Notas da autora

Seto decide...

Kisara fica...

Shaadii decide...

Atemu se encontra...

Yo!

Eu peço desculpas pela demora em atualizar.

Tenham uma boa leitura.

Capítulo 81 – Intruso

A voz do seu mordomo, Daimon (Hobson), o faz sair da espécie de transe ao mesmo tempo em que murmura maldições contra si mesmo e conforme desviava o olhar, ele jurou ver de relance, em vez da jovem, a figura de um imponente e majestoso Buruuaizu Howaito Doragon (Blue-Eyes White Dragon), fazendo-o coçar os olhos, para depois, ver que era apenas a prateada, fazendo-o questionar se o fato dele ter pesadelos que o despertavam a noite junto dos preparativos para o seu Death-T, o estavam fazendo ver coisas em decorrência do cansaço.

Ele consegue afastar o seu olhar, exibindo uma carranca no rosto, para depois, comentar:

- Ela era do colégio que eu frequentava. Estudávamos na mesma sala.

- Oh! Ela é muito linda. – o ex-torturador profissional comenta com uma face pervertida.

Por um motivo que não compreendia, Seto sente uma fúria imensa tomá-lo com o comentário do seu mordomo, fazendo com que o ameaçasse com uma voz fria e olhos repletos de fúria para o homem que exibe confusão em seu semblante ao mesmo tempo em que o CEO apontava o dedo em riste para ele:

- Não ouse fazer qualquer comentário sobre ela, entendeu?

- Sim... Pode deixar, meu senhor. – ele murmura temeroso ao ver a fúria por trás daqueles olhos azuis.

- Hunf! – Kaiba senta no banco de trás da limusine e flexiona os braços na frente do corpo, com o irmão mais novo dele sentando ao seu lado em seguida – Agora, vamos. Eu preciso fiscalizar o andamento do Death T.

- Sim, senhor – ele se aproxima e murmura – Conseguimos novas cobaias para testarmos o aparelho e as atrações. Também conseguimos encontrar quem estávamos procurando. Não foi fácil, mas conseguimos.

- Ótimo.

Enquanto isso, Mokuba ouviu a conversa sobre a ex-colega de classe do seu irmão após seguir o olhar dele, para depois, ficar surpreso com a ameaça que Seto fez quando o mordomo deles comentou sobre a adolescente de cabelos prateados. Ele ia questioná-lo, mas ao ver o seu semblante aborrecido, indicando que o assunto estava encerrado, o jovem decidiu não perguntar sobre o motivo dele ter ficado furioso com o comentário de Daimon.

Então, os guarda-costas os seguem em um carro atrás da limusine enquanto o veículo se afastava do local, com a prateada o observando se afastar gradativamente ao mesmo tempo em que os jornalistas se dispersavam, exibindo semblantes derrotados e somente após todos se afastarem, os seguranças desfazem o cordão de isolamento e retornam para dentro do edifício imponente que ocupava uma quadra inteira.

Kisara não conseguia compreender os sentimentos de raiva, de nojo e de aversão que sentiu pelo homem de baixa estatura que usava óculos escuros enquanto exibia uma face envelhecida, além da estranha sensação de que o conhecia de algum lugar. A prateada desconhecia o fato de que ela o conhecia de sua vida passada no antigo Egito. Daimon era a reencarnação de Geberuku (Gebelk), o superintendente das masmorras no Egito Antigo e que agia em conluio com Akhenaden. Ele era um mestre das torturas, torturando prisioneiros para que revelassem o seu Ka sobre ordens do tio de Atemu.

Coincidentemente, na sua reencarnação atual, ele é considerado um torturador profissional que trabalha para a família Kaiba sobre o disfarce de mordomo.

Inclusive, os seus serviços foram requisitados várias vezes no passado sempre que o falecido CEO desejava obter informações através da tortura de pessoas que ele mandava sequestrar.

Quando passou a servir Seto após o suicídio de Gozaburu, ele continuou atuando em seu disfarce de mordomo enquanto exercia em alguns momentos o seu talento como torturador.

Após suspirar, não compreendendo a origem das sensações que teve ao olhar para o homem estranho de terno e o motivo de ter ido até o prédio da Corporação Kaiba, a prateada decide voltar para casa porque estava tarde e ela precisava ajudar os seus pais na manutenção das armas do doujo.

