Notas da autora
Em Kul Elna...
Shaadii...
No Japão...
Capítulo 8 - Mahaado e Mana
Nesse interim, no Egito, mais precisamente nos arredores da Tábua dos Sennen Aitemu em Kul Elna havia um grupo de crianças que estavam distraídas lendo alguns livros que Shaadii trouxe, sendo que eles se encontravam em uma espécie de casa. O egípcio mais velho conversava com um jovem egípcio órfão de dezesseis anos.
Há alguns anos, atrás, quando esse mesmo jovem era uma criança, ele havia localizado a Tábua que continha os Sennen Aitemu, com o mais velho percebendo que ele não queria roubar os itens e que os encontrou ao sentir as fontes mágicas dos itens e a vibração mágica deles, fazendo assim com que Shaadii ficasse surpreso com a revelação, pois, autênticos magos eram raríssimos no mundo atual enquanto ficava estupefato ao descobrir o potencial mágico do mais novo e que ele era autodidata em aprender magia, deixando-o estupefato.
Atualmente, esse mesmo jovem desejou buscar a fonte do seu conhecimento mágico e para fazer isso, ele decidiu usar um feitiço de reversão porque quando viu Shaadii pela primeira vez, teve a impressão dele ser estranhamente familiar e ao comentar sobre essa impressão para o Guardião da Tumba, ele fica surpreso porque que ao vê-lo, também teve a impressão que era um amigo há muito perdido.
Rapidamente, eles fizeram amizade e o mais velho ficou fascinado com o nível de magia que o mais novo exibia, pois, era um nível intenso e no mesmo patamar dos verdadeiros magos do passado.
Inclusive, se estivessem no Egito Antigo, ele seria o líder de todos os magos da corte egípcia pelo nível de magia que demonstrava e igual domínio do mesmo apesar de ser jovem, sendo que era autodidata, pois, aprendeu tudo por si mesmo.
Em virtude disso tudo, ele passou a fazer parte não oficialmente dos Guardiões da Tumba do Faraó sem nome.
O jovem egípcio havia realizado há algumas horas, atrás, o feitiço de reversão e descobriu a fonte do seu conhecimento e das técnicas mágicas que surgiam em sua mente apesar de muitas delas serem nebulosas, com ele acreditando que conseguiria decifrá-las com o tempo, sendo que havia acabado de contar tudo ao seu amigo.
- Você tem certeza disso, Mahaado? – Shaadii pergunta exibindo surpresa em seu semblante perante as informações que o jovem havia revelado sobre a sua pequena incursão ao passado.
- Sim. Eu fui um Shinkan de um Faraó cujo nome não me recordo. Eu também portava o Sennen Ringu por ser um dos Guardiões Sagrados da corte dele. Se eu puder segurá-lo, talvez consiga reaver as minhas memórias por completo.
- Quanto ao item... – Shaadii suspira, fazendo o jovem arquear o cenho ao ver o seu amigo olhar para ele após dedicar um olhar rápido a outra câmara onde havia crianças órfãs que ele acolheu. - Poderia conjurar uma bolha mágica em torno de nós para que as crianças não nos ouçam?
Apesar de achar estranho o pedido, Mahaado consente e conjura uma bolha mágica.
Então, o mais velho suspira e explica tudo o que ocorreu após apoiar os cotovelos na mesa, apoiando em seguida o queixo nas mãos fechadas enquanto se recordava dos acontecimentos desagradáveis, a seu ver.
Após o término do relato por parte de Shaadii, Mahaado comenta após digerir as informações estarrecedoras, sendo que havia ficado estupefato com a descrição do poder de uma mulher misteriosa, com o seu amigo comentando que ela não parecia ser uma humana, fazendo o jovem mago ficar curioso sobre a identidade do ser que derrotou cinco Sennen Aitemu e que mesmo o Ryoushi Kyuubu não pôde lidar com o poder descomunal dela.
- Isso é...
- Inacreditável. Eu ainda estou assimilando o que ocorreu. Nunca imaginei que pudesse existir um ser com o nível de poder que demonstrou, sendo que ela havia comentado que aquele não era todo o seu poder.
O jovem mago arregala os olhos e depois pergunta após refletir por alguns minutos, se recordando do relato:
- Quer saber a minha opinião sincera?
