava. Lily apenas o observava, esperando. Esperando algo dele, algo dela mesma. As chaves que Alice lhe entregou pesaram em seus dedos, lembrando-a de que estavam ali ainda, prontas para serem usadas.
Finalmente, James abaixou o celular e olhou diretamente para Lily. O corredor estava vazio agora, ainda que pudesse ouvir alguns passos não muito longe dali. Ele olhou para os dois lados e se desencostou da parede, vindo até ela.
Quase engoliu em seco com a aproximação dele, mas se controlou. Porém, não poderia impedir o seu coração de pular como louco.
- Você não vai para a aula? - Ele perguntou quando parou em sua frente.
- Sim, logo. Você não?
- Aparentemente, eu estou resolvendo algo para o meu pai. - Ele balançou o celular antes de colocá-lo no bolso. - Isso é o que as pessoas pensam, pelo menos.
- E eu estou procurando uma peruca rosa neon. Para Alice...neste armário. - Retomando o controle de si, Lily foi até a porta aberta e olhou lá para dentro. - Mas está uma bagunça aqui. Eu deveria ajudar Alice, sabe? Procurar em duas pessoas é mais rápido, mas ela teve que ir.
- Ah, que pena. - James foi até ela e olhou para dentro do armário. - Que bagunça.
- Pois é. - Ela entrou no armário e olhou para trás, para James ainda parado na porta. - Gostaria de me ajudar?
- Se eu dissesse não, acho que seria muito mal educado da minha parte.
James olhou para os lados e entrou.
- Não esqueça de fechar a porta. Não queremos que as pessoas vejam a bagunça desse armário, não é? - Ela disse.
-Não, não queremos. - James respondeu fechando a porta atrás de si, mas não tirando os olhos dela. - Você está com as chaves?
- Sim, mas o armário não tranca do lado de dentro.
- Hmmm. Então acho que ficarei por aqui por segurança.
E ali ele ficou, com as costas quase coladas na porta e Lily alguns passos distantes. Não ouviam ninguém passando pelo corredor, mas talvez fosse mais seguro não deixarem a porta desvigiada.
Estar com James naquele armário era tentador, mas sua mensagem ainda estava passando em looping em sua mente, deixando-a mais tensa do que qualquer outra coisa.
- Bem, estou te ouvindo. - Ela disse enquanto passava os olhos pelas fantasias, tentando achar uma peruca rosa. Quando não ouviu James, se virou e o encontrou observando-a. - Na verdade, não estou te ouvindo, pois você não está falando nada.
- Você quer que eu diga algo? - Ele perguntou.
- Oras, você disse que precisávamos conversar.
- Ah! - Ele parecia ter esquecido completamente da mensagem que enviou apenas alguns minutos antes. - Eu estou tão distraído, que não lembrava mais disso.
- Distraído pela bagunça? - Ela perguntou nem tão inocentemente.
- Não e você sabe que não.
Lily deixou um pequeno sorriso escapar enquanto virava a atenção para o armário e tentando ter um vislumbre de algo rosa.
- De qualquer maneira, eu estou pronta para te ouvir.
- Gideon Prewett! - Ele disse sem espera, fazendo-a se virar para ele novamente.
- O que tem Gideon?
James abriu a porta do armário por alguns segundos, vigiando o corredor, antes de fechar a porta novamente, porém, dando dois passos em sua direção dessa vez. Ele cruzou os braços, parecendo desconfortável, quase tímido.
- Sirius, ahn, pensa que Gideon te fez aquelas marcas no sábado.
- Sim, eu sei. - Ela revirou os olhos e riu. Quando olhou para ele de novo, percebeu que James não ria. Ele não estava sério, mas tinha uma ruga entre os olhos. - Qual o problema?
- Nenhum. Nenhum problema, eu só...fiquei me perguntando. Não sei. - James balançou as mãos. - Esqueça, era só uma curiosidade. Deixa pra lá.
Ele estava prestes a sair, mas ela se adiantou e segurou seu braço.
- Me diga. - Lily pediu.
- Não é nada.
- Se não fosse nada, você não comentaria sobre.
James riu nervosamente, massageando a nuca por um momento. Claramente ele estava se perguntando se deveria continuar.
- Eu estava apenas curioso sobre, sabe, o motivo do Sirius ainda pensar isso. Você disse para ele que foi Gideon?
- Sirius quem pulou nessa conclusão sozinho, provavelmente achando que depois de Southend-on-Sea, eu embarquei em algo com Gideon. E eu não desmenti. Na verdade, não disse que era verdade ou mentira, apenas fui respondendo com verdades que talvez não eram tão claras. - Ele assentiu, mas Lily percebeu que havia algo ainda que passava na cabeça dele. - Era essa a sua curiosidade?
- Ahm... - James olhou para os próprios pés. - E...depois de Southend-on-Sea, você se encontrou com Gideon de novo?
Lily quase riu. Aquilo era ciúmes? Preocupação dela ter se encontrado com outro cara nesse meio tempo? Eles não tinham combinado nada, nem conversado sobre isso na verdade. Haviam decidido que era algo sem compromisso, apenas para matar a vontade ou algo assim.
O tal lance físico. O termo não saiu da boca dela primeiro, mas quase sentia que tinha sido. Ela quem chamou James, quando ele estava indo embora para casa, e disse para que ele tomasse cuidado para não se apaixonar. Era para ser uma mera brincadeira e ele quem "nomeou" a coisa, com ela concordando logo em seguida. Para ser sincera, até hoje ela não entendeu o que a fez dizer aquilo sobre se apaixonar e depois concordar com o que ele disse. Para Alice, estava bem claro: era um tipo de barreira, um tipo de proteção, como se preferisse pensar que algo é uma coisa, quando na verdade não é, apenas para se proteger.
Era mais seguro pensar que era um lance físico do que algo que poderia evoluir. Porque não podia. Por causa de Sirius, por causa de James. Se ele não a viu como nada além da irmã de Sirius antes, ele não a veria muito mais do que alguém para beijar de vez em quando também.
Mas ela? Honestamente, estava com medo. Por isso, só lance físico. Era o que deveria ser: beijar James o quanto podia, aproveitar aquilo o quanto podia. Era bom demais, tão novo o que ele a fazia sentir...então não perderia a oportunidade.
Percebeu que se perdeu nos pensamentos e não o respondeu.
- Não, eu não encontrei Gideon depois de voltarmos, depois da nossa conversa...aquela depois de você ter me colado contra a porta da minha casa e concordarmos com isso. - Ela apontou para os dois.
- Ah, certo. - A expressão dele melhorou. - Era só curiosidade, sabe? Apenas isso.
- Entendo. - Ela o mediu por um momento. - E Emmeline?
- O que tem?
- Você a encontrou depois?
- Não. Eu nunca estive verdadeiramente interessado nela.
Foi a vez dela de assentir. Aquilo não significava que ele não tenha encontrado outra garota neste meio tempo, mas pelo menos ela sabia que Emmeline estava fora de jogo.
- Ok. Bem, era isso que você tinha para me dizer?
- Queria também pedir desculpas pelas marcas no seu pescoço. Isso causou um problema entre você e Sirius, algo que poderia ter sido evitado. Você sabe que não foi por querer, não sabe?
- Claro que sei. Eu lembro dos seus olhos esbugalhados quando percebeu. - Ela relaxou ao perceber que a conversa não estava seguindo para um caminho ruim.
Apenas em falar sobre beijo ou levá-los de volta ao sábado, onde o banheiro dos funcionários do Três Vassouras parecia uma sauna de tão quente que ficou com aquela pegação de ambos, ela sentia que aquele armário começava a esquentar.
Olhou para o relógio.
- Alice estará de volta em cinco minutos. - Disse despretensiosamente. Ele poderia entender que eles ainda tinham aquele tempo apenas para terminar a conversa. Ou...
James pareceu captar a informação.
- Não podemos fechar a porta, não é? - Lily negou com a cabeça. Ele levantou o braço e puxou a corda da luz, fazendo o armário cair na escuridão. - Se alguém abrir a porta, teremos tempo de improvisar no escuro.
Não tinha medo do escuro, mas naquele momento sentiu-se em uma espécie de caça e ela, definitivamente, não era o predador. Conseguiu ouvir os passos dele se aproximando e sua respiração ficou mais rápida, mais ansiosa.
Sentiu que James estava na sua frente agora. A mão dele chegou até a sua, segurando e levando-a até seus lábios, depositando um beijo em seus dedos.
- Está tudo bem? - Ele perguntou.
- Está tudo muito bem.
O outro braço de James a puxou contra o corpo dele. Ele encostou sua boca em sua bochecha, mas não a beijou, e então desceu os lábios por ali, passando para o seu pescoço. Enquanto isso, a sua outra mão trouxe a mão de Lily até seus cabelos, o qual Lily perdeu seus dedos enquanto os acariciavam.
- Eu prometo que não vou te marcar mais. - Ele sussurrou enquanto passeava pelo pescoço dela, passando para seus ombros. - O problema é que eu adoro o seu cheiro, o seu perfume bem aqui. - Ele deu uma leve mordida entre seu pescoço e ombro. - Mas vou aprender a ser mais delicado, aproveitar cada pedaço... - Ele subiu até seu ouvido. - ...bem devagar.
Ela não conseguia falar, mal respirava. Ouviu o barulho das chaves caindo quando sua outra mão se viu no dever de se segurar nele.
- Bem devagar?! - Ela perguntou sem nexo.
- Sim, mas antes vou te beijar com a vontade que fiquei acumulando desde sábado.
