J~L


I wanna be your slave

Eu quero ser o seu escravo

I wanna be your master

Eu quero ser o seu mestre

I wanna make your heartbeat

Eu quero fazer os seus batimentos cardíacos

Run like rollercoasters

Acelerarem como uma montanha-russa

I wanna be a good boy

Eu quero ser um bom menino

I wanna be a gangster

Eu quero ser um gangster

'Cause you can be the beauty

Porque você pode ser a Bela

And I could be the monster

E eu poderia ser o monstro

(Måneskin - I wanna be your slave)


ANTERIORMENTE...

"Puxando-o pelo colarinho, ela voltou a beijá-lo. Ah, aquele beijo. Ela nunca se cansaria dele, era impossível. Quanto mais ela recebia, mais ela queria, mais precisava. Por isso ela não poderia perder as oportunidades que tinha, então começou a empurrá-lo pela ilha da cozinha, conduzindo-os para a lavanderia. Naquele ponto, James já estava longe de parecer uma vítima do ataque surpresa dela, a segurando tão forte que Lily duvidava que pudesse escapar se quisesse ou tentasse.

- Lily, boas notícias!

A voz da mãe vinda do corredor congelou a ambos. Eles se separaram rapidamente enquanto Geneviève entrava na cozinha, parando seus passos logo na porta, parecendo surpresa.

- Mãe, você pode fazer algo com esses amigos idiotas do seu filho? Eles ficam...- Lily riu enquanto se afastava de James. - ...eles ficam me chamando de pato manco e eu sou obrigada a bater neles. - Ela riu de novo.

- O que eu posso fazer se você parece com um às vezes? - James entrou na onda dela. - Desculpa, Geneviève, mas é só brincadeira. Eu faço só para irritá-la, mas depois tenho que me defender.

Geneviève apenas continuou encarando-os por alguns segundos a mais, antes de limpar a garganta.

(...)

- Ele ficou preocupado com a sua chateação ontem e a possível cirurgia. Então ele tomou a liberdade, segundo as palavras dele, de te inscrever na melhor clínica de reabilitação na Inglaterra. Eles são os melhores para todos os tipos de traumas, com o melhor departamento de fisioterapia.

- Sério? - Lily quase pulou no lugar de felicidade.

- Você passará alguns dias lá. O doutor tem certeza que você ainda pode se recuperar sem a cirurgia caso tenha uma fisioterapia mais pesada, mas isso só ocorrerá na clínica. Jon, o seu fisioterapeuta, não teria todos os equipamentos. - Era a melhor notícia que poderia ter nos últimos tempos, um verdadeiro alívio. - A clínica fica em Leeds.

Lily voltou para a mãe, chocada. James abriu a boca, surpreso.

- Leeds?! Não tem uma mais perto? - Ela perguntou.

- Infelizmente não. Eu vou ligar para o diretor de Hogwarts hoje e explicar. Você ficará apenas cinco dias, contando com o fim de semana. Creio que com as notas que tem e a aceitação de Oxford, não fará muita diferença, mas quero garantir que nada prejudique a sua entrada na Universidade.

(...)

Então a ficha, finalmente, havia caído para ela: Lily havia transado com James. Ela não conseguia acreditar, pois dias atrás ela acharia isso impossível, quase cômico. Mas agora...Agora soava certo. Soava perfeito e soava maravilhoso. Estava se sentindo ótima. Não conseguia explicar o motivo, mas algo havia sido diferente. Talvez o olhar dele, os toques...de alguma maneira pareciam verdadeiros. Uma vontade verdadeira, um sentimento de pertencer ali.

(...)

A mãe assentiu e seu olhar caiu para a cama. Seus olhos arregalaram em surpresa e se aproximou:

- O que diabos é isso? - Sussurrou mais forte do que deveria enquanto apontava para o calcanhar inchado do filho.

- Um pequeno acidente.

- Sirius! Por favor, você foi ao hospital? Por que não me ligou?

- Estou bem, vai passar logo.


No dia seguinte...

- INFERNO!

Os olhos de Lily se arregalaram e ela correu como pôde. Sua perna estava quase anestesiada com os remédios que tomou há 30 minutos, então chegou rápido no quarto do irmão.

Sirius estava sentado no chão, os braços apoiados nos joelhos e a cabeça caída. Ele respirava fundo, claramente morrendo de dor.

- O que aconteceu? - Ela perguntou se abaixando ao lado dele.

- Nada. - Ele resmungou.

Aquele era Sirius. Nunca querendo expor a dor, o desconforto real, a tristeza ou o que for. Preferia que as pessoas prestassem atenção nas suas piadas, no seu cuidado, nas suas broncas até. Mas nunca nos seus momentos de fraqueza.

Lily olhou em volta, procurando pelo problema, e não precisou ir muito longe: o tornozelo dele estava enorme e tão roxo quanto uma uva.

Não o viu reclamando de dor ontem, domingo. Ele ficou o dia inteiro deitado e jogando, ou mudando para filmes. Depois jogando de novo. A bunda dele deveria estar quadrada.

- É isso. - Lily levantou e saiu.

- Isso o quê?

- Vou ligar para a mãe. Nós vamos para o hospital.

- Minha bunda que você vai ligar pra ela, Lily! - Sirius gritou quando a irmã já estava chegando no próprio quarto. - LILY!

Pegou o celular que estava em cima da cama quando ouviu um baque no corredor e viu Sirius saindo do próprio quarto, esbarrando e caindo contra a parede.

- Sirius, para de ser idiota.

- Desliga essa merda.

- Você não consegue nem andar, sua anta.

- Porque eu não tomei remédio, então não precisa ligar para ninguém. Eu vou descer e tomar, vou ficar bem.

- O remédio não vai te curar! Alguém precisa ver se não quebrou ou algo assim.

Alguém apareceu no topo das escadas, parando a gritaria dos dois irmãos. James abriu os braços, surpreso.

- Que porra está acontecendo aqui? - Perguntou.

- Coloque juízo na cabeça dele, por favor. - Pediu Lily.

- Na dele e na sua também, não acha?! - James respondeu e se aproximou. - Eu ouvi os gritos da garagem. Por que estão brigando?

- Olha o pé dele! Olha o tamanho desse calcanhar, a cor.

Estava exasperada. Nem sua perna parecia tão ruim quanto aquele tornozelo. Naquele momento, nem poderia imaginar a dor que ele estava sentindo.

Seguindo a mão de Lily, que apontava para Sirius, James tentou esconder a surpresa, mas seus olhos não conseguiram disfarçar o susto.

- Você tem que ir para o hospital. - Disse ele.

- Eu me machuquei dois dias atrás, por isso está tão feio. Eu só preciso tomar remédio e fazer compressa.

Seu irmão era uma anta mesmo. Como ele preferia ficar morrendo de dor ao invés de se curar?

- Bom...- Lily simplesmente disse e começou a procurar o contato da mãe. - Vamos ver o que Geneviève Evans tem a dizer.

- Desliga isso. Não vai ligar para ela por algo assim.

- Me pergunto pelo o quê eu ligaria, se não fosse pelo burro do meu irmão que está machucado e não quer fazer nada.

Ficando entre os dois, James olhou para Lily e meneou a cabeça.

- Não vai adiantar, Sardenta. Sirius vai conseguir contornar sua mãe, dizendo que você está exagerando.

- Mas ele não me escuta. Nem a você, aparentemente.

Dando de ombros, James pegou o próprio celular e começou a ligar.

- Mas vai escutar Marlene.

Sirius se ejetou contra James, tentando pegar seu celular, mas apenas fazendo o aparelho cair no chão, perto de Lily.

- Não! Nem mãe e nem Marlene. - Sirius rosnou e tentou ir atrás do celular do amigo, mas Lily o pegou primeiro.

- São suas duas únicas escolhas. Quem você prefere que eu ligue? - Lily balançou o celular no ar. - Repetindo: são as suas únicas escolhas.

A raiva do irmão era nítida, estava quase ofegante. Sua cabeça deveria estar montando um plano, imaginando o quanto se machucaria se tentasse pegar o celular de Lily ou como conseguiria fugir correndo deles.

Lily e James apenas esperavam, sabendo que ele não tinha para onde fugir.

Finalmente, Sirius revirou os olhos.

- Depois de Hogwarts, então, nós vamos.

- É estudioso agora? - James perguntou e deu um tapa no ombro do amigo. - Fechado. Agora que está tudo resolvido, cadê o café da manhã deste lugar? Eu tô morrendo de fome.

- Você mal nos deu tempo de brigar antes de chegar. - Sirius respondeu enquanto voltava para o quarto. - Eu nem me troquei. Você tem que mudar de relógio, antes de aparecer aqui de madrugada.

Ele entrou no quarto e parecia ir em direção ao banheiro. Os dois que sobraram se olharam.

- Oi. - Lily o cumprimentou com um sorriso contido.

Ele se aproximou.

- Bom dia. - Segurou o rosto dela e a beijou, a prensando contra a parede. As mãos dele a seguraram forte pela cintura, apertando seus corpos... mas ele foi rápido em se afastar. - Precisa de ajuda para descer?

Descer de onde? Do paraíso que aquele beijo a levou?

- Não, obrigada. Mas acho que Sirius precisa.

- Eu vou tomar conta dele. Vai tomar o seu café da manhã, senão vai se atrasar.

Já estava pronta, então ela entregou o celular dele e foi em direção às escadas.

- Vou guardar uma fruta ou duas. Talvez você mereça.

- O que eu teria que fazer para merecer?

Ela se virou para ele.

- Eu realmente tenho que te dizer?!

Recebeu um meio sorriso dele, então se virou e desceu.

L~J

Apesar do tamanho desproporcional, Sirius decidiu usar a muleta de Lily. Era ridículo, na verdade. Seu irmão tinha um pouco mais de 1,80m e a muleta era para alguém de 1,65m, como ela. Parecia mais uma bengala do que qualquer outra coisa.

Mas ele não ouvia ninguém, ouvia?

- Você parece a minha vó. - Disse James ficando ao lado do amigo enquanto iam até o carro. Ele até poderia parecer despreocupado, mas Lily sabia que James estaria pronto para segurar Sirius caso esse caísse. Ou tentasse fugir.

- Sua avó era gata, eu me lembro.

- E corcunda no final da vida. - James abriu a porta de trás e Lily estava pronta para entrar, quando ele levantou a mão. - Sirius vai atrás.

- E eu pensando que estava abrindo a porta para mim. - Ela riu.

- Eu posso abrir a porta da frente para você, caso queira, mas vamos deixar o tonto do seu irmão com o pé para cima. Você vem comigo.

Adorava o fim daquela frase que até podia não ter duplo sentido, mas ela decidiu que teria mesmo assim.

- Não vou reclamar.

- Eu vou! - Sirius se intrometeu. - Odeio ir no banco de trás. Eu passo mal.

- Mentiroso. Vai, coloca esse pé para cima. - Com cara feia, Sirius entrou com a muleta quando o amigo apontou para dentro do carro e deitou no banco de trás. Em seguida, James abriu a porta da frente para Lily. - Senhorita, por favor.

Ela entrou com um sorriso vitorioso. Ele fechou a porta sorrindo de volta para ela.

- Você vai me pagar. - Sirius começou a reclamar do banco de trás enquanto James ainda dava a volta. - Eu não preciso de hospital.

- Precisa sim. - Lily retrucou.

- Não preciso, não.

- Precisa sim.

James entrou enquanto ambos continuavam a discutir. Fechou a porta e suspirou.

- Vamos combinar assim: eu dirijo e vocês dois não falam. O que acham?

- Impossível. - Sirius respondeu.

- Para ele, é mesmo. Mas se ligarmos o rádio bem alto...

Lily aumentou o volume, quase estourando as caixas acústicas. Olhou para cada um deles, confirmando que estava tão ruim para eles quanto para ela, mas impediria Sirius de ficar reclamando o caminho todo.

Quando saíram da garagem, confirmou que aquela não era a manhã de segunda-feira ideal: além do rádio alto e o seu irmão rabugento no carro, estava um trânsito horrível.

E James ao seu lado, sem poder olhar ou tocar. Mas teria que viver com aquilo por alguns minutos.

Ela olhou pelo retrovisor, tentando ver o irmão. Sirius mexia no celular, com um bico do tamanho de uma tromba.

- Sirius! - Ela chamou em um tom de voz normal. Ele não respondeu.- Sirius. - Tentou um pouco mais alto. Nada. O irmão estava completamente surdo com a música, mas James parecia perto o bastante para ouvi-la. - Ótimo, ele não nos ouve.

- Soube que Marlene estava com um outro cara em Oxford, toda apaixonada. - Tentou James. Sem resposta. Ele continuava emburrado e com o rosto enfiado no celular. Seu pé saudável até batia no ritmo da música. - Não, ele não está ouvindo.

- Então podemos combinar o armário do dia?

Aquilo fez James rir. Ele ainda olhou pelo retrovisor, na direção de Sirius, antes de responder.

- Talvez um com mais espaço seria interessante. - Ele respondeu.

Espaço era algo que eles precisavam, com certeza. Especialmente neste novo nível de interação que entraram.

Muito espaço era necessário, mas isso poderia ser fácil de resolver. O problema era achar tempo, algo que sempre faltava para eles nos dias de semana.

- Você não tem um lugar em mente? Algum que você tenha usado e tal?

- Eu não sou muito adepto de armários...fiz isso até os meus 15 anos.

- E como você sempre fez desde então?

James lançou um olhar pelo retrovisor novamente. Sirius continuava com a tromba e o celular.

- Eu não precisava ou...apenas saía depois de Hogwarts ou algo assim.

Ah, claro. James não precisava se esconder, nunca precisou. Ele flertava, curtia, beijava e saía com qualquer pessoa quando quisesse, sem precisar marcar horários, fugir, se esconder.

Abaixou a cabeça, sentindo-se um pouco mal, envergonhada. Viveu um inferno nos últimos anos tendo que fazer tudo escondido, com hora marcada, que até esquecia que a maioria das pessoas não precisava fazer nada disso.

