Notas da autora

Yuugi fica surpreso quando...

Os amigos de Yuugi se encontram...

Yuugi decide...

Capítulo 77 - Convite

- Moshi moshi?

- Oh! Faz tempo! Como está o professor Arthur Hopkins (Arthur Hawkins)?

- Também faz algum tempo que não o vejo. Eu achei que ele estava junto de você nessa escavação.

- Que noticia maravilhosa! Claro que nós adoraríamos! – Yuugi observa o seu avô olhando para o calendário próximo do local onde ficava o telefone – Pode ser nesse domingo, depois do almoço?

- Ótimo! Mal vejo a hora de revê-lo. Além disso, estou ansioso para ver a exposição. Você sabe que o meu assunto favorito é o Egito antigo.

- Eu imagino. Foi uma grande vitória.

- Não estou surpreso pela sua opinião sobre Kanekura-san. O professor Arthur compartilha dessa mesma opinião. Eu acho que não há um único arqueólogo que não compartilha dessa opinião. Mas, eu acho que é algo usual dentre os homens que ocupam essa posição.

- Verdade. E quanto a sua esposa e filhos?

- Bem, você escolheu seguir os seus sonhos e esse sonho fez com que tivesse que fazer uma escolha. Infelizmente.

- Eu nunca iria permitir que a minha paixão por algo ficasse acima da minha família. No seu lugar, eu não as teria sacrificado. Claro, é a minha opinião.

- Eu não acho que seja tarde. Se você refletiu e percebeu que não devia ter feito tal sacrifício, você tem a capacidade de remediar o que aconteceu nesses anos todos.

- Eu não tenho dúvida.

- Eu imagino o trabalho. Na expedição que fiz com o Kyouju (教授 – professor universitário) Arthur, eu fiquei de ajudá-lo com essa parte.

- Então, até amanhã, meu amigo. – ele encerra a ligação ao se despedir e se aproxima da mesa.

Yuugi que ouviu tudo, pergunta:

- Quem era?

- O Kyouju Yoshimori. Ele é um amigo meu.

O jovem fica estupefato e pergunta em tom de confirmação:

- O que apareceu no jornal?

- Sim. Ele nos convidou para ir ao museu. Eu consegui encaixar o mesmo horário que havíamos combinado e como estamos sendo convidados, com ele nos esperando em frente ao museu, não precisaremos pagar a entrada.

- Vou convidar os meus amigos!

- Só os avise do dia e horário. – Sugoroku falava enquanto sorria.

- Pode deixar. – ele fala dando um grande sorriso amável, fazendo com que o avô sorrisse também.

Após terminar de tomar o café da manhã, ele caminha até o ponto de ônibus e no caminho, encontra Yukiko, Nuru e Kisara que se juntam a ele. Jounouchi e Honda se encontram no ponto de ônibus e os cumprimentam com ambos pegando o transporte até o colégio enquanto que Jounouchi e Nuru estavam de mãos dadas ao mesmo tempo em que ambos coravam sobre o sorriso dos seus amigos.

Eles comentam sobre algumas lições, comparando resultados, com Hanasaki subindo alguns pontos depois deles e ao avistá-los, os cumprimenta enquanto se aproximava, para depois, todos descerem em frente à instituição de ensino.

No intervalo da manhã, eles se reúnem em torno de Yuugi, que fala:

- O que acha de irmos amanhã a uma exposição egípcia no museu de Dominó? Será na parte da tarde. Ás treze horas.

- Com certeza, será interessante. – Kisara comenta com um sorriso.

- Eu não duvido disso. O jii-chan adora tudo o que envolve o Egito antigo, né? – Nuru pergunta em tom de confirmação, olhando para o seu amigo de infância que consente.

- Sim. Ele está bem empolgado. Eu também confesso que tenho um grande interesse por causa das histórias do meu jii-chan. Há alguns anos, atrás, eu conheci um grande amigo dele, que também é arqueólogo. É um professor também e se chama Arthur Hopkins. Ele até levou o meu jii-chan em uma das suas expedições.

- Uau! Incrível é pouco! – Hanasaki exclama animado.

