Notas da autora
Yuugi começa...
No Sennen Pazuru...
Atemu descobre...
Capítulo 7 - Atemu e o Sennen Pazuru
Yuugi senta na cadeira em frente a sua mesa e começa a montar o item após tirá-lo da caixa.
Conforme Yukiko observava o seu amigo encaixando peça após peça, ela ciente de que ele não podia lidar, ainda, com os grandes poderes que o item possuía.
Enquanto isso, dentro do Sennensui que atualmente era chamado de Sennen Pazuru, a alma do Faraó que se sacrificou para salvar o mundo há milênios atrás usando o seu nome como selo enquanto sacrificava as suas memórias e corpo físico no processo de salvar o Egito e o mundo, estava em um estado de torpor, deitado em uma espécie de cama egípcia que ficava em um espaço considerável e conforme abria os olhos avistava o cômodo feito de pedra, sendo que estava razoavelmente escuro.
Atemu sentia que estava letárgico e começou a lutar para mexer o seu corpo, somente conseguindo após alguns minutos ao mesmo tempo em que sentia a mente despertando lentamente, sem saber que foi o toque de Yuugi nas peças do Sennen Pazuru que acabou despertando ele do sono profundo em que se encontrava quando o item escolheu o jovem Mutou para ser o portador do Sennen Aitemu.
Então, o Faraó desperta por completo e quando tentava forçar a mente para se lembrar de algo, descobre que não havia nada para lembrar. Sequer sabia o seu nome e fica exasperado ao perceber que não havia nada em suas memórias por mais que as buscasse desesperadamente.
Afinal, ele queria saber quem era ou o que era assim como o motivo de se encontrar em um local onde imperava um silêncio estarrecedor. A seu ver, a sua mente era um labirinto complexo e ele não conseguia decifrá-la por mais que tentasse.
Atemu estava tão absorto em descobrir o que era o espaço em que se encontrava que não percebeu as roupas que usava e que consistia das vestes nobres que ele usava quando era Faraó, além de estar usando joias e uma coroa estilizada enquanto exibia a sua pele marrom dourada, sendo a mesma roupa e aparência que tinha quando selou Zorc Necrophades e a si mesmo no seu Sennensui.
Inclusive, ele estava tão determinado a tentar descobrir onde estava, quem era e as suas recordações que continuou avançando no ambiente parcialmente escuro cuja visibilidade era mínima e ao conseguir avistar uma porta, abre a mesma, julgando erroneamente que teria as respostas que tanto desejava atrás dela.
Então, ao abri-la, percebe que havia outra sala igual à última, com o diferencial de ter uma espécie de trono de pedra, levando-o a indagar o motivo de ter aquilo naquele ambiente, para depois, olhar para si mesmo, vendo as suas vestes, joias e coroa, sendo que não compreendia que roupas eram aquelas e o motivo de usá-las.
Ele decide ignorar o trono, por enquanto, para se dirigir para a outra porta que havia avistado e ao abri-la, olha para os lados e mesmo na leve escuridão que envolvia o ambiente, o espírito conseguia discernir que era um labirinto que ia do chão para os lados e para o teto, formando um emaranhado de corredores e portas, com os seus olhos vagando por todo o espaço enquanto ficava chocado com o que via, pois o labirinto envolvia até o teto com escadas e portas, sendo um verdadeiro labirinto de sua alma.
Pelo menos, era essa a primeira impressão que teve e que surgiu na sua mente, não compreendendo de onde vinha tal concepção.
Afinal, estava confuso e desorientado, sem ter qualquer recordação e sem saber, sequer, o seu nome, como se ele não existisse.
Atemu passa a andar por alguns corredores, estranhamente se recordando de onde saiu e ao entrar em uma sala imensa, avistou a sua frente uma porta com alguns entalhes no entorno e ao tentar abrir, descobre que a porta não abria e pensa consigo mesmo:
"Eu só consigo chegar até aqui? Essa porta parece estar selada. Mas como essa informação surgiu na minha mente?"
