Notas da Autora

Na sala de aula...

No anoitecer, Yukiko...

Capítulo 56 - Fuga do presídio de Dominó.

Honda se aproxima de Katsuya e comenta, sendo que estava aliviado por não ser mais expulso:

- Jounouchi... você viu a cara da mulher?

- Eu vi. Essa foi por pouco, amigo. – o loiro comenta com as mãos nos bolsos.

Enquanto isso, Atemu já havia voltado para a sua própria câmara da alma, enquanto retornava o controle do corpo ao seu amado que desperta, sendo que se sentia levemente sonolento por causa da magia usada pelo Faraó, enquanto exibia uma face confusa, pensando consigo mesmo:

"Ué? A aula já acabou?"

Mesmo sem se lembrar do que ocorreu, após a professora voltar a montar o objeto para encontrar o culpado, ele decide não comentar aos seus amigos o ocorrido, pois, não queria preocupá-los.

Então, os três se viram, observando o trio de amigas que exibiam olhares de indignação mesclada à raiva e que era direcionada ao loiro que se encolhe, para depois, dirigirem o olhar para o moreno que não consegue conter um tremor involuntário em seu corpo.

O jovem de cabelos tricolores coçava sem jeito a nuca, enquanto corava levemente ao mesmo tempo em que Jounouchi se encontrava nervoso, engolindo em seco, juntamente com Honda que estava apavorado ao ver um olhar assassinado direcionado para ele que inconscientemente, se posiciona parcialmente atrás do loiro que nota o ato e comenta, arqueando o cenho:

- Você acha mesmo que eu vou durar contra elas? Devia ter se escudado atrás do Yuugi.

Hiroto geme pela sua burrice ao perceber que tinha mais chances usando Mutou como escudo contra a fúria do trio de amigas, pois, ele era o único capaz de aplacá-las, enquanto questionava se de fato, o colega iria fazer isso, considerando tudo o que fez contra o jovem de cabelos tricolores.

Então, Yuugi toma a frente deles, detendo o avanço das suas amigas e conta tudo o que ocorreu, procurando deixar de lado os momentos que o moreno o intimidou com o olhar, postura ou palavras, sendo que o loiro não estava surpreso por esse gesto, enquanto que Honda exibia um semblante de visível surpresa pelo jovem de orbes ametistas tornar o relato dos acontecimentos o mais suave possível para as amigas dele, deturpando alguns fatos, enquanto ocultava outros, chegando ao ponto de mentir que havia se oferecido para escrever a mensagem ao ver o seu desespero e não a verdade de que foi obrigado a escrever e que de quebra, foi ameaçado também.

Conforme assimilava tudo isso, inclusive o ato do jovem que foi o primeiro a se erguer para assumir uma culpa que não era dele, o moreno percebeu o quanto o adolescente de orbes ametistas era diferente dos outros e aceitando plenamente essa constatação tardia, sentiu uma culpa opressora tomá-lo por completo, conforme se recordava do dia em que ele e o seu amigo foram surrados brutalmente por Ushio Tetsuo, sobre a falsa alegação dele que fazia em nome de Mutou, sendo que Yuugi chegou ao local e correu até eles, enquanto falava que não pediu nada, sendo confirmado posteriormente, de certa forma, pelo monitor estudantil. Não obstante, o adolescente usou o seu corpo como escudo para evitassem que fossem surrados novamente.

Pelo menos, foi o que Katsuya contou, pois, em decorrência da surra brutal que recebeu, ele se encontrava inconsciente, antes da chegada do jovem de cabelos tricolores no local.

Na época, Hiroto se recusou veemente a reconhecer os atos de Mutou e a sinceridade das palavras dele, pois, ainda acreditava em seu interior que a surra havia sido solicitada pelo adolescente de olhos ametistas, uma vez que não estava consciente quando ele chegou ao local, juntamente com o fato de Yuugi ter sofrido nas mãos deles, fazendo com que fosse esperado um ato de desforra em algum momento, além de achar que o seu amigo de longa data havia sido ludibriado de alguma forma, fazendo com que as palavras dele não tivessem qualquer peso.

