Notas da autora

Jounouchi fica...

Yuugi decide...

Os amigos de Yuugi se encontram...

Capítulo 29 - Engodo

Em um dos corredores próximos da sala de aula onde Yuugi se encontrava com os seus amigos, o assistente que havia roubado o uniforme de um dos armários dos estudantes estava andando pelos corredores, perguntando aos outros estudantes se conheciam o jovem da foto até que um deles o identificou e o informou em que sala podia encontrá-lo.

Enquanto andava pelos corredores com uma carranca no rosto, ele pensava consigo mesmo:

"Eu vou perder o meu emprego se não conseguir atrair aquele moleque para os fundos do ginásio e dar um soco nele na frente da câmera que vai estar posicionada para filmar a cena."

Então, com as mãos nos bolsos, ele sai dos seus pensamentos e murmura de mau humor ao mesmo tempo em que andava:

- Que porcaria. Esses trabalhos chatos sempre ficam com os assistentes.

Próximo dali, Yuugi estava andando com Jounouchi enquanto que Yukiko, Nuru e Kisara não se encontravam com eles porque precisavam tirar uma dúvida com um dos professores e decidiram usar o intervalo para procurá-lo na sala dos professores. Yukiko havia afastado as gêmeas de propósito porque sabia que o seu amigo precisava encontrar o assistente sozinho enquanto suprimia um rosnado que estava se formando no fundo de sua garganta por saber o que iria acontecer a aquele que via como um filho querido.

O jovem de cabelos tricolores e o loiro conversavam alguns assuntos até que Katsuya propõe ao seu amigo:

- Então, Yuugi, que tal nós mesmos encontrarmos essa artista escondida?

Os orbes ametistas se arregalam de surpresa.

- O quê? – o adolescente se refaz da surpresa e fala – Talvez, o carro da tevê tenha vindo por outro motivo. Pode ser que eles estejam gravando o episódio de algum programa.

Jounouchi revira os olhos.

- Não acredito que você está com elas sobre o motivo do furgão estar na frente do colégio. - Katusya fala com incredulidade em sua voz.

O assistente olhava para ambos que haviam passado por ele e exibe um sorriso perverso enquanto exclamava em pensamento ao mesmo tempo em que ouvia a conversa entre eles

"É ele!"

O loiro fica chateado com o seu amigo e se afasta, exclamando:

- Que chatice. Eu pensei que você me entenderia. Eu vou procurar sozinho! Tchau!

Yuugi fica surpreso e estende uma das mãos enquanto murmurava:

- Jounouchi-kun...

- Fui! – ele exclamou, antes de desaparecer no corredor enquanto o jovem fica cabisbaixo.

"Será que ele ficou chateado?" - Mutou pensa consigo mesmo.

Então, o assistente se aproxima, exclamando:

- Yuugi-kun!

Ele se vira, olhando para o homem que se aproximava, não o reconhecendo, com o mesmo exclamando com um sorriso no rosto:

- Yo (Oi)!

- Eu... conheço você? – o adolescente de cabelos tricolores pergunta com hesitação, tentando se lembrar de onde o conhecia para não parecer indelicado.

- Não. O meu nome é Fujita.

- Yoroshiku onegai shimasu (Muito prazer em conhecê-lo). – o adolescente de cabeça de estrela do mar se curva levemente, seguindo o protocolo tradicional de sua cultura.

- Eu sei onde está a artista do colégio. Não é ela que você está procurando?

- O quê? É sério que tem uma artista estudando com a gente? – ele pergunta, exclamando com animação enquanto corava ao imaginar uma artista imaginária.

- Claro que sim! – o falso estudante exclama, disfarçando um sorriso de escárnio que Mutou não notou.

"É mentira, idiota!" – o assistente exclama em pensamento.

- Então, eu acho que posso me dar bem com você. Se quiser, eu te apresento a estrela! Ela é a minha amiga do peito, sabia? – ele falava enquanto sorria, ficando feliz ao ver que havia conseguido enganar facilmente o adolescente a sua frente.

"Quem será ela?" – o jovem de orbes ametistas pensa consigo mesmo enquanto o seu coração batia acelerado e ele corava ainda mais ao mesmo tempo em que sorria ao imaginar que iria encontrar uma artista pessoalmente, com ele tomando nota de apresentá-la depois ao seu amigo.

Então, o assistente se afasta com uma das mãos do bolso enquanto falava, mantendo o falso sorriso amigável em seu rosto:

- Na hora da saída, nos encontre atrás do ginásio poliesportivo. Mas venha sozinho!

- Certo! – Yuugi exclama animado.

Após o assistente se afastar, Yuugi decide tentar procurar o seu amigo enquanto que havia decidido que iria conhecer a artista, descobrindo quem ela era, para depois, apresenta-la a Jounouchi porque esperava convencê-la a conhecê-lo, assim como as suas amigas, imaginando o quanto elas ficariam surpresas ao verem que a suposição de Katsuya era verdadeira.

