Notas da autora

Yuugi fica...

Atemu se encontra...

No museu...

Capítulo 78 – Museu de Dominó

No domingo, Sugoroku e o seu neto estavam parados em frente ao museu de Dominó, esperando a chegada dos seus amigos no ponto de encontro.

Eles ouvem passos e ao olharem na direção do som, avistam Jounouchi e Nuru conversando animadamente um com o outro, com a bronzeada corando enquanto o loiro sorria completamente hipnotizado pela jovem. Kisara vinha logo atrás conversando com Shizuka que também trocava palavras com Hanasaki enquanto Honda, ao lado deles, corava intensamente sempre que ficava olhando para a garota de cabelos alaranjados ao mesmo tempo em que se amaldiçoava mentalmente por não conseguir falar nada coerente na frente da irmã do seu melhor amigo.

- Quem é aquela jovem, Yuugi?

- É a Shizuka-chan. Ela é imouto do Jounouchi-kun. Estou surpreso por vê-la, considerando a mãe super controladora que ela tem.

- Oh! Pobre garota. Não desejo uma mãe dessas para ninguém. Uma vez conheci uma que era mãe de um amigo meu quando eu era mais jovem. Era simplesmente assustadora, além de absurdamente controladora. Eu tinha muita pena do meu amigo.

- Eu tive a chance de testemunhar isso com a mãe dela e de Jounouchi-kun.

Então, neto e avô olham para o outro lado e avistam Yukiko se aproximando.

Ela cumprimenta o grupo que se aproximava do local, antes de se dirigir para o Yuugi e o seu avô.

- Konnichiwa! – a albina exclama para eles, com todos os outros os cumprimentando também.

- Konnochiwa. – Shizuka fala timidamente.

- Fico feliz em ver que conseguiu vir. – o jovem de cabelos tricolores comenta com o seu típico sorriso no rosto ao olhar para a alaranjada.

- Ultimamente, a okaa-san (modo formal de se referir a mãe) tem me controlado menos. Ela parece um pouco distraída nesses dias. Eu também fiquei surpresa por ela não falar nada quando eu disse que viria ao museu. Eu esperava um inquérito completo. – a jovem olha para Sugoroku e se aproxima para vê-lo melhor – O senhor é o Sugoroku Mutou-san, certo?

- Sim. Que bom que pode vir. Vamos encontrar um amigo meu.

- Faz tempo que não frequento um museu.

- Vamos esperar mais um pouco. O meu amigo ficou de nos encontrar aqui. – Sugoroku comenta olhando para a jovem, para depois, olhar para os lados procurando o seu amigo.

Enquanto isso, um sorriso permanecia no rosto da albina, com o mesmo surgindo após a menção de Shizuka da reação da sua mãe.

Afinal, ela ainda usava magia contra a mulher, depois que ela intimidou aquele que via como um filho querido e confessava que era divertido ver alguém tão controlada se questionando se não estava perdendo a sanidade ao surgir ilusões esporádicas em seu campo de visão.

Inclusive, ela sabia que a mulher estava passando com um psiquiatra e os remédios faziam com que ela perdesse um pouco o foco, fazendo com que a irmã de Katsuya pudesse ter mais liberdade sem o extremo pulso controlador da genitora como consequência do uso dos medicamentos.

Nesse interim, Jounouchi olha para Yuugi que usava o uniforme do colégio e suspira, para depois, comentar, não acreditando no que via:

- Yuugi... Não use o seu uniforme no domingo que não temos aula.

- Por que não? – ele pergunta inclinando a cabeça fofamente para o lado.

Antes que o loiro pudesse responder, uma voz irrompe próximo deles. Todos olham para a origem dela e avistam dois homens se aproximando deles, com o que estava mais na frente, cumprimentando o avô do jovem de cabelos tricolores:

- Mutou-san!

Suguroku ri levemente em sua risada digna de um papai noel e exclama em seguida:

- Aí está ele!

- Quanto tempo! Que bom vê-lo novamente. – o professor fala enquanto sorria.

- Obrigado por nos convidar para a exposição. Eu estou muito animado.

- Eu imagino. Eu me lembro, perfeitamente, do quanto você é entusiasmado pelo Egito antigo.

