Notas da autora

O Yami no Geemu começa...

Atemu consegue...

Atemu pergunta à Yukiko...

Yukiko começa a...

Capítulo 31 - Yami no Geemu - Diretor

Ele se vira e Atemu sorri consigo mesmo enquanto concentrava o poder do Sennen Pazuru ao ocultá-lo por baixo dos seus braços cruzados ao mesmo tempo em que o homem não conseguia ver que uma estranha névoa os envolvia, passando a tornar, gradativamente, aquela área em um Yami no Game.

Porém, aquela área somente seria envolvida por completo se a outra parte aceitasse o jogo proposto e que iria revelar o seu futuro.

Então, o Faraó fala com a sua voz profunda como o abismo mais escuro:

- Estava esperando por você, diretor.

- Você é aquele pivete chamado Yuugi. O que faz aqui no meio da noite? Veio exigir cachê ou coisa parecida?

- Você invadiu a fronteira do coração do mou hitori no ore. Portanto, agora vai ter que jogar um jogo comigo. É só um pequeno passatempo.

- Um jogo? – ele estreita o cenho enquanto achava estranha a postura do jovem a sua frente.

"Esse moleque parece muito diferente... Inclusive, a sua voz. A voz dele não era barítono, pelo que eu me lembro. Ao contrário, era uma voz bem suave. Bem, eu devo estar enganado." – o diretor completa em pensamento.

Atemu estende um dado enquanto falava:

- O jogo será feito com isto! Um simples dado. Dizem que no antigo Egito, as pessoas confiavam o seu destino nos dados. Claro que naquela época eles usavam um osso chamado astrágalo que se encontrava no calcanhar dos mamíferos.

O homem demonstra irritação em seu semblante porque não estava com paciência para jogar um jogo.

Afinal, achava uma perda de tempo.

- Deixe-me explicar as regras do jogo – ele pega o dado entre dois dedos enquanto o erguia ao nível do seu rosto - É algo muito simples. Eu vou jogar o dado primeiro. Se você tirar um número menor, você vence. Se tirar um número igual, você vence do mesmo jeito. Em compensação, se eu ganhar, você irá enfrentar o seu destino que será revelado neste jogo conforme o jogarmos.

O homem exclama em um tom aborrecido por achar ridículo tudo o que o jovem falou:

- Que idiotice! Por que eu teria que fazer isso?

- O jogo começou! – Atemu lança o dado e enquanto o objeto quicava, ele exibia satisfação em seu rosto pelo diretor não ter se afastado.

O Faraó sabia que o diretor iria ficar cada vez mais irado ao ponto de pegar o dado para usá-lo como uma arma contra ele, visando extravasar a sua fúria enquanto que a sua estratégia consistia em fazê-lo pegar o objeto, fazendo assim com que o diretor aceitasse inconscientemente o Yami no Game.

Assim que o objeto for pego pelo diretor, as sombras invisíveis ao olhar de um humano sem poderes mágicos irão envolver por completo a área, oficializando o jogo.

Por enquanto, as sombras apenas envolviam parcialmente o local porque esperavam a aceitação da outra pessoa envolvida no Yami no Game.

Então, o dado para de girar e a face para cima é de seis pontos, a maior numeração de um dado.

Ao ver o resultado, o homem gargalha, para depois, exclamar animado enquanto ria com escárnio:

- É seis! Seis! Vou vencer de qualquer jeito! Portanto, não há qualquer motivo para eu rolar essa porcaria de dado.

Atemu, que se encontrava com as mãos nos bolsos, falava calmamente, sabendo que a sua postura calma, sem se abalar com a explosão verbal do outro apenas iria deixar o seu adversário ainda mais nervoso, o estimulando de forma indireta a pegar o dado por estar tomado pela raiva:

- Certamente, a sorte está ao seu lado... Mas eu vou continuar com o jogo.

Então, o Faraó sorri de canto ao ver o homem ser tomado por uma raiva intensa e igualmente cega em virtude do fato do espirito não ter reagido da forma que ele esperava e por não ter desistido do jogo inútil e idiota ao ver dele.

