Nota da autora

Atemu começa...

Ele decide...

Yukiko fica...

Capítulo 22 - Adaptação e assimilação

No quarto de Yuugi, Atemu havia tomado o controle do corpo dele após fazer o seu anfitrião dormir profundamente em sua câmara da alma, para que pudesse agir livremente, uma vez que ele nunca concordaria com muitas de suas atitudes enquanto precisava aproveitar que a sua magia conseguia subjuga-lo para conseguir distribuir a justiça que o jovem merecia.

O Faraó caminha até o espelho, confessando que se encontrava extasiado por poder ter um corpo novamente. Ao se olhar no espelho, ele suspira porque não tinha poder mágico suficiente para fazer o seu corpo ser um reflexo do seu verdadeiro corpo dentro do Sennen Pazuru, pelo menos, por algum tempo até terminar de reunir a sua magia com a ajuda do item que o confinava, sentindo que era questão de tempo.

Por enquanto, aceitaria de bom grado a sua aparência, no caso, a estatura e a constituição física do seu anfitrião, embora continuasse exibindo um olhar crítico para a sua aparência atual.

Quanto à cor dos olhos, não tinha quaisquer críticas.

Afinal, pelo pouco que se recordava de quando era vivo, conforme olhava para aqueles orbes, a ametista era considerada uma joia demasiadamente preciosa quando ele vivia e confessava que apreciava essa cor. Era o quesito estatura e constituição física que o incomodava, no momento.

Os orbes ametistas juntamente com o tom de pele de marfim e não bronzeado, assim como a altura e constituição, o recordava do empréstimo daquele corpo, com ele se mantendo convicto no propósito de tomar aquele corpo para si, apenas de forma temporária e quando fosse necessária a sua intervenção, devendo devolver o quanto antes, além de zelar pelo corpo durante o empréstimo porque por mais que fosse para cuidar e proteger o seu anfitrião, não mudava o fato de que era errado tomar o controle do corpo de outra pessoa.

Por isso, se mantinha firme na concepção de empréstimo e que só deveria fazer isso se fosse necessário, para que aplacasse qualquer culpa que surgisse em sua mente.

Então, ele fecha os olhos e vai até o corredor onde havia duas portas.

A que dava acesso a sua sala estava aberta porque ele estava no controle do corpo enquanto que a de Yuugi estava aberta, também e isso foi algo que o surpreendeu porque algo lhe dizia que quando tomava o corpo do seu anfitrião, a sala da alma do mesmo deveria ficar fechada e se isso não ocorria, era porque Yuugi permitia, inconscientemente, acesso livre ao seu coração e mente em decorrência da sua natureza extremamente gentil.

De fato, a bondade e a gentileza eram demasiadamente fortes nele e isso fez Atemu perceber que deveria estar sempre atento para que ninguém mais entrasse da câmara da alma do seu anfitrião.

O Faraó confessava que queria saber todos os pensamentos e recordações do jovem porque, anteriormente, só podia captar os pensamentos dele quando tocava as peças. O que acontecia longe das peças era um mistério.

Ademais, ele precisava saber tudo sobre o seu anfitrião.

Então, com essa decisão em mente, o espírito entra na câmara e fica surpreso ao ver que era simples, mas aconchegante, além de ser uma versão do quarto verdadeiro do jovem, com Atemu percebendo que havia brinquedos espalhados no chão, indicando a inocência infantil que habitava o coração do Yuugi, além da cor clara revelar a pureza do seu coração enquanto que o ambiente em si confortava o espirito e era o mesmo conforto proporcionado pela mesma luz que irradiava no seu cômodo.

Após os seus olhos vagarem pelo ambiente que era uma réplica do quarto de Yuugi, ele observa o jovem dormindo profundamente na cama sobre o efeito da sua magia que o levava a um mundo de belos sonhos, visando deixá-lo confortável porque era o mínimo que podia fazer pelo seu anfitrião, além de zerar e cuidar dele.

Então, como se estivesse hipnotizado, achando-o fofo enquanto ele dormia exibindo um semblante puro e inocente, o Faraó se ajoelha no chão ao lado da cama, apoiando os antebraços nela ao mesmo tempo em que o observava dormindo placidamente e com um sorriso no rosto.

