Notas da autora
Yukiko propõe...
Atemu decide...
Yuugi fica...
Capítulo 24 - Acordo
Usando uma máscara e capa que cobria todo o seu corpo, Yukiko se aproxima de Atemu que pergunta, arqueando a sobrancelha direita enquanto pensava em algumas magias estratégicas para usar contra ela, desde que se provasse uma ameaça ao corpo do seu anfitrião, uma vez que não desejava começar uma briga cujas chances de vencer estavam contra ele:
- Quem é você?
- Não importa.
- O que deseja?
- Fazer um acordo.
- "Um acordo"? Como assim?
- Não posso permitir que aplique um Yami no Game em Jounouchi e Honda.
- Você os está defendendo? Como ousa defender bastardos valentões como eles? – O Faraó pergunta com uma voz irritada, traindo as suas feições impassíveis enquanto torcia os punhos.
- Não. Nunca defenderia seres tão desprezíveis. – ela fala com evidente asco, como se o que ele dissesse fosse altamente ofensivo, para não dizer asqueroso.
A resposta inusitada o deixa desconcertado.
- Então, por que deseja protegê-los da minha fúria pelo que eles fizeram ao Mou Hitori no Ore? – o espírito pergunta exibindo um semblante confuso
- Pelo futuro.
- "Futuro"?
- Sim. Por mais bizarro que sejam as minhas palavras, eles irão se converter em pessoas valorosas para o Yuugi, principalmente o Katsuya.
Atemu fica estarrecido pela convicção que ela demonstrava em sua voz, para depois, olhar com descrença para a albina.
- Isso é impossível! Valentões sempre serão valentões. O que você disse soa como surreal, para não dizer insano.
- A mudança já começou para um deles. No caso desses dois, a regra sobre os valentões não se aplica, embora seja verdadeira para a maioria esmagadora dos casos. Afinal, uma vez bastardo sempre bastardo.
- Eu não acredito nisso. – ele fala em tom de descrença, não conseguindo imaginar nenhum motivo plausível para a mudança de coração do loiro e do moreno, considerado as memórias do seu anfitrião.
- Eu sei e não o culpo por achar as minhas palavras, no mínimo, surreais, considerando as memórias que você acessou do Yuugi-kun. No seu lugar, eu iria agir da mesma forma que você está agindo. Por isso, não o condeno por pensar dessa forma.
- Que provas você tem disso?
- Eu vejo o passado e o futuro. Por ver o futuro, não posso permitir a sua vingança contra eles em um Yami no Game. Eu farei de tudo para impedir isso, acredite ou não. Inclusive, acredito que você deve ter uma noção dos meus poderes contra os seus. Com certeza, você sabe que não tem a mínima chance de me derrotar para poder cumprir com o seu intento inicial contra eles.
- Então, eles vão ficar impunes após tudo o que fizeram com o fofo... quer dizer, com o Mou Hitori no Ore?
A albina sorri e fala, com Atemu conseguindo ver um sorriso gentil por baixo da máscara, embora ela não fosse transparente e esta era uma sensação estranha.
- O Yuugi-kun é fofo e adorável. Você está certo quanto à fofura dele. Ademais, eu sei que os seus sentimentos não são apenas de um Guardião e sim, algo muito mais profundo. Você daria a sua vida pelo Yuugi-kun sem pestanejar. Afinal, por ele, você faria qualquer coisa porque você o ama incondicionalmente.
O Faraó fica surpreso ao constatar que ela sabia da profundidade dos seus sentimentos e que de fato, morreria por ele se fosse necessário e que daria tudo o que o seu anfitrião pedisse porque o possuía o seu coração há anos.
- Eu acho isso fofo. Além disso, eu vejo o Yuugi-kun como se fosse meu filho querido e eu espero que você cuide dele. Se o fizer chorar, se entenderá comigo, estamos entendidos? – ela pergunta o final em um nítido tom de ameaça.
O espírito sente a intenção assassina e consente, para depois, falar ao se recuperar da presença opressora dela:
- As lágrimas dele seriam a pior tortura para mim porque seria uma visão insuportável. O ódio que tenho de ambos, assim como tive de Ushio, foi tanto pelo sofrimento dele, quanto pelas lágrimas derramadas à noite em seu quarto quando o seu avô não o estava vendo.
- Eu fico feliz em saber que sempre irá procurar fazê-lo feliz.
