Notas da Autora

Jounouchi e Honda decidem...

Yuugi pergunta...

Atemu decide...

Capítulo 59 - A revanche de Jounouchi e Honda

Após golpeá-los novamente, os três se afastam, sendo que um deles fala, acenando de costas:

- Vamos ficar com os tênis. Pode voltar para casa, descalço! – ele termina rindo com satisfação, enquanto os outros dois marginais gargalhavam junto dele.

Atemu estava sentindo uma fúria sem limites que fazia com que as suas unhas arranhassem o apoio do trono onde estava sentado, enquanto controlava a sua magia e as sombras, conforme assimilava a dor que o seu amado sentia, além dos golpes.

O motivo de não ter assumido o controle naquele momento foi porque não desejava assustar o seu anfitrião ao revelar a sua existência para os amigos dele que poderiam questioná-lo, caso o vissem lidar com os bandidos facilmente, considerando a estatura e personalidade de Yuugi, fazendo o seu amado ficar com medo dele ao ter as suas dúvidas confirmadas, pois, iria sentir a perda do controle do seu corpo e mente para alguém dentro dele em virtude do stress da situação, sendo este um pensamento aterrador para qualquer um, já bastando o fato de um dia ele ter que se revelar para o seu amado, pois, era inevitável.

Afinal, a situação em que viviam, atualmente, com o espírito agindo secretamente sem que o jovem de orbes ametistas percebesse a sua existência, embora Mutou desconfiasse inconscientemente da sua presença, não podia ser mantida por muito tempo, considerado a incidência dos lapsos de memória que Yuugi vivenciava quando o Faraó tomava o controle para salvá-lo ou para aplicar a justiça que o seu amado merecia.

Atemu passa a respirar profundamente, enquanto buscava arduamente controlar a sua fúria pelo ato imperdoável, a seu ver, sendo que começa a se acalmar gradativamente, para depois, sorrir imensamente, pois, mesmo que não pudesse ter a oportunidade de vingar o seu amado, a meia dragoa que via o jovem como um filho iria caçá-los pessoalmente para se vingar. Ela nunca deixaria esse ataque passar impune e considerando o sorriso sádico que viu no rosto dela, ele não podia ficar mais feliz ao considerar o fato de que as suas presas deviam sofrer um inferno em vida e que a punição não cessava tão facilmente.

O Faraó confessava que se a oportunidade de reencontrá-la surgisse, iria perguntar o que fazia com aqueles que ela caçava, embora desconfiasse do destino deles.

Do lado de fora, os três amigos começam a se levantar, com o loiro olhando o trio que se afastava cada vez mais, para depois, se sentar, passando a olhar de Honda para Yuugi que estava sentando, também.

- Vo... Você está bem, Yuugi? – ele pergunta com evidente preocupação em sua voz ao ver o jovem de cabelos tricolores massageando um dos lados do rosto, enquanto gemia de dor.

O adolescente de orbes ametistas consegue consentir, para depois, o loiro olhar para o moreno, exclamando:

- Droga! Não passei de dois quarteirões usando aqueles tênis!

- Eles eram os tais caçadores, pelo visto. – Hiroto comenta, exibindo raiva em seu semblante, assim como Katusya.

Jounouchi se vira para o seu amigo e fala com uma voz pesarosa ao ver os ferimentos dele:

- Yuugi, desculpe tê-lo posto nessa encrenca.

- Não tem problema. Eu estou bem.

- Yuugi, você pode ir sozinho até o Burguer World?

- Hã?! E vocês? – ele pergunta com evidente preocupação em sua voz, exibindo confusão em seu semblante.

Hiroto fala, exibindo determinação em seus olhos, assim como o loiro:

- Nós queremos... Revanche!

Ambos se erguem e olham com um semblante que era um misto de determinação e fúria na direção que o trio de bandidos havia tomado para se afastar deles.

- Eu não irei ao Burguer World, enquanto não recuperar os meus tênis!

- Eu devo uma surra para aqueles desgraçados! – o moreno exclama furioso.

Yuugi olha com admiração para ambos, para depois, comentar timidamente:

- Eu também vou. Se não for atrapalhar. – ele murmura o final, temendo que não o deixassem segui-los.

- Yuugi... – o loiro murmura surpreso, notando que o seu amigo estava nervoso, aguardando a resposta deles, para depois, sorrir – É assim que um homem fala!

- Certo! Então, vamos lá! – Honda exclama, sorrindo com satisfação.

