J~L
I'm seeing the pain, seeing the pleasure
Eu estou vendo a dor, vendo o prazer
Nobody but you, 'body but me, 'body but us
Ninguém além de você, ninguém além de mim, ninguém além de nós
Bodies together
Corpos juntos
I love to hold you close, tonight and always
Eu adoro te abraçar, hoje e sempre
I love to wake up next to you
Eu adoro acordar ao seu lado
(Pillowtalk - Zayn)
No capítulo anterior...
"(18:45) Lily: Oi!
Jogou o celular de volta na cama. A conversa foi iniciada, pelo menos. Não tinha ideia para onde iria levá-la, mas ali estava. Talvez ele nem responderia ou responderia mais tarde. Talvez até mesmo amanhã.
(18:45) Descabelado: Oi! =)
Ok, aquilo tinha sido rápido.
- Se acalme. Você já beijou esse cara de diferentes maneiras, assim como ele já te beijou e te tocou de jeitos bem íntimos...você vai enlouquecer por conta de mensagens?
(18:46) Lily: Ocupado?
Que pergunta idiota. Se ele estivesse ocupado, não a responderia. Deve estar com o nariz enfiado naquele jogo dele, tentando passar alguma fase, por isso respondeu tão rápido.
(18:46) Descabelado: Nem um pouco.
Ele devia estar estranhando o fato de estar recebendo mensagens do nada, provavelmente se perguntando o que ela queria, então obviamente ele não iria começar uma conversa, esperando por ela.
O que deveria dizer? Saudades e outras garotas não poderiam ser o assunto, mas tudo o que ela queria era falar exatamente sobre aquilo.
(18:48) Descabelado: Está tudo bem?
Não deveria ter enviado mensagem alguma. O que iria dizer?
(18:49) Lily: Sim, tudo ótimo.
(18:49) Descabelado: Tem certeza?
Poderia fingir que foi um engano a mensagem? Não seria a primeira vez. Na festa da Dorcas, quando estava morrendo de dor e pensou que enviava mensagem para o irmão, tinha enviado para James.
- Isso, boa. Seja uma covarde, mas use o seu histórico.
(18:51) Lily: Sim, certeza. Enviei a mensagem por engano haha desculpa!
- Estúpida, estúpida. Eu nunca fui boba desse jeito, muito menos com ele. Estou parecendo uma criança, uma bobona. A típica irmã mais nova do melhor amigo.
Escondeu o rosto nas mãos. Não era hora de agir daquele jeito. Queria se esconder, apagar a conversa, voltar no tempo e não enviar nada para ele. Talvez fosse por isso que nunca conversavam por mensagem: por que ela não sabia agir igual uma pessoa normal. Não com ele, aparentemente.
- Ai que ódio!
O celular apitou.
(18:56) Descabelado: Sem problemas.
Ela mal teve tempo de reagir com aquela resposta, pois "Descabelado está digitando..." a fez segurar o ar. Ele parou de digitar, depois voltou a digitar. Parou novamente.
- Não faça isso comigo, James Potter. Envie essa mensagem que você escreveu.
Não tirava os olhos da tela, esperando. De repente, a mensagem chegou, lhe dando a certeza de que já estava escrita, mas ele só precisava apertar o botão para enviá-la.
(19:00) Descabelado: Que sortudo o cara que vai continuar essa conversa com você então.
Seu queixo caiu.
- Não, James! Não, não. Era para você pensar que era Alice, Sirius ou Remus. Não outro cara.
Que confusão desnecessária. Tudo por conta da sua insegurança, da sua dúvida sobre o que estava ocorrendo.
Levantou da cama e gemeu com a dor quando ia até o armário, jogando sua toalha em qualquer lugar e se trocando.
Estava na hora de agir como adulta."
L~J
- Lily! Que surpresa agradável. Como está?
Euphemia Potter abriu um enorme sorriso ao ver a ruiva na porta.
- Muito bem, Euphemia. E a senhora?
- Eu vou muito bem, querida. Entre, por favor.
A casa da família Potter era magnífica e a ruiva sempre admirou o quanto podia mudar de acordo com as estações do ano, o que ela achava incrível: no inverno, você estava sempre quente e aconchegado, quase se sentindo nas montanhas. No verão, parecia algo praiano e fresco. Durante a primavera, era um imenso jardim e no outono, os tons marrons e amarelos predominavam.
Era simplesmente genial. Haviam salas e portas para descobrir a cada esquina e paredes de vidro que davam todas para os jardins e a linda piscina. Também havia uma casa de hóspedes na área da piscina, onde James havia se mudado há dois anos, ficando mais independente dos pais.
- A senhora está muito elegante. Digo, mais do que o normal. Eu adorei o seu vestido.
Euphemia Potter era a elegância em pessoa. Geneviève estava sempre conversando e trocando ideias com ela, às vezes ajudando, às vezes aprendendo com a voz da experiência, já que Geneviève era uns bons vinte anos mais nova. E hoje a noite Euphemia usava um deslumbrante vestido preto de renda que lhe caia muito bem, saltos altos e um colar maravilhoso.
- Obrigada, querida, muito gentil da sua parte. Fleamont e eu comemoramos o nosso aniversário de encontro. - Ela riu. - Fazemos isso desde o primeiro ano, é como nosso aniversário de namoro. Foi um dia tão especial, que não me imagino não comemorar.
- Parabéns! Se eu encontrasse o meu Fleamont, também faria questão de comemorar todos os anos.
As duas riram, mais do que acostumadas com essa brincadeira de todas quererem Fleamont após, um dia, o casal contar que Euphemia ficava louca com as mulheres em cima do marido quando eram jovens.
- Espere e logo achará o seu. - Euphemia passou as mãos pelos cabelos ruivos gentilmente. - Está procurando James, Sirius ou os dois?
- James, na verdade.
- Eu acho que ele está com Fleamont no escritório...- Euphemia tentou olhar pelo corredor. - - Eu vou avisá-lo que está aqui.
- Obrigada, mas eu posso esperar. Não é nada urgente.
Com um sorriso, Euphemia saiu da grande sala de paredes de vidro e Lily se virou para os jardins, deixando sua pequena bolsa em cima de um banco longo de madeira e admirando as luzes amareladas pelo lugar, dando-lhe aquele aconchego de uma casa bem cuidada e amada.
Viu o reflexo de James entrando na sala e se virou. Ele tinha os cabelos molhados e parecia vestido para sair com seu jeans e camiseta branca. Tão simples, mas tão sexy
Também vestia o seu sorriso típico que fazia seu coração bater mais forte.
- Oi! - Sua voz mostrava um pouco de surpresa, mas charmosa.
- Você está pronto para sair, não é? Eu não sabia que vocês teriam uma comemoração hoje.
- Eu? Com aqueles dois hoje a noite? - James apontou para trás e bufou. - Nem se me pagassem. Hoje tem jogo e Frank nos chamou para assistir.
Se aproximou dela, com as mãos no bolso da calça e evidenciando mais ainda seu braço bem definido que ela não cansava de admirar.
Poderia soar bem superficial, mas o quanto ela adorava todo o físico dele não estava escrito.
- Certo. - Ela desviou o olhar, tentando voltar ao assunto. - Bem...você deve estar se perguntando o que eu estou fazendo aqui.
- Não me perguntando, mas apreciando sua presença. - Ele sorriu e se aproximou mais. - A não ser que você tenha algo para falar ou precisa de mim, então eu terei que saber o motivo, mas caso o contrário ...- Ele deu de ombros.
- Bom, porque a verdade é que eu só sabia que deveria vir e quando eu vi, já estava quase aqui e...é isso. Não fiquei pensando muito sobre o assunto e tal.
- Você veio caminhando? - James perguntou, sem sorrir dessa vez.
- Nós estamos a um quilômetro de distância. Isso não é nada.
- Não quando você está com a perna machucada e doendo do jeito que estava doendo a semana toda.
Lily revirou os olhos.
- Estou bem e minha perna também.
Era uma grande mentira. Sua perna estava, sim, doendo, mas ela já estava mais da metade do caminho e se voltasse, seria a mesma distância do que ir até o fim.
- Sério? Aposto que não está mancando, já que não está com dor.
Os pais de James escolheram a hora perfeita para voltarem à sala, interrompendo a conversa.
- Lily Evans.- Fleamont se aproximou e cumprimentou a ruiva com um beijo no rosto. - Linda como sempre.
- Obrigada, Sr. Potter. Digo o mesmo. Eu adorei o seu terno cinza.
- Escolha da minha querida esposa. Para algumas coisas, ela tem bom gosto. - Euphemia revirou os olhos levemente, mas sorriu.
- Bom, ela escolheu o senhor entre tantos outros homens na vida. Eu diria que ela tem um ótimo gosto.
Euphemia soltou uma rápida risada.
- Eu vou levar isso como um elogio para mim mesma. Você, querido, se contente em ser só parte disso. - Euphemia disse para o marido antes de se virar para o filho. - Nós vamos indo. Tem certeza que não gostaria de vir?
- Eu tenho certeza absoluta! - James levantou os braços. - Eu já cometi esse erro uma vez e aprendi com ele.
- Bobagem. - Euphemia abanou a mão. - Ele se sentiu enojado com nosso romance. - Disse para Lily.
- Vocês estavam quase fazendo um irmão para mim na mesa daquele restaurante.
- James! - A mãe o censurou, o rosto se avermelhando. - Vamos embora logo, Fleamont.
Rindo, James segurou a mãe e lhe deu um beijo na bochecha, fazendo-a derreter com o gesto e acariciar o rosto do filho.
- Boa noite e comemorem bastante. - Lily se despediu e assistiu o belo e elegante casal saírem de casa. - Eu adoro os seus pais.
- É mútuo. - Ele disse. - Vem!
James fez um gesto com a cabeça em direção a porta de vidro que dava para fora e Lily o seguiu. Cruzaram os jardins de trás e foram até a casa da piscina. Não era grande, era mais como um pequeno apartamento com uma cozinha confortável e prática, uma sala com uma grande televisão, sistema de som, videogame e um grande sofá. Uma porta de correr de vidro esfumado separava tudo isso da suíte.
Lily esteve ali muitas vezes, mas nunca sozinha. Muito menos naquelas condições. Seu estômago dava voltas e mais voltas, repleto de borboletas.
- E como eu desconfiava, você está mancando. - Foi a primeira coisa que ele disse ao entrarem.
- Sim, James, minha perna está doendo pela caminhada. Era isso o que você queria ouvir?
- Não. Eu preferiria que você tivesse me ligado e eu te buscaria. - Ele dizia indo até a geladeira e tirando gelo. - Ou ter aproveitado o erro da mensagem e falar por ali mesmo.
Ah, ele estava sereno, todo sorrisos, mas o tom usado no fim da sua frase entregava que ele não parecia indiferente com o erro da mensagem.
- Eu não planejei a minha vinda, exatamente. Apenas saí de casa sem pensar muito.
- Sente-se. - Ele disse, apontando para a poltrona atrás dela. Lily se aconchegou.
James se abaixou em sua frente e colocou um apetrecho de esporte cheio de gelo em seu joelho. O contato frio arrepiou seu corpo e ela reclamou um pouco, mas sentiu o alívio. Se recostou mais na poltrona e fechou os olhos com o prazer de sentir sua dor amenizar, ficando assim por alguns minutos. Quando abriu os olhos, viu que James teclava rapidamente no celular com uma mão e depois jogou o aparelho de qualquer jeito no sofá.
- Pense em me ligar ou me mandar uma mensagem na próxima vez, de qualquer maneira. Assim você não fica com dor...- James levantou o olhar para ela. - ...além de querer ser o seu destino final de novo. - Ele disse ao encontrar o olhar dela em si.
Como ele conseguia fazer seu corpo desaprender a respirar apenas com aquelas frases?
- Se na próxima vez eu quiser te ver o tanto quanto eu queria hoje, eu ligarei.
Se levantando em um joelho e ainda segurando a perna de Lily com o gelo, James se aproximou de seu rosto.
- Então você saiu querendo me ver.
Lily segurou o rosto dele carinhosamente, seus olhos queimando por ele.
- Eu posso ter saído sem planejar, mas eu saí querendo você. - Ela o beijou profundamente por um momento, mas parou logo em seguida. Ele apenas a encarou, desarmado.
James jogou o gelo para trás e se apoiou nos braços da poltrona, enquanto atacava a boca dela com a sua. Lily perdeu suas mãos em seus cabelos bagunçados e ainda úmidos.
Não, não.
Apesar dela falar sobre não planejar sua ida até ali, Lily bem sabia o motivo de estar ali.
- Espere. - Lily disse entre seus lábios. James se afastou no mesmo momento. - Na verdade, precisamos conversar. - Ele abriu os olhos, surpreso. - Ou terminar de conversar.
Ele levantou e passou a mão pelo rosto, como se quisesse sair do momento que estavam criando.
- Isso tem a ver com a sua mensagem de hoje? Que deveria ir para outra pessoa?
- Sim e não. - Lily se ajeitou na poltrona. No mesmo momento, James se abaixou e pegou o apetrecho de gelo e entregou para ela.
- Melhor você usar isso enquanto conversamos.
Lily concordou, pois era mesmo uma boa ideia. James deu as costas para ela e andou até a porta, mantendo certa distância.
- Eu apenas...queria confirmar algo com você. - Disse Lily.
- Confirmar?!
- Isso. - Tinha ido até ali para agir como adulta, então não iria mais enrolar. Independente do resultado que essa conversa traria, seria para lhe trazer paz. - Eu queria saber se você, sabe...na verdade, queria saber se estamos vendo outras pessoas?!
Antes mesmo de ver a expressão confusa dele, ela já se batia mentalmente por como aquilo soou. Não saiu como deveria ter saído.
- Está começando a ficar claro que é o seu caso. - James comentou olhando para os dedos, querendo parecer indiferente.
- Eu?!
- Essa coisa com Gideon, mensagens que deveriam partir para outra pessoa, a sua ida nos jardins laterais...- Lily abriu a boca para responder, mas James parecia não ter terminado. - Se você assim quiser, eu não vou te impedir, sabe? Eu não estou reclamando.
- Eu falei que não há nada com Gideon. Eu não estou saindo com ele.
- Edgar novamente?
- Credo, não. - Ela riu de repente. Aquilo estava ficando ridículo. - James, eu só queria saber se você está vendo alguém. Sei que o que temos não é nada além do que foi dito, mas eu apenas queria confirmar. Assim, podemos deixar essa balança com o mesmo peso.
- O que quer dizer? - Ele disse voltando até ela.
- Caso você esteja vendo outras pessoas, então eu farei o mesmo. Apenas para que fique claro para os dois, sabe?
James se aproximou ainda mais e se abaixou em sua frente, como anteriormente, pegando o gelo de sua mão e segurando em sua perna.
- Eu não estou vendo ninguém e nem tenho a intenção. - Ele levantou o olhar para a ruiva antes de voltar para a perna dela novamente. - Independente do que estamos fazendo, se eu estou te beijando, então é você quem eu vou beijar até não quisermos mais. Simples, menos complicado e mais tranquilo.
O peso da dúvida saiu de seus ombros, fazendo Lily relaxar suas costas e ficar mais acomodada na poltrona. James não queria ver mais ninguém além dela enquanto eles estavam tendo aquilo. Queria tanto sorrir, mas se conteve. Estava feliz sim. Estar com James sem compromisso era uma coisa, mas estar com ele sem compromisso enquanto mais pessoas estavam envolvidas não lhe agradava. Tanto da parte dela, quanto dele.
Apenas pensar em James fazendo com alguma outra pessoa o que ele fazia com ela, sentia um ciúmes que não deveria sentir. Mas apenas por ser muito bom e por querer aquilo por mais um pouco somente para ela...só ela e ele.
Só por isso.
- E você? - Ele perguntou. Lily quase riu, pois nunca tinha passado em sua cabeça ficar com outra pessoa, então aquela pergunta soava até um absurdo, mas ele não sabia, sabia? - Você pode e deve fazer o que quiser, aliás. Só por eu ser de um jeito, não significa que você deva ser também.