- Se, de fato, possui sentimentos maternais em relação a ele, você deveria estar punindo ambos pelo que fizeram contra o Mou Hitori no Ore.
- Eu já o fiz.
Atemu fica estarrecido, para depois, perguntar, indignado:
- Você pode fazer e eu não? Isso não é hipocris...
- Não. – ela o corta abruptamente – Porque não o estou proibindo. Eu nunca disse isso. Não coloque palavras na minha boca.
- Mas você disse que eu não podia aplicar um Yami no game neles. – ele comenta confuso.
- Sim. De fato, eu o proibi de aplicar um Yami no Game em ambos. Mas há outra forma de punição e eu posso fazer isso. Neste caso, seriam punições que não trariam problemas para eles durante o dia e sim, somente à noite ao dormirem, com eles ficando presos em um pesadelo vívido, somente acordando no raiar do dia e eles não se lembrariam pelo dia inteiro. Ademais, eu irei providenciar um processo mágico de cura para preservar a mente e o corpo de ambos para que não enlouqueçam durante a noite, além de impedi-los de demonstrarem fisicamente qualquer indício de pesadelo, caso alguém entre em seus quartos.
- Eles deveriam se lembrar. – o espírito comenta, disfarçando a sua surpresa pela sugestão dela.
- Vão ser dez horas de terror ininterrupto e sem grito para ninguém despertá-los. Essa punição somente terminará quando você desejar. O que você escolhe como pesadelo vívido para ambos? Fale e eu irei concretizá-la. Esse tipo de punição é aceitável e creio que pode aplacar a sua fúria.
- Mesmo que eu aceite e escolha. Como iremos lançar essa magia, sem ser amanhã no colégio? – O Faraó pergunta, arqueando a sobrancelha direita.
- Eu posso trazê-los magicamente. Eu disse que já os havia punido anteriormente e que apaguei a memória deles desse evento.
Atemu fica surpreso e após refletir consigo mesmo, ponderando sobre o acordo enquanto se recordava do enorme poder mágico que ela emanava, ele suspira e consente porque não havia escolha e conforme ponderava sobre a oferta dela, descobriu que mesmo o pior destino que pudesse ofertar em um Yami no game, não chegaria próximo ao que tinha em mente.
Afinal, o o sofrimento não seria demorado como o que ela propunha.
Portanto, apesar de ser o contrário do que havia planejado, a opção dela parecia bem melhor do que a dele porque ele não tinha condições de dar aquele tipo de punição, mesmo usando o poder do Sennen Aitemu e a sua magia.
Ele sai do seu estado reflexivo ao ouvir a voz da mulher misteriosa a sua frente:
- Temos um acordo?
- Sim.
- Ótimo. Fale qual será o pesadelo deles e será tão vívido, que eles não vão saber que estão sonhando.
Ao notar que o Faraó parecia indeciso sobre como deveria ser o pesadelo vivo para ela poder colocar na mente do loiro e do moreno, a albina decide dar uma sugestão:
- O que acha do pesadelo consistir do corpo deles sendo surrados lentamente e depois, estraçalhados vivos por monstros, com a dor sendo vívida e igualmente intensa? É um castigo adequado? Lembre-se que somente você poderá libertá-los dessa punição.
Atemu fica pensativo, ponderando por alguns minutos sobre a sugestão dela enquanto ficava surpreso pela imaginação fértil da albina, para depois, surgir um sorriso em seus lábios.
- É uma ideia excelente. Eu concordo com a sugestão. Como fará isso?
- É fácil. É só eu fazer isso...
Nisso, ela se concentra e depois, estala os dedos, fazendo aparecer Jounouchi e Honda no lado deles, com ambos se encontrando adormecidos e ao observá-los, o Faraó achava ridícula a cueca samba canção que usavam porque a do moreno era de ursinhos com potes de mel e a do loiro era de cachorrinhos com a linguinha de fora, com ambas sendo estampas extremamente lúdicas, ao ponto de imaginar que somente crianças usavam tais estampas.
Então, quando ambos ameaçam acordar, provavelmente, pelas risadas de escárnio de Atemu, ele observa uma névoa branca saindo de uma das mãos da albina e que passa a envolver ambos, forçando-os a dormir novamente.
