Notas da autora
Todos cogitam a hipótese de...
Jounouchi e Nuru surpreendem todos quando...
No aeroporto de Dominó, Mahaado e Mana se encontram...
Capítulo 76 – O reencontro de amigos
- Um deles tentou me eletrocutar, mas, eu o chutei. No caso, aquele que está com a arma de choque afundada na água. Porém, as minhas memórias estão confusas a partir daí porque cheguei a sentir uma dor lacerante e indescritível quando uma das armas encostou na minha pele. Depois disso, eu não consigo me lembrar de mais nada.
- Provavelmente, aquele que você acertou e que estava caído no chão, deve ter movido o seu braço para tentar se levantar e acabou encostando a arma na água, eletrocutando ele e os outros. Você escapou por estar pendurado acima do solo. Isso explica porque o Yuugi-kun disse que o encontrou pendurado e os marginais caídos no chão com marcas de queimadura. – a prateada comenta pensativa.
- De fato, o que vemos é condizente com essa teoria. – Hanasaki murmura pensativo.
- Tem lógica. – a bronzeada fala em um murmúrio enquanto percebia que Jounouchi continuava envolvendo protetoramente os seus braços nela.
Como se notasse o seu gesto, Katsuya cora e se afasta, falando sem jeito enquanto o seu semblante demonstrava que sentia dor ao simples movimento:
- Desculpe, Nuru-chan, abraça-la assim, é que...
Porém, antes que terminasse de falar, com a bronzeada se enchendo de coragem ao mesmo tempo em que se lembrava do sofrimento que experimentou pelo desaparecimento dele e consequentemente ao descobrir o que ocorreu juntamente com o gesto protetor dele e ao experimentar o calor dos seus braços, ela o silenciou ao beijá-lo nos lábios. Era um selinho, mas, foi o suficiente para deixar o loiro inicialmente aturdido, para depois, olhar embasbacado para a bronzeada que corava intensamente ao mesmo tempo em que se afastava.
Os outros estavam corados, com exceção de Yukiko enquanto que a bronzeada se sente mal ao ver o semblante estarrecido do loiro ao interpretar erroneamente como algo que ele não gostou ao mesmo tempo em que se condenava por agir de forma impulsiva, beijando alguém sem o seu consentimento ao ser levada pelas emoções que a tomavam junto do fato de se recordar de que ele amava alguém. Esta última recordação fez com que ela ficasse deprimida.
Então, a prateada abaixa a cabeça e murmura:
- Me desculpe. Eu não deveria ter feito isso.
A voz triste e pesarosa faz o loiro sair do seu estupor, percebendo que havia dado a impressão errada a ela por ter ficado sem reação com o gesto inesperado e ao ver novas lágrimas no semblante dela junto com a dor e culpa em sua voz, ele rapidamente envolve as suas mãos no rosto da bronzeada e fala, fazendo-a erguer o seu semblante visivelmente confuso, com os seus polegares secando algumas das lágrimas que brotaram dos belos orbes carmesins dela:
- Não tem nada para se desculpar. Ao contrário, eu deveria me desculpar por ter reagido daquela forma. Eu fiquei agradavelmente surpreso pelo seu gesto. Eu nunca esperei algo assim de quem eu amo profundamente e fico feliz em ver que nossos sentimentos são recíprocos, meu amor.
Agora era a vez da bronzeada ficar estupefata, olhando-o com consternação em seu semblante por ouvir tais palavras dele, não acreditando que a garota que ele amava era ela.
- É verdade? – a bronzeada balbucia enquanto exibia surpresa em seu semblante, com a revelação dele cessando as suas lágrimas.
- Sim. – ele fala e aproxima o seu rosto corado do dela, que também estava corando enquanto os seus lábios se aproximavam até que selam os seus sentimentos com um beijo apaixonado.
A bronzeada o abraça enquanto que o loiro a abraçava, com ambos desfrutando do beijo até que a bronzeada acaba apertando, sem querer, um dos hematomas de Katsuya, fazendo-o gemer de dor e consequentemente, quebrando o beijo deles.
Então, ambos coram intensamente ao ver que estavam em público, com os seus amigos corando ao ver a cena enquanto demonstravam vergonha em seus semblantes ao mesmo tempo em que todos eles desviavam o rosto, com o casal notando que Yukiko os olhava normalmente, fazendo o loiro achar estranho o gesto da albina porque o normal seria reagir como os seus amigos reagiam com demonstrações de afeto em público, com ele acreditando que ela não era japonesa apesar no nome e sobrenome que possuía.
