Notas da autora
Yukiko consegue...
Jounouchi...
Yuugi fica...
As amigas de Yuugi...
Capítulo 26 - Jounouchi
Do lado de fora, Kisara, Nuru e Yukiko estavam sentadas na mesa do café com o seu amigo, o parabenizando por montar o item que ele vinha tentando montar a oito anos, comentando que ficava muito bem nele o Sennen Pazuru pendurado em seu pescoço enquanto assimilavam o fato dele não ter mais ferimentos, com as gêmeas acreditando que haviam errado em seu julgamento dos ferimentos sofridos porque seria a única explicação plausível na visão das gêmeas para o fato do seu amigo não sentir dor, com Sugoroku se ausentando de contar as suas suspeitas sobre o item e que poderia ter sido algo além do Sennen Pazuru que havia curado o seu neto ao mesmo tempo em que sorria paternalmente para as jovens.
A meia dragoa havia conseguiu fingir surpresa com a cura do seu amigo ao acompanhar as emoções e reações das gêmeas.
Elas também comentavam o quanto ele ficou legal com o colar em seu pescoço e o colete colante com cintos por baixo da blusa e que havia combinado com o colarinho, fazendo-o corar, para depois, ouvi-las conversar enquanto ficava imerso nas suas recordações vagas da noite passada, para depois, sair desses pensamentos sem que percebesse, voltando a prestar atenção ao que elas falavam, fazendo com que o jovem não percebesse essa mudança involuntária e igualmente sutil por causa da influência de Atemu, que procurava intervir o mais sutilmente possível para não assustar o seu amado anfitrião.
Afinal, ele não queria ver aquelas belas gemas ametistas imersas em medo ou dor.
Então, eles se levantam ao verem que deveriam ter saído há alguns minutos, atrás e após se despedirem de Sugoroku, o grupo de amigos se dirige até o colégio.
Quando Yuugi e as suas amigas chegam à instituição de ensino, Yukiko trata de arrastá-los sutilmente para longe do pátio do colégio, fornecendo uma desculpa qualquer, fazendo com que não vissem uma aglomeração de estudantes que se encontravam próximos de uma das árvores do pátio e que observavam Ushio atirando folhas para o alto juntamente com o lixo que havia encontrando e que o deixava fascinado enquanto murmurava a palavra dinheiro com evidente êxtase em sua voz.
Afinal, para o ex-monitor estudantil, não era lixo ou folhas e sim, notas de dinheiro.
Conforme os afastava, a albina notou pelo canto dos olhos, o diretor se aproximando dos estudantes acompanhado de um dos professores. Seguindo ambos, havia uma equipe médica, além de um senhor que exibia preocupação em seu semblante.
A meia dragoa confessava que se encontrava ansiosa para puni-lo pelo que fez a aquele que via como um filho, decidindo que iria visita-lo na instituição psiquiátrica quando fosse de madrugada para aplicar a punição que havia escolhido para ele.
Próximo dali, Jounouchi e Honda haviam ficado felizes ao ponto de comemorarem quando viram o estado deplorável de Ushio, com os estudantes murmurando que ele deve ter enlouquecido por algum motivo, explicando assim a aparente loucura que demonstrava, fazendo com que o diretor contatasse o tio de Tetsuo, que por sua vez, iria interná-lo em uma clinica psiquiátrica.
Então, Katsuya vê Yuugi junto das suas amigas, com Hiroto acompanhando o olhar do amigo, para depois suspirar enquanto mantinha as suas mãos nos bolsos conforme se lembrava do que haviam conversado mais cedo naquele dia.
Mesmo não concordando com o que o seu amigo disse, Honda respeitava a sua decisão, embora isso implicasse que ele não ficaria junto dele quando o loiro estivesse perto de Mutou.
O moreno se recordava de Jounouchi comentando que não iria mais praticar bullying no jovem de cabelos tricolores e que seria amigo dele, o deixando estarrecido pela decisão inesperada, para depois, sacudir Katusya pelas lapelas do casaco escolar enquanto gritava com ele, visando remover a ideia insólita na visão dele ao mesmo tempo em que tentava a todo custo fazê-lo rever a sua decisão até que desiste do seu intento ao notar nos olhos do loiro uma convicção ferrenha e como o conhecia bem, sabia melhor do que ninguém que nenhum argumento o faria mudar de ideia, uma vez que ele exibisse aquele olhar em seus olhos cor de mel.
