Notas da Autora

O Yami no Game começa e...

Atemu procura...

Kokurano se encontra...

Capítulo 48 - Yami no Game Kokurano - Final

Eles tiram a sorte com o jankenpon e o Faraó vence, pois a pedra quebra a tesoura.

- Ok! Eu começo. – ele se aproxima da mesa e escolhe uma das folhas.

- Cai! Cai! – Kokurano exclamava, torcendo os punhos, enquanto o via escolher uma folha ao tocá-la com os dedos, a segurando da ponta, enquanto se preparava para puxá-la.

O espírito sabia que havia uma forma correta e igualmente segura de puxar a folha, graças aos ensinamentos de Sugoroku quando Yuugi era jovem, juntamente com os princípios da física, sendo este último conhecimento, proveniente dos estudos do seu amado.

Ademais, Atemu era plenamente ciente de que o seu anfitrião carecia de confiança em suas habilidades, apesar de possuir muito conhecimento sobre diversos jogos e formas de jogar qualquer jogo.

Inclusive, o adolescente era ciente da técnica correta para tirar a folha ao mesmo tempo em que impedia o frasco de tombar.

Afinal, ele foi instruído pelo seu avô que nutriu o amor pelos jogos que o seu neto demonstrou desde que era pequeno, além de compartilhar todo o conhecimento que possuía e que foi adquirido pelas suas viagens ao redor do mundo, quando ele era conhecido como o Mestre dos jogos por vencer todos os tipos de jogos em todo o mundo ao ponto de se tornar uma lenda, fazendo com que muitos jogadores desejassem que ele fosse o mestre deles para pudessem aprender com o melhor.

Sugoroku instruiu o seu neto desde cedo no amor aos jogos ao perceber a aptidão natural da criança e a felicidade que exibia ao ver um jogo, juntamente com o fato de Mutou ser estudioso, pois, o conhecimento de algumas disciplinas podia ser aplicado aos jogos, tal como ele havia feito, conforme se tornava o Mestre dos jogos.

Afinal, não era somente o conhecimento sobre as formas de jogar, havia a ciência, história, matemática, química e física aplicada em muitos destes jogos, desde cartas, enigmas, pinos, peças, roletas, tabuleiros e outros tipos.

Após puxar a folha, o Faraó observa o vidro girando, sabendo que havia conseguido manter o centro do equilíbrio do vidro, visando fazê-lo girar sobre o seu próprio eixo, sem cair até que ele parou com a rotação vertical, saindo do centro da mesa e se posicionando próximo da beirada.

Para efeito dramático, tal como Kokurano havia feito anteriormente, Atemu simulou estar aliviado pela garrafa não ter caído, após ele puxar a folha e o motivo de fazer isso era para impedir que o seu adversário percebesse que havia uma forma correta de fazer isso, diminuindo drasticamente as chances da garrafa cair, além de fazer com que o falso vidente mergulhasse ainda mais na sua visão errônea sobre ter poderes por se recusar a ver a verdade, preferindo ignorar o que era claro para abraçar a visão deturpada e igualmente equivocada da sua mente.

Inclusive, o fato de não desejar ver a verdade, se afundando ainda mais na visão ilusória de ter poderes seria a ruína de Kokurano, pois, o Yami no game revelava o âmago das pessoas e definia o seu futuro. O fato de não desejar reconhecer a verdade por ser um covarde, desejando acreditar em uma mentira, condenaria o futuro do falso vidente, sendo algo que o Faraó ansiava, pois, sabia o resultado daquele jogo em virtude da conduta do seu oponente.

Kokurano escolhe uma folha, a que estava mais afastada da garrafa e a puxa abruptamente, fazendo a garrafa girar até se aproximar da borda, para depois, parar, com o falso vidente exclamando, após rir de satisfação, por mais que suasse frio pelo pavor que sentiu ao ver a garrafa se aproximar perigosamente da borda:

- Viu só? Esse é o meu poder!