O loiro fica sem jeito e quando vai coçar a nuca, um novo gemido de dor sai dos seus lábios, fazendo sumir o rubor de todos que era substituído pela preocupação enquanto Nuru falava:
- Devemos ir ao hospital.
Katsuya tenta se levantar, mas, acaba caindo, fazendo com que a bronzeada e Yuugi segurassem o seu braço, evitando uma queda feia.
- Eu vou levar você. Há um hospital não muito longe daqui. – Honda falava enquanto se preparava para pegá-lo ao notar que qualquer movimento que o loiro fazia se tornava doloroso.
Jounouchi não queria ser carregado nas costas de outro homem, mesmo que este fosse o seu melhor amigo porque não queria atrair olhares estranhos, além de ser orgulhoso ao desejar andar por si mesmo.
Porém, quando o pensamento de tentar andar por si mesmo cruza a sua mente, o loiro percebe o olhar de todos que demonstravam que não iriam permitir esse gesto por parte dele ao verem que ele tentava se levantar novamente.
O adolescente suspira em derrota e deita nas costas de Honda que sai do local com ele, com Nuru comentando:
- Devíamos ter chamado a polícia. Precisamos denunciar esses bastardos.
- Eu não acho uma boa ideia. Eu ouvi alguns boatos de que ele chegou a fazer parceira com um membro da Yakuza.
- Será que não é só boato? – Kisara pergunta.
- Eu não sei. Mas, eu não acho sábio arriscar algo assim. Já basta o fato da Yukiko-chan estar em perigo por causa daquele vídeo. – o moreno comenta com evidente preocupação em seu semblante ao olhar para a albina.
- Fique tranquilo. Eu não acho que isso seja verdade e mesmo que venha a ser verdadeiro esse boato. Acha mesmo que a Yakuza quer ter o seu nome mencionado em um incidente que envolve um bando de homens sendo surrados facilmente por uma mulher? Eu não acho que os membros orgulhosos da Yakuza aprovariam essa associação. – a albina comenta.
- De fato, tem lógica. Seria muito vergonhoso. – Hanasaki comenta pensativo.
- Mesmo assim, eu acho melhor fazermos o que o Honda-kun disse. Melhor não envolvemos a polícia no caso. – Yuugi comenta com medo em sua voz – Por favor, me prometam que não vão denunciar o que ocorreu a polícia. Tudo o que menos queremos é sermos alvo da Yakuza.
Eles se entreolham e depois, olham para Yuugi, com todos consentindo enquanto o loiro comentava:
- Eu odiaria ver os meus amigos em problemas com a Yakuza. Eu me sentiria deprimido se isso ocorresse. Eu já me sinto mal por aquele bastardo acabar envolvendo vocês.
- Não se sinta mal, amigo. Eles são bastardos. Infelizmente, o mundo esta cheio de escórias como eles.
- Verdade.
Enquanto corriam para o hospital, o clone mágico pousava na frente dos criminosos desacordados na poça dentro do barracão, com ela compartilhando do prazer da original ao imaginar os novos brinquedos que ela iria possuir.
Decidindo não perder tempo, o clone usa a sua neve divina e cura todos com exceção de Hirutani, para depois, eles despertarem porque a descarga elétrica na água queimou a arma de choque após ela liberar a sua carga.
Ao verem a albina parada na frente deles, exibindo asas emplumadas imensas, eles murmuram embasbacados:
- Uma tenshi?
Porém, um sorriso cruel e igualmente sádico brota dos seus lábios delicados, fazendo-os ficarem apavorados, para depois, serem envolvidos por uma névoa magica translúcida que fez com que eles caíssem inconscientes.
Então, ela envolve cada um deles em esquifes de gelo, para depois, fazê-los flutuar com a sua magia, os levando até um dos compartimentos mágicos que abriu e onde jaziam outros dois esquifes.
Após condicioná-los no compartimento, ela o fecha e depois, o seu corpo se transforma em neve enquanto esmaecia gradativamente conforme os flocos de neve caíam no chão, desaparecendo em seguida sem deixar qualquer rastro da sua existência.