- Sim, eu sei. Mas de qualquer maneira, eu sou como você.
Lily viu, mesmo com James ainda com a cabeça baixa, o sorriso que ele abriu.
- Então podemos dizer que somos exclusivos. - A voz dele estava até mais alta e clara. - Eu não estou saindo com ninguém e você também não.
- Soa bom para mim.
- Claro, se você mudar de ideia, apenas me avise. Assim nós veremos como fazer. - Ele continuou.
- Digo o mesmo.
James assentiu e continuou a cuidar do gelo em sua perna. Lily sentia-se bem agora com as coisas resolvidas em sua cabeça. Não precisava ficar pensando se James estava se encontrando com alguém enquanto ela pensava nele. E se ele quisesse se encontrar com outra pessoa, poderia lhe dizer, assim fazendo Lily seguir seus dias podendo sair e pensar em outra pessoa também.
Sem pesadelos entre eles. Aquilo era perfeito.
Olhou para ele, seus cabelos já quase secos e tão bagunçados, um cheiro delicioso de shampoo e sabonete masculino. Fechou os olhos enquanto aproveitava ser cuidada por alguns minutos e poder sentir o aroma de um James Potter pós banho.
- Não quero tomar o seu tempo ou te atrasar para o seu jogo. - A voz da ruiva saiu baixa e arrastada de tão relaxada que estava.
- Quem se importa com futebol? - Abriu os olhos e viu que James tinha se aproximado de seu rosto. - Eu te respondo: eu não.
- Eu também não. - Ela sussurrou quando o rosto de James encostou no seu.
- Está com menos dor?
- Dor? Neste momento, eu nem sei o que é isso.
- Bom.
Ele a beijou de leve, provocando-a. Lily tentou alcançá-lo, mas James desviou, rindo. Aproximou-se dela novamente e pegou seu lábio inferior, puxando-o e o mordendo de leve. Lily sentia seu peito protestando em como seu coração estava atacado.
Ah, James Potter, você não vai me provocar e escapar.
Ela se levantou, forçando-o a se levantar com ela. A ruiva o puxou pela camiseta e o beijou. James a agarrou forte, seus braços a segurando de um jeito que fazia Lily sentir-se desejada do mesmo jeito que ela o desejava.
E era tudo tão intenso, um sentimento e sensações que ela nunca experimentara antes. Uma mistura de seu beijo, de suas mãos grandes a segurando, de seus braços fortes a mantendo contra seu corpo, seu cheiro e sua pele.
- Você vir até aqui...foi a melhor ideia que você poderia ter tido. - Ele dizia contra a sua boca.
- Será? - Ela sussurrou.
Os olhos castanhos-esverdeados abriram para fitar os olhos verdes.
- Você teria uma ideia melhor? - Ele perguntou com a voz nada inocente.
Lily sorriu menos inocente ainda. Ela se soltou de seus braços e foi até a poltrona que estava sentada antes, a empurrando do lugar e a trazendo até entre as portas de correr do quarto. Segurando a camiseta dele, Lily o puxou e o empurrou levemente, sentando-o na poltrona.
Dando alguns passos para trás, ela se viu dentro do quarto, aos pés da cama, e sem acreditar no que estava fazendo, mas sem vergonha alguma por fazer.
- Que tal eu desabotoar alguns botões, enfim?
A boca de James entreabriu quando seus dedos foram até os botões de seu vestido chemise e abriu o primeiro. Ele se remexeu na poltrona, mas seus olhos pareciam petrificados nela. Lily abriu o segundo e o terceiro botão, chegando até o seu sutiã, onde ela parou por um segundo, olhando para James. Ele apenas mordeu o lábio inferior e colocou as mãos nos braços da poltrona, esperando. Sorrindo de lado, Lily abriu mais dois botões, sua barriga ficando visível agora.
- Eu devo continuar? - A ruiva perguntou baixinho. James assentiu minimamente.
- A não ser que você não queira. - Ele respondeu, a boca seca.
- E se depender de você?
- Eu iria aí agora mesmo e arrebentaria todos os botões em um único puxão.
- Não, não! - Ela meneou a cabeça quando percebeu que James estava quase se levantando. - Fique onde está.
James mordeu a boca com mais força e não moveu um músculo mais. Lily voltou para os botões e os abriu vagarosamente, sua barriga aparecendo, o topo da sua calcinha agora... até todos os botões estarem abertos. A peça deslizou pelos seus ombros, caindo no chão, deixando à mostra a sua lingerie preta.
As mãos dele apertaram os braços da poltrona com força.
Alguns passos para trás e Lily sentou na cama, tirou sua sandália e se postou no centro. Os olhos nunca deixando a figura impaciente e ansiosa de James.
- Lily. - Seu nome saiu como um pedido da boca dele.
- Impaciente?
- Essa poltrona está muito desconfortável. E longe.
- Você quer vir?
- Eu posso?
Ela fingiu pensar por um momento.
- Não sei. - Se apoiou com apenas uma mão e com a outra, passou os dedos pela borda do sutiã, bem acima do seu seio. - Se você vier, o que tem em mente?
Sentando na ponta da poltrona, James não tinha qualquer vestígio de inocência em sua expressão e apenas o seu olhar fazia Lily querer deixar para lá aquela brincadeira e acelerar as coisas.
- Algo que venho querendo fazer... - Ele se empertigou ainda mais. - Que envolve minha boca e o seu corpo todo.
Lily soltou todo o ar.
- Então acho que você pode vir. - Ela disse, enfim. Mal terminou sua frase e James já estava em pé. Ele andou lentamente até a cama e quando ia se abaixar, Lily voltou a falar. - Antes, você tem que se livrar dessa camiseta.
James levantou uma sobrancelha.
- Muito ofensiva? - ele perguntou sobre a sua camiseta toda branca.
- Absurdamente.
- Quem sou eu para contrariar, não é?
Segurando pela gola e puxando para frente, James tirou a camiseta e a jogou para o lado.
O corpo dele. Aquele corpo deveria ser um pecado. James não era enorme e com músculos explodindo, mas tinha o corpo bem definido, com direito a um belo e delicioso abdômen, braços fortes na medida certa e duas entradas que desapareciam pela calça jeans.
Foi a vez de Lily morder o lábio com a visão.
- A minha calça é ofensiva também ou eu posso ficar com ela?
- Pode ficar. - Ela respondeu fitando a calça. O quanto James estava gostando da brincadeira estava bem claro e evidente. - Eu vou tomar conta dela logo, logo.
Assentindo e com um sorriso malicioso, ele se aproximou da cama novamente. Lily pensou que James fosse se deitar, mas se surpreendeu quando ele a segurou pelas coxas e a puxou pela cama, fazendo-a se aproximar dele aos pés da cama. Ele colocou um joelho entre as pernas dela e se abaixou devagar, apoiando suas mãos ao lado de sua cabeça, aproximando os rostos.
- Eu poderia ficar a noite toda te dizendo o que eu penso sobre você neste momento, na minha cama, de lingerie... mas eu prefiro mostrar. O que acha?
- Uma ótima ideia.
Seus lábios se encontraram em um beijo lento e provocador. Um dedo de James chegou até sua clavícula e desceu lentamente entre seus seios, depois por sua barriga ao mesmo tempo que as mãos dela foram até o botão e o zíper da calça dele, que ainda não deitava completamente nela, e trabalhou rapidamente em ambos, os abrindo.
- Tire! - Ela disse, quase como uma ordem.
- Ah, agora mudou de ideia? - Ele sussurrou, indo até seu ouvido. - O que te fez mudar assim tão rápido?
- Meus planos para você.
- E quem disse que eu mesmo não tenho planos para você?
Ele voltou a beijá-la, fazendo Lily esquecer completamente do que falavam.
O queria tanto, que não achava possível segurar mais a vontade. Estavam em um ambiente favorável, sozinhos, sem precisarem correr ou se esconder. Se algo os parassem hoje e agora, ela entenderia que não era para ser, porque não existiria melhor momento para que ela se entregasse de vez para todas aquelas sensações, tudo o que James lhe oferecia.
Seus lábios, agora, atacaram-na no pescoço e com muita vontade, como se a bebesse. Ele continuou descendo mais, passando pelo seu colo. James beijou toda a pele de seu seio direito primeiro, brincando com a renda de seu sutiã, depois atacando o seio esquerdo.
- Abertura frontal. - Ele murmurou ao ver que um lado da renda do sutiã encaixava em uma meia argola virada para cima do outro lado. - Isso é de muita ajuda.
- Faça bom proveito. - Ela respondeu.
- Conte com isso.
Com a boca, ele conseguiu abrir o fecho e o sutiã se abriu completamente, caindo para os lados.
James finalmente se deitou sobre ela, precisando se ajustar melhor. Não perdeu tempo e se ocupou de cobrir um seio dela com a boca, enquanto sua mão se ocupava do outro. Seus dedos a provocavam tanto quanto sua língua e seus dentes e ela não sabia se poderia se segurar por muito mais tempo, especialmente quando sua boca e mão trocaram de seios.
Os lábios de James começaram a descer por sua barriga preguiçosamente, suas duas mãos agora ficaram em seus seios e continuando o trabalho de enlouquecê-la. Porém, quando seus lábios já estavam na parte baixa de sua barriga, já no topo da sua calcinha e descendo mais, começou a ficar tensa.
Não, não queria se lembrar...não queria a lembrança de Edgar alguns meses atrás, quando eles passaram a primeira noite juntos e ele...
Ah não. A lembrança estava lá. As palavras dele, sua expressão...
- James!
Ele parou e levantou os lábios de sua pele no mesmo momento, já que seu nome foi chamado como um alerta e não por prazer. Também tirou suas mãos dos seios de Lily e se afastou, sentando-se em cima dos próprios calcanhares.
- Eu fiz algo errado?
- Não! Você não fez nada errado. É só que...o que estava fazendo ou ia fazer...eu...desculpe, mas...
- Está tudo bem. - Ele disse em uma voz tranquila. Lily balançou a cabeça. - Lily, está tudo bem, não precisa pedir desculpas. Talvez eu quem deva pedir.
- Não. Não é nada disso.
Lily se levantou e se apoiou nos cotovelos. Se sentiu um pouco exposta agora, já que o fogo do momento havia caído para apenas uma fagulha, além de James ainda estar com a calça e lhe dar mais da sensação de estar sendo a única exposta.
Ele não perdeu o seu olhar de desconcerto, então pegou a manta que ficava nos pés da cama e entregou para ela, permitindo que Lily se cobrisse.
- James, não é nada disso. - Ela repetiu.
- Você não gosta? - Ele perguntou, a curiosidade pura estampada em seu rosto.
- Eu não posso falar que não gosto, porque eu nunca tive, recebi...ou qual seja o verbo melhor para a ocasião.
- Ah! - James sentou ao seu lado na cama. - E você não tem vontade de descobrir?
Lily respirou fundo e se jogou na cama, encarando o teto. James se deitou ao seu lado em uma distância o suficiente para não tocá-la, mas sem estar tão longe também.
- Eu posso perguntar algo antes de responder? - Ela pediu.
- Claro.
-Você gosta?
- De sexo oral? Claro. - James respondeu com um pequeno sorriso.
- Eu não digo em você, mas se você gosta de fazer. Ou se você não se importa de fazer.
- Repetindo: sexo oral? Claro. - Ele riu um pouco, antes de franzir a testa. - Como assim "você não se importa de fazer"? Por que eu me importaria?
Seus dedos começaram a brincar com a manta que cobria seu corpo. Não sabia o que dizer, não sem trazer outra pessoa para aquele momento, o que ela achava um pouco estranho.
- Se não quiser falar sobre isso, está tudo bem. - Ele continuou quando a ruiva ficou longos segundos sem responder. - Mas não fique com receio de me dizer qualquer coisa que queira dizer.
Ela fechou os olhos com força por alguns segundos antes de voltar a encarar o teto e finalmente falar:
- Eu queria muito. Queria saber como era, porque as minhas amigas diziam que era muito bom. Eu pensei "elas estão dizendo que é bom, então eu tenho certeza que é". - Ela fez uma pausa, sem tirar os olhos do teto e os dedos enrolando-se na manta cada vez mais. - "Desculpa, mas eu não vou fazer. Eu não gosto e acho nojento". - Ela imitou Edgar com uma voz enojada e bufou.
- Como é? - James se levantou em um cotovelo e a encarou. - Um cara te disse isso?
- Sim. - Ela revirou os olhos. - Disse que não gostava, que tinha experimentado antes e achado horrível. O gosto, a textura, etc. Ele me deu uma verdadeira palestra sobre o quão horrível era e que nunca mais iria fazer isso apenas para agradar uma garota. - Ela fez uma pausa e se permitiu olhar de lado para ele e viu um James completamente chocado. - Bem, eu não poderia forçá-lo a fazer apenas por nunca ter tido antes e estar curiosa sobre.
James começou a rir e cobriu os olhos.
- Eu sei que há um cara aqui e ali que não curte e por diferentes razões: eles acham que são os únicos que devem receber um sexo oral; más experiências; etc. Eu acho que se ele não gosta e não quer, é um direito dele. Mas falar isso e dessa maneira para você? Ele foi um babaca!
- Ele poderia, sim, ter outro jeito de dizer.
- Claro que tinha. Não precisava parar um momento e dizer que acha nojento e que não gosta por motivos X, Y ou Z. Digo, há meios melhores e menos chocantes para dizer isso para alguém. - James meneou a cabeça, desacreditando naquilo. - Eu sinto muito que você tenha tido essa experiência com um babaca desses. Ele não sabe o que é bom nessa vida.
Sentindo-se um pouco mais confortável, ela se virou para ele.
- Então, você realmente gosta?
James abriu um sorriso preguiçoso para ela.
- Você não respondeu a minha pergunta ainda.
- Qual?
- "Você não tem vontade de descobrir?". Se você gosta ou não.
Seu coração disparou novamente e aquela vontade ao olhar para ele, parecia inflar novamente. Assim, rapidamente.
- Sim, tenho.
- Tem certeza?
- Sim, certeza.
- Neste caso...- James se moveu para cima dela.- Eu vou te mostrar o quanto eu gosto. Mas eu vou confiar em você para me parar caso não esteja à vontade. Ok?
- Ok. - Ela já começou a responder impaciente, apenas para pular aquela parte e chegar logo naquela em que James colocava seus lábios nela.
- Estamos apressados, não? - Ele brincou, descendo o rosto até o pescoço dela. Ela gemeu como resposta. - Eu posso tirar isso? - Ele perguntou segurando a ponta da manta. A resposta de Lily foi arrancar a manta com força de cima de si mesma e jogá-la para fora da cama.
Os lábios dele foram descendo um pouco mais ansiosos do que da última vez. Hoje, mais do que qualquer outro dia, ele faria aquilo da melhor forma possível e Lily sairia do seu quarto amando e desejando mais sexo oral do que nunca.
De preferência, com ele.
L~J
Lily fechou os olhos e se concentrou apenas nele. Poderia acontecer o que fosse ao redor dela agora, mas não tiraria a atenção que sua mente tinha agora nos lábios de James.
Claro, os lábios dele. Sempre tão precisos, seguindo uma linha que era perfeita para fazê-la esquecer tudo, querer não voltar para o mundo real mais. E agora que chegavam já perto de onde tinham parado antes, ela não sentia mais a urgência de fazê-lo parar, porque só tinha ele em sua cabeça. Não mais discursos no meio de algo que deveria ser bom. Apenas ela, James...o corpo dela que respondia a ele tão facilmente, o corpo dele que ela adorava tocar...apenas os dois.
Sugou todo o ar quando finalmente aconteceu. James lhe deu um beijo por cima da renda primeiro. As pernas dela se remexeram. Deu um outro beijo, mas quase como se a beijasse na boca, arrancando um espasmo do corpo dela e uma exclamação baixinha. A mão de Lily voou para os cabelos dele e ela sentiu que lhe arrancou um sorriso.