Sugoroku se vira para os jovens e apresenta o professor.

- Deixe-me lhes apresentar. Este é o Kyouju (教授 – professor universitário) Yoshimori.

- Hajimemashite (Prazer em conhecê-los)! – o homem fala com um sorriso gentil no rosto.

Todos o cumprimentam formalmente ao se curvarem levemente, para depois, o loiro falar:

- Uau! Você ficou famoso com aquela escavação ao descobrir a tumba de um Faraó.

Então, o outro homem que estava um pouco mais atrás, se aproxima. Ele usava um chapéu, além de um terno na cor parda, com o professor o apresentando:

- Ah, sim! Este é o proprietário do museu. Foi ele que financiou as escavações e está patrocinando a exposição.

- O meu é Kanekura. Bem-vindos ao meu museu!

Então, ele se aproxima e sussurra na orelha do professor universitário:

- Yoshimori-san, pergunte a eles sobre aquela coisa que falamos.

- Ah... claro – ele olha para o seu amigo – Mutou-san, você me disse mais tarde no dia que liguei, que o seu neto solucionou o Sennen Pazuru. Você estava tão empolgado com o meu convite que se esqueceu de comentar na ligação.

Ele dá a sua típica risada digna de um papai noel e fala:

- Verdade. Eu estava muito empolgado pelo convite e esqueci-me de comentar. Afinal, eu contei que dei o item de presente para o meu neto e prometi a você e ao Hopkins-san que os comunicaria, caso o meu neto resolvesse o Sennen Pazuru.

- Então, você é o Yuugi-kun! - Kanekura exclama extasiado ao ver o item completo e pendurado no pescoço do jovem - É ele! O lendário Sennen Pazuru! Você tem que mostrá-lo para mim!

Yuugi fica sem jeito e retira o item, com o homem o pegando em suas mãos enquanto exclamava:

- Isto é maravilhoso! Uma peça tão importante da história faraônica e está pendura no seu pescoço!

Vendo a confusão na face do neto do seu amigo, o professor explica gentilmente:

- O Kanekura-san ganha a vida no mercado de artes. Ele tem faro para antiguidades.

"Uau! É tão valioso assim?" – Yuugi pergunta a si mesmo em pensamento.

- Yuugi-kun! Eu lhe imploro! As pessoas tem que ver isto! Deixe-me exibi-lo na exposição!

- O quê?!

- Por favor! – ele exclama, se curvando levemente.

"O que eu faço? Não posso me separar do meu tesouro por tanto tempo." – ele pensa consigo mesmo.

Em virtude do seu coração gentil e prestativo, ao olhar para o semblante expectante do homem, ele suspira profundamente e depois, fala ao olhar para o diretor:

- Bem... e se fosse só por um dia?

- Ah... Claro! Um dia é o bastante! – Kanekura exclama.

Yuugi suspira aliviado por ele ter aceitado apenas um dia porque ele não conseguiria ficar afastado do seu tesouro por mais de um dia.

Sem que ninguém percebesse, o homem olha com ganância para o objeto enquanto se regorjeava em pensamento por tê-lo em suas mãos após dar uma leve risada mental de deleite:

"Um dia é o bastante..."

Na câmara de alma de Atemu, ele suspirava pesadamente, para depois, enrugar a testa em intensa preocupação pelo ato do seu amado.

Quando ele viu aquele homem exaltando o objeto ao ponto de Yuugi permitir que o pegasse em suas mãos, o Faraó havia previsto amargamente que aquele que amava, em virtude do seu coração gentil e altruísta, iria permitir a exposição do item juntamente com o fato dele estar ficando cada vez mais resistente a sua magia, algo que era esperado considerado os momentos em que ele foi obrigado a assumir o corpo dele para salvá-lo. A magia que fazia com que o seu anfitrião carregasse o item consigo estava enfraquecendo gradativamente e o coração gentil do seu amado apenas o prejudicou nesse momento ao fazê-lo concordar com um empréstimo.

O espírito conseguiu sentir claramente o encerramento de parte da sua conexão com o seu amado assim que o item foi separado do corpo dele.