- Eu não sabia que o jii-chan adorava esse assunto. – Jounouchi comenta olhando para a sua amada.

- Você precisa ver a paixão nos olhos dele quando fala sobre o Egito antigo! – Nuru exclama animada, para depois, corar com o olhar do seu namorado.

- Inclusive, o Buruuaizu Howaito Doragon (Blue-Eyes White Dragon) do meu jii-chan foi um presente que o próprio professor universitário Arthur Hopkins deu para ele.

- Esse professor abriu mão de um card tão raro? Isso é inacreditável. – Hanasaki comenta com espanto em seu rosto e que era compartilhado por Jounouchi e Honda.

Afinal, ao contrário das gêmeas, da albina e de Yuugi, eles não conheciam a história por trás desse gesto.

- Ele deu este card após eles sobreviverem ao desmoronamento do teto de uma câmara que ficava embaixo da areia. Eles haviam entrado naquele local para investigar os hieróglifos e alguns entalhes nas colunas, assim como uma parte remanescente de uma parede. De repente, o teto desabou em uma parte do túnel e fechou a entrada deles, deixando-os presos naquele local com um lampião a gás e com dois cantis de água que não estavam cheios. Com o passar das horas, havia restado apenas um gole de água de um dos cantis. O professor Arthur-san propôs jogarem Duel Monsters para disputar o resto da água e para passar o tempo. Como eles tinham uma lamparina remanescente, eles conseguiriam enxergar os cards. O meu jii-chan iria vencer o jogo quando o professor desmaiou na sua frente. Prontamente, ele o ajudou a beber o resto da água para que pudesse sobreviver por mais tempo. De fato, esse gole salvou a vida dele, permitindo que ele sobrevivesse até o resgate. Como prova de gratidão e amizade, ele entregou o seu Buruuaizu Howaito Doragon ao meu jii-chan.

- Nossa! Eu não sabia disso. – Honda comenta com visível surpresa em seu semblante.

- O seu jii-chan foi um herói aquele dia. Ele salvou a vida dele. – Jounouchi comenta com admiração em seu semblante.

- Foi um gesto nobre e altruísta da parte dele. – Hanasaki comenta com um semblante admirado.

- Sim. Ele estava muito fraco naquele momento.

Enquanto conversavam, Jounouchi ignorava por completo o olhar de inveja dos estudantes ao verem ele junto de uma das maiores beldades daquele colégio, assim que eles entraram de mãos dadas.

O loiro a amava não pelo fato dela ser considerada uma das beldades daquele colégio e sim, pelo caráter e personalidade dela, assim como o seu sorriso e lindos olhos carmesins tão incomuns que envergonhavam o mais belo rubi enquanto que a pele bronzeada dourada a tornava uma joia rara.

Inclusive, ele havia ido à casa da jovem para pedir autorização dos pais dela para namorá-la ao descobrir o quanto eles eram tradicionais. Nuru havia falado que eles prezavam a honra e o respeito acima de tudo e ao pedir a mão dela em namoro, estaria agindo com honra e respeito, além de ser evidente o quanto eles se preocupavam com as filhas apesar de ambas serem mestras no estilo Hiten Mitsurugi Ryuu e no estilo dragão.

Após o jantar, respondendo respeitosamente algumas indagações dos pais dela, ele fez formalmente o pedido e ficou feliz pelos genitores dela aceitarem o namoro, com ele sendo obrigado a seguir algumas regras que concordou de imediato, arrancando outro sorriso de satisfação do rosto dos pais da bronzeada.

Katsuya sai das suas recordações com a voz de Yuugi:

- O professor universitário Yoshimori-san que descobriu a tumba é amigo do meu jii-chan. Ele nos convidou essa manhã por telefone. Nós podemos entrar de graça ao encontrá-lo em frente à entrada do museu.

- Eu ouvi o meu otou-san (pai) comentando sobre o anúncio da descoberta dessa tumba e o nome de um dos responsáveis era Yoshimori, um professor universitário. Então, ele é amigo do seu jii-chan. De fato, vivemos em um mundo pequeno. – Honda comenta e depois, olha para Yuugi – Eles encontraram uma múmia, certo?

