Notas da Autora
Atemu consegue...
Sozoji fica...
O Faraó decide...
Capítulo 39 - Yami no game - Sozoji
Naquele momento, tomado pelo desespero e pela culpa, juntamente com o pesar pelo estado do seu colega, a parte inconsciente que detinha a influência de Atemu até aquele instante, cede, permitindo que o poder do Faraó se estendesse na mente do jovem, fazendo-o adormecer na sua câmara da alma, sendo que o fato do adolescente de cabelos tricolores se encontrar esgotado pelo sofrimento que passou, juntamente com os sentimentos que o tomaram naquele instante, ele achou o sono bem vindo e por isso, inconscientemente, conseguiu silenciar a batalha da sua parte inconsciente contra o poder do espírito, combinado com o do Sennen Aitemu.
O olho de Wadjet brilha, enquanto Atemu tomava o corpo do seu amado, sendo que ainda não conseguia invocar sua estatura real, acabando por ficar, apenas, um pouco maior do que a altura do seu anfitrião e como precisava simular que era o Yuugi, ele exclama, sendo visível o fato dele torcer os punhos, enquanto exclamava com a sua voz barítono, imersa na mais pura raiva ao ter testemunhado a dor e o sofrimento daquele que amava nas mãos de Sozoji:
- Seu desgraçado! Como ousou fazer isso com o meu amigo? Isso é imperdoável! – após exclamar, ele encosta, discretamente, a sua mão no ombro do outro adolescente e usa o seu poder para envolvê-lo em uma névoa invisível aos olhos humanos, a menos que a pessoa fosse um mago, fazendo com que Hanasaki não despertasse sobre nenhuma hipótese.
Ele fez isso, tanto pelo jogo que seria aplicado, quanto para evitar que o outro adolescente percebesse a diferença no corpo e voz em relação ao que conhecia de Yuugi.
Afinal, os únicos que iriam conhecê-lo, por enquanto, seriam aqueles arrastados para um Yami no game.
Após se certificar que a sua névoa do sono envolveu por completo o jovem de cabelos castanhos claros, Atemu volta os seus olhos para o atormentador daquele que amava, enquanto pensava consigo mesmo:
"Sozoji, você vai pagar caro pelo que fez! Qualquer um que ouse machucar o meu amado Mou hitori no ore irá enfrentar a minha fúria sem precedentes!" – ele exclama em pensamento, com o semblante repleto na mais pura fúria, enquanto tirava os grandes fones de ouvido, segurando o fio com o plugue do mesmo em suas mãos, após, puxá-los da caixa de som, o desconectando.
O adolescente mais velho percebe isso e exclama arrogantemente:
- Não adianta fazer cara feia! Vai encarar, é?
Ele percebe que o semblante do jovem parecia diferente, com os olhos se encontrando muito mais estreitos, além do rosto estar ligeiramente anguloso, percebendo algumas franjas douradas arrepiadas e que ascendiam em direção a ponta dos cabelos, enquanto que a voz do adolescente, anteriormente suave, havia se tornado um barítono profundo.
O adolescente sacode a cabeça para os lados, tentando dissipar esses pensamentos que eram surreais, a seu ver.
- Sozoji, eu vou fazer uma pergunta – o Faraó fala, apontando o dedo indicador para ele – Você, por acaso, é um covarde?
Atemu pergunta com um sorriso no rosto ao se recordar do que planejou para ele e posterior destino que daria ao mesmo, apreciando com antecipação, as consequências do outro perdendo um Yami no Game.
- O... O quê?! – ele exclama, demonstrando raiva em seu rosto, apenas pela sugestão dele de não ser corajoso.
- Então, se você não é covarde, pode fazer um pequeno jogo comigo. O que acha?
- Jogo?
O adolescente olhava com visível surpresa para o espírito, enquanto pensava consigo mesmo, conforme se recordava do quanto havia achado estranho o jovem a sua frente, pois, além do físico e da voz parecerem diferentes, havia a postura e ele pensa, consigo mesmo:
"O que aconteceu com o Yuugi? Ele parece diferente! É como se ele fosse outra pessoa."
- Podemos chamar de Chinmoku Game (沈黙ゲーム – Jogo do silêncio)! Antes de explicar as regras do jogo, eu preciso pegar alguns itens imprescindíveis para podermos jogar. – ele fala, tirando os fones e colocando em cima da mesa.
Atemu sai do local e volta para a loja do avô de Yuugi, entrando pela claraboia ao usar a mesma rota do seu amado anfitrião.