A boca dele foi logo de encontro a sua e claro que ela se agarrou a ele.
Eles começaram a se enrolar em sedas, veludos e mousseline, mas Lily apenas prestava atenção no beijo dele e em como seus dedos agarravam seus cabelos e sua outra mão a segurava contra ele. Não entendia como reparava nesses detalhes, mas eles eram tão pontuais, que era difícil não pensar neles. Talvez por sentir coisas diferentes com cada gesto, cada ação dele. Suas mãos eram boas em tudo o que faziam, assim como a sua boca. Os braços dele sempre achavam a posição perfeita, fazendo a coisa certa no momento certo.
Quantas vezes ela poderia repetir que James era viciante sem ser presa ou algo do tipo? Porque estava difícil achar outro adjetivo para ele enquanto era beijada daquele jeito.
Lily riu com surpresa ao ser levantada e colocada contra a parede do fundo do armário com James a segurando pelas suas pernas. Com cuidado, ele começou beijá-la pelo seu colo sem pressa. A segurava alto o suficiente para que ela não pudesse fazer nada além de agarrar seus ombros ou segurar seus cabelos.
James estava lhe dando todo o prazer e ela estava tão acostumada a ter que achar o prazer por si mesma com Edgar, que mal sabia como agir agora. Mas só lhe restava aproveitar.
- Eu não gosto do seu vestido. - Ele sussurrou contra a sua pele quando chegou no decote do mesmo que tinha um corpete colado ao corpo, impedindo que James o tirasse ou mesmo movesse.
- Vou tentar lembrar de não usar quando te ver.
Escorregando pelo corpo dele até Lily estar com os pés ao chão novamente, ela podia vê-lo melhor agora com a pouca luz vindo por debaixo da porta.
- Ou use quando eu puder desabotoá-lo. - Ele passou as mãos pelos vários botões em suas costas.
A palavra "quando" a fez sorrir.
- E quando você pretende fazer isso?
- Quando o tempo não for um problema. - James pegou a alça do vestido dela que havia caído e subiu até seu ombro enquanto aproveitava para deslizar seu dedo por todo o seu braço.
- Eu trabalho com precisões, James. - Lily respondeu enquanto segurava o rosto dele.
- Estes botões estarão abertos quando você me disser que quer.
Ela riu segurando a camiseta dele e o puxando contra ela, ao mesmo tempo que o empurrava contra a parede oposta que estavam. O armário não era muito grande, mas o bastante para se perderem em tantos panos.
- Mas não agora. - Ela disse quase como uma pergunta.
- Não agora. Estaríamos apressados.
- Hmm, entendo. São muitos botões mesmo. Mas tem uma coisa que eu posso tirar sem precisar desabotoar.
Foi a vez dela provocá-lo com a sua boca nos lábios dele. James a seguia, louco para beijá-la.
- O que seria? - A voz dele estava fraca.
- Isso aqui.
Segurando a camiseta dele, Lily a puxou para cima. James levantou os braços e deixou com que ela tirasse a peça.
A luz que vinha da porta era o suficiente para ver muitas coisas, mas ela quis amaldiçoar por não poder ver com perfeição o corpo dele. Porém, as sombras que criavam em seu torso eram boas o bastante já. Lily pousou sua mão abaixo do pescoço dele sentindo a pele quente de James. Ele tinha um cheiro maravilhoso, como ele ousava falar do cheiro dela?
Antes que ela pudesse ir mais longe, ouviram batidas na porta. James a puxou por entre as fantasias, tentando escondê-la caso a porta fosse aberta, mas a pessoa do lado de fora não fez menção alguma de entrar.
- Então...eu preciso dar a chave de volta e todos nós precisamos voltar para a sala. - A voz de Alice saiu abafada atrás da porta.
O coração de Lily aliviou no mesmo momento. Ok, eles foram interrompidos, mas estavam salvos.
- Você sai primeiro. - James a encorajou, mas não sem antes checar se a roupa dela estava no lugar. Ele não conseguiria ver se ela tinha alguma marca com a falta de luz, então ele fez o melhor para que ela parecesse decente.
A luz do corredor machucou seus olhos assim que saiu, mal conseguindo abri-los. Assim que se acostumou, viu Alice sorrindo como se tivesse descoberto a América ou algo assim.
- Você não parece triste. - A amiga comentou ainda sorrindo como uma louca.
- Shiu! - Lily pediu. - Enfim, eu diria que a sua peruca rosa não está aí dentro.
- Sim, porque você procurou com muito afinco. - Lily tentou parecer culpada, mas não convenceu muito a amiga.
A porta abriu novamente e um James vestido - a camiseta um pouco amassada, era verdade - apareceu. Porém, com algo rosa na mão.
- Vocês não achariam nunca. Estava em cima de um armário muito alto para duas baixinhas verem.
Alice pegou a peruca da mão dele.
- Baixinhas.- Ela repetiu e bufou. - Ainda sim, obrigada. - Deu uma olhada para James, que arrumava o cabelo. - Você quer que eu passe a sua camiseta? Temos um ferro à vapor que faria isso rapidinho. Não queremos que a sua camiseta pague pelo o preço da sua ajuda em procurar a peruca com Lily dentro do armário, não é?
- Está tudo bem, eu não me importo em ficar um pouco amassado. - Ele sorriu para as duas. - Se me dão licença, eu tenho uma aula de Física Avançada para me apresentar. - James olhou para Lily, mudando completamente o seu tom de voz para algo mais instigante. - Falo com você mais tarde, Sardenta.
Dando a volta, James passou por elas com a maior cara de pau que existia. Ele ainda olhou para trás antes de virar no corredor à direita.
Lily sentia suas pernas moles apenas com o olhar que James lhe lançava. Precisava mudar aquela pontuação deles, sair do 0 a 0. Viviam naqueles beijos provocantes, mas era tudo feito na correria.
- Planeta Terra chamando Lily Evans! - Alice parou na frente da ruiva. - Olha, eu não sei o que vocês fizeram aí dentro, mas pela cara de vocês dois ao saírem, eu só posso dizer uma coisa.
- Que seria?
- "De nada"!
Alice riu e fechou o armário enquanto Lily balançava a cabeça, desacreditada. Porém:
- Obrigada, Alice.
A garota assentiu e puxou Lily, ambas se apressando como podiam para a sala de aula.
Amor mutante
Amor mutante
Amigos con derecho y sin derecho de tenerte siempre
Amigos com benefícios e sem o benefício de ter você sempre
Y siempre tengo que esperar paciente
E sempre tenho que esperar paciente
El pedazo que me toca de ti
Pela parte que me sobra de você
Saiu do consultório do médico com a moral sendo arrastada no chão, sendo seguida por sua mãe.
- Filha, está tudo bem.
Lily não respondeu. Estava arrasada. Podia jurar que iriam conversar sobre uma possível melhora que viam em sua perna, talvez dizer que estavam indo lentamente, mas jamais imaginou que discutiriam a possibilidade de uma outra cirurgia.
Remus se levantou assim que viu as duas ruivas voltando para a sala de espera. Ele havia sido gentil em levá-la até ali e se propor a levá-la para casa. Ele olhou para Geneviève, a qual meneou a cabeça, indicando que não tinham boas notícias.
Quando Lily apertou o botão do elevador, a sua frustração já chegava ao limite. Toda aquela medicação por meses e as sessões de fisioterapia pareciam ir para o lixo. Segundo o médico, sua perna não deveria estar mais doendo do jeito que estava e talvez suas articulações, ou tendões - ela não se lembrava mais quais deles - não tenham se recuperado da primeira cirurgia, logo após o acidente.
Voltou a apertar o botão do elevador uma e outra vez, cada vez com mais raiva.
- Vamos logo, eu não tenho o dia todo. - Murmurava.
Uma mão segurou a sua, impedindo-a de continuar sua luta contra o maldito botão.
- Que tal um sorvete antes de voltarmos para casa? - Remus perguntou enquanto dava tapinhas gentis em sua mão. - Você pode escolher os sabores dos meus, como você fazia quando éramos crianças. Lembra quando você escolheu caramelo salgado com abacaxi?
Aquela lembrança lhe abriu um pequeno sorriso, o qual ela tentou lutar contra, mas não conseguiu.
- Oh Remus, você quase vomitou no carro. - Geneviève lembrou-se. - Orion teve que parar no meio do caminho para que você respirasse um pouco e ficasse menos enjoado.
- Eu tenho certeza que isso não era pelo sorvete e sim por estar muito quente e Remus estar esmagado no banco de trás. - Lily retrucou, porém, com um melhor humor.
- Eu não teria tanta certeza. Eu nunca vou esquecer do gosto daquela mistura.
O elevador chegou e os três entraram.
- Obrigada pela ajuda hoje, Remus. - Geneviève agradeceu.
- Foi um prazer.
Ao se despedirem da Evans mais velha, Lily e Remus andaram apenas alguns metros até chegarem em um café/sorveteria. Sendo mais bondosa dessa vez, ela escolheu uma parte chocolate e outra de nozes para ele, enquanto Remus escolhia frutas vermelhas e limão para ela.
Sentaram- se nas mesas da calçada, assistindo o movimento londrino, quando o seu celular tocou e o nome e a foto de Sirius apareceram. Ela se apressou a atender, quase deixando seu sorvete cair.
Queria ter cancelado aquela consulta com o médico e acompanhar seu irmão até a terapia. Não iria mudar nada para ele, já que ela não poderia entrar ou saber o que foi discutido, mas sentia que era como um suporte que gostaria de dar a ele.