Suas pernas começaram a ficar inquietas com tudo o que sentia. James passou seus braços por baixo das coxas de Lily, suas mãos postando firmes em sua cintura enquanto continuava. Agora que ela estava levemente presa, as sensações aumentavam. Aumentaram ainda mais quando a renda finalmente foi tirada para o lado...
Lily apertou o lençol com força, seus dentes travaram tentando não deixar aquilo tudo terminar tão cedo, não quando era tão bom e ela precisava de mais.
Era tão difícil. Seu corpo pedia para ela simplesmente ir, se deixar ir, mas não podia. Não ainda, precisava aproveitar mais daquela experiência que finalmente tinha e que era melhor do que imaginava.
Parecia controlar bem a situação, até James fazer algo com a língua e uma mordida em um lugar específico na hora exata...
Lily gemeu tão alto - mais tarde, agradeceria saber que não havia ninguém na casa principal - uma mão bem firme no cabelo dele e a outra apertando o lençol com força. Suas pernas começaram a relaxar antes de se soltarem na cama.
J~L
Assim que acabou, James se esticou e estava pronto para se deitar ao lado dela, quando Lily abriu os olhos, segurou seu rosto e o beijou. Surpreso, ele a beijou de volta, enquanto Lily o empurrou na cama e subiu em cima dele.
- Calças. Agora. - Ela disse no meio do beijo.
- Sim, senhora. - Ele respondeu, rindo.
Lily se sentou mais acima de sua barriga, deixando James livre para tirar a calça jeans sem parar de beijá-la. Após cumprir o pedido, ele segurou o rosto dela e a beijou com ainda mais intensidade.
A ruiva voltou a se sentar mais para baixo, fazendo-os se encontrarem, porém ambos ainda vestidos. Ele podia sentir como o corpo de ambos estavam quentes e mais do que prontos.
- Você tem...?! Proteção! - James quase quis rir em como ela apreciava frases curtas naquele momento, mas estava adorando cada uma delas.
Ele parou de beijá-la e se virou minimamente para alcançar a mesa de cabeceira. Sentiu que Lily saiu de cima do seu corpo no mesmo momento, mas não prestou atenção, apenas focando em abrir a gaveta e procurar por um bendito preservativo o mais rápido possível.
Sua mão achou a embalagem quando sentiu as mãos de Lily em sua barriga. Ele voltou a olhar para ela quando a ruiva o beijou ali, descendo vagarosamente. Os dedos dela se engataram em sua boxer e começou a puxá-la.
Foi a sua vez de fechar os olhos.
- Você não precisa fazer isso só porque eu fiz. - Ele disse com dificuldade, ainda de olhos bem fechados e deixando escapar um gemido. Lily levantou a cabeça por um momento.
- Eu estou fazendo porque eu gosto e quero.
E voltou para seus beijos. Lily iria matá-lo daquele jeito. Não sabia o que fazer, pois do jeito que as coisas iam, aquele preservativo na sua mão não seria usada tão cedo, porque se Lily decidisse ir mais a fundo naqueles beijos, ele ia ter um orgasmo fora do normal e ficaria inutilizável por alguns longos minutos.
Quando estava pronto para pedir para que ela parasse, ela, de fato, parou e pegou a embalagem da mão dele, tomando conta de tudo.
Ao terminar, ela se postou em cima dele, formando a imagem mais linda que James teve a chance de ver na vida: seus cabelos ruivos bagunçados e caindo por um de seus ombros; seus olhos verdes escurecidos de desejo; sua boca bem vermelha entreaberta e suas mãos o guiando em si, antes dela se abaixar lentamente nele.
Os dois ofegaram enquanto ela descia cada vez mais. James não conseguia falar ou nem mesmo se mexer, apenas observá-la.
- Ah meu deus. - Ela soltou quando chegou até o fim.
Antes de qualquer um deles começar qualquer movimento, James a segurou enquanto se sentava, fazendo os rostos se encontrarem. Lily esqueceu completamente que estava a ponto de se mexer e apenas apreciou o contato do seu corpo com o dele. Nunca cansaria de repetir sobre como sentia-se bem ali, em seus braços.
Sua boca encostou na dela bem devagar, como se fosse a coisa mais preciosa que existia. Seus dedos deslizaram por suas costas enquanto a beijava lentamente. O corpo dela reagia tão forte com tudo aquilo: com ele dentro dela, mas sendo tão doce naquele momento. Como ele fazia tudo aquilo?
Lily começou a se mexer. As mãos de James foram para suas costas, segurando Lily contra si, ao mesmo tempo em que a ajudava a se movimentar. Ele era perfeito, seu corpo todo era perfeito para o dela e não tinha como negar. Mal haviam começado, mas ela podia dizer que James seria a melhor transa da sua vida até hoje. Tudo era bom, tudo se encaixava e toda a parte do corpo dela que ele tocava, com mãos ou sua boca, pegava fogo.
Lily começou a acelerar, querendo mais. Queria tudo dele naquele momento. Tudo. Queria tudo.
Uma fisgada de dor em sua perna fez com que Lily levasse sua mão automaticamente para o seu joelho.
Não, droga, agora não.
Continuou, fingindo que nada estava acontecendo, mas era pedir demais para esconder aquilo dele.
Enlaçando-a pela cintura com um braço, ele os girou na cama, colocando-os de lado e deixando a perna direita de Lily livre do peso. James cuidadosamente levantou a perna dolorida e a colocou em cima de sua cintura, dando assim alívio para ela e acesso para ele.
James a beijou lentamente e Lily não pensava que poderia ficar mais afetada do que já estava, mas ele tinha uma força sobrenatural para conseguir. Nenhum dos dois se mexia, focando no beijo doce e lento. A mão de James subiu para a sua perna e a acariciou, apertando em alguns lugares estratégicos e massageando. Ela se sentia no céu.
- Você prefere parar? - Ele perguntou.
- Nem um pouco.
- Se estiver doendo ou ficar desconfortável, você tem que me avisar.
- Eu vou. - Ela respondeu aproveitando os beijos dele pelo seu ombro.
Lentamente, ele começou a se mover dentro dela. As mãos da ruiva estavam presas em suas costas, passeando para cima e para baixo, segurando-o pelo quadril e o apertando quando ele entrava completamente.
Quando James tinha apenas a sua boca nela, sentiu o orgasmo na ponta do precipício a partir do primeiro momento, ela tendo que segurar a vontade. Mas agora, do jeito que ele se movia, a beijava e tocava, sentia que o orgasmo crescia deliciosamente devagar, como se fosse um passeio por um lugar de prazer primeiro antes do destino final. Não era um prazer que ela tinha que começar ela mesma e forçando para terminar logo - porque a outra pessoa já tinha terminado -, mas um prazer contínuo e conjunto.
Nunca havia sentido isso antes. E era maravilhoso.
Seus olhos se encontravam e se encaravam por longos momentos por diversas vezes, enquanto ele continuava com aqueles movimentos perfeitos, trazendo-a para a borda a cada segundo. Duas ou três vezes, ela teve que impedir o orgasmo de vir. Assim como foi anteriormente, Lily queria aproveitar daquele momento o máximo que podia, mas após muitos minutos, as coisas que ele fazia a levavam até o seu limite; as coisas que dizia ou como a segurava, a levava para um abismo.
James segurou o rosto dela carinhosamente, passando os dedos por sua pele, fazendo Lily fechar os olhos. Ele não devia estar longe, então ela se largou naquelas sensações para poder chegar onde queria e tudo começou a esquentar mais e mais, seu corpo reagir forte com o corpo de James e seu olhar, sua expressão e seus gemidos. Ele começou a acelerar gradualmente.
Ah, aquilo ia ser grande, como se ela nem tivesse tido um orgasmo mais cedo. Ela subiu as mãos para os cabelos dele, depois desceu pelo peitoral, arranhando de leve, começando a se perder.
Lily não sabia se havia gritado, gemido ou ficado muda quando finalmente chegou lá. Tinha saído de seu corpo, daquele quarto, e parado em outro lugar, mas ainda bem conectada com o corpo dele. E durou muitos segundos, sentindo seu coração a ponto de explodir e todo seu corpo entrar em combustão.
Quando começou a se acalmar, o rosto de James estava visível novamente (ela havia fechado os olhos ou estava apenas cega por tudo o que havia sentido?). Não importava, porque ela se concentrou nele quando James segurou o rosto dela contra o dele enquanto chegava no seu momento, fechando os olhos, diminuindo o ritmo quando chegava no final.
James desabou, mesmo estando já deitado ao lado dela, não soltando-a de seus braços e respirando com dificuldade.
Então a ficha, finalmente, havia caído para ela: Lily havia transado com James. Ela não conseguia acreditar, pois dias atrás ela acharia isso impossível, quase cômico. Mas agora...Agora soava certo. Soava perfeito e soava maravilhoso. Estava se sentindo ótima. Não conseguia explicar o motivo, mas algo havia sido diferente. Talvez o olhar dele, os toques...de alguma maneira pareciam verdadeiros. Uma vontade verdadeira, um sentimento de pertencer ali.
- Você está bem? - A voz dele estava arrastada, quase preguiçosa.
- Não poderia estar melhor. E você?
Ele levantou o rosto, que estava entre seu pescoço e o travesseiro, para olhá-la.
- Idem! - Ele sorriu e lhe deu um beijo rápido. - Mas sua perna?
- Ah! Nem lembrei dela até você comentar agora. Está tudo bem.
Mesmo com a confirmação, a mão de James desceu pela perna dela, ainda na cintura dele, e a acariciou.
- Eu vou pegar uma compressa de gelo mesmo assim.
- Agora? - Ela resmungou.
- Sim.
Ah, ele a beijava carinhosamente pelo rosto, ombros ou qualquer parte de sua pele próxima o bastante. Aquilo era tão bom, um segundo céu que nunca conheceu antes.
- Eu vou ficar melhor caso você não vá. - Lily fez um beicinho, mesmo ele não podendo vê-la.
Ele riu em sua pele.
- Você está sofrendo com dor desde que chegou e não quero que piore.
- Eu acho que a minha dor vai melhorar apenas com você aqui. Não preciso de gelo.
- Para de me iludir. - Deu uma leve mordida logo abaixo de seu pescoço, fazendo o corpo dela se arrepiar.
Ela nunca teve dificuldade de deixar a pessoa ir embora de seus braços como estava sendo agora. Ele não mexeu um músculo para se afastar dela, apesar de ter anunciado que sairia, e Lily aproveitou para deixar seus dedos passearem devagar pelas costas dele, seu braço. James soltou um ou outro suspiro, deixando claro o quanto estava gostando.
- Não demore então. - Ela finalmente disse.
- Eu não vou.
Antes de partir, James levou a mão até os cabelos rubros. Ele sorria enquanto a observava, seus dedos entre seus fios. Lily respirou fundo com aquele carinho, um que nunca teve e não pensava que gostaria tanto.
James lhe deu um último beijo, antes de se levantar e ir até o banheiro.
Se esticando e se espreguiçando, Lily sorriu ali, sozinha, na cama de James Potter. Que loucura deliciosa. Pegou a manta de mais cedo e se cobriu, sentindo um pouco de frio sem o corpo dele colado ao dela.
Ele voltou para o quarto já vestido com uma outra boxer e sorriu para ela enquanto ia até a cozinha. Lily aproveitou o momento para ir até o banheiro para se refrescar, limpar e vestir pelo menos sua calcinha e sutiã.
Voltou para o quarto no mesmo momento que ele e se sentou na cama.
- Fique alguns minutos com isso. Você não nos deu tempo mais cedo para aliviar sua perna da caminhada.
- E você se arrepende?- Ela perguntou enquanto o assistia colocar a compressa em sua perna. Infernos, o seu corpo estava tão quente que a compressa quase doía.
- A verdade vai soar malvada, então melhor eu não responder. - Ele riu um pouco.
Ficaram em silêncio por alguns minutos enquanto Lily relaxava com a compressa a qual James insistia em segurar.
- Ahm...Posso perguntar algo? - Ele começou.
- Ai. Isso, depois de qualquer ação, é sempre um mau sinal.
- Não é, é apenas uma curiosidade. - Ela assentiu, lhe dando o ok para a pergunta. - O idiota nojentinho... é Bones, certo?
Lily abriu os olhos. James tinha uma enorme curiosidade estampada no rosto.
- Por quê?
- Ele tem cara. Eu te disse antes que ele era imaturo e eu só podia esperar algo assim dele.
Ela respirou fundo.
- Isso é e já está no passado.
- Não está, se te fez ficar preocupada e um pouco traumatizada por isso.
- Agora está no passado. - Ela sorriu ao se lembrar. James meneou a cabeça e sorriu também.
- Então, Lily Evans, a pergunta da noite é para você: você gosta ou não gosta de sexo oral?
Lily se aproximou dele.
- Eu adoro!
Beijou-o, se sentindo em chamas de novo.
- Não, nem pense nisso. - Ele sussurrou no meio do beijo. - Compressa de gelo. Você não vai escapar dessa vez.
- Claro. - Ela bufou e se apoiou nas mãos novamente. - Agora que você já teve o que quis...
James sentou-se reto na cama e Lily estranhou.
- Como assim? - Ele perguntou.
- O quê?
- Agora que eu já tive o que eu quis...? É isso o que você pensa?
- James, foi apenas uma brincadeira. Eu não penso nada.
Ele a encarava, talvez tentando desvendar se ela falava sério ou não.
- Certo. - Ele respondeu e voltou sua atenção para a compressa.
Novamente silêncio, mas esse estava um pouco estranho.
O celular de James começou a tocar do bolso de sua calça, caída ao lado da cama. Ele continuou em sua posição, segurando o gelo em sua perna.
Ele estava pronto para encontrar com Frank e os caras para assistirem o jogo, mas acabou ficando com ela. Não é surpresa alguém tentar contatá-lo para saber onde ele estava ou se estava tudo bem.
- Você...precisa ir no jogo? - Ela perguntou a primeira coisa neutra que lhe veio na cabeça.
- Não preciso e não precisava - A voz dele estava mais relaxada. - Mas antes eu queria ir e agora eu não quero mais.
Os dois sorriram.
- Acho que a compressa já teve o seu momento. - Ela comentou.
- Acho que está certa.
James jogou a compressa para trás, como havia feito anteriormente, e avançou em Lily, a cobrindo com seu corpo e a beijando como só ele sabia fazer.
J~E
Ouviu o barulho da porta de entrada e abriu os olhos no mesmo instante. Lily estava de costas, dormindo em seus braços, completamente nua, assim como ele. Percebeu pelos cantos das cortinas que ainda era noite, então ele a soltou delicadamente e pegou sua boxer do chão, a vestindo rápido. Apesar da porta do quarto estar aberta e ter visão direta para a sala, a porta de entrada não ficava visível para quem estava na cama, então ele se apressou a sair do quarto e fechar a porta atrás de si.
- Então não foi assistir o jogo?
Euphemia tinha os braços cruzados na frente do corpo e sussurrava para o filho. James se aproximou dela, não querendo acordar Lily.
- Não. Vocês voltaram agora?
- Acabamos de chegar. - Sua mãe não estava brava, mas estranha. - Você caiu no sono?
- Podemos dizer que sim.
- E você levará Lily embora agora ou amanhã cedo?
Ele engoliu em seco. Sua mãe sabia que ele havia deixado a casa principal e se mudado ali para ter mais privacidade e essa privacidade seria de poder levar garotas. Não que ele fizesse com frequência, mas já aconteceu.
E sua mãe sabia e nunca ficava daquele jeito.
- Eu...não sei. Como você sabe que...?
Ela levantou uma bolsa que segurava. A bolsa de Lily.
- Lily esqueceu a bolsa em casa e vendo que o seu carro estava aí, eu fiz as contas.
- Ah!
- "Ah"? James, estamos falando de Lily. O que deu em você?
- Qual o problema em ser Lily?