Ele desce silenciosamente as escadas para ir até a loja que ficava no térreo, pegando os dois itens que precisava, os colando em uma sacola, para depois, anotar a retirada deles no caderno de vendas para controle do estoque, após colocar o dinheiro pela venda deles na gaveta da caixa registradora, sabendo que eles pensariam no dia seguinte que fora um erro de contagem de dinheiro do caixa do dia anterior ao identificarem o dinheiro adicional, sendo que sabia como eles gerenciavam a loja por ter acessado as memórias do seu amado, quando ele ajudava o avô na loja.
Após se certificar que tinha tudo o que precisava, o espírito retorna para o quarto, ficando aliviado ao ver que Sugoroku se encontrava dormindo profundamente.
Depois que o espirito entra no quarto, ele sai pela claraboia, a fechando por fora, para depois, descer e pegar o ônibus até onde estava o atormentador daquele que amava, sendo que se encontrava ansioso para aplicar a penalidade do destino nele.
No local, Sozoji estava impaciente, sendo que acreditava que o adolescente havia fugido com a desculpa de pegar algo e frente a esse pensamento, errôneo, ele decidiu que iria surrá-lo violentamente quando o encontrasse, fazendo a surra de Hanasaki ser algo carinhoso comparado ao que faria com Yuugi.
Então, ele ouve o som da porta abrindo e percebe que o jovem havia voltado.
- Eu vejo que você voltou. Achei que tinha fugido.
- Se eu fugisse, não poderíamos jogar. Afinal, eu propus um jogo, certo? Ademais, eu demorei, pois, a maioria dos estabelecimentos estava fechada e os itens que eu precisava, não são populares para serem encontrados facilmente em muitas lojas.
Ele pega a sacola e coloca em cima da mesinha, recolocando os fones no ouvido, sendo que o outro comenta:
- Está colocando os fones?
- Você disse que era para eu usar os fones. O que eu propus foi um jogo. Isso não anula o que você disse, anteriormente. – ele fala, dando de ombros, sendo que o ato de voltar a usar o fone fazia parte do seu plano.
- Verdade. Eu tinha me esquecido. – ele fala arrogantemente, se sentindo satisfeito por ele estar cumprindo a sua ordem anterior.
Enquanto retirava os objetos e os posicionava na mesa, Atemu falava consigo mesmo, em pensamento e como estava de costas, Sozoji não havia visto o sorriso de triunfo dele:
"O fato de você me obrigar a usar esse fone, causará, em parte, o início do seu infortúnio ao mesmo tempo em que outro fator será crucial para a sua derrota."
Após terminar de ajeitar os itens na mesa, ele explica, conforme apontava os objetos nos lados opostos da mesa:
- Isto é um brinquedo chamado "Sound Pierrot" que existe em algumas lojas – Sozoji observa os bonecos que lembravam palhaços, sendo que metade deles, para baixo, estavam dentro de uma espécie de copo metálico – Quando tem um som por perto, o sensor reage e ele começa a dançar. A regra é a seguinte. Depois que o jogo começar, nós dois devemos permanecer em silêncio. É simples, né? Os bonecos ficarão na nossa frente. Aquele que fizer o boneco começar a dançar será o perdedor! Combinado?
Sozoji sorri cruelmente e abaixando levemente os óculos de sol, ele pergunta:
- E se você perder, Yuugi?
Atemu sorri e fala com a sua voz barítono implacável e uma autoconfiança inabalável:
- Pode até me matar, se desejar. Mas se você perder irá receber um castigo.
- Interessante! – ele exclama, sorrindo, após planejar a punição para o jovem a sua frente.
Após apertar um botão nos bonecos, sendo que havia um timer de um minuto, antes que o sensor fosse ativado, o Faraó senta em seu lugar, enquanto Sozoji sentava no dele, no lado oposto, com o microfone na sua mão ao mesmo tempo em que Atemu fingia que estava distraído, conforme colocava a ponta do plugue do seu fone de ouvido apoiado na borda de um copo de água gelada, fazendo parecer que fora um lapso dele, sendo que fora proposital, assim como, a sua decisão de ligar os bonecos, não permitindo que a mão do seu adversário fosse para o item, pois, ele precisava que elas continuassem segurando o objeto que seria a perdição do seu adversário.
O Faraó sente e dobra uma das pernas em cima do joelho da outra perna ao mesmo tempo em que flexionava os braços, cruzando-os na frente do tórax, enquanto ambos eram envoltos nas sombras do Yami no game, sendo que um ser humano não podia ver, a menos que o invocador do jogo, assim desejasse ou se a pessoa fosse um mago.
Então, o espírito exclama em pensamento para que o Yami no game fosse iniciado:
"Geemu Sutaa (ゲームス ター Começo do jogo)!"
