Notas da autora
Jounouchi consegue...
Yukiko fica...
Yuugi está...
Capítulo 79 – Shaadii
Eles se focam naquele momento em um quadro com vidro que continha dentro dele um pedaço de papiro, com o Kyouju (教授 – professor universitário) Yoshimori explicando:
- Esta é uma cena desenhada em papiro mostrando o "peso do coração", o julgamento dos mortos. O juiz é o Deus Osíris. Aquele a esquerda é o Deus Anúbis. Anúbis leva as almas até Osíris que pesa os atos dos mortos em uma balança. Se a balança pesar para o lado das boas ações, eles passam para a além-vida. Mas se a balança pesar para o lado das más ações, eles são entregues para Ammit, "o devorador".
- Ele é um Enma egípcio! – Honda exclama surpreso.
- Bem, ele é um juiz dos mortos, assim como o juiz Enma em nossa cultura. – Shizuka comenta enquanto olhava atentamente os hieróglifos.
- De fato, tem lógica essa comparação. – Hanasaki fala consentindo.
- E aqui temos a múmia! – o professor exclama em um misto de animação e orgulho pela sua descoberta.
- Temos mesmo que ver a múmia?! – Jounouchi exclama com um semblante aterrorizado – Vamos embora! Se ficarmos olhando, vamos ser amaldiçoados!
Nuru aperta levemente a mão do seu amado que olha para ela, que exibe um sorriso gentil, para depois, falar:
- Eu estou com você. Além disso, são somente lendas. Se mesmo assim sentir medo, eu estarei ao seu lado para confortá-lo. Pode contar comigo.
- Obrigado, Nuru-chan – ele responde a olhando com olhos amorosos, para depois, olhar para frente e inspirar profundamente.
Então, ele sente uma mão gentil pousar em um dos seus ombros e ao olhar na direção da mão, ele vê Shizuka, sorrindo gentilmente enquanto exibia um olhar caloroso, para depois, falar:
- Eu também estou com você, onii-chan. Pode contar comigo.
Ela segura a outra mão dele, a apertando levemente, fazendo o loiro sorrir imensamente, para depois, ser tomado pela coragem graças aos atos delas e lentamente, ele se aproxima da múmia enquanto que Yoshimori falava gentilmente para Katsuya após dar uma leve risada:
- Essa história de maldição não existe.
Após olhar por alguns minutos, apertando levemente as mãos delas enquanto ele suava levemente, eles se afastam, com ambas elogiando o loiro ao mesmo tempo em que os amigos deles passaram a olhar para alguns objetos no entorno.
Yuugi estava fascinado pela múmia e continuou olhando para ela, com as duas mãos apoiadas no vidro quando percebe que alguém parou ao seu lado. Era um homem bronzeado com uma túnica branca e um turbante da mesma cor, com uma pena fincada em uma das bordas. O jovem notou dois itens com ele. Um deles estava pendurado em seu pescoço por uma corda e era dourado, possuindo a forma do símbolo egípcio de alma, segundo o que se lembrava das histórias do seu amado avô sobre o Egito antigo e o outro item, que estava em cima de uma de suas mãos, possuía uma superfície escura com detalhes dourados além de dois pratos de ouro em perfeito equilíbrio, com Mutou ficando curioso ao ver o símbolo do olho de Wadjet no centro da balança, assim como era no seu tesouro.
Porém, o que o deixou surpreso e depois, com pena, foi ver o homem vertendo lágrimas enquanto olhava para a múmia em exibição.
- Por que o senhor está chorando?
Shaadii percebe o jovem ao seu lado e vira o rosto momentaneamente para ele, para depois, voltar a olhar para o sarcófago aberto e que estava parcialmente de pé com a múmia dentro dele, com Yuugi podendo ouvir o pesar na sua voz:
- Estas lágrimas não pertencem a mim. Essa forma enrugada é como se fosse um boneco de poeira. Mas ele ainda é o Faraó eterno. O seu espírito continua vivo com o seu nome. Até mesmo o descanso eterno lhe foi negado. A dor da sua alma se transformou em lágrimas que descem pelo meu rosto.
