Notas da autora

Nuru consegue...

Yukiko decide...

Yuugi se encontra...

Atemu decide...

Capítulo 74 – O olho de Wadjet

O trio entra no local sorrateiramente, para depois, perceber que não havia ninguém, fazendo com que elas relaxassem a postura.

Depois de fazerem uma varredura infrutífera em busca de alguma pista, Kisara e o clone mágico de Yukiko se preparam para sair e ao olharem para trás, não avistam Nuru.

Antes que ficassem preocupadas com o sumiço da bronzeada, elas ouvem gritos de desespero e de clemência, assim como o de ossos sendo quebrados, fazendo com que descobrissem onde ela se encontrava.

Ao saírem, a encontram surrando o meliante enquanto buscava arrancar informações dele.

Pelo que compreenderam, o rapaz falou de um galpão abandonado onde a gangue levava as pessoas para punições.

- Por que fizeram isso com o Jounouchi-kun? – a bronzeada pergunta enfurecida erguendo o marginal surrado pela gola do uniforme que usava.

- Ele o usou como isca. Inicialmente, Hirutani cogitou dele voltar para a gangue e ajudar na vingança contra Yukiko pela humilhação, além da surra que o levou a ficar vários meses internado ao mesmo tempo em que passava por várias cirurgias. Porém, ao ver Jounouchi mostrar um presente a sua arqui-inimiga e exibir um olhar de amor ao ver o objeto em suas mãos, ele acreditou que Katsuya nunca se juntaria a eles para ajudar na vingança por amar você – ele fala fracamente, olhando debilmente para o clone mágico enquanto sentia dores lacerantes pelo corpo – Então, o chefe decidiu ameaçar os amigos dele para que fosse até o local combinado e depois, revelou as suas verdadeiras intenções. Foram necessários muitos para subjugá-lo, para depois, ele ser levado para este galpão abandonado. Era para você ir até ele. Hirutani enviou um subordinado para por um bilhete no seu armário.

- Eu não recebi nenhum bilhete. Além disso, ele não me ama. Ele apenas queria uma opinião sincera sobre o presente que pretendia dar a uma garota. Afinal, ele ama outra pessoa. Vocês são inúteis até para pesquisar.

- Mas... – ele demonstra um semblante estarrecido com a revelação da albina e o fato do bilhete não ter chegado às mãos dela, desconhecendo o fato de que ela mentiu sobre o bilhete.

- Pelo visto, o subordinado dele falhou em sua missão. Isso explica a ausência do recado.

- Onde fica esse galpão abandonado? – a bronzeada pergunta com um semblante de pura raiva.

Ele fornece o endereço e Kisara prontamente pesquisa no seu smartphone, conseguindo a localização e a rota a ser tomada.

- Nuru-chan! Por favor, pare! – a bronzeada olha para o lado e observa o seu amigo de infância chorando enquanto exibia um semblante desesperado conforme corria até ela, seguido de Honda e de Hanasaki.

- Desculpe, Yugi-kun. Eu vou parar.

Ele a agradece enquanto exibia pena ao ver o estado do marginal quando ele foi jogado por Nuru no chão como se fosse um lixo.

- Pelo visto, não tinha ninguém. – Hanasaki comenta enquanto desviava os olhos do estado deplorável do meliante.

- Sim. Estava vazio.

- Vamos, eu já tenho a rota.

Todos consentem e correm na direção que ela apontou.

No alto, Yukiko concentra os seus poderes e faz chover sobre dominó, com relâmpagos cortando as nuvens tenebrosas ao mesmo tempo em que usava magia no grupo para retardar Yuugi.

De fato, quando cruzam uma estrada, a albina usa magia e cria a ilusão do surgimento de vários carros que aparecem após Honda, Hanasaki, Nuru, Kisara e o clone mágico cruzarem a rua, com a cópia mágica dela percebendo a ação da original.

Quando os carros impedem a passagem dele, o jovem olha para o sinal de pedestres, percebendo que estava vermelho.

Então, a princesa dos dragões usa magia para fazer Yuugi esquecer o nome do local onde o barracão estava. Quando o sinal para pedestres abre e ele corre, o adolescente percebe que se perdeu porque não avistou os seus amigos ao mesmo tempo em que ficava desesperado ao não se lembrar do local e quando tenta ligar para eles, a albina bloqueia o sinal.