Após força-los a um sono profundo, Yukiko se aproxima deles e após dobrar os seus joelhos ao se agachar, toca com cada uma de suas mãos a testa de ambos ao mesmo tempo, para depois, murmurar palavras incompreensíveis conforme se concentrava, fazendo o corpo deles brilharem, com o brilho passando a se concentrar na cabeça do loiro e do moreno.
Alguns minutos depois, ela se levanta e ao se aproximar dele, pega as mãos do espírito com as suas mãos que brilhavam, ainda, com o Faraó sentindo que algo era passado para ele, para depois, a sensação terminar ao mesmo tempo em que o brilho desaparecia das mãos dela após a meia dragoa afastar as suas mãos dele.
- Pronto. Agora, eu preciso devolvê-los.
Ela se concentra novamente e estala os dedos, com ambos desaparecendo.
Em seguida, Yukiko se afasta, virando as costas para ele enquanto caminhava para dentro da névoa alva que os envolvia.
- Qual o seu nome? – ele pergunta curioso.
- Não importa.
- O que você é? Eu sinto que não é totalmente humana.
- Isso não importa, mesmo que os nossos caminhos se cruzem novamente. – ela fala o final misteriosamente.
Então, sem virar para o espírito, ela entra na neblina, para depois, desaparecer.
Após se afastar satisfatoriamente do local, a meia dragoa das neves divinas desfaz a névoa enquanto removia magicamente a máscara e o sobretudo, retornando a sua voz original, se retirando em seguida do local.
Atemu não havia tentado segui-la porque acreditava que a névoa mágica não iria permitir que ele a seguisse. Ele suspira enquanto sentia que a área mágica era desfeita gradativamente e após avistar as moradias e estabelecimentos em seu entorno novamente, o Faraó decide retornar ao quarto do seu anfitrião para devolver o seu corpo após deitar na cama ao conseguir se esgueirar com sucesso pela árvore e janela.
No dia seguinte, Yuugi despertou e ao constatar que estava embaixo das suas cobertas, ele pisca os olhos e após sentar na cama, tenta se recordar do momento que deitou na sua cama na noite anterior porque a sua lembrança mais recente era de encaixar a última peça do Sennen Pazuru, com o jovem não conseguindo se recordar do que aconteceu em seguida, para depois, julgar erroneamente que essa lacuna em sua memória era ocasionada pelo stress da ameaça de Ushio e seu desespero por não ter a quantia de dinheiro que ele exigiu dele.
Então, tão rápido quanto veio essa recordação da ameaça que ele sofreu, o mesmo se dissipou, fazendo-o bocejar enquanto se espreguiçava, para depois, perceber que ele devia estar tão cansado na noite anterior que sequer retirou o seu uniforme e ao se levantar, o jovem acaba passando em frente ao espelho dentro de uma das portas do seu armário que estava aberta e algo chama a sua atenção imediata, no caso, o item que estava envolta do seu pescoço e conforme o observava atentamente, se recordava vagamente dele ser uma peça da sua roupa de Halloween do ano passado, baseado no personagem Edward do filme "Edward Mãos de Tesoura". Quando tentou tirar o colar, sentiu uma sensação estranha que o fez reverter a sua decisão, passando a olhar por vários ângulos no espelho a peça que estava em seu pescoço, para depois, achar que ficava bom nele, decidindo deixá-la onde estava enquanto questionava quando o havia colocado.
Em seguida, os seus olhos se voltam para a corda fina que envolvia o seu pescoço e que chegava ao Sennen Pazuru, com ele pegando o objeto em suas mãos, exibindo uma imensa felicidade em seus olhos ametistas que eram expressivos enquanto ficava extasiado ao ver que de fato, o havia montado, fazendo com que passasse a admirar o seu tesouro enquanto passava as mãos no relevo do mesmo, achando-o lindo e ao se virar para os lados ao deixá-lo repousar contra o seu tórax, decide que daria um visual excelente para ele, decidindo que iria usá-lo diariamente ao achar que o item e o acessório em seu pescoço davam um ar interessante a sua figura, desconhecendo o fato de Atemu influenciá-lo em sua decisão de manter o Sennen Aitemu junto dele.
Quanto ao Sennen Pazuru, ele era o querido tesouro de Yuugi e que iria fazer o seu desejo se tornar realidade, fazendo assim com que a sua convicção de carregar o objeto se tornasse ainda mais forte, levando-o a desejar estar sempre com o Sennen Pazuru e ao tocar em sua superfície, se recorda da sensação de conforto e segurança que o objeto proporcionava a ele por mais estranho que fosse esse pensamento.