E James, agora, entrou na dela. Viveu livre, apenas até dar um tilt na sua cabeça e começar algo doido com a irmã do melhor amigo, tendo que fazer as coisas daquele jeito.

- Desculpa por isso.

Viu pelo canto do olho que James se virou rápido para ela, surpreso.

- Por que está pedindo desculpas?

- Pela posição que eu te coloquei.

Ele meneava a cabeça, inconformado. Conferiu o retrovisor novamente

- Eu vou fingir que eu sou Sirius e não ouvi nada disso. - Disse ele. - Tudo está ótimo. - Se virou para ela e piscou. - Tudo.

Movimentos no banco de trás os alertaram, cortando a conversa.

- Olha isso. - Sirius disse e colocou o celular na frente de James.

- Ele está dirigindo! - Lily se afobou.

- A 20km por hora.

James pegou o celular do amigo e conferiu, enquanto desviava os olhos para o trânsito de tempos em tempos.

- Escalada externa? - Ele leu alto.

- Claro, porque cair em um colchão não foi o suficiente, agora você quer cair nas pedras? - Lily se virou para o irmão. - Mal voltou inteiro de algo interno, Sirius.

- A chata entrou no chat. Vai cuidar dos seus hobbies. - Ele a dispensou com a mão antes de virar para James. - O que acha?

Lily reparou que James tinha uma ruga entre as sobrancelhas, pensativo. Ele levou alguns segundos para responder, e quando respondeu, foi bem longe do esperado:

- Por que você não fala direito com a sua irmã? Ela só está preocupada com você.

Aquilo obrigou os dois irmãos olharem para James em choque. Ele olhou para eles de volta, sem entender.

- Que porra foi essa? - Sirius perguntou ao começar a rir.

- Não se preocupe, Descabelado. Eu sei que Sirius não é esse idiota que aparenta ser...não na maioria das vezes.

- Ele ainda poderia falar de outro jeito.

- Você está de sacanagem? Eu estou apenas falando com a minha irmã intrometida.

- Você se intromete na vida dela o tempo todo. - James rebateu.

- Não me intrometo sobre para onde ela vai.

- Há, isso é sério?! - James exclamou, irônico.

Lily começou a procurar algo na mente para interromper aquela discussão antes que as coisas pegassem um outro caminho.

- Sabe o que eu acho? - Ela disse mais alto do que eles, diminuindo o som do rádio. - Que vamos te levar agora para o hospital, o que acha? Vou pedir para o médico te dar uma marretada na cabeça, me dar uma pausa.

- Não precisa de médico para isso. - James resmungou.

- Vocês dois não tem piedade para alguém com tanta dor como eu. - Sirius se jogou de volta no banco.

O drama estava instaurado. Sirius odiava ser o coitado que precisa de ajuda, mas quando deixava isso de lado, era o pior paciente da face da terra. Um cara doente já era insuportável, mas o irmão conseguia fazer a coisa três vezes pior.

E com ele respirando na nuca, nenhuma outra conversa foi iniciada no carro. Em Hogwarts, Remus os esperava no estacionamento. Ele levou a mão à testa ao ver Sirius sair do carro com a mini muleta.

- Não pergunte. - Disse Lily dando um beijo em Remus. - Apenas...tome conta desses dois, por favor.

- É muito legal da sua parte me deixar com eles.

Ela deu de ombros e foi em direção a Alice. Não tinha nem uma aula com a amiga naquele dia, então tinha que ser rápida ao encontrá-la.

- Veio no banco da frente do seu querido. - Alice brincou quando Lily se aproximou. - Já está nesse nível, deixando Sirius no banco de trás?

- O tonto do meu irmão só está cheio de dor e precisa ficar com o pé para cima.

- Sei, claro. - Alice continuava com aquela cara zombeteira. - Quem deu a ideia dessa troca de assentos? Você?

- Não, James.

- Hmmmm. Então o seu querido quem quis te trazer no banco da frente. Me diga, ele tentou tocar na sua perna, pegar algo do porta luvas e roçar em você?

Lily revirou os olhos, mas riu.

- Não, ele não é louco. Nem eu.

- Pena. Essa coisa toda está queimando tão devagar, meu deus.

Olhando ao redor, conferindo que os três caras ficaram para trás e não havia perigo ao redor, Lily se aproximou ainda mais da amiga, fazendo Alice franzir as sobrancelhas.

- Eu não diria isso.

- Não? Eu acho que vocês estão bem lentos.

- Tão lentos que eu preciso que você confirme com qualquer um, caso alguém pergunte, que eu dormi na sua casa de sexta para sábado.

A boca de Alice caiu. Ela também olhou para os lados, querendo ter certeza de que estavam parcialmente sozinhas.

- LILY! - Ela gritou, empolgada. - Vocês...vocês finalmente...?

- Sim!

Alice queria gritar, dava para perceber. Lily entendia, era estranho pensar que tinha dormido com James, alguém que ambas conheciam por tantos anos.

- E você nem para me falar? Passamos a tarde do sábado juntas naquela Associação, ficou me escutando lamentar pela encheção de saco da mãe de Frank...enquanto você escondia essa informação crucial?

- Eu estava digerindo tudo ainda, além de ter discutido com ele sobre falarmos para Sirius e tal. - Ela balançou a mão no ar, abafando o caso. - De qualquer maneira, eu já digeri a informação e a sua cara ao receber a notícia foi bem boa agora que você está com menos raiva de Frank e aquela coisa toda com a mãe dele.

- Tenho certeza que a minha cara não te decepcionou. - Alice dizia enquanto dava uma cotovelada na amiga. - E então? Qual o veredicto?

Poderia usar tantos adjetivos, que estava difícil escolher. A questão era que a noite de sexta foi um pouco mais do que sexo com James e não conseguiria apenas dizer que James era bom no que fazia e a fez feliz de mil maneiras.

- Foi o que deveria ser, como duas pessoas que querem muito, deveriam fazer. - Ela sorriu ao se lembrar. - Eu nunca estive tão bem com alguém nesse quesito antes, Lice. Foi...foi natural, foi bom, foi prazeroso do começo ao fim. Não houve momento algum onde eu me preocupei sobre o que eu fazia, sobre o que ele podia achar de algo. E quando eu travei por coisas do passado, ele me assegurou de tudo...então foi...foi tudo o que deveria ser, tudo o que eu poderia pedir.

Via que a expressão de Alice tinha mudado de sacana para compreensível, feliz. A amiga a abraçou pelos ombros.

- Eu acho que foi uma ótima resposta. Confesso que estava esperando por algo "Alice, ele me virou do avesso, quebramos a cama, abrimos uma buraco na parede", mas eu estou ainda mais feliz pela sua descrição. Você não tem ideia.

- Eu também estou feliz por poder dizer isso.

Continuaram o caminho para o prédio da primeira aula de Lily. Alice parou na porta, deixando espaço para os outros alunos passarem.

- Então me diga: o que vai ser a partir de agora?

Viu James, Sirius e Remus do outro lado dos jardins indo em direção a um outro prédio. Assistiu os três enquanto conversavam e riam, indo lentamente por conta de Sirius. Manteve os olhos em James, assistindo-o.

Engraçado como as coisas mudam quando você está tão encantada, viciada por alguém. Cada pequeno gesto, desde os mais simples, se tornam algo charmoso: o jeito de andar; como fala; a maneira que mexe nos cabelos de vez em quando, jogando os fios que caem em sua testa e olhos, para trás.

Virou para Alice quando os três entraram no prédio. A amiga a observava com aquele sorriso de sabe-tudo.

- Não sei o que vai ser a partir de agora, prefiro deixar as coisas rolarem. Mas talvez as coisas continuem rolando por um bom caminho.

Ou assim esperava.

L~J

Não tinha sido fácil trazer Sirius até a clínica. Mesmo tendo concordado mais cedo, Sirius tentou fugir - literalmente - após as aulas. O infeliz simplesmente disse que precisava ir ao banheiro e correu até o portão, tentando uma carona para casa com alunos desconhecidos. Sorte que Remus e James perceberam o sumiço dele e foram atrás.

No final, ele ficou com tanta dor depois dessa pequena aventura, que quase implorou para ser levado para o hospital quando os amigos o encontraram, o que ajudou no caminho até ali.

A sala de espera da clínica estava um pouco cheia. James e Lily estavam um pouco afastados de todos enquanto esperavam por ele.

Havia um grupo de amigos não muito longe deles, sendo dois casais. Eles riam e pareciam alterados por algo que Lily não se importou em saber. Contanto que ficassem na deles, não teria problemas.

Um dos casais estava quieto. A garota parecia triste, enquanto o garoto tinha um ar de superioridade. Lily se lembrou de algumas brigas que teve com Edgar às vezes, onde ela estava chateada, sem saber o que fazia com ele ainda - apesar de querer fazer aquilo dar certo - e Edgar sentia que não havia feito nada demais.

Que loucura. Não passaram-se anos desde que terminou com ele, mas já tinha aquela sensação de querer estrangular a Lily daquele tempo, querendo saber o por quê de insistir naquela relação.

- Vai ser uma tarde divertida. - Ela comentou ao escorregar um pouco pela cadeira, deitando a cabeça contra a parede.

James apenas confirmou com um "hm" enquanto ainda olhava ao redor, parecendo distraído. Ele também lançava olhares curiosos e incômodos para o casal. Eles pareciam os únicos incomodados com aquela dinâmica, enquanto os amigos do casal estavam alterados demais para prestarem atenção.

- No que pensa tanto? - Ela perguntou.

- Nada. - ele respondeu sincero.

- Parece com a cabeça nas nuvens.

James estalou a língua, sem querer dar muita importância.

- Podemos dizer que sim. Apenas pensando em coisas do passado.

Aquilo a intrigou.

- Tipo o quê?

James apoiou os cotovelos nos joelhos, dobrando e desdobrando um papel de bala. Ele observou o casal do outro lado da sala novamente, antes de baixar o olhar, o maxilar trincado de raiva.

- Prewett foi legal com você?

Ele queria falar sobre Gideon? Do nada?

- Como assim?

- Você perdeu a virgindade com ele, não? Quando você tinha 15 anos.

A conversa estava ficando cada vez mais estranha, mas a fez rir.

- Por que estamos falando disso?

Ele voltou a se recostar na cadeira, ainda sem deixar de dar atenção total ao papel entre os dedos. Lily o assistiu dobrar, girar, amassar, desdobrar novamente.

James olhou para o casal novamente antes de respondê-la.

- Pelo pouco que sei sobre Bones, eu só posso imaginar que você teve uma experiência bem bosta com ele. Então me peguei pensando se Prewett foi tão bosta quanto.

- Mas...- Sua cabeça estava confusa. - Qual o interesse nesse assunto agora?

Novamente, ele olhou para o casal do outro lado da sala. Era tão claro o quão desconfortável ele estava, até mais do que ela, diria.

- Me dá um pouco de raiva pensar nisso. Você transou apenas com os dois, certo? Se você teve uma experiência merda com os dois, eu acho que há mais idiotas por aí do que eu imaginava.

Ela riu. James a olhou de lado, uma sobrancelha levantada.

- Ai Descabelado, você me faz rir.

- Estou vendo. - Ele respondeu sem todo o humor dela. Lily parou de rir ao ver que ele falava sério.

- Olha, não sei como isso pode ser interessante, mas não. Gideon não foi um bosta, apesar de ter sido a minha primeira vez e não ter sido a melhor coisa da vida. Mas se falamos dele, do cara que estava lá, então não. Foi bem tranquilo.

Ele assentiu, voltando a mexer com o papel.

- Que bom.

- Aliás, eles não foram os dois caras com quem eu transei. - Ela sorriu. - Há um terceiro agora. - Viu quando um sorriso leve apareceu. Aproveitou a deixa para tentar tirar o peso da conversa. - Como foi com você?

- Minha primeira vez?! Horrível!

Lily levantou as sobrancelhas, surpresa. Até sentou-se melhor na cadeira.

- Sério? Por quê?

- Foi com uma garota mais velha, com experiência e...ela devia esperar coisas de mim que eu não sabia que ela esperava. Foi rápido e constrangedor no final. Bom, ela saiu feliz, se é que você me entende...eu também, mas com a moral no chão. Ela ficou me guiando e eu me senti um idiota.

- Não deveria se sentir assim, ninguém nasce sabendo.

- Não, mas o orgulho não se importa com isso, certo? A única coisa boa é que não era a primeira vez dela, então eu fui só um cara inexperiente que ela saiu uma vez. Espero que ela não se lembre mais disso. - James riu.

- Você não a encontrou mais? Talvez depois de um tempo, querendo inflar seu ego e mostrar que as coisas mudaram?

- Eu não tenho contato, nunca mais a vi. De qualquer maneira, não importa. Aquele dia me deu uma lição: se quiser fazer algo corretamente, se lamentar não vai ajudar. Corri atrás do prejuízo.

- Certo. Saiu por aí treinando com uma galera.

- Não, não com uma galera. Eu fiquei com uma garota por alguns meses...

- Ficou?

- Não seriamente, não estávamos namorando...mas ficávamos várias vezes. Deu para aprender. Ela era mais velha também.

Certo, o estilo James Potter de se relacionar. Nada nunca era sério, nunca era namoro. Apenas "algo". Tão sem importância, que ela mesma não lembrava de vê-lo com alguém. E agora, com toda uma bagagem nas costas, ele viciava as garotas no que ele fazia - o que era muito bom, aliás. Seu tempo de treino foi muito bem feito - e depois as deixavam querendo mais.

Quando aquilo acabasse, só ela sabia o quanto sentiria falta de tudo.

- Eu vejo.

- Mas tudo isso apenas para dizer que estou aliviado que Prewett te deu algo decente.

- Não posso reclamar, de verdade. Apesar de que preferia ter treinado com ele ao invés de Edgar, mas Sirius afastou o coitado.

James não respondeu de imediato, levando seus segundos. Lily se desencostou da cadeira, colocando o corpo para frente, sem ter contato visual com ele.

- Foram tempos complicados...para todos nós.

Não precisou dizer algo, pois James sabia que ela concordava. Naquela época, todos eles ainda se recuperavam de Pettigrew...