Honda sai das suas recordações daquela manhã e comenta, seguindo o olhar do seu amigo:
- Não vou ficar junto de você quando estiver com ele. Mas acho que você compreende a minha decisão.
- Eu sei. Mas não ficarei todos os dias com o Yuugi, uma vez que ele tem as suas amigas. Portanto, poderemos andar por aí, indo ao fliperama ou socando algumas gangues.
Honda sorri, consentindo, para depois, suspirar, colocando as mãos em seus bolsos, falando em seguida:
- Pelo menos, vamos poder nos divertir quando você não estiver junto daquele bast... quer dizer, do Mutou – ele fala, se corrigindo rapidamente porque o seu amigo pediu para não ofender o jovem na sua frente, com o moreno acatando o pedido - Bem, se está tão determinado embora eu não consiga aceitar os seus argumentos, o deixarei seguir com o seu intento e não vou mais perturbá-lo. Você tem a minha palavra.
- Obrigado, amigo.
Ainda de costas, Hiroto mostra o polegar para cima antes de se afastar, com o loiro decidindo se apressar porque queria encontrá-lo e preferencialmente, sozinho.
Afinal, não queria proferir palavras que o deixariam demasiadamente envergonhado, principalmente na presença de uma plateia no entorno enquanto que desejava ardentemente ter a chance de se aproximar, em algum momento do futuro, da bela bronzeada de orbes carmesins que havia roubado o seu coração.
Nesse interim, com a albina sabendo o que iria ocorrer, ela consegue convencer as suas amigas a segui-la ao dar uma desculpa qualquer, permitindo assim, que Yuugi andasse sozinho até a sala de aula porque Katsuya estava atrás de uma parede, o aguardando.
Após Mutou passar essa parede, Jounouchi, que se encontrava encostado com as costas na parede e com os braços cruzados sobre o tórax, exibindo alguns curativos no rosto, fala ao vê-lo passar por ele:
- E aí, Yuugi?
- Ah, Jounouchi-kun! – ele exclama surpreso ao vê-lo porquenão esperava encontrá-lo.
Inicialmente, ele ficou com medo do motivo do outro se aproximar dele porque temia que o loiro o machucasse, fosse fisicamente ou verbalmente, apesar de estranhar o fato de Honda não está junto dele.
Afinal, ambos se juntavam para atormentá-lo, dando a desculpa esfarrapada de que eram lições para ser homem, com ele sabendo os verdadeiros motivos e que eram comuns a todos os valentões. Eles queriam apenas humilhá-lo e agredi-lo, fosse verbalmente ou fisicamente para se divertirem com o seu sofrimento.
O loiro nota o nervosismo no semblante do jovem de cabelos tricolores enquanto percebia que o jovem de cabelos tricolores havia dado, inconscientemente, um passo para trás, fazendo Katsuya se amaldiçoar internamente por ser um dos responsáveis por trazer medo para o adolescente de orbes ametistas porque os olhos grandes e expressivos demonstravam nitidamente o receio que o acometia ao ficar na sua presença.
Então, visando fazer com que o jovem a sua frente relaxasse na sua presença, ele pergunta gentilmente:
- Como estão os seus machucados?
- Eu estou bem. Eles não estão doendo. E você, Jounouchi-kun? – Mutou pergunta com sincera preocupação em sua face porque apesar de tudo que fizeram contra ele, Yuugi era incapaz de guardar mágoa e de odiar alguém, assim como era incapaz de desejar o mal a essa pessoa.
Portanto, a sua preocupação era sincera e o loiro podia ver essa sinceridade nos orbes ametistas, o fazendo sentir mais vergonha de si mesmo do que já sentia.
Após se recuperar da surpresa inesperada, Katsuya responde, sorrindo de canto:
- Estou ótimo! Isto não é nada!
Então, ele fecha os olhos e se prepara para dizer palavras que nunca pensou que falaria por achar que eram, demasiadamente, ridículas.
- Yuugi, eu também resolvi ter um tesouro como você. Você quer ver?
- Sim. – ele responde, sorrindo animado.