Quando ele dirige o seu olhar para a sua mesa e observa o item que usava como cofre, aberto e com as suas parcas economias a mostra, as recordações do que Ushio fez e a sua ameaça retornam com força, fazendo-o ofegar enquanto questionava o motivo de ter se esquecido disso há alguns minutos atrás, assim que acordou, fazendo-o ter a estranha sensação que algo pareceu fazê-lo esquecer desse acontecimento quando o mesmo passou por sua mente.
Quando Yuugi começa a ficar desesperado ao se recordar da ameaça de Tetsuo, ele sente uma dor intensa em sua cabeça que o faz se ajoelhar enquanto o item começava a brilhar, com ele tendo a nítida impressão que ouvia uma voz barítono gentil juntamente com a sensação de uma carícia suave em sua mente, com as palavras ressoando como se fosse um murmúrio e em um tom de ordem inquestionável:
"Esqueça-se da ameaça."
Atemu decidiu apagar essa recordação da mente dele. Ele somente não apagou a memória da surra porque as amigas dele ou o seu avô podiam comentar algo e seria estranho se ele não tivesse qualquer recordação de ter apanhado do Monitor estudantil.
Portanto, havia decidido dar a paz de espirito ao seu anfitrião ao fazê-lo se esquecer da ameaça que era a fonte do seu stress e medo.
Yuugi se levanta, com a dor em sua mente cessando enquanto surgia um olho dourado em sua testa.
Após ficar de pé e em frente ao espelho com os olhos vidrados, dando a impressão que ele se encontrava em uma espécie de transe, o olho desaparece ao mesmo tempo em que os seus olhos clareiam após essa recordação ser apagada da sua mente por completo.
O jovem de cabelos tricolores pisca os olhos, para depois, arquear a sobrancelha direita, sentindo que estava se esquecendo de algo importante, para em seguida dar de ombros, julgando erroneamente que estava imaginando coisas ao mesmo tempo em que voltava a admirar os seus novos acessórios e ao olhar para a mesa, avista o objeto que usava como cofre com o dinheiro espalhado, fazendo-o arquear o cenho, estranhando o fato do objeto se encontrar na sua escrivaninha.
Então, decidindo que era uma preocupação irrisória enquanto abanava a cabeça para os lados, ele recolhe o dinheiro e moedas, guardando-os em seguida no objeto, não percebendo que dentro do cofre, mais precisamente no fundo do recipiente, havia quarenta mil ienes e que as notas não se encontravam mais perfuradas em decorrência da magia do Faraó.
Após guardar o objeto, se recorda da surra e passa a olhar para o seu corpo, ficando surpreso ao ver que não sentia qualquer dor e que os seus ferimentos haviam sumido, fazendo-o sorrir imensamente, para depois, arquear o cenho, começando a refletir o motivo de não sentir qualquer dor.
Então, tão bruscamente quanto surgiu o pensamento dos seus ferimentos, o mesmo desapareceu, fazendo com que ele se esquecesse da gravidade deles quando Atemu modificou a sua percepção sobre a seriedade dos seus machucados, fazendo o seu anfitrião acreditar que os ferimentos não haviam sido tão graves quanto ele pensava e que apenas uma noite de sono foi o suficiente para ajudar na cura.
Considerando esta explicação plausível por força da influência do Faraó que tinha livre acesso as suas recordações e pensamentos pelo fato da câmara da alma e do coração de Yuugi sempre se encontrar aberta, o adolescente decide se dirigir até o banheiro, tirando a roupa e os acessórios.
Após tomar uma ducha, ele seca o seu corpo e se troca, colocando um uniforme limpo que tirou das suas gavetas enquanto desprezava as roupas do dia anterior na cesta de roupa suja, para depois, colocar o colarinho no pescoço e o Sennen Pazuru em seu pescoço.
Então, um som chama a sua atenção, para depois, ouvir um toque conhecido, passando a procurar o seu smartphone até que ouve o mesmo tocando dentre as peças de roupa desprezadas no cesto.
Prontamente, ele passa a procurar o objeto e fica aliviado ao encontrá-lo quando avistou a tela brilhando parcialmente em um dos bolsos da sua calça desprezada no cesto de roupas sujas.
