Notas da autora
Atemu planeja...
Ushio acha que...
Antes que o Faraó pudesse...
Capítulo 75 – Jogo - Encontre a bomba-relógio
Atemu aproveita a surpresa deles para se posicionar estrategicamente onde desejava, antecipando o ato deles ao planejar o que iria fazer após fazer uma rápida análise do local, por não ter permitido que as emoções o dominassem.
Hirutani fala com um sorriso de canto:
- É o pirralho do Yuugi.
- Se essa é toda a ajuda que Jounouchi tem, ele está perdido. – um dos capangas comenta.
Então, todos gargalham até que cessam as risadas enquanto um deles exclamava junto de outros dois criminosos que avançavam em direção ao espírito ao mesmo tempo em que um deles erguia o seu punho:
- Ei garotinho, este é o nosso lugar, não é o seu parque de diversões!
Atemu podia ter impedido o soco, mas ele é obrigado a recebê-lo porque era parte do seu plano, com ele planejando curar o dano no rosto antes de devolver o corpo para o seu amado.
Ao ser golpeado na bochecha esquerda, ele é arremessado para trás e no ângulo que havia calculado, fazendo com ele derrubasse um pneu de caminhão que cai no canto de uma poça, cuja água da chuva se acumulou por causa do telhado que se encontrava quebrado.
Um dos capangas exclama após gargalhar junto dos outros:
- Que ajuda mais ridícula!
Aproveitando o escárnio deles e gargalhadas, Atemu, que havia sido arremessado pelo golpe, começa a colocar o seu plano em prática.
Após terminar de configurar o que havia planejado, o Faraó se levanta e fala ainda de costas para os marginais:
- Certo, agora é a minha vez de começar alguma coisa – ele se vira para os bandidos – Eu desafio vocês para um jogo.
- O quê? Um jogo? – Todos olham para ele com os semblantes surpresos porque não esperavam tais palavras.
Aproveitando o aturdimento deles, o espírito caminha até ficar em cima do pneu que ele posicionou estrategicamente quando foi atirado para trás pela força do soco em seu rosto.
- Vocês ainda não perceberam? Há uma bomba-relógio conectada a um detonador e ela está escondida bem debaixo dos seus pés. O tempo já está passando.
- Uma "bomba-relógio"?! – um deles exclama incrédulo.
- Do que você está falando, maricas?
Atemu não se abala com a ofensa e continua sorrindo enquanto falava:
- Agora, a questão é se vocês conseguem encontrar o detonador. Se conseguirem, vocês vencem e podem ficar com a minha vida. Mas, se não conseguirem encontrá-lo, receberão um castigo especial. A bomba explodirá levando todos vocês para os ares. Agora, usem a cabeça para tentarem achar a resposta.
- Hirutani-san, o cara só pode estar blefando. – um dos capangas fala.
O outro fala enquanto se aproximava do espírito com a pistola de choque em suas mãos:
- Ele está frito. Vamos cozinhar ele e ver o que poderá fazer.
Quando este capanga se prepara para ligar o dispositivo, Hirutani fica estarrecido e percebe o perigo em que se encontravam por estarem em cima de uma poça, além de se encontrarem ensopados.
- Esperem! Não usem as pistolas de choque!
Todos olham surpresos para ele que fala:
- Saquei o que ele está dizendo. Ele não está blefando. Nós estamos todos ensopados da chuva. Esse pirralho ficou ali só para nos atrair para a poça ao mesmo tempo em que fazia com que nós ficássemos molhados pela chuva que cai através do buraco no teto. Ele deixou que a gente batesse nele com isso em mente.
Todos olham para baixo enquanto o chefe deles falava, com um dos capangas exclamando estarrecido:
- Ele tem razão! Estamos todos molhados!
- Vocês entenderam? Se um de nós ligar a pistola de choque, os duzentos mil volts irão direto para a poça e nós vamos explodir com a bomba do garoto. Nós encontramos o detonador, moleque! Ficaremos a salvo se não usarmos as pistolas de choque. Então, vamos usar os nossos punhos!
O Faraó confessava que havia ficado surpreso pela análise de Hirutani da poça e do fato deles estarem encharcados, percebendo o perigo de usarem as armas de choque enquanto que o chefe deles havia se esquecido do fato de que havia um limite de tempo.
Sem se alarmar, ele olha discretamente pelo canto dos olhos para trás dele, para depois, voltar a olhar para frente, observando os bandidos se dirigindo para ele enquanto erguiam os punhos, se preparando para socá-lo, com um deles exclamando após gargalhar vitorioso:
- Nós vencemos o jogo!
- Agora, como punição, você vai morrer!