Então, ele estreita o cenho e tenta se lembrar de algo, percebendo que com exceção de alguns fragmentos de informações, não sabia nada sobre si mesmo e conforme continuava tentando buscar freneticamente algo em sua mente, percebe que havia apenas alguns pensamentos desconexos, mas que ele procurava segurar como um náufrago quando uma corda de salvação era atirada.
O Faraó não se lembrava do que aconteceu em sua pirâmide e muito menos de salvar Sugoroku.
O motivo dele não se recordar desse acontecimento é porque a espécie de urna dourada foi retirada daquele ambiente reforçado por magia antiga e em decorrência do fato dele ter sido afastado da câmara da sua pirâmide, Atemu passou a adormecer dentro da espécie de sarcófago, ficando várias décadas em sono profundo, sendo que despertou quando Yuugi tocou pela primeira vez as peças do Sennen Pazuru.
Com o advento das décadas, ele acabou se esquecendo das parcas memórias que ainda possuía e que haviam sido mantidas na câmara da sua pirâmide.
Então, uma compreensão de onde estava surge em sua mente, como se um conhecimento fosse despertado e apesar de não ser o que desejava saber, pois queria lembranças de quem era ou o seu nome, ele decidiu absorvê-las e passou a compreender que estava selado em um item mágico e igualmente poderoso chamado Sennensui, embora o nome que surgia constantemente na sua mente era Sennen Pazuru e que atualmente estava fragmentado com ele compreendendo que se tratava de um quebra-cabeça que devia ser montado, além de surgir na sua mente conhecimentos de magia, com ele tentando descobrir a origem das informações que recebia, ficando estarrecido com o uso das técnicas mágicas que surgiram na sua mente.
Ademais, tomou conhecimento do Yami no Game, assim como a técnica para invocar as trevas e sobre a punição que poderia aplicar usando o poder do item a qual estava selado, compreendendo que aquelas informações vinham do objeto. Pelo menos, era o que ele julgava, pois seria uma explicação lógica, a seu ver.
Afinal, pelo que compreendeu das informações que recebeu, o Sennen Pazuru era um objeto dotado de grandes poderes com Atemu sentindo que também possuía a sua própria magia.
Então, ele ficou surpreso ao obter informações adicionais conforme indagava para a fonte delas por mais estranho que fosse tal pensamento.
Para alguém que não tinha nenhuma recordação e sequer sabia o seu nome, ter alguma informação, mesmo que não fossem as informações que desejava, o fez ficar satisfeito porque era melhor ter algo do que nada.
Munido de todas as informações passadas pelo objeto ele compreendeu que aquela porta somente poderia ser aberta quando o Sennen Pazuru fosse montado ao seu estado original e quando isso ocorresse, ele passaria a ter acesso irrestrito ao corpo daquele que montou o item, com Atemu podendo tomar o corpo emprestado e o motivo de não apreciar essa ideia era em virtude do fato de tomar o corpo de alguém e ele confessava que não se sentia confortável com esse pensamento, apesar dos aparentes benefícios que teria ao mesmo tempo em que tinha ciência de que precisaria usar a sua magia e a do item por possuir acesso irrestrito para fazer aquele que portava o item dormir profundamente ao tomar o seu corpo.
Afinal, ele não acreditava que o seu futuro anfitrião permitiria o controle do seu corpo a outra entidade de livre e espontânea vontade, ao menos, no início, com ele pretendo não ser um segredo por muito tempo porque acreditava que com o advento do tempo, o seu futuro anfitrião poderia desenvolver resistência a sua magia e a do item.
Ademais, Atemu preferia fazê-lo dormir em vez de confiná-lo em um local, pois, não desejava fazer isso, preferindo alterar as memórias dele para dá-lo uma vida confortável quando o portador retornasse ao corpo porque não achava certo confinar com aquele que daria acesso ao seu corpo, mesmo de forma inconsciente.
Para o Faraó era suficiente o fato de tomar o corpo do portador do item. Por isso, ele precisava ter a mínima decência de dar um sono tranquilo ao seu anfitrião enquanto usasse o corpo dele ao mesmo tempo em que fazia com que a posse temporária do corpo fosse algo tolerável para a sua mente, embora soubesse ser algo errado, mesmo que fosse gentil com o portador do item.
