Notas da Autora

Durante a noite...

No colégio...

Capítulo 54 - O presente

Após o jantar, Yuugi senta na sua mesa e começa a pensar em uma mensagem de amor para escrever no quebra-cabeça, enquanto falava consigo mesmo, demonstrando intensa preocupação por temer a reação de Honda, caso não escrevesse nada:

- Caramba... Essa não. Eu também nunca escrevi uma declaração de amor.

O jovem ficou pensando a noite inteira, acabando por não dormir, sendo que somente na parte da manhã, conseguiu terminar de escrever a mensagem, fazendo com que exclamasse com evidente alívio em seu semblante e voz:

- Eu consegui!

Após terminar de escrever, ele desmontou o quebra-cabeça, o colocando em uma caixa envolta em papel de presente com um belo laço, para depois, colocar dentro da mochila.

Então, ele toma um banho e se troca em seguida, colocando o uniforme do colégio e conforme descia para tomar o café da manhã, boceja várias vezes, para depois, observar o seu avô na cozinha, evidenciando o fato dele ter acordado mais cedo do que de costume, fazendo com que o jovem de cabelos tricolores se sentisse culpado, pois, não esperava que o seu amado avô acordasse tão cedo, apenas para preparar o seu café da manhã, depois de ter comentado na noite anterior que precisava ir mais cedo ao colégio, acrescentando que Sugoroku não precisava acordar antes do sol nascer.

O avô dele percebe os bocejos e pergunta:

- Não dormiu bem?

- Não. Eu vou tirar um cochilo quando chegar do colégio, à tarde – ele decide omitir o fato de que não tinha dormindo por ter ficado acordado a noite toda.

Um dos motivos para ele mentir era porque não queria explicar o motivo de ter ficado acordado, pois, com certeza, o seu avô iria brigar com Honda por ter obrigado o seu querido neto a escrever uma mensagem de amor, fazendo com que não dormisse, sendo que era o moreno que deveria perder o sono, debruçado em uma mesa, pensando sobre uma mensagem de amor para a garota que amava.

Além disso, o outro motivo era por temer a reação de Hiroto perante a reclamação e censura do seu avô, pois, temia que Honda golpeasse Sugoroku, juntamente com o fato de Yuugi não desejar contar sobre a perseguição que sofreu no passado e que havia conseguido esconder do seu jii-chan ao conseguir o silêncio delas no tocante bullying ao convencê-las a não falarem nada, usando o argumento de que o seu avô era idoso e não precisava ficar nervoso, pois, poderia prejudicar a sua saúde e ele não desejava provocar qualquer problema cardíaco nele.

Ademais, o jovem não desejava provocar brigas ou conflitos.

Tomado pela sensação de culpa, ele fala, exibindo um semblante que era um misto de vergonha e culpa:

- Me desculpe por fazê-lo acordar mais cedo, jii-chan. Não imaginava que acordaria antes do sol nascer por completo.

- Não tem que pedir desculpas. Eu acordei sozinho. Além disso, não me incomodo com o horário. Você deve ter um bom motivo para querer sair mais cedo. Agora, vamos tomar o café da manhã. Vou aproveitar que acordei mais cedo para organizar algumas caixas.

- Arigatou, jii-chan.

- Doitashimashite (Por nada ou Disponha), Yuugi.

O estudante passa a comer o café da manhã, enquanto conversava alguns assuntos com o seu amado avô, sendo que havia dado uma desculpa qualquer para Yukiko, Kisara e Nuru sobre chegar mais cedo no colégio ao mesmo tempo em que dava uma justificativa para que o trio não precisasse chegar mais cedo à instituição de ensino.

Yuugi confessava que estava surpreso por seu plano ter tido êxito, desconhecendo o fato de que a albina usou a sua magia para influenciar as gêmeas a aceitarem a justificativa e explicação do jovem.

Enquanto isso, na câmara da alma de Atemu, o Faraó era plenamente ciente dos motivos do seu amado mentir para Sugoroku, sendo que era o esperado, considerando o coração e o âmago do seu anfitrião.

Porém, isso somente fazia a sua raiva por Honda aumentar.