- Não importa mais. - Lily disse colocando um pouco mais de alegria naquela conversa um pouco mórbida. - O que importa é o presente.

- E o presente está bem interessante.

Se virou para encará-lo. Ele sorriu sem vergonha alguma, colocando um braço no encosto da cadeira dela.

- Fico feliz que ache isso. - Ela comentou.

- Ah, eu acho. Espero que seja o mesmo para você.

Ela deu de ombros e se virou para frente, o provocando.

- Não tenho do que reclamar.

Ouviu a risada dele.

- Talvez isso seja um indício de que tenho que melhorar?!

- Interprete como quiser. - Continuou a provocação, tentando esconder o sorriso.

- Desculpe pelos diversos orgasmos da última vez. De quantos você precisa? Há um número?

Sorriu mais, ainda sem olhar para ele.

- Nas atuais circunstâncias, um já estava bom para o dia de hoje. Aceitável, vamos dizer assim.

- Um?! Você sonha tão pequeno, Lily.

- Estou indo de acordo com a realidade. Um já é melhor do que nenhum, no meu ponto de vista.

A mão dele pousou em suas costas e seu corpo arrepiou de imediato. Era apenas um toque, algo simples e aceitável em público, mas o suficiente para fazê-la fantasiar.

- Uma pena meu pai ter um laboratório e ter me ensinado tanto sobre regras de higiene no meio médico. Senão, mudaríamos esse placar.

- Sem orgasmos no hospital então. - Ela disse.

- Sem orgasmos no hospital.

A porta da emergência abriu e Sirius saiu acompanhado de um enfermeiro que o empurrava em uma cadeira de rodas. O pé estava enfaixado e a tromba de descontentamento era ainda maior do que naquela manhã.

Sirius Black estava bem contrariado e Lily já imaginava o quão manhoso ele ficaria por dias.

- Tenho que ir atrás de uma muleta do meu tamanho. - Reclamou assim que levantou e se apoiou na muleta da irmã. Agradeceu o enfermeiro e foi mancando até a saída.

James olhou para Lily e revirou os olhos, sabendo que seriam longos dias com Sirius reclamando toda hora.

- Preparada para isso? - Ele perguntou alto o suficiente para que Sirius ouvisse.

- Para isso, fui bem treinada. É só ignorar.

- Vai a merda! - Sirius respondeu.

Aí, ela amava tanto aquele crápula.

L~J

I love you since this morning

Eu te amo desde essa manhã

Not just for aesthetic

E não só pela estética

I wanna touch your body

Eu quero tocar o seu corpo

So fucking electric

Eletrizante para caralh*

-/-

I wanna be a champion

Eu quero ser um campeão

I wanna be a loser

Eu quero ser um perdedor

I'll even bе a clown

Eu vou até ser um palhaço

'Cause I just wanna amuse ya

Pois eu só quero te entreter

Terça-feira chegou e, com ela, um pouco de dor.

Mas dessa vez, era dor de cabeça. Sirius acordara naquela manhã com toda a bateria de volta, não querendo ser mais o coitado do paciente, e não parava de falar desde que encontrou qualquer pessoa na casa.

- Não impede nada, mãe. - Sirius reclamava no meio do café da manhã.

- Claro que impede, Sirius. Você não vai conseguir pisar no pedal toda hora e melhorar dessa contusão.

- Apenas pare de reclamar. Uma semana sem dirigir vai te matar? - Lily perguntou.

- De tédio. - O irmão respondeu.

- Estou há meses assim e ainda não morri. É chato, insuportável depender dos outros, mas é só uma semana.

- Vamos pagar o combustível para James e qualquer outro problema que ele venha a ter com o carro. - Geneviève dizia ao mexer na bolsa.

- Eu já disse para ele e o idiota me mandou tomar no...

- Sirius! - A mãe o impediu de continuar a frase. - Eu vou falar com ele depois ou ligar para Euphemia e explicar a situação.

- Mãe, ele tem 18 anos. Não precisa ligar para a mãe dele.

- Talvez eu precise.

Sentou para finalmente começar a comer, deixando essa história entre o irmão e a mãe, mas falando no diabo, ouviu a porta da frente abrir. Olhou para o relógio e quase riu. Nem sua mãe tinha saído de casa ainda e ele tinha chegado.

James vinha cada vez mais cedo, mas eles nunca tinham sorte. Coincidentemente sempre havia alguém por perto agora, sendo que antes disso tudo, Lily estava sempre tomando café da manhã sozinha.

- James, querido. - Geneviève agarrou o braço dele quando o coitado colocou apenas um pé dentro da cozinha. - Tão cedo, até parece que sentia que eu precisava falar com você.

- Falar comigo?! - O tom receoso dele não escapou de todos eles. - O que houve?

- Está se sentindo culpado por algo? - Sirius perguntou com um sorriso enorme. - Anda aprontando e não me contando? Pior: não me levando junto?

- Não dê ouvidos a ele, querido. Preciso falar com você sobre as caronas que tem dado para os meus filhos errantes.

- Algum problema com as caronas?

Lily viu que James evitou olhar diretamente para ela, não querendo mostrar sobre a verdadeira preocupação dele: terem descoberto o que ele tem feito com ela.

- Nenhum. Na verdade, quero ver com você sobre o combustível, os gastos e tudo mais.

- Geneviève, isso é sério? Eu falei para Sirius que isso não é problema algum. Eu tenho que passar na frente da casa para ir para Hogwarts de qualquer maneira. É só uma pausa. Além do mais... - James foi até o balcão e pegou um pedaço de maçã da tigela de Lily. - Eu estou sempre comendo do café da manhã deles, por muito tempo já.

- Isso está longe de pagar tudo o que tem feito.

James pegou outro pedaço de maçã e desviou da falsa garfada que Lily o ameaçou.

- Minha mãe ficaria chateada se eu aceitasse qualquer coisa. Eu tenho certeza que você não aceitaria que a gente pagasse qualquer coisa se fosse o contrário.

Geneviève deixou os ombros caírem.

- Não, eu não aceitaria.

- Aí está. - Ele pegou um kiwi e se afastou quando Lily rosnou para ele. - Tudo acertado.

- Viu? Eu disse. - Sirius virou o último gole de café. - Eu vou me arrumar, já volto.

Os outros três assistiram o garoto sair com a sua muleta da cozinha. Lily voltou a atenção para as frutas.

- Talvez um jantar. Eu posso oferecer um jantar para você, o que acha? - Geneviève continuou.

- Não há necessidade. - James voltou a dizer.

- Para você e seus pais. Seria um prazer. Eu tenho trabalhado tanto e não falo com a sua mãe há semanas.

- Ela ficaria feliz, mas não caso você queira pagar por algo.

- Apenas um jantar.

Ouvia a conversa dos dois em suas costas. Verificou algumas coisas no celular por alguns instantes, até James aparecer no seu campo de visão. Ele parou do outro lado do balcão, ainda falando com a sua mãe, mas também podendo ter um olho em Lily.

Levou o garfo a boca e sorriu para ele, enquanto James tinha um rosto inexpressivo ao conversar com Geneviève. Ele desviou o olhar para ela por um segundo e Lily mordeu o lábio, secando-o com os olhos. James voltou os olhos para a matriarca, tentando ignorar Lily.

Com a outra mão, Lily segurou a gola do vestido de tecido fino que usava, puxando-a para os lados, como se estivesse com calor. James olhou para ela de novo e engoliu, desviando novamente.

Geneviève disse algo que o fez rir. Ele olhou para Lily novamente e ela continuou a chamar sua atenção para a sua gola. James fechou os olhos e virou o rosto para sua mãe.

- Eu vou falar com ela. - Ele disse, enfim, abaixando a cabeça para não olhar para Lily. Preferiu deixá-lo em paz e voltou para a sua tigela.

A cozinha caiu em silêncio. Lily olhou para ele e depois virou para trás, conferindo se a mãe ainda estava ali. E estava. Geneviève tinha a bolsa pendurada no ombro e olhava para os dois, parecendo pronta para ir, mas com algumas palavras penduradas, prontas para saírem, mas sem saber como.

- Acho que vou indo. Erm...trabalhar. Fora de casa, sair. - A mais velha disse. - Eu estou saindo de casa.

Lily quase juntou as sobrancelhas, estranhando.

- Normalmente é onde você trabalha: fora de casa.

- Sim. - A mãe riu. - Estou indo então. Até mais, crianças.

- Até mais. - Os dois responderam.

Ela deu as costas e estava quase saindo quando disse, sem se virar:

- Estou indo. - Ela fez uma pausa. - Mas Sirius está lá em cima.

Ela coçou a nuca, um pouco sem graça, e assim saiu.

- Booom...- James começou. Lily ainda tinha os olhos estáticos na porta da cozinha. - Ela sabe!

Se virou tão rápido, que quase caiu do banco.

- Ela sabe. - A ruiva confirmou. - Ela sabe, ela sabe muito.

- Ela sabe de algo, não diria que "sabe muito". Ou, no mínimo, desconfiada. Quando ela entrou aquele dia na cozinha, foi muito azar. Não sabemos até onde ela viu, mas algo ficou explícito.

Enfiou as mãos nos cabelos, empurrando o prato de frutas para o lado.

- Estamos ferrados. - Disse a ruiva.

- Por quê?

- Porque minha mãe sabendo, ela...ela...não sei. Pode acontecer tanta coisa.

- Ela me pareceu ok. - James deu de ombros e pegou o prato dela, enfiando uma uva na boca. - Se aquela coisa de Sirius estar lá em cima foi uma dica para tomarmos cuidado, então eu não vejo problema. Duvido que ela falaria algo sem saber se pode ou não.

Não sabia o que pensar. Não queria que sua mãe soubesse, especialmente por Sirius também não saber. Esconder das pessoas o que tinham era uma coisa, mas esconder só dele era outra.

- Imagino que você não tem aquela caneta do M.I.B, onde podemos apagar a memória dela, não é?

- Infelizmente não. - Ele terminou as frutas e veio em sua direção. Lily ainda estava sentada e James se colocou entre suas pernas. Segurou o rosto dela com as duas mãos querendo toda a sua atenção.- Mas não se preocupe com isso, está tudo bem. Podemos ver como uma aliada ao invés da nossa inimiga.

- Você acha?

- Claro! - Ele deu aquele sorriso preguiçoso dele que a deixava tudo, menos preguiçosa. - Pensa nesse jantar que ela quer propor para os meus pais...- Ele aproximou os lábios de sua bochecha. - Aquela bendita mesa do jantar, você sentada do meu lado, uma toalha longa...

Fechou os olhos, lembrando do jantar em que ela brincou com ele embaixo da mesa. James estava tão tenso, tão perdido com tudo o que acontecia naquela época...nem parecia o mesmo cara que estava na sua frente hoje.

- Certo, estou te ouvindo. - Ela respondeu. Ele virou o rosto dela, passando os lábios do outro lado.

- Eu acho que seria justo ser a minha vez. O que acha?

- Eu acho que você pode fazer o que quiser comigo embaixo da mesa.

Sentiu o sorriso que ele abriu contra a sua pele. Os lábios dele começaram a ir até seu ouvido.

- Isso é uma informação muito, muito interessante. Você não faz ideia.

- Sério?

Ele se afastou. Se afastou e sem responder. O infeliz se afastou, deixando-a pendurada naquela vontade.

Poxa, nem um beijo?

- Eu vou conferir se o pato manco do seu irmão precisa de ajuda. - Ele deu as costas, pronto para sair da cozinha.

Mas que diabos?!

- James Potter! - Ela o chamou. O tom estrito que usou o fez parar e olhar para ela, apesar de estar claro o quanto ele estava se divertindo.

- Sim?

- Volte aqui, por favor.

Apesar dos pesares, ele tentava não sorrir com o descontentamento dela. James estava prestes a perguntar o que ela queria, mas Lily apenas o puxou pela nuca e o beijou do jeito que estava esperando. Não teve uma resposta negativa, apenas um beijo perfeito de volta.

Foi Lily que o soltou dessa vez.

- Agora você pode ir ver o seu namorado.

James bufou uma risada, coisa que ele adorava fazer, e saiu da cozinha.

L~J

Foi no banco da frente novamente, amando aquele arranjo. Sirius nem reclamou do banco de trás dessa vez, deitando e colocando seu pé para cima e deixando todos em paz até Hogwarts.

Quando chegaram, Alice esperava com Remus e Frank no estacionamento. Estranho, o casal nunca estava ali.

- Aí está você. Demorou um século. - Alice disse ao lado da porta enquanto Lily saía do carro. - James é lerdo.

- Desculpa? Estamos no horário, cinco minutos adiantados, aliás.

- Blá blá blá. Vem, Lils. Temos muito para conversar.

- Temos?

Foi arrastada pela amiga, se afastando dos caras.

- Algo de interessante aconteceu? - Alice jogou logo a pergunta.

- Em que sentido?

- Sei lá, rolou de novo?

- Não, Alice. A coisa não é tão simples assim, sabe? Temos que arrumar tempo, lugares e tudo mais.

Parecendo uma espiã que estava pronta para entregar o maior segredo do mundo, Alice se aproximou de Lily.

- Então eu tenho algo para você.

- O que seria?

Tirando um molho de chaves da bolsa, Alice a entregou.

- Cada chave, tem uma etiqueta dizendo de onde é.

Estranhando, Lily pegou o molho de chaves e começou a olhar cada uma: armário teatro, armário segundo andar, almoxarifado vestiário, armário cantina...

Levantou os olhos para Alice, perplexa.

- Não me diga que você tem uma cópia das chaves dos armários da escola para se encontrar com Frank!

- Ah sim, eu tenho. É do Frank, aliás, mas eu consegui surrupiar ontem.

Meu deus. Sua melhor amiga era a maior conhecedora de "armários para se pegar" em Hogwarts que conhecia. E nunca tinha contado.

Mentira, se corrigiu. Lembrou que tinha sido Alice quem disse para se encontrar em um armário com Edgar uma vez...foi também Alice quem lhe deu a oportunidade no armário do teatro na semana passada com James.

Mas ainda sim!

- Você me surpreendeu em níveis que não saberia dizer.