Porém, antes que eles continuassem o seu avanço contra o espírito, os marginais ficam estarrecidos quando observam um sorriso de vitória no rosto de Atemu enquanto ele falava:
- Mas vocês não encontraram o detonador. Eu sou o vencedor.
- O quê?! – um dos capangas exclama estupefato.
- E a bomba está prestes a explodir, bem agora.
- Onde? – Hirutani perguntava enquanto gaguejava.
Todos ouvem um gemido fraco e ao procurarem a fonte do som, observam com semblantes estarrecidos o capanga que até aquele momento estava inconsciente com o golpe do loiro e que estava despertando gradativamente do seu estado inconsciente. Ele tinha o braço erguido por um pedaço de metal ao mesmo tempo em que a pistola de choque se encontrava ligada.
- O detonador é o braço dele! – o líder deles exclama estupefato.
Conforme olhava a cena, percebe que o objeto dourado estava pendurado estrategicamente no alto e em cima do rosto do seu subordinado inconsciente, fazendo com que gotas de água que escorriam pela superfície dourada caíssem no rosto do marginal inconsciente, provocando o seu despertar gradativo.
"Ele planejou tudo isso quando o acertamos! Por isso, ele não tentou se esquivar!" – Hirutani exclama consigo mesmo em pensamento enquanto exibia um semblante estarrecido pela engenhosidade do plano do jovem.
Com o despertar, o capanga mexe os braços com a pistola de choque ainda ligada, fazendo com que a barra de metal que segurava o braço dele no ar começasse a cair para o lado ao mesmo tempo em que a mão com a arma mergulhava em direção a poça de água onde ele e os outros se encontravam.
- Não acorde! – Hirutani grita em desespero enquanto que não conseguia se mexer a tempo assim como os seus capangas em virtude da descoberta estarrecedora que provocou uma mudança abrupta nos acontecimentos.
Enfim, a arma do marginal cai na poça e a descarga elétrica se espalha, eletrocutando todos e como eles estavam molhados, a descarga era distribuída mais eficazmente enquanto que o pneu onde Atemu se encontrava de pé fornecia proteção para ele contra a eletricidade gerada pela arma que estava atrás dele.
Todos caem no chão, com muitos deles convulsionando enquanto o Faraó sentia uma intensa satisfação ao vê-los naquele estado deplorável.
Porém, antes que pudesse começar a fazer algo contra a mente deles usando o poder do item, ele ouve passos e pelas vozes, eram os amigos do seu amado.
Após retirar Jounouchi das correntes e curar o golpe que sofreu propositalmente na bochecha, ele se ajoelha ao lado do loiro e o segura conforme o seu amado faria, devolvendo em seguida o controle do corpo ao jovem ao mesmo tempo em que os amigos de Mutou apareciam na porta do barracão, gritando por ele enquanto tentavam compreender o motivo de não terem sentido a falta de Yuugi. Eles somente perceberam a ausência do jovem de olhos ametistas junto deles ao avistarem ele ao lado do inconsciente Katsuya.
A sensação de culpa que tomava o grupo desapareceu quase que por completo em um passe de mágica, graças à ação de Yukiko, que após observar tudo do alto, aproveitou o fato do grupo entrar no barracão para trocar de lugar com o seu clone mágico que havia mantido uma pequena distância atrás deles para que pudesse realizar a troca sem que percebessem.
O clone sorri e consente, voando para o alto ao fazer surgir asas emplumadas porque tinha mais uma missão antes que desaparecesse em uma névoa mágica enquanto que as suas memorias do que ocorreu seriam enviadas a original.
Enquanto isso, Yuugi estava feliz por encontrá-lo ao mesmo tempo em que as memórias alteradas surgiam em sua mente, fazendo-o acreditar que quando entrou no barracão, encontrou os capangas desacordados na poça e que ao ver a arma de choque na poça de água, buscou não se aproximar, para depois, descer o seu amigo e segurá-lo em seus braços.
Porém, mesmo que tais memórias fossem nítidas, ele tinha uma sensação inquietante dentro dele e que não conseguia definir o que era, com ele decidindo colocar para escanteio ao ver os seus amigos ao seu lado, com eles demonstrando preocupação em seus semblantes.
A sua preocupação foi esquecida quando viu o estado deplorável de Katsuya enquanto que Nuru havia se ajoelhado ao lado dele, com as suas lágrimas brotando dos seus olhos carmesins ao ver o estado lastimável dele.
Ao olhar para o lado e ver os marginais convulsionando, com a arma de choque de um deles mergulhada na poça de água, a bronzeada percebeu o que ocorreu. Ela confessava que sentia muita vontade de socá-los, mas, não ia se arriscar a levar um choque por não saber se a pistola ainda estava funcionando.
