Notas da Autora
Conforme Yuugi seguia pelo corredor...
Na biblioteca...
Atemu decide...
Yukiko faz...
Kokurano aceita...
Capítulo 47 - Yami no Game Kokurano - Parte I
Conforme andava pelos corredores com o livro em mãos para devolver à biblioteca, Kokurano o seguia discretamente, sorrindo malignamente consigo mesmo ao ver que o seu plano estava ocorrendo de acordo com o que havia planejado.
Atemu se encontrava dentro da sua câmara de alma e também estava pensativo sobre as palavras do falso vidente ao mesmo tempo em que se encontrava demasiadamente preocupado, pois, o coração gentil, amável e cristalino do seu anfitrião atraia o mal, fazendo com que corresse perigo.
Porém, não era culpa de Yuugi. Simplesmente, decorria do fato das pessoas malignas adorarem ferir e machucar aqueles que detinham um coração tão cristalino que irradiava gentileza e pureza.
Isso era um fato inevitável e igualmente imutável ao longo dos milênios.
O espírito sabia que o outro estudante era uma farsa, pois, não conseguia identificar qualquer poder dentro dele. Se de fato, tivesse tais habilidades, elas seriam decorrentes de magia e ele não conseguia sentir esse poder nele.
Ademais, mesmo que o estudante tentasse ocultar, caso tivesse algum treinamento mágico, ainda iria irradiar uma leve sensação, imperceptível para muitos, menos para ele, com o Faraó acreditando que essa capacidade era decorrente do Sennen Pazuru, embora acreditasse que havia a sua própria habilidade por sentir afinidade com a magia, a compreendendo de forma profunda. Era essa a sensação que tinha, fazendo-o acreditar que no passado, lidava com magia por mais que não tivesse qualquer recordação, antes do item ser dado a Yuugi.
No lado de fora, após o adolescente entrar na biblioteca, Kokurano entra no cômodo e avista com satisfação, o seu alvo colocando o livro no local certo, depois que descobriu onde ficava a seção do mesmo.
Conforme Mutou erguia o livro para coloca-lo no local designado a ele, surge um estalo em sua mente, por assim dizer, fazendo-o compreender as palavras de Kokurano.
Alguns segundos depois, o jovem ouve sons apavorantes e arregala os olhos, enquanto exclamava em pensamento ao compreender as palavras do falso vidente:
"Inúmeras letras!"
Ao virar o rosto, fica apavorado ao ver as estantes atrás dele caindo umas sobre as outras em sua direção ao mesmo tempo em que o Sennen Aitemu resplandecia, com Atemu trocando de lugar com o seu amado, conseguindo reagir a tempo ao escapar da queda da prateleira, sendo que se encontrava aliviado quando ambos compreenderam ao mesmo tempo, o que o falso vidente quis dizer com "inúmeras letras cairão do céu e trarão desgraça a você".
De fato, se a estante tivesse conseguido atingir Yuugi, ele duvidava que o seu amado sobrevivesse e mesmo que conseguisse sobreviver, o que seria um milagre, teria graves sequelas.
Enquanto a fumaça pela queda das prateleiras se dispersava, o Faraó se encontrava com as mãos fechadas em punhos, enquanto olhava para as estantes caídas umas sobre as outras, sendo evidente a sua raiva, enquanto exclamava:
- Se nós não tivéssemos compreendido o que aquele bastardo queria dizer com "inúmeras letras", o meu amado Yuugi estaria morto – o espírito se lembra do que aquela estudante disse sobre o falso vidente ter previsto um incêndio e considerando o que havia ocorrido instantes antes, juntamente com o fato de Kokurano não ter poderes, havia somente uma explicação – O Kokurano é um canalha que executa as suas próprias previsões!
Então, conforme saia do local, enfurecido pelo falso vidente ter tentado ferir aquele que amava, sendo algo imperdoável ao Faraó, se recorda da outra "previsão" que foi feita, envolvendo as amigas do seu anfitrião e frente a essa recordação, ele fica alarmado.
Afinal, elas cuidavam de Mutou, além de protegê-lo, sendo que era eternamente grato por elas cuidarem do seu amado, assim como sabia do intenso carinho e amizade que o jovem sentia por elas.
- Como ele executa as suas próprias previsões, as próximas vítimas são as amigas de Yuugi. Por sorte, eu sei onde o desgraçado está. Afinal, ele acompanhou o meu amado até a biblioteca e com certeza, sabe onde elas se encontram naquele momento. – ele comenta consigo mesmo, conforme saia da sala.