- Nós todos temos uns segredinhos, certo? E eu estou compartilhando o meu. - Apertou as mãos da amiga com as chaves. - Fique com você, eu não preciso nos próximos dias, mas você precisa.

- Alice, você é a melhor amiga que alguém pode ter, sabia disso?

- Não são todas as amigas que dão chaves para encontros em armários, verdade.

- Hmmmmmmm...

Elas viraram para onde aquele som vinha. Lily, imediatamente, sentiu seu rosto cair.

Edgar Bones estava apoiado na parede não muito longe delas, completamente escondido por um arbusto.

- Sério que agora você escuta as conversas das pessoas que não te convidaram a participar? - Alice perguntou.

- Foi apenas coincidência. - Ele sorriu e se desencostou da parede. - Como vão, garotas?

- Pior agora do que antes. - Respondeu Lily. - Vamos, Alice.

Passaram por ele. Não estava nem um pouco afim de discutir com aquele traste agora.

- O seu irmão sabe que você está se encontrando com alguém? Eu diria que não. Se precisa de armários para isso, deve ser segredo.

Lily parou seu caminho. Alice tentou puxá-la, mas a ruiva travou.

- Acredite em mim que, ele sabendo ou não, está muito mais feliz ao ter certeza que não é com você.

- Não sei, não. - Ele se aproximou. - Fico aqui me perguntando quem ele preferiria: eu ou alguém próximo demais?

Tentou manter o rosto ilegível. Sua boca tremeu um pouco, mas se esforçou mais para não entregar nada.

- Ele preferiria até o diabo a você, se quer saber. - Respondeu.

Edgar sorriu de lado.

- Veremos.

Assim, ele deu as costas e foi em outra direção. Lily ficou parada, congelada em seu lugar. Seu coração estava disparado e lamentava de não ser pelos mesmos motivos dos últimos dias.

- Ele está blefando, Lils. - Alice comentou ao seu lado, entrelaçando o braço da amiga e a puxando.

- Você acha?

- Ninguém aqui sabe o que está acontecendo, além de mim.

- Eu acho que há algumas pessoas desconfiadas.

- Ninguém maldoso, ninguém da escola que não importa.

Isso era verdade. Pensou em Remus, Marlene, sua mãe...bom, ninguém que usaria aquela informação contra eles e que Lily sabia que não causariam problemas ou deixariam de ajudá-los.

Relaxou. Edgar deveria pensar que criaria o caos com aquela conversa, querendo deixá-la preocupada ou triste.

Bom, não seria ele quem a desencorajaria, mas teria que ser mais vigilante e precavida.

L~J

(12:29) Descabelado: Se escondendo de mim?

Se encontrava na biblioteca naquela tarde. Gostava de estudar nos jardins ou até mesmo na cafeteria, mas não poderia mentir sobre como sentia-se sobre a conversa com Edgar.

No almoço, comeu com Alice em uma sala vazia. Durante as aulas ou troca de salas, evitou passar por lugares onde poderia trombar com James ou até o próprio Edgar. Sabia como seu rosto poderia traí-la ao ver James por aí, então quanto menos combustível para um fogo que Edgar queria criar, melhor.

Olhava pela décima vez a mensagem enviada que não teve coragem de responder até agora. Porque, de certa forma, ele tinha razão: ela estava fugindo um pouco dele, apesar de não ser pelos motivos errados.

Não o deixaria esperar por muito mais, senão era capaz dele entender tudo errado.

(15:16) Lily: Um pouco. Apenas não quero deixar mais pessoas desconfiadas.

Optou pela verdade. Não precisava contar que Edgar estava envolvido nisso, mas era a verdade.

(15:17) Descabelado: E se eu te achar, o que vai fazer?

Aquilo a fez rir um pouco.

(15:17) Lily: Você teria que me achar para descobrir.

Colocou o celular dentro da bolsa e se forçou a voltar aos estudos.

O local estava caído em silêncio. Lily apenas ouvia folhas virando, anotações sendo feitas, algum ou outro estudante sussurrando, alguém levantando.

Era um bom lugar para estudar. Nem diria que estava na mesma escola barulhenta que era Hogwarts.

Aquela biblioteca era quase como um labirinto, dividindo-se em seções. A primeira mesa e prateleira era para "Humanas". Você tinha que contornar a grande e longa prateleira de livros para chegar na segunda seção: Matemática e afins. Ali, mais uma mesa e uma grande prateleira do chão ao teto. Para chegar à terceira seção, mais uma prateleira para contornar. Era quase como um pequeno labirinto que permitia os alunos sentarem-se nas seções que precisavam, ficando perto dos livros que precisavam. Na seção de matemática, por exemplo, muitos usavam calculadoras. Se esses estudantes ficassem em outra seção, outros poderiam ficar incomodados com os "Tec Tec" das teclas.

Lily estava na última seção e tinha dois livros na mesa, um de História Avançada e outro de Química. O segundo seria revisado por último, já que era uma matéria que dominava. Dois outros estudantes dividiam a seção com ela, mas um pouco mais afastados.

Um barulhão vindo da porta de entrada sobressaltou a todos. Ela não tinha visão, as várias prateleiras estavam na sua frente. Deu de ombros e continuou a sua leitura.

Virou a página e começou a anotar em seu bloco de notas quando uma sombra entrou em sua sessão.

James sorriu para ela e parecia feliz em encontrá-la ali.

- Finalmente, eu pensei que esse lugar não teria fim. Acho que nunca vim tão longe na biblioteca.

Ele falava em seu tom normal, o que parecia quase um grito ali dentro. As duas pessoas da sua seção se viraram para ele, reclamando. Ela fez um sinal para que ele se aproximasse e parasse de gritar. Olhou para o relógio e constatou que ele levou dez minutos para achá-la.

- Como você me achou tão rápido? - Ela sussurrou.

- Bem, eu conferi dois lugares dos cinco que você sempre está antes de chegar aqui. Foi sorte eu te achar no terceiro. - James sussurrou essa parte, antes de continuar a falar alto. - Você vai embora para Leeds na sexta e eu preciso muito de uma ajuda em Química para a semana que vem. Pensei que você pudesse me ajudar.

- Sssshhhh! - Os dois estudantes fizeram ao mesmo tempo.

- Desculpa aí, mas é uma emergência. - Disse James ainda no mesmo tom de voz.

- Fale baixo. - Lily pediu. - Ou vai ser morto ou algo do tipo.

- Todos aqui entendem quando alguém precisa de ajuda. Não é mesmo? - Ele se virou para os dois estudantes e recebeu um olhar de desprezo de ambos. - Poxa, não é verdade?

Um dos estudantes se levantou, pegou seus livros e, com um olhar carregado de ódio, saiu da seção.

- Vamos sair daqui. - Lily sussurrou, prestes a pegar seus livros.

- Não, vamos ficar. Você já tem até o livro de Química com você, é perfeito. Olha, todo aquele problema com os elementos que causam explosão, o dióxido de carbono e o aquecimento global...

O segundo estudante se levantou e, como o primeiro, pegou suas coisas e saiu revirando os olhos.

Lily queria morrer de vergonha, James sorria.

- O que está fazendo? - Ela continuou aos sussurros.

- O que precisava ser feito: expulsar as pessoas daqui. - James, finalmente, sussurrou de volta. Sentou-se na cadeira ao lado, mas de frente para ela. - Funcionou como o planejado.

Queria rir e queria estrangulá-lo. Estava difícil a decisão.

- Agora que conseguiu o que queria, diga do que precisa.

- Da Lily Evans!

Ele nem hesitou em responder, foi simplesmente na lata, fazendo Lily ficar sem reação. A mão dele pousou em sua perna como uma pena, quase pedindo permissão para estar ali.

- Bem, eu estou aqui. - Ela respondeu com a voz toda derretida.

Os dedos dele começaram a se movimentar, indo até seu joelho, fazendo-a se arrepiar. A outra mão dele subiu por suas costas, apoiando o braço no encosto de sua cadeira, assim ele começou a acariciá-la na nuca e prender seus dedos nos cabelos ruivos.

- E não fugiu, o que eu vejo como um bom sinal. - Adorava quando ele sussurrava. Sua voz já era tão bonita normalmente, mas quando ficava baixa e rouca, era quase como um estimulante. - Mas agora que eu achei o que precisava, não vou te incomodar. Pode continuar sua revisão, então.

Enviou um olhar desacreditado para ele, que apenas deu de ombros, inocente.

- Eu não vou conseguir revisar nada com você do meu lado, ainda mais me tocando. - James começou a tirar suas mãos dela. - Não, aonde vai com elas?!

Ele sorriu um pouco diabólico, voltando com a mão em sua perna.

- Posso continuar por aqui?

- Pode, eu vou me esforçar.

- Tudo bem então. Prometo que vou ficar quieto.

Voltou a atenção para o seu livro. Pegou sua caneta e começou a anotar a importante informação de antes.

Percebeu que James aproximou mais a cadeira da sua, mas não comentou nada. Os olhos verdes continuavam no livro e no bloco de notas.

Um dedo dele começou a passear pela sua nuca, a lateral de seu pescoço. Ela respirou fundo e segurou a caneta com mais força, querendo focar no que escrevia. Seus olhos corriam nas linhas sobre Absolutismo. Em condições normais, era um tema que não lhe agradava e nem lhe prendia a atenção. Nas condições que James estava colocando-a era ainda pior.

- Absolutismo. Uma das razões de eu ter desistido de História Avançada. - Ele comentou olhando por cima do ombro dela.

- Se eu estivesse com um monte de leis de Física na minha frente, aposto que estaria menos empenhado nas suas mãos.

- Será? - James sentou mais perto dela. Sentiu a respiração dele em seu pescoço. - Não creio.

- Você ama Física.

- Eu sou bom em Física, não amo. Há coisas que eu gosto mais. - A mão dele deixou o seu joelho e começou a subir, entrando pela saia do vestido.

- Me pergunto o que seria. - Disse ela ironicamente, apesar da sua voz começar a falhar no fim.

James não respondeu, encostando o rosto nos cabelos da ruiva. Lily fechou os olhos enquanto sentia o carinho.

- Eu posso te beijar?

Aquela pergunta ao pé do ouvido, tão baixa, a arrepiou por inteira.

- Tem um monte de gente na biblioteca.

- Ninguém nessa seção. - Ele apontou.

- Mas qualquer um pode entrar nessa seção.

- Verdade. - Ele não parecia abalado. - Mas sempre há uma solução...um jeito de ninguém ver. Eu só preciso saber se eu posso.

Aqueles sussurros em seu ouvido eram pura tortura.

- Entre as prateleiras ? - Ela perguntou.

- Não. - A resposta saiu baixa, tão estimulante, a deixando curiosa.

- Onde?

- Neste exato lugar. - Ela abriu os olhos, sem entender. - Eu tenho um sim ou um não?

O "não" era inexistente. Não poderia negar algo que queria tanto, mas como fariam aquilo?

- Você tem um "sim" caso me garanta que não há perigo.

- Perigo sempre há, até em armários de vassouras.

Aquilo deveria lhe ajudar a dizer "não", deveria lembrá-la de que havia alguém maldoso naquela escola que parecia muito desconfiado... mas o efeito foi completamente o oposto.

- Como faremos? - Ela finalmente perguntou.

- Se isso é um "sim", você tem que olhar na direção da entrada da seção agora. Fique de olho por alguns segundos.

Lily olhou para o lado direito. Não havia ninguém entrando e não ouvia passos. Tentou verificar sombras ou ouvir movimentos da outra seção da biblioteca, mas tudo estava tranquilo.

- Até quando eu fico olhando? Isso não faz sentido.

James não respondeu. Reparou também que ele não a tocava mais, então se virou para ele. A cadeira estava vazia.

Quando estava a ponto de perguntar onde estava, sentiu as duas mãos dele...nas suas coxas. Embaixo da mesa.

Lily arregalou os olhos quando percebeu que o beijo não era exatamente o que ela estava pensando. Era...era algo ainda melhor!

- Me diga caso queira que eu pare. - Ouviu a voz dele ao mesmo tempo que o seu vestido subia.

Ninguém conseguiria vê-lo ali, era certo. Atrás dela, havia uma parede. As mesas tinham separações de madeira tanto na parte de cima quanto embaixo, o que impediria qualquer um de ver, caso olhassem por baixo da mesa.

- Duvido que você ouvirá qualquer coisa parecida.

Ouviu a risada baixinha dele.

James segurou sua cintura e a puxou pela cadeira, escorregando-a, e trazendo a ruiva para a ponta da mesma. A ansiedade e a antecipação estavam descontroladas.

Os dedos de James seguraram a calcinha dela e a puxaram, fazendo Lily se levantar como podia para ajudá-lo. Depois, sua perna esquerda foi levantada e colocada em cima do ombro dele. Sentiu a boca de James se arrastando lentamente pelo interior da sua coxa, mudando para mordidas de vez em quando.

Agarrou um livro e o colocou apoiado em cima da mesa, na frente do seu rosto. Não tinha ninguém ali, mas talvez seria inteligente escondê-lo para caso um estudante infeliz resolvesse aparecer.

A boca dele subia cada vez mais. As mãos dela apertavam a capa do livro mais e mais forte.

Suas pernas foram afastadas um pouco e...

Fechou os olhos e mordeu a boca quando ele chegou onde queria. A capa do livro fez um barulho engraçado enquanto ela apertava com ainda mais força. Talvez rasgasse aquela enciclopédia em dois.

Queria poder abaixar suas mãos até ele, tocá-lo de algum jeito, mas sua posição não permitia. Tinha que se contentar com James estar completamente no controle agora e ter pouco dele em contato com ela. Porém, não era hora de reclamar...estava bem longe de reclamar qualquer coisa agora.

Ele fez algo tão bom com os dentes, fazendo um gemido dela escapar. As mãos de James apertaram seu quadril, quase como um alerta, mas mal sabia ele que qualquer ação dele só piorava a situação, incluindo uma repreensão daquelas. Comprimiu os lábios. Com força. Sussurros poderiam passar despercebidos, mas gemidos não.

Pela dedicação dele, James não queria que aquilo durasse por muito tempo, ou ela quem não conseguia se segurar. Apertou o livro contra o rosto e segurou o ar quando tudo aconteceu.