Para ajudar a sua consciência, ele havia jurado a si mesmo que somente tomaria o controle temporário do corpo do seu anfitrião se ele corresse risco de vida, se alguém invadisse a fronteira do coração do portador ou em alguma situação distinta, sempre visando garantir a proteção e o bem estar do seu anfitrião, agindo como um protetor ou justiceiro sempre que fosse necessário.
O Faraó também era plenamente ciente que precisaria usar magia para fazer o portador do Sennen Aitemu usar o item ao influenciá-lo, pois, somente podia tomar o corpo do seu anfitrião se o item estivesse em contato com ele.
Afinal, se o portador percebesse que tinha lapsos de memória e que eles surgiram assim que colocou o item, o primeiro instinto seria retirar o Sennen Pazuru e isso era algo que o espírito não podia permitir porque o portador poderia decidir transformar o objeto em fragmentos novamente, sendo algo que não desejava.
Ademais, o espírito precisava garantir a vida do portador do Sennen Aitemu, pois lhe veio à mente a informação que quando o item fosse montado, com Atemu podendo compartilhar o corpo com aquele que montou o Sennen Aitemu, as suas almas estariam unidas. Se um deles morresse, o outro morreria também, sendo um pensamento demasiadamente assustador a ele, que percebeu que precisaria sempre ficar atento ao seu anfitrião para que pudesse salvá-lo quando fosse necessário.
Então, ao pensar no aspecto de um anfitrião, o Faraó começa a ouvir uma voz melodiosa que o faz olhar para os lados procurando a origem dela, percebendo que o ambiente em volta dele se enchia de luz, com Atemu tentando compreender de onde vinha o brilho que parecia segui-lo conforme ele andava e que o confortava ao mesmo tempo, pois era uma luz quente e reconfortante, repleta de bondade, gentileza e amabilidade, sendo algo que o deixou agradavelmente surpreso.
Inclusive, ele tinha a sensação que a voz suave que ouvia era brilhante também por mais estranho que fosse tal pensamento, enquanto que a mesma voz propagava uma sensação de paz, como um bálsamo que tranquilizava a sua alma inquieta e conforme pensava nesse aspecto, percebeu que vinha do seu futuro anfitrião.
Então, junto da voz vinham memórias em forma de flashes que Atemu sabia não era dele e que após refletir sobre a origem delas, descobriu que possuíam a mesma origem da voz brilhante que ecoava no lugar parcialmente escuro que morava e que era como uma droga viciosa, considerando o estado em que se encontrava, com o Faraó percebendo que a luz irradiava da porta selada, confirmando a hipótese de que era do seu anfitrião e que se encontrava do outro lado que ainda era inacessível a ele.
Pelo que compreendeu da voz e das parcas lembranças que o inundaram, o seu anfitrião era um menino que estava entusiasmado enquanto montava as peças do Sennen Pazuru.
Atemu fechou os olhos, se concentrando em todas as peças e ao fazer isso, consegue sentir as mãos do infante encaixando-as, uma por vez, enquanto ouvia os comentários animados dele.
Conforme assimilava o fato de que o seu futuro anfitrião ainda era uma criança, o espirito que habitava o item passou a ficar demasiadamente preocupado porque ele não acreditava que um corpo pueril conseguiria lidar com os poderes que seriam libertados quando terminasse de montar o Sennen Aitemu.
Afinal, o stress da liberação dos poderes do item poderia ser demasiado para um corpo tão jovem, podendo levar a morte dele e isso era algo que Atemu não podia permitir que acontecesse, tanto por ser uma criança, quanto pelo fato de que aquela luz que tanto o confortava e que era o seu bálsamo não podia ser extinta. Ele precisava que aquela luz continuasse brilhando e faria de tudo para não voltar à escuridão parcial em que se encontrava até alguns instantes, atrás, antes de tomar consciência da existência do menino.
Portanto, o Faraó precisava detê-lo por mais que fosse sofrível a ele, uma vez que iria ficar naquele lugar por um longo tempo, desconhecendo o fato que se encontrava selado há milênios.