Frente a situação em que se encontrava, Yuugi decide buscar por si mesmo enquanto continuava tentando ligar para eles, com a meia dragoa o confundindo magicamente para pegar outra rota enquanto fazia o grupo correr em círculos sem que percebessem para retardar a chegada deles ao barracão, quando criou uma área mágica que envolveu o grupo ao mesmo tempo em que o faziam ignorar a ausência de Mutou.

Rapidamente, ele voa até o local onde estava o marginal e prontamente, o cura, o fazendo ficar estupefato com a neve que caía sobre ele e que o curava, antes de ficar apavorado ao ver uma versão mais velha da albina com asas emplumadas, para depois, ele murmurar fracamente enquanto julgava que estava sobre o efeito alucinógeno da droga:

- Um tenshi (anjo)?

Então, fica aterrorizado ao ver surgir um semblante sádico junto de um sorriso que o faz ficar aterrorizado e antes que pudesse se levantar para fugir, é pego pelo braço, com ele ficando desesperado ao ver que os seus esforços eram inúteis ao mesmo tempo em que não compreendia de onde vinha a forte sonolência que o tomava ao ponto de fazê-lo cair em um sono profundo.

Quando ele cai no chão, ela cria um esquife de cristal que o prende antes de abrir um dos compartimentos dimensionais que possuía, para depois, colocá-lo nesse local junto do outro porque só poderia lidar com os seus novos brinquedos após garantir que o acontecimento daquele dia seguisse o seu curso normal.

Após terminar de guardá-lo, ela abre as suas asas e voa para seguir Yuugi enquanto passava a função de manter a área mágica para o seu clone mágico ao se comunicar via pensamento com ela que consente, começando a manter a magia que os estava prendendo naquele loop impossível de ser percebido pelos outros ao deslocá-los sem que percebessem ao mesmo tempo em que os fazia ignorarem os celulares que apagaram a sua tela por ficarem sem uso.

Longe dali, em um barracão abandonado, Jounouchi recobra a consciência e percebe que estava amarrado no alto pelos punhos, fazendo com que os seus pés ficassem alguns centímetros longe do solo enquanto que estava cercado pela gangue.

Ele gerencia as dores em seu corpo ao mesmo tempo em que se recordava de segui-los quando ameaçaram ferirem o Yuugi porque segundo as palavras deles, era o mais vulnerável do grupo e ao chegarem perto do barracão, o cercaram e começaram a golpeá-lo.

Inicialmente, o loiro conseguiu se esquivar dos golpes enquanto passava a golpear muitos até que alguém lhe deu um murro nas costas ao avançar por trás dele, o desequilibrando, fazendo com que eles conseguissem a brecha que buscavam para golpeá-lo, fazendo-o ficar sem ação e consequentemente, inconsciente pelos golpes e antes que perdesse por completo a consciência, ouviu o líder da gangue falando sobre levá-lo e amarrá-lo.

Ele exibe um hematoma em sua bochecha por ser o único visível porque os outros estavam cobertos pelas suas roupas ao mesmo tempo em que olhava com fúria para eles, com Hirutani falando enquanto sorria:

- Eu gosto dessa visão Jounouchi.

Katsuya sorri e fala:

- A visão daqui também não é tão ruim. Olha! O rato chefe e as suas ratazanas!

Então, ele é socado e leva joelhadas de dois capangas de Hirutani, com outros fazendo o mesmo.

- Jounouchi, você é assim desde o ginásio. Sempre agindo como se fosse igual a mim. – eles param de socá-lo - É verdade que ninguém podia nos deter quando estávamos juntos... Até algumas gangues do colegial tinham medo da gente. A nossa gangue cresceu muito. Mas uma coisa que não consegui fazer foi ensiná-lo que eu sou o chefe e que você sempre estará abaixo de mim.

Jounouchi gargalha levemente para depois, exclamar:

- É claro! É exatamente isso que o rato chefe pensaria!

- Sabia que mesmo com essa atitude, eu cogitei de pedir para se juntar a minha gangue novamente. Mas, eu sei que você nunca aceitaria.

- Você parece ter bastante certeza disso, rato chefe. O que o fez pensar assim? O meu repúdio ou raiva de vocês?

- O fato de você estar apaixonado pela minha arqui-inimiga.

- Hã? – ele finge confusão enquanto orava para que não fosse de Nuru que eles falavam enquanto questionava como eles poderiam saber os seus sentimentos por ela porque somente Honda e Yukiko sabiam do seu amor pela bronzeada, com o loiro confiando no fato de que eles nunca revelariam o seu segredo.