Ao invés disso, James o acompanhou. Sirius insistiu que não era preciso, que estava mais do que acostumado com a rotina, mas James não parecia querer mudar de ideia.
Então lá estavam eles, os melhores amigos de Sirius levando os dois irmãos em cada canto de Londres para suas respectivas consultas. Queria rir em como os dois pareciam problemáticos.
- E então? - Ela perguntou ao atender.
- "E então?" digo eu. O que o médico falou?
- Sua terapia já acabou? Como foi? - Ela insistiu. Ouviu o irmão respirar fundo, quase podendo imaginá-lo revirar os olhos.
- Como uma terapia, Lily. Eu falo, ela fala, nós falamos. Não há nada de diferente do que uma terapia é.
Sabia que ele não iria contar o que conversaram, nem esperava isso. Apenas queria poder ouvir que ele estava bem ou qualquer coisa do tipo, mesmo que uma sessão a mais apenas não fosse fazer milagres.
- Vai continuar as sessões duplas na semana que vem também?
- Sim. - A voz dele estava entediada. - Poderia falar da sua consulta? Ela é muito mais interessante do que a minha, acredite em mim.
- Certo. Por aqui está tudo bem, nada demais.
Virou para o lado sentindo que Remus a olhava. Ele fez uma expressão de descontentamento.
- Sério? - Sirius perguntou um pouco surpreso.
Remus balançou a cabeça e disse aos sussurros:
- Diga a verdade para ele.
Assentindo, Lily colocou o sorvete de volta na mesa.
- O médico talvez ache que uma cirurgia seja necessária.
- HEIN?! E isso é estar tudo bem, nada demais?
Sirius começou a resmungar mil coisas e ela mal o compreendia. Olhou para Remus.
- Por isso eu não queria dizer nada. - Ela comentou enquanto Sirius ainda falava.
- Ele iria saber cedo ou tarde. Você não pode esconder tudo dele para sempre, sabe?!
Sentiu uma indireta naquela frase, mas não comentou.
- Enfim...você tem que seguir a medicação corretamente. Eu te dei para beber. Eu fui um idiota, é culpa minha também. Você tem que parar de ficar pulando e zanzando para tudo quanto é lado...
Ele continuava seu monólogo. Lily tomou uma outra colherada do sorvete e limpou a boca no guardanapo antes de pará-lo.
- Nós ainda vamos seguir com a fisioterapia por algumas semanas e tomar outro medicamento, então vamos decidir. - Ela disse. - Não vamos nos precipitar.
Ouviu um resmungo do outro lado da linha.
- Ela precisa de carona?
A voz de James ao fundo fez seu estômago cair aos seus pés e voltar. Lembrou de horas atrás, quando estavam no armário do teatro...
Limpou a garganta e pegou seu sorvete.
- Eu estou tomando sorvete com Remus, mas obrigada. Vejo vocês mais tarde.
E assim ela desligou rapidamente. Não queria parecer uma idiota ao ouvir a voz dele ao fundo da ligação, principalmente na frente de Remus. Além de arriscado, era ridículo.
- O que te perturba tanto, Lils? - Remus perguntou a fitando. - O problema sou eu? - Ele brincou.
- Você nunca é um problema. - Ela fez uma careta fofa para ele. - Apenas pensando nos problemas. Enfim...Me distraia. Me conte algo. - Ela pediu para Remus. Ele sorriu.
- Eu acho que vou ver Dora em alguns dias.
Aquela informação arrancou um sorriso enorme de Lily.
- Verdade?! Quando?
- Neste fim de semana eu estou ocupado, então provavelmente no próximo. - Remus olhava para frente, parecendo feliz consigo. - Estamos conversando sobre isso.
Remus e Dora soava tão perfeito em sua mente. A prima nunca imaginaria que Remus Lupin um dia a olharia com aqueles olhos interessados...e para ser sincera, nem Lily. O quanto ele sentia-se sufocado pela garota quando eram crianças era engraçado, mas apenas para aqueles que não eram Remus.
- Por favor, vá. Dora vai ficar feliz e você não se arrependerá.
- Nunca pensei que me arrependeria. Eu...gosto de conversar com ela. Foi bom vê-la depois de tanto tempo, bem mais crescida, madura. Ela soa mais madura do que eu.
- Isso é algo surpreendente mesmo, mas ela teve que crescer. Ser filha única e com pais que não te mimam, fica difícil você ser uma boboca.
Lily sorria como uma boba para ele, assistindo a Remus sair um pouco da conversa e devanear. Arriscaria dizer que nunca viu o amigo daquele jeito antes por um interesse amoroso. Já o viu saindo com algumas garotas, mas nunca ficar pensativo assim quando falava delas.
Pegando o celular discretamente, ela tirou uma foto dele. Remus era muito bonito e a luz fraca do sol contra a câmera fez um ótimo trabalho.
(17:07) Lily: Pensando em você...
Enviou a foto com a mensagem e riu.
- Alguma sugestão do que eu poderia fazer? De onde eu poderia levá-la? - Remus perguntou, fazendo Lily esconder o celular na bolsa.
- Eu acho que ela vai acabar te guiando. Dora vai querer te mostrar todos os lugares que gosta, onde costuma frequentar, etc. Você conhece Carlisle?
- Nunca estive lá.
- É uma cidadezinha bem interessante. Digo, não há nada espetacular para fazer, mas é bonitinha. Um potencial romântico. - Ela deu uma cutucada nele, fazendo-o rir. - Acho que você não precisa se preocupar muito.
Nesta, Lily tinha que dar ponto para o irmão. Nunca pensaria em tentar jogar Dora com Remus depois de tantos anos, mas Sirius insistiu, sabia que daria certo. E parece que estava dando. Remus era um garoto tão especial e raro, que merecia alguém à altura.
Sentiu o celular vibrar em sua bolsa e deu uma espiada:
(17:10) Dora: hahahaha que ele continue assim aí, para eu continuar assim aqui.
Uma foto de Dora com o olhar perdido para o horizonte a fez rir, já que era claramente encenada.
- E você? - Remus jogou a pergunta. Ela franziu a testa. - Você e Gideon.
Arregalou um pouco os olhos.
- O que tem?
- Como estão as coisas entre vocês? Eu mal te vejo perto dele e eu imaginei que não se esconderiam mais depois de Sirius ter tentado juntar vocês, ainda que ele tenha ficado louco em te ver com marca no pescoço no fim de semana. - Remus riu e revirou os olhos.
Ela riu com ele, mas de nervoso.
- É, bem...é complicado.
- Por quê?
- Porque...bem, você sabe...as coisas são complicadas.
Remus levantou uma sobrancelha.
- Não vejo Sirius se metendo nisso, não complicando nada.
- Ah, é que...- Ela olhou para o relógio. - Oh, uau, está ficando tarde. Eu ainda tenho um resumo enorme para preparar para amanhã.
Se levantou e terminou seu sorvete em duas colheradas. Remus a seguiu, jogando o seu pote de sorvete fora enquanto lançava olhares desconfiados para ela.
- Fique aqui, eu vou buscar o carro. Quanto menos você andar, melhor.
Eles ficaram em um silêncio confortável na volta para casa. Lily quase caiu no sono, mas se forçou a ficar acordada para fazer companhia a Remus que, apesar de tudo, estava fazendo um imenso favor lhe dando carona.
Como queria poder dirigir novamente e ter sua liberdade de volta logo.
Remus também tinha o controle da garagem dos Black-Evans, então ele abriu o portão ao se aproximar, dando a visão do carro de Sirius...e de James.
- Você vai entrar, eu presumo? - Ela perguntou.
- Sim. - Ele respondeu.
Ao abrir a porta, ouviam a barulheira que vinha do cinema. Pelos gritos e xingamentos, imaginava que o irmão e James estavam jogando. Remus acenou para ela e foi em direção àquela barbárie. Lily virou na direção contrária, preparando uma compressa de gelo. Segundo o médico, ela podia e deveria fazer algumas ao longo do dia.
Sentou- se nos jardins e relaxou. Havia sido um dia com algumas emoções aqui e ali, boas e ruins, mas o suficiente para deixá-la cansada.
Viu uma mensagem de Alice perguntando o que ela planejava para o fim de semana. Lembrou-se de estar cansada do Três Vassouras e querendo usar suas horas para algo mais útil.
(18:15) Lily: Estava pensando em visitar alguma das associações que o meu pai ajudava. Quais os seus planos?
Mesmo o cinema da casa ser distante de onde estava, conseguia ouvir os gritos e risadas dos três amigos. Era quase como um alívio se perder naquele som, sem pensar nas notícias do médico.
Olhou para a perna direita, para algumas cicatrizes aqui e ali. E se não conseguisse andar direito mais? Correr, dirigir? Se tivesse que tomar todos aqueles remédios para sempre, sentir aquela dor horrível - muitas vezes excruciante - sem parar?
(18:18) Lice: Ir com você! :)
Orion tinha algumas listas de associações e ONGs no escritório que sempre gostava de ajudar, então foi até lá. Elas eram categorizadas por parceria, ou seja, qual outra empresa ou empresário o ajudava com aquela associação em específico.
"Mães Combatentes" chamou sua atenção. Ela puxou a ficha. Era um centro de ajuda para mulheres que sofreram ataques, abuso, abandono, estavam em fuga de maridos/companheiros violentos. Seu coração acelerou, sua respiração começou a ficar difícil...
- Respira. - Sua voz estava fraca.