Tomado pela fúria e desejo de ferir o jovem a sua frente, ele pega o dado do chão e ao fazer isso, o espírito observa com satisfação em seu semblante, as sombras envolvendo ambos, oficializando o jogo em um Yami no Game.

Afinal, Atemu procurou irritá-lo ao trabalhar com as palavras e postura para fazer o diretor aceitar o jogo, sem precisar verbalizar, porque sabia que o homem a sua frente nunca falaria verbalmente e que a confirmação precisaria ser realizada através de um gesto de aceitação, mesmo de forma inconsciente.

Ao ver que o seu plano deu certo, ele sorri imensamente. A sua extrema autoconfiança nunca o faria achar que o seu plano não teria sucesso.

O diretor ficar mais enfurecido do que já se encontrava ao ver o semblante do jovem exibindo um imenso sorriso.

- Seu... teimoso! – o homem pega o dado e o atira com violência na direção do rosto dele, visando feri-lo – Vou jogar o dado como me pede e vou aproveitar para abrir um buraco no seu rosto!

Então, o diretor avista o dado se chocando e depois, caindo no chão, revelando a face com um ponto, sendo que esse ponto tinha um formato de olho egípcio.

- Um! – ele gargalha com satisfação - Eu tirei um! Eu venci!

O Faraó sorria intensamente, enquanto mantinha erguido o Sennen Pazuru em frente ao seu rosto, com a ponta afiada para frente.

Afinal, o ato do homem de jogar o dado em seu rosto era esperado e por isso, ele havia posicionado estrategicamente a ponta do Sennen Aitemu para frente, visando cortar o dado no meio ao usar a força do arremesso do diretor. Tudo estava ocorrendo de acordo com o seu plano, inclusive o fato dele tirar o número seis porque havia sido proposital.

Então, ele fala em um falso tom de pesar enquanto exibia um sorriso de escárnio em seu rosto:

- Que pena... O seu destino acabou de ser confirmado.

- Como?! – o homem, que havia se virado para ir ao seu carro, se vira para trás exibindo estupefação em sua face porque ele havia acredito que tinha tirado o menor número entre eles.

Então, ao olhar para o chão, fica estarrecido ao ver que o dado havia rachado ao meio. A face com um olho egípcio, indicando um ponto, estava para cima, de fato, mas junto dele estava a face dos seis pontos virada para cima e que fez o homem exclamar estarrecido enquanto gaguejava porque lutava para assimilar o resultado inesperado e igualmente, surreal:

- O dado rachou no meio e deu sete?! Isso é impossível!

Atemu aponta o dedo em riste para o homem a sua frente e exclama com a sua voz barítono profunda como o abismo mais escuro:

– Unmei no Batsu Geemu (運命の罰ゲーム - Jogo de punição do destino)! Mozaiku Gensou (モザイクの幻像 – Ilusão do mosaico)!

Nisso, o mesmo olho dourado na testa do espírito se projeta para frente, envolvendo o diretor, sendo que o olho de Wadjet do Sennen Pazuru também brilhava em conjunto com o olho.

O homem coloca a mão no rosto enquanto começava a ser tomado pelo terror porque a imagem do jovem a sua frente começou a ficar embaçada, para depois, ele perceber que assumia a forma de um mosaico que era usado na televisão para ocultar algo, e que ficava gradativamente mais intenso ao mesmo tempo em que ele exclamava em pensamento:

"A imagem do garoto está virando um mosaico! Não só do garoto, mas tudo que estou vendo! Tudo que eu vejo está se tornando um mosaico!"

Ele sai dos seus pensamentos conforme gritava em um misto de terror e de desespero.

Afinal, o Diretor acabou preso em uma ilusão eterna, com ele passando a ver tudo através de um mosaico demasiadamente intenso ao ponto de não conseguir distinguir nada do que via e que seria assim até a sua morte, com nenhum médico conseguindo encontrar uma explicação médica para o que ocorreu e enquanto ficava imerso em seu desespero, as suas memórias de como isso ocorreu eram gradativamente apagadas como efeito da magia do Yami no Game.