Eles começam a correr com Hiroto na liderança, seguido de Jounouchi, sendo que Yuugi estava correndo atrás de Katsuya.

- Eles foram para a direita! – o moreno exclama, apontando para a direita, enquanto virava a rua.

- Yuugi, deixe a luta com a gente! Observe como se dá um soco! – o loiro exclamava, enquanto orientava o jovem.

- Tá! – o adolescente de cabelos tricolores exclama, sendo que sabia que nunca conseguiria golpear ninguém.

Atemu confessava que havia ficado agradavelmente surpreso ao ver que Yuugi estava adquirindo, gradativamente, confiança em si mesmo, conforme interagia com a dupla, depois que ele lhe ajudou em forma de um estímulo quando houve a votação para a Feira cultural do colégio.

Claro, ele ainda tinha um grave problema de confiança que não seria resolvido tão rapidamente, mas, o que importava é que o seu anfitrião estava superando, gradativamente, as suas incertezas e insegurança aos poucos. Um passo de cada vez e isso era o suficiente.

Atemu sentia orgulho ao vê-lo superar as suas dificuldades por si mesmo, sendo que sempre ficava surpreso pela força do coração de Yuugi, pois, o seu amado era verdadeiramente forte. Não odiar os outros, apesar do que eles faziam, sendo capaz de perdoar e de se preocupar, inclusive com o inimigo, não era para qualquer um. Isso mostrava a força e a beleza do coração dele que encantava o Faraó.

Meia hora depois, após muitas buscas, Jounouchi, Honda e Yuugi avistam os ladrões entrando em uma loja de Arcade que continha jogos e karaokê.

Os criminosos entram, sem perceber o trio que se aproximava deles, sendo que conversavam entre si com sorrisos em seus rostos, com um deles emitindo uma leve risada:

- Foi fácil demais!

- Com certeza! Vamos jogar um pouco!

Conforme jogavam, com dois deles ocupando uma máquina cuja tela ficava na frente um do outro, na mesma linha de visão, pois, era um jogo onde duas pessoas lutavam entre si, um deles exclama indignado:

- Não é justo! Você só ataca de longe, cara!

O oponente apenas ri, enquanto o outro bandido comenta com ambas as mãos nos bolsos:

- O que importa é vencer.

Então, um dos que jogavam sente alguém o observando e ao virar o rosto, seguido dos outros, fica estarrecido ao ver que eram os dois rapazes que eles haviam agredido e posteriormente, roubado o tênis de um deles, com eles olhando o terceiro que estava mais atrás.

Jounouchi e Honda estavam com as mãos nos bolsos, os fuzilando com os olhos, sendo que o loiro fala, enquanto sorria perante a satisfação de devolver em dobro o que fizeram com eles:

- Não atacamos pelas costas como vocês, covardes. Atacamos pela frente!

Aproveitando-se do estupor deles, Katsuya agarra um dos criminosos pela frente da blusa e o golpeia violentamente no meio do rosto, conseguindo quebrar o nariz com a força do seu soco, fazendo-o murmurar desesperado:

- Ei... para. Parece que você quebrou o meu nariz.

O loiro o observa como se fosse um mero lixo, enquanto começava a falar com uma voz perigosamente calma:

- Por sua causa... Minhas meias estão furadas agora! – ele exclama o final furioso, soltando a camisa dele, para depois, chutá-lo várias vezes em sua face.

Após ele cair no chão, os outros se recuperam do seu estado estupefato e tentam revidar, porém, são subjugados facilmente. Honda se junta a Katsuya, com ambos começando a golpear violentamente o trio, colocando toda a fúria em seus socos e chutes, enquanto exclamavam, ignorando os pedidos de clemência dos criminosos:

- Tome isto! E isto!

- Vocês não deviam ter mexido com a gente!

Enquanto os golpeavam, Yuugi assistia tudo com os olhos arregalados, sem conseguir falar nada, enquanto murmurava:

- Uau... – ele confessava que nunca imaginou o quanto eles eram fortes e conforme os observava, passou a acreditar que Ushio deve tê-los golpeado por trás para rendê-los, assim como os bandidos, que estavam apanhando naquele momento, fizeram com eles, anteriormente.

Em sua câmara, Atemu concordava que eles sabiam golpear bem e tinham muita força.

