Notas da autora

Yukiko se recorda...

A albina descobre...

Um incidente...

Capítulo 9 - O despertar dos dragões

Ademais, ela havia conseguido se lembrar do seu passado, fazendo-a perceber que os seus sentimentos para com Yuugi estavam mais para maternais do que fraternais em si, levando-a a sentir um desejo intenso de protegê-lo e consequentemente, uma fúria excessiva e sem precedentes tomá-la sempre que alguém o fazia sofrer.

O fato da presença dele confortá-la, sendo o bálsamo que tanto ansiava, somente exacerbava o seu ódio por aqueles que ousavam machucá-lo, fosse mentalmente, fisicamente ou psicologicamente.

Enfurecer um dragão podia ser considerado como um suicídio ou loucura e Yukiko havia percebido que existia muitos loucos e suicidas no mundo, com ela desejando destroçar todos àqueles que pudesse colocar as suas garras.

Ao pensar em Yuugi, a albina acaba se lembrando da sua imouto (irmã mais nova) e ao fazer isso, lágrimas peroladas brotam dos seus orbes levando-a a se lembrar dos seus pais e de sua vida passada, antes que fosse retirado dela, passando a compreender que o seu desejo de proteção e sentimentos calorosos perante o menino era porque ele lembrava a sua irmã mais nova, sendo uma versão masculina dela e não somente por ser fofo, desejando apertá-lo em seus braços, o colocando em um potinho.

Afinal, ele era bondoso, sendo a bondade a sua maior força enquanto que não tinha malícia ou maldade em seu coração.

Inclusive, mesmo ficando com raiva de alguém, Yuugi era capaz de perdoar não importando o que essa pessoa fez contra ele e não se importava de perder um duelo se isso significasse ajudar o seu oponente ou salvá-lo.

Também havia a timidez dele perante os outros, sendo outra característica que Yukiko adorava, tornando-o mais fofo, com ela confessando que tinha um tombo e não uma simples queda por tudo que era fofo, desejando abraçar e apertar.

Tudo isso, fazia Yuugi ser uma versão masculina de sua imouto porque ele tinha a mesma personalidade, coração, gentileza e bondade dela.

Inclusive, a bondade era a maior força que ambos possuíam, além de terem olhos que refletiam a sua alma, sendo bem expressivos.

Porém, conforme refletia sobre isso, percebe que ao ter tomado conhecimento que havia ficado estéril, os seus sentimentos em relação a sua imouto haviam deixado de ser somente fraternais para serem quase que maternais e que era refletido em Yuugi.

Tal pensamento não era ilógico para ela, pois, esses sentimentos maternais eram impulsionados pela sua incapacidade de ter filhotes, fazendo com que tivesse sentimentos maternais por aquele que lhe inspirava sentimentos protetores como a sua imouto e consequentemente, Yuugi, uma vez que ele era uma versão da sua irmã mais nova.

Ela sai do estado reflexivo que se encontrava, passando a olhar de forma carinhosa para o seu amigo mais importante, pois, ele sempre lhe inspirava o instinto de proteção tanto desse universo, quanto do outro, enquanto o achava fofinho, sendo os mesmos sentimentos que a sua imouto lhe inspirava.

Yukiko olha carinhosamente para Yuugi por vários minutos enquanto se certificava que as suas magias de proteção estavam ativadas e de preferência ocultas, para que Atemu não pudesse identificá-las, com essa proteção sendo estendida Sugoroku porque o seu amigo havia perdido os seus pais e não desejava que ele perdesse também o seu avô.

Afinal, ela descobriu eventos adicionais não relacionados diretamente à Yuugi, mas que seriam ocasionados pela explosão de anos, atrás.

Ademais, Kisara e Nuru, assim como os pais delas, também detinham as proteções mágicas de Yukiko pela amizade que possuíam com ela, tal como era com as contrapartes do outro universo.

Conforme pensava nos acontecimentos indiretos envolvendo Sugoroku e os pais das gêmeas, além das mesmas, a albina teria "brinquedos" para se divertir e não precisaria cedê-los a Atemu, pois, bastavam as futuras presas que pertencia a ele embora ela pudesse cuidar de alguns deles após Yuugi tomar consciência do espirito que habitava o item ao resistir à magia dele, fazendo com que o Faraó não pudesse agir do modo como desejava contra aqueles que invadiam a fronteira do coração do jovem ou o feriam de alguma forma, além de ser influenciado, um pouco, pela bondade do seu anfitrião com o advento dos meses.

Ao pensar nos novos brinquedos que teria, um sorriso sádico surge nos lábios da albina, com ela ficando ansiosa para poder ter esses loucos e sem amor a vida em suas garras para poder torturar a vontade.

Após se certificar que as suas proteções estavam devidamente ativas, Yukiko abre as suas asas e voa em direção ao apartamento onde encontraria os seus escravos mentais dormindo, uma vez que eles trabalhavam fora, com ela usando magia para ficar invisível enquanto voava.