Atemu, com uma das mãos em seus bolsos e a outra segurando o Sennen Aitemu, exclama com um sorriso de satisfação em seu rosto:

- Se você usa a câmera só para distorcer a realidade é melhor esconder tudo o que enxerga através de um mosaico!

Então, Yukiko volta ao local, dispersando a ilusão do estacionamento porque não era mais necessária ao mesmo tempo em que havia mantido a névoa mágica, com o Faraó falando enquanto exibia surpresa em sua face:

- Vejo que voltou rápido. Por acaso, perdeu a presa?

- Não. Eu o capturei e atualmente, encontra-se aprisionado. Vou me divertir mais tarde com ele. Afinal, eu tenho que cumprir algumas obrigações antes que eu possa me divertir apropriadamente com a minha presa. - ela fala com um sorriso sádico ao imaginar a diversão com as suas presas.

O espírito olha para os amigos de Yuugi, ainda presos em sua mente pelo poder dela e pergunta, arqueando o cenho para a albina:

- Vai libertá-los agora?

- Sim. Ao mesmo tempo em que dissipar a névoa. Mas, antes de fazer isso, preciso cuidar do cinegrafista.

Ela caminha até o homem desacordado e após avistar o diretor do programa gritando de terror, ela sorri imensamente, para depois, criar uma criatura de gelo que lembrava uma gárgula que captura o diretor e o leva até a sua criadora após agarrá-lo em um aperto inescapável.

A albina coloca uma das suas mãos na cabeça dele, criando uma memória falsa nele que consistia do homem se dirigir até uma loja ali perto para comprar uma bebida, descobrindo que de fato ele pretendia fazer isso após a filmagem, com ela descobrindo isso ao sondar a sua mente. A meia dragoa também descobriu que o homem havia planejado comprar antes de filmar o episódio e que acabou mudando de ideia ao encontrar a vítima perfeita para o seu programa.

Após definir as novas recordações porque ele seria deixado próximo da loja que sempre comprava a sua bebida favorita, Yukiko nota que a sua criatura olha para ela, buscando novas orientações, com a meia dragoa comunicando mentalmente as suas ordens.

Então, o ser se curva para a sua criadora e mestra, demonstrando que compreendeu as ordens, para depois, abrir as suas asas, alçando voo para se afastar do local enquanto usava a sua cauda para amordaça-lo ao mesmo tempo em que havia uma barreira mágica em volta deles que impediria as pessoas de verem o ser voando, permitindo que ele colocasse o homem no lugar necessário para dar veracidade à falsa lembrança.

Atemu, que havia olhado com fascínio para a criatura, pergunta com evidente curiosidade em seu semblante:

- É capaz de criar mais seres?

- Eu posso criar inúmeros seres. Inclusive, eu posso forneçer uma personalidade, caso seja necessário, assim como, posso dar o dom da fala, se eu desejar. Normalmente, concedo inteligência para facilitar a minha vida, além deles existirem por um tempo determinado. Essa gárgula tem uma função e após cumpri-la, irá desaparecer.

- Ou seja, você pode criar um exército capaz de conquistar qualquer lugar que desejar.

- Sim.

- É incrível o fato de que não usou o seu poder para conquistar o mundo. Com certeza, seria brincadeira de criança.

- Sim. Seria. Eu poderia inutilizar todas as armas humanas, neutralizando qualquer ataque. Subjugar esse planeta seria demasiadamente fácil, se eu assim desejasse.

- E por que não faz isso?

- É como eu disse, "se eu assim desejasse". Eu não desejo. Ademais, por que eu faria isso? – ela pergunta arqueando o cenho direito.

- Um ser poderoso não aproveitar os seus poderes para subjugar uma espécie inferior é algo, demasiadamente, inusitado. – ele comenta enquanto confessava que estava curioso sobre a opinião do ser, para saber se era uma ameaça ou não ao mundo.

Atemu sentia que precisava defender o mundo e tinha a sensação de que algo semelhante a isso ocorreu apesar de não possuir qualquer memória, sentindo que o labirinto em sua mente era uma forma de evitar que acessasse as suas memórias perdidas, fazendo-o questionar o motivo de suas recordações não serem acessíveis a ele.