Por algum motivo desconhecido para ele, uma vez que não conseguia se recordar do seu passado, antes de Yuugi começar a montar o Sennen Pazuru, o Faraó tinha a sensação que se tivessem um treinamento adequado, seriam mais fortes do que eram atualmente e os golpes seriam mais eficazes, podendo leva-los a serem soldados de Elite dentro do Medjay, o exército do Antigo Egito, cujos militares atuavam também na segurança pública e como guarda-costas do Faraó, além de atuarem como guardas na preservação da ordem nas cidades, juntamente com o fato de fazerem parte das guarnições e das fortificações do império, realizando, também, patrulhas no deserto, com esse exército contemplando soldados de infantaria, além de exploradores para espionar estrangeiros nas fronteiras, sendo que havia o Medjay de alto escalão que contemplava comandantes e general pelo que ele se recordou ao acessar as memórias do seu amado, uma vez que o avô dele amava arqueologia, sendo que o Egito antigo era o que detinha o seu maior interesse, fazendo com que contasse muitas coisas ao seu neto.

Conforme tentava compreender o motivo de ter surgido esse pensamento, ele passou a julgar que foi pelo fato da urna e do sennen pazuru terem sido encontrados no Egito pelo que Sugoroku contou ao dar o item de presente para o seu neto, enquanto que desejava compreender o que era o estranho sentimento de saudade e de tristeza ao pensar no Egito, com ele sentindo que não era apenas pelo fato do objeto ter sido encontrado lá e sim, algo mais profundo e igualmente desconhecido, uma vez que não havia quaisquer recordações da terra natal da relíquia.

No lado de fora, Jounouchi ergue o bandido, que ele quebrou o nariz, pela frente da camisa mais uma vez, sendo que o rosto estava com alguns hematomas, enquanto o nariz quebrado ainda sangrava e pergunta com um olhar frio que refletia uma fúria silenciosa em seus olhos:

- Agora... Vou pegar o meu tênis de volta.

O marginal murmura gaguejando:

- Não estão com a gente. Só fomos contratos como sempre.

- Hein? – Katsuya arqueia o cenho, pois, era algo que ele não esperava, com Honda compartilhando o mesmo semblante – Nós recebemos três mil ienes, sendo que não para jogar nem uma hora com essa grana. Foi ele, o dono da loja, que nos contratou.

- O quê?! – o loiro fica estarrecido, assim como o moreno, enquanto processavam as informações estarrecedoras.

Yuugi demonstra uma face estarrecida, para depois, ser tomado lentamente pela raiva, revolta e indignação, enquanto pensava consigo mesmo:

"Como ele pôde fazer isso! Ele sabia o quanto o Jounouchi-kun queria aqueles tênis. O canalha se apodera do dinheiro e ainda nos agride!"

O Faraó se ergue do seu trono, sendo tomado pela fúria, pois, não aceitava injustiça, além do fato de que não podia retribuir, pessoalmente, a surra que os marginais deram no seu amado ao mesmo tempo em que havia ficado satisfeito ao saber que existia um mandante e que poderia puni-lo pela desonestidade e por ter causado, indiretamente, os ferimentos no seu amado Yuugi.

Aproveitando-se dos sentimentos de Mutou e do fato de Katusya e Hiroto estarem embasbacados pela descoberta inusitada, ele concentra os seus poderes, se conectando ao Sennen pazuru também, fazendo o olho de Wdajet brilhar.

Ele põe o seu amado para dormir, com o mesmo aparecendo na sua cama da câmara da alma, com Atemu o cobrindo gentilmente, enquanto conseguia conter a si mesmo ao ponto de se limitar a passar o dedo no contorno dos lábios macios e rosados, para depois, suspirar de contentamento, sendo que sorri ao olhar para Yuugi que dormia tranquilamente, para depois, falar em um murmúrio:

- Eu não serei o único a me vingar deles... Agora, durma. Eu já curei a maioria dos seus ferimentos, enquanto você corria junto dos outros, os procurando, sendo que vou terminar a cura, enquanto tomo o seu corpo emprestado. O devolverei assim que terminar de aplicar a justiça.

Ele se inclina e beija a sua testa.

Ao se afastar, o espírito quase o beija nos lábios convidativos quando os seus próprios lábios se aproximaram dos que pertenciam ao do macho menor. O pensamento de roubar o primeiro beijo do seu amado, sem o consentimento dele, foi o que o fez se afastar com muito custo, pois, já bastava o fato de tomar o corpo de Mutou e conforme saia do quarto de áurea infantil, com cores suaves nas paredes e uma janela por onde entrava uma luz acalentadora e gentil, enquanto procurava desviar habilmente dos vários brinquedos e jogos espalhados pelo chão, o Faraó suprime eficazmente a culpa que queria surgia nele por tomar o corpo dele ao se recordar que era a única forma de protegê-lo e de aplicar a justiça que o jovem merecia.