- O problema não é ela, mas você, James Potter. Quantas garotas eu já não vi apertarem aquela campainha, chorando para mim porque meu filho saiu com elas, mas não quis sair mais? - James revirou os olhos e cruzou os braços. - Qual é a sua intenção? Quebrar o coração da irmã do seu melhor amigo? Se Sirius descobrir, sabe que eu terei que te defender de uma possível briga física, não sabe?
- Que bom. Você é a minha mãe, espero que não o encoraje.
Euphemia revirou os olhos com o tom irônico do filho.
- Você não está pensando direito, meu filho.
- Espera tão pouco de mim assim? Por que você acha que sou eu quem vai quebrar o coração dela e não o contrário?
Sua mãe caiu em completo choque. Os olhos passeavam rápido pelo rosto dele, lendo seu filho.
- Ah por Deus. - Ela disse, colocando as duas mãos no rosto. - Então você gosta mesmo dela. Eu pensei que poderia ser o caso anos atrás, mas não estava claro que continuava assim.
Completamente desconcertado, James não respondeu de imediato. O fato de sua mãe saber que teve uma queda por Lily era um pouco embaraçoso. Todo mundo sabia, então? Menos Lily e Sirius, aparentemente.
Pelo menos. Ainda bem.
- Mãe, eu vou voltar para o quarto.
- Leve Lily para casa, não a deixe voltar a pé.
- Claro que vou levá-la. Que tipo de cara você acha que educou?
- Eu sei, filho, eu sei. Apenas...senti que deveria dizer algo. - Ela deu um beijo no rosto dele. - Até amanhã.
Com a expressão mais calma, porém desconcertada, Euphemia saiu em silêncio da casa, deixando James sozinho na sala. Meneando a cabeça com aquela conversa, ele virou e voltou para o quarto.
Encontrou Lily acordada e sentada na cama.
Merda!
- Quem era? - Ela perguntou quando ele fechou a porta.
- Minha mãe. - Se ela perguntou, talvez não tivesse ouvido nada da conversa.
- Ah, droga. Ela sabe que eu estou aqui?
- Você deixou sua bolsa na casa principal.
- Que estúpida que eu sou! - Lily fechou os olhos. - Está tudo bem?
- Sim, ela apenas quis garantir que tudo estava bem com você, na verdade. - James deitou ao seu lado novamente. - Você quer voltar para casa?
- Você quer que eu vá?
Ele se aconchegou e a puxou para si. Lily deitou em seu peito.
- Não.- Ele respondeu.
- Então o que está fazendo vestido nessa cama? - James abaixou o olhar para ela. - Para dormir, James. Vamos dormir. - Ela riu. Ele a soltou do abraço e tirou sua boxer, abraçando-a novamente.
- Até mudarmos de ideia.
- Até mudarmos de ideia. - Ela concordou.
E dormiram. Nenhum dos dois mudando de ideia, mas ambos ainda bem satisfeitos.
Uma música calma, porém insistente, soou pelo quarto, obrigando Lily a abrir os olhos.
O braço que a circundava a largou por alguns segundos e a música parou, tendo o braço enrolado nela novamente.
Sorrindo, ela relaxou. Nos braços de James.
Estava deitada de bruços, com James deitado na metade de suas costas e um dos braços nela. Os dois corpos nus, colados um ao outro. Era quase como um paraíso na Terra.
E foi uma noite tão boa, do começo ao fim. James era um cara deliciosamente bom em muitos sentidos e extremamente atencioso. Lily havia tido pelo menos três compressas de gelo durante a noite feitas por ele; muito carinho, dedos deslizando e fazendo-a se arrepiar; beijos lentos pelo seu corpo. Apesar dele ter a mesma idade do que os únicos dois caras que ela já havia passado a noite, ele ganhava disparado em maturidade. Então agora ela entendia quando James reclamava sobre Edgar parecer imaturo, porque, na verdade, ele era mesmo. Apenas mais um garoto bonito e que estava acostumado a toda a atenção feminina, achando que o prazer dele vinha primeiro e se ela tivesse prazer também, seria um bônus.
Como ela se permitiu ficar naquele relacionamento por alguns meses? Colocaria a culpa na inexperiência. Mas agora...
Agora ela não aceitaria menos do que teve essa noite.
A música começou a tocar novamente e James gemeu com raiva em seu ouvido antes de se virar e silenciar o celular novamente.
- Você não vai atender? - Ela perguntou.
- Não é ligação, é o meu alarme. - Ele respondeu sonolento. Talvez por perceber que ela estava acordada, James a tomou nos braços e a trouxe para cima de si, beijando seu ombro e deixando as mãos deslizarem pelo corpo dela com lentidão, aproveitando cada pedaço de suas costas, sua cintura e seu quadril...
- Você tem compromisso? - Ela perguntou com a voz trêmula, os olhos bem fechados e aproveitando aquele jeito gostoso de acordar em um sábado de manhã.
James parou os beijos e as carícias, apenas a abraçando novamente. Ele suspirou antes de responder.
- Eu vou me encontrar com Sirius em duas horas.
O nome que poderia realmente acabar com o clima. Foi a vez dela suspirar.
Gostaria tanto de poder voltar para casa e dizer para Sirius o que estava acontecendo. Dizer para o irmão que, em um espaço de poucos dias, começou a rolar algo com o seu melhor amigo e ouvir Sirius fazer alguma brincadeira, mas ficar feliz por ela. Talvez até dizer que tentaria ajudá-la, falar dela de um jeito diferente para James - já que ela sabia que Sirius reclamava como um irmão mais velho para os amigos, provavelmente deixando-a com a imagem de uma pirralha pentelha, mesmo todos eles a conhecendo -, e talvez tentar ajudá-los a se esbarrarem mais por aí.
Ele seria um bom aliado, um ótimo aliado. Mas apenas em um mundo paralelo.
- Eu vou tomar um banho rápido. - James anunciou e deu um beijo em seus cabelos.
- Não, fique. - Ela pediu levantando o rosto do peito dele. - Bom dia. - Ela sorriu ao ver um James Potter que acabara de acordar. Ele era lindo de todos os jeitos, era impressionante.
- Bom dia. - James sorriu de volta e passou os dedos pelos cabelos rubros. - Não vou demorar. - Ele dizia ao se sentar na cama. - E então teremos mais uma hora e quarenta e cinco minutos para tomar café da manhã e afins.
- Quinze minutos no banho? Eu aceito dez.
James pensou por um segundo e deu de ombros.
- Dez minutos me soa razoável. - Ele se abaixou e deu um rápido beijo nela antes de se dirigir para o banheiro.
Lily levantou e achou a camiseta branca que ele usava ontem. Pegou e vestiu-a, indo em direção à cozinha enquanto ouvia o chuveiro ligando.
Ah, ela poderia se acostumar com aquilo: acordando com James no fim de semana, preparando café da manhã...
Parou de devanear. Não queria criar expectativa para nada.
Viu que ele tinha algumas frutas e, acostumada a comer e prepará-las toda manhã, ela as lavou e cortou rapidamente, separando-as em duas tigelas. Ouviu quando o chuveiro desligou: sete minutos haviam se passado. Sorriu satisfeita
Preparou a mesa redonda ao lado da janela da cozinha e colocou as tigelas com frutas ali.
- Não era para você preparar tudo sozinha. - Ele disse quando a viu.
- Apenas as frutas estão preparadas, o resto não. - Lily se virou e o assistiu se aproximando com os cabelos molhados e de boxer. Era uma combinação perfeita. Olhou para o relógio e viu que ele passara dois minutos a mais. - Doze minutos, Potter. Você está atrasado.
- Estava tentando ficar limpo e cheiroso. - Ele piscou para ela. - Você prefere café ou chá?
- Chá. Eu me ocupo disso e você se ocupa do café.
Os dois se movimentavam pela cozinha juntos e em harmonia. Lily teve que perguntar uma hora ou outra sobre onde achar algo, mas tudo se passava bem. Enquanto ela estava na frente do fogão todo tecnológico e tentava entender qual botão deveria apertar para ligar, James se aproximou de suas costas e abriu o armário de cima, querendo uma xícara de café e uma de chá.
- Cuidado com a cabeça. - Ele disse, abrindo o armário. Lily se abaixou e jogou o corpo um pouco para trás, encostando no dele.
Ah não. Aquilo era muito bom. James ainda pegava as duas xícaras, quando Lily jogou ainda mais corpo para trás, roçando ainda mais contra ele. James abaixou uma das mãos e a rodeou pela cintura, enquanto a outra se ocupava das duas xícaras, colocando-as em cima do armário, ao lado do fogão. Sua outra mão se posicionou na barriga dela, enquanto ele abaixou o rosto em sua nuca, a beijando. Lily teve que se segurar firme no armário enquanto ele investia mais com seus beijos, seu quadril se projetando cada vez mais contra ele e sentindo que James começava a ficar tão empolgado naquilo quanto ela.
A mão dele saiu de sua barriga e foi para trás, levantando a camiseta e a tocando no quadril.
- Sem calcinha. - Ele murmurou em seu ouvido. - Você está usando apenas a minha camiseta?
- Sim. - Ela respondeu.
- Não sei se acredito em você, eu preciso confirmar. - James moveu a mão novamente para a frente e subiu até seus seios, fazendo Lily soltar todo o ar. - Você deveria usar isso sempre.
- Sua camiseta? - Ela perguntou.
- Minha camiseta e mais nada por baixo. - James apertava e acariciava seus seios, enquanto a prensava contra o armário.
- Se eu saísse assim, seria um pouco complicado. - Ela tentou responder sem perder o ar no meio da frase.
- Você não precisa mais sair, pode ficar aqui para sempre. Apenas com a minha camiseta.
Ela apertou o armário com as suas mãos e sorriu. Amaria ficar ali para sempre e naquelas condições.
- E você ficaria aqui para sempre comigo?
- Eu nem pensaria que existe um mundo lá fora. - James a virou para si e a beijou enquanto a levantava e a colocava em cima do armário. - Não saia daí. - Ele sussurrou em seu ouvido e se afastou, voltando para o quarto.
Sentia que ia entrar em combustão se ele não voltasse logo, sentindo uma palpitação e excitação. Ele não demorou nem vinte segundos, mas parecia uma eternidade. James se colocou entre suas pernas novamente e a beijou. Como ela adorava o beijo dele e poderia viver apenas dele.
James tinha as duas mãos em sua coxa e uma delas começou a subir lentamente, criando uma expectativa enorme. Quando ele a tocou, Lily estava tão sensível, que quebrou o beijo sem nem perceber e jogou a cabeça para trás. Ele a estimulava cada vez mais, assistindo Lily gemer a cada segundo.
- Você é a imagem mais sexy desse mundo. - Ele murmurou. - Eu poderia te assistir assim até o fim dos dias.
- James...- ela murmurou.
- Eu sinto que você está querendo algo. - James fez algo com a mão, atingindo um lugar específico dentro dela. Lily tremeu toda.
- De novo. Quero tudo de novo...quero sua boca, de novo. - Ela pediu abrindo os olhos e o encarando, pedindo.
- Vai ser um prazer enorme.
Ele a posicionou na ponta do armário e se ajoelhou, beijando-a lá novamente. Não conseguiu segurar o grito de prazer e sua mão agarrou os cabelos dele.
Aquilo era absurdamente bom demais. Ele a trazia até a borda e parava. Sua lingua e seus lábios eram como um copo d'água quando estava morrendo de sede, mas o maldito calor do deserto quando ele parava. Aqueles minutos onde apenas sentia sua boca em si faziam suas pernas tremerem de tanto desejo e prazer. Sua mão apertava os fios dele, enquanto a outra se agarrava com todas as forças na quina do armário. Quando estava tão perto que não poderia segurar, ele parou.
Se levantando, James abaixou sua boxer e Lily viu que ele já estava com o preservativo, então ele não perdeu tempo e, segurando os quadris de Lily, deixando-a bem na ponta do armário, lá estavam eles de novo
- Segure-se. - Ele pediu, então ela agarrou sua cintura com as pernas com mais força. James a soltou e puxou a camiseta branca que ela usava para cima, jogando-a para longe. Ele voltou a segurá-la e começou a mover-se. Lily estava com o tronco jogado para frente, então ele conseguiu capturar seu seio com a boca enquanto não parava suas investidas.
- Eu não vou durar muito. - Ela gemeu, seus dedos protestando com a força que segurava no armário.
- Não tem problema. - Ele a beijou no outro seio e aumentou a velocidade.
- Ah meu...- As palavras se perdiam agora e Lily não sabia mais o que dizer. Para falar a verdade, nem sabia se dizia algo. Estava chegando, estava muito perto. - Ah... não. Muito cedo.
Mas o orgasmo chegou de qualquer maneira, a fazendo gemer muito alto, levando-a para outro mundo novamente, sem conseguir enxergar mais nada em sua frente. A única coisa que a fez voltar para a realidade foi o gemido de James, fazendo-a abrir os olhos no exato momento em que ele chegou lá, apertando a cintura de Lily com força e deixando a cabeça cair entre seus seios.
Recuperando o fôlego, James levantou o rosto e lhe deu um beijo demorado em seus lábios.
- Agora sim: bom dia. - Ele murmurou e sorriu.
- Um ótimo dia. - Ela respondeu.
Lily tomou um banho rápido e se juntou a ele para o café da manhã, finalmente. Comendo com enorme prazer, principalmente por não ter jantado na noite anterior, ela se deleitou com as frutas e um bom chá preparado por ele enquanto Lily tomava banho.
- Mais chá? - ele perguntou.
- Não, obrigada. Estou satisfeita.
- Eu também. - Ele lhe deu um selinho rápido antes de levantar e ir até a cozinha.
O celular de Lily começou a tocar e reconhecendo a música, ela respirou fundo. Levantou-se e foi até a bolsa.
- O que você quer tão cedo? - Ela atendeu. James parou o que fazia e olhou para ela.
- Você ainda está na casa da Alice? - O irmão perguntou.
Antes de sair de casa ontem, ela enviou uma mensagem para ele e para a mãe, dizendo que passaria a noite na casa da amiga.
- Sim. Por quê?
- Eu vou ter que sair em uma hora e vou ficar a tarde inteira fora. Você precisa que eu venha te buscar?
- Eu não...ahm...não sei. Você não precisa vir até aqui para me pegar...- Estava perdida. Não esperava uma ligação naquela hora, tendo que inventar algo.
James chamou a atenção dela e ela pôde ler seus lábios: eu tenho uma ideia. Ele pegou o próprio celular e começou a ligar.
- Eu posso passar por aí e te pegar. O que você...? - Sirius parou de falar de repente. - Eu te ligo daqui a pouco. Pensa no que quer fazer e me fala.
- Ok.
Ela desligou e James começou a falar.
- Sirius! - ele disse. Ouviu alguma coisa que o amigo falava. - Eu tive que vir até Londres para fazer algo pro meu pai e não devo demorar. - Parou para escutar Sirius do outro lado. - Ela está na Alice? Eu não estou longe, eu posso pegá-la, se quiser. - Lily sorriu e meneou a cabeça, não acreditando que teriam um bom plano para chegarem juntos. - Remus?! - Disse James um pouco desconcertado. - Não, faz sentido. Eu vou ligar para ele. Ok. Até mais.
- E então? - Ela perguntou.
- Aparentemente eu vou te pegar na casa da Alice e, porque estou em Londres, eu poderia dar uma carona para Remus também. - James riu. - Então temos que nos arrumar e sair agora, porque teremos que ir até Londres buscá-lo.
Enquanto se arrumavam, Lily recebeu uma mensagem do irmão dizendo que James iria buscá-la. Por um segundo, ela se sentiu mal por mentir, mas a culpa passou rápido quando ela pensou em tudo o que o irmão vinha fazendo.
Saíram diretamente para a garagem, evitando passar pela casa dos Potter e tendo que cumprimentá-los após passar uma noite daquelas com o filho deles. Talvez não olhasse para eles nunca mais, morrendo de vergonha.
Quando estavam saindo da casa dos Potter, o celular de James, que estava conectado no carro, alertou para uma chamada de Sirius.
- Você pegou os tênis certos? - Sirius perguntou antes mesmo de James dizer "Alô".