Dentro do Sennen Pazuru, Atemu se encontrava sentado em seu trono e suspirava profundamente porque não conseguia encontrar nenhum motivo plausível para um estranho se aproximar do seu amado anfitrião, prometendo fazê-lo se encontrar com uma artista, simplesmente por ter um desejo repentino.

Ao ver dele, havia algo de errado e ele passou a ficar demasiadamente preocupado com Yuugi ao mesmo tempo em que não estava surpreso pelo jovem ter confiado facilmente em um estranho porque sabia melhor do que ninguém como era o coração e âmago do jovem.

Inclusive, ao mesmo tempo em que ele apreciava o coração cristalino dele, que era uma das coisas que mais amava nele, também era ciente que tal coração podia trazer muitos problemas e infortúnios ocasionados por pessoas más que se aproveitam desse coração puro.

O Faraó ainda estava massageando o lado direito da testa enquanto ficava ainda mais preocupado com as reais intenções de Fujita enquanto duvidava que este fosse o nome verdadeiro dele.

Afinal, se você estava planejando fazer algo contra alguém, você nunca daria o seu nome verdadeiro para evitar qualquer retaliação. Dar o verdadeiro nome seria algo muito estúpido e Atemu duvidava piamente que o homem misterioso era demasiadamente idiota para fornecer o seu nome verdadeiro.

O espírito descansa o braço que massageava o lado direito da sua testa em um dos braços da espécie de trono, para depois, apoiar os cotovelos, apoiando em seguida o queixo nas mãos que estavam juntas ao mesmo tempo em que lutava contra o desejo de intervir porque seria demasiadamente fácil para ele apagar essa memória da mente do seu anfitrião, para fazê-lo esquecer dessa conversa, por possuir livre acesso à câmara da alma do adolescente de orbes ametistas.

Porém, havia prometido a si mesmo que evitaria ao máximo intervir na vida do seu amado Yuugi, para impedir os lapsos de memória que ele teria quando assumisse o seu corpo ou quando manipulasse a memória dele por ter acesso irrestrito à câmara da alma de Mutou porque era plenamente ciente que os lapsos de memória iriam deixar o seu anfitrião assustado e ele não desejava sentir o medo vindo daquele que amava, principalmente, se fosse ocasionado pelas interferências dele.

Afinal, o homem estranho poderia acabar procurando o jovem, caso ele não aparecesse atrás do ginásio e isso faria o adolescente perceber que teve um lapso de memória, fazendo assim com que ficasse assustado e isso era algo que o Faraó não desejava enquanto era ciente do fato irrevogável que o adolescente de cabelos tricolores teria lapsos de memória conforme ele intervisse em sua vida. Mas, mesmo que isso fosse inevitável, o espírito poderia reduzir os episódios desses lapsos para permitir uma vida mais confortável ao jovem que amava com toda a força do seu ser.

Após refletir por algum tempo, Atemu decidiu que não iria intervir, a menos que fosse extremamente necessário porque sabia que haveria momentos que ele seria obrigado a tomar o controle do corpo de seu anfitrião, acreditando piamente que não seriam poucas as vezes que faria isso em virtude do coração cristalino e inocente que o adolescente possuía.

Portanto, a seu ver, se pudesse evitar a intervenção em outras situações que não era necessário o controle do corpo de seu amado anfitrião, como a manipulação das memórias de Yuugi, ele as evitaria o máximo possível, bastando o fato de ter alterado as memórias envolvendo Ushio, visando dar a paz de espirito que o jovem precisava porque a ameaça de Tetsuo foi neutralizada eficazmente.

O Faraó sai dos seus pensamentos, encostando as suas costas no trono, para depois, suspirar profundamente enquanto se concentrava, conseguindo acessar a visão do adolescente, sem que este percebesse a intrusão, para que pudesse ver tudo o que ele via porque seria mais fácil reagir a tempo, se pudesse ter consciência do que acontecia do lado de fora, sem sair do Sennen Pazuru, para não alarmar o seu anfitrião.

Afinal, mesmo que pudesse sair do Sennen Aitemu, ficando atrás de Yuugi para que ele não o visse, o jovem poderia acabar olhando para trás em um momento que o espírito se distraísse, acabando por vê-lo e se isso ocorresse, o adolescente de cabelos tricolores poderia ficar aterrorizado, acabando por causar problemas porque ele só podia ser visto pelo portador do item e Atemu desejava ardentemente evitar que isso ocorresse, preferindo tomar outras ações para saber o que ocorria no mundo exterior sem precisar sair do objeto.

Mutou havia voltado chateado para a sala de aula porque não havia conseguido encontrar o seu amigo e enquanto suspirava, Katsuya entrava logo atrás do jovem de orbes ametistas.

Quando o adolescente de cabeça de estrela do mar vira a cabeça para trás, avista Jounouchi e fica aliviado ao perceber que não parecia estar chateado com ele, enquanto que as amigas deles entravam na sala de aula, alguns minutos antes que o sinal do início das aulas soasse.

