Notas da autora
Shaadii começa...
Yuugi se encontra...
O Guardião da tumba fica...
Capítulo 80 – Dois Yami no Game – Museu
O Guardião da tumba abre a porta após desviar do corpo do homem que pretendia comprar o Sennen Pazuru após este perder a sua vida quando Shaadii o julgou.
Afinal, através do Sennenjou, ele viu a essência daquele homem além do fato dele comprar tesouros egípcios do mercado negro sendo plenamente ciente de que eram compras ilegais. O membro de um dos clãs de Guardiões da Tumba o julgou culpado e o matou com o poder do Sennenjou ao revelar o Ammit que habitava a câmara da alma dele.
Kanekura fica chocado ao ver um egípcio com manto e turbante em vez do homem que ia comprar o Sennen Aitemu e exclama embasbacado:
- O quê?!
O egípcio se encontra em silêncio enquanto exibia um semblante impassível para o homem, que levanta o dedo em riste para o egípcio ao mesmo tempo em que exclamava estarrecido:
- Mas... quem é você?!
Então, Shaadii fala mantendo o mesmo semblante anterior:
- A minha linhagem tem guardado as tumbas há mais de três mil anos. Eu sou um servo de Anúbis.
- "Anúbis"?! – Kanekura exclama enquanto gaguejava pelo nervosismo e medo a menção do Deus egípcio.
"O Deus egípcio da morte?!" – O diretor do museu exclama mentalmente consigo mesmo.
- Por causa da sua ganância, outra tumba do Vale dos Reis foi profanada. Você invadiu o território dos Deuses. Por isso, irá a julgamento. Porém, acredito que há mais crimes o envolvendo.
- Eu entendi! Você é do governo egípcio! Eu não vendo antiguidades no mercado negro!
Shaadii ignora o que o homem disse por saber que da sua boca só saía mentiras e posiciona o Sennen Bakari em cima da mesa de Kanekura, para depois, retirar a pena do seu turbante enquanto falava friamente:
- Sabe a cena do julgamento final no capítulo cento e vinte e cinco do que é chamado o Livro dos mortos? Esta é a Balança da verdade. Vocês a chamam de Sennen Bakari.
"O julgamento final, quando os atos dos mortos são pesados perante Osíris, o senhor do mundo do além. De um lado da balança está a pena de Maat, a Deusa da verdade e do outro lado, o coração do falecido representando a sua alma. Se os seus pecados forem mais pesados que a pena de Maat, ele é entregue para ser devorado por Ammit, um monstro que tem partes de crocodilo, hipopótamo e leão. Mas isso não passa de um mito..." – ele pensa consigo mesmo enquanto olhava o homem posicionando a pena em um dos pratos da balança.
O diretor não sabia que uma área de Yami no game estava sendo gerada pelo Sennen Aitemu, fazendo com que ninguém conseguisse ouvir qualquer som do lado de fora. Em relação as câmeras de segurança do museu, o próprio Kanekura havia desligado ao promover um mau funcionamento no equipamento, para depois, chamar um técnico que somente poderia vir no dia seguinte.
Afinal, ele estava fazendo um ato ilegal e não pretendia deixar evidências visuais do seu crime.
Claro que por precaução, Shaadii usava o poder do seu Sennenjou para ocultar a sua presença além de utilizar as áreas do Yami no game para ocultar qualquer evidência de que algo aconteceu.
- Agora começaremos um jogo. O Yami no Game.
"Um jogo...?!" – o diretor do museu exclama consigo mesmo em pensamento enquanto exibia um semblante estarrecido.
O Guardião da tumba coloca a sua pena em um dos pratos dourados, para depois, falar:
- Nesse lado da balança, eu coloco a pena de Maat. Como você pode ver, a balança está equilibrada. Agora, vou fazer várias perguntas. Se você não disser a verdade, o outro lado vai ficar mais pesado com os seus crimes. Se esse lado da balança tocar o tampão da mesa, um jogo mortal de punição o aguardará. – ele optou por esse Yami no Game porque sabia que o homem a sua frente mentiria até o final do jogo, promovendo assim a sua própria punição.
- "Jogo de punição"?! – Kanekura exclama mantendo o semblante estarrecido enquanto suava frio.
- Então, vamos a primeira pergunta. Uma garotinha cai em um poço profundo e você é a única pessoa que viu o que aconteceu. No entanto, aos seus pés está o anel de ouro que a garota estava usando. O que você faz?
- Eu a salvo! Eu salvo a garotinha!
O prato vazio que representava o coração do diretor baixa um pouco sobre o semblante estarrecido de Kanekura que exclama:
- O quê?! Eu estou dizendo a verdade!