Afinal, ferir um coração tão cristalino e puro de uma alma tão amável, bondosa e gentil era um crime imperdoável a seu ver.

Após tomar o corpo do seu amado, ele corre do local, sendo que quando Katsuya e Hiroto ouvem o som de passos se afastando, eles olham para o lado e ficam preocupados ao verem que o amigo deles correu do local, sendo que o moreno pergunta:

- Será que o Yuugi foi até a loja?

- Provavelmente... Droga! Vamos! Não podemos ficar com esses lixos. Precisamos salvar o Yuugi.

- Sim.

Porém, antes que se afastassem o dono do local se aproxima e os segura pelos ombros, perguntando, enquanto arqueava o cenho:

- Vocês acham que podem sair do meu estabelecimento dessa forma? Acabaram de socá-los! – ele aponta para os bandidos caídos no chão - Vou chamar a polícia.

- Então, chame. Com certeza, eles vão bater com as descrições que a polícia tem sobre os ladrões de tênis. Afinal, eu não fui a primeira vítima deles, pelo visto.

- "Ladrões de tênis"? – o comerciante pergunta estupefato, sendo que o fato do loiro falar para ele chamar a policia, o deixou surpreso.

Nisso, um murmúrio surge dentre os demais que frequentavam o local e que haviam parado de jogar ao verem a confusão perto da entrada da loja.

- Sim. Eles roubam tênis raros e o mandante é o dono da loja onde o meu amigo comprou os seus tênis. – Hiroto indica com a cabeça o loiro ao seu lado.

Honda e Jounouchi procuram explicar a situação o mais rápido possível, pois, eles desejavam sair dali o quanto antes por estarem preocupados com o Yuugi.

O dono e as pessoas em volta que pararam de jogar para ver a comoção no local, olham dos semblantes determinados da dupla para os rostos dos que estavam feridos e quando fazem isso, eles percebem que o trio se levantava, visando fugir do local, quando são detidos por alguns colegiais de um colégio ali perto.

- Eu não acho que um inocente fugiria do local que foi espancado, após quem os agrediu ser detido, com muitos em volta para deter qualquer novo golpe. Somente alguém que é culpado iria desejar fugir do local. Além disso, teria implorado pela polícia no instante que começou a ser agredido. – o lojista comenta pensativo, para depois, virar o rosto, dando um aceno discreto a um dos seus funcionários que consente, pegando o telefone no processo, enquanto começava a discar o número da delegacia mais próxima.

- Nosso amigo corre perigo, precisamos ir até ele. – o loiro comenta desesperado.

- É melhor vocês ficarem, ao menos, até darem o seu depoimento para a polícia oficializar a denúncia. Depois, vocês vão até o seu amigo.

- O lojista de uma loja chamada Junk Scorpion é o mandante dos roubos e o nosso amigo foi confrontá-lo.

- Vocês podem aproveitar para ajudar os policiais a chegarem o mais rápido possível nessa loja. Como vão estar de carro, podem chegar rapidamente ao local. Nós não podemos fazer a denúncia por vocês e eles podem usar a confusão para escaparem e aí, vocês não vão ter nenhuma prova.

Após o lojista falar, ambos se entreolham e depois suspiram, reconhecendo as palavras dele e que de fato, era melhor levar os policiais junto deles até a loja e conforme aguardavam a policia chegar ao local, eles oravam para que o amigo deles fosse sensato o suficiente para não confrontá-lo, sendo que Katsuya se sentia imensamente culpado, pois, foi o ato dele de insistir em irem até aquela loja que os levou a toda aquela confusão, sendo espancados e roubados, com o seu amigo correndo por si mesmo para confrontar o dono pelos seus crimes. Se algo acontecesse ao Yuugi, o loiro nunca iria perdoar a si mesmo, desconhecendo o fato de que era o mesmo pensamento de Honda, pois, por mais que tivesse sido ideia do Jounouchi, ele poderia ter insistido no motivo deles andarem tanto, assim como deveria ter tentado persuadi-lo da ideia de ir até uma loja onde tinha um comerciante no mínimo bizarro e que se mostrou desonesto e igualmente perigoso.

O desespero de ambos somente aumenta quando tentam ligar para Yuugi e o celular dele cai na caixa postal, indicando que ele desligou o telefone, sendo que desconheciam o fato de que foi Atemu que desligou o aparelho para que não interrompessem o Yami no game.