Notas da autora

Yuugi decide...

Jounouchi se encontra com...

Yuugi fica...

Dentro do Sennen Aitemu...

Capítulo 21 - Sennen Pazuru

Yuugi se encontrava em seu quarto, gerenciando a dor que sentia após responder as várias perguntas que o seu avô fez, com Sugoroku ficando horrorizado ao ver o estado do seu neto, para em seguida, auxiliá-lo com os curativos junto da albina que o havia auxiliado e escoltado até a casa dele.

Após o término das aulas, as gêmeas foram até a casa do seu amigo de infância para saberem como ele estava com o jovem pegando o conteúdo que foi dado nas aulas e as lições de casa. As suas amigas ficaram junto dele até alguns minutos, atrás, demonstrando preocupação em seus olhos, para depois, se despedirem do amigo e do avô dele, com Sugoroku (Solomon) sendo ciente que o seu filho desejava ter um amigo para saber como seriam as conversas com outro homem, uma vez que Yukiko, Nuru e Kisara eram garotas.

No seu quarto, o jovem de cabelos tricolores se encontrava demasiadamente preocupado ao ver que a quantia no seu pequeno cofre em cima da sua mesa era insuficiente para pagar o valor que Ushio ordenou que ele pagasse e comenta consiga si mesmo após suspirar em desalento:

- O que eu vou fazer? Vinte mil ienes? Onde eu vou conseguir tanto dinheiro? Não tem como eu conseguir essa quantia até amanhã! É impossível.

Então, inconscientemente, buscando algum conforto, sem perceber o que fazia, ele pega as peças do Sennen Pazuru que estavam em cima da sua mesa de estudos e começa a montar enquanto estava pensando consigo mesmo, inerte ao que as suas mãos faziam:

- O que eu faço? Se eu não pagar, vou sofrer amanhã. – ele se recorda de Tetsuo lambendo a lâmina do canivete com uma face retorcida de prazer demente, fazendo-o tremer intensamente – O que eu posso fazer? Ele vai me matar, com certeza!

No labirinto da alma que se encontrava iluminado pelo brilho do coração gentil do jovem de olhos ametistas, Atemu podia sentir o que aconteceu a Yuugi enquanto estava sentado em seu trono de pedra conforme o jovem tocava as peças, acabando por ouvir os pensamentos dele ao mesmo tempo em que era tomado por uma fúria sem precedentes ao tentar deduzir quem havia ferido uma alma tão nobre e de coração cristalino porque só tinha acesso aos pensamentos quando o jovem comentava algo, além de sentir os sentimentos relacionados a esses pensamentos que iam até ele.

Ademais, ele também sentia o forte terror que acometia o jovem e desejava mais do que tudo poder confortá-lo e aplacar esse medo intenso de alguma forma enquanto ficava furioso ao ter um vislumbre de que o medo do adolescente era proveniente de alguém, mas que ele ainda não conseguia discernir de quem era.

Inicialmente, ele achou que os ferimentos e medo intenso que tomavam o jovem de olhos ametistas haviam sido obra de Jounouchi e Honda, uma vez que ouvira várias vezes o pensamento do adolescente sobre eles, sabendo que eles atormentavam o jovem quando Yukiko, Nuru e Kisara não estavam perto dele.

Nesses momentos o seu sangue fervia e ele confessava que havia imaginado as várias formas que os baniria para o esquecimento em um Yami no game ao mesmo tempo em que ficava revoltado ao se recordar que isso nunca iria acontecer porque Katsuya havia roubado uma das peças douradas, com Atemu acreditando piamente que a peça se encontrava a venda no mercado negro e que em virtude desse fato, o Sennen Pazuru nunca seria completado, fazendo-o ficar selado para sempre dentro do item enquanto que não poderia distribuir a justiça que o adolescente merecia ao punir aqueles que invadiam a fronteira do coração de Mutou.

Após ouvir melhor os pensamentos do jovem, mesmo sabendo que não poderia fazer nada, o Faraó descobriu que não foram Jounouchi e Honda que o feriram daquela forma. O culpado era Ushio Tetsuo, com Atemu descobrindo através dos pensamentos do jovem de olhos ametistas, que ele ficou ferido por ter protegido ambos do Monitor Estudantil, pelo que compreendeu, chegando ao ponto de chamá-los de amigos, além de se oferecer como um saco de pancada para que Ushio não continuasse batendo em Katsuya e Hiroto.