Atemu continua fingindo que estava preocupado e fala, procurando simular essa preocupação em sua voz barítono, enquanto olhava para as folhas, fazendo alguns cálculos mentais sobre os prováveis resultados, visando escolher a que era a mais segura, sendo que fica surpreso ao constatar que era aquela que aparentava ser a mais perigosa para ser puxada:

- Ops... Parece que estou em perigo.

Conforme escolhia a folha, sabia que as outras duas que sobraram e que não pareciam tão perigosas se puxadas pelo outro lado, eram de fato, as mais perigosas se alguém as analisasse mais atentamente, algo que Kokurano não fazia, pois, as puxava de qualquer modo e sem o devido cuidado, pelo que o Faraó havia percebido.

No tocante das folhas, o ditado "as aparências enganam", era retratado perfeitamente naquela mesa.

Após colocar os dedos na folha, Atemu a puxa e apesar do movimento aparentemente brusco, o espírito havia aplicado, na verdade, um movimento piamente calculado e perfeitamente executado.

A garrafa roda sobre si mesma, com o seu centro de gravidade sendo mantido intacto e conforme os cálculos do Faraó, a garrafa gira até ficar perigosamente na ponta, com metade do vidro para fora do tampão, fazendo com que Kokurano não conseguisse impedir a queda quando fosse a vez dele de puxar qualquer uma das folhas remanescentes.

Afinal, não importava qual folha ele puxasse, a garrafa iria cair, sendo que era um resultado inevitável e igualmente previsto pelo espírito. O destino do falso vidente se encontrava selado, antes mesmo do início do jogo e apenas aguardava a conclusão esperada.

O estudante fica aterrorizado ao ver a garrafa com metade do vidro para fora da mesa.

Após apreciar o semblante aterrorizado da sua presa, Atemu fala, com uma das mãos do bolso, enquanto apontava o dedo da outra mão incisivamente para o estudante, decidindo atiçar o mesmo, conforme sorria de canto:

- O que fará agora? É impossível puxar qualquer papel. Qualquer um que você puxar, levará a queda da garrafa. Mas existe um único meio, sabia? Use os seus poderes paranormais e levante o vidro no ar. As regras dizem que não pode tocar fisicamente. Mas, tocar através dos seus poderes paranormais, é permitido.

Kokurano se encontrava totalmente imerso na própria ilusão que criou em sua mente ao não aceitar a verdade inevitável e igualmente indesejada dele não ter poderes paranormais, sendo que tal ilusão era ampliada pelas sombras do Yami no Game, que faziam com que os pensamentos, anseios, âmago e desejos dos participantes fossem exteriorizados durante o jogo, decidindo o seu futuro.

O falso vidente exclama com determinação:

- Eu vou mostrar o meu poder telecinético!

Então, acreditando piamente que tinha poderes, o estudante passa a se concentrar, enquanto olhava para a garrafa, para depois, fechar os olhos, falando consigo mesmo em pensamento ao ficar imerso na ilusão que criou e que se tornou real para a mente dele através do Yami no Game ao não ter a coragem de encarar a realidade:

"Eu vejo o vidro se elevando no ar – ele ri levemente, enquanto mantinha os olhos fechados ao mesmo tempo em que segurava uma das folhas – Sim... está flutuando. Eu tenho os meus poderes paranormais e nunca perderei."

De fato, dentro da mente dele e através dos seus olhos imersos na ilusão, ele via a garrafa levitando no ar.

Afinal, para Kokurano, os seus poderes eram reais e não frutos da sua imaginação, como o que estava ocorrendo naquele instante, sendo que a garrafa se encontrava repousando sobre as folhas. Essa era a verdade que o falso vidente não deseja ver ou conhecer por se encontrar, irrevogavelmente, imerso na ilusão criada pela sua mente, cujas mentiras foram fomentadas pelo estudante que as alimentou, com o Yami no Game as revelando de acordo com a mente do estudante.

Então, ele exclama, apontando o dedo em riste para o alto, ignorando por completo o fato da garrafa se encontrar repousando sobre as folhas no tampão da mesa, pois se recusava veementemente a acreditar que não tinha poderes e que o que estava vendo era, apenas, fruto da sua imaginação.