Atemu olha fixamente para frente, evitando olhar para o copo que estava ao seu lado onde havia apoiado o plugue, tanto para dar a sensação de que não havia percebido, juntamente com o fato de saber que fora um movimento ousado, mas, igualmente necessário para o êxito da sua vitória.
Após algum tempo, Sozoji estava demonstrando raiva em seu semblante, enquanto escorria uma gota de suor, pensando consigo mesmo:
"É estranho ter que me manter em silêncio nesta sala de karaokê que sempre preencho com um som alto. Mas, se eu ganhar, você irá escutar cem músicas minhas na sequência!"
Então, seus olhos vagam para o lado de esquerdo do jovem e observa que o plugue do fone de ouvido dele estava apoiado em um corpo com gelo e ao constatar isso, sorri consigo mesmo, achando que havia encontrado algo que faria o seu adversário perder o jogo, fazendo-o pensar consigo mesmo, mal escondendo a sua satisfação pela descoberta:
"Opa! O panaca do Yuugi não percebeu! O plugue do fone de ouvido está equilibrado na borda do copo. Daqui a pouco, o plugue cairá na mesa e eu vencerei esse jogo!"
Então, ele é tomado por uma imensa ansiedade, chegando ao ponto do seu coração bater rapidamente e fortemente, conforme olhava o plugue, na expectativa crescente do mesmo cair e conforme observava o objeto, a sua ansiedade aumentava ainda mais, se era possível, assim como a sua frequência cardíaca, conforme pensava consigo mesmo:
"Caia! Caia! Essa emoção é forte demais! O meu coração está batendo forte! Ainda, caia logo!" – ele exclama o final em pensamento, enquanto o seu rosto estava torcido pela intensa ansiedade que o tomava, chegando ao ponto de mesclar com a fúria pela demora, a seu ver, do plugue cair na mesa.
Conforme ele é tomado pela ira ao ver que o plugue não caía, seus batimentos cardíacos aumentavam demasiadamente, enquanto rangia os dentes, exclamando consigo mesmo em pensamento, com a voz repleta de raiva, mesclada com indignação:
"Droga! Por que não caí? Caia logo, desgraçado!"
Então, ele percebe os bonecos dançando, sendo que a sua mente se encontrava confusa, pois, o plugue não havia caído, o fazendo pensar consigo mesmo:
"Mas o plugue não caiu! Por que ele está dançando?"
- Por causa da batida do seu coração. – Atemu fala sorrindo com imensa satisfação, enquanto apontava para a caixa de som imensa, suspensa na parede, acima da cabeça de Sozoji.
O adolescente olha com horror as batidas do seu coração se propagando pelo ambiente e exclama com uma face repleta de consternação, mesclada a uma nítida confusão:
- O barulho do meu coração está saindo da caixa de som! Como isso é...! – ele para ao olhar para a sua mão, percebendo que o seu microfone estava ligado e que havia encostado o mesmo em seu tórax, sem perceber, fazendo-o suar frio – Meu microfone! E eu deixei no volume máximo!
Atemu se ergue, enquanto o olho dourado surgia em sua testa, brilhando intensamente, conforme falava:
- A sua mania de carregar o microfone e de ouvir música alta, sem se importar com o incômodo que causa aos outros, acabou sendo a sua perdição.
Sozoji fica horrorizado ao ver o jovem ficar parcialmente oculto pelas sombras, enquanto o olho dourado resplandecia e apesar de ser um fulgor dourado, o mesmo emitia intensos calafrios em sua espinha, enquanto era tomado por um terror indescritível e que ficou ainda mais intenso ao ouvir o espírito exclamando com uma voz barítono profunda e igualmente implacável, apontando o dedo em riste para ele:
- Unmei no Batsu Geemu (運命の罰ゲーム - Jogo de punição do destino)! Biido Festival (ビードフェスティバル – Festival do Beat)!
O adolescente mais velho, ainda aterrorizado pelo que viu e ouviu, começa a ficar apavorado, conforme sua audição era tomada pelo som intenso do seu coração batendo freneticamente e igualmente alto em seu ouvido, fazendo-o pensar consigo mesmo ao ser tomado por um medo intenso, se surpreendendo por ser capaz de pensar de forma coerente, mesmo naquela situação:
"O que está acontecendo? O som do meu coração está aumentando? Isso é impossível!"