Ao assimilar os fragmentos das memórias que recebia através das peças douradas, os reunindo da melhor forma possível, o Faraó massageia as têmporas com os dedos, para depois, suspirar porque o seu futuro anfitrião era demasiadamente peculiar com o seu coração cristalino, gentil e bondoso.

Portanto, ele devia ter previsto algo assim, considerando que o conhecia há oito anos, desde que Yuugi tocou pela primeira vez no item, passando a receber a luz quente, gentil, plácida e confortadora que emanava dele para as câmaras da memória de Atemu.

Então, ao pensar no fato de que seria obrigado a assistir tudo de dentro do item, sem poder distribuir a justiça que o jovem merecia em um Yami no Game, julgando o verdadeiro caráter da pessoa e condenando-a com um jogo de penalidade, ele sente uma grande fúria e proporcional a sua ira, era a sua tristeza. Uma tristeza imensa que o engolfava, fazendo-o cerrar os dentes e punhos ao pensar em sua prisão eterna dentro do item, sem poder salvar a luz gentil da maldade do mundo por causa da falta de uma única peça dourada.

Fora do item, Yuugi ainda estava pensando na sua situação atual até que solta o item ao perceber o que estava fazendo, para depois, falar:

- Ei! Não é hora para isso! Preciso pensar em alguma saída se eu não quiser morrer... Afinal, não vou conseguir pagar Vinte mil ienes para o Ushio-san.

Então, ele pensa consigo mesmo, olhando para as peças douradas na sua frente:

"Bem, só ficar pensando não vai fazer o dinheiro surgir do nada. Pelo menos, montando o Sennen Pazuru, eu me distraio um pouco e quem sabe, eu não tenha alguma solução para a minha situação nesse interim? Afinal, uma mente calma permite ver além. Pelo menos, foi o que elas me falaram."

Então, o jovem volta a montar o Sennen Aitemu, com o som das peças se encaixando e preenchendo o seu quarto enquanto ele comentava em um misto de surpresa e animação:

- Ei! Encaixou! Então, eu precisava girar a peça, depois de colocá-la. Portanto, esta peça deve entrar aqui...

Enquanto Mutou se encontrava compenetrado em montar o Sennen Pazuru, exibindo animação pela facilidade que as peças se encaixavam uma após a outra, sem saber que foi graças à remoção da magia de Atemu em uma delas que o permitiu continuar encaixando as peças, Sugoroku se encontrava na calçada em frente à loja, varrendo-a.

Então, algo chama a sua atenção e ao olhar para o seu lado direito, ele avista um adolescente loiro que usava o mesmo uniforme do seu neto e era evidente o fato de que ele estava encharcado apesar de não estar chovendo.

Quando o adolescente se aproxima do lojista, Mutou para de varrer e o cumprimenta gentilmente:

- Konbanwa. Eu sou Sugoroku. Se você veio comprar algo, eu posso abrir brevemente a minha loja, jovem.

- Konbanwa, Sugoroku-san. Eu sou um amigo do seu neto, Yuugi.

- Fico feliz do meu neto ter um amigo. Então, o que eu posso fazer por você, jovem? Eu percebi que você não veio comprar nada.

- O senhor está certo. Eu vim entregar algo que pertence ao Yuugi – ele fala, pegando algo do bolso, para depois, estender a sua palma, revelando uma peça dourada.

O item faz Sugoroku ficar embasbacado e quando sai do seu estupor, pega a peça, para depois, falar, exibindo emoção por ver a peça salva em suas mãos ao mesmo tempo em que achou estranho o seu neto não ter relatado a falta de uma das peças do Sennen Pazuru:

- Muito obrigado, jovem. Isso é muito importante para o meu neto. Faz parte do seu inestimável tesouro.

- Eu sei. Por isso, eu vim entregar o quanto antes.

- A propósito, você não disse o seu nome.

O loiro hesita por alguns segundos porque não sabia se Yuugi chegou a contar sobre ele e Honda ao seu avô.

Após suspirar, ele decide contar, orando para que o adolescente menor nunca tenha citado ambos para o senhor a sua frente.

- Eu me chamo Jounouchi e quero pedir para não revelar o meu nome para o seu neto. Eu não quero que ele saiba que fui eu que entreguei a peça. - ele fala enquanto surgia um semblante triste por alguns segundos, antes de voltar a face usual, exibindo um sorriso.

