Notas da Autora

Yuugi, seu avô e Yukiko chegam ao local dos torneios regionais e…

Após os torneios de Kendou e de Kung Fu, o grupo e a família das gêmeas decidem...

Então, após o entardecer, Yuugi se encontra...

Atemu fica...

Yuugi fica estarrecido quando...

Capítulo 38 - Luta inconsciente

No dia seguinte, após tomar banho e se trocar, Yuugi desce para tomar o café da manhã, para depois, sair da loja, junto do seu avô, com ambos encontrando Yukiko.

Então, o trio passa a conversar entre si, conforme se dirigiam ao ponto de ônibus, com Atemu continuando a fiscalizar os pensamentos do adolescente para que ele não se recordasse dos convites.

Enquanto conversavam, o ônibus que eles esperavam para no ponto e os três sobem no veículo.

Após meia hora, eles chegam ao seu destino, passando a caminhar até onde seria realizado o torneio e conforme se aproximavam do local, se dirigindo para a entrada Vip, eles avistam Jounouchi e Honda na bilheteria de acesso comum, sendo que o moreno mantinha as duas mãos no bolso e uma face séria.

Ao vê-lo, Yuugi é tomado por um leve receio, para depois, suprimir a sensação que o tomou ao olhar para Hiroto, sendo que Sugoroku olhava normalmente para o moreno, sem saber que ele era um dos valentões que viviam atormentando o seu neto, agredindo-o verbalmente e fisicamente no passado, enquanto que Yukiko suprimia um rosnado e torcia os seus punhos discretamente, mantendo um semblante sério.

O trio se aproxima e o jovem de orbes ametistas cumprimenta ambos:

- Ohayou, Jounouchi-kun e Honda-kun!

- Yo, Yuugi! - o loiro o cumprimenta com um sorriso, enquanto que Honda apenas consentia com a cabeça.

- Bem, eu vou para a fila normal. Nós vemos depois, Jounouchi. - o moreno comenta, olhando para o loiro, que consente.

Após Hiroto se afastar, Katsuya suspira profundamente, sendo que o jovem de orbes ametistas fala em um tom próximo de um sussurro para que o seu avô não ouvisse, pois, se conseguisse escutá-lo, desejaria saber o motivo dele se culpar pela conduta de Honda:

- Desculpe. Por minha causa…

Jounouchi põe as mãos nos ombros do jovem de cabelos tricolores, enquanto falava seriamente em um tom próximo do sussurro:

- A culpa é toda dele. Afinal, em termos de teimosia e orgulho, ele me supera. Você não tem culpa de nada, ok?

O adolescente de orbes ametistas expressivos ergue o rosto e olha o semblante sério do seu amigo, passando a consentir, enquanto se sentia feliz pela demonstração de amizade do loiro, que por sua vez, sorri, consentindo.

- Acho melhor entrarmos o quanto antes. Precisamos pegar bons lugares, mesmo dentre os Vips. - Sugoroku comenta.

- Com certeza, jii-chan. - o jovem de orbes ametistas consente, enquanto sorria.

- Vamos lá! - o loiro exclama animado.

Eles desconheciam o fato de que Yukiko havia usado o bilhete vip dela para colocar uma magia no mesmo, visando influenciar os outros proprietários do mesmo tipo de bilhete ao fazê-los se atrasarem, garantindo assim que eles fossem os primeiros e somente quando escolhessem os locais para se sentarem, a albina cancelaria a magia que distraia os outros do torneio ao provocar uma leve confusão neles.

De fato, os outros ficam surpresos ao verem que eram os primeiros e após escolherem os melhores lugares, Yukiko libera a magia dos ingressos ao mesmo tempo em que fazia os portadores e aqueles próximos deles, esquecerem a confusão que os havia tomado para que não ficassem preocupados.

Sugoroku e os outros observam que os demais vips começaram a chegar ao local, tomando os lugares que haviam sobrado e após quarenta minutos, o primeiro torneio que era de Kung Fu, se inicia, com o apresentador surgindo no tatame para apresentar as candidatas ao título regional de Campeã do Kung Fu na categoria feminina, assim como a bancada de juízes que julgariam as lutas, sendo que ao lado desta, em outra locação, estava sendo realizado ao mesmo tempo, o da categoria masculina.

Depois de várias batalhas, com os amigos da prateada torcendo pela mesma, junto dos pais dela e irmã que estavam próximos do tatame, fornecendo apoio e posterior assistência quando ela saía da área, Kisara chega ao final do torneio e após executar um golpe certeiro, ela derruba a sua oponente da arena, vencendo a luta e se consagrando a Campeã regional de Kung Fu na categoria feminina.

Após a entrega dos prêmios e do troféu, o torneio de Kung Fu é encerrado para dar lugar ao de kenjutsu que começaria após o intervalo, para que todos pudessem comer algo e antes de se afastarem dos seus lugares por completo, Yukiko lançou uma magia neles, fazendo com que ninguém pudesse sentar nos lugares deles e de fato, após eles voltarem do almoço, os seus lugares estavam disponíveis e embora eles tenham achado estranho, uma vez que a maioria havia voltado antes deles, decidiram ignorar esse acontecimento.