Afinal, por culpa dele, o jovem não conseguiu dormir, além de ter vivenciado o medo e preocupação sobre o que escrever por temer a reação do moreno se não conseguisse escrever uma mensagem de amor, sendo que quem deveria ficar acordado a noite inteira e pensando intensamente na mensagem era Hiroto e não Yuugi.

Não obstante, além de Honda ser um folgado, ao ver do Faraó, ele havia usado o passado de Mutou para intimidá-lo, fazendo-o reviver antigos medos para obrigá-lo a obedecê-lo como era no passado, quando o obrigava a carregar suas coisas e a comprar revistas de sacanagem nas lojas, quando Yukiko, Kisara e Nuru não estavam junto dele. O espírito confessava que controlava com muito custo à vontade de desafiá-lo para um Yami no game.

Suspirando, enquanto massageava as suas têmporas, forçando-se a se acalmar, conforme gerenciava a frustração por não poder fazer o que desejava com o moreno, visando se vingar de tudo o que ele fez e pelo que fazia ao seu amado ao obrigá-lo a escrever a mensagem de amor através da intimidação, pois, estava de mãos atadas, por assim dizer.

Mutou chega ao colégio, sendo que chegou mais de uma hora antes da aula começar, pois, Katusya ligou na noite anterior, falando do plano deles se encontrarem mais cedo.

Então, assim que ele entra nos portões que já estavam abertos, Honda e Jounouchi vão ao encontro dele, com o loiro o cumprimentando, enquanto sorria:

- E aí, Yuugi!

- Ohayou, Jounouchi-kun e Honda-kun. – ele fala dentre um bocejo, fazendo com que o loiro ficasse preocupado.

- Espero que tenha terminado, Yuugi. – o moreno fala a guisa de bom dia, sendo que continha um tom de ameaça em sua voz.

- Sim. Eu terminei. Aqui está – ele abre a mochila e prontamente entrega o presente à Hiroto que o pega em mãos, para depois, colocar dentro da sua maleta.

- Bem, agora precisamos pensar em uma forma de entregar o presente para ela. – Katsuya comenta.

Os três começaram a debater sobre a melhor maneira, embora Yuugi não participasse ativamente por não querer ficar no lado ruim do Honda, por acidente.

Afinal, ele ainda tinha receio das reações do moreno por causa do passado e que haviam sido parcialmente revividas pela ameaça no dia anterior, fazendo com que ficasse acordado para que escrevesse a declaração de amor. Quanto ao loiro, ele havia superado os acontecimentos graças a amizade de Jounouchi que o fez se esquecer, gradativamente, de como o tratava antigamente.

Conforme ocorria o debate, surgiram três opções que consistiam em entregar em mãos, mandar pelo correio ou colocar secretamente na carteira dela.

No final, foi eleita a terceira opção, com o trio se dirigindo até a sala de aula que estava vazia, com Honda olhando com visível suspeita e igual desconfiança em seu semblante para o adolescente de cabelos tricolores.

- Ei, Yuugi, você escreveu algo bem bonito para deixar claro o que eu sinto, certo?

- Claro. – o jovem fala, embora fosse evidente o nervosismo em seu semblante e voz, pois, disfarçava precariamente.

Jounouchi segurava o objeto, se preparando para colocar embaixo da carteira de Miho, enquanto exclamava, procurando chamar a atenção do seu amigo para evitar que ficasse intimidando Yuugi, enquanto sentia dúvida que o seu plano daria certo, pois, até aquele instante, havia notado o nervosismo do jovem perto do moreno e não o condenava, assim como notou que a atitude de Hiroto não havia sido suavizada em relação à Mutou:

- Honda... Agora, é só colocar o presente na carteira dela e estará tudo pronto! – ele coloca cuidadosamente o presente – Pronto.

Enquanto isso era visível o quanto Hiroto estava corado, sendo que se encontrava em um misto de nervosismo e preocupação.

O trio se afasta e Yuugi exclama, animado:

- Muito bom!

- Se der certo, eu pago uns "sandubas" para vocês. – o moreno fala, sentando em cima da sua carteira, enquanto apoiava um dos pés na sua cadeira.