Afinal, o loiro ficou aliviado ao notar que o senhor a sua frente não teve qualquer reação perante o seu nome, indicando que Mutou nunca comentou deles para o seu avô.

Essa mudança não passou despercebida para Sugoroku que decidiu não indagar ao jovem a sua frente enquanto falava em um tom gentil, guardando a peça dourada em um dos seus bolsos.

- Eu entendo. Pode deixar que eu não vou revelar o seu nome.

- Obrigado. Além de entregar a peça, eu quero perguntar se o senhor sabe o motivo do Yuugi estar ferido.

Mutou demonstra preocupação em seu semblante, com os seus olhos se arregalando levemente, para depois, segurar os braços do loiro a sua frente enquanto implorava:

- Por favor, me fale o motivo dele estar ferido. Por favor, Jounouchi-kun, me conte. O meu neto não quer contar e eu não consigo fazê-lo revelar o que ocorreu no colégio.

- Eu vim aqui para contar o motivo também, caso ele não tenha contado para o senhor. Como o Yuugi-kun não contou, eu irei contar.

- Muito obrigado, jovem! – ele agradece emocionado e o solta.

- Quem o feriu foi o Monitor Estudantil Tetsu Ushio. Ele espancou dois valentões do colégio que viviam praticando bullying contra o seu neto. Só que ele fez isso a título de ser um guarda-costas. O Yuugi nunca o contratou. Ele assumiu para si essa denominação. O seu neto defendeu os dois estudantes que o agrediam verbalmente e fisicamente, visando impedir que eles apanhassem mais de Ushio e chegou ao ponto de se oferecer para apanhar no lugar deles, visando aplacar aquele bastardo que decidiu bater nele como uma forma de aviso para obrigá-lo a pagar o preço de ter sido o seu "guarda-costas" – Jounouchi fala com asco a menção da palavra guarda-costas – Yuugi tem que pagar Vinte mil ienes até amanhã, para não sofrer ferimentos piores nas mãos daquele desgraçado.

Sugoroku ficou ouvindo tudo em silêncio enquanto que a atitude do seu neto de defender os valentões para evitar que fossem mais feridos e chegar ao ponto de usar o seu corpo como escudo, além de não contar a ele o que ocorreu visando protegê-lo, não era nenhuma novidade, a seu ver e inclusive, seria o esperado dele.

Afinal, Yuugi tinha um coração cristalino, amavél e bondoso. Ele era incapaz de fazer mal a alguém enquanto que nunca desejaria o mal por mais que essa pessoa o ferisse. O coração dele nunca permitiria tal ato, assim como ele nunca reagia quando o agrediam. Ele somente reagia se era para salvar alguém, não importando quem fosse e o que essa pessoa fez contra ele, além de não guardar ódio ou mágoa dos outros. Podia ter raiva no início, mas não conseguia manter o ódio ou a mágoa em seu coração cristalino que era altamente propenso a perdoar plenamente a pessoa em questão de dias.

Afinal, Sugoroku conhecia melhor do que ninguém o coração ímpar do seu neto, assim como temia por alguém com um coração tão cristalino viver em um mundo que não merecia uma alma tão nobre.

Ele suspira cansado, para depois, conter as lágrimas ao se recordar dos ferimentos feitos em uma alma tão gentil e bondosa.

Após inspirar profundamente, ele fala, exibindo um semblante cansado:

- Eu não estou surpreso com os atos do meu neto. Eu ficaria surpreso se ele não tivesse feito nada disso. Ele tem um coração cristalino, repleto de gentileza e bondade. Ele perdoa facilmente os outros, não guarda mágoa ou ódio, além de reagir, somente, se alguém está em dificuldade, não medindo esforços para fazer isso, independentemente de quem seja. Portanto, proteger esses dois que praticavam bullying nele, chegando a se oferecer para apanhar no lugar deles era o esperado vindo do meu neto e mesmo agora, eu duvido, seriamente, que ele guarda qualquer ódio de Ushio.

- O coração dele é ímpar e esses dois que o maltratavam são autênticos idiotas, além de bastardos. Eles não mereciam a proteção dele! – o loiro exclama, torcendo os punhos enquanto fechava os olhos conforme se recordava de todos os seus atos para com o adolescente menor e depois, tudo o que ele fez para salvá-los.

- Jounouchi-kun – Katsuya olha para o senhor a sua frente à menção do seu nome, arqueando o cenho para ele – O meu neto nunca pensaria assim. Ele sempre irá salvar os outros, por mais que isso o leve a sofrer ou a se ferir ou então, ambos. Por isso, eu duvido que ele tenha qualquer arrependimento pelo que fez e acredito que faria novamente, sem hesitar.