Sem conseguir deter o movimento de suas mãos conforme era tomado por sentimentos desconhecidos e intensos, ele aproxima delicadamente a sua mão no rosto do jovem adormecido e o afaga, sentindo a maciez da pele acetinada ao toque, com Atemu se perdendo na sensação inebriante que o tomava, passando a ousar com a mão ao percorrer o rosto inocente do adolescente que parecia sorrir ao toque dele, fazendo Atemu sorrir em resposta ao mesmo tempo em que procurava memorizar cada detalhe daquela beleza inocente que repousava placidamente até que o seus dedos chegam aos lábios de Yuugi e passam a contornar suavemente os lábios pequenos e delicados com o dedo em uma carícia suave e ao perceber um leve estremecimento inconsciente, ele recua rapidamente, para depois, ouvir um pequeno gemido suave e prazeroso, fazendo o espirito se deleitar com o som que saia dos lábios delicados enquanto avistava o belo sorriso do menor surgindo em seus lábios acetinados ao toque.

Sorrindo em deleite, conforme se sentia embriago pela beleza delicada e repleta de inocência a sua frente ao mesmo tempo em que o achava fofo, o Faraó torna a acariciar o rosto do adolescente enquanto se inclinava cada vez mais em direção aos seus lábios, desejando decorar todos os detalhes do rosto acetinado ao toque e estava tão inebriado pelas sensações que o tomavam e aquelas que eram proporcionadas ao tocar o jovem, que ele chega há alguns centímetros dos lábios virgens do seu anfitrião, se preparando para beijá-lo.

Porém, um leve gemido e um movimento sutil do menor parecem tirá-lo do seu transe e ele se afasta ao ver o que estava prestes a fazer e que era errado, a seu ver.

Afinal, o espírito estava se aproveitando de alguém adormecido, além do fato de não achar que era certo roubar o primeiro beijo do seu anfitrião e que era agravado pelo fato dele se encontrar sobre efeito da sua magia e do item, tornando-o incapaz de consentir ou recusar.

Então, o Faraó se afasta, torcendo os punhos ao assimilar que quase roubou o primeiro beijo de Yuugi enquanto ficava desolado, porque por mais que sentisse esses sentimentos intensos pelo seu anfitrião, ele duvidava que o seu amor fosse correspondido algum dia e já bastava tomar o corpo dele emprestado enquanto permanecia firme ao se recordar que era apenas um empréstimo temporário e que deveria devolver o quanto antes.

Portanto, Atemu junta o máximo de suas forças para se afastar da visão inebriante, a seu ver, decidindo que somente entraria naquela câmara para assimilar todas as memórias, conhecimento e pensamentos dele ao mesmo tempo em que absorvia o fato de que o sentimento intenso e inicialmente incompreensível que sentia pelo seu anfitrião era amor, com ele ficando feliz ao decifrar o que era enquanto ficava triste porque duvidava que esse sentimento, um dia, seria correspondido pelo adolescente, fazendo-o suspirar tristemente frente a esta suposição.

Além das recordações e pensamentos, Atemu também assimilava todas as informações do mundo atual para saber lidar com a tecnologia juntamente com os demais conhecimentos necessários para se locomover na época atual após acessar as recordações e lembranças do seu anfitrião, uma vez que somente assimilou fragmentos quando estava selado dentro do Sennen Pazuru.

Ele também se recordou que o corpo físico dele estava machucado e decide aproveitar para curar todos os seus ferimentos porque apesar daquele corpo não demonstrar ferimentos, o Faraó sabia que quando voltasse para a sua câmara, com Yuugi reassumindo o controle do seu corpo, os ferimentos iriam voltar a aparecer porque ele se encontrava ferido.

Portanto, o espirito fecha os olhos e se concentra, conseguindo visualizar o estado original do corpo emprestado ao usar as lembranças do adolescente quando ele se olhou no espelho, antes de serem colocados os curativos.

Conforme assimilava o estado dos machucados juntamente com os hematomas que manchavam a pele acetinada e perolada daquele que amava profundamente, Atemu sente uma fúria intensa tomá-lo, passando a se recordar de que precisava punir o bastardo, a seu ver, que feriu uma alma tão pura e gentil.

Continuando com a sua concentração, ele usa a sua magia para curar o corpo do seu anfitrião porque não suportava ver a face de dor e de sofrimento do jovem. Ver aquele semblante repleto de dor era uma tortura ao espirito.