Aos poucos foram chegando os estudantes, sendo que junto deles, havia alguns professores e dentre eles havia uma professora loira, considerada uma das mais bonitas do colégio e que andava com roupa impecável, sendo que a sua saia justa ficava alguns dedos acima dos joelhos, enquanto usava meia calça escura com saltos altos, juntamente com uma espécie de blazer, sendo que sempre se encontrava extremamente maquiada, enquanto fazia questão de demonstrar diariamente um falso semblante sorridente.

Claro que os estudantes que a conheciam, não se deixavam levar para aparente visão sorridente e beleza, por saberem como ela era com os estudantes.

Afinal, seu apelido era bem conhecido.

Alguns alunos comentavam, enquanto ela passava pelos corredores, com os sons dos seus saltos altos revibrando pelo ambiente.

- A Chouno-sensei é muito linda.

- Sim. O único problema é aquela maquiagem pesada.

Um aluno se aproxima do grupo que comentava e fala:

- Mas, vocês estão sabendo? Ela já expulsou quinze alunos desta escola em meio ano.

- Está brincando?! – um deles pergunta estarrecido, seguido do seu amigo ao seu lado, que também se encontrava estupefato pela informação.

O que falou sobre a expulsão nega com a cabeça, pois, estava falando a mais pura verdade.

Então, este fala, observando Chouno se afastar:

- O outro apelido dela é a "Bruxa condenadora do colégio".

Todos ficam embasbacados, olhando do estudante para a professora que já havia se afastado ao virar em um dos corredores.

Então, o professor chefe do colégio a cumprimenta, após ela virar o corredor:

- Ohayougozaimassu, Chouno-sensei.

- Ah! Sayoutou-sensei. Ohayougozaimassu.- ela responde com um aceno.

- Ah... Fiquei sabendo. Como foi o Miai?

- Ah... sim. – ela fala posicionando os dedos em frente ao queixo, enquanto sorria – É um homem maravilhoso.

- Que bom.

- Com licença, eu tenho uma aula para dar. – ela se despede, mantendo um falso sorriso no rosto.

- Claro.

Então, enquanto ele se afastava, Sayoutou falava consigo mesmo com as bochechas coradas e o coração batendo em seu peito:

- Ah, o perfume da Chouno-sensei é maravilhoso. Se eu fosse mais jovem...

Enquanto isso, na sala 1-B, Jounouchi murmura para Yuugi que estava sentado:

- Ei, Yuugi, parece que a Miho-chan não se deu conta do presente.

- É. – ele responde sorrindo, com ambos observando que ela olhava para o caderno de uma amiga, enquanto fazia suas próprias anotações.

Honda também percebeu que a jovem estava tão concentrada em fazer anotações, que não havia percebido o seu presente embaixo da carteira.

Portanto, ele estava nervoso e igualmente corado, pois, se encontrava ansioso para ver a reação dela quando descobrisse o presente, sendo que o moreno estava com o rosto quase que coberto dentre os braços flexionados e apoiados em cima do tampão da sua mesa.

- Olha só a cara do Honda. Ele está todo vermelho e não consegue parar de olhar para ela. Está muito engraçado. – o loiro murmura para o seu amigo.

Eles observam que Miho vira o rosto na direção de Hiroto, que prontamente, desvia o rosto, enquanto exclamava em pensamento:

"Ela olhou!"

Yuugi apoia o seu rosto na mão, cujo cotovelo estava apoiado na mesa, enquanto pensava, sendo que sorria:

"Eu espero que dê tudo certo para o Honda-kun."

Dentro da câmara da alma de Atemu, o Faraó não se encontrava surpreso pelo seu amado torcer pela felicidade de Hiroto, pois, seria o esperado em virtude do coração cristalino do seu anfitrião.

O trio de amigas chega à sala de aula e cumprimenta Yuugi e Jounouchi, sendo que as gêmeas não notaram nada de errado, inicialmente, enquanto que a albina sabia o que estava ocorrendo e o que iria ocorrer.

Após eles conversarem brevemente, Yukiko, Nuru e Kisara sentam em suas respectivas carteiras, passando a organizar as suas mesas, sendo que a bronzeada conseguia ouvir nitidamente os sussurros deles graças a sua audição apurada.