- Próxima pergunta – Shaadi continua falando friamente enquanto Kanekura se encontrava aterrorizado.
Enquanto isso, no lado de fora do museu, quando Yuugi verificou que horas eram em seu relógio de pulso digital, percebeu que chegou o horário em que o museu seria fechado.
Portanto, ele se levanta enquanto exclama animado por se encontrar ansioso para ter o seu tesouro de volta:
- Certo! O museu esta prestes a fechar. E hora de pegar o meu Sennen Pazuru de volta.
Então, ele entra saltitando animado no museu pela empolgação de poder ter o seu Tesouro consigo novamente.
Enquanto isso, na sala do Diretor do museu, o prato vazio havia descido mais um pouco após ele mentir para a pergunta que Shaadii fez alguns instantes atrás.
- Por quê? Eu não estou mentindo! Como o prato está abaixando sem ter nada em cima dele? Isso só pode ser um truque! – ele exclamava enquanto começava a julgar erroneamente que era um truque porque o prato estava vazio na sua visão e mesmo assim, estava abaixando sem qualquer auxilio visível – O que diabos é um jogo de punição?
- Muito bem... antes da última pergunta, eu vou lhe contar sobre o jogo de punição. Ele o aguarda dentro do seu coração.
O homem sente algo na cadeira e olha para o lado, notando que parte do encosto parecia se mexer e antes que pudesse se levantar, toda a cadeira começa a se transformar, surgindo garras que brotam dos braços da poltrona, o prendendo firmemente ao assento enquanto ocorriam outras transformações ao mesmo tempo em que Kanekura exclamava com um semblante aterrorizado:
- A cadeira está mudando! – ele exclama e dá um grito final ao ver que em vez da sua cadeira, estava sentado em cima do ventre de um monstro com corpo e cabeça de crocodilo que salivava em cima dele, exibindo presas afiadas, com algumas se projetando das enormes mandíbulas enquanto exibia uma espécie de juba comprida que brotava da sua cabeça em direção ao seu dorso.
O diretor estava petrificado de terror enquanto mantinha os olhos arregalados ao mesmo tempo em que o hálito, a força aplicada em sua imobilização e a saliva que escorria das mandíbulas aterrorizantes eram reais para os seus sentidos, fazendo com que ele tentasse compreender como podia ser real algo que era claramente surreal na sua visão.
- Esse é Ammit, o monstro que fixou residência na câmara da sua alma. Vamos para a última pergunta. Você profanou o território dos Deuses e vendeu os seus tesouros para benefício próprio?
- Pare! Pare! Eu pago qualquer coisa! Quanto você quer? – Kanekura começa a exclamar aterrorizado enquanto implorava ao mesmo tempo em que os seus olhos esbugalhados continuavam fixos nas mandíbulas monstruosas de Ammit, cuja saliva caía na sua testa e em parte da sua cabeça.
Então, o prato vazio se choca no tampão da mesa, produzindo audivelmente o som de metal se chocando contra uma superfície dura, para depois, Shaadii falar friamente:
- Não há verdade na sua alma. Só há a ganância. Portanto, você será punido.
Ao proferir essas palavras, Ammit posiciona as suas mandíbulas possantes e aterrorizantes na cabeça de Kanekura, com a mandíbula inferior em sua nuca e a superior acima da sua testa, se preparando para decepá-lo, com o diretor desconhecendo o fato de que a sua alma seria condenada as trevas por toda a eternidade.
O portador do Sennenjou e do Sennen Bakari assiste com uma face impassível, a cabeça de Kanekura sendo devorada por Ammit, para depois, ele devorar o corpo do diretor do Museu que ainda continuava vivo enquanto era devorado, com o som dos ossos sendo quebrados assim como da pele e músculos sendo rasgados reverberando pelo ambiente junto dos gritos lacerantes e em decorrência da área gerada pelo Yami no game, ninguém ouviu os gritos aterrorizantes e de dor do diretor.
Após o homem ser devorado vivo, com o seu corpo sendo mastigado gradativamente até ser consumido por completo, silenciando assim os gritos, Shaadii fala com um semblante impassível:
- Todos tem uma câmara da alma. O Sennenjou que carrego em meu pescoço pôde abrir a sua porta anteriormente quando o museu estava aberto, sem que você sentisse os meus poderes. A câmara da sua alma estava repleta do odor pútrido do dinheiro e da ganância. Monstros como Ammit adoram viver nesses lugares. Você foi devorado vivo pela ilusão que nasceu dos seus próprios crimes. A sua alma será condenada as trevas.