- Sim. Já estava tudo no carro.
Enquanto eles conversavam, Lily sentiu que algo estava mudando, provavelmente nela mesma. Como se agora já não existissem aquelas duas pessoas no quarto de James, mas apenas James e Lily, Descabelado e Sardenta, melhor amigo e a irmã de Sirius dentro de um carro, pegando carona.
Ela olhou para ele, que a olhou de volta enquanto continuava a falar com o irmão. James lhe enviou um sorriso rápido e desconcertado.
Sim, toda a magia estava se perdendo agora. Lily conseguia sentir.
James desligou e concentrou-se na direção por alguns momentos. A tensão era quase palpável no carro e Lily não acreditava que uma noite e manhã tão boas pudessem acabar assim, de repente.
- Temos que falar com Sirius. - James finalmente disse. Lily se virou para ele.
- Como assim?
- Contar para ele o que aconteceu.
- Está maluco?
- Nem um pouco.
Para ela, aquilo soava como uma grande maluquice.
- Eu não acho uma boa ideia.
- Você achou uma boa ideia chegar com Bones na frente dele e de toda Hogwarts. - Ele retrucou.
- Eu pensava que Bones gostasse de mim, que queria ter um relacionamento sério. Além do mais, ele era um Zé Ninguém para Sirius e não o seu melhor amigo.
Ele soltou uma risada irônica e apoiou o cotovelo na janela.
- Ok, certo.
- Sirius iria surtar e iria ficar puto da vida com você. Eu não quero que vocês briguem.
- Tudo bem, Lily.
A ruiva o encarou por um tempo. Por que ele estava agindo assim? Se James estivesse apenas passando um tempo com ela, Lily não iria correr o risco de causar um tumulto na amizade dos dois por conta dela.
- O que você quer contar para Sirius? - Ela tentou novamente.
- O que aconteceu. - Ele respondeu.
- Você quer ir até ele e dizer que passou a noite comigo, apenas isso? Ou que estamos nos vendo por dias, nos beijando escondidos pelos cantos? - Esperou pela resposta dele. Esperou mais, enquanto James parecia pensar. - Por que está sendo tão difícil responder?
- Porque tudo isso é delicado.
- Pelo menos você está vendo a real situação. - Lily comentou. - Dizer qualquer coisa para ele agora seria uma sentença.
- E você acha que ele nunca vai saber disso? - James retrucou.
- Provavelmente não. Se formos cuidadosos, ele nunca irá descobrir.
James caiu em um silêncio mortal. Um tipo de silêncio tão agonizante, que fez Lily limpar a garganta e se remexer.
- O que exatamente você quer contar para ele? - Ela repetiu a pergunta.
Se caso James dissesse que estava muito difícil esconder do melhor amigo ou...
...Ou que queria algo a mais...então talvez...bem. Aí era outra história.
- Eu não sei exatamente o que responder. - Respondeu ele em um fio de voz.
Ótimo então.
Virou para a janela e se desconectou completamente dele, querendo não pensar naquela conversa mais.
Não demoraram para chegar na casa de Remus. Quando James desligou o telefone com o amigo, avisando-o que haviam chegado, continuaram em silêncio por alguns segundos antes de James suspirar e se virar para ela.
- Lily, olha...eu não quero que isso seja uma pedra no nosso sapato, especialmente pelas razões erradas. Vamos conversar melhor, botar as coisas em ordem.
Remus saiu de casa e começou a vir em direção ao carro.
- Você teve todo o caminho para querer isso e decide fazer agora? - Lily disse entredentes enquanto sorria para Remus entrando no carro. - Olá, Rem.
- Olá, ruiva. Valeu pela carona, James.
- De nada. - O moreno respondeu desanimado e acelerou.
- Aonde estão indo essa tarde? - A ruiva perguntou para o garoto no banco de trás para puxar conversa.
- Nós vamos fazer uma espécie de escalada não muito longe daqui.
- Escalada? Vocês não sabem escalar.
- Estamos indo aprender. - Remus respondeu e deu de ombros. - Frank vem com essas idéias às vezes. Sirius me falou que você estava com Alice, ela não te contou?
Lily tentou disfarçar enquanto mexia no cabelo.
- Não, ela não me contou.
- Estranho, porque ela deu um sermão nele. Eles deveriam comparecer a um almoço de família dos Longbottom e como ele reservou tudo para hoje, a mãe dele foi reclamar com Alice, como se fosse culpa dela. Frank estava chateado ontem.
- Oh! A mãe de Frank pode ser bem inconveniente, às vezes. Mas não, ela não me falou nada. Já deve ter esquecido do ocorrido.
- E falando em Frank...por que não veio assistir o jogo ontem, James? - Remus perguntou dando um tapa no ombro do amigo. - Frank disse que recebeu uma mensagem sua dizendo que não iria mais.
- Ocupado.
- Com o quê?
- Com sono. Eu acabei dormindo.
- Você perdeu um puta jogo. Não só isso, mas a confusão no bar. Talvez você queira ou não queira ouvir, Lily, mas Bones estava lá e arrumou briga com a mesa do lado.
- Me diga que ele levou um soco na cara, por favor. - James pediu. Lily revirou os olhos.
- Um belo soco na boca. Perdeu um dente, aliás.
- Ah, a vida é tão engraçada às vezes, não acha, Sardenta?- James sorria e tamborilava o volante. - Tenho certeza que ele não fazia nada de interessante com aquela boca.
Ela apoiou a testa na mão e preferiu não comentar.
- Do que você está falando, cara? - Remus perguntou completamente confuso.
- De absolutamente nada.
O celular de James começou a tocar novamente com uma chamada de Sirius.
- Ele é assim sempre? Grudento. - Lily perguntou.
- Depende do dia. - James respondeu e atendeu. - Qual é agora?
- Lily já está com você?
- Lily e Remus. - Ele confirmou.
- Sua infeliz! - Sirius começou, claramente se direcionando à irmã. - Por que não atende o telefone?
- Porque eu não ouvi tocando. Você é bem carente, não? Quantas vezes já não nos ligou hoje?
- Do que está falando? Eu te liguei apenas uma vez.
Com o coração acelerado, Lily se lembrou que ela "não estava" com James nas outras vezes que Sirius ligou para o amigo.
- Bom, não importa. Tenho certeza que você infernizou os outros com muitas ligações. O que você tem para me dizer? - Ela perguntou.
- Você deixou um lembrete na geladeira falando que tinha que comprar o seu remédio. Você comprou?
Merda. Era para ter ido ontem, mas como não estava contando com o fato de dormir na casa de James, esqueceu completamente.
- Droga, eu esqueci.
- Vamos passar em uma farmácia agora, então. - James deu sinal e virou a direita, indo em direção a farmácia não muito longe da casa dos Black-Evans.
- Cabeça de vento! - Sirius reclamou e desligou.
- Ele te ama. - Remus comentou do banco traseiro.
- Imagina se não amasse.
Quando chegaram na farmácia, os três acabaram entrando. Aproveitando que estavam ali, poderia pegar tudo o que precisava, então Lily foi até a sessão de beleza e pegou um shampoo e começou a procurar um esmalte que ela gostava na prateleira, quando viu uma sombra parando não muito longe de si.
- Hm, tantas escolhas - Ela se virou para o lado e viu James examinando a prateleira a dois metros de distância. - As com gosto não são tão legais. Talvez as que causam "sensações"?
Ele estava na sessão de preservativos e falava sozinho, mas alto o suficiente para ela ouvir. Lily olhou para os lados, tentando achar Remus, mas ele não parecia estar por perto.
- As mais finas são legais. - Ela comentou enquanto pegava um esmalte e olhava de perto, querendo ver melhor a cor e o brilho.
- Eu também acho.
Ele começou a pegar uma embalagem. Depois mais uma, e outra e outra e outra, até ficar com cinco embalagens em mãos. Lily levantou uma sobrancelha para ele.
- Alguém tem esperanças em se dar bem em um futuro próximo. - Disse ela.
- "Esperança" é o meu nome do meio. - James sorriu de lado e, sem tirar os olhos dela, ele começou a pegar mais embalagens.
- Fleamont é seu nome do meio. - A voz de Remus fez com que Lily se sobressaltasse. - Mas que...? Você precisa de um milhão de camisinhas para escalar ou está indo para um swing club?
- Camisinha nunca é demais. - James respondeu.
- Mas ainda sim... você está saindo com alguém? Emmeline?
James se virou para Remus.
- Camisinha nunca é demais. - Ele repetiu.
O amigo apenas se limitou a fazer um gesto de desinteresse.
- Eu vou pegar meu remédio. - Lily saiu dali o mais rápido possível antes que sobrasse para ela.
Não demorou muito para pegar tudo o que precisava e encontrar os garotos já na saída, esperando por ela, cada um com uma sacola. A de James estava razoavelmente cheia, provando que não tinha pego as embalagens apenas de brincadeira.
Esperava mesmo que não fosse brincadeira.
J~L
Abriram o portão e já deram de cara com Sirius sentado em frente da porta. Ele se levantou e não parecia nem um pouco contente.
- Vocês demoraram uma eternidade.
- Muitas coisas para fazer em um espaço mínimo. - James respondeu assim que saiu do carro.
- Além de James estar fazendo um estoque de camisinhas. - Remus comentou. Sirius olhou surpreso para o amigo de cabelos escuros.
- Não escute ele. - James se defendeu.
Lily, não querendo mais fazer parte daquela conversa, achou melhor prosseguir.
- Divirtam-se. Obrigada pela carona, Descabelado.
- Quando quiser, Sardenta.
James recebeu um olhar dela e não sabia como interpretá-lo. Parecia todo o contentamento que via desde ontem e aquela manhã, assim como tinha aquela pitada de contrariedade do carro.
- Vamos ou não vamos? - Sirius esfregou as mãos, ansioso. - Com o seu carro, James. Eu não estou muito afim de dirigir.
A ruiva já entrava na casa e parou no batente enquanto assistia os amigos se preparem no carro de James. Ele levantou a atenção para ela, os olhos parecendo pedir por algo. O que poderia fazer ou dizer? Amaria que ele ficasse, que Sirius e Remus fossem para a tal escalada e ela pudesse se aproximar dele e dizer que não importava, que nada importava. Que aquela discussão foi idiota e inútil.
Ou útil, na verdade. Quando acabariam as pontas soltas? Por que tanta coisa para arrumar, discutir?
Como eles não conversaram sobre Sirius antes? Talvez por já estar subentendido que não falariam para o irmão o que estava acontecendo. Por que James queria falar agora? Apenas por terem dormido juntos?
- Tudo pronto. - Remus disse entrando no carro. Sirius entrou do lado do passageiro.
James tinha as mãos no teto do carro, olhando para ela. Ele deu algumas batidinhas ali antes de desviar o olhar e entrar.
- Acelera agora, James Potter, porque estamos atrasados. - Sirius resmungou do seu banco.
- Não estamos atrasados. - James respondeu. - Preciso do endereço.
Sirius pegou o celular do amigo apenas para começar a rir depois. James olhou rápido para ele, tentando entender o que era tão engraçado.
- Remus, olha isso. - Sirius mostrou o celular de James para o amigo do banco de trás. James tentava prestar atenção na rua e ver o que tinha de tão absurdo no seu celular. - James tirou a minha digital e a senha, eu não consigo mais entrar no celular dele.
- Deixa eu ver isso. - Remus pegou o celular, fazendo James relaxar e revirar os olhos. - Ei, as minhas também.
- Uuhhh...escondendo algo nosso, pequeno James?
"Sim, seu idiota. Minhas mensagens com a sua irmã!"
- Um bom cidadão não pode ter privacidade? - Retrucou.
- Claro que pode, você tem todo o direito. - Respondeu Sirius. - Mas isso só quer dizer que a coisa com a sua garota ou garoto deu uma guinada, não? O que está rolando? Fotos, mensagens que fariam o nosso Remus corar?
- Vai a merda. - Remus disse dando um tapa na nuca do amigo. - Não esqueça que eu estou conversando com a sua prima.
- O que você quer dizer com isso?
- Tudo e nada.
Uma discussão começou com os dois dentro do carro e James ficou contente por ter sido colocado de escanteio. Decidiu prestar atenção para onde ia e colocando ele mesmo o endereço do lugar no GPS.
- Vai dizer que se eu pegar o seu celular e abrir nas suas mensagens com a minha prima, eu não vou querer arrancar meus olhos? - James perguntou quando os dois amigos finalmente diminuíram a discussão.
- Eu não aconselho tentar ver. - Sirius comentou.
- Então eu não aconselho você ver as minhas mensagens com a sua prima. - Remus retrucou Sirius.
- E eu não recomendo vocês verem as minhas mensagens também. - James finalizou.
Sirius estalou a língua.
- Você não está com a prima de ninguém.
James segurou a risada irônica. Deu uma rápida olhada para Sirius antes de relaxar os braços no volante.
- Você não está errado nessa.
Pois não estava mesmo vendo a prima de nenhum deles.
A associação que Lily havia escolhido visitar alguns dias atrás era perto de Watford e Alice dirigia empolgada, cantando e dançando quando paravam em algum semáforo. Lily ria e a acompanhava, apesar de ver que a amiga estava exagerando e saber o motivo daquilo.
- Que dia lindo.- Alice abriu a janela deixando a brisa refrescá-las.
- Sim, verdade.
A amiga olhou para a ruiva, um pouco em dúvida.
- O que você tem contra um céu azul e temperaturas acima de 20°C?
- Absolutamente nada. Apenas com você cantando como se não estivesse com vontade de matar alguém.
Alice balançou os cabelos e segurou firmemente no volante, esperando o sinal verde.
- Eu vou matar Frank. Como ele pôde fazer isso comigo, Lily?
- Para ser honesta, a mãe dele quem está fazendo isso com você.
- Fala sério. Como pode ser minha culpa o filho dela querer se divertir com os amigos no sábado, o santo dia que a família precisa se reunir para comer? Eu nem estou lá, eu nem dei a ideia.
Como Remus havia dito previamente, Alice estava tendo um mal momento com a mãe de Frank. Não era a primeira vez que a mulher enchia o saco da amiga, como se ela fosse responsável por todos os problemas e decisões que o filho tomava.
Sabia que se Alice não amasse Frank como louco e que se ele não a defendesse da mãe sempre, ela já estaria fora. Era realmente um inferno às vezes.
- Você sabe que não é nada contra você. Ninguém será bom o suficiente para a nossa querida Augusta Longbottom, mesmo se fosse a própria rainha namorando o filho dela.
- Urgh, Lily. Que exemplo! - Alice fingiu se arrepiar. - Mas você tem razão. Aliás, minha querida sogra poderia apenas deixar as pessoas da família respirarem também, fazerem algo diferente além de comer lasanha ou qualquer outro prato pesado todo bendito Sábado. Sei lá, ela poderia sair e jogar gamão com as amigas chatas dela.
Lily riu, mas tentou disfarçar, jáque Alice não estava em um humor muito bom e ficou prestando atenção na estrada de terra enquanto resmungava algo sobre Augusta.
Na última curva da tal estrada, elas se depararam com um casarão bonito. Era a típica antiga propriedade de algum lorde no passado, cheio de janelas, paredes de pedra e um enorme jardim. Era bem cuidada, com natureza para todos os lados, cantos de pássaros como música ambiente. Lily até desligou o rádio do carro para ouvir melhor.
Um lugar que trazia paz. Os responsáveis não poderiam ter escolhido um lugar melhor do que aquele para pessoas que passaram por tantos problemas antes.
- Esse lugar é tão bonito. - Alice comentou olhando ao redor ao sair do carro.
Foram até a grande porta da frente e foram recebidas por duas mulheres sorridentes.
- Bem-vindas. - Elas disseram em uníssono. - Vocês podem encontrar nosso programa nesse flyer. - A mais velha disse entregando um flyer para cada uma.
- Obrigada. Na verdade, estamos aqui para ajudar. Eu sou Lily e essa é a minha amiga Alice, eu enviei um e-mail ontem para confirmar.
- Ah, claro. Venham comigo.