Claro que ela não compreendia o motivo deles conversarem sobre Honda e Miho, sendo que pelo canto dos olhos, ela notou que o moreno estava extremamente corado, enquanto olhava para a estudante com laço na cabeça que estava ocupada escrevendo anotações no seu caderno.

Nuru somente esperava que isso não trouxesse problemas ao seu amigo, Yuugi, pois, pelo pouco que compreendeu, ele estava envolvido de alguma forma com algo que Honda e Jounouchi fizeram.

O motivo de não comentar para a sua irmã e a albina a sua suspeita era porque teria que explicar como conseguiu ouvir e a bronzeada confessava que não tinha nenhum desejo de revelar o seu segredo.

Próximo dali, a Chouno entra em um banheiro e tomada pela fúria, soca um dos espelhos que se encontrava na parede em cima de uma das pias, sendo que arfava, enquanto exclamava furiosa, exibindo um semblante demoníaco:

- Vai cuidar da sua vida, gordo careca nojento!

Nisso, ela se recorda do Miai no dia anterior e comenta em pensamento, sendo que tal recordação, apenas insuflava a sua fúria naquele instante:

"Bah... Aquele metido do encontro! Não precisava nem ter dito que não me queria. Eu teria dado o fora em você! Eu só faço esses Miais por passatempo! O meu prazer é falar muito mal desses caras e dar um fora legal nesses otários! Mas, o canalha teve a ousadia de machucar o meu orgulho me privando de dar o fora nele!"

Ela arfa e apoia as mãos na pia, enquanto olhava o seu reflexo parcial, pois, o espelho se encontrava quebrado, somente restando alguns fragmentos ainda presos na parede e ao notar o seu rosto demoníaco torcido pela fúria e maldade dentro dela, dando-lhe uma visão medonha, ela tira o seu kit de maquiagem da bolsa, voltando a se maquiar, enquanto falava consigo mesmo:

- Essa não... Que cara feia. Vamos retocar a maquiagem.

"Esse estresse todo faz mal para a pele. Eu preciso descarregar a minha tensão!" – ela comenta em pensamento, enquanto terminava de retocar a sua maquiagem.

Então, ela sai do banheiro e após alguns minutos, chega à classe do Yuugi, sendo que os alunos estavam de pé quando ela entra, para depois, sentarem quando ela coloca as pastas em cima da mesa dela.

Porém, Chouno permanece de pé ao lado da mesa e ordena:

- De pé!

Os alunos tornam a se erguer, sendo visível a confusão em seus semblantes, para depois, a professora falar, enquanto mantinha um semblante sorridente ao mesmo tempo em que suprimia um riso de cruel satisfação pelo plano que traçou para aqueles alunos:

- Queridos alunos! Antes de abrirem os livros, coloquem todo o conteúdo da bolsa e da carteira para fora! É hora da verificação!

Jounouchi e Yuugi exclamam em usino, chocados e igualmente preocupados:

- Não acredito!

Nuru e Kisara se entreolham, sendo que enquanto Kisara está confusa pela reação assustada dos seus amigos, Nuru sabia o motivo deles estarem assim, sendo que finge estar tão confusa quanto à irmã e quando elas olham para Yukiko, a albina replica a mesma face delas, demonstrando confusão em seu rosto, apesar de saber o motivo e o que iria acontecer em seguida.

A bronzeada passa a culpar Honda, pois, não acreditava que Yuugi ajudaria de livre e espontânea vontade. Ela acreditava que o moreno o forçou de alguma forma e ao olhar para o loiro, passa a acreditar que a culpa é dele por envolver o amigo de infância delas em algo referente à Hiroto.

Se algo acontecesse a Mutou, a bronzeada jurou a si mesmo que nunca perdoaria Katsuya e iria tirar satisfação pessoalmente com Honda, sabendo que a sua irmã e Yukiko também iriam fazer o mesmo.

Afinal, todos sabiam do apelido da professora na frente deles em decorrência do fato de ter expulsado quinze alunos em apenas seis meses.