Colocou a mão no peito e tentou encontrar o ritmo da respiração. Não, não podia deixar as lembranças de Pettigrew fazerem aquilo com ela. Tinha que respirar, tinha que se lembrar como fazia.
Fechou os olhos e viu o rosto de Peter perto do seu enquanto falava aquelas coisas horríveis, seu cheiro de cerveja, suas mãos nela.
Não! Ele já não estava mais ali, aquilo era passado.
Ele.nã . . !
Conseguiu dar um longo e profundo suspiro, soltando todo o ar depois. Deu outra puxada de ar e soltou novamente.
Começou a ouvir passos pela casa, obrigando-a abrir os olhos. Suas mãos apertavam a mesa de mogno de Orion com força, prendendo a circulação.
- Lils? - Ouviu a voz do irmão em algum lugar entre a entrada e a cozinha.
- Escritório. - Ela disse um pouco baixo demais, mas os passos vindos até o escritório confirmavam que ele havia escutado.
Sirius apareceu na porta.
- Você quer comer pizza? - Ele fechou o sorriso. - O que foi? Por que está com essa cara estranha?
- Nada, apenas dor. - Ela sorriu. Pegou os papéis do pai e os colocou de volta na gaveta, deixando apenas um em cima da mesa. - Vocês vão sair?
- Sim. Você tomou os remédios? O que o médico falou exatamente? O que é essa coisa da cirurgia...?
Pegou o papel de cima da mesa e foi até o irmão.
- Está tudo bem, Sirius. - Ela observou o irmão por alguns segundos, como o seu rosto parecia mais leve do que pela manhã. - Você parece bem.
- Eu me sinto bem. - Ele bagunçou os cabelos dela e a conduziu pelo corredor. - Eu sei que você está preocupada com as minhas duas sessões de terapia na semana, mas não se preocupe. Eu não quero que você fique ligando o Sirius que perdeu o pai e depois de Pettigrew com o Sirius de agora. Ok? Eu apenas preciso de mais tempo para falar, sobre coisas que têm outro sentido agora do que tinham antes.
Vê-lo daquele jeito lhe deu um alívio imediato. De fato, não podia comparar o irmão de alguns anos atrás com o do presente.
- Então vamos combinar que estamos melhorando: você da cabeça, eu da perna. - Ela brincou. Sirius a puxou pelo ombro e deu um beijo em sua têmpora.
- Vai ficar tudo bem.
Ouviu os gritos raivosos de Remus no cinema e a gargalhada de James ecoando pela casa.
Queria muito acompanhá-los para uma pizza para poder se distrair, rir e provavelmente provocar James embaixo da mesa ou de alguma outra maneira. Mas precisava descansar. Sua perna pedia por isso, a dor na sua cabeça também.
- Eu vou passar a pizza dessa vez. Vou descansar para estar melhor amanhã.
- Quer que eu traga alguns pedaços?
- Nah. Vou comer algo mais leve, obrigada.
Deu um beijo no irmão e foi para as escadas. Olhou para o papel da Associação "Mães Combatentes" e sentiu-se mais firme do que nunca. Não seria Peter Pettigrew que a impediria de continuar algo do seu pai, principalmente para ajudar quem poderia precisar dela.
- Hey.
Ouviu um sussurro quando estava quase no topo das escadas. James estava lá embaixo, olhando para os lados. Sirius devia ter voltado para o cinema enquanto ela subia aquelas escadas como uma tartaruga.
- Hey.
- Sem despedida?! - Ele sussurrou enquanto subia até ela rapidamente.
- Quando você está com a sanguessuga do meu irmão, fica difícil.
- A gente acha um jeito. - James segurou o seu rosto e lhe deu um beijo suave. Aquilo fazia o seu corpo relaxar quase como o banho que ela estava planejando. - Soube da sua perna, mas acho que você está de saco cheio de falar sobre isso.
- Saco cheio é uma boa descrição, mas ainda há coisas para se fazer antes de partimos para uma cirurgia.- Lily não resistiu em acariciar o rosto dele.
James sorriu com o gesto e estava prestes a se entregar àquele momento, quando viu o papel em sua mão.
- O que é isso? - perguntou ele.
- Ah, nada demais.
Como o chato intrometido que ele podia ser, assim como seu irmão, ele pegou o papel da mão dela. Sabia que ali na sua frente não era o seu James, aquele que a coloca contra paredes e a beija loucamente. Ali era o Descabelado, amigo do Sirius, amigo dela.
- "Mães Combatentes"? Eu já ouvi falar disso...- Ele dizia parecendo pensar alto.
- Talvez. É uma associação bem interessante que o meu pai ajudava.
- Hmm. - James continuava a ler toda a descrição, coisas que mesmo Lily não teve tempo no escritório. Ele levantou os olhos para ela, a estudando. - Está tudo bem?
- Sim.
Ele olhou para o papel de novo.
- Você está indo lá? Tipo, procurando suporte ou algo assim?
- Ah, não! - Ela respondeu quando entendeu onde a cabeça dele estava indo. - Não, não estou indo procurar ajuda, ao contrário. Vou ajudar, sabe, como eu costumava fazer com o meu pai. Eles aceitam todo e qualquer tipo de ajuda, principalmente nos fins de semana.
James assentiu e devolveu o papel para ela.
- Eu vou ter que te perguntar algo, mas não se ofenda: você está bem para ver e ouvir o que tem lá?
Era uma boa pergunta. Quando procurava por algum lugar, não imaginava que cairia em alguma instituição como aquela, uma que ela mesma poderia usar e procurar ajuda. Nunca foi em algum lugar onde ouviu as pessoas compartilharem suas histórias, vivendo apenas com a sua própria e lidando com isso na terapia.
- Acho que só vou descobrir quando for. - Respondeu honestamente.
- Quando você irá?
- Neste sábado, provavelmente.
- Eu posso ir com você, se quiser. Assim não precisa ir sozinha.
Queria rir, mas não por achar engraçado a oferta em acompanhá-la, mas por quanto James conseguir surpreendê-la sempre quando podia. E o melhor? Era que ela sabia que aquela oferta não era por estarem naquela situação entre beijos e agarros pelos cantos, mas que ele a faria mesmo se nunca tivessem trocado nem um beijo sequer.
- Obrigada pela oferta, mas Alice virá comigo.
- JAMES! - O grito de Sirius vindo do cinema os sobressaltaram. - REMUS MORREU DE NOVO, ESTÁ NA SUA VEZ.
Os dois reviraram os olhos ao mesmo tempo.
- Eu te vejo amanhã, eu imagino. - Ele disse olhando escadas abaixo e se aproximando dela.
- Absolutamente.
- Pouco tempo atrás, eu achei que os encontros em armários eram muito "15 anos", mas se você quiser desbravar algum outro amanhã, me avise.
Ele a beijou novamente antes de descer as escadas. Acenaram entre eles antes de James voltar para o cinema.
Se James apenas soubesse o quanto ele estava fazendo uma diferença em sua vida. Apenas aquela rápida interação trazia um final de noite mais agradável em sua mente, fazendo sua imaginação para os próximos dias trabalhar a mil por hora, mal esperando para os beijos trocados que viriam.
Na quarta de manhã, após seu banho, colocou uma camiseta leve e sem botões. Enquanto a colocava, tentou não sorrir ao pensar onde poderia se encontrar com James naquele dia.
Sua perna decidiu lhe tirar a paz, começando um bombardeamento de dores, mas tentava se distrair. Portanto, desceu as escadas fingindo que não estava a ponto de cair e chorar em posição fetal e foi preparar o seu café da manhã. Propositalmente, pegou mais frutas do que o normal, já imaginando que James iria querer comer algumas. Se ele viesse mais cedo, até poderiam comer juntos, quem sabe.
- Bom dia.
Se virou para Sirius que entrava todo feliz na cozinha. Olhou para o relógio e amaldiçoou.
- O que está fazendo em pé tão cedo? - Perguntou enquanto cortava uma maçã com um pouco mais de raiva. Que diabos era isso agora do irmão acordar com os galos?
- Ué, todo mundo parece estar acordando mais cedo. - Ele foi direto na máquina de café. - Eu comecei a me sentir mal.
Respirou fundo e voltou à sua tarefa, tentando não pensar nos poucos minutos que poderia ter com James e que o irmão estragou.
- Eu trouxe alguns pedaços de pizza para você ontem. Talvez você queira comer mais tarde. - Sirius continuou após preparar o seu café e sentar-se no balcão em seu lugar habitual. - Você tem fisioterapia hoje, não?
- Sim! - Ela respondeu.
- Sua dor vai melhorar um pouco, então. Certo?
A minha dor, agora, é a sua presença quando James está prestes a chegar.
- Assim espero. - Respondeu sentando-se de frente para o irmão.
Percebendo que a irmã estava monossilábica, Sirius deu de ombros e atacou seu café.
A porta da frente abriu pouco tempo depois, acelerando o seu coração. Infernos, ele tinha vindo mais cedo do que o normal.
E Sirius estava ali!
- Nossa, seus pais estão te expulsando de casa ou o quê? - Sirius perguntou quando James entrou na cozinha. Lily se virou a tempo para presenciar a cara de surpresa dele ao ver Sirius ali.
Pois é, James. Isso faz 2 de nós!
- Não. Eu... meu relógio deve estar errado. - James olhou para o relógio e deu duas batidinhas. - Estranho.
- Bom, melhor do que atrasado. Sabe que com a praga da minha irmã de carona, eu não posso me atrasar.
Lily preferiu não responder e quando foi dar uma garfada em uma maçã, os dedos de James apareceram em sua visão e roubou aquele pedaço.