O loiro suspira, sabendo o quanto as palavras do senhor a sua frente eram verdadeiras, decidindo que iria lidar com a vergonha e a raiva que sentia de si mesmo por tudo o que fez contra um colega com um coração tão ímpar e que não mediu esforços para salvá-los, mesmo após o tratamento cruel que eles deram a ele, fazendo-o se sentir o pior lixo do mundo enquanto se considerava indigno dos ferimentos que Yuugi sofreu para salvá-los.

Jounouchi chega a implorar mentalmente a Kami-sama para que conseguisse expirar tudo o que fez contra o adolescente de cabelos tricolores, para poder se livrar da vergonha que o tomava, fazendo-o se lembrar implacavelmente do quanto ele fora um bastardo em relação ao Mutou.

Então, Katsuya sai dos seus pensamentos e fala:

- Eu também acredito nisso. Bem, eu devo voltar para casa antes que eu fique resfriado.

- Verdade. Pode deixar. Eu vou entregar a peça ao meu neto. Muito obrigado, Jounouchi-kun, por ter encontrado a peça e peço desculpas por qualquer incômodo.

O loiro decide suprimir estoicamente os sentimentos de dor, culpa, pesar e raiva de si mesmo que se encontravam dentro dele pelos seus atos no passado e o seu ato no presente ao furtar uma das peças da caixa dourada.

Portanto, Katsuya exibe um sorriso falso enquanto os seus punhos fechados demonstravam a raiva que sentia de si mesmo e o quanto era indigno de qualquer agradecimento, uma vez que foi ele furtou aquele item e o atirou na piscina para que Yuugi sofresse ao perceber que um dos itens sumiu.

Contendo os sentimentos que havia dentro dele, ele consegue se despedir com a sua voz usual que não revelava a dor e a raiva que o tomavam, assim como a vergonha pelos seus atos:

- Oyasuminasai, Sugoroku-san.

- Oyasuminasai, Jounouchi-kun.

Após acenar com uma das mãos, ele se afasta do local conforme colocava as mãos dentro dos bolsos.

Alguns minutos depois, no quarto de Yuugi, o mesmo exibia um semblante de agradável surpresa ao ver que as peças estavam se encaixando facilmente, fazendo-o comenta consigo mesmo enquanto se encontrava compenetrado em terminar o quebra-cabeça:

- Legal! Hoje a coisa está andando. Logo hoje. Isso é incrível.

O jovem fica surpreso ao perceber que conseguiria terminar de montar o Sennen Aitemu e que somente faltava uma peça dourada para ele fazer o seu desejo ao item. Ele havia esperado oito anos por esse desejo.

Então, Yuugi fala com uma voz ligeiramente incrédula, como se não pudesse acreditar no que estava vendo porque havia tentando montar o item por oito anos e conforme olhava para a pirâmide invertida, incompleta apenas por uma única peça, ele parabenizava a si mesmo em pensamento:

"Eu consegui! Após oitos anos! Enfim, eu consegui montar!"

Então, ele exclama animado:

- Só preciso encaixar a última peça e estará pronto! Finalmente, o meu desejo será realizado!

Dentro do item, Atemu sentia plenamente a intensa felicidade que o jovem sentia por ter quase terminado de montar o item e passa a se sentir mal por ele.

Afinal, o adolescente iria descobrir amargamente a falta do item que inviabilizava o termino da montagem e ao pensar nisso, o Faraó sente o seu coração se restringir enquanto gritava em sua mente pela injustiça que sofria ao ser privado de proteger e salvar Yuugi do mundo que não o merecia.

A sua dor e desolação eram palpáveis e sufocavam a sua alma ao mesmo tempo em que ele digeria o fato que ficaria em sua prisão dentro do item para sempre, com os seus orbes carmesim perdendo o brilho conforme assimilava a verdade desalentadora e igualmente sufocante.

No exterior, após ficar agradavelmente surpreso pela sua proeza, Yuugi dirige uma de suas mãos para dentro do sarcófago dourado, visando pegar a última peça dourada para terminar de montar o item enquanto continuava regorjeando a si mesmo pela sua proeza.