- É uma pena... O meu tesouro é "algo que você vê, mas nunca viu". Então, não vou poder mostrar.
Yuugi fica reflexivo e pensa consigo mesmo, tentando descobrir o que era enquanto o loiro ficava aliviado ao ver que Mutou havia relaxado ao seu lado.
"Algo que você vê, mas nunca viu?" O que será?" - o adolescente de orbes ametistas pensa consigo mesmo, tentando descobrir o que era.
Katsuya exibe um sorriso em seu rosto ao mesmo tempo em que mantinha os braços cruzados em frente ao seu tórax, com as costas apoiadas na parede atrás dele, falando em seguida:
- É a amizade. Nós dois podemos ver que ela existe. Mas ninguém pode ver a amizade em si.
Yuugi fica surpreso e exclama emocionado, com lágrimas nos olhos:
- Legal!
Então, envergonhado por ter dito tais palavras, ele sai correndo em direção à sala de aula, acabando por perder um dos sapatos que os alunos usavam dentro do colégio enquanto exclamava:
- Agora, tchau, porque a aula vai começar!
Enquanto corria, ele pensava consigo mesmo:
"Não acredito que tive coragem de falar uma coisa tão brega."
Mutou pega o sapato dele e corre atrás dele, exclamando:
- Espere, Jounouchi-kun! Você esqueceu o sapato!
Ele consegue alcançá-lo antes que chegassem à sala de aula e ainda envergonhado, o loiro aceita o sapato e coloca no pé, agradecendo:
- Obrigado, Yuugi.
- Por nada, Jounouchi-kun.
Então, ambos entram na sala de aula e avistam Yukiko, Nuru e Kisara conversando algo até que a prateada percebe o seu amigo junto de um dos valentões e arqueia o cenho, chamando a atenção da sua irmã e de Yukiko, que olham atentamente para o loiro.
O mesmo percebe que a bela bronzeada que ele amava arqueava a sobrancelha direita enquanto que a prateada o observava com um semblante curioso ao mesmo tempo em que a albina parecia analisá-lo porque que a meia dragoa foi obrigada a fingir que não sabia o que ocorreu.
Portanto, ela pergunta em um tom de voz frio, cruzando os braços contra o tórax:
- Onde está o bastardo do Honda? Vocês nunca se aproximam dele quando nós estamos por perto.
O jovem de cabelos tricolores geme e faz facepalm ao perceber que seria difícil para as suas amigas confiarem em Katsuya ao mesmo tempo em que havia se esquecido, momentaneamente, do fato de haver resistência por parte delas e não as condenava.
Jounouchi, que andava junto de Yuugi, detém o seu avanço porque era plenamente ciente de que precisaria enfrentar a desconfiança delas e considerando o que ele fez contra Mutou, não esperava outro tratamento.
Porém, mesmo se preparando para lidar com o trio de garotas que o protegiam, ele confessava que era demasiadamente difícil não ficar nervoso perto delas enquanto ficava desolado ao notar que Nuru olhava para ele como se fosse um mero lixo, podendo ver, também, o brilho de raiva em seus orbes carmesins.
Quando o jovem ia falar algo ao notar a tensão no ar oriunda delas enquanto observava pelo canto dos olhos o seu novo amigo demonstrando receio e tristeza em seu semblante, o professor se preparava para entrar na sala de aula, fazendo com que o jovem não tivesse tempo hábil para falar o que ocorreu porque todos os alunos foram obrigados a se sentarem em seu lugar.
Portanto, ele decidiu que iria contar para as suas amigas sobre Jounouchi, no intervalo.
Nesse interim, antes que o professor entrasse, Honda entrou na sala de aula e se sentou no seu lugar, observando o clima tenso entre o seu amigo e as amigas de Yuugi, para depois, ver o seu amigo se sentar em seu lugar, com ele comentando em um sussurro ao se recordar da face desconfiada delas ao verem o loiro junto do amigo delas:
- Se prepare. Não será fácil.
- Eu sei e estou preparado para enfrentá-las. Considerando os meus atos no passado, enfrentar a fúria delas seria o mínimo que eu deveria esperar. – ele fala em um suspiro.
- Eu fico aliviado de você ser ciente da imensa dificuldade que terá em conquistar a confiança delas. Pelo menos, agora, você tem chance com a Nuru. – o moreno fala, sorrindo.