O Faraó termina o seu acesso a tudo o que desejava enquanto espanava o sentimento de culpa da sua mente por ter invadido a câmara da alma de Yuugi porque foi necessário entrar nela para saber tudo sobre o jovem de cabelos tricolores, visando protegê-lo ao mesmo tempo em que procurava esquecer os seus atos perante o seu anfitrião adormecido ao tocar nele sem a autorização dele, se aproveitando do estado inconsciente que ele se encontrava, suprimindo ao mesmo tempo, a culpa por ter se aproveitado desse estado.

Após sair do coração do jovem, o espírito caminha em direção ao espelho, observando de forma crítica o uniforme do colégio, decidindo que precisaria de roupas novas para usar por baixo enquanto concordava que as vestes que usava dentro do item não eram indicadas para aquela época, com ele aceitando se sujeitar de bom grado a usar roupas atuais, com ele notando que as suas roupas antigas haviam desaparecido.

Portanto, mesmo que quisesse, não poderia invocar as roupas que usava quando estava selado e conforme refletia sore isso, decidiu que não se importava com a mudança das vestes, achando aquelas mais confortáveis sem todos aqueles itens dourados.

Então, ele caminha até o armário e passa a vasculha-lo, sem bagunçar as roupas, buscando uma veste que viu a partir das recordações do seu amado anfitrião quando ele usou a roupa no Hallowen do ano passado. O Faraó confessava que havia gostado da aparência conforme descobria que ela havia sido confeccionada para que fosse o mais próximo possível da roupa do personagem Edward, do filme Edward Mãos de tesoura e que a fantasia era, parcialmente, uma versão da roupa do filme que o seu anfitrião havia assistido com as suas amigas e que se tornou um dos seus filmes favoritos.

Após achar a roupa, ele a segura em suas mãos e concentra o seu poder mágico que juntamente com o do Sennen Pazuru, faz surgir uma réplica daquela roupa por baixo do uniforme do seu anfitrião, com Atemu apreciando a roupa e ao olhar para os punhos, identifica um Ankah em cada um deles por cima da roupa, sabendo que eles representavam a alma.

O Faraó descobriu ao se concentrar, que eles se encontravam visíveis em decorrência do fato da união do seu espirito com o do seu anfitrião ser demasiadamente recente e que quando ele assumia o controle do corpo de Yuugi, se fazia necessário o surgimento dos Ankah para assegurar a harmonia dessa união entre ambos na presença do poder do Sennen Aitemu.

Quando não fosse mais necessária à demasiada influência do item para solidificar essa união, os Ankah iriam desparecer porque eles não seriam mais necessários.

Então, antes que se afastasse do armário, ele notou em uma das gavetas, uma gargantilha de pescoço em forma de um cinto largo, com ele olhando por alguns segundos para o item que o fez se lembrar dos colarinhos dourados que usava no pescoço.

Sorrindo, o espirito decide colocar o item em vez de criar uma réplica mágica enquanto impregnava o objeto com a sua magia para fazer o seu anfitrião sentir o desejo de usar o item no pescoço.

Afinal, ele confessava que era um adereço interessante demais para ficar desprezado em uma gaveta qualquer.

Enquanto isso, próximo do quarto de Yuugi, Yukiko estava em cima de um prédio baixo onde costumava ficar observando o seu amigo através da claraboia e presenciou tudo, desde o desespero dele em procurar o dinheiro para pagar Ushio até a libertação de Atemu e posterior subjugação de Yuugi para que ele pudesse usar o seu corpo, assim como viu a escolha da roupa para usar por baixo do uniforme do seu amigo.

Ela sabia que aquela parte de cima havia sido usada como uma fantasia no Hallowen do ano passado após assistirem o filme "Edward mãos de tesoura", com Yuugi gostando do personagem Edward ao ponto de conseguir uma roupa que fosse o mais semelhante possível ao que o personagem usava embora houvesse algumas diferenças.

Conforme olhava para o quarto, viu Atemu se aproximando do espelho para analisar a sua roupa e que sorriu ao aprová-la, depois de abrir o casaco do uniforme da escola.

No quarto de Yuugi, o Faraó observava as suas novas roupas e confessava que não sentia falta das suas roupas antigas com adereços dourados, inclusive na cabeça enquanto que não compreendia o motivo de usar tanto ouro naquela roupa porque apesar de ser um tecido macio e confortável, sempre achou desconfortável por causa das pelas douradas e por causa do incômodo que sentia, havia trocado facilmente a sua roupa, sem sentir qualquer saudade da anterior.