Um longo corredor depois, elas encontraram muitas mulheres andando por todos os lados. Era difícil dizer quem trabalhava ali e quem procurava por ajuda. Algumas mulheres tinham um certo medo estampado em seus rostos, o corpo um pouco mais retraído...outras pareciam confortáveis.
Ela mesmo sendo uma vítima, duvidava que alguém poderia dizer que passou por algo anteriormente. Não que ela deveria andar, falar ou se comportar de algum jeito específico, mas às vezes ficava com aquele tipo de pensamento na cabeça, se as pessoas poderiam ver, descobrir pelo o que ela passou e quase passou.
Enquanto seguiam a gentil mulher, Lily parou em frente a uma sala onde algumas mulheres estavam reunidas e pareciam trabalhar juntas em algum grande cartaz. Parecia haver diversas palavras impressas e espalhadas pelas mesas. Elas pareciam escolher algumas entre elas e colar no grande cartaz.
Não viu nenhuma das palavras, não viu nada que pudesse lhe ferir, mas aquilo lhe feriu de qualquer maneira. Ver que tantas pessoas passaram por algo parecido com o dela, muitas com histórias ainda piores e traumatizantes...aquilo lhe enchia de raiva e tristeza.
Foi uma boa ideia vir?
- Sabe...- A mulher que as guiava parou atrás dela. Alice conversava com alguém no final do corredor, parecendo receber instruções. - Para nos ajudar, não há necessidade de estar em contato com outras pessoas.
Os olhos castanhos eram doces e Lily tinha certeza que a mulher sabia que algo havia acontecido em sua vida. Era a voz da experiência, talvez?
- Ah, não?
- Não. Há muitas coisas nos bastidores e que, às vezes, é onde mais precisamos. Que tal eu te levar até lá? Há tantas coisas para serem desembaladas e organizadas. - A mulher a segurou na distância de um braço e sorriu. - Eu acho que você vai apreciar mais esse tipo de tarefa.
Lily mordeu os lábios, a cabeça lutando contra querer ficar ali na linha de frente apenas para provar um ponto, o ponto de que ela era forte, que poderia fazer aquilo e que nada nunca lhe ocorreu. Ou...
- Trabalhar nos bastidores me parece uma boa ideia.
A mulher sorriu novamente e abraçou Lily pelos ombros, mudando de direção.
J~L
Espalhando o tal de carbonato de magnésio nas mãos para que elas não escorregassem, James sentiu-se preparado para tentar a grande parede na sua frente. Frank estaria na outra ponta da sua corda, no chão, para servir como contra peso e ajudá-lo.
Com a rápida explicação que tiveram, esperava que não caísse e que Frank soubesse o que estava fazendo.
E mesmo tendo um certo perigo no que estava prestes a fazer, nada daquilo lhe abalava: não tinha medo de altura, não se preocupava em cair ou se machucar de qualquer maneira. Porém, o que mais lhe tirava a paz, era a noite anterior.
Não, não foi ruim. Muito pelo contrário. Poderia dizer que imaginava que um dia teria Lily na sua cama? Não, não poderia. Poderia dizer que esperava transar com ela ontem? Também não. Foi uma surpresa que gostaria de ter muito mais vezes na sua vida. Poderia dizer que sabia que, caso transasse com ela, seria tão bom? Talvez sim, pelo menos era o que fantasiava. A realidade foi ainda melhor, mil vezes melhor do que qualquer fantasia sua.
Mas sentia que deixou a desejar de alguma forma.
Era idiota da sua parte pensar isso, ele sabia. Lily parecia satisfeita com tudo, com o total de 3 orgasmos na noite anterior e mais um naquela manhã. Não era a falta de orgasmo ou o empenho nos atos, mas o que vinha depois.
James não sabia como agir. Não sabia se deveria agir como gostaria, como um cara que tem mais do que tesão por ela. Aquilo poderia afastá-la ou qualquer coisa do tipo. Então apenas pensava em coisas para fazer: pegar a compressa para ela; ir tomar banho para ficar pronto. Todos aqueles minutos que perdeu fazendo essas tarefas bobas, ele gostaria de ter usado com ela, sem se mover da cama, sem sair de perto.
Além do mais, Lily merecia mais do que aquilo.
Era um imbecil. Tinha que agir com mais segurança e aproveitar o tempo que tinham juntos, que nunca parecia o suficiente. Se deixar levar pelo receio de fazer algo errado, só o levaria a fazer algo errado e talvez pior.
Onde estava o James que ele sabia que existia? O cara seguro do que fazia, que sabia o que fazia?
- Já está perdendo, Potter! - Sirius disse alguns metros acima. Ele avançava rapidamente enquanto Remus o auxiliava e liberava a corda para o amigo.
Nada melhor do que Sirius para tirá-lo de um devaneio sobre Lily.
- Agiliza isso, Frank! - Disse James, ficando inquieto.
- Ou você me dá tempo de me ajeitar com o mosquetão, ou melhor você ir e esperar não cair, porque eu não estarei te auxiliando.
- Ehehe Potter, você é muito lerdo. - Sirius gritou da sua posição.
Odiava perder para Sirius. Os dois adoravam competir entre si e ganhar do amigo sempre tinha um gostinho a mais...assim como perder era pior do que perder para qualquer um outro.
- Vai arrumando ai. - Ele disse e se ejetou na parede, começando a escalar.
- James, eu ainda não terminei. - Frank, desesperado, tentava rosquear rapidamente uma parte do mosquetão.
- Eu confio em você, Longbottom! - Respondeu enquanto já alcançava os 3 metros.
- Imbecil. - Ouviu Remus murmurar do chão.
Nem a pau que Sirius iria alcançar o topo antes dele. Ao pensar nisso, Sirius escorregou o pé e perdeu o apoio, ficando pendurado.
- Não se preocupe, Black, o professor está chegando. - James o provocou.
- Vai se ferrar. - Sirius tentava achar o melhor apoio para seu pé e o melhor caminho para seguir. James se aproximava cada vez mais agora.
- Está pronto para perder para o profissional?
Alcançou a altura do pé de Sirius e continuou a subir. Sabia que o amigo tentaria ir pela esquerda, o mais difícil, enquanto ele tinha a direita livre.
- Profissional do quê, além de ter esse cabelo horrível?
- Eu sinto a sua inveja daqui, Black.
- Você sente algo dai debaixo? O cheiro da derrota, eu diria.
Aceleraram na escalada enquanto ouviam reclamações de Remus e Frank no chão, que eram ignorados.
- Está vendo aquele apoio amarelo, o último? - Perguntou James sem parar.
- Sim. - Sirius olhou rapidamente para o alto da parede. - Quem chegar lá primeiro, já sabe...
Os dois estavam quase na mesma altura, James apenas alguns centímetros abaixo.
- Você não tem os braços longos o suficiente para os próximos metros, Black. Parece que essa vitória é minha.
- Você vai ver o "longo", Potter!
- Ah, vai começar a falar do seu amiguinho no meio da escalada?
- Pelo menos é uma parte do meu corpo que eu tenho usado ultimamente, não fico de frescura.
James teve que se esticar todo e quase escorregou quando teve o ímpeto de rir.
- Se é assim que você pensa.
- Então é verdade que você comprou um monte de camisinha.
Não respondeu e com a distração de Sirius, fazendo-o um pouco mais lento, James o passou. Não iria entrar naquele assunto, porque uma coisa era fazer tudo o que fazia escondido dele. Outra era ter que ficar inventando histórias. Esconder já estava sendo pesado o suficiente, não queria incluir invenções. Sua consciência já tinha muito com o que lidar.
O tal apoio amarelo estava a poucos metros agora e estava um pouco mais adiantado do que Sirius.
De repente, Sirius se recuperou e ficou ao seu lado. Se encarando por um segundo, os amigos se concentraram nos próximos apoios e já não pareciam se importar com a segurança, pulando com rapidez - mas pouca agilidade - , agarrando-se como podiam.
- Você poderia dar algumas para Lily?
A pergunta de Sirius o desestabilizou completamente, quase fazendo-o errar o agarro em um dos suportes.
- Dar camisinha para a sua irmã?! - James quase gritou.
- Eu acho que ela precisa...e honestamente...- Sirius pulou e errou um suporte, dando vantagem para James. - Eu não tenho coragem de fazer isso.
Aquela conversa foi perfeita para que James esquecesse que Frank talvez não tivesse terminado com a corda e ele poderia cair, sendo como o turbo para que escalasse mais rápido e ficasse mais longe de Sirius.
Sua mão já estava quase alcançando o suporte amarelo, quando uma mão alcançou seu pé e o impediu de continuar. Olhou para baixo, na direção de Sirius segurando o seu calcanhar.
- Me segurar é o mais baixo que você já foi para não perder, Sirius!
- Não, não. Apenas pense. Você poderia dar algumas para ela, talvez dar algumas dicas e tal...
Os olhos de James não poderiam se arregalar mais do que já estavam.
- Você está mais maluco do que o normal?
- Não. Apenas te corrigindo.
- Me corrigindo em quê?
Sirius riu e se projetou para cima, agarrando o suporte amarelo. Ele olhou para baixo, para um James chocado e indignado.
- Te segurar não foi o mais baixo que eu fiz para não perder. Mas te chocar ao te pedir para fazer isso para a minha irmã, sim.
O idiota começou a gargalhar, fazendo todo mundo do lugar olhar para eles. James ainda estava parado no mesmo lugar, espumando de raiva.
- Você é um idiota feito sob medida. - James ralhou.
- Não é a minha culpa você ser filho único e não poder usar as vantagens de se ter uma irmã e que os seus amigos parecem ter medo desse assunto com ela. Aliás: se você quiser dar camisinha para ela do seu estoque, não seria de todo mal. Estou tendo a impressão de que não seria desperdiçado, considerando os últimos eventos da semana e do fim de semana passado.
A última frase tinha um tom irritado. Sirius fez um sinal para Remus e começou a descer.
James fechou os olhos e contou até dez. Respirou fundo, tentando esquecer que se deixou ser passado para trás, mesmo conhecendo Sirius e que ele dava golpes baixos para ganhar. Idiota foi ele mesmo.
Fez um sinal para Frank e começou a descer. Olhou para baixo e viu Sirius olhando para ele e rindo.
- Não tem problema, Sirius. - Dizia ele entredentes, mas baixo para que o amigo não ouvisse. - Não precisa se preocupar com a sua irmã e a falta de camisinha. Não irá faltar, eu garanto.
L~J
Pegou uma das caixas e começou a abri-la. Deu uma olhada pelo cômodo e percebeu que teria pelo menos dez caixas para abrir e esvaziar, mas nada terrível ou que piorasse a sua dor na perna que começava a dar as caras.
Tomou o seu remédio direitinho, o problema foi um pouco de intensidade durante a noite. Aquele pensamento a fazia sorrir ao invés de reclamar de dor.
- Orion Black.
Ela parou o que fazia e se deparou com a senhora sorridente perto da porta, a mesma que a acompanhou desde a chegada.
- Desculpa, o que disse?
- Orion Black. - A senhora repetiu, fazendo o coração de Lily acelerar. - Você é filha de Orion Black.
- Como...sabe?
A senhora entrou no cômodo.
- Você pode não ter os cabelos escuros e nem os olhos cinzentos, mas todo o resto é uma cópia dele.
Lily sorriu um pouco sem graça.
- Engraçado, pois eu não sou filha de sangue.
- E quando isso te faria menos parecida com ele? Ele deve ter sido um verdadeiro pai para você, pois você tem todas as características dele: seu olhar, como anda, até mesmo como se vira para ouvir qualquer um que fala com você.
Aquilo era um prazer de ouvir. Mesmo já ouvindo de seu irmão, da sua mãe e até de seus amigos, não era a mesma coisa ouvir de um desconhecido, alguém que nunca a viu. Sentiu que podia chorar agora, mas manteve a compostura.
- Obrigada por isso. - Disse, ao invés, do fundo do seu coração e tinha certeza que a senhora entendeu o quão sincera ela foi.
- Ele faz muita falta por aqui, sabe?! Eu ajudo em algumas outras associações, então o via sempre por aqui e ali. Sempre tão prestativo, pronto para ajudar ou correr para buscar algo que faltava. Muitas pessoas gostavam de falar com ele.
- Meu pai era um cara excepcional, é verdade.
- Ele falava bastante sobre vocês, a família. - A mulher olhou para longe, parecendo se lembrar de conversar com Orion. - Falava sobre a maravilhosa esposa, o indomável filho e a incrível filha. Os olhos dele brilhavam ao falar de todos vocês.
A saudade apertava a cada palavra. Teve que ser ainda mais forte para não chorar, apesar de perceber que estava perdendo a batalha.
- A senhora fez o meu dia ainda melhor.
- Fico feliz que tenha ficado feliz. Eu fiquei imensamente feliz ao vê-la e fiquei receosa de vir falar com você, não querendo perturbá-la com o meu blablabla.
- Não é, de maneira alguma, blablabla. - Lily se aproximou dela. - Qual o seu nome?
- Beth, apenas Beth.
Pegou as mãos daquela senhora que tinha tanto a compartilhar de seu pai quanto ela mesma tinha.
- Obrigada, Beth, pelas palavras.
- Meu prazer. Espero que volte, assim poderemos conversar mais. Eu adoraria ouvir mais sobre todos vocês.
- Conte comigo.
Segurando as mãos de Lily e dando leves tapinhas reconfortantes, a senhora sorriu.
- Preciso voltar para a cozinha. Até logo, pequena Orion Black.
O apelido a fez rir com vontade e felicidade. Nunca foi chamada assim antes e poderia muito bem se acostumar com aquilo.
- Até logo, Beth.
Ao se ver sozinha, ela olhou para todas aquelas caixas que esperavam por ela e sentiu que poderia fazer aquele trabalho em tempo recorde, com um boost de adrenalina e endorfina. E assim ela fez: todas as caixas foram abertas e separou todos os materiais.
Estava orgulhosa de si e feliz da vida em terminar o dia daquele jeito.
Pegou o seu celular, pronta para enviar uma mensagem, mas ficou surpresa ao ver que já havia uma mensagem esperando por ela há mais de uma hora.
(16:28) Descabelado: Eu vou estar na sua casa depois, caso você queira conversar.
Sentou em um banquinho e esticou sua perna, descansando um pouco.
(17:35) Lily: Sim, eu gostaria de conversar.
Eles tinham que conversar. As coisas não poderiam ficar daquele jeito, certo? Era tão bobo, tão infantil. Pensava que todas as cartas haviam sido colocadas na mesa ontem, mas ainda faltava falarem sobre o coringa: Sirius.
(17:37) Descabelado: Você está bem?
Estranhou a mensagem, mas ele devia perguntar pois sabia onde ela estava.
(17:37) Lily: Estou ótima. Vocês estão todos inteiros?
(17:41) Descabelado: "Inteiros" talvez seja um luxo dizer. Remus bateu a cabeça contra um dos pinos na parede (mas está bem), Sirius torceu o tornozelo (mas está bem), eu tenho um corte acima da sobrancelha (estou bem) e Frank está rindo de todos nós (não estará bem se não parar de rir).
Ela riu ao imaginar aquilo. Eles não eram sedentários e gostavam de esporte, mas escalar talvez fosse um pouco acima das suas habilidades.
(17:42) Lily: Então espero te ver inteiro em casa logo mais.
Toda aquela felicidade de ouvir sobre seu pai e uma confirmação de que não estava em maus lençóis com James a fazia querer voltar para casa e aproveitar aquele fim de sábado.
Levantou, terminou de arrumar o que restava e saiu do cômodo. Os corredores não estavam cheios agora. Passou por algumas pessoas e acenou, sentindo-se a pessoa mais pronta para fazer qualquer coisa por qualquer um.
- Lily Evans-Black.
Que diabos? Ninguém usava seu nome inteiro, além do seu pai quando estava bravo com ela.
Se virou...e seu coração parou.
O homem vinha com um grande sorriso, parecendo um pinto no lixo ao vê-la. Vestia seu terno bem alinhado, sapatos brilhantes.