Longe dali, na sala de aula, Kokurano se aproxima delas com uma garrafa de clorofórmio, virando um pouco do conteúdo em uma esfera de vidro, pois, havia planejado jogar o objeto nos pés delas para que o líquido saísse em forma de gás, visando dopá-las instantaneamente pela inalação do mesmo.
Após preparar o item, ele o atira no ar em direção aos pés delas, desconhecendo o fato da albina ter usado os seus poderes para congelar a sala ao mesmo que desejou que o falso vidente não sentisse o ar congelante.
Afinal, a pessoa sentia ou não, de acordo com o seu desejo, as modificações feitas no ambiente por intermédio da sua magia.
A esfera de cristal foi congelada instantaneamente, fazendo com que caísse inerte no chão, sem se romper e ao ver que o objeto não quebrou, o falso vidente fica confuso, pois, tinha a absoluta certeza que tinha usado a devida força para quebrá-lo.
Yukiko fez isso, pois, das três, as únicas a serem afetadas pelo gás seriam a bronzeada e prateada. Ela não seria afetada por ser uma meia dragoa, juntamente com o fato de ter vivido por inúmeros milênios.
- Que som foi esse? – Nuru pergunta, olhando para os lados.
- Parece o barulho de um vidro caindo no chão. – Kisara comenta, enquanto buscava com os seus olhos, a fonte do som.
Yukiko vira na direção do objeto e dobra os joelhos, fingindo procurar no chão o que provocou o som, para depois, pegar discretamente a esfera, aproveitando o fato das adolescentes estarem distraídas, olhando para os lados, enquanto buscavam a origem do som.
Simulando que procurava a origem ao andar pela sala, ela se aproxima de uma das janelas e joga furtivamente o objeto pela janela para estupefação de Kokurano.
Depois, a albina se aproxima das suas amigas, falando:
- Eu acho que foi, apenas, uma impressão. Eu não ouvi nada e não consigo avistar nenhum vidro quebrado, pois, se um vidro cair no chão, ele quebra.
- Verdade...
- Talvez seja apenas impressão. Afinal, a Yukiko-chan não ouviu nada.
Enquanto as gêmeas conversavam, o falso vidente sente o sangue gelar em suas veias ao mesmo tempo em que uma estranha brisa gélida o envolvia como uma mortalha quando a albina olha para o local onde ele estava escondido, fazendo o adolescente ter a estranha visão de se encontrar em frente a um dragão colossal, alvo e peludo, exibindo um símbolo de lua crescente na testa que parecia brilhar levemente, com garras afiadíssimas elegantemente curvadas e igualmente mortais que se assemelhavam a um diamante lapidado com perfeição, enquanto que as suas asas emplumadas e igualmente elegantes se encontravam abertas, possuindo uma envergadura tão colossal quanto o tamanho do dragão para que pudesse sustentar o peso do seu corpo no ar e que naquele instante, foram inclinadas para frente e dobradas ligeiramente para combinarem com a postura ameaçadora do dragão em toda a sua imponência e poder, assim como, fúria avassaladora.
O estudante começa a urinar de medo, sendo que quase defecou quando o dragão aproximou a cabeça imensa, com as mandíbulas entreabertas, mostrando as fileiras de presas alvas e igualmente afiadas, sendo que o rosnado que revibrava pela garganta da dragoa lhe gelava os ossos e fazia os seus olhos ficarem esbugalhados ao mesmo tempo em que ficava surpreso por não ter desmaiado pelo terror que lhe afligia e por ser capaz de raciocinar, mesmo frente a aquela visão atemorizante, enquanto suava frio, conforme se encontrava refletido nas íris azuis coléricas do ser que demonstrava toda a sua fúria e desejo de estraçalha-lo.
Então, ele observa um movimento da cauda do mesmo, que o brande em forma de chicote ao seu lado, com o porrete imenso na ponta da cauda se chocando violentamente contra o solo ao lado dele, fazendo com que a pressão do ar que foi deslocado pelo objeto maciço, o jogasse há alguns metros, como se ele não passasse de uma simples pluma levada pelo vento.
O impacto abrupto contra o solo, o faz sentir uma dor lacerante, para depois, ele urinar de medo, novamente, quando uma das garras afiadas passa rente ao seu rosto, enquanto a dragoa o aprisionava contra a sua palma e o chão atrás dele ao mesmo tempo em que evitava esmagá-lo.
Ele tremia intensamente e tomado pelo terror, não havia percebido o arranhão em seu rosto pela garra ter pegado superficialmente e propositalmente uma parte de sua pele, embora fosse um corte superficial por onde brotava um pequeno filete de sangue.