Enquanto o professor explicava os exercícios que passou na lousa, o adolescente de cabelos tricolores se sentia culpado por manter segredo do seu amigo, pois era plenamente ciente que o loiro desejava ardentemente conhecer a artista que frequentava o colégio deles.

Porém, ele havia prometido que aparecia sozinho, sendo que o seu avô o havia ensinado sobre o valor de uma promessa.

Portanto, Yuugi esperava ansiosamente que a artista permitisse que Katusya a conhecesse, jurando a si mesmo que faria de tudo para convencê-la, pois queria ver o seu amigo feliz.

Enquanto transcorriam as horas, os amigos de Yuugi percebem que o mesmo parecia estar nervoso, embora procurasse disfarçar, sendo que as gêmeas tentaram sutilmente descobrir o motivo do seu nervosismo, com o jovem forçando um sorriso falso, falando que era impressão delas, fazendo o grupo se entreolhar, com a albina fingindo que não sabia o motivo, enquanto que o loiro demonstrava preocupação em seu semblante, com o grupo percebendo que o amigo deles sempre olhava para as horas, como se estivesse esperando por algo.

Algumas horas depois, toca o sinal do término das aulas e no portão da saída, Mutou, que andava com o grupo de amigos, cessa os passos, os fazendo arquearem o cenho, enquanto falava:

- Eu preciso passar em um lugar, antes de ir para casa.

- Quer companhia? – a bronzeada pergunta.

- Iie (não). Domo (obrigado), Nuru-chan. É algo que preciso fazer sozinho.

Os quatro se entreolham, sendo que a albina se aproxima e fingindo não saber, pergunta:

- Tem certeza, Yuugi-kun?

- Hai (sim), Yukiko-chan.

- É que você está estranho durante toda a manhã, após sair com o Jounouchi-kun. Está tudo bem mesmo? – a prateada pergunta com evidente preocupação em seu semblante.

- Hai (sim), Kisara-chan.

- Tem certeza que deseja ir sozinho? – Katsuya pergunta, exibindo preocupação em seu semblante, enquanto xingava mentalmente a si mesmo por tê-lo deixado sozinho.

- Hai (sim), Jounouchi-kun. – o adolescente de orbes ametistas responde com o mesmo sorriso.

Os quatro tornam a se entreolhar, para depois suspirarem, percebendo que ele estava irredutível da ideia de ir sozinho e que não iria falar o que era.

- Bem... se você deseja ir sozinho, não podemos fazer nada. – a albina fala, suprimindo eficazmente a tristeza que sentia por saber que não poderia impedir o que aconteceria, enquanto sentia a fúria pelo agressor aumentar consideravelmente.

- Domo, Yukiko-chan! – o jovem exclama com um semblante que era um misto de alívio e de felicidade.

Nisso, eles permitem que o jovem se afaste, se despedindo dele, para depois, se afastarem do colégio, pelo menos até a próxima quadra, com Mutou aproveitando que eles se distanciaram o suficiente do prédio, após se esconder atrás de uma pilastra para confirmar que se afastaram o suficiente, pois precisava comprar algo em uma loja que ficava próximo do colégio.

Então, após ver os seus amigos desaparecerem na esquina, o adolescente se esgueira ao lado do portão, virando para a esquerda, em direção a uma loja que ficava na próxima quadra, suprimindo a tristeza e sensação de culpa que o acometia por ter que guardar segredo, decidindo que faria de tudo para que a artista permitisse que os seus amigos a conhecessem e se fosse preciso implorar de joelhos, ele o faria, enquanto ansiava que o grupo o perdoasse por ter mantido segredo deles.

Enquanto isso, o quarteto, que não havia apreciado a ideia de se afastar do amigo deles, detém os seus passos, após se afastarem três quadras, sendo que Katsuya comenta, olhando na direção do colégio, enquanto estava com as mãos nos bolsos, levando a sua maleta embaixo de em um dos braços:

- Eu estou preocupado. O Yuugi é um alvo fácil. Além disso, ele estava estranho.

- Concordo com o Jounouchi-kun. Eu estou preocupada com o Yuugi-kun. – Nuru comenta olhando na direção do colégio.

- Eu também estou preocupada. Não vou conseguir ir para casa, sem saber que ele está bem. – Kiasara comenta com uma das mãos contra o tórax, demonstrando preocupação em seu semblante.

A albina fala, olhando discretamente para o seu relógio após fazer uma conta mental rápida, descobrindo que havia dado tempo suficiente para Yuugi se encontra com o assistente, acabando por cair na armadilha do diretor do programa "Sobrevivência Matinal":

- Eu também. Acho que devemos procurá-lo.

Nisso, eles se entreolham e consentem, voltando para o colégio ao mesmo tempo em que Mutou caminhava para o local que o assistente havia combinado o falso encontro com a artista.