O motivo da sua preocupação era em decorrência do fato de que ele precisava do contato do objeto com o seu anfitrião para fazer a troca, visando salvá-lo caso estivesse em perigo.

Agora, Atemu nada podia fazer para ajudar ou salvar o seu amado.

Claro, ainda podia sentir e ver o que Yuugi via, mas, as suas ações estavam drasticamente limitadas e isso o preocupava exacerbadamente.

Claro, o jovem estava rodeado dos seus amigos e tinha as gêmeas, além de Yukiko para protegê-lo, mas, tudo podia ocorrer, inclusive, longe delas, fazendo com que ficasse sem qualquer proteção. Mesmo algumas horas de afastamento do item e a consequente incapacidade de defender o seu amado, deixava o espírito angustiado porque tudo o que podia fazer era ver e ouvir. Naquele momento e até o fim da tarde, precisaria depender deles para defenderem o jovem enquanto orava aos Deuses para que nada acontecesse e se fosse para acontecer algo, que ao menos ocorresse quando ele estava na companhia delas.

Conforme se lembrava do homem, a desconfiança que o tomava em relação à Kanekura ainda persistia e se intensificava gradativamente.

Afinal, algo naquele homem lhe inspirava intensa desconfiança e igual receio. Quando o objeto foi colocado nas mãos do diretor do museu, o Faraó não pode deixar de sentir repulsa pelo toque dele no item e o sentimento combinado de raiva por um motivo que não compreendia por completo enquanto cogitava se era algo relacionado a magia do objeto, embora pudesse ser originário também da sua aversão inicial pelo homem assim que o olhou através dos olhos do seu amado.

Claro que ele se inclinava para a hipótese de poder do item e não algo oriundo de uma aversão inicial embora a sensação ainda persistisse, com Atemu orando aos Deuses para que fosse apenas impressão sua e que nada aconteceria ao item, com ele voltando para as mãos do seu amado dali a algumas horas.

Afinal, não havia nada que o espírito pudesse fazer, além de orar aos Deuses.

Longe dali, mais precisamente em um apartamento, Mahaado, Mana e Shaadii estavam terminando de almoçar.

Então, a bronzeada pergunta ao ver que o portador de dois Sennen Aitemu terminava de almoçar:

- O senhor já está indo, tio Shaadii?

- Sim. Eu preciso punir duas pessoas ainda hoje embora eu tenha o pressentimento que serão mais de duas.

- Então, com certeza, serão mais do que duas, meu amigo. Sobre essa exibição, o fato de expor aquele Faraó... Eu sinto por ele. O descanso lhe foi negado. – Mahaado suspira profundamente.

- Pobrezinho. – Mana fala em um suspiro.

- Infelizmente, cada vez mais surgem aqueles que desejam ardentemente saquear o passado e buscar por tesouros sem qualquer consideração, com muitos destes bastardos sendo motivados pela ganância. Principalmente no mercado negro de antiguidades. – Shaadii fala após terminar de sorver o conteúdo da bebida em seu copo.

- Põe bastardos nisso... Você acredita que eles pertencem a este tipo?

O egípcio de turbante na cabeça apoia o copo na mesa, para depois, falar:

- Eu tenho certeza em relação a aquele Kanekura pelo que Ishizu me contou das investigações que ela fez e o que descobriu através do poder do seu Sennen Tauku. Quanto ao outro, mesmo que ele não contemple grupos de venda de itens, isso não o exime do crime que cometeu ao privar aquele Faraó da sua dignidade e descanso.

- Imagino que Ishizu irá denunciá-lo formalmente.

- Sim. Mas, ela disse que o processo era lento e que ficava feliz por eu puni-lo adequadamente pelos crimes que cometeu. O ato de denunciar é apenas um procedimento formal que ela é obrigada a fazer se descobrir algo envolvendo o mercado negro de antiguidades.

- Verdade.

Mana não apreciava as punições, mesmo perante os malfeitores, mas, respeitava e compreendia as concepções do seu mestre e do tio Shaadii, como o apelidara quando era pequena.

Ademais, o portador dos dois Sennen Aitemu fazia parte dos Guardiões do túmulo embora pertencesse a outro clã, diferente daquele que Ishizu e Mariki pertenciam.