Porém, quando a sua mão entra na caixa dourada, não encontra nenhuma peça e passa a demonstrar um semblante chocado com a descoberta estarrecedora, como se não pudesse acreditar no que sentia ao apalpar a caixa após ter ficado oito anos tentando montá-lo.

Então, ao tomar consciência da falta da peça, ele exclama desesperado:

- Cadê a última peça?! Onde ela foi parar?

O jovem começa a procurar desesperadamente pelo quarto e após vários minutos, a beira das lágrimas, ele senta na cadeira em frente à mesa, olhando desoladamente para o objeto incompleto que repousava em sua mesa enquanto exclamava em pensamento com a voz repleta de desolação ao mesmo tempo em que se encontrava imerso em dor, o fazendo chorar copiosamente:

"O Sennen Pazuru nunca será resolvido! - ele bate ambos os punhos mesa enquanto vertia lágrimas imersas na mais pura dor e desolação – O meu desejo nunca se realizará!"

Próximo dali, Yukiko se encontrava sentada no parapeito de um edifício, olhando Yuugi pela claraboia do seu quarto. Ele havia avista Jounouchi conversando com Sugoroku e entregando a peça dourada, para depois, vê-lo se retirar, voltando a olhar para o seu amigo.

O seu coração se restringia ao ouvir e ver as lágrimas de dor e de desolação dele ao mesmo tempo em que lutava arduamente para não entrar no quarto do jovem para confortá-lo. Ela confessava que era necessário uma grande força de vontade para suprimir este desejo movido pelos seus sentimentos maternais perante ele enquanto cerrava os seus punhos e mesmo sabendo que era algo temporário, uma vez que o loiro devolveu a peça que ele roubou, ela tinha que lutar avidamente para não ir até o adolescente em virtude das lágrimas dele que a feriam demasiadamente.

De volta ao quarto de Yuugi, o mesmo se encontrava debruçado na mesa enquanto que não conseguia conter as suas lágrimas que brotavam de seus orbes ametistas ao mesmo tempo em que entrava em depressão conforme mantinha um olhar desolado para o item a sua frente.

O seu avô entra no quarto e se aproxima do seu neto, exclamando animado ao vê-lo parcialmente completo conforme pegava o Sennen Aitemu em suas mãos para trazê-lo mais perto dele, exibindo intensa admiração e orgulho em seus olhos ao olhar para o seu neto:

- Não acredito! O Sennen Pazuru está resolvido!

- Não... O Sennen Pazuru nunca ficará pronto, jii-chan. Não consigo encontrar a última peça dourada que falta para completá-lo.

O adolescente de cabelos tricolores murmura tristemente, sem saber que a dor desoladora que sentia era compartilhada pelo espirito selado dentro do item juntamente com o fato dele estar extremamente preocupado em relação à Ushio enquanto sentia uma ira intensa por não poder fazer nada pelo jovem, uma vez que o item se encontrava incompleto.

O avô dele analisa o item, avistando a parte central do mesmo que se encontrava faltando.

- Deixe-me ver, sim... eu percebo agora – Sugoroku fala, olhando para o seu neto que estava com a cabeça caída no tampão da mesa enquanto vertia lágrimas - Yuugi-kun, você esteve esperando por este momento durante oito anos. Devia confiar mais no poder milagroso do Sennen Pazuru.

Yuugi vira a cabeça para olhá-lo na menção do poder milagroso do item que o fez arquear o cenho, para depois, ver o seu amado avô estendendo a mão esquerda na direção dele que estava fechada enquanto ele falava:

- Hoje é o dia em que o seu desejo será realizado! – Sugoroku exclama com confiança em seu semblante ao mesmo tempo em que abria a mão, revelando a última peça que faltava.

O jovem de olhos ametistas fica emocionado enquanto as suas lágrimas de tristeza se convertiam para lágrimas de felicidade conforme ele exclamava:

- Jii-chan! – o adolescente abraçou o seu avô – Muito obrigado por encontrar! Muito obrigado! Onde o senhor o encontrou?

- Ei, calma... – nisso, ele consegue acalmar o seu neto enquanto falava – Yuugi-kun, não fui eu quem encontrou essa peça.

O adolescente de cabelos tricolores olha com evidente surpresa para o seu avô que fala:

- Um amigo seu passou agora na loja e me pediu para entregá-lo a você. Ele estava todo molhado apesar de não estar chovendo.

Yuugi pega a peça com carinho enquanto pensava consigo mesmo:

"Quem teria sido?! Mas, obrigado, assim mesmo. Graças a você, eu poderei realizar o meu desejo."