- Como vai, Sardenta?
- Na próxima vez, eu não vou parar o meu garfo. - Ela ralhou enquanto pegava outro pedaço de fruta. - Bem e você?
- Poderia estar melhor.
Sim, ela sabia. Ambos poderiam estar melhor.
- Eu estou ótimo, aliás. - Sirius encheu a boca com pão e se virou para James. - Hoje não vou poder treinar em Hogwarts, porque tenho que trazer Lily para a fisioterapia.
- Não precisa me trazer, muito menos ficar durante a sessão. Nenhum de vocês dois!
- Eu nunca fiquei na sua sessão. Eu estava fazendo uma lição de Física para ele. - James apontou Sirius com o queixo enquanto pegava uma uva desta vez.
- Sim, foi o que ficou subentendido.
Sirius se levantou do seu lugar enfiando um grande pedaço de pão na boca.
- Eu gostaria de saber do que estão falando. - Ele disse inocentemente. - Mas realmente não sei. Lição de Física? James na sessão de fisioterapia? Tudo me soa como loucura.
- Melhor você sair daqui, antes que eu enfie esse garfo em você. - Lily resmungou.
Sirius deu uma risada que a irritou antes de sair da cozinha com um outro grande pedaço de pão na boca.
- Ele tem uma capacidade de ser um grande...
Lily se calou quando James segurou seu rosto e a puxou para um beijo de tirar o fôlego. Literalmente.
- Bom dia. - James a soltou, deixando-a atordoada com aquele beijo. Ele pegou mais uma fruta. - Eu estou tentando chegar mais cedo, mas ele não está colaborando, não é?
- Não. - Respondeu saindo do torpor. Meu deus, James podia deixá-la mais atordoada do que aquilo naquela hora do dia? - E duvido que ele demore para voltar, então...
Puxando-o pelo colarinho, ela voltou a beijá-lo. Ah, aquele beijo. Ela nunca se cansaria dele, era impossível. Quanto mais ela recebia, mais ela queria, mais precisava. Por isso ela não poderia perder as oportunidades que tinha, então começou a empurrá-lo pela ilha da cozinha, conduzindo-os para a lavanderia. Naquele ponto, James já estava longe de parecer uma vítima do ataque surpresa dela, a segurando tão forte que Lily duvidava que pudesse escapar se quisesse ou tentasse.
- Lily, boas notícias!
A voz da mãe vinda do corredor congelou a ambos. Eles se separaram rapidamente enquanto Geneviève entrava na cozinha, parando seus passos logo na porta, parecendo surpresa.
- Mãe, você pode fazer algo com esses amigos idiotas do seu filho? Eles ficam...- Lily riu enquanto se afastava de James. - ...eles ficam me chamando de pato manco e eu sou obrigada a bater neles. - Ela riu de novo.
- O que eu posso fazer se você parece com um às vezes? - James entrou na onda dela. - Desculpa, Geneviève, mas é só brincadeira. Eu faço só para irritá-la, mas depois tenho que me defender.
Geneviève apenas continuou encarando-os por alguns segundos a mais, antes de limpar a garganta.
- Crianças, vocês são impossíveis. Você é malvado, James. - A mãe disse, mas sem um pingo de raiva. - Ela é o pato manco mais lindo deste mundo.
- Mãe! - Lily soou indignada. Geneviève apenas sorriu e balançou a mão no ar.
- Falando isso, o seu médico ligou.
- Tão cedo assim?
- Ele ficou preocupado com a sua chateação ontem e a possível cirurgia. Então ele tomou a liberdade, segundo as palavras dele, de te inscrever na melhor clínica de reabilitação na Inglaterra. Eles são os melhores para todos os tipos de traumas, com o melhor departamento de fisioterapia.
- Sério? - Lily quase pulou no lugar de felicidade.
- Você passará alguns dias lá. O doutor tem certeza que você ainda pode se recuperar sem a cirurgia caso tenha uma fisioterapia mais pesada, mas isso só ocorrerá na clínica. Jon, o seu fisioterapeuta, não teria todos os equipamentos. - Era a melhor notícia que poderia ter nos últimos tempos, um verdadeiro alívio. - A clínica fica em Leeds.
Lily voltou para a mãe, chocada. James abriu a boca, surpreso.
- Leeds?! Não tem uma mais perto? - Ela perguntou.
- Infelizmente não. Eu vou ligar para o diretor de Hogwarts hoje e explicar. Você ficará apenas cinco dias, contando com o fim de semana. Creio que com as notas que tem e a aceitação de Oxford, não fará muita diferença, mas quero garantir que nada prejudique a sua entrada na Universidade.
Leeds era no meio do país. Não conhecia ninguém lá, nem uma alma sequer. Ninguém poderia ir com ela, pois todos teriam aulas. Olhou para James, ao seu lado. Ele mordia a bochecha, parecendo pensar, mas ao se virar para ela, ele sorriu.
- Isso é bom, Sardenta. Você pode melhorar mais rápido.
- Sim, claro. Melhorar mais rápido em Leeds!
- Quem vai melhorar em Leeds?
Sirius entrou na cozinha colocando sua carteira e celular nos bolsos, pronto para sair.
Enquanto a mãe explicava para ele a noticia, Lily olhou de canto de olho para James. Cinco dias sem poder aproveitar aquele beijo, aqueles abraços...
- Inferno de Leeds. - Ele comentou baixinho. - Leeds ou Austrália soa quase o mesmo.
- Nem me fale.
- Porém...suas dores vão melhorar. - James sorriu verdadeiramente para ela. - Acho que não tem notícia melhor, não?
Ter notícia melhor até poderia ter. Mas essa era a melhor que podia ter agora.
Suspirou e apoiou o queixo na mão. O importante era que não sofreria mais...da perna. Agora sofreria de outra coisa.
L~J
Saiu do carro e deu de cara com Remus no estacionamento de Hogwarts.
- Hey Lily.
- Oi, Remus. - Ela o cumprimentou com um beijo e continuou o seu caminho pelos jardins, ouvindo os três amigos conversando logo atrás
Avistou Alice não muito longe da entrada do prédio A e acenou para a amiga.
- Lily!
Gideon vinha da sua esquerda, deixando os amigos para trás.
- Gideon, ei.
- Ei. - Ele sorriu um pouco tímido. - Posso trocar uma palavra com você?
O ruivo pareceu dar uma olhada para os três caras alguns passos longe, antes de se virar para ela novamente.
- Claro. Temos alguns minutos antes da primeira aula.
- Eu posso te acompanhar até a sua sala. É no mesmo prédio.
Ela assentiu e os dois continuaram o caminho para o prédio A. Alice, vendo que a amiga não vinha mais desacompanhada, rapidamente entrou no prédio e sumiu com uma expressão de surpresa.
- Como está? - Gideon perguntou educadamente.
- Bem e você? Não nos falamos desde a volta de Southend-On-Sea. O seu carro está ok?
- Ah sim. O seguro foi buscar e o pneu foi trocado. Meu irmão não ficou feliz em adiar o compromisso do dia seguinte, mas enfim...- Ele deu de ombros. Logo após, ele limpou a garganta. - Eu queria falar com você, tentar esclarecer algo que me deixou um pouco confuso. - Lily balançou a cabeça, encorajando-o a continuar. - Você esteve no Três Vassouras no sábado, não?
- Sim, estive. Eu te vi por lá.
- Certo. - Ele fez uma pausa, coçando a cabeça. - Você disse algo para o seu irmão?
- Sobre o quê?
- Nós!
Lily parou para encará-lo.
- Sobre nós na viagem?
- Não. Sobre nós no sábado, no Três Vassouras.
O cérebro de Lily começou a maquinar.
- Er, não?! Por quê?
- Talvez algumas pessoas estejam pensando que tivemos algo no sábado. E que eu fiz algo ruim com você.
Arregalou os olhos, lembrando da conversa com a mãe e o irmão na segunda-feira. Como aquilo foi parar até Gideon?
- Desculpe, mas eu ainda estou tentando entender. - Era melhor confirmar o que estava pensando antes daquilo virar uma bagunça ainda maior.
- Você não disse para ninguém que estávamos juntos no sábado?! - Ele estava completamente confuso.
- Não. - Ocultou do irmão que não esteve com ele, mas só. - Talvez...talvez eu não tenha negado quando me foi perguntado.
- Ah! Por quê?
Sentiu seu rosto esquentar de vergonha. Aquilo era desconcertante. Aquela informação não deveria chegar até ele e ter que explicar sobre isso era vergonhoso.
O que dizer? A resposta era fácil e óbvia para ela, mas como explicar que não negou estar com ele para o irmão porque a verdade era complicada?
- Apenas me vi sem saída. Eu não confirmei, eu não disse que estávamos juntos, ele apenas pensa que é você.
- Mas não negou também.
Não sentiu hostilidade em seu tom de voz, mas curiosidade.
- Não, não neguei.
Gideon riu.
- Bem, considerando que no nosso encontro na semana passada você deixou claro que não estava interessada na minha tentativa, eu imagino que esteja vendo alguém escondido do seu irmão.
- Hm, talvez.
- E você viu a oportunidade de me colocar na história, porque sou um cara seguro para isso.
Estava sentindo-se mal agora. Não era justo com ele, principalmente depois de recusá-lo na viagem.
- Desculpe, isso não foi certo. Eu não farei de novo.
- Não se preocupe, não é nada grave. - Gideon sorriu, tentando quebrar o gelo. - Pelas brigas que fiquei sabendo e pelo soco no seu irmão que presenciei dias atrás na cafeteria, talvez seja mesmo Bones?