Inclusive, a bronzeada não ficou surpreso pelo que soube de Ishizu em relação a esse assunto porque sabia que compartilhava da mesma visão deles sobre a punição de malfeitores e criminosos, assim como daqueles que violavam tumbas.

Afinal, ela também pertencia ao clã dos Guardiões da tumba.

A aprendiza de mago sai dos seus pensamentos ao ouvir o barulho de cadeiras, avistando Shaadii se levantado seguido do seu pai adotivo e mestre de magia, com ela se levantando também.

- Após puni-los, eu vou retornar. Ainda não terminamos de colocar a conversa em dia, meu amigo.

- Com certeza. Até mais, meu amigo.

- Até, tio Shaadii! – Mana exclama empolgada.

O bronzeado consente, sorrindo gentilmente enquanto o mago balançava a cabeça para os lados ao mesmo tempo em que exibia um sorriso divertido.

- Até. Eu volto até o fim da tarde.

- Não se esqueça das câmeras de segurança. É inevitável o surgimento de uma investigação da polícia em virtude das mortes.

- Eu agradeço por me lembrar.

Então, ele se retira do apartamento enquanto o mago e a sua aprendiza observavam a saída dele.

Longe dali, mais precisamente dentro do Museu de Dominó, Jounouchi exclamava fascinado ao ver as antiguidades expostas dentro de caixas protetoras de vidro reforçado:

- Uau! Então, todas essas coisas pertencem a quem as encontrou?!

O professor ri levemente, para depois, falar com um sorriso jovial no rosto:

- Isso seria ótimo! Até o ano de mil novecentos e vinte e um, o escavador podia ficar com metade dos artefatos que encontrasse. Mas, agora, eles pertencem ao Conselho supremo de antiguidades do Egito porque possuem propriedades culturais. A venda de artefatos é ilegal porque são preciosos demais. O homem que descobriu o famoso tesouro de Tutancamon, não ficou com nenhuma das peças que encontrou, por exemplo.

- Entendo... Eu pensei que os arqueólogos fossem caçadores de tesouros com o sonho de ficarem ricos. – Katsuya comenta.

O professor dá uma leve risada, para depois, falar:

- Isso só acontece nos filmes. A arqueologia é uma das profissões mais mal pagas. Mas, quando você abre a porta para um pedaço da história que ninguém nunca viu antes após vários anos de pesquisas, há uma empolgação que não se pode descrever. É isso o que me move!

- Bem, eu peço licença a vocês por alguns minutos porque vou colocar o Sennen Pazuru em exibição – Kanekura comenta enquanto se afastava com o Sennen Aitemu em suas mãos – Fiquem a vontade. Divirtam-se.

Após o diretor do Museu se afastar, Yuugi pensava consigo mesmo enquanto era tomado por uma sensação de tristeza inexplicável que surgiu assim que retirou o item do seu pescoço e que conforme ficava longe dele, parecia se intensificar:

"De alguma forma, eu me sinto estranho sem o Sennen Pazuru...".

A voz de Jounouchi o tira dos seus pensamentos e o afasta da sensação que o tomava gradativamente:

- Isso é incrível, Yuugi! O seu tesouro vai ficar famoso!

O jovem de orbes ametistas coça a nuca e dá uma leve risada, para depois, perguntar:

- Você acha isso?

- Vamos tirar uma foto na frente dele depois, Yuugi-kun, quando ele for colocado em exibição. – Hanasaki comenta com um sorriso no rosto.

- Sinto muito, Yuugi-kun. Eu sei que você não queria emprestá-lo a ele. – Yoshimori se desculpa enquanto se sentia culpado por ter comentado do Sennen Pazuru para o diretor em um momento de empolgação por parte dele, pelo fato do item ter sido montado.

- Tudo bem. É só por um dia. – Yuugi fala com o seu típico sorriso adorável.

- Essa expedição não teria acontecido sem o Kanekura-san. Portanto, não estou em posição de reclamar. Porém, ele é um pouco egocêntrico, ás vezes.

Enquanto eles conversavam, todos olhavam com fascínio para as descobertas e para os murais contendo hieróglifos e ilustrações.