Após pensar por algum tempo, ele planejou uma forma de impedir que a criança continuasse a montar o Sennensui enquanto era inundado recentemente pelo brilho no coração do outro através da sua bondade, gentileza e amabilidade que forneciam o bálsamo tão necessário para aplacar a agitação da sua alma, com Atemu se sentindo unido a aquele menino e de um jeito que o desconcertava, como se ambos estivessem unidos de forma profunda e que isso o impulsionava a ser demasiadamente protetor.
Afinal, o sentimento que ele sentira naquele instante e a sensação de união que compartilhava com o seu anfitrião era muito mais profunda e a sua origem era um mistério para o Faraó.
Portanto, por mais sofrível que fosse ficar dentro do item fragmentado enquanto ficava sozinho naqueles corredores que eram como um labirinto da sua alma, Atemu precisava impedir que o item continuasse a ser montado, pois, o seu futuro anfitrião ainda era uma criança e um corpo pueril não conseguiria suportar o poder do Sennen Aitemu e isso poderia levá-lo a morte.
Com essa decisão em sua mente, ele decide usar a sua magia para impedir o menino de montar o quebra-cabeça, sendo plenamente ciente de que não precisava usar a sua magia em todos os itens. Bastava impedi-lo de conseguir decifrar a posição de uma das peças que ele segurava em sua mão.
Portanto, o Faraó decide impregnar uma delas com a sua magia de tal modo que ele sempre teria dificuldade em posicioná-la e sem conseguir encaixar essa peça, ele não conseguiria terminar de montar o item. Ou seja, bastava uma peça para impedir aquela criança de montar o Sennen Pazuru.
Atemu descobriu que não era difícil executar essa magia, pois bastava se concentrar para sentir todas as peças.
Após conseguir sentir todos os fragmentos, ele consegue detectar a peça que a criança havia acabado de pegar em sua mão e ao localizá-la fica alarmado ao perceber que ele havia montado mais da metade das peças do Sennen Pazuru e que se continuasse naquele ritmo, a criança iria terminar de montá-lo.
Frente a esta constatação, procura impregnar o mais rápido possível aquela peça com a sua magia, ficando aliviado ao sentir que o menino ficar frustrado por não conseguir encaixar corretamente aquela peça por mais que tentasse.
A criança desconhecia o fato de que não conseguia encaixá-la por causa da magia de Atemu que impedia Yuugi de perceber a única posição que poderia encaixar aquela peça ao deixa-lo cego, por assim dizer, ao verdadeiro encaixe, sendo que foi uma magia razoavelmente simples ao Faraó que sentia pena ao ver a frustração da criança dando lugar a tristeza ao não conseguir encaixar aquela peça.
Por mais que sentisse pena dele, Atemu sabia que era por uma boa causa, pois o corpo do menino não estava pronto para as consequências de terminar de montar o Sennen Pazuru que havia escolhido aquela criança como futuro anfitrião do Faraó, após milênios sem escolher ninguém.
Inclusive, se aquele que não era o escolhido tentasse montar o item, teria a alma presa para sempre nas trevas do Sennen Aitemu enquanto que em relação aos demais itens, os que não eram escolhidos eram mortos sumariamente.
Portanto, somente os eleitos pelos itens podiam portá-los e usar os seus poderes.
De dentro do enigma, o Faraó notou que a criança parou de montar e que a luz havia reduzido de intensidade.
Ao investigar o motivo, descobre que era ocasionado pelo afastamento do menino das peças ao colocar todas elas de volta na urna dourada.
Atemu ficou aliviado por ter descoberto o motivo, sendo que mesmo aquela parca luz remanescente conseguia ser calorosa e gentil, o fazendo ficar confortável com ele decidindo que também iria adormecer enquanto tentava juntar os pequenos fragmentos de memória que recebeu do menino, identificando nestas memórias a existência de três meninas que o seu futuro anfitrião possuía em alta estima, embora fossem os únicos amigos dele e que também o protegiam.
O Faraó confessava que sentia inveja por ele ter amigos e por elas poderem protegê-lo enquanto que ele não podia fazer nada, ainda, por estar confinado no Sennen Pazuru.