Algumas semanas depois, no aeroporto de Dominó, Mahaado e Mana aguardavam no salão, próximo do desembarque dos aviões, a chegada do amigo deles. Para evitar chamarem a atenção, eles usavam roupas casuais para se misturarem com a multidão, com eles podendo convocar as suas roupas originais em um passe de mágica se assim desejassem.
- Mestre Mahaado, o senhor Shaadii ainda vai demorar?
O mago olha para o relógio no pulso, para depois, comentar:
- O voo dele deve ter se atrasado. Ele adiantou a viagem em um dia, segundo Ishizu.
- Vocês conversaram bastante ontem. – ela comenta com um sorriso de canto olhando para o seu professor de magia e pai adotivo.
Ela sorri ainda mais ao vê-lo corar, com a cor sendo proeminente mesmo na pele bronzeada dele, para depois, ele pigarrear.
- Não sei o que está insinuando. Eu apenas estava comentando sobre as nossas descobertas e nossos planos de investigação.
- De fato, o início da conversa de vocês foi sobre isso, depois, foi sobre outros assuntos e não me refiro ao assunto envolvendo o irmão novo de Ishizu, o Mariki.
- Ela precisava de um ombro amigo. Mesmo sendo ciente da traição do seu irmão e o caminho tortuoso que escolheu por desconhecer a verdade, ele ainda é o amado irmão mais novo dela. Ela sofre muito ao ver o caminho que ele tomou para si, além da culpa que ela sente por ter estimulado isso indiretamente ao mostrar o mundo além das areias em que viviam. Ela acha que plantou a semente de tudo o que se sucedeu e dos acontecimentos futuros.
- Sim. Eu sei da culpa dela e lamento pelo que ocorreu. Mas, a conversa durou bastante tempo e foi bem além de um simples conforto. – ela fala com um sorriso ainda mais proeminente ao vê-lo corar novamente enquanto torcia para que ambos ficassem juntos ao contrário do passado em que não puderam ficar juntos no Egito antigo por causa dos seus cargos, com esta decisão sendo uma escolha pessoal de ambos.
Afinal, não havia nenhuma proibição por escrito que impedia os Guardiões sagrados de casarem entre si.
Então, os olhos de Mahaado se arregalam ao notar uma informação crucial na fala de Mana que o fez virar o seu semblante sério para ela, com o sorriso no rosto da bronzeada desaparecendo por completo enquanto começava a suar frio.
- Você deveria estar estudando naquele momento e não ouvindo escondida a ligação dos outros. Isso explica porque não conseguiu terminar a tempo os exercícios mágicos que passei para você.
- Ops.
- É "ops" mesmo. Quando chegarmos ao apartamento, você ficará de castigo.
- Isso é maldade. – ela fala fazendo beicinho.
- Pensasse nisso antes de sacrificar os estudos para espionar escondida a ligação dos outros.
Então, eles olham na direção geral ao ouvirem o anúncio pelo alto falante da chegada do voo vindo do Cairo e o portão onde ocorreria o desembarque.
Prontamente, eles se levantam e se dirigem até a saída.
Alguns minutos depois, os passageiros começam a sair pela porta, com eles avistando Shaadii em sua roupa tradicional composta de manto e túnica branca com um turbante da mesma cor contendo uma pena de falcão fincada nas dobras. Ele possuía o Sennenjou pendurado em seu pescoço enquanto jazia na sua mão direita, o Sennenbakari (balança do milênio).
- Como ele conseguiu embarcar com esses itens em suas mãos? Ele não é um mago como o senhor.
- Provavelmente, usou a magia dos itens para ocultá-los e confundir qualquer pessoa ou aparelho tecnológico como o detector de metais. Não é uma magia complexa, considerando o fato de possuir dois Sennen Aitemu em suas mãos. Principalmente, o Sennenjou. Ele pode ficar invisível ao entrar nos lugares, conseguindo fazer com que outros fiquem invisíveis se assim desejar. Esta é uma das habilidades mágicas concedidas ao portador deste item. É incrível o fato de ter passado no teste do Sennenbakari, também. Quanto ao teste do Sennenjou, não estou surpreso por ele ter passado. Afinal, ele é reencarnação de um dos Guardiões sagrados que era o portador do Sennenjou no Egito antigo.
- Verdade. Eu me esqueci. – ela comenta enquanto coçava sem jeito a nuca.