O volume dos batimentos cardíacos dele aumenta ao nível de decibéis ensurdecedores, se tornando batidas violentas que o afligiam intensamente ao ser tomado pelo mais puro desespero, tampando, desesperadamente, os seus ouvidos com os dedos em uma tentativa inútil de silenciar os sons ensurdecedores que começavam a atormentá-lo, enquanto exclamava com a voz repleta no mais puro desespero ao ser tomado por uma agonia desesperadora:
- Alguém faça o barulho do meu coração parar!
Então, Sozoji desmaia pelo forte stress gerado pelo intenso desespero e terror, sendo que ele sofreria pelo resto da sua vida, enquanto que os psiquiatras achariam que ele estava louco, pois, somente ele ouviria esses sons ensurdecedores e sentiria o coração batendo freneticamente, por serem ocasionados por mágica, acabando por ser condenado a ficar em uma instituição psiquiátrica pelo resto da sua vida ao ser declarado como louco.
Atemu havia manipulado as memórias de Sozoji para fazê-lo esquecer de que Yuugi estava no local, assim como Hanasaki, sendo que o adolescente de cabelos castanhos claros também teve a sua memória modificada para fazê-lo se esquecer de que estava naquele local, com o espírito dando memórias falsas ao usar a sua magia e a do Sennen Pazuru para que ele pensasse que havia sido surrado por uma gangue no meio da noite, enquanto se dirigia ao local onde Sozoji estava, com o Faraó sabendo que Yuugi iria levá-lo para o hospital, acabando por não ir até a sala de karaokê do seu atormentador.
Depois, quando o seu amado fosse dormir, iria terminar de manipular a memória dele, para que o pensamento de não ter ido até o local ao se dirigir até o hospital, não atormentasse aquele que amava.
O Faraó somente iria libertar Hanasaki da névoa mágica do sono quando eles estivessem em um beco.
O espírito termina de modificar a memória do seu amado Mou hitori no ore, para que o jovem nunca soubesse que havia chegado até a sala de Karaokê de Sozoji.
Então, ele recolhe os "Sound Pierrot", os guardando na sacola para evitar que houvesse qualquer investigação, pois, Atemu preferia agir com precaução, para que os seus atos não trouxessem qualquer consequência ao seu amado.
Ele somente havia enfraquecido parcialmente a névoa mágica do sono, para que o outro jovem pudesse andar apoiado nele, enquanto a sua magia, combinada com a do item, o mantinha em um estado semiconsciente.
Conforme se afastava, olhando para o atormentador do seu amado caído no chão, ele fala:
- Dizem que a batida do coração é de oito beats. Também dizem que em essência, isso é baseado na batida do coração e que é por esse motivo, que o rock deixa os ouvintes empolgados. Agora, você pode cantar a vontade no ritmo do seu coração. Isso faz de você um verdadeiro homem-karaokê.
Após sair do local, sabendo que alguém iria encontrar Sozoji em algum momento, ele joga a sacola com os "Sound Pierrot" em uma lata de lixo, pois, Yuugi estranharia o fato de tê-los em suas mãos.
Em seguida, após desprezar as sacolas, tomando o devido cuidado de remover e rasgar as etiquetas que denunciariam a loja que os vendeu, Atemu se dirige até um beco escuro e coloca Hanasaki no chão, fazendo-o adormecer, enquanto terminava de manipular a sua mente, para depois, retirar a névoa mágica em torno dele ao mesmo tempo em que estava manipulando as memórias do seu amado anfitrião.
Quando ele termina de manipular as recordações de Yuugi, ele se retira do controle do corpo, devolvendo-o ao jovem de orbes ametistas, cujas pálpebras se levantavam, gradativamente e quando termina de abrir os olhos, sentindo-se ligeiramente confuso, enquanto as memórias modificadas pelo espírito surgiam em sua mente, ele vê o seu colega caído no canto, sendo evidentes os ferimentos em seu corpo.
Rapidamente, ele vai até o mesmo e o ajuda a se erguer, apoiando o braço dele em seu ombro, enquanto o ouvia gemer, sendo que pergunta desesperado, conforme se preparava para se retirar do local, sabendo que havia um hospital a duas quadras de distância:
- O que aconteceu, Hanasaki-kun?
Ele fala algo inaudível, para depois, cair na inconsciência novamente, sendo que isso era ocasionado, em parte, pelo efeito colateral da névoa mágica do sono e que ainda persistia, por alguns minutos.
Então, reunindo as suas forças, enquanto controlava o terror por saber que não iria chegar ao local onde Sozoji estava, passando a temer pelas consequências, ele leva o seu colega do local, sabendo que nunca iria abandoná-lo para ir até o seu atormentador, mesmo que isso significasse um castigo sem precedentes, fazendo-o temer intensamente, enquanto engolia em seco.