O jovem torna a olhar para o objeto que lembrava uma balança e pensa consigo mesmo:
"Que esquisito... Ele está carregando uma balança."
Então, Shaadii afaga a cabeça do jovem enquanto falava, exibindo um sorriso gentil:
- Você é um menininho muito amável.
Após se refazer da surpresa do gesto inesperado do homem, as bochechas de Yuugi bufam, para depois, ele exclamar indignado em pensamento:
"Menininho"? Eu já estou no ensino médio! "Que egípcio estranho."
Então, ele vai até os seus amigos, com Yukiko sendo a que estava mais perto dele e que tinha assistido discretamente a interação dele com Shaadii.
- Ei, Yukiko-chan, eu vi um egípcio.
Ela finge uma face confusa e fala:
- Um egípcio? Eu não vi.
A albina não gostava de mentir para o seu amigo.
Porém, ela foi obrigada a mentir que não o viu porque sabia que Shaadii estava usando a magia dos Sennen Aitemu para ficar invisível para as câmeras de segurança, além de desejar evitar que o seu amigo fizesse mais comentários sobre ele para o caso de alguém ouvir e levar esse comentário para os policiais, quando fosse aberta uma investigação policial pelas mortes naquele museu enquanto agradecia o fato de que Yuugi iria encontrá-lo no salão que continha as exposições, impedindo assim que houvesse qualquer impressão digital ou vestígio do jovem no local das mortes.
Afinal, iria demorar um pouco para sair o laudo do óbito de ambos onde constará como natural a causa da morte deles, fazendo a policia encerrar as investigações.
Ademais, assim que Yuugi tivesse o Sennen Pazuru em suas mãos, Atemu iria usar a sua magia e a do item para manipular as câmeras de segurança e a memória dos funcionários que o avistaram para apagar qualquer evidência do jovem entrando no museu após ele fechar, depois do encontro do Faraó com Shaadii.
Enquanto isso, o jovem de cabelos tricolores havia ficado surpreso pela sua amiga não ter visto o homem e quando se preparava para tentar compreender porque eles não o haviam visto, Jounouchi exclama ao mesmo tempo em que apontava para onde estava o Sennen Aitemu do seu amigo:
- Ei! Olhem! Ali! O Sennen Pazuru do Yuugi está naquela vitrine!
- Verdade? – o jovem sai dos seus pensamentos, ficando entusiasmado e feliz ao ver o seu tesouro.
Kanekura estava em frente ao item com um homem de terno e óculos que estava com as mãos apoiadas no vidro enquanto exclamava com admiração:
- Magnifico!
O diretor do museu o faz falar mais baixo, com o homem se virando para ele com um sorriso no rosto:
- Kanekura-san, o Sennen Pazuru é espetacular. Eu pago qualquer preço por ele!
- Sim, bem, vamos conversar sobre isso mais tarde. – Kanekura fala com um imenso sorriso no rosto, se sentindo satisfeito por poder lucrar novamente com a venda de tesouros egípcios.
Então, eles se afastam enquanto Yuugi e os outros enxameavam em torno no vidro, admirando o Sennen Aitemu pendurado no centro, com o jovem de cabelos tricolores exclamando empolgado:
- Uau! Ficou tão legal na vitrine!
- Vamos tirar uma foto! – Sugoroku exclama animado.
- Pode deixar que eu tiro! – Yukiko exclama com um sorriso falso no rosto porque além de saber o que Kanekura planejava através das lembranças daquela linha do tempo, ela ouviu a conversa entre eles e confessava que desejava transformar ambos em suas presas.
Porém, sabia que precisava deixar Shaadii distribuir a punição deles e por isso, não podia intervir.
Então, a albina sai dos seus pensamentos enquanto todos os outros se aglomeravam, com Nuru e Jounouchi abraçados ao mesmo tempo em que Shizuka sorria segurando no ombro do seu irmão, com os demais sorrindo para a foto.
- Xis!
- Hambúrguer! – Jounouchi resolve falar diferente dos demais, arrancando novos risos, para depois, a albina bater a foto.