Então, o torneio de Kendou começa, após o apresentador apresentar todas as competidoras e a bancada de juízes, com todos torcendo pela amiga, sendo que Jounouchi torcia para Nuru com demasiado entusiasmo, enquanto que os seus pais e a prateada estavam próximos da arena para torcer por ela e para posterior auxílio quando ela derrotava a sua adversária e saía do local para dar lugar às próximas competidoras.

Após várias batalhas, ela chega as finais e com um movimento certeiro de sua katakana de lâmina cega, Nuru consegue atingir a oponente com um golpe considerado mortal pelos juízes, após a morena desarmá-la através de um battoujutsu que foi perfeitamente executado.

A irmã de Kisara recebe o título de Campeã regional de Kendou na categoria feminina e após o término do evento, eles encontram as gêmeas, junto dos genitores e as parabenizam, com Nuru corando com a proximidade do loiro e o seu sincero entusiasmo com as batalhas, citando os momentos que havia apreciado.

O grupo resolve ir a um restaurante para comemorar a vitórias delas, com Katsuya os acompanhando, sendo que ambas haviam se trocado, antes de se retirarem do local ao se dirigirem aos vestuários anexos ao tatame. A prateada não usava mais o Tchen Moou I, que era o uniforme usado no Kung Fu e a morena não estava trajando mais o Kendogi, que era a roupa usada no Kendou, sendo que ambas estavam trajando vestidos que passavam dos joelhos, junto de sandálias nos pés pequenos e delicados.

Algumas horas depois, eles se despedem, com a família das gêmeas voltando para o doujou, enquanto que o loiro se dirigia para a sua casa, encontrando Honda no caminho, com ambos começando a conversar, sendo que Yukiko acompanhava ambos os Mutou até a Kame game shop e após se certificar que eles estavam na segurança da casa deles, a albina se retira do local, enquanto torcia os punhos, pois, aquele que via como um filho querido iria sair escondido da loja para ir até o local do "All Night Solo Live".

A albina confessava que era preciso toda a sua força de vontade para não intervir antes do tempo, uma vez que deveria permitir que o Faraó aplicasse o Yami no game, antes que pudesse acrescentar a sua punição à Sozoji.

Meia hora depois, trajando o seu uniforme, pois temia não ter tempo para se trocar no dia seguinte ao mesmo tempo em que havia pegado a sua mochila, caso precisasse ir para o colégio direto por não ter conseguido voltar para casa em decorrência do "All Night Solo Live" durar a noite inteira, o jovem decide aproveitar o fato de Sugoroku estar no quarto dele para sair escondido pela claraboia, conseguindo fechá-la por fora, enquanto se esgueirava até um local onde ele podia descer em segurança para o chão. O motivo de sair escondido era para que não preocupasse o seu avô, além de não desejar mentir para ele caso fosse questionado para onde iria, embora soubesse que não teria escolha, caso não conseguisse voltar para casa, antes que o sol nascesse, uma vez que o seu avô sempre acordava ao nascer do sol.

Verificando novamente a sua carteira e celular, ele se afasta, sendo que dentro do Sennen Pazuru, Atemu estava enfurecido, pois, o seu amado iria até Sozoji e ele era plenamente ciente de que o outro iria puni-lo por não vender os ingressos e por não levar as suas amigas junto dele.

O Faraó confessava que estava ansioso para aplicar o Yami no Game, sendo que já havia escolhido a forma como seria aplicado, além de ter definido o destino do atormentador, assim que perdesse o jogo e considerando o coração dele, a derrota era inevitável, pois, o jogo revelava o verdadeiro caráter da pessoa e decidia o seu destino.

Meia hora depois, Yuugi se encontrava sentado no sofá comprido que ficava de frente para o palco, com o jovem possuindo guizos em suas mãos que estavam presos em duas tiras, uma em cada mão, sendo que foi obrigado a sacudi-los para anunciar o show.

Somente quando Sozoji subiu no palco e não avistou mais ninguém sentado nas poltronas, Mutou revelou que não viria ninguém, pois, ele não havia conseguido vender nenhum ingresso, fazendo com que o adolescente maior fosse tomado pela fúria ao ponto de falar com dificuldade em decorrência da raiva intensa que o tomava:

- Yuugi... o que você acabou de me dizer? – ele pergunta em um misto de incredulidade e fúria.

Então, ele avança e agarra furiosamente o adolescente menor pelas lapelas do uniforme, enquanto exclamava com incredulidade em sua voz:

- Não conseguiu vender um mísero ingresso? E quanto a aquelas beldades que andam com você?

Mesmo tomado pelo forte medo, o jovem de cabelos tricolores consegue responder as indagações furiosas dele:

- É que todos eles já tinham algum compromisso, inclusive as minhas amigas. Mas, eu posso escutar a sua música, sozinho.