Prontamente, a adolescente começa a caminhar até o ponto de ônibus mais próximo.

Nesse interim, dentro do museu, Yuugi está andando pelos corredores desérticos, não prestando atenção no fato de não ter nenhum funcionário andando pelos corredores, o que seria considerado estranho para muitos e o motivo de não perceber essa ausência foi porque estava demasiadamente ansioso para encontrar Kanekura, para que pudesse ter o seu tesouro de volta ao constatar que ele não estava mais na vitrine, com o jovem se lastimando de não ter pedido para o Kyouju (教授 – professor universitário) Yoshimori ensinar o caminho até a sala do diretor do museu.

- Nossa... Este museu é um labirinto. O Sennen Pazuru não está na vitrine, então, deve estar com o Kanekura-san.

O adolescente de cabelos tricolores para de falar consigo mesmo ao ver o mesmo egípcio de antes, caminhando no sentido oposto.

- Ah... aquele egípcio de antes. Será que...? Mas, ele não saberia. Bem, eu acho que não custa perguntar. – ele murmura consigo mesmo e ao tomar a sua decisão, se aproxima de Shaadii.

O Guardião da Tumba percebe o jovem de outrora se aproximando dele, para depois, perguntar para ele:

- Com licença, o senhor viu o Kanekura-san? Ele prometeu devolver o meu Sennen Pazuru. Ele tem este tamanho e formato – Yuugi falava enquanto usava as mãos para criar o formato do seu tesouro.

O Guardião da tumba exibe um semblante estarrecido enquanto exclamava consigo mesmo em pensamento:

"Impossível! Esse garoto, não...!"

O bronzeado se recupera e continua olhando para o adolescente enquanto pensava consigo mesmo em pensamento:

"Aquele que soluciona o Sennen pazuru ganha um grande poder. O mesmo poder da minha linhagem segundo os escritos passados de geração em geração. Eu tenho que ter certeza! Eu preciso saber se esse menino tem o poder! Eu usarei o meu Sennenjou para olhar dentro da câmara da alma dele!"

Nesse interim, Yuugi coçava a nuca sem jeito enquanto exibia um olhar preocupado ao mesmo tempo em que perguntava:

- Por que está me olhando desse jeito? Você estava chorando naquela hora...

O bronzeado se concentra e invoca o poder do seu item. Antes que o jovem pudesse reagir, a ponta do Sennen Aitemu encosta em sua testa, fazendo-o ficar paralisado.

Após Shaadii entrar, ele fica chocado ao ver que havia um corredor e duas câmaras, uma de cada lado do corredor e que era de frente uma para a outra. Uma porta estava aberta e a outra estava fechada.

Após se refazer da surpresa inesperada enquanto não conseguia compreender como podia haver a existência de duas câmaras da alma ao mesmo tempo, o egípcio decide se aproximar da porta que estava aberta e que continua uma cálida e gentil luz, fazendo-o comentar para si mesmo ao olhar para o interior claro:

- A porta de uma delas está aberta e eu posso ver o seu interior. Está cheia de brinquedos, além de jogos e a sua luz é cálida, além de reconfortante. Essa câmara é pura. Não há nenhum pensamento maligno.

Então, o bronzeado comenta em pensamento:

"É surpreendente o fato desse jovem ter duas câmaras! Nunca vi algo assim! De fato, uma é pura, sem nenhum pensamento maligno. Mas, quanto a outra porta...".

Shaadii decide não passar da batente da porta e após terminar de analisar o ambiente que era semelhante a um quarto com mesa, cadeira, armário e cama, contendo uma janela grande e brinquedos, além de jogos espalhados pelo chão, desconhecendo o fato de que era uma réplica do quarto verdadeiro de Yuugi em sua casa, o Guardião da tumba se afasta dela e se vira para a porta de ferro de aparência antiga com estranhas veias esculpidas em sua superfície metálica e que se propagavam a partir do olho esculpido no centro da porta.

Após inspirar profundamente, ele dá alguns passos, se posicionando para abri-la ao levantar a mão na direção da maçaneta enquanto pensava consigo mesmo:

"Esta outra câmara... – o som da porta de ferro sendo aberta pelo lado de dentro o faz ficar chocado ao mesmo tempo em que abaixava a sua mão – Ela abriu sozinha".