Foi tão rápido e tão intenso. Seu coração explodia no seu peito, seu corpo todo contraiu. Céus, aquele estava sendo um orgasmo forte e inesperado. Seus braços estavam tensos enquanto ainda segurava o livro, suas pernas tinham leves tremores. Quando começou a relaxar, percebeu que tinha mordido os lábios, deixando-os doloridos...tudo isso para não gritar no meio da biblioteca.

As coisas pareciam voltar ao normal de pouco a pouco. Respirava fundo agora. Mal percebeu quando ele surgiu ao seu lado, sentando-se na cadeira novamente, mas lhe dando tempo para se recuperar.

- Eu devo ficar com isso ou...?

Ela virou o rosto minimamente para ele e viu a sua calcinha em suas mãos. Rapidamente, ela a pegou.

- Nem ferrando você vai ficar com isso.

James deu de ombros e pegou o livro de Química, o girando.

- O livro já estava assim? - Ele apontou para algumas folhas amassadas, as duas pontas superiores da capa virando para dentro.

- Sim. Engraçado como as pessoas ficam emocionadas com essa matéria.

Ele colocou o livro de volta na mesa com um pequeno sorriso lateral.

- De fato. - Olhou para ela. O rosto dele todo gritava "sexo". Se alguém o visse, com certeza diria que ele teve uma aventura bem maior na biblioteca do que realmente foi.

Foi uma grande aventura para ela, claro. Afinal, ela foi a única quem teve um orgasmo ali.

Falando nisso...

Lily olhou para ele, suas mãos indo na direção de James, quando ele levantou rapidamente da cadeira, deixando-a confusa.

- Isso não é um comércio, Lily, onde você paga por algo que recebeu. - Ele deslizou os dedos pelo rosto dela em um gesto carinhoso. - Comece a se acostumar a ter um pouco das coisas sem precisar dar algo em troca.

Os olhos verdes estavam ainda mais perdidos, sem saber o que fazer. Aquilo era tão longe da sua realidade, do que viveu por um tempo.

Vendo a reação dela, James se aproximou, colocando os cabelos dela para trás.

- Não pense muito, apenas curta.

- Mas e você?

- Eu curti muito, você nem faz ideia.

Certo. Se um dia ela fizesse uma surpresa para ele, não esperaria algo em troca, então talvez devesse apenas aceitar que James queria fazer algo por ela, só por ela.

Olhou para ele novamente e passou as mãos pelos cabelos rebeldes.

- Você está com essa cara e cabelo de sexo. Todos vão saber o que você andou fazendo.

- Eu tenho uma "cara e cabelo de sexo"? - Ele perguntou, rindo.

A risada dele era tão bonita e contagiante. E ele tinha várias: a gargalhada que o fazia jogar a cabeça para trás; a risada doce e inocente - como a de agora -; a irônica; a maldosa; a incrédula. Tantos tipos e Lily ficou surpresa por ter notado e categorizado todas delas.

- Tem.

- Talvez só você veja, porque sabe o que aconteceu aqui. - Ele respondeu com um sorriso ainda brincando nos lábios. Apoiou uma mão na cadeira dela e outra na mesa, aproximando seu rosto. - Ou por ter visto recentemente como eu realmente pareço.

Ela mordeu o lábio apenas ao lembrar do sábado.

- Talvez. - Passou os dedos pela gola da sua camiseta, tocando a pele dele. - Mas honestamente? Quase não lembro. Já faz tanto tempo.

Os dedos entraram pela gola, tocando ainda mais seu corpo. James fechou os olhos e passou a língua pelos lábios.

- A sua provocação não é justa. - Ele sussurrou.

- Você vem me provocando por horas, dias.

- Não é verdade. - Os lábios dele roçaram nos seus.

- E se eu for na sua casa de novo? Hoje.

Suspirando, James se afastou. Deu dois passos para trás, realmente tomando distância.

- Sirius vai estar lá.

A boca dela caiu, depois fechou com frustração.

- Amanhã eu não posso. - Ela choramingou. - E sexta eu vou para Leeds.

- Quinta-feira eu levo o seu irmão na terapia. - James crispou os lábios, passando as mãos pelos cabelos. - Vamos pensar em algo. Sim, nós vamos pensar em algo.

Ele soava mais positivo do que ela, com certeza, pois Lily achava que iria embora para Leeds sem poder aproveitar um momento com ele. Meu deus, ela queria tanto. Sexo com James era bom demais para esperar tanto para acontecer.

- Vamos pensar em algo então. - Ela concordou.

Sorrindo, James se aproximou e lhe deu um beijo provocativo. Lily resmungou por ver que ele se despedia.

- Nos falamos depois. - Ele disse baixinho. Piscou para ela e foi para a saída da seção. - Foi uma ótima monitoria, Sardenta. - Ele dizia alto, quase aos gritos, já que não se viam mais por conta das estantes. - Química é muito mais fácil com você...de um jeito que Química nunca foi.

Apoiou a mão no rosto e ouvindo-o receber muitos "Shh" no meio do caminho.

- Qual é? A minha monitora de Química é muito boa, mas você pode procurar outra, cara. Lily Evans já está ocupada com a minha monitoria.

James Potter era impossível.

E ela adorava isso.

J~L

- Eu estava te procurando por toda a parte. - Disse Sirius ao ver o amigo se aproximar.

James jogou sua mochila ao lado dele e sentou ao lado de Remus.

- Duvido. Com esse pé, você, no mínimo, foi até a entrada dos jardins e voltou.

- Há, ele te conhece. - Remus riu de Sirius.

- Não importa. - Sirius balançou a mão. - Onde estava?

- Ocupado.

- Fazendo...?

- Algo. - James respondeu em um tom que finaliza o assunto. - Então, você tem terapia hoje, não? A que horas saímos daqui? Depois, é certeza que você vem para casa? Não vai estar cansado? Aquele resumo de Biologia pode esperar, sabia? Talvez para amanhã, por exemplo.

Sirius ainda o olhava com um ar sacana, ignorando toda e qualquer palavra. Remus olhava para o chão, fingindo não estar ali.

- Você estava com a pessoa, não é?! - Perguntou Sirius.

- Sirius, apenas deixa para lá o que quer que James estivesse fazendo. Ele não quer contar.

- Nós somos os melhores amigos dele, por que ele não quer contar?

Revirou os olhos.

- Por você ser assim. - James respondeu no lugar de Remus. - Poderia responder as minhas perguntas?

- Você tem algo para fazer para o seu pai?

- Não. - Respondeu sem pensar. Deveria ter confirmado, então Sirius não viria e Lily estaria livre para vir.

- Então sim, eu venho. Esse resumo de Biologia é para sexta-feira, mas eu tenho outros para entregar também. Além do mais, hoje é o único dia que não precisamos levar ou buscar Lily em qualquer lugar.

Ele bem sabia.

Suspirou. Sirius precisava dele e não iria rechaça-lo apenas por sexo, independente de ser um ótimo sexo, com Lily. Já era ruim demais esconder isso, não precisava piorar sua culpa, nem prejudicar o amigo.

- Sem problemas.

Sirius assentiu e pegou a própria mochila, procurando por algo. Remus virou o rosto minimamente para James. Esse último o olhou de volta e fez um gesto com a cabeça, perguntando "o que foi?".

Remus apenas balançou a cabeça e voltou seu olhar para frente.

- Podemos ir para o carro, Lily só sai em alguns minutos. Se atrasou um pouco com monitoria. - Sirius disse olhando o celular. - Ela nos encontra lá.

James levantou com um sorriso, pegando suas coisas.

- Atrasada com monitoria? Quem diria. - Disse Remus saindo na frente.

- Tem uns trouxas que tentam fazê-la de trouxa nessas monitorias. Não sei porquê ela continua com alguns deles.

- Trouxas. Sim, trouxas mesmos. - Remus comentou.

- Muito trouxas. - James concordou.

Trouxas tão felizes, trouxas tão cheios de vontade.

Mas um trouxa que deu um enorme sorriso para ela.


Os jantares na casa dos Black-Evans eram sempre os mesmos desde que se formou uma família: na mesa redonda da cozinha, quatro cadeiras. Apesar de não haver uma ponta, Orion sempre ocupava um lugar que, de certa forma, mostrava sua importância. Aquela cadeira nunca mais foi ocupada por nenhum dos outros moradores após sua morte. De vez em quando, um ou outro olhar era dirigido para lá, às vezes seguidos com um suspiro, às vezes com um sorriso nostálgico. Geneviève sempre sentava de frente para o marido, enquanto os dois filhos um de frente para o outro.

Não foi fácil tornar aquele momento do dia algo agradável, levando alguns anos para todos.

Geneviève estava mais confortável hoje em dia em comer e encarar a cadeira vazia à sua frente, focando nas duas cadeiras ocupadas ao seu lado.

- Como está Marlene, filho?

Sirius virou para a mãe e terminou de mastigar antes de responder.

- Bem. Cheia de provas para o final do ano letivo.

- Por isso não estão se vendo ultimamente?

- Eu queria ir até Oxford nesse fim de semana, mas com esse tornozelo vou ser mais um peso para ela do que um alívio. Acho que vou no fim de semana que vem.

- Ótimo. - A mãe assentiu, parecendo feliz. - Eu gosto bastante dela. Você poderia chamá-la para vir também, caso não se sinta bem ainda.

Ele riu um pouco.

- Sem ofensas, mãe, mas em Oxford nós temos mais privacidade.

- Oras, eu não fiquei atrás de vocês quando ela veio na última vez.

- Não é exatamente isso que ele quer dizer. - Lily interviu.

- O que exatamente ele quer dizer, então?

- Talvez transar com ela no meio da sala ou algo assim. - Tossindo um pouco, Sirius enviou um olhar torto para a irmã. - Estou mentindo? Não é o tipo de privacidade que você quer ter? Aqui você tem que respeitar os espaços públicos.

Lily olhava de um para o outro, ambos um pouco desconfortáveis. Entendia aquela dinâmica que poderia ocorrer entre mãe e filho, não realmente sendo abertos um com outro nesse quesito. Ela mesma não gostaria de falar sobre isso com Orion, apesar de ser aberta com a mãe.

- Apenas saiba que ela é muito bem-vinda. - Geneviève voltou a falar. - Sei que Lily também gosta dela.

- Sim, eu adoro Marlene desde sempre.

Sirius parecia feliz. Ele cortava sua batata com um enorme sorriso que Lily tinha certeza que ele nem sabia que estava estampado no rosto.

Ah, o amor.

- E você, Lily? Como andam as coisas? - A mãe perguntou.

O sorriso de Sirius foi se fechando ao mesmo ritmo dos olhos desviando do prato e indo para a irmã.

- A solteirice está indo muito bem, mãe, obrigada.

- Solteira não quer dizer que você não está vendo alguém, certo?

Segurou o garfo com mais firmeza. Sirius a observava. Sua mãe, à espera da resposta, comia serenamente a salada, mas de olho nela também.

- Verdade, mas...bem, podemos dizer que...olha, nada demais está acontecendo na minha vida, na verdade.

- Hm. - Sirius não parecia convencido, mas só o fato de não ter começado com as palestras desmotivacionais dele, se considerava uma vencedora. - Prewett é um trouxa mesmo.

Sem palestras, mas sempre com um cutucão sobre o coitado do rapaz. Que, aliás, nunca fez nada de errado além de existir.

- Para de trazer Gideon para esse tópico toda vez. - Pediu com um tom pouco amigável.

- Eu só estou falando que ele é um trouxa. Perdeu a oportunidade de ficar com você, quando tudo estava bem para ele. Eu estava bem com ele sobre isso. - Sirius disse apontando para o próprio peito. - Mas né...ele decidiu perder a garota mais legal daquele lugar.

Não sabia se brigava com ele ou agradecia pelo elogio no fim.

- Esse não é o rapaz que Sirius diz ter te marcado no pescoço? - Geneviève perguntou.

- Mãe, não entre nas fantasias de Sirius. Gideon Prewett foi o cara com quem eu perdi a virgindade. Lembra quando te contei alguns anos atrás?

- Ah, o tal ruivo bonito que você tinha uma queda enorme quando menor?

- Exatamente. Ele me acompanhou para Southend-On-Sea, quando o seu filho resolveu se meter na minha vida e pedir para ele por mim. A partir dai, Sirius criou uma fixação pelo pobre coitado.

- Podemos dizer que o seu irmão tentando arrumar alguém para você é novidade.

- Pois é. - Lily confirmou. - De um jeito errado, pelas minhas costas, mas fez.

Parecendo um pouco orgulhoso e desconfortável ao mesmo tempo, Sirius se jogou contra a cadeira.

- Eu vou repetir: eu quero que Lily encontre um cara legal e decente. Prewett parecia um bom candidato, até marcar Lily.

A ruiva menor tampou o rosto com as mãos, não acreditando que estavam voltando naquela conversa.

- Vamos mudar de assunto. - Ela pediu.

- Sim, vamos. - Geneviève concordou. Sirius parecia mais do que ok também, então os dois pegaram de volta seus talheres e continuaram a comer. Até Geneviève parecer ter encontrado um outro assunto para tentar fazer o pedaço de frango entalar na garganta da filha. - E James?

Lily engoliu com rapidez, sentindo o frango quase parar no caminho. Sirius virou para a mãe, confuso.

- O que tem James? - Os irmãos perguntaram ao mesmo tempo, mas com tons de vozes bem diferentes.

- Ahm... Ainda solteiro?

A filha relaxou na cadeira e Sirius voltou sua atenção para o prato antes de responder.

- Sim. E não. Ou talvez. Não faço ideia, para ser exato. Ele está com um mistério aí com alguém...eu já falei que ele não precisa se preocupar com as nossas reações caso ele precise sair do armário, mas ele diz que não é nada disso.

- Você acha que James é gay? - Lily perguntou.

- Nunca passou pela minha cabeça, justamente por eu não me importar se ele é ou não. Eu sempre o vi com garotas, mas se ele estivesse com receio de falar que preferia caras, não iria ficar com caras na nossa frente, certo?