- Eu espero. Eu sonho com o dia que poderemos ficar juntos.
- É bom se focar na realidade porque será um longo caminho para você ter alguma chance com ela.
- Eu sou o único responsável pela minha situação atual. Portanto, preciso suportá-la e aceitar com resignação, lutando com unhas e dentes para ter uma chance, nem que seja ínfima, dela me olhar com outros olhos.
- Bem, se prepare porque não será nada fácil, considerando a forma como ela olha para você.
- Eu sei. – ele suspira, para depois, voltarem a prestar atenção na aula.
Nesse interim, Kaiba havia chegado e sentou em seu lugar, pegando um livro para ler ao mesmo tempo em que estranhou o fato de um dos valentões, que atormentavam o menor aluno da sala em estatura, havia chegado junto desse mesmo jovem à sala de aula e enquanto olhava para a cena inusitada, ele observava Kisara pelo canto dos olhos e ao vê-la, os seus orbes azuis passam a observar a prateada que havia se erguido junto da irmã e da amiga ao verem o loiro entrando junto do amigo deles.
Seto não conseguia compreender o motivo da sua mente sempre se encontrar pensando na Kisara em vários momentos durante o dia, não importando se era uma reunião importante. O rosto dela surgia em várias ocasiões e ele considerava algo irritante. Pelo menos, a sua mente pensava assim enquanto o seu coração sempre a buscava em sua mente e ao se concentrar em tais pensamentos sobre coração e sentimentos, ele exibe uma carranca em seu rosto porque os sentimentos eram algo inconveniente para uma pessoa ter no mundo dos negócios, principalmente naquele momento que se preparava para derrubar Gozaburo Kaiba após planejar por vários anos a queda dele.
Após derrubá-lo, ele passaria a ter o controle do império Kaiba, com ele decidindo que o seu primeiro ato seria parar com o desenvolvimento de armas bélicas ao usar a tecnologia para os jogos e para criar parques de diversões que seriam chamados de Kaiba Land.
Afinal, o seu sonho desde que era menino, era criar parques de diversões pelo mundo e acessíveis para todos, não importando a renda, além de desejar ter uma empresa dedicada aos jogos.
Decidindo que deveria focar a sua mente na queda do seu odiado padrasto, Seto rompe contato visual com Kisara enquanto retornava a ler o seu livro, com ele se recordando de que tinha uma reunião secreta marcada na parte da tarde com a diretoria da Corporação Kaiba.
Enquanto Yuugi prestava atenção nas aulas, Atemu se encontrava pensativo em seu trono, tentando compreender a atitude de Jounouchi ao dizer aquelas palavras, assim como o desejo de ser amigo daquele que vivia atormentando quase que diariamente e por mais que ficasse pensando, tentando encontrar uma justificativa plausível para as suas atitudes inusitadas, ele não conseguia encontrá-la, fazendo com que não acreditasse nas palavras do loiro.
Afinal, era uma mudança demasiadamente radical, considerando o fato de que não achava nenhum motivo minimamente plausível para que ele mudasse a sua conduta, levando-o a cogitar a hipótese de ser um plano dele junto do moreno, almejando algo que o Faraó não compreendia ao mesmo tempo em que começava a ficar preocupado com o jovem que detinha o seu coração, decidindo que deveria ficar atento a esta aproximação inusitada do loiro.
Algumas horas depois, ocorre o intervalo e todos saem, com exceção de Kaiba que havia aberto o seu notebook e se encontrava olhando atentamente para a tela enquanto digitava algo.
Kisara se encontrava olhando para ele ao mesmo tempo em que se levantava da sua carteira, tentando compreender o motivo de sonhar com Seto, com alguns destes sonhos sendo muito estranhos porque ela o via bronzeado e usando roupas egípcias enquanto exibia uma espécie de cetro dourado estranho na mão.
Ela havia contado estes sonhos para a sua irmã, com Nuru comentando que poderia ser apenas um sonho, com a prateada, relutantemente, aceitando como sendo uma hipótese plausível apesar de ter a sensação inquietante de que não era, apenas, um sonho.
Então, a jovem sai de seus pensamentos com a voz ansiosa de Yuugi:
- O Jounouchi-kun mudou. Ele é o meu amigo, agora.