O falso vidente fecha os olhos, enquanto chorava aterrorizado, para depois, ouvir algumas palavras ininteligíveis que o fazem abrir parcialmente os olhos por se encontrar demasiadamente temeroso, para enfrentar a fúria do dragão colossal.
Então, ele pisca freneticamente os olhos ao mesmo tempo em que ficava confuso ao ver que estava na sala de aula, no canto em que se escondeu e que não havia nenhum dragão gigantesco, cujo tamanho lembrava o do Godzilla, embora ele acreditasse que o tamanho do dragão o superava, sem contar a envergadura colossal das asas emplumadas.
O falso vidente sente a pele do seu rosto úmida na altura dos olhos, indicando que havia chorado copiosamente, além de sentir uma ardência em um dos lados do seu rosto e ao passar a mão, observa nos seus dedos um pouco de sangue, o alarmando, pois se recordava de uma das garras imensas ter passado rente ao seu rosto e frente a esta constatação, ele esbugalha os seus olhos.
Afinal, aquilo não podia ser real. Era impossível, a seu ver, embora não conseguisse encontrar qualquer explicação, minimamente plausível, para aquele ferimento ao mesmo tempo em que procurava extinguir o forte terror que ainda o tomava, sendo oriunda daquela visão estranhamente vívida e igualmente aterradora, enquanto lidava com a fraqueza em suas pernas e o tremor involuntário que ainda acossava o seu corpo, ficando estarrecido ao sentir que as suas calças se encontravam úmidas pelo fato de ter urinado de medo duas vezes.
Então, o som de passos o tira dos seus pensamentos, com ele observando o trio saindo da sala de aula ao mesmo tempo em que a albina propunha algo para as gêmeas, enquanto o falso vidente sentia um estranho desejo de manter uma distância imensa de Yukiko, chegando ao ponto de ficar aliviado ao ver que ela se afastava, apesar de perder as gêmeas no processo, pois, elas a estavam seguindo:
- Podemos esperar na frente do colégio. Não tem porque o Yuugi-kun fazer todo o trajeto de volta. A biblioteca fica próxima da saída. Vamos enviar uma mensagem para ele, o que acham?
- Verdade.
- Também concordo. Vamos esperar por ele na saída.
Kokurano põe a mão no tórax, enquanto sentia o seu coração acelerado por ter sido tomado pelo terror, sendo que lutava para dispersar a visão atemorizante que teve e que fora absurdamente real, pois, jurava que havia sentido a respiração congelante do dragão contra ele e foi tão real, que ele estava duvidando de sua própria sanidade.
Então, ele ouve uma voz barítono profundo repleto de fúria:
- Pelo visto, pretendia fazer mal as minhas amigas.
- Quem é? – ele vira abruptamente, enquanto perguntava, para depois, ficar estarrecido ao ver quem era, pois, acreditava piamente de que o tinha atingido com as estantes – Yuugi!
Conforme olhava para ele, que estava com os braços cruzados sobre o tórax e uma postura que exalava raiva, o falso vidente podia jurar que Yuugi estava um pouco mais alto, além de algumas de suas franjas estarem arrepiadas, enquanto achava estranho o fato da voz de Mutou ser de barítono.
Afinal, pelo que se recordava, era uma voz em um timbre baixo e gentil, sendo o oposto da voz que estava ouvindo, atualmente e questionava se aquela visão aterrorizante estava fazendo-o ouvir coisas, pois, ninguém mudava de voz ou de aparência. Era impossível, a seu ver.
A voz barítono torna a revibrar pelo ambiente, fazendo-o sair dos seus pensamentos:
- Que pena. Mas, você errou a sua previsão, bastardo. Eu estou inteiro e sem qualquer ferimento – ele desfaz os braços cruzados e passa a exibir um sorriso no rosto, deixando Kokurano consternado pela mudança no semblante do mesmo – Que tal fazermos um jogo? Se eu perder, reconheço que você é um paranormal.
Atemu decide usar a própria arrogância e desejo do estudante de ser reconhecido como um verdadeiro vidente para manipulá-lo, visando atraí-lo para um Yami no game, possuindo a inabalável autoconfiança que a sua presa iria aceitar.
- Jogo?! – Kokurano demonstra uma face incrédula, pois, era uma proposta inusitada.
- Eu sei que você tem clorofórmio. Afinal, não consigo imaginar outra forma de você derrubá-las. Afinal, Yukiko, Nuru e Kisara conseguem subjugá-lo facilmente. Dopá-las, usando um ataque surpresa, é uma forma efetiva de lidar com aqueles que são mais fortes do que você, sendo que é uma atitude covarde e igualmente patética. Pelo visto, não passa de um farsante.