Sua mão começou a tremer, sua boca abriu e seus pulmões pareciam cheios de água, prontos para afogá-la no meio daquele corredor.
George Pettigrew, o juiz, vinha em sua direção e Lily só tentava se lembrar como respirava. Quando ele parou em sua frente, fechou o sorriso ao ver que ela não respondia e, provavelmente, parecia que estava prestes a vomitar.
- Lily? - Ele tentou. Eles se encaravam e não podia dizer que não o viu. Também estavam a menos de um metro de distância, então não podia fingir tão pouco.
Respirar, precisava respirar.
- Eu...- Sua voz estava baixa. Seu peito apertava, procurando por ar. - Eu não...
Colocou a mão na garganta fechada.
- Ajuda! Alguém ajude!
George Pettigrew segurou seus ombros e começou a guiá-la pelo corredor. Algumas pessoas apenas assistiam os dois, mas Lily mal podia dizer o que ocorria. Tudo estava ficando preto agora e ela ia desmaiar com aquele homem ao seu lado.
E se o filho dele também estivesse ali?
Agora nem um fio de ar passava. Ela iria desmaiar em poucos segundos...mas sentiu mãos pequenas em seu rosto, apesar de não enxergar nada. A pessoa pegou sua mão e colocou contra o peito, fazendo Lily sentir a respiração.
- Respira comigo, Lils. - Ouviu a voz de Alice bem ao fundo. - Sente a minha respiração e faça como eu. Puxa o ar para dentro, vamos. - Lily tentou, mas quase nada entrou. - Vamos, Lily. Comigo, 1,2,3. - Alice respirou fundo e Lily tentou acompanhá-la, conseguindo levar um pouco de ar para os seus pulmões em chamas. - Isso, de novo.
Elas repetiram isso por mais de dez vezes para que, enfim, Lily começasse a enxergar. O rosto de Alice ainda estava embaçado, mas conseguia distinguir a amiga enquanto ainda respiravam juntas.
- Não para, continue a respirar comigo. - Alice pediu apertando a mão de Lily contra o próprio peito. - Está ficando mais fácil, não? Só deixa o ar passar.
Estava ficando cada vez mais fácil. Um minuto depois, sua visão estava de volta por completo, seus pulmões pareciam funcionar como deveriam e Alice parecia aliviada.
- Estou bem, está tudo bem. - Finalmente disse. Alice deixou os ombros tensos, caírem.
- Lily, pelo amor, você me assustou. Nunca te vi tendo uma crise tão grave assim.
Aquilo a lembrou o que causou a crise, fazendo-a olhar para os lados.
- Onde ele está?
- Quem?
- George Pettigrew!
- Ah, o pai do Peter? Não sei. Eu o vi te arrastando, pedindo por ajuda. Quando eu percebi o que acontecia, eu só mantive os olhos em você. Uma senhora nos colocou dentro dessa sala e eu só pensei em te fazer respirar.
Ainda bem que Alice estava com ela ou não saberia o que poderia acontecer. Aquelas pessoas não saberiam como ajudá-la e se George tentasse, seria capaz de mandá-la para a morte mais rápido.
- Ele ainda está aqui?
- Provavelmente.
- Eu não quero vê-lo, Lice. Não quero.
- Tudo bem, tudo bem. - Alice tentou acalmá-la. - Vamos embora e você não verá George Pettigrew. Eu vou sair e dizer que você está bem, mas que gostaria de privacidade, assim as pessoas vão se afastar. Ok?
- Ok, ok. Obrigada
- Me chame, grite ou qualquer coisa caso precise de mim. Eu já volto.
Alice saiu da pequena sala em que estavam, deixando-a sozinha. Seu peito ainda doía com a falta de ar de antes, pelo estresse. Sua perna parecia receber marteladas sem parar, provavelmente ao ser arrastada com pressa pelo corredor por alguém que não conhecia a sua condição.
Seus remédios estavam em casa e não poderia fazer nada até chegar lá.
A boa notícia é que Alice conseguiu afastar os curiosos de perto e levou Lily, que quase não conseguia colocar a perna no chão, até o carro. Ao entrar, parecia se isolar de todo e qualquer problema do mundo: estava silencioso e com um cheiro do perfume da amiga - algo familiar.
Elas não conversaram no caminho, o rádio estava baixo. Lily tentava massagear a perna, mas a dor atingiu um nível onde nada parecia ser o suficiente.
Queria chorar. Chorar igual uma criancinha, pedir colo para seus pais. Como toda aquela felicidade de antes podia virar aquele pesadelo? Por que George Pettigrew estava lá? Por que hoje, por que naquele momento? Tantos dias para ir, tantas outras coisas que ele poderia estar fazendo hoje, como por exemplo, livrar algum criminoso de alta periculosidade da cadeia ou algo assim.
Quando o portão da sua casa abriu e viu o carro do irmão e de James, era como uma lavagem na sua alma, um alívio. Mais coisas familiares, mais pessoas que gostava. Sentia-se bem, segura. Nada poderia atingi-la ali com todos eles, tinha certeza.
- Devagar aí. - Alice a ajudou a sair do carro. - Vou preparar gelo para você. Onde estão os seus remédios?
- Na cozinha, no canto direito.
- Vou pegar. Você apenas cole a sua bunda no sofá.
Elas entraram e Lily foi para a sala colar sua bunda no sofá, enquanto Alice foi até a cozinha. Ouvia a amiga parecer preparar tudo para ela enquanto falava com Frank ao telefone. O resto da casa estava em silêncio, o que era estranho. Normalmente, quando os garotos estavam lá, a casa parecia uma cena de guerra com barulhos e gritos para todos os lados.
- Você quer que eu chame Sirius? - Alice perguntou ao voltar com os remédios e uma compressa de gelo.
- Não, não precisa. Nem sei onde ele está, aliás.
- Na garagem. Eu ouvi barulhos e risadas.
Colocou o gelo em seu joelho e quase subiu aos céus de alívio. Tomou o remédio e se aconchegou no sofá, podendo dormir ali mesmo.
- Lils...- Começou Alice. - Pettigrew fez algo com você?
Seus olhos abriram com espanto.
- O quê? Por quê?
- Você não queria vê-lo, estava tão nervosa quando disse isso.
Ah, certo. Alice estava falando de George e não de Peter.
- Não. Apenas não queria, ah, que ele me visse daquele jeito.
Claro que a amiga não caiu no papo dela.
- Você sabe o que ativou a sua crise?
- Conversas sobre o meu pai. - A mentira já estava na ponta da língua, já que Alice com certeza perguntaria sobre.
- Certo.
Ouviram vozes altas na cozinha agora, a geladeira abrindo, garrafas sendo abertas. A guerra estava saindo da garagem e entrando na casa.
De repente, Sirius apareceu na porta da sala.
- Aí estão vocês. - Ele tinha uma garrafa de cerveja na mão. Caminhou até ela mancando um pouco.
- A mãe vai ficar tão feliz em ver nós dois mancando por aí. - Comentou ao assistir o irmão, apesar dele não parecer tão machucado.
- Ela vai adorar. - Ele respondeu. - Você parece um bicho atropelado. O que aconteceu?
Droga, ela estava péssima? As vozes de James e Remus pareciam se aproximar, então ela tentou se ajeitar e arrumar o cabelo.
- Estou tão ruim assim?
- Pior do que já é, com certeza. - O irmão confirmou. - Como foi na Associação?
- Sua irmã teve...
- Uma baita dor na perna. - Lily cortou Alice imediatamente. - Eu meio que caí, meio que bati, não sei. Por isso estou acabada assim. Mas vai passar, eu estou bem.
- Você não parece bem.
Era Remus da porta da sala. James estava logo ao seu lado, ambos com cervejas nas mãos.
- Você também não. - Ela retrucou ao ver o enorme galo em sua testa que estava bem roxo.
- Uma leve batida, nada demais. - Ele respondeu.
Lily virou os olhos para James e viu o pequeno corte acima da sua sobrancelha esquerda.
- Vocês desistiram de escalar, pelo menos? - Alice perguntou ao estudar os amigos também.
- Não pode desistir de algo só por te machucar no começo, Alice. - Sirius respondeu.
- Depende do que estamos falando. - Remus o corrigiu.
- Sim, claro. - Sirius abanou a mão. - Enfim, vamos voltar em algumas semanas. Agora já sabemos o que fazer.
- E o que não fazer. - Completou James.
Eles conversavam enquanto Lily esperava o seu remédio fazer efeito.
Sua cabeça voou para a Associação novamente. Foi ingênua, burra até, ao não averiguar o lugar que escolheu. Abraçou a causa, esquecendo-se de que Orion e George ajudavam as mesmas causas, assim como seu pai também tinha esse tipo de ligação com Fleamont.
Queria rir, gargalhar. George Pettigrew ajudava uma associação de mulheres abusadas enquanto o filho dele abusava delas por aí. Será que ele sabia o quanto Peter era um monstro? O mesmo monstro que trouxe terror na vida daquelas que ele ajudava?
Será que George ajudava apenas para cobrir algo? Se safar de alguma acusação, dizendo que nem ele e nem a família poderiam fazer algo do tipo, porque eles ajudavam na causa?
Era bem a cara dele fazer isso.
- Eu vou subir. - Disse do nada, cortando a conversa da sala.
- Espere, eu vou te ajudar. - Alice se colocou ao seu lado. - Você não deveria colocar peso na perna agora.
- Eu não vou colocar.
- Nem subir em uma perna só, podendo cair. Eu te levo. - Remus se propôs e se aproximou.
- Está maluco? - Sirius perguntou. - Você desmaiou hoje e quer levar Lily pelas escadas?
- Você desmaiou? - As duas perguntaram para ele.
- Não foi um desmaio do tipo "oh céus, alguém o acuda". Foi algo leve.
- Ele desmaiou completamente, ficando pendurado na corda. - Desmentiu James. - Só não foi pior, porque Sirius estava no solo como contrapeso e segurando a corda.
Remus bufou.
- Você fala como se tivesse sido sério.
- E foi. - Sirius confirmou. - Engraçado também, porque você parecia um frango assado nocauteado no ar, mas foi sério. Por isso, você também não pode se esforçar ou vai você e a minha irmã escadas abaixo.
- Eu levo Lily.
A ruiva tentou disfarçar o sorriso quando ouviu James.
- Você é o menos ferrado de nós. - Sirius confirmou.
E aquele que ela queria ter os braços em volta.
Viu que Alice também tentou disfarçar o sorriso e saiu do lado dela para que James pudesse pegá-la. Segurou a compressa enquanto era levantada.
- Vejo vocês depois.
- Eu vou subir para me despedir depois. - A amiga respondeu antes de se virar para Sirius. - Grude essa bunda no sofá agora, Sirius Black, pois vou preparar uma compressa para você também.
- Não precisa, Alice.
- Precisa sim!
Saíram da sala e foram em direção às escadas.
- Você passou algo nesse corte ou só parou o sangramento? - Ela perguntou ao tocar ao lado do corte dele.
- Eu fui bem cuidado, todos nós fomos. Eles estão preparados para idiotas como nós indo fazer merda.
- Ótimo.
Entraram no quarto dela e James deu a volta na cama, a colocando ali. Lily logo se jogou contra os travesseiros enquanto posicionava a compressa. A dor melhorava um pouco agora com o remédio de ação rápida e o gelo, mas ainda precisava relaxar um pouco.
- Você vai me contar o que aconteceu? - James perguntou se abaixando ao lado da cama para ficar na sua altura.
- Oras, eu só forcei a perna sem querer.
- Não falo sobre a sua perna.
Desviou o olhar. Não seria boa ideia falar sobre George Pettigrew para nenhum deles. O que adiantaria? O homem não foi procurar por ela, apenas se esbarraram no mesmo prédio, só. E ela não reagiu bem, mas isso não importava.
- Não é nada, Descabelado. Está tudo ok. - Ele meneou a cabeça, não acreditando nela. Aparentemente ela era uma péssima mentirosa. James se levantou, mas Lily segurou sua mão. - Você já está indo? E a nossa conversa?
Ele apertou sua mão e conferiu o corredor para ter certeza que estava vazio, antes de se abaixar ao lado da cama e fora de visão da porta.
- Acho que não precisamos fazer disso um drama ou uma conversa difícil. Eu apenas queria te dizer que eu entendo que você não queira falar com Sirius sobre o ocorrido. Eu penso que qualquer um que você estivesse apenas tendo algo sem compromisso como nós estamos, você faria o mesmo. Bones foi diferente, porque vocês estavam namorando.
Lily não soube dizer, mas aquelas palavras a incomodaram. E não deveriam, afinal, eles não estavam namorando. James estava sendo racional ali e não estava exigindo nada, pelo contrário, dizia que a entendia. Talvez por ele soar um pouco casual demais? Mas não era para ser daquele jeito mesmo? Por que estava incomodada?
Tinha que focar no fato de que James parecia querer estar na mesma página e que não precisariam brigar sobre Sirius.
- Certo. Obrigada por isso. - James assentiu uma vez. - Eu só quero que saiba que faço isso por você. Vocês não merecem brigar por algo assim, você não merece receber a raiva dele. Ele está fazendo terapia dupla e disse que não queria saber o que eu ando fazendo, então melhor deixar assim.
"Por enquanto" sua cabeça finalizou.
- Sem problemas. Eu não quero que isso vire dor de cabeça para nós, mas que seja algo bom, simples. - James levantou a mão e começou a numerar. - Sirius não precisa saber; nós não estamos vendo outras pessoas; você pode me tocar; me mande mensagem quando quiser, ninguém vai ver; seja honesta sobre o que você esteja sentindo: dor, desconforto, etc.
Lily assentiu, concordando. Se apoiando na cama, James deu um beijo em sua testa, mas não se afastou. Lily sentia que o ar mudava agora com aquela aproximação.
Algumas horas atrás, eles estavam no quarto dele, juntos. Na cozinha também. Uma noite que poderia ser algo normal para muitas pessoas, até para ele, mas que havia um outro peso para Lily. Uma primeira vez em que ela sentiu-se bem 100% em cada momento, em cada respiração alta, cada beijo.
Sentia a necessidade de que ele deveria saber disso.
- Eu...gostei da noite passada. - Ela disse levantando a mão até o pescoço dele e o acariciando. - Bastante.
- Eu também. Bastante. - Os lábios dele desciam por sua têmpora, indo para a sua bochecha.
Via uma brecha para saber se aquilo iria se repetir. Porque, sim, meu deus, ela queria repetir. Tudo: os beijos, o sexo, dormir ao seu lado. Havia sido uma noite tão boa e tranquila, diferente do que conhecia com Edgar, onde as coisas eram sempre um pouco rápidas e tumultuadas. Mal comiam café da manhã juntos, mal tinham conversas. Era apenas sexo e ir embora.
- Então. - Ela começou, mas os lábios dele chegaram em sua boca, beijando-a suavemente.
- Então...? - James a estimulou a continuar.
- Quando a gente gosta de algo e gosta bastante, normalmente...- Ele a beijou com mais paixão agora, cortando sua frase.
- ... repete. - Ele disse ao se afastar um pouco.
- Sim, exatamente.
A mão dele a segurou pela nuca enquanto James a beijava de verdade. Lily queria agarrá-lo e jogar em sua cama, repetir toda a noite anterior agora mesmo sem se importar pelas presenças na casa.
- Eu mal posso esperar. - James disse, baixinho, contra a sua boca.
Queria choramingar e pedir para ser hoje, naquele instante. Não saberia como faria com a sua perna, mas tinha certeza que arrumariam um jeito, assim como arrumaram um jeito ontem.
Mas infelizmente não era o dia ou lugar, então era melhor parar de querer agarrá-lo.
Tentando deixar isso de lado e cansada de ser a única a ser cuidada, achou melhor fazer sua parte, além de precisar de espaço para tirar as ideias malucas que tinha e que envolvia James, a cama e nada mais.
- Poderia fazer um favor para mim? No meu banheiro, tem uma caixa branca de metal logo abaixo da pia. Poderia pegá-la?