Enquanto isso, Kanekura, que se encontrava afastado do local, pensava consigo mesmo, exibindo um sorriso maligno após dar uma risada mental de triunfo:
"Aquele Sennen Pazuru vai me deixar rico. É claro que darei algum dinheiro ao Yuugi para que ele fique de boca fechada."
Então, ele comenta antes de se afastar:
- Uma foto para ficar de lembrança.
No fim da tarde, todos saem do museu, acompanhados do Kyouju Yoshimori que se tornou o guia particular deles na exposição e conforme eles saíam do local, o loiro exclamou empolgado enquanto andava de mãos dadas com a sua amada que corava levemente:
- Foi super legal!
- Eu gostaria de poder ir ao Egito. – Yuugi comenta.
Sugoroku se vira e olha para o seu amigo, o agradecendo após dar a sua típica risada de papai noel:
- Kyou wa arigatou gozaimashita (Obrigado por hoje).
- Foi um prazer! – ele responde com um sorriso no rosto – Por que não aparece no meu laboratório qualquer hora para eu lhe mostrar mais?
- Eu adoraria.
- Bem, eu tenho que voltar a universidade. Ki wo tsukete (Cuidem-se)! – ele fala se despedindo enquanto acenava.
- Kyou wa arigatou gozaimashita! – Yuugi exclama enquanto os outros se despediam.
Então, Hansaki pergunta:
- O que vocês vão fazer agora?
- Eu preciso catalogar alguns objetos novos que chegaram ontem à tarde. – Sugoroku fala.
- Eu e o Jounouchi-kun estávamos pensando em passear por algumas lojas no shopping aqui perto antes dele me levar para casa.
- Faz bem, imouto. Só não se esqueça do horário que nossos pais deram. – a prateada comenta sorrindo.
- Pode deixar. Eu vou levá-la para a casa de vocês no horário certo. – o loiro fala com um sorriso.
- E você, onee-chan? – a bronzeada pergunta.
- Eu vou ajudar a nossa okaa-san a polir as armas no doujo.
- Eu esqueci... – ela olha para o loiro que arqueia o cenho direito – Sumimasen (desculpe-me), Jounouchi-kun, mas, nós temos esse compromisso de ajudar a nossa okaa-san.
- Imouto, eu falei com os nossos pais e eles propuseram que você ficaria com a parte de arrumar os tatames e tirar o pó deles, uma vez que eu farei a sua parte da limpeza das armas do doujo. Assim, você pode aproveitar o domingo com o seu namorado.
- Sumanai (desculpe-me), onee-chan. Doumo (obrigado – modo informal usado para pessoas conhecidas)! – a bronzeada vai até a irmã e a abraça, com ela correspondendo, para depois, Nuru ir até o loiro e dar as mãos para ele que sorri gentilmente para a sua amada.
- Eu posso ajudá-la, Nuru-chan. Nós dois podemos tirar o pó juntos.
Ela olha surpresa para ele.
- É sério? É uma tarefa que exige paciência. São muitos tatames.
- Isso só me dará mais uma desculpa para passarmos mais tempo juntos. – ele fala sorrindo de canto, com os outros rindo levemente.
- Isso é o que eu chamo de ver o lado bom das coisas. – Honda comenta abraçando os ombros do loiro, que os remexe, expulsando o braço do seu amigo de longa data.
- Bem, eu vou voltar para casa e me preparar para o inquérito da okaa-san. – Shizuka comenta, com o seu sorriso caindo do rosto.
- Eu vou acompanhá-la e a deixarei na porta da sua casa. – Hiroto falava enquanto corava.
A jovem desconhecia o fato de que originalmente o seu irmão a levaria para casa e que foi Honda que pediu autorização ao Jounouchi para levá-la, com o loiro concordando enquanto se encontrava intrigado com o comportamento do seu amigo ao mesmo tempo em que a bronzeada sorria de canto porque havia percebido os sentimentos do moreno pela jovem de cabelos alaranjados.
- Mas, fica longe do seu caminho e...
Ela para de murmurar com preocupação quando ele faz um gesto suave, para depois, falar:
- Não é nenhum problema. Além disso, eu nunca conseguiria deixar uma jovem andando sozinha nas ruas. Eu faço questão. Acredite, é um prazer.