Qual era a de todos com Edgar? Sabia - agora - que ele era um bosta, mas as pessoas pareciam fissuradas naquela história.
- Não é Edgar Bones, como eu disse antes. Eu aprendi a minha lição com esse energúmeno.
- Que bom. Ele ainda diz por aí que vocês estão apaixonados.
Seus olhos não poderiam abrir mais agora.
- Aquele saco de bosta ainda diz isso?
- A última vez que foi ouvido, foi ontem. Então sim.
A raiva que sentia de Edgar agora era absurda. Não iria demorar para aquilo continuar a se espalhar e as pessoas ainda acreditarem que estavam juntos.
Ser associada a ele virou algo tão decepcionante e asqueroso, que só desejava ter visto como ele era um saco de bosta antes.
- Obrigada por me dizer, vou ver o que eu faço. - Ela segurou o braço dele. - Desculpa por essa coisa de sábado, eu não quero que isso te traga problemas. Assim como Edgar está espalhando mentiras por aí, eu não quero fazer o mesmo com outra pessoa. E desculpas caso o meu irmão tenha sido um babaca. Para você vir falar comigo, eu imagino que ele tenha ido falar com você.
- Ele não foi um babaca. Sirius estava bem tranquilo, apesar de ter me ameaçado caber em um tubo de ensaio, mas eu entendi o lado dele. Eu tenho uma irmã, sabe. Apesar dela ser mais chata conosco do que somos com ela, eu não deixaria um cara fazer merda com ela e sair impune.
- Para ser justa, o cara não fez merda comigo. Foi um acidente e dessa vez eu posso garantir que não estou defendendo alguém que não merece.
- Não sendo Edgar Bones, acho que acredito em você.
Sorriu agradecida. Gideon era um amor e talvez, quando James desistisse dela, seria legal voltar a falar com ele...talvez se apaixonar novamente por ele.
Não queria usá-lo como uma segunda opção, porque Gideon não poderia ser uma opção sem que ela sentisse algo. Mas talvez alguns sentimentos do passado poderiam voltar caso ela não tivesse um James viciante em seu sistema?
O futuro iria dizer.
L~J
- Essa prova foi um pesadelo e eu tenho como provar. - Alice dizia enquanto bradava a dita cuja em sua mão como se fosse a coisa mais absurda que tinha posto as mãos.
Em defesa da amiga, tinha sido uma prova surpresa terrível. Por sorte, ambas conseguiram uma boa nota, mas o terror durou cada minuto.
- Pelo menos foi antes da comida. - Lily concordou.
- Bem pensado do professor. A dor no estômago seria certa.
As duas se dirigiam à cafeteria. O alvoroço dos alunos famintos enchiam os corredores e Lily virava o pescoço para todos os lados, enquanto tentava não esbarrar nas pessoas.
- Ai! - Reclamou quando esbarrou em alguém e sua perna pulsou de dor.
- Presta atenção no caminho. - Alice disse ao seu lado.
- Eu estou.
- Está coisa nenhuma, mas pode relaxar, Lily querida. O seu alvo está à sua direita, perto da entrada da cafeteria. - Alice sorria maliciosamente. - Ele pode estar até parecendo casual apenas parado ali, mas que pena para ele que eu sei demais.
As pessoas na sua frente não deixavam ter a mesma visão que Alice, então começou a empurrar a amiga para o lado e ter a visão dela: James com o ombro apoiado no batente e parecendo não querer nada ali, apenas deixando a vida passar. Mas como Alice mesmo disse sobre saberem demais, era claro que os olhos inquietos dele indicavam que ele procurava alguém por entre os alunos.
- Deve estar esperando Sirius e Remus. - Lily disfarçou, nem ela mesmo acreditando na própria mentira.
- Ah, com certeza, sem sombra de dúvidas. Ele está mesmo perdendo tempo do seu intervalo procurando pelos amigos que, aliás, devem estar dentro daquela cafeteria já.
Ele finalmente a viu e a maneira como travou os olhos em Lily e não desviou mais, apenas reforçou a fala de Alice.
Se posicionando melhor, ele a assistiu se aproximar. A ruiva começou a dedilhar os livros que carregava, tendo a impressão de que ele tinha algo em mente, deixando-a ansiosa. Quando estava a apenas 3 metros de distância, James começou a andar, vindo contra a maré de alunos e ela. Dois metros agora, um metro...
A mão dele bateu logo abaixo de seus livros, fazendo-os voarem dos braços de Lily e se espalharem no chão.
- Ah, droga. Desculpa, Sardenta, não te vi.
- Não tem problema.
- Hum! - Alice riu disfarçadamente. - Queria poder ajudar, mas estou com fome. Tchauzinho.
James se abaixou e começou a pegar os livros e folhas espalhadas enquanto Alice continuou o seu caminho lançando alguns olhares para trás e rindo. Lily fez menção de se abaixar, mas ele levantou uma mão para ela.
- Deixa que eu pego. - Disse enquanto recolhia. Um aluno parou o seu caminho para ajudá-lo. - Obrigado. - James agradeceu ao terminarem e recebendo algumas folhas do garoto mais novo.
Lily tentou pegar os livros e folhas de volta, mas James os colocou embaixo do braço.
- Mantenha seus olhos no caminho, Descabelado. - Ela disse e tentou novamente pegar suas coisas de volta, mas James desviou.
- Ah, eu tinha meus olhos no lugar certo, mas sabe...acontece. As pessoas se esbarram o tempo todo.
- Claro.
Novamente, ela tentou pegar os livros, mas James deu um tapinha leve em sua mão.
Os alunos que passavam por eles não pareciam interessados na conversa ou na interação, considerando algo normal ter Lily e James conversando em qualquer canto da escola, mas Lily quase sentia que estavam gritando o quanto eles vinham se divertindo pelos cantos para qualquer um ouvir, provavelmente com a maior cara de culpada que podia ter.
- Sirius e Remus estão na minha cola o dia todo. Vem, eu consegui alguns minutos. - Ele sussurrou disfarçadamente, antes de aumentar o tom de voz. - Eu vou te ajudar com esses livros. Você tem que tomar cuidado com a sua perna.
Virando à esquerda, James seguiu por outro corredor, se afastando da cafeteria. Lily o seguiu, mas um pouco distante por conta da dor. Percebendo que ela estava andando mais devagar que o costume, James desacelerou e esperou por ela.
- Não vamos longe. - Avisou quando voltaram a andar juntos.
E era verdade, pois pararam no fim do corredor. Aquela parte da escola estava deserta, já que todos os alunos pareciam estar focados em encher a barriga.
Tirando uma chave do bolso e olhando para os lados, James abriu uma porta rapidamente e apontou para que ela entrasse. Lily, sentindo toda a adrenalina da coisa, não demorou nem um segundo para entrar.
Era um armário muito, muito menor do que o de teatro do dia anterior. Havia algumas caixas, uma ou outra bola de futebol, mas Lily não teve mais tempo de analisar, pois James entrou e fechou a porta, cortando qualquer fonte de iluminação.
- Por que eles não largam do seu pé? - Lily perguntou.
- Estamos sem tempo para falar deles agora.
Ela foi pega em seus braços e logo foi atacada pelo beijo dele. Ela iria reclamar? Não, nunca, nem um pouco, pelo contrário. Agarrou aquele corpo como se precisasse dele para respirar. O seu próprio corpo e mente agiam realmente como se estivessem viciados em James, pois a partir do momento que ela o beijava, eles se acalmavam, finalmente tendo o que queriam e precisavam.
- Ainda bem que você fez isso acontecer. - Ela dizia enquanto James a levava até a parede e os colando ali.
- Eu tinha que fazer algo. - James respondeu enquanto suas mãos viajavam pelas costas de Lily, descendo até seus quadris.
- Você também sente isso, então? - Lily perguntou sem especular sobre o que dizia exatamente, tendo sua cabeça completamente nublada pelos toques dele.
- Sim. - Ele concordou colocando o seu rosto contra o dela. - Essa vontade, quase necessidade?!
Lily assentiu, sem conseguir falar. Seus dedos encontraram um jeito de entrarem por baixo de sua camiseta e tocando a pele dele. Era daquilo que precisava: o contato. Fosse da boca dele, do corpo, das mãos. Qualquer coisa. Mas se tivesse um pouco de tudo, seria ainda melhor.
Por que aquilo aconteceu entre eles? Aquele magnetismo que surgiu tão de repente depois de tantos anos? Não que fosse uma reclamação, mas era um suspense para ela.
Parou de pensar naquilo quando foi beijada novamente, mas com mais moderação dessa vez. James segurava o seu rosto e comandava o ritmo enquanto parecia provocá-la com os lábios e a língua. Os dedos da ruiva apertaram as costas de James enquanto ela quase derretia com ele.
A pele dele era tão macia, a chamando para desbravar mais e não só com a sua mão. O cheiro dele era tão bom...
Tudo era bom, tudo. Absolutamente tudo.
E por mais que ela desejasse arrancar as roupas dele ali mesmo, tinha que parar. Agora.
Mas não conseguia.
- James...- Não era um chamado, mas deveria. Acabou saindo quase como um pedido, na verdade.
- Eu preciso mais de você. - James dizia em um fio de voz.
Ele tirou as palavras da boca dela. Tudo o que ela queria, era ter mais dele.
- Para de ler a minha mente. - Lily respondeu quase rindo.