Ou seja, Kokurano não queria enxergar a verdade inevitável e essa era a sua perdição, com Atemu sendo consciente do quanto o estudante era covarde ao recursar a verdade, preferindo viver na ilusão criada pela sua mente.

O adolescente gargalha, exibindo uma face quase que demente ao mesmo tempo em que sorria imensamente, enquanto exclamava, apontando para o alto, onde ele acreditava que a garrafa estava flutuando:

- Você está vendo? O vidro está no ar graças ao meu poder!

Então, o Faraó fala, enquanto mantinha o semblante neutro, por mais que estivesse satisfeito ao ver que Kokurano havia mergulhado profundamente nas ilusões criadas pelas suas mentiras em vez de viver no mundo real, com o Yami no Game exteriorizando as ilusões criadas pela mente do estudante, pois, sabia que o falso vidente nunca reconheceria a verdade por se recusar a enxergar as suas limitações em virtude do fato de ser um covarde irremediável:

- Isso é só a sua imaginação. Se não duvida dos seus poderes é só puxar essa folha de papel!

O adolescente fica com uma face ainda mais demente, se recusando até o final a ver a verdade, enquanto ele permanecia fomentado a ilusão que criou com a sua mente, recusando veementemente a realidade por ela ser inaceitável ao ver dele.

Porém, apesar das palavras em forma de bravata que proferiu anteriormente, era evidente o tremor intenso que acometia Kokurano, enquanto segurava a folha pela ponta dela, pois, uma parte ínfima e que parecia se manifestar naquele instante, desejava ver a verdade que lhe era negada com tanto afinco pela sua covardia em encarar a realidade.

Kokurano exclama de forma arrogante, após gargalhar com a incredulidade demonstrada pelo Faraó que se limitava a arquear o cenho, enquanto sorria internamente:

- Não seja ridículo... Não é imaginação. Eu sou paranormal!

Mesmo falando tais palavras, o seu corpo continuava tremendo, fazendo com que a sua mão também tremesse, sacudindo as folhas, enquanto puxava lentamente uma delas por se encontrar imerso em um conflito interno, pois, havia dentro dele uma parte que desejava reconhecer a verdade.

Porém, esse lado era mantido subjugado pela outra parte que detinha demasiada influência, preferindo viver na mentira gerada pela sua covardia, enquanto persistia em acreditar que venceria o jogo pelos seus supostos poderes, sendo evidente em seu semblante o medo, enquanto suava frio, conforme a sua face demente lhe abandonava ao mesmo tempo em que puxava a folha da mesa.

Então, conforme o Faraó havia planejado, a garrafa caiu no chão e o falso vidente foi imerso no clorofórmio que saía em forma de fumaça, fazendo com que ele caísse inconsciente no chão.

Após o término do Yami no game, Atemu falou, sendo que não estava surpreso pelo resultado:

- Qualquer pessoa pode ser um paranormal dentro da sua imaginação... É necessário ter coragem para reconhecer a própria limitação em um momento de necessidade. Mas você não teve essa coragem e no final, isso se provou a sua ruína. O Yami no game apenas revelou a covardia que você mantinha dentro de si.

Como Kokurano caiu de braços abertos, a sua capa foi estendida, revelando os vários papeis que continham inúmeras previsões, fazendo com que o espírito comentasse consigo mesmo ao ver as dezenas de papéis:

- Um monte de previsões por baixo do manto. O meu amado estava certo em sua suposição.

Após usar os seus poderes para alterar a mente do estudante ao fazer surgir um olho dourado em sua testa, para que o seu amado não fosse citado por Kokurano, fazendo-o acreditar que a garrafa escorregou da sua mão por acidente e que ao cair no chão, liberou o conteúdo que o deixou inconsciente, sendo que fez questão de usar uma magia demasiadamente forte para que o falso vidente não tivesse qualquer desconfiança, acreditando piamente que fora isso o que ocorreu, assim como queria garantir que continuasse dormindo no chão, para que os estudantes vissem a fraude que ele era, assim que entrassem na sala de aula.