- Quem mais? Yukiko Tsukishiro. A desgraçada que nos espancou e nos humilhou. Aquele vídeo nos tornou uma piada, mesmo dentre os alunos do meu colégio. Nuru e Kisara Ryuutenjin (竜天神 – Deus celestial dragão) que nos surraram e que odiamos também, não nos humilharam como aquela desgraça fez, aumentando essa humilhação ao postar na internet, tornando o vídeo viral.

O loiro suspira aliviado em segredo porque eles erraram ao adivinhar quem ele amava e também pelo fato dele sempre ter achado a albina a mais forte das três.

- Como descobriu isso? – Katsuya decide continuar fazendo com que eles pensassem que quem ele amava era a albina para impedir de elegerem Nuru como alvo.

- Um dos meus subordinados viu você dando um presente para ela em frente a uma loja há alguns dias, atrás. Havia um olhar de amor.

O loiro se lembra do dia que conseguiu fazer Yukiko ir junto dele até uma loja para que pudesse mostrar o presente que queria dar a Nuru, para depois, confessar os seus sentimentos por ela. Ele queria uma opinião feminina e não desejava pedir a Kisara por ela ser irmã da Nuru, acabando por restar à albina.

Agora, ele agradecia a Kami-sama (Deus) por ter tido a ideia de pedir a Tsukishiro e não a prateada para que desse uma opinião feminina sobre o presente.

De fato, quando mostrou o presente para ela, ele estava imaginando a reação da bronzeada e daí veio o olhar de amor.

- Como você não se juntaria a nós em virtude de amá-la, eu decidi usá-lo como isca. Ordenei que um dos meus subordinados deixasse um bilhete para a Tsukishiro com o endereço deste local. Deixei explicito no bilhete que ela deveria vir sozinha ou mandaria os meus capangas se vingarem ao atingir os amigos dela, principalmente o mais vulnerável deles, o Yuugi Mutou, além dos familiares deles.

- E vocês acham que podem lutar contra ela... Isso é ridículo. A surra dela não o ensinou?

Hirutani exibe fúria em seu semblante e dá um soco potente no estômago do loiro, fazendo-o vomitar um pouco de liquido estomacal ao mesmo tempo em que as correntes chacoalhavam pelo impacto do soco dele que atirou o corpo do loiro momentaneamente para trás, para depois, falar com a voz repleta de fúria:

- Nunca esqueci! Eis as minhas cicatrizes! – ele exclama furioso e levanta a camisa, revelando muitas cicatrizes profundas que retalhavam a sua pele – Tive que pegar uma parte do dinheiro que consegui através da gangue ao realizar roubos e outros crimes para pagar pelas cirurgias. Eu precisei de várias cirurgias. Isso sem contar os meses que eu fiquei preso em uma cama com pinos e placas metálicas. Também tem o dano que sofri em alguns órgãos. Por sorte, não foram em órgãos importantes. Com as cirurgias, eu consegui tratar a maioria dos danos. Porém, eu preciso tomar alguns remédios para o resto da minha vida.

- Nós também sofremos danos e precisamos tomar remédios para o resto da vida. – um dos capangas fala e mostra as cicatrizes, assim como a maioria dos outros marginais.

O líder da gangue abaixa a camisa e torna a fechar o casaco do uniforme, com o loiro sorrindo de canto enquanto falava porque havia adorado ver os danos que o bastardo sofreu nas mãos da albina, assim como os ferimentos dos outros desgraçados:

- Já acabou? Ainda torno a afirmar que não aprendeu a lição. Vocês nunca irão derrotá-la. Além disso, saibam que tenho uma boa memória. Conheço bem as suas caras idiotas. Lembro quantas vezes cada um de vocês me bateu.

Hirutani sorri de canto e fala:

- Não se preocupe. Esse ainda não é o prato principal. O próximo item do menu vai fazer você perder a cabeça. Afinal, é entediante ficar esperando alguém sem fazer nada para passar o tempo. Esse item também o fará perceber que temos uma estratégia para lidar com aquela desgraçada.

Katsuya fica preocupado porque sabia que Hirutani não fazia ameaças em vão. Se ele ameaçava é porque tinha certeza que o seu plano daria certo.

De fato, a sua preocupação é confirmada ao ver vários capangas tirando armas de choque do bolso, para depois, ligá-los na frente dele.

- E talvez, tomemos a sua vida também... – um dos marginais fala enquanto exibia a arma de choque - Estas são pistolas de choque de duzentos mil volts. Quando eu apertar o botão, a eletricidade vai ser liberada e quando isso acontecer, as suas memórias serão apagadas da sua mente.