A risada, porém, veio de verdade quando James enrolou seus braços em sua cintura, a levantou e a rodou uma vez, se aproximando da porta e a colocando de volta no chão. Aquele simples momento estampou um sorriso em seu rosto que provavelmente não sairia tão cedo.
- Agora eu não sei se te beijo mais ou se te faço rir de novo. - Ele a beijou logo atrás de seu ouvido.
- Os dois, não necessariamente ao mesmo tempo.
Foi a vez de James rir.
- Mais beijos e mais risadas. Anotado.
- E mais tempo, não esqueça.
- E mais tempo. - Ele concordou.
Ele a soltou parcialmente, mantendo suas mãos em sua cintura. Aquela aventura no armário tinha sido bem rápida, mas era melhor do que não ter nada dele naquele dia.
Por falar nisso.
- Onde você arrumou as chaves para esse armário?
- Eu conheço alguém, que conhece alguém...- Ele a beijou novamente e abriu a porta. - Agora vai.
- Por que eu sempre vou na frente? - Perguntou quando finalmente a luz do corredor caiu sobre James.
- Porque eu preciso me recompor antes de aparecer em público. - Ele deu de ombros e sorriu. - Agora vai.
Largando a porta, Lily voltou até ele, agarrou seu rosto e o beijou com força.
- Até a próxima vez.
- E que virá logo. - Ele confirmou.
Respirando fundo e arrumando os cabelos, Lily espiou o corredor e confirmou estar vazio. Estava prestes a sair, quando James segurou sua mão.
- Você já ia esquecendo isso.
Ele passou seus livros e folhas que foram largados de qualquer jeito sobre uma prateleira. Bom, voltar com as suas coisas seria inteligente, de fato.
- Vou andar com livros mais vezes por esses corredores. - Ela disse despretenciosamente.
- Eu vou me certificar de estar lá em todas elas.
James não ajudava em nada. Tinha que ir para a cafeteria e fingir que não estava a ponto de virar de cabeça para baixo aquele armário enfadonho do corredor com ele.
Rindo, ela fechou o armário. Com muito pesar, ela se dirigiu à cafeteria.
L~J
No final do dia, Lily tinha um acerto de contas para tratar.
Na verdade, tinha várias contas para acertar. Um deles, deveria ser com o seu irmão, pois Sirius Black não largou James o resto do dia. Nem um segundo sequer. Imaginava que até foram ao banheiro juntos, pois todo o momento que se cruzaram, lá estavam eles. E Lily procurou James várias vezes, sem sucesso em nenhum.
Outro acerto de conta seria com Remus, pois ele não deixou o lado dos outros dois também. Pareciam trigêmeos siameses ou algo assim. Parecia tudo de propósito.
Saía mais cedo na quarta e esperava pelo irmão levá-la de volta para casa e sua fisioterapia da semana, mas não estava procurando por Sirius naquele momento e nem James ou Remus. Seus olhos estavam bem atentos com toda aquela movimentação dos alunos seniores pela porta principal, esperando sua presa.
Assim que o viu, arrumou a bolsa nos ombros e foi em sua direção, pronta para a batalha.
- Edgar! - Sua voz estava gélida.
Edgar se virou com surpresa para ela, seus amigos também.
- Lil! Oi! - O sorriso dele era tão bonito quanto a primeira vez que Lily reparou meses atrás, mas sentia enjoo apenas ao vê-lo agora.
- Uma palavrinha? - ela pediu fazendo um aceno para o canto dos jardins. Não queria que Sirius a visse por ali, brigando, pois sabia que ele entraria no meio, então tinha que ser o mais discreta possível.
Claro que ele a seguiu sem problemas, com algumas risadinhas maliciosas dos amigos tapados que ele tinha.
Quando ela parou em um canto longe dos olhos de qualquer um, Edgar logo tentou segurar seu rosto para beijá-la.
- O que você está fazendo? - Lily perguntou, desviando.
- Ué, eu pensei que você queria, sabe, me beijar ou algo assim.
- Não, querido, estamos bem longe dessa cena. - Edgar parecia confuso e ela não acreditava que ele era tão obtuso ao ponto de sequer imaginar que ela desejava algo. Depois de tudo o que passaram ou mesmo seu tom ao chamá-lo. - Isso só mostra o quanto precisamos conversar.
- Qual é agora? - Ele soltou e se deixou cair contra a parede.
- Temos que esclarecer uma pequena desinformação que vem se espalhando por essa escola. Eu não sei em qual mundo paralelo você vive, querido, mas eu não estou apaixonada por você e nós não vamos voltar. Então seria muito inteligente da sua parte parar de espalhar isso por aí.
Edgar fez uma grande careta desinteressada.
- Lil, esse tipo de coisa não se vai desse jeito. - Edgar estalou a língua. - Você não precisa esconder isso ou lutar contra. Eu estou aqui para você.
- Você está delirando? - Lily perguntou, chocada. - Você realmente vive em um mundo paralelo, pensando que está em um filme ou algo assim.
- Não, mas eu conheço as mulheres.
A ruiva jogou a cabeça para trás e gargalhou à vontade. Edgar cruzou os braços.
- Você conhece as mulheres?! Digo, você, Edgar Bones?
- Você está brava comigo, eu sei. Eu tenho dado espaço para nós, te deixando pensar, sentir falta. Mas eu venho pensando em algumas maneiras de te acalmar, talvez acelerar essa cura.
- Desculpa, agora eu sou um animal para você acalmar?
- Lily, não force a barra.
- Não força a barra você! - Lily balançou os braços, em desesperação. - Olha, apenas para de espalhar por aí que a gente vai voltar ou que eu estou minimamente próxima de ter qualquer afeto por você. Apenas isso, eu não quero mais nada de você. É pedir demais?
Edgar abriu os braços, inconformado.
- Então é isso? A gente termina assim?
- A gente terminou mil anos atrás. Me esquece! Entendeu?
- A gente passou tanta coisa boa juntos...- Ele tentou aquele sorriso mole e fácil dele.
- Você passou muitas coisas boas, não? Eu ainda tento entender o que eu tinha na cabeça para aceitar tão pouco. - Edgar abriu a boca em choque. - Melhore como pessoa e você encontrará alguém legal.
Deu as costas e saiu mancando pelo jardim. Difícil ter uma saída triunfal com aquela perna, era um terror. Se estivesse fugindo de Edgar, ele já a teria alcançado dez vezes com a sua super velocidade de jogador.
Avistou Sirius, James e Remus parados no estacionamento, de costas para ela. Como conversava em um canto oposto do jardim com o babaca mor do seu ex, ela veio de outro ponto do qual era esperada.
Viu o irmão pegar o celular e já sabia que seria uma ligação para ela. Então apressou um pouco mais o passo.
- Eu estou aqui. - Ela o alertou.
Os três se viraram em direção a sua voz.
- De onde está vindo? - O irmão perguntou colocando o celular no bolso.
Ela o ignorou. Sua perna berrava de dor agora e só queria poder sentar por alguns momentos. Estava tensa, nervosa, e isso só piorava tudo.
- Da mesma escola que você. Podemos ir?
- Você estava escondida nos jardins, né? - Perguntou Sirius e ela reparou que o irmão tentava ver alguma marca em seu pescoço. Lily suspirou.
- Sirius, só vamos embora, por favor.
- Pelo menos ele não te marcou dessa vez.
Ela cruzou o olhar com os de James. Ele não tinha expressão nenhuma, apenas a observava, mas foi o primeiro a desviar o olhar e pegar o caminho para o próprio carro.
Um pouco desconcertada, ela entrou no carro do irmão após acenar para Remus e se despedir.
Ouviu quando o carro de James acelerou logo atrás, apressando Sirius. Este último reclamou algo como "qual o problema dele?" e saiu com o carro, apenas para ficar preso atrás de alunos que conversavam e bloqueavam o portão, como sempre.
- Acho que vou mandar uma mensagem para Jon, dizer que talvez eu chegue atrasada. - Disse a ruiva pegando o celular.
- Você não vai se atrasar. - Sirius abriu a janela, colocou a cabeça para fora e gritou. - SAI DA FRENTE, CACETE!
- Sirius! - Repreendeu o irmão.
- Se eu não fizer nada, vamos ficar aqui para sempre.
Funcionou. Os caras que estavam parados ali logo saíram do caminho, deixando os outros passarem. Assim que estavam na rua, Sirius acelerou. Lily olhou pelo retrovisor e viu James acelerando logo atrás deles. Pelo pouco que via, ele não parecia muito feliz.
- Vamos devagar. - Lily pediu. - Não quero estragar a minha outra perna, ou a cabeça.
- Não vai estragar nada seu.
Sirius desviou de um carro lento, fazendo Lily segurar onde podia. Logo atrás, James fez o mesmo, nunca deixando a cola deles.
Aquilo a lembrou quando James endoidou durante uma conversa que tiveram no carro, cortando todo o trânsito na contramão e entrando em uma rua sem frear antes, jogando Lily para os lados.
Ah, os bons tempos de carona. As manhãs dele a esperando, as conversas, aquela ansiedade em vê-lo...
Olhou pelo retrovisor central quando pararam em um semáforo. Ele tinha um dos braços apoiados na janela, mordendo um dedo e o olhar perdido. Parecia tão longe nos pensamentos, que mal devia saber o quão bonito estava ou que ela o observava.
- O que foi? - Perguntou Sirius também olhando pelo retrovisor. - Ah, James. Ele anda meio esquisito desde terça.
- Como assim?
- Sei lá. - Ambos ainda olhavam para ele, ainda perdido em pensamentos. - Acho que é a história com a tal garota ainda.