- Oh! Doumo arigatou gozaimasu (Muito obrigada). – ela se curva levemente enquanto corava.
- Eu vou passar no mercado e fazer algumas compras. Eu preciso abastecer os armários lá em casa. – a albina mente enquanto sorria.
- Bem, eu vou para casa. O meu pai ficou de voltar dos Estados Unidos hoje. Ele vai ficar alguns dias aqui no Japão antes de partir para os Estados Unidos, de novo. – Hanasaki comenta com um sorriso.
- Deve ser legal ter um pai que viaja para o exterior e que depois, volta com presentes. Com certeza, ele deve trazer presentes para você e para a sua okaa-san. – Honda comenta com um sorriso no rosto.
- Sim. É legal e ele não fica muito tempo longe de casa, além de ficar algum tempo conosco. É só dessa vez que vai ser apenas alguns dias. Bem, eu tenho que ir. Vou recebê-lo no aeroporto junto da minha okaa-san. Mata ashita (até amanhã)! – ele se despede após acenar, com os outros acenando.
- Bem, eu estou indo. Mas, se quiser, eu posso ficar com você.
- Não é necessário, jii-chan. O museu vai fechar em breve. Assim que eu pegar o meu tesouro de volta, eu vou para casa – ele comenta ao olhar para o seu relógio no pulso.
- Ok. Vou aguardá-lo em casa.
Ele se afasta, se despedindo.
- Mata ashita, Yuugi-kun! – a bronzeada exclama se despedindo de mãos dadas com o loiro.
- Mata ashita, Yuugi! – o loiro exclama antes de se afastar.
- Mata ashita, Yuugi! – Honda exclamava enquanto se preparava para acompanhar a alaranjada.
- Domo arigatou pelo convite. Eu me diverti bastante. Kyou wa arigatou gozaimashita, Yuugi-san. – a alaranjada fala, se despedindo.
- Mata ashita, Yuugi-kun. Se cuide. – a albina fala antes de se despedir.
- Mata ashita! – Yuugi acena para todos, para depois, olhar novamente as horas antes de sentar no chão, abraçando as suas pernas enquanto esperava o horário de encerramento do museu.
Dentro da câmara da alma do espírito, o Faraó foi tomado pelo medo ao ver que o seu amado estava sozinho e mesmo que estivesse próximo da entrada do museu, não mudava o fato de que estava desprotegido porque ele não poderia assumir o corpo dele para protegê-lo de um eventual problema. Junto do medo havia a revolta por não ser capaz de fazer algo se alguma coisa acontecesse com o seu anfitrião.
A sensação era enervante e desesperadora porque ele desconfiava que o coração de ouro do adolescente se tornava um atrativo para as pessoas malvadas e isso lhe preocupava imensamente.
Porém, Atemu nada podia fazer enquanto pensava amargurado que precisava continuar orando aos Deuses para que nada acontecesse até o seu amado ter o item em volta do seu pescoço ao mesmo tempo em que a sensação inquietante de que algo iria acontecer não lhe dava trégua e apenas aumentava a sua preocupação. Era uma sensação que o tomou assim que o objeto foi colocado nas mãos de Kanakura. Algo dentro daquele homem fazia o Faraó sentir fúria e asco.
Suspirando profundamente, o espírito volta a sentar no trono ao mesmo tempo em que aguardava ansioso o retorno do Sennen Pazuru para o seu anfitrião enquanto esperava que aquela sensação fosse apenas uma antipatia repentina pelo homem.
Então, quando o museu começa a fechar, Kanekura está em seu escritório com o Sennen Aitemu em suas mãos, o admirando ao mesmo tempo em que comentava consigo mesmo após dar uma risada de satisfação:
- O meu investimento financiou a descoberta da tumba de um Faraó e agora, eu posso ganhar uma fortuna com este Sennen Aitemu. A sorte está ao meu lado.
Então, ele ouve uma sequência de batidas na porta e sorrindo imensamente, exclama:
- Ah! Ele chegou! Entre!