Ao chegar até o apartamento, ela pousa graciosamente na varanda , fazendo uma careta ao constatar que ainda existiam nela os trejeitos da realeza por mais que ela se esforçasse para suprimi-los, para depois, caminhar até o seu quarto e ao olhar para a escrivaninha, os seus olhos pousam na foto que ela tirou junto de Yuugi, Kisara e Nuru.

Conforme analisava as recordações adquiridas, juntamente com a sua discreta observação pessoal, Yukiko havia percebido que Kisara parecia não ter consciência da existência da Dragoa branca de olhos azuis, assim como a sua reencarnação anterior no antigo Egito daquele universo.

Conforme se concentrava em buscar alguma recordação adquirida daquele universo que pudesse ajuda-la no que almejava, ela descobriu que Kisara ignorava de uma forma quase que inconsciente a existência do dragão, pois, podia sentir o medo que a jovem tinha da dragoa e conforme analisava o motivo da prateada temê-la, percebe que era por causa de um incidente há anos atrás, juntamente com a irmã dela, Nuru, antes da mudança para Domino City.

Inclusive, era surpreendente que o dito incidente envolvia um carro em que ambas estavam juntamente com as suas avós, voltando de um parque de diversões, à noite, quando foram fechadas bruscamente em uma curva, fazendo com que fossem jogadas para fora da estrada, agravando o fato de que essa via passava por uma montanha.

O veículo voou no precipício após romper o muro de proteção que margeava a estrada e não se chocou contra o chão porque ficou preso por algumas árvores grossas e nodosas de copas densas que margeavam a encosta, embora fosse visível o fato dos galhos estarem cedendo gradativamente ao peso do carro e que era apenas uma questão de tempo para que o automóvel caísse no precipício assustador.

As avós delas estavam parcialmente conscientes, assim como as gêmeas, embora a morena exibisse um ferimento em sua cabeça e que estava sangrando enquanto a prateada tinha um corte em sua testa.

Ambas as crianças acabam ficando inconscientes, quase que ao mesmo tempo, sendo que primeiro foi a mais nova, Kisara.

Então, as avós ficam de olhos arregalados ao verem surgir da prateada um belo e poderoso dragão branco de olhos azuis que parecia brilhar levemente enquanto que da bronzeada surgiu um dragão negro de olhos vermelhos cujo corpo parecia similar ao branco, embora fosse mais magro, com ambos os dragões voando próximos um do outro, sendo que possuíam espaço disponível para baterem as suas asas possantes visando manter o nível de voo.

Quando os dragões olham para as mulheres que ainda estavam estupefatas, ambas perceberam que os olhos azuis refletiam a alma de Kisara e que os olhos vermelhos refletiam a alma de Nuru, fazendo com que as senhoras ficassem aliviadas, com o receio inicial que sentiram as abandonando gradativamente conforme digeriam o que ocorreu, sendo que cada uma delas abraçava uma das netas em seus braços.

Elas estendem as mãos até os dragões que inclinam docilmente a cabeça, permitindo que elas os afagassem, fazendo-as ficarem fascinadas.

O som dos galhos se partindo e que havia ficado mais acentuado, as desperta do estado contemplativo que se encontravam conforme olhavam os belos seres a sua frente.

As senhoras percebem que eles ou elas porque tinham a ligeira impressão que eram dragoas e não dragões, olhavam atentamente para elas exibindo certa curiosidade em seus focinhos, chegando a inclinar a cabeça para o lado como se tentassem compreender a situação como um todo, com ambos demonstrando uma inocência pueril em seus orbes, sendo algo que as surpreendeu.

Então, uma delas pede:

- Por favor, nos precisamos sair do veículo.

Consentindo, a dragoa alva pega delicadamente uma das senhoras em uma de suas patas, pegando Kisara com a outra pata enquanto que a dragoa negra fazia a mesma coisa com a outra avó e com Nuru.

Após pegá-las em suas patas que continham garras afiadas, as mulheres perceberam que elas as haviam pegado da forma mais gentil possível, sendo que uma das idosas fala:

- Nos afaste do automóvel, por favor.

Ambas as dragoas consentem e se afastam do veículo no momento certo.

Afinal, alguns minutos depois, todos observam o carro despencando dos galhos após o som alto e ensurdecedor de vários galhos se rompendo ao mesmo tempo, sendo que as senhoras ficaram aliviadas por terem escapado da morte, pois, perceberam que se tivessem ficado mais alguns minutos dentro do veículo, elas teriam caído junto das suas netas no precipício.

Quando viram o rosto para as dragoas, percebem que elas exibiam confusão em seus semblantes enquanto olhavam para os lados, como senão soubessem para onde voar.

Então, as duas senhoras olham em volta e indicam um local perto da estrada enquanto ficavam alarmadas ao perceberem as sirenes dos bombeiros e das viaturas se aproximando do local, pois, as luzes vermelhas e brilhantes se destacavam na noite densa juntamente com o som alto das sirenes.