Então, o Faraó suspira ao perceber que mesmo que o ser a sua frente fosse uma ameaça a aquele mundo, ele não poderia fazer nada para salvar o planeta porque ela era demasiadamente poderosa, fazendo-o questionar a si mesmo se o seu desejo por respostas era oriundo de sua necessidade de aplacar seus receios ou de tentar preparar o adolescente para o inevitável.

Afinal, se o ser subjugasse a raça humana, tudo o que poderia esperar eram mortos e sofrimento durante a ascensão e embora soubesse que o seu anfitrião não correria riscos com ela, ele sabia como era o coração do jovem. Yuugi nunca aceitaria qualquer tormento aos outros.

Inclusive, o jovem tinha compaixão, mesmo com os seus inimigos, não importando o que fizessem contra ele.

Portanto, o seu amado iria sofrer muito se algo assim ocorresse com o mundo em que vivia e que se isso acontecesse, ele teria que suplantar esse sofrimento ao ajudá-lo a encarar uma realidade que o faria sofrer.

Atemu não sabia que Yukiko nunca faria algo assim.

Afinal, era repulsiva a ideia de subjugar inocentes e o outro motivo para não fazer esse ato era motivado pelos sentimentos de Yuugi. A meia dragoa nunca se perdoaria se o fizesse sofrer por qualquer ato que fizesse. A felicidade dele era a sua felicidade, a dor dele era a sua dor e a tristeza dele era a sua tristeza.

Portanto, nunca faria algo que causasse sofrimento a ele.

- Nem sempre, todo o ser poderoso pode ter desejos de subjugar uma raça tida como inferior. Este é o meu caso. Ademais, eu não suportaria ver as lágrimas e o desespero de Yuugi. Portanto, essa hipótese de subjugar a raça humana, tomando o controle à força ou de qualquer outra forma, nunca irá ocorrer.

- Eu fico aliviado. De fato, o mou hitori no ore não suportaria viver nesse mundo, assim como, nunca aceitaria as mortes decorrentes de uma guerra.

- Sim. Afinal, eu também conheço o coração dele.

Após ela dobrar os joelhos, pega a câmera do homem desacordado e apaga a gravação, para em seguida, danificar o aparelho, para depois, colocar uma das mãos na cabeça do cinegrafista, passando a modificar as memórias dele, decidindo que iria colocá-los dentro do furgão da emissora, fazendo o profissional cair em um sono profundo para simular que ele estava cochilando no veículo enquanto aguardava o diretor voltar da loja.

A albina se concentra e espalha a névoa por toda a área da escola até o veiculo da emissora, colocando todos na área em uma espécie de transe enquanto invocava outra gárgula que pega o cinegrafist aparelho, colocando ambos no furgão e os posionando segundo as ordens de sua criadora, para depois, desaparecer em uma névoa de gelo.

- Se posicione e somente devolva o controle ao Yuugi, assim que eles despertarem.

- Sim. – Atemu consente enquanto confessava a si mesmo que sentia falta de sua verdadeira estatura.

O espírito sabia que somente conseguiria a sua verdadeira estatura naquele corpo quando aumentasse o seu poder mágico porque a maior parte ainda estava adormecida dentro dele em virtude do selamento no Sennen Pazuru, com ele sentindo que somente teria plenamente os seus poderes dali a alguns meses.

Até chegar esse dia, teria que se contentar com a estatura do corpo do seu anfitrião.

Após ele tomar o seu lugar, a albina consente e desfaz a névoa, desaparecendo dentre a mesma e conforme o local voltava ao normal, Atemu retornava para a sua câmara da alma que era formada por inúmeros labirintos enquanto que Yuugi acordava do longo sono imposto a ele dentro da sua câmara da alma enquanto que os seus amigos eram libertados da espécie de transe ao mesmo tempo em que os seus ferimentos haviam sido curados pelo Faraó.

Quanto a Yukiko, ela somente iria fazer a troca com o seu clone quando eles se afastassem do local, fazendo a sua réplica dar uma desculpa qualquer para se afastar deles para que pudessem trocar de lugar com o seu clone, que iria desaparecer após ter cumprido a sua função.