Agora, testemunhando os atos do jovem de cabelos tricolores e o que ele estava fazendo para impedir que a fúria do trio desabasse sobre ele, chegando ao ponto de distorcer e mentir descaradamente para elas, juntamente com o gesto de ser o primeiro a se erguer para assumir uma culpa que não era dele, visando salvá-lo da vergonha e de Chouno ao mesmo tempo em que permitia uma segunda chance para com Miho, fez com que as palavras de Katsuya, enfim, chegassem até o moreno que sentiu a culpa opressora se intensificar, fazendo-o se lastimar por tudo o que fez contra Yuugi, inclusive, a postura e olhar intimidador, juntamente com as ameaças que fez contra o jovem apesar das solicitações do loiro de rever as suas atitudes, sendo que se recusou veementemente a mudar a sua conduta para com o adolescente, apesar dos pedidos do seu amigo.

Ele inspira profundamente, enquanto sentia a culpa opressora acossá-lo, para depois, tomar uma decisão, conforme via Mutou terminando o relato dos acontecimentos.

O moreno havia decidido ser amigo do jovem, enquanto buscaria uma forma de compensar tudo o que fez, embora acreditasse que dificilmente conseguiria resgatar todo o sofrimento e mal que causou ao mesmo tempo em que questionava a si mesmo se era esse o sentimento que Jounouchi carregava consigo, além de desejar saber como ele conseguia lidar com essa culpa opressora em relação ao Yuugi.

Depois das aulas, o moreno ganha coragem para se declarar diretamente para Miho, após conseguir falar com ela em particular, mais precisamente atrás de um dos prédios do colégio, sendo que atrás de um muro próximo do local, Yuugi, Jounouchi, Nuru, Kisara e Yukiko estavam juntos, observando a cena.

O loiro havia ficado surpreso de Mutou ter conseguido persuadi-las a recuarem em seu intento inicial ao reduzir eficazmente a fúria delas, além de fazê-las não condenarem o moreno, embora este último fosse graças ao fato dele ter deturpado a história original, modificando vários fatos e ocultando outros, sendo algo que não o surpreendeu, pois, conhecia o coração do jovem de cabelos tricolores.

No final, elas concordaram em dar uma chance a Honda, desde que ficassem um tempo junto deles para terem plena certeza de que o sentimento de amizade era sincero, após Hiroto falar que queria ser amigo do Yuugi para tentar resgatar tudo o que fez contra ele e apesar dos rostos de desconfiança, elas aceitaram as suas palavras, pois, o adolescente de orbes ametistas endossou o pedido, fazendo-as reverem a sua decisão inicial.

Katsuya sai dos seus pensamentos ao ouvir a rejeição gentil de Miho, que havia deixado o seu amigo chocado, para depois, se afastar, enquanto o moreno se encontrava cabisbaixo, sendo visíveis as lágrimas oriundas da rejeição.

Após o choque que o deixou sem chão, ele se afasta do local, ainda chorando, sendo que cobria os seus olhos com um dos braços, enquanto era confortado por Jounouchi e Yuugi que estavam junto dele, sendo que Yukiko, Nuru e Kisara, os acompanhava, falando algumas palavras de conforto.

O loiro tá um tapinha de conforto na espátula do moreno, enquanto falava:

- Ânimo... a gente te paga um hambúrguer!

- Isso mesmo. – a prateada fala, consentindo.

- Os hambúrgueres são uma delícia. – Yuugi falava, enquanto sorria.

- De fato, são bem gostosos. – a bronzeada fala, consentindo.

- Com certeza. – a albina consente, para depois, sorrir de forma maternal para Yuugi, pois, sabia o quanto ele amava os hambúrgueres.

Afinal, era a sua comida favorita.

Hiroto murmura em um tom repleto de gratidão pelo apoio e amizade:

- Jounouchi, Yuugi, Kisara, Nuru e Yukiko, obrigado.

Conforme caminhava com eles, Mutou se encontrava imensamente feliz por conseguir mais um amigo, sendo que confessava que havia ficado emocionado pelo desejo sincero de Honda de buscar a sua amizade, fazendo com que as recordações do passado que envolvia o moreno se tornassem cada vez mais suprimidas:

"Eu sinto que este caso também serviu para o início de uma longa amizade."

Quando a noite cai, com Yuugi e os outros se encontrando em suas respectivas casas, Yukiko sai pela varanda do seu apartamento usando a sua magia para ficar invisível, para depois, assumir a sua forma híbrida com orelhas, caudas e asas, além das vestes que eram uma extensão da sua pelagem na forma de dragão.