- Pousem ali, Kisara-chan e Nuru-chan. Por favor.

As dragoas olham na direção que elas apontavam e batem as suas asas poderosas, voando até o local indicado, para depois, pousarem sobre as suas patas traseiras ao mesmo tempo em que recolhiam as suas asas, com uma das idosas perguntando gentilmente:

- Poderiam nos colocar no chão?

Obedientemente, ambas depositam delicadamente todas elas na espécie de acostamento rente a estrada, para em seguida apoiarem o seu corpo nas patas dianteiras mais curtas, passando a deitarem docilmente ao lado das netas delas ao mesmo tempo em que abaixavam o focinho, exibindo curiosidade infantil em seus orbes, conforme observavam atentamente as idosas que começaram a afaga-las, com elas sorrindo ao verem que as dragoas curtiam o afago enquanto suspiravam de felicidade.

Enquanto as afagavam, elas tentavam buscar alguma explicação para a existência delas, embora soubessem que qualquer explicação seria inútil.

Afinal, não havia nenhuma explicação minimamente plausível para explicar a existência de seres poderosos que somente vivam no imaginário humano e em contos.

Então, elas percebem que Kisara começa a abrir os olhos e ao acontecer isso, as idosas notam que a dragoa de olhos azuis fica gradativamente translúcida até desaparecer, com elas notando que Nuru parecia querer despertar, pois, as suas pálpebras tremiam e conforme isso ocorria, a dragoa de olhos vermelhos começava a desaparecer também, com ambas as senhoras ficando aliviadas ao verem que elas haviam desaparecido por completo, fazendo surgir nelas à hipótese de que as dragoas somente apareciam se as suas netas ficassem inconscientes e em perigo de vida, pois, seria a justificativa mais plausível.

A avó materna decide usar uma técnica para fazer Kisara voltar a dormir, orando para que a dragoa não aparecesse, com ambas as avós percebendo que Nuru havia acabado de ficar inconsciente novamente, sendo que ficaram aliviadas ao verem que os seres não se materializaram, fazendo-as acreditarem que as dragoas somente iriam surgir se as suas netas estivessem em perigo para que pudessem protegê-las.

Então, ambas as senhora cortam um pouco a si mesmas, além de provocarem alguns hematomas uma na outra porque precisavam fingir que saíram do veículo antes do mesmo cair no precipício, com elas percebendo que o condutor que provocou o acidente havia se evadido do local com medo das consequências.

Yukiko sai dessas lembranças, uma das várias que adquiriu, percebendo que os policiais e as equipes de resgate acreditaram na versão que elas conseguiram sair do carro antes que ele caísse porque era a única explicação plausível para não estarem no veículo que se chocou contra o solo no final do precipício, explodindo no processo.

Nas recordações desse acidente, a albina descobriu que Nuru acabou ficando em coma por quatro meses e ao analisar o coma da bronzeada, percebeu que a jovem acabou conhecendo a dragoa negra de olhos vermelhos que era parte de sua alma e que ao contrário de Kisara, não a temia porque sentiu que era uma parte dela e que nunca lhe faria mal.

Inclusive, a albina percebeu que Nuru estava treinando para descobrir um modo de invocar a dragoa quando ela estava consciente durante o período que esteve em coma.

Yukiko sorriu com essa recordação em especial, pois, ela estava fazendo o mesmo que a sua contraparte do outro universo fez, embora que quando a conheceu, ela já dominava por completo a invocação da dragoa negra de olhos vermelhos quando estava consciente ao aprender a dividir a consciência entre ela e a dragoa.

Claro que se fosse derrotada, a mesma voltava para dentro dela e ela caia inconsciente como efeito colateral pela derrota da dragoa.

Quanto a Kisara, a albina percebeu naquelas recordações que ela havia visto parcialmente os olhos azuis quando recobrou a consciência por alguns segundos, passando a julgar erroneamente que havia sido a dragoa que provocou o acidente e por causa dessa visão errônea, passou a temê-la e conforme se passavam os anos, essa recordação se tornava gradativamente mais vaga, assim como o sentimento de que a dragoa residia nela, com a jovem passando a subjugá-la, inconscientemente.

Yukiko suspira, massageando as têmporas porque o caso da prateada era demasiadamente complicado em virtude do temor inconsciente que ela tinha da dragoa que habitava dentro dela e que era parte de sua alma.

A albina passa a procurar nas recordações algo que poderia ajudar Kisara a perceber a verdade sobre a dragoa e fica surpresa quando a hipótese surge, pois, ao analisar uma das várias mudanças oriundas da explosão, descobre que um evento seria marcante.

Ademais, Nuru seria de grande ajuda no futuro e quando chegasse esse momento, ela já teria dominado a invocação da dragoa negra de olhos vermelhos.

Então, ela decide deitar na cama, passando a fechar os olhos para depois adormecer, desejando que amanhacesse o quanto antes porque iria visitar Yuugi amanhã, junto das suas amigas.