Queria rir. Rir pelo simples fato de que com tudo o que ele vinha fazendo com ela, aquilo era a última coisa que imaginaria. Com toda a vontade, aptidão e desejo que ele fazia o que fazia com ela, Lily sentia-se segura em pensar que ele não era gay.

- Independente disso, me pergunto por quê ele é solteiro. - Geneviève começou a ponderar. - É um cara muito bonito, gentil, inteligente...não acha, Lily?

- Por que está perguntando isso para mim? - Lily jogou de volta a pergunta. Largou os talheres, achando melhor evitar se engasgar com o jantar por conta das perguntas da mãe.

- Acha ou não acha? - A mãe ignorou a pergunta e como em um jogo de tênis, mandou a pergunta de volta para a filha.

Colocou os cabelos atrás da orelha e olhou para o irmão. Ele parecia simplesmente curioso, esperando pela resposta dela.

- Sim, ele é.

- Pois bem. Não entendo como ele pode estar solteiro ainda.

- Namorar não é a praia dele. - Sirius finalmente disse algo.

Continuou a comer como se aquela frase fosse apenas mais uma frase durante um jantar. Cortou um outro pedaço de frango e enfiou na boca. Seus olhos foram pegos pelos olhos da mãe ao seu lado esquerdo.

- Talvez ele poderia encontrar alguém que goste o bastante para namorar. - Disse Geneviève.

- E Remus?! - Lily cortou a conversa. - Remus e Dora. Eles não são fofos? Eu acho que algo bem legal pode sair daí, o que acham?

- Acho que Remus vai para Carlisle esse fim de semana. - Sirius acompanhou o rumo da conversa da irmã. Lily sentia os olhos da mãe em si, mas ignorou.

- Sério? Isso é ótimo. Dora deve estar feliz, eu vou ligar para ela. - Continuou o jantar.

O olhar da mãe a queimava, mas Lily não tirou a atenção do seu prato.

- Então isso faz Lily e James os únicos solteiros do grupo.

Sua mãe acordou naquela manhã e escolheu ir para a guerra contra ela? Não era possível.

- Acho que podemos dizer isso, sim. - Sirius concordou.

- Me pergunto, então, se...

Lily levantou e cortou a frase da mãe.

- Eu já termine vez de Sirius cuidar da louça. Vocês me dão licença?

Não esperou resposta, pegando o seu prato e levando até a pia. Saiu da cozinha sem olhar para ninguém e foi em direção às escadas. Enquanto subia os degraus no seu ritmo, pegou o celular e ligou para Dora. Não estava loucamente curiosa sobre uma possível visita de Remus, mas seus nervos estavam atacados e precisava se distrair com algo bom.

- Lils! - Dora atendeu ao telefone quando Lily alcançou o quarto e fechou a porta.

- Nem para contar que Remus estaria indo visitar? Quanta consideração pela sua prima.

Dora riu do outro lado da linha.

- Eu soube poucas horas atrás. Nem meus pais sabem ainda...eu estive todo esse tempo conversando com Remus, acertando alguns detalhes.

- Neste fim de semana, então?

- Sim, este fim de semana.

A prima estava tão empolgada, que Lily sentiu-se mal por ser acertada pela inveja. Não desejava que algo desse errado para eles, pelo contrário...apenas...

Apenas ficou pensando sobre quando poderia ser ela. Quando as pessoas ficariam felizes por ela estar com alguém. Mas o que a estava surpreendendo mais era o fato de pensar tudo isso e tendo James como o tal cara que ficaria com ela. Não podia se culpar por pensar nele, certo? Era o cara que estava tendo algo no momento, apesar de não haver nenhuma promessa de nenhuma das partes. Se pensasse em outra pessoa para ser esse alguém enquanto viviam aquilo, aí sim deveria ficar preocupada.

Mas como o seu irmão mesmo disse no jantar: namorar não era a praia de James.

Após uma rápida conversa com a prima e colocando o celular de lado, se permitiu jogar na cama e se afundar naquele drama que a sua cabeça criava, enquanto pensava que cada dia que passava, a cada nova experiência com James, menos sua cabeça parecia pensar racionalmente sobre tudo aquilo.

Talvez precisasse voltar a ser mais racional.

Será? Será que queria ser racional?

Pegou o celular e começou a digitar uma mensagem:

(20:57) Lily : Poderia me distrair com algo racional?

Enviou. Talvez aquilo a fizesse parar de pensar em mãos, beijos, braços e pernas se enrolando uns nos outros.

(21:02) Descabelado: A lei zero da termodinâmica estabelece que "se dois corpos, A e B, estão separadamente em equilíbrio térmico com um terceiro corpo C, entã estão em equilíbrio térmico entre si"

Ok, não esperava por isso, mas não podia estar decepcionada. Ele fez exatamente o que ela pediu.

(21:03) Descabelado: Racional o bastante?

(21:05) Lily: Até demais. Se importa em explicar?

Aquilo poderia ajudar, apesar de pensar em James explicando Física, de repente, lhe soava sexy até. O fato dele ter lançado algo tão inteligente e em tão pouco tempo não colaborava com a ideia de ficar racional. Precisava focar na informação, assim iria ficar confusa e sua cabeça perderia tempo apenas tentando entender aquilo tudo.

Afinal, Física não era sexy, não era sentimental. Era racional, era exata, era chata, mas era o que precisava naquele momento.

(21:07) Descabelado: Em termodinâmica, isso significa que essa lei demonstra como acontecem as trocas de calor entre os corpos.

(21:09) Lily: Exemplo?

Deixe-o continuar com suas explicações. Aquilo era perfeito. Não gostava da matéria e mesmo com ele falando aquilo e ela imaginando-o tão bonito e inteligente, o objetivo deveria ser alcançado.

(21:11) Descabelado: É o que acontece quando colocamos dois corpos com temperaturas diferentes em contato. O calor é a energia transferida do corpo com a temperatura mais alta para o corpo com a temperatura mais baixa.

Aquilo não estava soando tão absurdo para se entender. Estava se preparando para responder, mas percebeu que ele continuou digitando, então esperou.

(21:14) Descabelado: Eu e você. O meu corpo está bem quente e o seu bem frio. Eu estou com pressa para que você esquente como eu. Eu posso te esquentar adicionando algo, como beijos. Assim, eu vou começar a te beijar...

Eu (o corpo A) com o beijo adicionado (corpo C) vamos esquentar você (o corpo B). O beijo vai nos fazer atingir o equilíbrio térmico ;)

Ficou encarando a tela do celular, sem saber como reagir.

Infernos, James Potter. Era para matá-la de tédio com Física e não fazer aquilo sobre ele a beijando e a esquentando.

Como ele conseguiu virar o jogo daquele jeito tão rápido? Quando começou a falar sobre essa lei, ele já tinha em mente terminar daquele jeito?

(21:16) Lily: Isso não me parece racional mais...

(21:17) Descabelado: Oups!

Ele nem sentia-se culpado, o cretino.

(21:17) Lily: Eu nem sei se levo a sua explicação a sério.

(21:19) Descabelado: Talvez não tenha sido a melhor explicação para indicar a transferência de calor, mas se quiser, eu posso explicar melhor sobre condução térmica, que pode ocorrer por aquecimento ou contato com outro corpo...mas eu vou sair bastante do "racional" caso eu continue usando os nossos corpos como exemplo.

Largou o celular por um momento e grunhiu. Infeliz, ele não ajudava.

(21:21) Lily: Você costuma responder suas provas desse jeito?

(21:22) Descabelado: Infelizmente te usar como exemplo não é uma boa ideia. Prefiro dar essa resposta apenas para você!

Deixou o celular de lado novamente e ao invés de grunhir, ela sorria agora. Queria sorrir desde o começo, mas tentou ser forte, tentou ficar frustrada...mas James apenas mostrava o motivo daquilo estar ficando tão complicado de ficar racional.

Só conseguia pensar que a semana estava passando em uma velocidade incrível e ela não pensava nisso como algo bom. Sua viagem para Leeds e, consequentemente sua melhora de dor, estava mais próxima. O que era bom. Mas isso fazia com que ela se afastasse de Londres...Dele.

Tanta coisa aconteceu em tão pouco tempo, coisas que mal lembrava: as caronas quando Sirius não estava ali; a ida para Southend-On-Sea...sentia que viveu uma vida com James em um espaço tão curto de tempo e, ainda sim, não parecia ter sido o suficiente.

Sua cabeça mudou naquele espaço curto de tempo também. Nunca pensou ser possível mudar a opinião sobre alguém que conhecia por tantos anos, vendo-o do jeito que o via agora. Chegava a ser engraçado. Até se pegou pensando se não havia algo antes ali e que ela ignorou, algum sentimento dela, algum desejo...mas era difícil pensar no passado. Ela mal conseguia lembrar como era a sua dinâmica com James quando era tudo tão platônico, apenas amizade.

E não importava mais como era antes, mas o que valia agora era o presente. Toda essa irracionalidade, essas sensações que a tiravam do lugar...

Se nem uma lei de Física era racional para eles agora, não seria o que faziam em quatro paredes que ficaria mais racional também.


I wanna make you quiet

Eu quero te deixar quieta

I wanna make you nervous

Eu quero te deixar nervosa

I wanna set you free

Eu quero te libertar

But I'm too fucking jealous

Mas eu sou muito ciumento

I wanna pull your strings

Eu quero puxar suas cordas

Like you're my telecaster

Como se você fosse a minha guitarra*

And if you want to use me I could be your puppet

E se você quiser me usar, eu poderia ser a sua marionete

Quinta-feira, fim das aulas.

James havia se comprometido com Sirius - quando o amigo decidiu por duas terapias por semana -, que o levaria e o buscaria sempre. De ambas as sessões, terça e quinta. Se pudesse fazer algo por ele nesse quesito, faria. Se Sirius tivesse cinco sessões na semana, estaria lá nas cinco vezes.

Sabia que dar carona para ele não mudava muita coisa, mas se apenas sua companhia pudesse mostrar a Sirius que ele não estava sozinho, então James assim o faria.

Hoje, como Sirius tinha um compromisso com a mãe antes, acabou pegando uma carona, porém James se comprometeu em buscá-lo. Como ainda faltava algumas horas para isso, decidiu por algum treino com Remus e Frank no ginásio.

Não tinha ideia de onde Lily estava.

Após as mensagens de ontem à noite - mensagens que o fizeram rir da reação dela, aliás - e um café da manhã com Sirius grudados neles, não pôde conversar, nem mesmo beijá-la. No carro, Sirius parecia uma matraca, querendo falar sobre tudo o que vinha fazendo/assistindo/lendo enquanto descansava o pé, obrigando os dois no banco da frente a ouvir

Além do mais, Lily tinha que falar com muitos professores sobre as aulas online que faria na semana que vem de Leeds, tendo muito para organizar, não a encontrando por Hogwarts em momento algum. Então estavam a um dia dela partir para Leeds por cinco dias e James não conseguiu fazer nem metade do que queria com ela antes de ficar sem ela por um tempo.

Pegou a toalha do treino e passou pelo rosto e nuca, jogando-a por cima do ombro logo depois enquanto tentava esquecer um pouco sobre tudo aquilo.

- Se quiser, eu posso pegar Sirius na terapia e levá-lo para casa. - Remus disse ao alcançar James no corredor que os levariam para o vestiário do ginásio.

James conferiu o relógio.

- Não, está tudo bem. Eu vou tentar fazer algo para o meu pai em Londres antes, vai matar o tempo.

- Como quiser. Você me avisa.

Frank se juntou a eles e os três começaram a conversar sobre o jogo da noite anterior. Havia algum ou outro aluno que saía ou entrava no vestiário agora. Quando ocorria treinos de futebol, o vestiário do campo ficava cheio e alguns jogadores vinham até ali para tomarem banho. Era o que parecia ser o caso hoje.

Foi até o seu armário e o abriu, pegando sua toalha para o banho. Conferiu o celular e viu que não havia notificação importante, então o colocou dentro do armário. Foi rápido para o chuveiro, deixando Remus e Frank conversando.

- Malditos, acabaram com a água quente. - Reclamou quando a água não esquentava. Não que gostaria de um banho queimando sua pele, mas aquela água gélida não era tão bem-vinda também.

Sem solução, se enfiou embaixo da ducha.

- Merda! - Ouviu Frank de alguma cabine de banho. - Eu vou matar esses idiotas do futebol!

Houve uma onda de concordância com ele ecoando por todo o lugar.

Não iria perder sua sanidade embaixo daquele gelo, então foi rápido no banho. Enrolou a toalha na cintura e voltou para o vestiário. Pegou sua calça, uma boxer, uma camiseta limpa e seu celular da bolsa de dentro do armário, sentando-se no banco. Havia apenas um outro cara ali, um que não tinha contato algum, então ficou na sua.

Olhou seu celular e na tela mostrava que havia uma mensagem "oculta" entre outras mensagens. Oh oh. A única pessoa que não era identificada na sua tela ao mandar mensagem, era Lily.

(15:21) Sardenta: Sabe qual lugar é maior do que um armário de vassouras em Hogwarts?

Ele riu ao ler a mensagem, antes de digitar a resposta:

(15:32) James: Poderia pensar em muitos, mas eu gostaria de saber qual o lugar específico que você tem em mente.

Colocou o celular no banco e bagunçou os cabelos com uma mão, tirando o excesso de água. O cara que dividia o vestiário com ele, enquanto os outros ainda estavam no banho, pegou sua mochila e saiu, deixando-o sozinho.

Seu celular vibrou ao seu lado e ele deu uma espiada enquanto ainda bagunçava os cabelos.

(15:32) Sardenta: O almoxarifado do vestiário.

Seu coração pulou uma batida, fazendo-o levantar do banco no mesmo momento. Pegou o celular e releu a mensagem, querendo ter certeza que não estava louco.

James olhou para trás. Ao lado dos armários em que ele estava sentado, tinha um corredor que dava até a porta do almoxarifado do vestiário. Ninguém tinha acesso além do treinador de futebol, já que guardava todos os equipamentos de treinos.

Aquilo era apenas uma provocação ou...?