- Ah sim? O que poderia ter acontecido?
Estava na esperança de que aquela garota ainda fosse ela e não qualquer outra de que não tinha conhecimento.
- Vai saber. Ele não quer falar, não quer ajuda. Não posso fazer muito nessas condições.
Continuaram o caminho para casa, ainda apressados. James, ao invés de entrar na rua que levaria para a casa dos Potter, continuou atrás deles e entrou na garagem dos Black-Evans.
Jon, o fisioterapeuta bonito e que estava fora da lista de Lily agora, já esperava por ela do lado de fora.
- Desculpe o atraso. - Disse assim que abriu a porta do carro.
- Está tudo bem. Não se apresse, não precisa se machucar.
Sirius deu a volta no carro e foi em direção a casa, os olhos em ambos e querendo deixar claro que estava prestando atenção.
- Depois de vocês. - Disse James apontando para o caminho e dando a vez para Lily e Jon entrarem na casa.
Logo na entrada, a caminho da cozinha, estava Sirius. Lily revirou os olhos, sabendo que o irmão iria querer supervisionar a sessão e estava pronta para brigar.
- Cinco minutos não é muito atraso. Certo, Jon? - Sirius perguntou.
- Não, não é. Não se preocupe, Lily, não vamos perder esses cinco minutos. Não vamos fazer piscina hoje, então podemos começar.
Jon e Lily passaram por ele e ela viu que Sirius estava prestes a segui-los, quando a mão de James caiu no ombro do irmão.
- Acho que está na hora da sua vingança no jogo. Você ainda tem que bater os meus pontos de morte, Black.
Ela abriu um sorriso de agradecimento para ele.
- Não podemos fazer isso depois? - Sirius perguntou.
- Não, não podemos. Vamos fazer isso agora.
James segurou os dois ombros de Sirius dessa vez e começou a guiá-lo para o cinema. Antes de perder o contato visual com ele, Lily sussurrou um "obrigada". James apenas assentiu uma vez e sorriu um pouco, empurrando um emburrado Sirius para longe da sua sessão de fisioterapia.
Que me parta un rayo
Que um raio me parta
Que me entierre el olvido, mi amor
Que o esquecimento me enterre, meu amor
Pero no puedo más compartir tus labios, compartir tus besos
Mas não posso mais compartilhar os seus lábios, compartilhar os seus beijos
Labios compartidos
Lábios compartilhados
Era sexta-feira e a sua perna iria matá-la, cedo ou tarde. E James Potter iria acabar de matá-la por outros motivos.
A perna era óbvio que a mataria por dor. A transição dos remédios estava indo lentamente, e apesar de ver alguma mudança sim, ainda estava com muita dor. Dormir estava sendo horrível, andar era horrível, ficar parada era horrível.
E James iria matá-la de muitas coisas, pois depois daquela aventura no pequeno armário na quarta, ele parecia a pessoa mais inalcançável do planeta Terra.
Dois dias inteiros. Foram dois miseráveis dias: quinta e todo o dia de sexta-feira. Eram muitos dias, muitas horas afastada. Eles se viram pelas manhãs - com Sirius sempre por perto, então sem chances de nem um pequeno beijo que fosse; muitos trabalhos para finalizar; James com Sirius e Remus parecendo duas mochilas em suas costas...
Era uma tortura. E tudo isso, com a sua perna a torturando junto.
Naquele momento, naquele começo de noite e fim de semana, olhava para a televisão do seu quarto sem nem ter ideia do que assistia. Alguma série policial britânica de uma detetive um pouco louca que achava que tinha matado a amante do marido ou algo do tipo. Assistiu os primeiros episódios, mas depois se perdeu, pois não parava de pensar nos últimos dias e nas conversas que teve. Com Alice e com James.
Alice falando que ela não conseguiria fugir de se apaixonar por James. A conversa no armário do teatro, de James falando sobre Gideon, mas nada ter ficado claro sobre o que estava rolando entre eles, sobre o que era aquele tal lance.
E se ele estivesse vendo outras garotas também? Aquilo ficava rondando sua cabeça. Não era hora e nem deveria sentir ciúmes. Mas eles estavam tendo aquele lance e deveriam ficar exclusivos? Ou era cada um por si? Nada disso foi dito e era enlouquecedor.
Pegou seu celular. Não mandavam mensagem ou ligavam um para o outro com frequência. Para falar a verdade, eles trocavam mais mensagens e ligações quando eram apenas amigos do que agora. Sirius não tinha acesso ao seu celular, mas já tinha visto o irmão usar o celular dos amigos sem precisar pedir a senha.
Não que Sirius ficaria curioso em ver as mensagens que James trocava com a irmã, já que para ele, não havia nada para desconfiar.
Com esse pensamento, ela abriu as mensagens de James, ou melhor, do "Descabelado".
Digitou e apagou mil vezes. Não sabia o que queria falar, mas sabia que queria falar algo. Precisava falar algo.
- Não posso falar que estou com saudades, iria parecer um pouco grudenta. Não posso perguntar se ele está indo se encontrar com outra pessoa hoje e pedir para ele se encontrar comigo ao invés.
Jogou o celular longe e foi tomar um banho, tentando encontrar uma luz.
Não sabia como agir, não sabia o que poderia ou não fazer. Não achava que James iria reclamar caso ela pedisse para se encontrar com ele, mas se ele recusasse ou dissesse que já tinha planos com outra garota, aquilo iria incomodar.
O que os olhos não veem, o coração não sente, certo? Não que estivesse sentindo algo por James, claro que não, mas ouvir aquilo quando você está tão viciada em alguém quanto ela estava por ele, não era agradável.
Após o banho, ainda enrolada na toalha, voltou para o quarto e encarou o celular.
Grunhindo, ela pegou aquela porcaria.
(18:45) Lily: Oi!
Jogou o celular de volta na cama. A conversa foi iniciada, pelo menos. Não tinha ideia para onde iria levá-la, mas ali estava. Talvez ele nem responderia ou responderia mais tarde. Talvez até mesmo amanhã.
(18:45) Descabelado: Oi! =)
Ok, aquilo tinha sido rápido.
- Se acalme. Você já beijou esse cara de diferentes maneiras, assim como ele já te beijou e te tocou de jeitos bem íntimos...você vai enlouquecer por conta de mensagens?
(18:46) Lily: Ocupado?
Que pergunta idiota. Se ele estivesse ocupado, não a responderia. Deve estar com o nariz enfiado naquele jogo dele, tentando passar alguma fase, por isso respondeu tão rápido.
(18:46)Descabelado: Nem um pouco.
Ele devia estar estranhando o fato de estar recebendo mensagens do nada, provavelmente se perguntando o que ela queria, então obviamente ele não iria começar uma conversa, esperando por ela.
O que deveria dizer? Saudades e outras garotas não poderiam ser o assunto, mas tudo o que ela queria era falar exatamente sobre aquilo.
(18:48)Descabelado: Está tudo bem?
Não deveria ter enviado mensagem alguma. O que iria dizer?
(18:49) Lily: Sim, tudo ótimo.
(18:49) Descabelado: Tem certeza?
Poderia fingir que foi um engano a mensagem? Não seria a primeira vez. Na festa da Dorcas, quando estava morrendo de dor e pensou que enviava mensagem para o irmão, tinha enviado para James.
- Isso, boa. Seja uma covarde, mas use o seu histórico.
(18:51) Lily: Sim, certeza. Enviei a mensagem por engano haha desculpa!
- Estúpida, estúpida. Eu nunca fui boba desse jeito, muito menos com ele. Estou parecendo uma criança, uma bobona. A típica irmã mais nova do melhor amigo.
Escondeu o rosto nas mãos. Não era hora de agir daquele jeito. Queria se esconder, apagar a conversa, voltar no tempo e não enviar nada para ele. Talvez fosse por isso que nunca conversavam por mensagem: por que ela não sabia agir igual uma pessoa normal. Não com ele, aparentemente.
- Ai que ódio!
O celular apitou.
(18:56) Descabelado: Sem problemas.
Ela mal teve tempo de reagir com aquela resposta, pois "Descabelado está digitando..." a fez segurar o ar. Ele parou de digitar, depois voltou a digitar. Parou novamente.
- Não faça isso comigo, James Potter. Envie essa mensagem que você escreveu.
Não tirava os olhos da tela, esperando. De repente, a mensagem chegou, lhe dando a certeza de que já estava escrita, mas ele só precisava apertar o botão para enviá-la.
(19:00) Descabelado: Que sortudo o cara que vai continuar essa conversa com você então.
Seu queixo caiu.
- Não, James! Não, não. Era para você pensar que era Alice, Sirius ou Remus. Não outro cara.
Que confusão desnecessária. Tudo por conta da sua insegurança, da sua dúvida sobre o que estava ocorrendo.
Levantou da cama e gemeu com a dor quando ia até o armário, jogando sua toalha em qualquer lugar e se trocando.
Estava na hora de agir como adulta.
Continua...
N/A:
Quase cinco meses inteiros sem postar. Só posso culpar a vida!
Para quem me segue no Instagram, viu que eu vou deixar uma cena importante para o próximo capítulo, então esse capítulo foi mais light. E se você viu erros, culpe a minha lerdeza e cansaço.
O próximo está quase pronto, mas tô de férias a partir do dia 21 até o dia 29. Tô pensando em deixar pro dia 12 de Junho (meu aniversário hihihi). Veremos se consigo cumprir :D
Não esquece da review marotinha ai para dar aquela ajudada ;)
Beijos ;**