- É o que você vai fazer mesmo! Não irá escapar! – ele estende fones imensos em direção ao adolescente – E vai começar escutando a minha música com isso!

Yuugi é obrigado a colocá-los e Sozoji conecta o plugue deles na caixa de som imensa dele, para depois, regular para o volume máximo, pegando o microfone, enquanto falava:

- Está é a minha música favorita!

Nisso, ele liga o microfone e começa a cantar, sendo impossível detectar qualquer letra ou melodia em virtude do fato dele ter uma voz abominável e que era agravada pelo volume extremo, fazendo com que fossem, meramente, gritos de estourar os tímpanos, com Yuugi fechando os olhos, enquanto pensava consigo mesmo, ficando surpreso por ser capaz de pensar naquele momento, enquanto sentia que os seus tímpanos estavam sendo levados ao limite:

"Isso não é voz humana!"

Enquanto o tormento ocorria, Atemu estava sendo tomado por uma fúria sem precedentes e que era intensificada ao sentir o sofrimento e o medo do seu amado anfitrião, enquanto amaldiçoava o fato de que não podia intervir, ainda, pois, não conseguia fazer Yuugi cair em um sono profundo na câmara da alma.

Pelo que o Faraó percebeu, o adolescente tinha percebido, de forma inconsciente, a sua existência e da mesma forma inconsciente que percebeu a presença dele, também lutava arduamente contra qualquer influência do espírito, bloqueando todas as tentativas para fazê-lo dormir, provavelmente, pela sensação de medo provocada pelo desconhecido e da existência de algo dentro dele, fazendo-o refutar veemente qualquer sugestão.

Claro, Atemu poderia forçar o jovem a adormecer contra a vontade dele, mesmo com essa parte inconsciente lutando arduamente para impedir isso, porém, acabaria sendo feito de uma forma igualmente brutal, podendo fazer o adolescente tomar ciência da sua existência de forma consciente, acabando por ser atrelado a um forte medo que poderia ocasionar complicações, além de uma resistência adicional, juntamente com o fato de poder levar Yuugi ao desespero por ser incapaz de conter a presença do Faraó, elevando o medo a um novo nível, sendo algo que o espírito não desejava, pois, ele ansiava que o adolescente de orbes ametistas tomasse ciência de sua existência, algum dia, sem ser atrelado a um medo intenso e igual temor.

Afinal, se visse o medo nas gemas preciosas que eram os olhos expressivos do jovem, Atemu sentiria uma dor imensa em seu coração, pois, não suportaria ver quem ama ter um forte e avassalador medo em seus olhos dirigidos para ele.

Por isso, vinha tentando, sutilmente, fazê-lo dormir, acabando por não usar todo o seu poder e influência contra essa parte inconsciente que lutava vigorosamente contra qualquer intromissão dele.

Do lado de fora, o atormentador termina de cantar para alívio de Yuugi, para depois, exclamar:

- Que maravilha! E antes de prosseguir com o show, eu apresentarei o nosso convidado de hoje!

Sozoji caminha até uma cortina imensa em um canto, com Mutou não compreendendo a que convidado se referia, pois, não havia vendido nenhum ingresso, assim como Hanasaki, pois, o seu colega havia entregado todos os seus ingressos para ele.

Então, as cortinas são abertas e Yuugi exclama desesperado ao ver o jovem de cabelos castanho claro ferido e inconsciente no canto do cômodo, com os óculos quebrados e apoiados precariamente em seu rosto, onde eram visíveis os hematomas e ferimentos pela surra aplicada nele:

- Hanasaki-kun!

Sozoji fala, enquanto olhava friamente para o adolescente espancado por ele:

- Veja só como ele está acabado... A culpa é sua, Yuugi, por pegar os ingressos dele.

Ainda com os fones de ouvido, o jovem de cabelos tricolores corre até o colega inconsciente e toca um dos ombros dele, começando a se desculpar ao ser tomado por uma culpa imensa frente às palavras cruéis do adolescente mais velho, fazendo a raiva de Atemu por ele aumentar ainda mais, se era possível, por ter incitado o seu amado a se sentir, erroneamente, culpado, sendo que o único culpado era Sozoji:

- Hanasaki-kun! – ele exclama ao ouvir o outro murmurar fracamente algo ininteligível – Me desculpe! Eu não devia ter feito isso!

O jovem de cabelos castanhos claros abre parcialmente um dos olhos, enquanto falava gentilmente, embora fosse visível a dor em seus olhos e voz:

- Yuugi-kun... A culpa não é sua. Você quis cuidar da minha parte. A culpa foi minha por querer empurrar os ingressos para você. Perdoe-me... – ele fala o final, fechando os seus olhos, pois, sentia dificuldade em se manter acordado.

- Hanasaki-kun! – Yuugi exclama desesperado ao ver o seu amigo fechar os olhos ao ser tomado pela exaustão e ferimentos.