Ele sai das portas exibindo uma feição séria, para depois, sorrir ao avistar os seus dois amigos e ao se aproximar deles, os três se cumprimentam antes de Mahaado comentar:
- Ishizu me contou o que ocorreu. Eu oriento você a usar a magia do Sennenjou para ficar invisível quando for atrás dos culpados. Hoje em dia, muitos estabelecimentos têm câmeras de vigilância.
- Obrigado por me lembrar, meu amigo – ele olha para Mana e afaga gentilmente a cabeça da jovem – Você cresceu. Eu espero que esteja sendo uma aprendiza exemplar.
- Eu estou sendo, mestre Shaadii. – ela responde com um sorriso.
- Sim. Ela é. Desde que não sejam os momentos que ela foge dos estudos quando deseja espionar as minhas ligações, por exemplo.
Ela fica sem graça, batendo os indicadores dos dedos enquanto Shaadii sorria após abanar a cabeça para os lados:
- Ela ainda é jovem. Eu sei disso porque adotei muitas crianças. Com o tempo, ela se tornará responsável.
- Eu espero que chegue logo o tempo dela se tornar responsável. Por falar nas crianças, como elas estão?
- Bem. Eu também tenho problemas com alguns deles, mas a maioria é bem responsável. Eu deixei Diiva responsável por eles até eu voltar. Claro, eu possuo os meus subordinados para protegê-los, mas, cabe a Diiva garantir que eles estão estudando. Eu também tive que arranjar um celular via satélite com a ajuda de Ishizu. Diiva ficou responsável pelo outro telefone. Mas, ele sabe que somente pode usar para emergências.
- Eu também arranjei um com a ajuda dela e também uso somente para emergência.
- Eu também queria um celular via satélite. – Mana comenta chorosa.
- Quando você crescer, nós conversamos.
Mana dobra os braços na frente do corpo e faz biquinho enquanto bufava, fazendo os dois adultos revirarem os olhos.
- Como está a sua investigação?
- Eu consegui algumas informações interessantes. Podemos conversar agora ou depois que você cumprir a sua missão como Guardião do túmulo.
- Podemos conversar agora. Ademais, eu soube que só irei conseguir encontrar um deles amanhã. Pretendo partir depois do almoço.
- É uma ótima notícia. Poderei passar as minhas descobertas e podemos colocar a conversa em dia, meu amigo.
- Com certeza. – ele sorri enquanto consente.
Então, o trio se retira do aeroporto, com os dois adultos conversando enquanto a aprendiza de mago continuava emburrada.
Nesse interim, longe dali, no Game Shop, mais precisamente na cozinha, Yuugi estava tomando o café da manhã com o seu avô quando avista a manchete principal de um jornal que estava dobrado em cima da mesa, com ele acreditando pela manchete principal na primeira página, que o seu amado avô não tinha prestado atenção no jornal quando o pegou nas mãos antes de preparar o café da manhã porque se tivesse prestado atenção, estaria sentando comentando sobre a notícia.
- Uau! Encontraram a tumba de um Faraó no Egito e ela estava cheia de tesouros! – ele exclamava enquanto observava algumas fotos da tumba no jornal, além da foto que constava o professor universitário e arqueólogo Yoshimori e o chefe da expedição Kanekura que também era o curador do Museu de Dominó.
- O jornal fala quando eles pretendem fazer a exibição? Como foi o curador do museu da nossa cidade o chefe da expedição, provavelmente, seremos agraciados com esta exposição no museu da nossa cidade. – Sugoroku pergunta com um semblante ansioso, fazendo Yuugi sorrir porque ele sabia do imenso amor que o seu avô sentia por tudo que envolvia o Egito antigo.
- Parece que a exposição será inaugurada neste domingo no museu aqui da cidade. Deve ser interessante. Podemos ir nesse domingo. Afinal, só vou ter aula no próximo domingo.
- É uma ideia excelente.
- Eu vou convidar os meus amigos. Nós pretendíamos ir ao fliperama novo que inaugurou há alguns dias atrás, mas, acho que uma visita ao museu seria interessante, ainda mais com essa nova exposição.
- Com certeza. Podemos ir todos juntos.
- Sim.
Então, eles ouvem o telefone e o avô de Yuugi vai até o aparelho ao mesmo tempo em que o jovem fechava o jornal e voltava a apoiá-lo na mesa, para depois, começar a tomar o seu café da manhã enquanto ouvia a voz do seu avô ao telefone.