- Yuugi, o que aconteceu? – Honda pergunta preocupado.
- Parece que os desgraçados eletrocutaram a si mesmos. – Hanasaki comenta com satisfação em seu semblante.
- Verdade. Eles entraram na poça e um deles caiu na água com a arma ligada. É o que eu acho. – Kisara comenta pensativa.
Yukiko se ajoelha ao lado de Yuugi e afaga maternalmente a sua cabeça, perguntando em um tom de voz maternal:
- Você está bem, Yuugi-kun?
- Sim, Yukiko-chan.- ele fala com o seu típico sorriso radiante e adorável, olhando em seguida para Honda – Eu não sei. Eu cheguei aqui e o encontrei pendurado naquele gancho. Eu achei a corda da roldana dele e consegui abaixá-lo até o chão, para depois, soltá-lo. Eles já estavam desacordados na poça quando eu cheguei nesse galpão.
- Jounouchi-kun! Abra os olhos, por favor! – Nuru exclama desesperada enquanto segurava o rosto daquele que amava em suas mãos ao mesmo tempo em que todos se lastimavam ao ver o estado do loiro, com exceção de Yukiko.
Afinal, a albina era ciente de que perdão era uma palavra consideravelmente desconhecida para ela, principalmente para aqueles que feriam quem ela amava de forma maternal. Ferir Yuugi era inaceitável a seu ver e se lastimava por ter que se contentar com os capangas de Hirutani como as suas presas enquanto que não poderia levar o líder dos marginais consigo como o seu brinquedo, ainda.
Afinal, havia mais um acontecimento envolvendo ele e era necessário que ocorresse.
O loiro abre os olhos ao virar de lado, acabando por ver Yuugi primeiro, fazendo com que ele exclamasse de alívio ao segurá-lo:
- Yuugi! - ele olha para todos e fica feliz ao vê-los – Honda! Hanasaki! Yukiko-chan! Kisara-chan! Cadê a Nuru-chan?!
Ao notar a ausência da bronzeada, ele fica aterrorizado, para depois, arquear o cenho ao ouvir risadinhas por parte de Yuugi e dos outros enquanto ouvia alguém dar uma leve tossida no seu lado direito.
Ele vira o semblante para o lado e vê Nuru com o rosto umedecido pelas lágrimas enquanto o olhava com censura em seus olhos carmesins, com o seu sorriso aquoso traindo os sentimentos que a tomavam naquele instante e que eram de alívio, felicidade e de tristeza ao ver os ferimentos no seu amado, com a bronzeada conseguindo ouvir os rugidos furiosos da sua dragoa interior que queria estraçalhar os criminosos inconscientes. Se ela estivesse sozinha e com Jounouchi ainda inconsciente, a jovem se transformaria em sua dragoa, permitindo que estraçalhasse os corpos ao ponto de ninguém discernir qual pedaço de corpo era o que viam de tão deformados que ficariam pelas mandíbulas possantes e garras afiadas.
- Nuru-chan?! – ele exclama preocupado enquanto a segurava gentilmente pelos ombros, sendo evidente a intensa preocupação no semblante do loiro.
- Eu estou tão feliz por conseguir encontrá-lo, mas, também estou triste pelo estado em que você se encontra. O que eles fizeram com você além de surrá-lo? Eu vi alguns ferimentos que não parecem golpes.
O loiro engole em seco enquanto se lastimava por não poder ocultar o que aconteceu porque não desejava fazer os seus amigos ficarem mais tristes do que já estavam.
Após suspirar profundamente, ele fala:
- Eles usaram armas de choque contra mim. - todos choravam com exceção de Yukiko que fingia sentir choque e tristeza.
Como se algo despertasse no loiro, ele abraça a bronzeada protetoramente, gemendo com a dor que sentiu pelo impacto do seu corpo dolorido contra o de Nuru, que estava corando intensamente enquanto sentia o seu coração bater descontroladamente em seu tórax ao mesmo tempo em que sentia calafrios prazerosos.
- Onde estão os bastardos? Eles podem usar as...!
- Eles estão incapacitados no momento. Veja, Jounouchi – a albina comenta enquanto apontava com o dedo para um local próximo de onde estavam.
O loiro fica surpreso ao vê-los caídos em uma poça com a pistola de choque na água, indicando que foram eletrocutados, com Katsuya passando a sorrir com intenso prazer e satisfação ao mesmo tempo em que Hiroto se aproximava enquanto perguntava:
- Você sabe o que aconteceu?