- Sim. Além dos tesouros, havia a múmia e os recipientes usados para colocar alguns dos seus órgãos como parte do ritual de mumificação.

- Uma múmia?! Eu não quero ser amaldiçoado! – Jounouchi exclama enquanto exibia um semblante aterrorizado, com um suor frio escorrendo pelo seu rosto conforme se recordava dos filmes de terror que envolvia maldições e múmias.

- São somente mitos, Jounouchi-kun. Não se preocupe. – a bronzeada pega na mão dele e a aperta levemente, com o loiro olhando para a sua namorada que sorria de forma confiante, o acalmando.

- É que eu tenho muito medo, Nuru-chan... – ele vira o rosto para o lado enquanto corava ao se sentir envergonhado – Eu sei que é vergonhoso um homem agir dessa maneira e é esperado que...

Ela leva gentilmente o dedo indicador nos lábios dele, o silenciando enquanto exibia um sorriso terno, para depois, falar:

- Isso é uma besteira. Todos sentem medo de algo. Não é nenhuma vergonha sentir medo. Inclusive, dependendo da situação, o medo é benéfico porque nos impede de cometer atos que podem levar a sérios ferimentos e até a morte. Aquele que afirma não temer nada e fala que é assim que um homem de verdade age, não passa de um tolo. O medo é necessário, desde que não seja um medo irracional ou um medo em forma de fobia que o impede de viver a vida. Nesse caso, o medo se torna um malefício porque prejudica a vida da pessoa.

Ele olha para ela, exibindo surpresa em seu semblante, para depois, sorrir aliviado enquanto falava:

- Eu fico feliz em saber disso porque eu acho que nunca me livrarei do medo que sinto pelas múmias.

- Está tudo bem. – a bronzeada fala ao mesmo tempo em que consentia, fazendo o loiro sorrir.

- Bem, o Egito antigo é místico, além de ser misterioso. Até hoje, não conhecemos todos os aspectos da vida do povo e muitas construções sofreram danos nas mãos dos homens, das guerras e do tempo. Infelizmente. – a prateada comenta após suspirar.

- Yuugi-kun, o seu Sennen Pazuru é do Egito antigo, né? Você comentou uma vez para mim. – Hanasaki pergunta com um semblante curioso e em tom de confirmação.

- Sim. O meu querido Sennen pazuru é o meu tesouro. – o jovem fala com um sorriso no rosto enquanto segurava gentilmente o item dentre as suas mãos.

- O seu jii-chan não comentou no passado que os arqueólogos que o encontraram tiveram mortes misteriosas? – a albina pergunta enquanto sabia que aquela não era a explicação verdadeira da origem do item.

Prontamente, o loiro fica aterrorizado com esta informação, para depois, perguntar desesperadamente para o seu amigo:

- Não pode ser! Yuugi! Você está bem?! Você não está amaldiçoado, né?

- Claro que não estou amaldiçoado!

- Tem certeza?

- Sim. Eu não estou amaldiçoado.

- Não se esqueça, Jounouchi. Você tocou a caixa dourada. Portanto... – Hiroto comenta com um sorriso de canto ao ver o semblante do loiro ficar pálido.

Levou vários minutos de persuasão da bronzeada para o loiro sair do estado apavorado que ele ficou ao ser lembrado sobre este detalhe.

Enquanto Nuru procurava confortar Jounouchi, Yuugi começa a pensar consigo mesmo, ainda segurando o Sennen Aitemu em suas mãos:

"Se bem que desde que solucionei este enigma, há vezes em que eu sinto que as minhas memórias não são reais, pelo menos, em um determinado período de tempo, além de alguns episódios esporádicos em que eu perco a memória. É melhor eu não contar para eles porque não desejo que fiquem assustados."

Nesse interim, a prateada suspira ao olhar na direção da carteira que Seto ocupava anteriormente. Nos últimos tempos ela havia ficado vazia e isso ocorreu após o dia que Yuugi trouxe o card do seu avô ao colégio. Kisara confessava que estava muito preocupada com o sumiço dele apesar de saber que ele estava bem pelo pouco que saia nos jornais e revistas.