Shaadii consente e o jovem mago fala:
- Eu acredito nas palavras dela. Ela não demonstrou seus verdadeiros poderes. Se tivesse usado todo o seu poder, provavelmente, você estaria morto.
- Sim. Eu também acredito nisso. Inclusive, ela confessou que me poupou. Ademais, ela demonstrou um grande controle dos seus poderes ao conseguir reduzir drasticamente em alguns segundos um contra-ataque cujo poder seria maior do que aquele que perpetuou, no caso, o poder de cinco Sennen Aitemu, demonstrando que o seu poder estava acima do que ela manifestou.
- Um homem detém em suas mãos um ser tão poderoso... Esse é um pensamento assustador. Afinal, pelo que ouviu dela, ela seria capaz de fazer tudo o que essa pessoa pedisse. Portanto, ele é alguém que não podemos ter como inimigo, pois, seriamos estraçalhados por esse ser.
- Sim. Confesso que é um pensamento assustador se pararmos para pensar nisso. Ademais, acredito que ela seja capaz de manipular a sua aura mágica.
Mahaado arqueia o cenho e pergunta:
- Por que disse isso?
- Eu perdi o seu rastro mágico após ela abandonar os céus de Kul Elna. O fim do meu rastreio não foi por ela suprimir sua aura mágica. Isso deixa uma assinatura mágica, por assim dizer, como você deve saber.
- Sim. De fato, há uma espécie de assinatura no ar e que permanece por alguns minutos.
- Bem, eu não senti essa assinatura quando a sua aura mágica desapareceu, de repente.
Mahaado arregala os olhos e depois comenta após ficar reflexivo:
- Isso somente demonstra os seus poderes. Pelo visto, não conseguiremos descobrir a identidade dela. Só sabemos que ela veio de outro universo. Isso confirma a existência de outros universos.
- Eu não acredito que ela voltou para o seu universo de origem. Eu teria sentido alguma perturbação mágica no ar porque ela seria obrigada a abrir um portal ou algo similar a isso, provocando uma perturbação mágica.
- Sim. Além disso, ela deve estar próxima desse garoto para protegê-lo. Você disse que esse ser exibia uma postura bem protetora durante o seu relato.
- Isso mesmo.
- Então, isso é outro indício que ela ainda está por aí, em algum lugar. Eu tenho a estranha sensação que vamos conhecê-la, algum dia.
- Eu também tenho essa impressão.
Eles ficam alguns minutos em silêncio até que Mahaado o quebra ao comentar conforme pensava no fato do Sennen Ringu ter escolhido o seu portador:
- Que estranho... Por que o Sennen Ringu escolheu uma criança?
- Não faço a mínima ideia. Ela não quis contar.
- Então, esse ser parecia conhecer o motivo do item? – o jovem mago pergunta em tom de confirmação.
- Eu tenha a impressão que aquela mulher sabia. Bem, considerando o fato de que ela tem visões de acontecimentos do passado e do futuro, tanto da linha do tempo original quanto a que havia sido alterada, eu não duvido disso.
Após alguns minutos, o jovem mago comenta:
- Pelo que me contou, ela parecia saber a localização do Sennen Pazuru. Foi uma pena que não conseguiu descobrir onde o item se encontrava.
- Sim. Inclusive, eu estou surpreso por ter descoberto que uma pessoa conseguiu passar por todas as armadilhas e proteções antigas na pirâmide do Faraó sem nome adentrando até a câmara do Faraó, conseguindo pegar o Sennen Pazuru. Por milênios, ninguém conseguiu passar por todas as proteções. Ele ou ela conseguiu passar por todas as proteções e não obstante, conseguiu seguir o caminho correto até a câmara apesar das falsas pistas para confundir os ladrões de tumbas.
- De fato, deve ter sido alguém formidável. Mas também pode ser aquele que foi o escolhido para portar o item ou encontrá-lo para que chegasse às mãos do escolhido. Todos nós sabemos que os itens tem uma consciência rudimentar. Não chegam a ser sencientes. Mas possuem o mínimo de consciência para escolherem os seus portadores, os julgando se eles são dignos de manipulá-los.
Shaadii fica pensativo e depois, fala:
- Verdade. O item pode ter auxiliado de forma indireta.