Depois de confirmar que as memórias dele foram alteradas, o Faraó recolhe as folhas usadas no jogo, sendo ciente de que seriam as suas digitais na garrafa de clorofórmio, além das de Kokurano, caso decidissem investigar, o que duvidava piamente.

Porém, era preferível prevenir e por isso, havia concentrado a sua magia em modificar as digitais quando estivesse no controle do corpo do seu amado ao adquirir todo o conhecimento do tempo atual.

Ao chegar à batente da porta, ele vira o rosto e olha para o falso vidente que se encontrava profundamente adormecido em virtude da quantidade intensa de clorofórmio que ainda impregnava o ambiente no entorno dele:

- Você não acordará até amanhã... Só que quando acordar, todos irão conhecer o seu segredo e eu duvido que continue popular. Ademais, eu espero que isso faça surgir uma investigação policial sobre o incêndio na casa daquele jovem, ainda mais ao verem que você provocou a queda de várias estantes, visando atingir o meu amado para que a sua "previsão" – com ele falando previsão, enquanto fazia sinal de aspas – ocorresse. Afinal, terá as suas digitais em locais que estudantes, normalmente, não tocam e o fato de você ter escrito todas essas falsas previsões, o torna demasiadamente suspeito, juntamente com o fato de que foi o incêndio na casa daquele estudante que promoveu a sua fama.

Então, com um sorriso de satisfação no rosto, Atemu se afasta, fechando cuidadosamente a porta para que ninguém o descobrisse até amanhã e por medida de segurança, usou a sua magia em conjunto com o do Sennen Pazuru para selar magicamente a sala, fazendo com que as pessoas evitassem aquele local até a manhã seguinte, quando os portões fossem abertos para os estudantes entrarem.

Afinal, ele desejava que todos vissem a fraude que o estudante era ao mesmo tempo em que não havia melhor forma de humilhá-lo, do que fazer a sua mentira ser descoberta em público.

O espírito entra na câmara da alma do seu amado, desviando cuidadosamente dos brinquedos espalhados no chão e ao se aproximar da cama onde Yuugi dormia profundamente, ele senta na beirada dela, repousando gentilmente uma das suas mãos nas têmporas do adolescente ao mesmo tempo em que surgia o olho dourado em sua testa, enquanto fechava os olhos, concentrando os seus poderes e o do Sennen Pazuru para modificar as memórias do jovem, fazendo-o acreditar que após se safar da queda das estantes, ele se dirigiu à saída, pois, havia lido a mensagem em seu celular, antes de entrar na biblioteca.

De fato, Atemu viu a mensagem no celular do seu amado, antes que ele se aproximasse da sala de aula para confrontar Kokurano.

Após manipular as memórias do seu amado anfitrião, ele inclina o seu rosto e beija a testa daquele que amava com toda a força do seu coração, para em seguida, apoiar a sua testa na dele e após ficar assim por alguns minutos, o espírito inspira profundamente, passando a lutar com todas as fibras do seu corpo contra o desejo de ficar junto do adolescente.

Depois de uma árdua batalha, o Faraó se levanta, dedicando um último olhar para o semblante angelical que se encontrava profundamente adormecido e após memorizar todos os traços, ele suspira e vira de costas para o jovem, desviando novamente dos brinquedos espalhados pelo chão, enquanto se dirigia para a saída.

Então, após sair do quarto da alma de Yuugi, ele entra na sua própria câmara da alma que era um labirinto ao mesmo tempo em que devolvia o controle do corpo para o dono original.

No exterior, o estudante abre os olhos e apesar de uma leve confusão que o acometeu, o mesmo se dissipou tão rápido quanto surgiu, enquanto que as memórias manipuladas lhe vinham a mente e apesar de achar estranho tais recordações, ele decide ignorar esse sentimento e corre em direção as suas amigas que o aguardavam nos portões duplos do colégio, sendo que o medo pelo colapso das estantes o deixava alarmado quando se recordou do incidente, acreditando piamente que ao verem o seu semblante, elas também ficariam preocupadas.