Todas falavam sobre o fato do mais jovem CEO do mundo estar envolvido na criação de uma nova atração ao transformar a empresa de pesquisas bélicas e de armamento em uma empresa de jogos e atrações, conseguindo fazer a transição sem intercorrências após o suicídio do pai adotivo dele, que estampou inúmeras páginas sensacionalistas de jornais e revistas. Muitos atribuíam este ato pelo filho mais velho ter tomado à empresa Kaiba, que foi construída e erguida pelo próprio Gozaburu. Muitos jornalistas afirmaram em suas matérias que a tomada da empresa dele por um golpe certeiro de Seto, acabou por motivar o antigo CEO a se jogar pela janela do último andar onde eram realizadas as reuniões entre ele e os membros da diretoria. Para estes jornalistas, a ideia de perder a sua empresa para alguém que não passava de um adolescente foi um golpe demasiadamente brutal para o orgulho de Gozaburu, considerando o fato de ser muito orgulhoso conforme o que foi demonstrado em inúmeras entrevistas.

Claro que este último era apenas fofoca baseada em boatos enquanto que o motivo do suicídio parecia plausível ao mesmo tempo em que os Conselheiros e Seto não se pronunciaram sobre as causas do suicídio ou se houve algumas últimas palavras antes dele se jogar pela janela que ia do chão até o teto.

Inclusive, os mesmos jornais e revistas noticiaram sobre o descontentamento do conselho pelo fim do desenvolvimento de armas e de pesquisas bélicas para que a empresa se dedicasse apenas a indústria de jogos e de atrações.

Sobre a nova atração desenvolvida imersa em segredos e supervisionada pessoalmente pelo próprio CEO, havia boatos e conjeturas do que seriam essas atrações que pareciam ocupar um prédio inteiro e cuja obra se encontrava adiantada, considerando a data que forneceram para a inauguração enquanto que as atrações eram mantidas em segredo absoluto apesar de alguns tabloides claramente sensacionalistas, comentarem sobre o boato do desaparecimento de algumas pessoas envolvidas em algumas das atrações e o aparente aparecimento de alguns moradores de rua que foram encontrados tomados pela loucura, algumas quadras depois desse prédio e que balbuciavam sobre monstros além de gritarem de forma histérica, acabando por serem internados em instituições psiquiátricas.

Claro que por serem tabloides notoriamente sensacionalistas, não havia sido dado um reconhecimento maior e muitos consideravam uma tentativa inútil de conseguir popularidade porque a futura atração havia sido anunciada como sendo composta de jogos para todas as idades e que teriam jogadores VIP´s que seriam os primeiros a entrarem nas atrações no dia da sua inauguração, além de contar com um jogo de Duel Monsters no final, segundo alguns boatos.

Kisara era plenamente ciente, assim como a sua irmã e amigos, que a empresa internacional Kaiba era dona da cidade de Dominó apesar de muitos tratarem essa informação como um boato puramente sensacionalista porque para muitos, não havia como uma empresa dominar toda a cidade.

Ela suspira novamente enquanto imaginava se um dia ele iria voltar ao colégio, ainda mais ao saber que Seto havia conseguido a emancipação para garantir a capacidade civil, o que podia ser considerado necessário pelo fato de ter se tornado um CEO.

Afinal, era necessária essa emancipação para que pudesse assinar documentos e tomar outras decisões legais ao possuir todos os direitos de um adulto que vinham atrelados aos deveres.

Além disso, com tanto dinheiro que possuía, ele poderia estudar em casa e conseguir o diploma sem frequentar um colégio, levando-a a questionar o motivo de ter se dado ao trabalho de permanecer no colégio mesmo após se tornar o novo CEO.

Então, decidindo que não adiantava ficar pensando sobre isso e que devia considerar a ideia de que nunca mais iria vê-lo pessoalmente, ela volta a se concentrar na conversa entre eles enquanto gerenciava a tristeza profunda que a acometia ao mesmo tempo em que não conseguia compreender porque se sentia assim em relação a alguém que sequer trocou alguma palavra.