Deixou o celular em cima do banco e foi até o corredor. Além do barulho dos chuveiros na sala ao lado, não ouvia nada mais. Porém...

A porta. A porta que sempre ficava fechada, estava entreaberta.

Olhou para trás novamente, conferindo que ninguém tinha voltado para o vestiário, antes de seguir em frente no corredor. Se aproximou da porta devagar e segurou na maçaneta. Tentou ouvir algo ali dentro, mas estava silencioso como sempre foi e deveria ser.

Limpou a garganta. Queria chamá-la, saber se ela estava ali, mas o medo de acabar tendo o treinador ou qualquer outro jogador o impedia de arriscar.

- James? - Uma voz sussurrou de trás da porta.

A voz dela.

Olhou rápido para trás antes de entrar no almoxarifado, fechando a porta logo depois. Não tinha muita luz ali, já que aquele lugar todo era quase considerado um subsolo. Havia algumas janelas altas que davam nos jardins, mas sem muita luz direta.

Porém, era o suficiente para ver Lily nitidamente em sua frente. E seu sorriso. Seu enorme sorriso.

- Como você entrou aqui? - Ele perguntou ainda bem surpreso. Afinal, aquele era o vestiário masculino e estava cheio de gente antes.

- Tenho meus truques.

Sem perder tempo, ela o beijou. Por um segundo, ele estava prestes a parar aquilo e tentar entender como tudo aconteceu, mas quando ela o jogou contra a porta e o abraçou, tudo virou fumaça dentro da sua cabeça.

Aquele banho gelado? Era como se nunca tivesse existido. Ele precisaria de um outro depois, com certeza.

Pegou Lily no colo, as pernas dela se prendendo em sua cintura e a colocou contra a parede.

- Se você queria me surpreender... - Dizia ao beijá-la. - Saiba que conseguiu.

- Não te surpreendi como você fez na biblioteca essa semana, mas acho que vale, não? - Ela respondeu respirando alto.

- Só de você estar aqui, vale muito mais do que qualquer coisa que aconteceu debaixo da mesa da biblioteca.

Sabendo que a perna dela não aguentaria muito tempo naquela posição, ele foi rápido a tirá-los dali e a colocar sobre uma mesa.

- Para variar, não temos muito tempo. - Lily dizia ao se afastar e tirar a própria camiseta. - Mas não há chance de eu partir para Leeds amanhã sem fazer isso de novo.

- Calma, calma. - James a segurou pela cintura, impedindo-a de tirar o sutiã logo depois. - Não temos muito tempo, mas não estamos tão apressados. Eu tenho tempo de sobra até ter que ir para Londres e você não tem nada planejado em casa, tem?

- Não. - Ela respondeu segurando o rosto dele contra o dela. - Mas ainda sim não é tempo suficiente para tudo o que quero fazer com você.

Ele tinha que fazer Lily parar de falar, porque ela não o ajudava. As mãos dela eram ainda piores. Fechou os olhos enquanto os dedos dela corriam pelos seus ombros e desciam pelo seu corpo...

Risadas vindas do vestiário o assustaram. Merda, a porta estava destrancada.

Deixou Lily na mesa e foi até lá, virando a chave devagar e sem fazer barulho. Colocou o ouvido contra a porta por cinco segundos para ter certeza que ninguém andava pelo corredor ou perto da porta, mas tudo parecia ok.

Ao se virar, deu de cara com Lily em pé em frente a mesa, mas terminando de tirar seus jeans...ficando apenas com uma lingerie verde escura que combinava tanto com ela. Ficou entre querer chorar de tão espetacular que ela estava e perguntar como ela conseguiu fazer aquilo tão rápido.

Mas honestamente? Dane-se como ela fez aquilo. Foi bem rápido, mas ainda sim, menos importante quanto a sua lingerie verde escura.

- Você parece estar gostando de algo. - Ela disse ao vê-lo se aproximar.

Sorriu para ela e tinha certeza que aquele sorriso não continha nada de inocente, pois não havia nada de inocente em sua cabeça agora.

Segurou os cabelos dela com uma mão e com delicadeza, os puxou para o lado, deixando o pescoço dela em evidência. Enquanto começava a beijá-la ali, sua outra mão a puxou contra ele.

- Eu quero mais, James.

Pelo amor, aquilo de novo. Lembrou quando ouviu aquela frase pela primeira vez dela, dentro do carro quando estavam se beijando pela primeira vez. Parecia há tanto tempo já, mas estava tudo claro como água ainda. O jeito que ela gemia no carro não era muito diferente de como fazia agora.

- Você sabe que eu sempre quero te dar muito mais. - Respondeu. - Sempre.

As mãos dela desceram até a sua toalha, deixando claro sua intenção.

- Então isso é um "sim", James Potter?

Ele não respondeu com palavras, mas a girando no lugar para que ele pudesse se recostar na mesa, desatando o sutiã dela e o jogando para o lado. Tinha que fazê-la parar de falar antes de enlouquecer e ele sabia como fazer isso.

Lily soltou um gemido tão alto quando ele a beijou em seu seio, que teve que tampar sua boca. Ela continuava a gemer contra a palma da sua mão e James começou a se perguntar se conseguia mesmo impedir Lily de o levar a loucura.

- Isso é um "sim"? - Ela repetiu a pergunta contra a mão dele.

Ele trocou de seio, fazendo-a esquecer da pergunta de novo. Francamente, ele não sabia o que estava fazendo, o motivo de ganhar tempo, mas era isso o que fazia. Porém, Lily não parecia querer perder tempo algum.

Suas mãos foram novamente para a sua toalha e ele não conseguiu impedi-la agora, sentindo o pedaço de pano desaparecer da sua cintura. Não demorou nem um segundo para Lily voltar ao seu corpo e tocá-lo, fazendo James soltar o seu seio e segurar a respiração.

Agora não tinha volta. A mão dela sabia fazê-lo louco tanto quanto as suas palavras.

- Você está fazendo isso apenas pelo o que eu fiz na biblioteca? - Se viu perguntando enquanto ela continuava a tocá-lo.

- Nem um pouco. Garanto que estou sendo até bem egoísta...

James gemeu quando tudo começou a ficar mais intenso. A mão dela fazendo o principal, enquanto os lábios de Lily passeavam pelo seu pescoço...

- Não estou vendo muito egoísmo da sua parte. - Ele disse jogando a cabeça um pouco para trás, tentando encontrar algum controle, mas não se esforçando muito, já que suas duas mãos agora estavam apoiadas na mesa e bem longe de parar Lily.

Queria pegá-la e colocá-la de volta naquela mesa e simplesmente esquecer de todo mundo do lado de fora daquela porta e repetir todo o sábado passado naquele instante. Mas era bem capaz dele não ter tempo de reagir.

- Lily...

- Eu confesso que entrei nesse almoxarifado para outra coisa, mas isso está bem interessante. - A voz baixa dela o cortou.

- Se ficarmos assim, eu não vou conseguir te dar "mais".

- Você está me dando o "mais".

Ah, infernos.

Soltou a mesa e, sem perder tempo, apenas desceu sua mão até a lingerie verde - que o seguiria em sonhos, tinha certeza -, encontrando-a do mesmo jeito que ela fazia com ele.

- Assim está melhor. - Ele disse abaixando o rosto no dela enquanto seus dedos começavam a se movimentar.

- Isso não é um comércio, lembra? - Ela argumentou, mas se deixando levar pela mão dele.

- Não estou pagando, estou apenas oferecendo também...ao mesmo tempo.

Tinha que se empenhar. Ele estava muito mais na frente do que ela, faltando muito pouco agora.

Com a outra mão, ele os girou novamente e encostou Lily na mesa. Segurou os cabelos dela e a beijou com todo o desejo que parecia estar explodindo naquele lugar. O fato dela começar a gemer contra seus lábios confirmou que ele havia tomado uma boa decisão e que a ruiva estava chegando no mesmo estágio agora.

Mas o que ela estava fazendo com ele...não conseguiria segurar por muito mais tempo.

James sentiu-se o abençoado dos abençoados agora, porque não precisou esperar mais. As pernas dela falharam quando o orgasmo finalmente chegou, obrigando James a enlaçar a sua cintura para que ela não caísse, mesmo estando apoiada parcialmente na mesa. Aquilo só serviu para que ele mesmo tivesse que encontrar o ponto de equilíbrio quando foi a sua vez.

Usaram os lábios um do outro para segurarem todos os gemidos e arfadas de ar naquele instante. As mãos que se suportavam também trabalharam juntas para que ninguém fosse ao chão. James ficou tão fora de si, que teve que empurrar Lily ainda mais na mesa para conseguir se manter e ajudá-la a manter-se em pé.

Pelos céus, aquilo tinha sido bom. Infernos, ia demorar muito tempo para que tivesse mais uma dose.

Nos próximos segundos, onde eles apenas estavam ali, segurando-se um ao outro, respirando como podiam, o conceito de tempo parecia mudar para James. Aquele tempo ali com ela parecia passar rápido demais e aqueles cinco dias que viriam sem ela começavam a soar cada vez mais como meses.

Seria longo e ele estava tão animado para isso quanto estaria para levar um soco no estômago.

- Porcaria de Leeds. - Disse ele após longos segundos de ambos tentando se recuperar.

Ela gemeu, mas de chateação dessa vez.

- Quem gosta de Leeds a ponto de abrir uma clínica? Qual o problema de Londres? - Lily respondeu ainda recuperando o fôlego.

Seriam cinco dias infernais, isso se fossem apenas cinco dias. Talvez, quando ela voltasse, ficariam mais alguns dias longe...

Merda. Ele tinha que mudar aquilo. Iria sentir tanto a falta dela, daquilo que começavam a ter. Como ficaria cinco dias sem vê-la, beijá-la ou tocá-la, seria uma incógnita.

Não interessava agora. Naquele momento, tinha Lily com ele...dentro de uma porcaria de almoxarifado, mas a tinha.

Talvez era melhor aproveitar os poucos minutos restantes e beijá-la o tempo que podia beijá-la.

J~L

Já tinha a toalha de volta na cintura, Lily já estava com o jeans e terminando de vestir a camiseta.

Aquilo tinha sido espetacular, de um jeito que não poderia explicar. Foi mais do que a fantasia que tinha em fazer sexo em lugares perigosos - porque eles não transaram dessa vez -, mas foi tão bom quanto.

James poderia ser honesto e dizer que uma parte da sua cabeça o condenava de não ter achado uma solução mais confortável para aquilo acontecer, mas bastava olhar para ela, com um sorriso de orelha a orelha, que esquecia de tudo.

No final, era aquilo que importava. Se Lily não saísse com um sorriso daquele todas as vezes, então tinha feito algo muito errado.

- Está achando algo divertido? - Ela perguntou ao ver o pequeno sorriso inconsciente que ele lhe entregava.

- Você, Lily Evans, está com a maior cara de sexo do mundo.

Ela riu e colocou a camiseta.

- Assim espero, porque eu não fiz, mas sinto como se tivesse feito. - A ruiva riu um pouco enquanto arrumava o cabelo dele. - Mas você não está muito atrás.

- Eu imagino que não.

As bochechas dela estavam tão coradas, que parecia maquiagem. A boca dela estava um vermelho radiante e seus cabelos um pouco desarrumados. Se não tivessem que ir andando depois de mais de meia hora naquele lugar, James arrumaria um jeito de fazer tudo aquilo de novo apenas pela visão que tinha agora.

- Eu vou indo. Tenho que entregar as chaves. - Ela mostrou o molho de chaves na mão.

- Com quem você conseguiu isso?

- Alice! - Ela riu, cúmplice. - Acontece que ter um namorado com boa influência, te dá certas regalias.

Agora ele mesmo entendia como Frank lhe tinha dado a chave de um dos armários que levou Lily na semana passada. Ele e a namorada tinham acesso a todos os lugares.

- E como você vai sair? Ainda tem gente no vestiário.

- Você vai sair pela porta. - Lily o empurrou delicadamente até lá. - E eu vou sair pela porta dos fundos atrás de uma prateleira de ferro. Ela dá nos jardins.

- Foi assim que entrou então?

- Exatamente.

Quem diria. E ele pensando que tinha truques nas mangas.

- Te vejo mais tarde então. - Ele se despediu com um beijo rápido, mas com muitas promessas.

Saiu do almoxarifado e ouviu quando Lily trancou a porta tentando não fazer muito barulho. Voltou ao vestiário e foi tomar um outro banho. Dessa vez, não se importando com a água gelada.

Encontrou Remus do lado de fora alguns minutos depois, esperando.

- Onde estava? - Perguntou o amigo quando James se juntou a ele e pegaram a direção do estacionamento.

- Resolvendo algumas coisas.

- Está doente? Eu vi que as suas coisas estavam largadas no banco, pensei que estava no banheiro ou algo assim.

Deu de ombros, deixando a interpretação livre.

- Eu vou buscar Sirius. Você leva Lily para casa? - Perguntou mudando de assunto.

- Claro. Ela deve estar me esperando já.

Mesmo aquele arranjo, agora, lhe caía bem. Preferiria mil vezes levar Lily para casa e deixar Remus buscar Sirius, mas depois daquele encontro...

Não que estivesse cansado dela, mas com certeza ele ficaria muito tentado a continuar o que acabara de fazer e os amigos chegariam antes de sequer pensar em terminar.

Aquele encontro seria o suficiente para que passasse dias sem ela? Não. Mas teria que ser o bastante.


- Pegou tudo o que precisa? Seu carregador para as lições online, seus livros que os professores pediram?

- Sim, mãe.

- O carregador do seu celular? Seus remédios?

- Também.

- Sua carteira com a sua identidade?

- Tudo dentro da bolsa.

Bolsa aquela que Lily acabara de colocar em cima do balcão da cozinha enquanto era interrogada como se tivesse 10 anos ou algo assim e estivesse viajando por um mês.

- Você tem certeza que não quer que eu te leve até a estação? - Geneviève perguntou pela quinta vez naquela hora.

- Não, mãe. Está tudo bem.

- Certeza?