Ademais, ele era ciente que aquela vestimenta não era indicada para aquela era atual conforme havia analisado as lembranças e o conhecimento do seu anfitrião. Esse foi outro motivo para ter descartado qualquer saudade que sentiria daquela roupa.

O Faraó caminha até a mesa do jovem e encontra alguns cartões telefônicos, os pegando em seguida porque precisava usar um telefone público para o que tinha planejado, agradecendo o fato de que a navegação e manipulação da tecnologia não seria nenhum problema para ele após ter assimilado tudo o que era necessário para se locomover naquele mundo, assim como as lembranças e recordações para distribuir a devida justiça que Yuugi merecia, começando com Ushio. Depois, seria a vez de Jounouchi e Honda encararem a sua fúria por todos os tormentos emocionais, psicológicos e físicos que praticaram contra o seu anfitrião.

Sem fazer qualquer barulho, ele sai do quarto e desce as escadas, se dirigindo até o balcão da loja do avô de Yuugi, para depois, começar a vasculhar em uma pilha de livros.

Após alguns minutos, consegue encontrar o que procurava. Era uma lista telefônica e rapidamente, ele liga a luz do smartphone para iluminar as páginas, subtraindo uma folha aleatória em um caderno de anotações enquanto pegava uma caneta a reboque.

Prontamente, o Faraó começa a procurar pelo sobrenome Tetsuo nas páginas, assim como os sobrenomes Katsuya e Hiroto. Ao encontrá-los, ele escreve os respectivos endereços e telefones que encontrou, fechando em seguida a lista telefônica para guardá-la e após fazer isso, dobra o papel com endereços e telefones, o colocando em um dos bolsos.

Atemu guarda o aparelho em outro bolso e volta para o quarto porque não podia sair pela porta da loja, mesmo que ela não se encontrasse trancada.

Afinal, havia uma sineta em cima dela que iria tocar caso ela fosse aberta, com o Faraó sabendo através das lembranças do seu anfitrião, que o avô dele tinha um sono leve, tornando impossível o ato de sair pela porta sem chamar a atenção dele assim como era em relação a porta da cozinha.

Após suspirar, ele sobe para o quarto de Yuugi, pegando algumas roupas para amontoá-las por baixo das cobertas da cama, simulando que havia um corpo ali embaixo, além de conseguir usar um pouco de magia para mudar a aparência de alguns enfeites, visando que simulassem alguns fios de cabelo, para depois, encaixá-los embaixo do edredom, deixando apenas as pontas para fora.

Assim, se o avô do seu anfitrião viesse ver o seu neto, pensaria que o mesmo estava dormindo embaixo das cobertas.

Após ficar satisfeito, ele se vira para sair quando percebe um envelope branco dentre os livros de Yuugi porque a sua mochila se encontrava aberta.

Movido pela curiosidade, Atemu pega o envelope e ao abri-lo, percebe que havia dinheiro, com ele passando a contar as notas, ficando surpreso ao ver que tinha quatro mil pratas e conforme pensava como aquela quantia foi parar na mochila do adolescente, ele percebe que a única explicação plausível era que Sugoroku descobriu, de alguma forma, sobre a ameaça de Ushio e que decidiu colocar o dinheiro na mochila para que o seu neto pagasse Tetsuo, visando que ele não sofresse nas mãos dele.

Sorrindo consigo mesmo, ele guarda o envelope com o dinheiro em um dos bolsos e com a habilidade de um tigre, sai pela janela do quarto ao pular para um dos galhos da árvore próxima a casa, para em seguida, descer habilmente até o chão, se afastando rumo a uma avenida.

Após meia hora, ele fica satisfeito com a distância da moradia do seu anfitrião e passa a procurar um telefone público, conseguindo encontrar um após alguns minutos e passa a discar para a casa de Tetsuo depois de desdobrar o papel.

Na quarta tentativa, ele ouve a voz de Ushio e sorri consigo mesmo enquanto ouvia a sua presa falar ao telefone:

- Quem é?

- Sou eu, Yuugi Mutou e quero que você me encontre em frente ao colégio daqui a meia hora. Eu estou aguardando você.

Após falar, ele encerra a ligação ao apoiar o telefone no gancho, para depois, se afastar, sem saber que Yukiko acompanhava atentamente todos os seus movimentos à distância usando a sua visão especial.