Quando o bronzeado está se virando para sair, ele vê algo dourado pelo canto dos olhos enquanto a área do Yami no game estava sendo dispersa, restando o corpo aparentemente intacto do diretor debruçado na mesa porque a sua alma é que foi devorada viva por Ammit.
Ele se aproxima e pega o Sennen Aitemu que repousava anteriormente no tampão enquanto pensava consigo mesmo, exibindo surpresa em seu semblante:
"Este é o Sennen Pazuru e ele está completo! Em mais de três mil anos, ele nunca foi solucionado. Por que ele está aqui? Isso significa que alguém neste país conseguiu montá-lo. Mas quem poderia ser?"
Longe dali, Kisara estava caminhando por uma rua enquanto questionava a si mesmo o motivo de tomar aquele caminho após descer do ônibus e por mais que refletisse, não conseguia compreender o que a levou a tomar aquela rota para passar na frente daquele local.
A única coisa que a prateada sabia era que o desejo de vê-lo era forte e impulsionado por um motivo desconhecido, ou melhor, motivos, pelos sentimentos incompreensíveis que surgiram nela, fazendo com que não restasse outra opção além de tomar aquele rumo antes de ir para a sua casa.
Após alguns metros, ela para no outro lado da rua e passa a observar dois carros escuros com guarda-costas posicionados em frente ao edifício da Kaiba Corp e dentre eles, havia uma limusine imponente, com o chofer aguardando do lado de fora. Ela também percebeu que havia uma equipe de segurança que criou um perímetro no entorno dos carros para conter os repórteres que aguardavam ansiosamente o aparecimento do CEO. Os microfones e as câmeras que se encontravam em prontidão se mexeram ao verem uma movimentação na entrada do luxuoso e imponente arranha céu que ocupava uma quadra inteira e cujo trânsito no entorno era limitado.
O coração da prateada falha uma batida ao ver Seto saindo do edifício rodeado de alguns homens de terno que pareciam tomar notas após perguntar algo, antes de serem dispensados com um aceno de mão enfático. Ao lado dele, ela avista uma criança ou pré-adolescente usando terno embora tivesse um manto branco por cima da veste formal. Tinha cabelos azuis escuros levemente espetados e olhos da mesma cor enquanto exibia um sorriso arrogante, fazendo-a revirar os olhos porque era visivelmente uma criança extremamente mimada que se achava o dono do mundo.
Então, a jovem se recorda de que tinha lido em algumas revistas que Kaiba tinha um otouto, fazendo com que compreendesse o motivo de ter um pré-adolescente com ele.
Junto dos irmãos Kaiba, havia guarda-costas adicionais e assim que eles se aproximaram da limusine, os flashes disparam enquanto as câmeras começam a filmar, com jornalistas tentando romper o bloqueio dos massivos seguranças enquanto a prateada não conseguia discernir muito do que eles falavam. Apenas conseguiu ouvir sobre uma nova atração temática, o prédio novo que estavam construindo, o boato sobre o parque de diversões vertical e de alguns acontecimentos estranhos, além do inusitado silêncio da polícia, com a adolescente revirando os olhos porque a família Kaiba era praticamente dona da cidade de Dominó e este era um conhecimento público e igualmente notório.
Portanto, o silêncio da polícia pôde ter sido providenciado pelos irmãos Kaiba, fazendo com que não fosse inusitado porque era o esperado se os irmãos estivessem envolvidos com algo contrário as leis, o que não seria difícil na visão dela e por mais que este domínio fosse um fato inegável e igualmente esperado, não deixava de ser assustador porque denotava o poder e influência que esta família possuía.
Um homem baixo de aparência assustadora sai da limusine e quando ela o avista, sente um misto de medo e de raiva junto de total aversão quando ele olha rapidamente o entorno, antes de exibir um sorriso para Seto enquanto se curvava em respeito.
Ignorando a imprensa que se acotovelava e tentava a todo o custo romper a barreira dos seguranças para conseguirem algumas respostas à cacofonia de perguntas que atropelavam umas as outras, Seto detém o seu passo para ajeitar a gravata de seda do seu terno branco da marca Ermenegildo Zegna e ao fazer isso, avista a prateada do outro lado da rua, com os seus olhos se cruzando e por estar despreparado para o surgimento dela, o CEO é pego abruptamente pelos orbes que envergonhavam a mais bela safira, fazendo com que não conseguisse desviar o olhar.
O homem baixo e de aparência assustadora vira o semblante na direção que o seu patrão olhava e pergunta:
- O senhor a conhece, Seto-sama?