Ela abre as suas asas que possuíam uma grande envergadura e salta no ar, passando a voar na direção do presídio de Dominó, sendo que estava voando para uma direção especifica nos arredores do presidio.

Alguns minutos depois, a albina desce graciosamente no solo e caminha com elegância até um grupo de fugitivos que havia parado para respirar um pouco, após se unirem para fugir e que somente tiveram êxito, graças a sua magia que os auxiliou, sem que eles soubessem, sendo que dentre eles, se encontrava Kokurano, o único alvo da sua fúria, com ela considerando os outros prisioneiros como um bônus adicional, após acessar a mente deles através da sua magia, conseguindo identificar os crimes hediondos e igualmente brutais que eles cometeram.

O motivo para ajudá-lo a fugir em vez de tirá-lo da cela, sem que ninguém percebesse ao usar magia, era para impedir que inocentes fossem acusados de envolvimento na fuga dele e como o falso vidente iria fugir, junto de outros bandidos, a albina queria garantir que ninguém morresse durante a fuga deles.

Portanto, a magia que os auxiliou a fugir, também protegeu os policiais e carcereiros que ficaram inconscientes e com ferimentos que não eram mortais para que não parecesse demasiadamente estranho e igualmente suspeito.

Kokurano suspira de alívio ao ver que teve êxito em sua fuga, após buscar avidamente uma forma de fugir da prisão, onde aguardava o julgamento.

Afinal, a polícia havia encontrando tudo o que ele usou para incendiar a casa de um estudante, visando fomentar a sua fama e também como vingança em decorrência do fato da irmã dele se recusar a namorá-lo.

Ao ser recusado, ele decidiu privá-la de sua moradia e o fato de ter machucado gravemente o irmão dela, sendo que havia tentado matá-lo, fez com que o sofrimento da garota se tornasse ainda mais intenso, passando a ser considerado um bônus adicional ao ver dele, apesar do fato do adolescente não ter morrido pelas chamas, com ele acreditando que o jovem morreria em breve quando descobriu há alguns dias, atrás, que as chances de sobrevivência do estudante eram demasiadamente irrisórias em virtude da gravidade e extensão das queimaduras.

Ele confessava que ficou estarrecido ao descobrir que o jovem estava se curando de tal forma das queimaduras que havia sido considerado um milagre, acabando por ser noticiado pela imprensa local e nacional, deixando-o chocado, pois, o havia golpeado, antes de colocá-lo perto de onde ateou fogo para garantir que morresse pelas chamas por tê-lo visto ateando o fogo e também como vingança adicional pela rejeição.

Portanto, sabia que com a recuperação milagrosa, a polícia teria o testemunho que confirmaria o fato dele ter ateado fogo na casa. Não precisava ser um gênio para saber que ele seria condenado facilmente pelas provas sólidas e igualmente incontestáveis contra ele, juntamente com o testemunho do adolescente.

Kokurano não sabia que a recuperação milagrosa dele era devido ao poder de cura de Yukiko que o utilizou de forma moderada, apenas para salvar a vida do rapaz ao mesmo tempo em que garantiria com o tempo uma redução drástica em suas cicatrizes, principalmente nos locais que eram facilmente visíveis. O único motivo da albina não ter curado o jovem por completo era para não chamar ainda mais atenção do que já chamou com a cura que proporcionou ao adolescente.

Inclusive, por esse motivo, fez com que a sua magia curasse gradativamente as cicatrizes que seriam facilmente visíveis, conforme ocorria o tratamento.

O falso vidente sai dos seus pensamentos com os fugitivos falando que iriam se separar, fazendo-o concordar, sendo que eles não sabiam que a magia da albina que cercava o grupo os estimulou a se separarem, com Kokurano se afastando do local sem olhar para trás, pois, se fizesse isso, teria achado surreal o fato dos outros fugitivos caminharem na direção do presídio como se estivessem em uma espécie de transe hipnótico, tornando-os alheios ao exterior, apenas para entrarem voluntariamente, em seguida, em uma espécie de portal mágico que surgiu, de repente, na frente deles.

Quando ouve a sirene tocar no presídio, ele corre do local, seguido da albina, após ela recolher os outros criminosos.