Soltou uma risada pelo nariz. Não sabia o porquê da mãe estar tão nervosa ao não levá-la até a estação. Não era uma viagem para outro continente que duraria meses. Apenas cinco dias em Leeds. Estaria de volta em um piscar de olhos.

Era o que ela estava esperando, pelo menos.

- Se você quiser vir conosco, não há problema. Mas você não precisa.

A mãe movia a boca para os lados, pensativa.

- Ela não está fugindo para o outro lado do mundo com um novo passaporte. - Sirius comentou, sentado na mesa da cozinha.

- Sim, eu sei. Mas quando vocês partem, eu apenas quero poder me despedir direito.

Aquele receio da mãe tinha um fundamento. No dia que Orion foi levado ao hospital, os dois haviam discutido pela manhã. Geneviève não parava de se lamuriar nas horas e dias seguintes.

Quando Orion faleceu, foi ainda pior.

- Você pode vir então, tem mais um lugar no carro de James. - Sirius disse, lançando um olhar para Lily que dizia "não vamos lutar contra".

Geneviève apenas suspirou e ficou sem responder por alguns segundos.

- Vocês estão tão crescidos. Às vezes eu me esqueço disso.

- Sirius também parece esquecer.

Levou um olhar debochado do irmão.

- O que prefere, Lily? - A mãe resolveu perguntar.

- Está tudo bem, mãe. São só cinco dias. Além do mais, você teria que largar os seus clientes ricos e preguiçosos no meio das compras apenas para se despedir na estação. Isso não faz sentido.

- Bem, então...- Foi abraçada por Geneviève. Viu que Sirius sorria do seu lugar enquanto tomava seu refrigerante. - Eu sei que você está um pouco nervosa, mas vai dar tudo certo. Eu tenho certeza que tomamos uma boa decisão e que ela trará frutos.

- Acho que piorar, não tem como. - Ela respondeu.

- Assim espero.

A mãe lhe deu um beijo com força antes de soltá-la.

- Nos vemos na quinta-feira que vem. - Lily se despediu.

- Te vejo na quinta, mas falo com você hoje à noite. - Geneviève a corrigiu.

Depois de se despedir de Sirius com um beijo, a matriarca saiu de casa. Sua mãe nem deveria ter vindo no meio da tarde para aquela conversa, já que se despediram de manhã, mas não iria contra um desejo dela. Se lhe dar um outro beijo de despedida lhe fazia feliz, então que assim fosse.

- James vai chegar logo. Já desceu tudo? - Perguntou Sirius.

- Sim. - Ela respondeu. - Minha mala está perto da porta e o resto aqui. - Apontou para uma pequena mochila. - Sabe, você também não precisa vir até a estação. Deveria colocar seu pé no ar e deixar lá.

- Bobagem. Vou fazer bastante disso no fim de semana já.

- Duvido.

Como em todas as manhãs - mesmo agora sendo quase final de tarde -, eles ouviram a porta da frente abrir e toda a atmosfera parecia mudar para ela.

Aquele som era um dos seus preferidos agora.

- Imagino que essa mala ao lado da porta vai para Leeds? - James perguntou do outro cômodo.

- Sim! - Ela e Sirius responderam juntos.

A porta abriu novamente, indicando que James a levava para o carro.

- Sabe, você tem que reconhecer que tem ótimos amigos. - Disse Lily.

- Eu reconheço.

- Não são todos que fariam esses bate-voltas que James faz o tempo todo por você.

- Por nós. - Sirius a corrigiu. - Ele é seu amigo também.

- Não tanto quanto seu.

- Sim, mas ainda é seu amigo. Ele não faz as coisas que faz, só por mim. Ele faz por você também.

Tentou disfarçar o sorriso enquanto sentia seu coração disparar.

- Remus ainda não chegou?

James perguntou ao entrar na cozinha. Os olhos dela o beberam. Ele estava como o James de sempre, mas mesmo aquele combo de jeans, camiseta cinza e all-star viraram a coisa mais bonita que tinha.

- Disse que chega em dois minutos. - Sirius respondeu.

Se apoiando no balcão ao lado dela, James a olhou.

- Pronta para a sua recuperação?

- Podemos dizer que sim.

- Vai dar tudo certo. - Ele deu com o seu ombro no dela antes de se virar para Sirius. - Como você vai sobreviver sem a sua irmã?

Sirius tirou os olhos do celular para olhá-lo.

- Nem imagino. O que será de mim sem precisar acordar cedo, tendo a casa só para mim, sem o secador de cabelo urrando nas manhãs ou mesmo tendo que aguentar um pouco de paz e silêncio enquanto tomo o meu café? Será uma vida cruel.

- Você vai conseguir, tenho certeza. - Lily respondeu.

A porta da frente abriu novamente e aquele era o sinal de que estava na hora de partir.

- Meu carro está na garagem coberta. - Remus anunciou ao entrar na cozinha e jogar as chaves para Sirius. - Se tiver problema, pode tirá-lo, mas ele não deve atrapalhar a sua mãe.

Remus tinha uma mochila nas costas, pois partiria à Carlisle de trem para passar o fim de semana com Dora, então pegaria uma carona com eles para a estação. Lily estava tão alegre por isso, já imaginando os dias maravilhosos que a prima teria com ele.

Os quatro partiram no carro de James. Sirius se jogou no banco da frente alegando que não queria passar mal, obrigando Lily e Remus a irem juntos no banco de trás.

- Ansioso? - Ela perguntou ao amigo ao lado.

- Não de um jeito ruim. - Remus respondeu. - Acho que é a primeira vez que eu cruzo quase todo o país para ver uma garota. É uma novidade.

- Ela é tão sortuda.

- Por falar nisso, escute bem o que eu tenho para te dizer, Remus Lupin. - Sirius se virou no banco. - Se você fizer merda com a minha prima, eu não vou te matar, mas provavelmente te fazer sofrer muito.

- Capaz de Dora acabar com ele e nem te deixar pedaço para isso. - James comentou baixinho.

Lily não discordava muito.

- Eu tenho certeza absoluta que ele vai ser o cara mais legal do mundo com ela. - A ruiva apertou a bochecha de Remus, que tinha uma expressão de desalento.

- Eu sou o menos idiota de vocês, se lembram disso? Eu não estou falando de você, Lily. - Ele rapidamente corrigiu ao ver a cara surpresa dela. - Não se preocupem: Dora vai ter um ótimo fim de semana. Eu vou garantir isso.

Ela estava feliz pela prima, mas descontente com a própria situação. Lily se abaixou no banco, enquanto tinha aquele mini momento onde ficava com inveja de Remus estar indo se encontrar com Dora, enquanto ela ia para longe de James. Era bobo, ela sabia...cinco dias não eram nada. Podia ficar sem vê-lo até quinta-feira. Não queria, mas poderia.

Era tudo novo, por isso. Quem queria se afastar de tudo aquilo que vinham vivendo? Era excitante. Ficava feliz com aqueles encontros as escondidas, os beijos, o sexo...

Apesar da música animada no carro, Lily estava um pouco longe de seguir aquele humor.

Estava indo para Leeds com uma grande chance de melhorar suas dores e condições em geral, evitar uma cirurgia. Sem contar que a clínica era quase como um hotel e poderia aproveitar como se fossem mini-férias. Deveria estar mais animada

Deu uma olhadela para o motorista. James estava naquela típica posição dele quando pensativo: um braço apoiado na janela, as costas dos dedos nos lábios. Estava de óculos escuros, mas via que ele tinha os olhos fixos no carro da frente enquanto esperava o semáforo abrir.

Queria tanto saber o que ele pensava tanto.

- Compartilhei uns documentos na nuvem com você, Lily. - Remus a chamou para a realidade. - As aulas que temos juntos, eu te envio os resumos.

- Obrigada, Rem.

- Você tendo aulas online, tenho certeza que ficará bem nesses próximos dias. - Ele voltou a falar. - Mas você pode me ligar, se quiser, então eu te explico algo que não entendeu.

Agradeceu o amigo novamente e se virou para frente. Já estavam chegando em King's Cross agora, onde pegaria um trem direto para Leeds. Lá, haveria alguém que a levaria até a clínica.

- Se meu pé não estivesse ferrado assim, eu te levaria e buscaria de carro. - Sirius dizia tentando tirar a pequena mala dela do porta-malas, mas falhando ao perder o equilíbrio com a sua muleta. James tirou a mala da mão do amigo e a pegou.

- São três horas e meia de carro. Ir de trem é melhor. - Ela disse. Sirius deu de ombros, mostrando que não se importava. - Além do mais, você tem provas para recuperar aquela semana que passou em Oxford, se lembra? Não pode sair no meio da semana e ir até Leeds me buscar.

De novo, ele deu de ombros.

- Ninguém oferece para me levar até Carlisle. - Remus comentou enquanto também pegava sua mochila.

- São quase seis horas de carro até lá. - Respondeu Sirius. - Quer que eu te leve até lá para você transar com a minha prima?!

- Eu já te levei até Oxford para você transar com a minha! - James retrucou. - Eu ainda lembro que vocês me mandaram buscar algo inexistente no mercado só para eu ficar rodando e vocês...

- Acho que está rolando informações demais aqui. - Lily interviu ao entrarem na estação.

- Não que eu fosse dar informações, já que, pelo meu bem estar, eu não estava no apartamento quando aconteceu. - Ele respondeu.

Procuraram pela plataforma dela primeiro, já que o trem para Leeds sairia antes. Seu coração estava disparado e suas mãos suavam de nervoso. Não sabia o motivo, apenas via os próximos dias como algo muito novo, combinado com algo que poderia mudar sua vida.

Fazer aquele tratamento tão longe de casa também não lhe dava muita segurança, apesar de ser um bom teste para se virar sozinha.

Ao seu lado, James levava sua pequena mala jogada por cima dos ombros. Não pensava que sentiria tanta falta dele, mas sua partida iminente e o estômago inquieto só a informavam que ela estava bem equivocada.

Respirou fundo. Aquilo tudo estava indo por um caminho incerto e complicado. Não deveria sentir-se assim, não deveria sentir a falta dele como começava a sentir que seria. Não podia.

E ainda sim, só via-se caindo mais naquela armadilha.

Merda, ela estaria tão ferrada.

Mas tão, tão ferrada.

Chegou na plataforma ao mesmo tempo que seu trem. Agora estava mais nervosa ainda.

Remus se despediu dela primeiro, desejando boa recuperação e prometendo, após Lily pedir, que ele seria o Remus Lupin de sempre com Dora.

Sirius veio logo depois, arrancando o ar de seus pulmões com um abraço de urso. O abraço fraterno que ela tanto amava.

- Me liga se precisar de mim. - Ele disse.

- E se você precisar de mim, eu pego uma merda de trem e volto na mesma hora.

- Não pense nisso. - Ele bagunçou os cabelos dela ao soltá-la. - Se concentre em ficar bem, para valer a pena toda essa viagem.

Ao se afastar do irmão, encontrou James parado na porta com a sua mala.

- Vamos, eu te ajudo com a mala até o seu assento. - Ele apontou com a cabeça para que ela entrasse no trem primeiro.

- Valeu, Descabelado.

Ela entrou, tendo James a seguindo. Escolheu um lugar ao lado da janela e uma mesa onde podia revisar algumas aulas e preparar as atividades dos alunos que monitorava e que eles receberiam por email.

Enquanto James colocava sua mala maior no compartimento acima, ele deu uma rápida olhada para ela.

- Eles estão na frente da janela, nos vendo?

Lily virou para trás, confirmando que Sirius e Remus estavam na plataforma e olhando pela janela.

- Sim.

James soltou um suspiro rápido.

- Certo. Então...boa viagem, Sardenta.

Ele a abraçou como Remus e Sirius haviam feito. Não seria algo estranho ou acusador, então não sentiu-se preocupada em retribuir. Com força.

- Obrigada pela ajuda e carona, Descabelado.

O rosto de James estava virado para a outra janela, então ele não se impediu de dar um beijo em seu ombro. Um bem demorado, com direito a uma leve mordida no final.

Eles se afastaram e Lily apenas tinha seu cérebro gritando e pedindo por um beijo. Um beijo real, de despedida, um beijo que só ele tinha.

- Não se assuste se receber uma mensagem minha um dia ou outro. Sabe, para saber como vai a sua recuperação e tal.

Ela não conseguiu disfarçar o sorriso enorme que apareceu automaticamente.

- Eu não me importaria...sabe...de receber uma mensagem. - Ela respondeu tentando segurar a animação ao ouvir aquilo. - E não fique surpreso caso eu mande uma também, apenas para saber como andam as coisas por Londres...e tal.

Os olhos travaram um no outro. O autocontrole estava indo ladeira abaixo e todos daquele vagão do trem e na plataforma assistiriam Lily pular nele e arrancar um beijo seu.

Mas a informação de que o trem estava partindo chegou. James começou a se afastar no corredor, sem tirar os olhos dela.

- Tchau, James.

- Até semana que vem, Lily

Finalmente saindo do trem a tempo, ele se juntou a Sirius e Remus. Lily acenou para eles enquanto o trem partia e começou a perceber que deixava mais do que seu irmão, seu amigo e o cara que beijava, para trás.

Tinha uma grande chance de que deixava sua sanidade também, levando um peso no peito...e um possível sentimento que parecia novo e muito mais forte do que ela.

J~L

Quando o trem pegou velocidade, James sentiu o baque.

Não era uma realização do que sentia, porque ele já sabia e sabia bem. Não era a saudade que sentiria dela, mesmo sendo apenas cinco dias distantes e cinco dias depois de finalmente ter Lily soava bem irritante.

Mas foi uma vontade. Uma vontade de fazer aquilo dar certo mais do que qualquer coisa.

Mais do que encontros às escondidas, mais do que orgasmos dentro de um almoxarifado, mais do que parentes em suas costas após uma noite juntos.

Não, queria mais.

E ele teria que começar a trabalhar nisso a partir de agora.


N/A:

Feliz Aniversário, Harry. Desculpa postar um capítulo não tão inocente no dia de hoje sobre os seus pais, mas a agenda dos capítulos bateu nesse e você também nasceu no dia do orgasmo...então fica complicado =D

Não esqueça de deixar a sua review marotinha ai ;)

Até a próxima!