- Em minha opinião, nenhum bandido ordinário ou ladrão de tumbas teria conseguido atravessar a ponte do julgamento feito de pedras contendo Ka´s selados, como é de conhecimento de vocês, os Guardiões da Tumba, tanto o do seu clã quanto o do clã Ishitar. Quem passou por essa ponte não pretendia enriquecer com o item, assim como não adentrou a pirâmide em busca de suas riquezas. Aquela ponte não o deixaria passar, mesmo que ele tivesse conseguido superar todas as outras proteções e armadilhas. É a impressão que eu tenho. Afinal, ele conseguiu passar pela ponte, pegando o item e depois, conseguiu voltar sem maiores problemas.
O mais velho fica pensativo e depois consente, falando:
- De fato, eu não tinha pensado por esse ângulo.
- Eu acredito que não demorará muito para descobrimos aquele que foi eleito para ser o portador do Sennen Aitemu mais poderoso e de poderes misteriosos.
- Eu também acredito nisso.
- Confesso que estou muito curioso para conhecer o portador, além do fato de eu desejar saber que poderes ele possui. Afinal, ele não foi montado há milênios.
- Eu também estou curioso. Se bem, que acredito que vou testar o portador para descobrir os seus poderes. Eu sei os poderes de todos os itens, menos deste e aquele ser sabia do poder do item. Pelo menos, eu tive essa impressão. – Shaadii comenta pensativo.
Mahaado fica surpreso e depois, fala:
- Incrível... Bem, considerando os poderes dela e a familiaridade que ela demonstrava com os Sennen Aitemu, eu não me surpreenderia se de fato, ela conhecesse as habilidades de todos os itens, inclusive do misterioso Sennen Pazuru. Só peço para que tome cuidado. – ele fala o final com uma face séria.
- Por quê? – o mais velho pergunta arqueando o cenho.
- Talvez, aquele ser tenha alguma ligação com o portador do Sennen Pazuru. Claro, não temos provas disso, pois, ela não deu indícios de ter alguma ligação. Mas é uma hipótese que não pode ser rejeitada.
- Eu preciso testar o portador e se eu for obrigado a lutar contra esse ser novamente, que assim seja.
- Você promete que vai me chamar quando fizer isso? Eu não quero que encare esse ser sozinho caso a minha hipótese esteja correta.
Shaadii sorri e fala:
- Eu prometo, meu amigo.
- Por falarmos em Sennen Aitemu... – o mais jovem fala o final em um murmúrio enquanto ficava pensativo.
- O que houve? – o mais velho pergunta, arqueando o cenho.
Mahaado fala pensativo:
- Eu sinto que o Per'a'ah (Faraó) está próximo. Desde que eu obtive algumas visões do meu passado como Guardião Sagrado, eu tenho sentido isso.
- Segundo os parcos fragmentos de memória que conseguiu obter em sua pequena incursão ao passado, você cuidava do jovem Per'a'ah desde que ele era criança quando era o iry-pat (príncipe herdeiro) e depois, passou a servi-lo como um dos Guardiões Sagrados em sua corte juntamente com o fato de já ter sido portador de um Sennen Aitemu. Pode ser esse o motivo de você poder pressentir isso.
- Provavelmente.
- Como você não é oficialmente um Guardião da Tumba, você tem a liberdade de partir e buscar pelo Per'a'ah quando puder sentir o poder dele.
- É o que eu pretendo fazer. Enquanto não chega o dia de reencontrá-lo, irei aperfeiçoar os meus estudos. A minha incursão no passado me fez acessar novas memórias de encantamentos.
- Isso é bom... Eu acho que você pode anular esse campo em volta de nós dois. As crianças podem desconfiar do nosso aparente silêncio.
- Verdade. – ele consente sorrindo
Então, o jovem mago estala os dedos e o campo some, com eles conversando outros assuntos.
Após alguns minutos, Mahaado é abraçado por uma criança egípcia de cinco anos de idade que sorri para o jovem mago que a afaga paternalmente na cabeça, fazendo-a sorrir ainda mais.
Era uma menina que ele resgatou de um pai abusivo após ver o homem agredi-la, descobrindo a rotina de violência que a pequena vivenciava em um casebre nos arredores da vila em que se encontrava depois que a mãe dela faleceu em virtude de uma doença.
O jovem mago a resgatou e ela passou a grudar nele, se referindo ao jovem como pai, embora ele sentisse que era novo demais para usar esse título.