Após entregar a peça, vendo o seu neto comemorando animadamente o reaparecimento da última peça dourada, Sugoroku se afastava com um envelope na mão para guardá-lo discretamente na mochila do jovem ao mesmo tempo em que pensava consigo mesmo:

"O Jounouchi-kun me pediu para não dizer o nome dele para você, mas ele me contou tudo, já que você não me contou nada apesar de eu estar preocupado com os seus ferimentos, assim como a Yukiko-chan, a Nuru-chan e a Kisara-chan. Agora eu sei que um canalha chamado Ushio está ameaçando você – ele guarda o envelope na mochila do seu neto – Vou colocar o dinheiro dentro da sua mochila. Eu espero que isso evite que você se machuque de novo."

Após guardar o envelope, ele se dirige para a saída do quarto, falando ao virar o rosto:

- Oyasumi, Yuugi-kun.

- Oyasumi, jii-chan.

Então, com o Sennen Pazuru parcialmente montado, faltando à última peça que se encontrava na sua outra mão, Yuugi começa a aproximá-la enquanto transbordava de ansiedade e de felicidade, sentindo que os seus sentimentos não eram somente por resolver o Sennen Aitemu após oito anos. Ele sentia que havia outros sentimentos envolvidos. Algo dentro do seu coração que ansiava para ter o item montado por completo, além de uma ansiedade desconhecida a ele, mas que o unia fortemente ao item de uma forma inexplicável ao jovem e igualmente intensa, como se estivesse esperando por muito tempo para se unir com alguém que habitava o seu coração por mais estranho que fosse esse pensamento singular, ao ver dele.

Então, espanando esses pensamentos para o lado conforme aproximava lentamente a peça, ele pensava consigo mesmo:

"Finalmente, eu vou conseguir terminar de montá-lo!"

Próximo dali, no corredor que dava acesso ao seu quarto, Sugoroku falava mentalmente, com os braços atrás do corpo conforme se afastava do quarto do seu neto:

"Ho ho ho... Parabéns por resolver o Sennen Pazuru, Yuugi-kun. Dizem que quem solucionar o Sennen Pazuru irá herdar o poder dos Yami no Game (Jogos das trevas) e com ele, se tornará o Guardião da Justiça e julgará o mal. Bem, é o que está escrito em um trecho do Livro dos mortos."

De volta ao quarto de Yuugi, assim que ele encaixou a última peça, Atemu, que se encontrava dentro do item e que havia se recuperado da surpresa inesperada da peça dourada ter voltado às mãos do seu futuro anfitrião, havia caminhado até a sala imensa que continha uma porta com o olho de Wadjet em relevo.

Quando Mutou encaixou a última peça dourada, a câmara imensa onde o Faraó se encontrava e que dava acesso às inúmeras escadas e corredores do seu labirinto das memórias, se iluminou por completo e ao olhar para a porta que não conseguia abrir antes por estar selada, ele percebe que ela brilhava intensamente, com o fulgor se concentrando no olho de Wadjet.

Impulsionado pela luz intensa que invadia o cômodo e sem se intimidar pelo brilho do olho esculpido na porta que reluzia, ele se aproxima dela e estende a mão para segurar a maçaneta enquanto sorria imensamente ao sentir que Yuugi havia montado por completo, o Sennen Pazuru.

Ao abrir a porta, uma luz intensa o envolve ao mesmo tempo em que do lado de fora, Yuugi parecia se encontrar em transe conforme olhava para o Sennen Pazuru que brilhava intensamente, com o olho de Wedjat no Sennen Aitemu brilhando mais intensamente, fazendo surgir uma espiral dourada que se dirige até a testa do jovem de cabelos tricolores, começando a unir a alma do jovem com o do espirito selado conforme projetava a câmara da alma e da mente de Yuugi em frente a porta que dava acesso a câmara pertencente ao Faraó após criar um corredor que permitia o acesso a ambas as câmaras da alma, as unindo e as separando ao mesmo tempo.

Após o brilho cessar, o adolescente de olhos ametistas parecia continuar em transe enquanto surgia um olho dourado em sua testa.

Nesse interim, conforme andava por um corredor, Sugoroku pensava consigo mesmo, rindo levemente ao mesmo tempo em que mantinha as suas mãos fechadas atrás das costas:

"Ho ho ho... Talvez, quem esteja encrencado agora, seja esse rapaz chamado Ushio."