Shaadii estava chocado porque havia usado o seu item no jovem e consequentemente, esperava que o local estivesse vazio.

Portanto, era natural ficar embasbacado ao ver alguém se aproximando através das sombras de trás daquela porta.

Era uma figura mais alta do que o jovem que viu no museu. Os seus cabelos espetados continham pontas mais estreitas de coloração carmesim em vez de ametista enquanto havia fios dourados que se propagavam para o seu cabelo em vez de emoldurar o rosto. A sua pele era de marfim como a do adolescente, com os seus olhos sendo mais estreitos e afiados ao mesmo tempo que exibiam a mesma cor ametista. O seu rosto era pontudo e mais maduro também porque aparentava ser mais velho do que o jovem que viu antes que possuía um rosto e traços suaves junto de um corpo delicado, além de uma aparência infantil pela sua baixa estatura. O homem a sua frente parecia exibir uma musculatura definida que se destacava pela roupa que usava. Shaadii percebeu que ele usava uma roupa preta com cintos e botões por baixo do casaco do uniforme e que era a mesma roupa que o jovem usava com a diferença de não ter uma camisa branca por cima da roupa preta. Ele estava com as mãos nos bolsos enquanto olhava atentamente para ele, exibindo um sorriso no rosto.

- Ora, ora... um visitante da minha câmara – Atemu dá uma leve risada e fala com um semblante assustador enquanto exibia um sorriso de canto porque havia decidido punir o homem que havia usado magia contra o seu amado – Entre se tiver coragem. Venha para dentro da minha alma. É aqui que vamos fazer o nosso jogo.

Porém, conforme se recordava dos seus planos contra o visitante, o espírito queria compreender o motivo de não desejar fazer mal a aquela pessoa, além de ter a estranha sensação de que o conhecia de algum lugar por mais surreal que fosse este pensamento porque não era a sensação oriunda de tê-lo visto anteriormente através dos olhos do seu anfitrião e sim, antes do seu despertar, o que tornava esta sensação ainda mais inquietante e incompreensível.

De fato, havia lógica no espírito ter essas sensações e o desejo de não feri-lo.

Afinal, Shaadii era a reencarnação de Shada que era um dos seus Guardiões Sagrados do tempo em que era Faraó e que se sacrificou junto dele, com alguns dos outros Guardiões Sagrados se juntando ao sacrifício para deter Zorc Necrophades, evitando assim que o Egito e o mundo fossem consumidos e igualmente destruídos, com o diferencial da sua alma e das almas dos outros Guardiões não terem sido seladas ao contrário da alma de Atemu que foi selada no Sennen Pazuru ao usar o seu grande poder e determinação obstinada para prendê-lo junto dele com o auxílio dos seus Guardiões sagrados, para em seguida, usar o seu nome como selo final, com as suas memórias sendo seladas também para evitar a descoberta do seu nome.

Para evitar que alguém liberasse Zorc do seu selamento, o seu nome foi apagado de todas as inscrições conforme as ordens que ele deu a Seto, que assumiu como Faraó após a morte do seu primo. O fato do seu nome ter sido apagado de todas as inscrições, fez com que ele se tornasse o Faraó inominável que despertava um grande interesse e imensa curiosidade nos arqueólogos ao mesmo tempo em que os estudiosos levantavam várias hipóteses para o nome de um monarca ter sido apagado propositalmente de qualquer inscrição.

Afinal, o ato de apagar o nome de alguém era usado como parte da punição dada aos criminosos, para que as almas deles não fossem para o além-vida. O selamento da alma de Atemu e o ato do seu nome ser apagado fez com que a sua alma não fosse levada por Anúbis.

O Guardião da tumba havia parado no batente da porta, fazendo com que o espírito sorrisse novamente de canto, perguntado enquanto mantinha as mãos nos bolsos:

- Qual é o problema? Está com medo? Mostre alguma coragem.

O egípcio compartilhava do mesmo sentimento de Atemu. Algo dentro dele lhe dizia que conhecia o homem que estava na sua frente apesar de não compreender o motivo desta sensação porque nunca o havia visto antes.

Ademais, algo lhe dizia para demonstrar respeito.