- Seu...! Saiba que eu tenho os meus poderes! Eu não sou um "farsante". Retire o que disse!
- Se me vencer, eu o reconheço como sendo um verdadeiro vidente e inclusive, pedirei desculpas em público. Afinal, se possui poderes paranormais, vencerá facilmente o jogo, certo?
O falso vidente pensava, enquanto via naquela proposta uma grande oportunidade de conseguir as "três beldades do colégio" para si:
"Se eu conseguir fazer esse desgraçado aceitar os meus poderes, conseguirei convencê-las das minhas habilidades e com certeza, irão me amar. Afinal, qual mulher não amaria alguém poderoso?"
Essa visão equivocada, oriunda de uma mente deturpada como a de Kokurano, era crível para o mesmo que acreditava piamente que conseguiria arrebatá-las se fizesse Yuugi acreditar nele, visando que ele influenciasse na decisão delas, por mais absurdo que fosse essa linha de pensamento.
Então, o falso vidente exclama arrogantemente, possuindo autoconfiança em seus poderes inexistentes:
- Claro que sim! Vou mostrar os meus grandiosos poderes a um incrédulo medíocre como você!
Atemu nada fala, mas, sorri de canto ao ver que a sua presa havia mordido a sua isca, desconhecendo o fato de ter condenado a si mesmo por aceitar o jogo.
Então, as trevas começam a envolvê-los e somente quem detinha conhecimento e poder mágico podia ver as sombras os envolvendo, após Kokurano ter aceitado o Yami no game, enquanto que Atemu havia decidido que iria continuar usando as palavras contra o seu adversário, visando manipulá-lo e intensificar a visão errônea que Kokurano possuía sobre si mesmo.
- Vamos usar o seu clorofórmio. Eu preciso dele para o nosso jogo. – ele fala, estendendo a mão para o estudante.
O mesmo arqueia o cenho, para depois, mostrar desconfiança em seu olhar e postura, com o Faraó perguntando:
- Com certeza, viu em suas visões que, de fato, usarei o clorofórmio no jogo e não em você. Ou vai me dizer que não é um verdadeiro vidente? – ele termina, sorrindo de canto, fazendo questão de demonstrar incredulidade em seus olhos, enquanto observava o falso vidente torcer os punhos.
O estudante confessava que estava desconfiado do seu adversário.
Porém, se falasse que não confiava nele, estaria admitindo a ausência de poderes por não ver o futuro. Se falasse que não confiava e de fato, ele apenas queria o vidro para montar o jogo, estaria confessando da mesma forma.
Portanto, sabia que não havia escolha se desejasse manter a ilusão dos seus poderes:
- Claro que sou verdadeiro e possuo os meus poderes. Tome o vidro – ele estende o objeto, o entregando, sendo que estava atento aos movimentos de Atemu que revirava os olhos, enquanto se afastava dele, se dirigindo para uma das mesas.
Ele estava tranquilo ao tocar o objeto, pois, sabia que as digitais naquele vidro, caso ocorresse uma investigação, o que duvidava, piamente, não seriam as de Yuugi e sim, dele.
Afinal, conseguia modificar, um pouco, o corpo do seu anfitrião e havia se focado nas digitais por precaução, conforme assimilou a tecnologia e conhecimento daquele mundo, além de aumentar, um pouco, a estatura, juntamente com o fato dos cabelos e franjas terem uma aparência próxima a que usava, embora fossem mais altos e pontudos, em vez dos cabelos e franja do seu amado.
Ademais, com o advento das semanas, o espírito sentia que poderia reaver a sua altura e físico original.
O Faraó abre a mochila do seu amado e encontra folhas de sulfite, as retirando para depois, colocá-las sobre uma mesa, espalhando algumas folhas, sobrepondo-as umas nas outras, para depois, colocar o vidro de clorofórmio no centro.
- A regra do jogo é simples! Eu espalhei várias folhas sobre a mesa e coloquei o vidro sobre elas. Cada um tem que tirar uma folha de papel. Naturalmente, é proibido tocar no vidro. Aquele que derrubar o vidro no chão irá perder, pois, o perdedor estará dormindo profundamente por causa do clorofórmio. – ele explica, com os braços cruzados na frente do corpo.
Kokurano dá uma risadinha de escárnio, falando em seguida:
- Eu já estou vendo você estirado no chão.
- Ah é? – Atemu pergunta de forma descrente, arqueando uma das sobrancelhas, enquanto mantinha os seus braços cruzados, encarando com escárnio o falso vidente – Vamos decidir quem começa.