- Caixa branca de metal. - Ele repetiu ao se levantar e ir até o banheiro. Lily o ouviu abrir o armário e pegar a caixa. - Essa?
- Sim. - Ele entregou a caixa para ela. - Sente-se aqui.
Ajeitando-se e dando espaço para ele, James sentou em sua frente.
- O que vai fazer?
- Cuidar de você.
Abriu a caixa de primeiros socorros e pegou um antisséptico e uma gaze. James parecia pronto para protestar, mas desistiu no meio do caminho, aceitando o seu destino.
O corte não era horrível, mas deixaria uma cicatriz com toda a certeza. Se não fosse cuidada, também poderia infeccionar. Por isso, ela não economizou no antisséptico.
James fez uma pequena careta quando oa gaze finalmente o tocou, mas não reclamou.
- Foi tudo bem na Associação, então? - Ele perguntou.
- Sim, tudo bem.
Ele murmurou.
- Vai voltar?
Ela não tinha pensado nisso ainda. Foi uma tarde boa e interessante. Sentiu-se bem ajudando, conversando com algumas poucas pessoas. Mas valeria o risco de encontrar com George Pettigrew?
- Talvez, ainda não sei.
- Talvez haja outra Associação que você possa ajudar. Ou você poderia fazer uma rotação de visitas nas Associações, caso queira realmente fazer isso. É o que o meu pai faz, é o que o seu pai fazia também.
Não era uma má ideia. Ajudar mais pessoas sem ter que entrar em pânico toda vez não seria de todo mal.
- Me parece uma boa ideia.
James sorriu para ela, dando aquela sensação boa em seu peito.
Continuou a limpar a ferida com cuidado. Os olhos de James nunca a deixando, encarando-a.
- O que foi? - Ela perguntou, rindo.
- Nada. - Ele respondeu com a voz calma. - Tudo está bem.
- Tem certeza?
- Absoluta. - A mão dele subiu até o seu rosto, acariciando sua bochecha, depois colocando alguns fios de cabelos ruivos para trás. - Eu ainda fico surpreso por você ter me perguntado se eu não gostava das suas sardas dias atrás.
Lily deixou o braço cair em seu colo ao terminar a limpeza.
- Bem, você tem que concordar comigo que eu não teria como pensar o contrário.
- Talvez. - Ele disse.
Em seguida, ele se aproximou e a beijou delicadamente no rosto enquanto sua mão continuava a acariciá-la.
James Potter sabia como começar um fogo e de jeitos muito simples.
Lily fechou os olhos e se deixou levar pelos beijos dele que passeavam por cada canto de seu rosto: suas bochechas, seu maxilar, o canto de sua boca...tudo tão devagar, lento, fazendo seu estômago revirar de felicidade.
Deveria estar cuidando dele, mas ao invés, deixava-se levar pelo toque e pelas sensações que James lhe proporcionava.
- Eu não terminei de cuidar de você. - Ela sussurrou ainda de olhos fechados.
- E eu nem comecei a cuidar de você.
Ah senhor. Sua mente foi para o mal caminho nessa hora e estava em dúvida se era por ali que deveria ir ou se ele falava da sua perna ou algo do tipo. Só sabia que o que a sua mente criou era muito mais legal.
- Você cuidou de mim ontem.
- Não o suficiente, não o bastante. - Ele depositou um beijo leve em seus lábios. - Nem de perto o bastante.
- Não é justo você dizer essas coisas aqui e agora. - Lily choramingou.
- Você quer que eu pare? - James perguntou angelicalmente, mas falsamente.
- Sim...não.
Ele riu e deu um último beijo nela antes de se afastar.
- Não é justo comigo também. - Ele comentou com a voz de volta ao normal. Pegou um pequeno band-aid de dentro da caixa e entregou para ela. - Mas você pode terminar de cuidar de mim.
Era difícil lidar com esse ser na sua frente. As coisas podiam ir de 0 a 100 bem rápido...e de 100 a 0 bem mais devagar. Sua cabeça pedia para pular nele ainda, mas tinha que entender que nada podia acontecer ali.
Além do mais, ouvia movimentos no andar debaixo. Sirius parecia ter terminado sua compressa de gelo e sua voz parecia mais perto da escada.
Pegou o band-aid e com cuidado, cobriu o corte.
- Pronto, você está pronto para outra. - Disse enquanto ouvia passos nas escadas e conversas.
James tomou uma distância considerada segura.
- Obrigado.
Sirius já estava no corredor e falava pelos cotovelos. Remus e Alice pareciam discordar com ele.
- Você não terminou a compressa. - Alice reclamou.
- Foi o suficiente, Alice querida. - Sirius respondeu. Em seguida, os três entraram no quarto de Lily. Alice olhou para a amiga com o maior olhar de desculpas. Parecia que a garota tinha feito de tudo para manter Sirius lá embaixo, mas não o quanto queria. - Como está a sua perna?
- Melhorando. Tudo está fazendo efeito. - Lily apontou para James, ainda sentado na cama. - Limpei a ferida e coloquei band-aid no seu namorado.
O irmão e Remus conferiram o rosto de James.
- Muito bem, obrigado. Não quero o rosto lindo do meu amor todo estragado.
- Vocês falam de um jeito tão apaixonado, que eu não consigo distinguir a mentira da realidade, às vezes. - Alice comentou. - De qualquer maneira, adoraria que fosse verdade.
- Er, não, obrigado. - James se levantou da cama. - Eu sou muita areia para o caminhãozinho do Sirius.
- Você sabe que não existe caminhãozinho aqui, James.
Lily e Alice fizeram cara e som de vômito.
- Sua irmã não quer ouvir sobre o seu órgão sexual, obrigada. - A ruiva pediu.
- Nem eu, então vou embora. - Alice acenou para todos.
- E eu vou com você, porque não me interessa essa conversa. - Remus segurou nos ombros de Alice, se dirigindo ao corredor.
- Me levem junto, por favor. - Pediu James se apressando até eles.
Sirius colocou a mão na cintura.
- Poxa, ninguém vai ficar?
- Para falar sobre o seu caminhãozinho? Não! - Remus quase gritou do corredor.
- Ótimo. Vou ligar pra Marlene!
James mandou Sirius fazer algo não muito educado enquanto saía do quarto. Aproveitando que Lily estava em um ponto do cômodo longe do irmão, ele se virou e sorriu para ela como despedida daquele jeito que apenas James Potter sorria.
- Vou tomar um banho. - Ela anunciou dando as costas para Sirius e suspirando de alegria.
No final, o dia não tinha sido de todo mau.
L~S
Saiu do banho sentindo-se quase uma outra Lily, limpa dos pensamentos horríveis, da sensação de estar presa naquele acontecimento de anos atrás.
Sua cabeça agora se ocupava apenas com James e nada mais. Apesar das coisas ruins do dia, outra muito melhor tinha acontecido na noite anterior e naquela manhã.
Colocou seu pijama e saiu para o quarto.
- Eu sei que você é fedida, mas não pensava que precisava demorar tanto assim no banho.
Sirius estava deitado na sua cama, com os pés cruzados no tornozelo.
- Você vai deixar a minha cama fedida, isso sim.
Sorrindo com a resposta, o irmão abriu os braços, um óbvio pedido para que ela fosse até ele. E ela foi. Deitou-se ao lado dele e o abraçou.
Sirius tinha o melhor abraço que ela conhecia. Não contando com os abraços de homens que ela tem uma queda - ou que é viciada -, porque ele teria um grande concorrente. Ele e Orion sempre lhe trouxeram segurança e conforto. Ali, sentia que o mundo poderia estar acabando e nada a atingiria, porque os braços dele seriam um escudo. Sem querer, lembrou da maldita festa, quando Sirius e James colocaram a porta abaixo e ela correu até o irmão, o agarrando. Naquele momento, ela teve certeza que estava a salvo.
- Eu sinto que você não chegou bem da Associação. - Ele comentou. - E não digo apenas da sua perna.
- Honestamente, poderia ser pior.
- Quer falar sobre isso?
O que adiantaria contar sobre George Pettigrew? Nada. Nada mudaria. Aquilo foi apenas uma coincidência, uma bem infeliz, que lhe causou mal estar.
- Estou um pouco sobrecarregada do dia, apenas isso.
Ele a apertou um pouco mais e apoiou a cabeça na dela.
- Eu deveria ter ido com você.
- Nah. - Lily deu de ombros. - Você se divertiu muito mais torcendo o tornozelo e salvando a vida de Remus. Aliás...o seu tornozelo está horrível. - Disse enquanto olhava o inchaço no pé esquerdo do irmão.
- Me diverti muito mais vendo Remus desmaiado e pendurado na corda, mas vamos dizer que o tornozelo teve sua comicidade.
Ficaram em silêncio enquanto Lily continuava a olhar para o tornozelo horrível de Sirius. Apenas aquele bando de caras para chegarem caídos de uma escalada e ainda quererem voltar.
A boa notícia é que com o pé machucado, eles não voltariam tão cedo. Talvez mudassem de ideia.
- Eu recomendo muita compressa gelada. Ajuda. - Disse, por fim.
- Alice me fez uma já, mas vou fazer outra antes de dormir. Não se preocupe.
- Meu deus, e Hogwarts? - Lily, de repente, levantou o tronco.
- O que tem Hogwarts?
- Você não vai poder dirigir. James vai poder nos levar e trazer todos os dias?
Sirius bufou alto e tirou o celular do bolso. Ele puxou Lily de volta em seu braço e ajeitou sua posição, tirando uma foto do seu tornozelo e a perna de Lily. Teclou algumas coisas e largou o celular.
- Claro que ele vai nos levar e trazer. Ele não te deixaria na mão...talvez me deixasse correr a pé atrás do carro, mas com você ele se importa.
Tentou não reagir como sua cabeça pedia: sorrindo como uma louca, ficando em seus joelhos e perguntando se ele achava aquilo mesmo. Mas independente de qualquer coisa, sabia que Sirius falava sobre James como um amigo para ela.
- Isso é ciúmes? Só por ele se importar mais comigo do que com você? - Ela brincou.
- Não sonha, Lily, eu estava brincando. James me levaria nos braços até Hogwarts e te deixaria pegar um táxi.
Não duvidava daquilo também.
Se remexendo para pegar o celular, Sirius desbloqueou a tela. Lily tinha o rosto não longe do aparelho e pôde ver as mensagens que o irmão abriu.
Ele tinha enviado a foto tirada a alguns segundos e logo abaixo:
(20:09) Sirius: Você pode tomar conta desses dois coitados e nos dar carona para Hogwarts?
(20:12) Idiota-de-cabelo-feio: Pra você, o mundo. Já Lily, ela pode se virar sozinha!
Filho de uma boa...
- Ele vai ver só! - Lily estava prestes a pegar o celular e enviar uma mensagem, mas esqueceu que não podia abrir suas mensagens com James ao lado de Sirius. Então pegou o celular do irmão. - Me dê isso aqui.
- Não, sai, você não vai ficar mexendo no meu celular. - Sirius pegou o aparelho das mãos dela novamente e esticando o braço, deixando fora de alcance.
- O que tem aí? - Ela tentou alcançar o aparelho enquanto os dois se debatiam. - Você fica trocando nudes com o seu melhor amigo?
- Se for o caso, você quer ver?!
Eles se davam tapas tentando ter o controle do aparelho.
- Não o seu.
- Bluh, você quer ver nude dele? Pelo amor, é tão nojento quanto... - Sirius arrancou o celular e conseguiu tirar do alcance dela. - Sai daqui, Lily!
Parou de lutar contra Sirius por um motivo: ela não precisava de nudes de James. Ela já o teve pessoalmente.
Com um enorme sorriso estampado ao lembrar da noite passada, deitou de novo enquanto empurrava e afofava o irmão para que ele ficasse em uma boa posição para ela se aconchegar no seu abraço. Sirius não reclamou, apenas deitando e esperando para que ela finalmente ficasse confortável.
- Você não vai mesmo me contar o que houve com você hoje, não é? - Sirius comentou após dois minutos em que ficaram apenas deitados olhando para o teto.
Com certeza não. Falar sobre quem encontrou não estava nos seus planos e nem estariam.
Na verdade, não sabia como o irmão reagiria ao ouvir aquilo ou mesmo se encontrasse com George Pettigrew, mas tinha a leve impressão de que não seria um reencontro cheio de lágrimas, sorrisos e saudades. De alguma forma, Sirius faria aquilo ser sobre Peter e uma bagunça começaria, palavras seriam lançadas...
Não queria e nem iria falar sobre aquilo, mas havia algo que ela podia contar.
- Encontrei uma senhora que se chama Beth. Ela foi super simpática...sabe do que ela me chamou? - Sorriu ao lembrar.
- Do que?
- Pequena Orion Black.
Sirius se mexeu, olhando para ela.
- Ela conhecia o pai?
- Sim. Disse que todos sentem falta dele e que ele falava bastante de nós.
Ouviu a pequena risada contente do irmão quando ele voltou para sua posição, sua mão acariciando seu braço.
- Não somos os únicos sentindo falta dele. - Confirmou Sirius. - Mas pelo menos eu tenho minha Pequena Orion.
Ela se apoiou em um cotovelo e olhou para o irmão.
- E eu tenho o meu Black.
Ele riu, sem graça.
- Vem cá, sua tonta. Descansa.
Lily foi puxada para a posição anterior, se ajeitou ainda mais no abraço dele e fechou os olhos. Em paz.
S~G
A porta do quarto abriu vagarosamente e Geneviève entrou sem fazer barulho, não querendo acordar a filha. Mais o verão se aproximava, mais os clientes pareciam querer fazer compras e precisavam de uma assessora para transformar seus guardas-roupas. Clientes, aliás, que adoravam acordar tarde e queriam fazer tudo aquilo até as 22h.
Mas tudo compensava quando tinha aquela visão no fim do dia - quase fim de noite.
Sirius fez um sinal de silêncio para a mãe. Ele tinha Lily adormecida em seus braços enquanto segurava o celular e tinha fones de ouvido, provavelmente assistindo algo sem poder sair de sua posição para não acordar a irmã.
- Tudo bem? - A mãe perguntou aos sussurros.
- Tudo bem, ela só está cansada. - Sirius respondeu da mesma forma.
A mãe assentiu e seu olhar caiu para a cama. Seus olhos arregalaram em surpresa e se aproximou:
- O que diabos é isso? - Sussurrou mais forte do que deveria enquanto apontava para o calcanhar inchado do filho.
- Um pequeno acidente.
- Sirius! Por favor, você foi ao hospital? Por que não me ligou?
- Estou bem, vai passar logo.
Lily se remexeu com a conversa, mas não acordou. Sirius conseguiu tirar seu braço debaixo da irmã e fechou os olhos com alívio, podendo sentir o sangue voltar a circular ali. Se levantou e cobriu Lily.
- Você está mancando igual a sua irmã. Onde vamos parar? - Geneviève cobria os olhos, descrente.
- Provavelmente vamos esperar a sua vez e mudar o sobrenome da família para os "Lame". Ou os "Limper" se te agradar mais.
Fazendo uma careta brava para ele, a mãe apontou para o corredor, pedindo para ele ir na frente. Sorrindo debochado, ele foi. Mancando e fazendo cara de dor forçada para a mãe, brincando com ela.
Pensando seriamente em puxar a orelha do filho, ela foi até a cama e desligou o abajur. Sorriu ao ver a filha em paz e serena, e saiu do quarto encontrando Sirius a esperando.
- Quer comer pizza de ontem comigo? - Ele perguntou.
- Adoraria.
Era por eles que tudo valia a pena. Sempre valeria.
N/A:
Feliz 1 ano de Wildest Dreams! =D Que capítulo para celebrar isso hehe
Ainda não sei quando vem o próximo, mas vou avisar no Instagram ;) Além de começar a postar logo as curiosidades sobre as fics!
Obrigada pelos comentários de sempre. Não esqueça da review neste capítulo, aliás ;)
Beijos e até a próxima.