- Seus idiotas malditos! – ele exclama e dá um chute naquele que falava, fazendo com que o criminoso caísse inconsciente com a pistola em sua mão enquanto ainda estava ligada.

- Cretino! – outro capanga exclama ao ver o colega caído no chão.

Rapidamente, ele consegue encostar a arma em Katsuya, o eletrocutando, fazendo-o gritar ao atingi-lo pelas costas.

Não muito longe dali, Yuugi para de correr ao sentir que algo estava errado com o seu amigo.

O fato de Katsuya ter tocado na peça que continha o relevo do olho de Wadjet, fez com que aquela peça conseguisse ter uma espécie de conexão remanescente com o loiro e que juntamente com o forte desejo de Yuugi de encontrá-lo, fez com que o jovem sentisse que havia algo de errado.

Porém, o adolescente não tinha magia e por isso, só podia ter uma sensação oriunda da dor lacerante de Jounouchi.

Afinal, ele não conseguia ativar todos os poderes do Sennen pazuru por não ter magia em seu corpo.

- Jounouchi-kun! – ele exclama desesperado, para depois, segurar o Sennen Aitemu em suas mãos.

"Por favor, Sennen pazuru, me diga onde está o Jounouchi-kun!"

O jovem estava tão concentrado em tentar encontrar o seu amigo que Atemu conseguiu tomar o controle do corpo facilmente enquanto colocava o seu amado para dormir profundamente ao mesmo tempo em que acessava o poder do item para localizar Katsuya.

O espírito ainda não o havia perdoado e o motivo de fazer isso era pelo seu amado Yuugi, que estava sofrendo.

Afinal, o Faraó odiava vê-lo sofrer enquanto que as lágrimas do adolescente o feriam demasiadamente. Pelo amor que sentia por seu anfitrião e desejo de vê-lo sorrir novamente, ele iria encontrar e resgatar Jounouchi,

Ao usar profundamente os poderes do item junto da sua magia, ele conseguiu ver um barracão e descobriu qual rota deveria seguir, passando a correr em direção ao local, agradecendo o fato de ter conseguido um pouco da sua resistência e força original.

Claro, ainda não era o ideal, mas serviria para a distância que precisava percorrer porque na sua investigação usando o poder do item e a sua magia, o espírito descobriu que Katsuya iria morrer se ele não conseguisse chegar a tempo, considerando o estado mental e físico em que se encontrava e se Jounouchi morresse, o Faraó não queria imaginar o estado que Yuugi ficaria com a sua morte. Pelos sentimentos que nutria pelo jovem, ele iria salvar a vida do loiro.

No barracão, o adolescente estava no limiar da consciência enquanto estava começando a ter pequenas convulsões por causa da descarga elétrica em seu corpo.

- Ei, Hirutani, ele nem consegue falar mais e já está tendo até convulsões. Acho que podemos parar. – um dos capangas recém-juntado a gangue comenta.

- Que nada, continue.

- Isso mesmo, idiota. Eu vou me vingar nele pelo que aquela bastarda fez conosco! – outro marginal fala.

- Isso mesmo!

- Pare de falar besteira e continue com as ordens do Hirutani-sama!

Então, os outros que sofreram danos se juntam ao coro enquanto que os demais, que compreendiam apenas alguns membros, estes recém-adicionados à gangue, demonstravam desconforto com a ideia de matar alguém.

- Hã? Mas se a gente continuar, ele vai morrer.

- Eu disse, continue! – Hirutani ordena ao olhar friamente para aquele que ousou falar em parar.

- Parem!

Todos eles se viram para a origem da voz barítono.

Atemu observa as pistolas de choque e percebe que o loiro se encontrava em um estado inconsciente embora fossem visíveis pequenas convulsões e por mais que ainda nutrisse certa raiva pelos atos de Jounouchi no passado, odiava atos de covardia, como o que estava na sua frente, com um homem amarrado e incapaz de se defender enquanto era cercado por vários agressores que o atacaram covardemente.

Além disso, ele podia antecipar a tristeza e o sofrimento do seu amado ao ver o estado lastimável do amigo.

Para o Faraó, aquela gangue invadiu a fronteira do coração do seu amado ao ferirem o amigo dele e junto do sofrimento de Yuugi e do ato covarde, o espírito ficou furioso e exclamou em pensamento enquanto fechava os punhos:

"Vocês vão me pagar por isso!"