- Por que não está com as outras crianças, Mana?
Mahaado também havia questionado o motivo de achá-la familiar, além de ter descoberto que ela tinha poderes mágicos e ao constatar o poder mágico no corpo dela, mesmo sendo um jovem mago, decidiu treiná-la nas artes mágicas.
- Você não vai embora, me deixando com o tio Shaadii, né? – ela pergunta com lágrimas nos olhos enquanto os lábios tremiam.
O jovem mago havia cogitado essa hipótese, uma vez que ela era pequena. Mas ao ver os olhos lacrimosos dela e o desespero na voz da criança, se recordando do fato que ela tinha heika e que precisava dele para aprender a dominá-la, ele mudou de ideia ao mesmo tempo em que começava a vê-la como uma filha.
- Não vou deixá-lo com o tio Shaadii. Ademais, quem vai lhe ensinar heika (magia) se eu não estiver por perto? – ele responde enquanto sorria.
- É verdade? – ela pergunta secando as lágrimas com os bracinhos, para depois, olhá-lo com olhos expectantes.
- Sim. Por acaso, eu já menti para você? – ele pergunta enquanto sorria.
- Não. – a pequena fala, negando com cabeça.
- Agora, vá brincar com as outras crianças porque amanhã iremos partir.
- Sim, papai! – ela exclama e corre animada até a outra sala.
Shaadii sorria gentilmente ao ver a interação deles. De fato, eles pareciam pai e filha.
Ademais, ele também havia tido a impressão que conhecia aquela criança de algum lugar, com a sensação sendo semelhante a que teve em relação à Mahaado:
- É incrível o fato de termos mais um mago. Ela será uma grande maga no futuro.
- Com certeza. Mas tenho a impressão que ela vai dar trabalho para estudar heika. – ele fala em suspiro, massageando a testa.
- Por que diz isso? Ela tem talento natural. – Shaadii exibe surpresa em seu semblante.
- Ela tem um grande talento nato. Mas eu tenho um pressentimento que Mana dará trabalho para estudar Heika. Pode chamar de intuição ou pressentimento, o que desejar.
Então, após o jovem mago suspirar novamente, eles voltam a conversar outros assuntos.
No Japão, mais precisamente em frente a Kame Game de Domino City, Yukiko, que observava tudo a distância ficou aliviada ao ver que Yuugi não conseguia mais encaixar as peças, sendo que sabia que era obra de Atemu.
Ela observa que o seu amigo ficou desanimado por não conseguir avançar mais na montagem do quebra-cabeça, julgando erroneamente que devia ser em decorrência do sono ao ouvir o que Yuugi disse a si mesmo em virtude da sua audição apurada.
Então, ele guarda cuidadosamente as peças dentro da espécie de urna dourada, colocando-a carinhosamente em um canto da mesa.
Após fazer isso, o menino se dirigiu para a sua cama e em questão de minutos, ele havia adormecido profundamente.
Após Yuugi dormir, Yukiko fica em um estado reflexivo, se recordando de tudo o que ocorreu no passado daquele universo.
A albina concordava que Atemu foi um verdadeiro herói ao não medir esforços para salvar o Egito e o mundo, não se importando de condenar a si mesmo a uma vida sem qualquer memória e sem saber o seu nome enquanto viveria com a alma confinada em um objeto ao ficar preso nesse mundo.
Afinal, Yukiko sabia melhor do que ninguém o que era viver sem qualquer recordação do seu passado, pois, ela ficou vários anos sem se recordar de nada, exceto o seu nome, além de ser capaz de executar magia juntamente com conhecimentos gerais que vinham a sua mente quando era necessário, adicionando o fato de ter conhecimento de que era uma dragoa das neves sagrada.
Viver sem recordações era doloroso demais e no caso de Atemu foi pior porque o Faraó não se recordava sequer do seu nome que foi usado como selo para deter Zorc Necrophades enquanto que a albina sempre soube qual era o seu nome.
Porém, mesmo sabendo do sacrifício que ele fez, ela ainda carregava as suas próprias lembranças do Egito de outro universo e sabia que teria que suportar a inabalável autoconfiança do Faraó que teria feito naquele mundo, o Titanic afundar o iceberg e não o oposto ao usar um dos vários conhecimentos que adquiriu daquele universo.