Porém, o Guardião da tumba decide ignorar estoicamente esta sensação por ser descabida na sua visão, julgando erroneamente que era apenas sua impressão pela surpresa inusitada de ver duas câmaras da alma conectadas por um corredor, com ambas possuindo atmosferas completamente diferentes.

Pelo menos, é o que ele acreditava sem ter entrado por completo naquela câmara misteriosa.

Então, com determinação em seu semblante e postura, o bronzeado decide entrar ao caminhar para dentro enquanto pensava consigo mesmo:

"Já visitei as câmaras das almas de muitas pessoas no passado. Elas podem ter decorações e mobílias diferentes, mas sempre há apenas uma câmara. Mas, porque há esta outra câmara da alma desse garoto e quem é este homem na minha frente? Quanto a esta câmara... Ela é escura e fria como a tumba de um Faraó do antigo Egito!"

Ele exclama o final em pensamento ao observar os afrescos nas paredes acima dele, mais precisamente, da parte que podia ver. Havia desenhos que lembravam aqueles que se encontravam nas tumbas dos Faraós, além da construção no entorno lembrar a arquitetura de uma tumba.

- Eu não sei que poder você usou para encontrar este lugar. Eu sei que é magia, mas, não descobri a fonte, ainda. Mas é melhor explicar por que você está aqui.

Shaadii se recupera da surpresa e fala, voltando a ter um semblante impassível após dar uma leve risada:

- Da sua perspectiva, eu sou um convidado indesejado. A resposta para essa pergunta é muito simples.

Atemu exibe um semblante impassível também enquanto analisava o homem a sua frente ao mesmo tempo em que se recordava de quando o seu amado o viu ao encostar naquele vidro que protegia o sarcófago aberto com a múmia de um Faraó em exibição.

- Vim aqui para descobrir o segredo do poder do seu Sennensui ou Sennen Pazuru, como é chamado atualmente.

O espírito exibe surpresa em seu semblante pelo fato do homem a sua frente saber sobre o fato do Sennen Aitemu possuir o seu próprio poder e este era um fato demasiadamente preocupante porque colocava o seu amado sobre perigos ainda maiores do que apenas valentões e eventuais ladrões pelo item ser dourado. O diretor daquele museu, pelo que compreendeu da conversa do seu amado com Kanekura, somente via o objeto sobre o seu valor histórico e do fato das peças serem de ouro puro. Pelo pouco que ele se recordava, era um fato inegável de que o ouro era a substância que possuía mais afinidade com a magia, principalmente no quesito de imbuir magia em um objeto, além de ser um ótimo condutor mágico.

- Então, você sabe da existência do Sennen Pazuru e que ele possui o seu próprio poder.

- Sim, eu sei e também conheço o fato de que ele é um dos Sennen Aitemu. A história dos Sennen Aitemu começa no Egito antigo há três mil anos atrás no Ta-sekhet-ma ' (o Grande Campo) como os egípcios antigos se referiam a aquele lugar em alusão ao Grande campo no Além vida que os aguardava após passarem pelo julgamento de Osíris. Se preferir, pode usar o nome atual, Vale dos Reis. Os itens foram feitos para que os magos, que serviam os antigos Faraós "punissem os ladrões que profanassem as tumbas e roubassem os seus tesouros", assim como está escrito no Pert em Hru (Sair à Luz – título original egípcio de "O livro dos mortos").

Porém, apesar de estar escrito isso no livro, por algum motivo desconhecido, ele acreditava que havia algo além e que a explicação foi alterada no passado distante por algum motivo. Era uma sensação que o acompanhava desde pequeno e que nunca havia confessado a sua família e ao seu clã ao mesmo tempo em que repetia palavra após palavra que era ensinada por aquele clã dos Guardiões da Tumba que havia divergido de outro clã há mais de um milênio atrás por divergência nos métodos de gerenciar os Sennen Aitemu.

A única pessoa que ele confessou as suas suspeitas foi para Mahaado, que por sua vez, se lembrava de alguns fatos da sua reencarnação anterior, fazendo com que ele, Shaadii, acabasse percebendo que alguns dos seus sonhos eram na verdade, recordações do passado. Não obstante, naquele momento em que estava frente-a-frente com aquela entidade porque acreditava que era outro espírito que habitava uma câmara própria, ele sentia uma forte influência de se prostrar como se ele fosse alguma autoridade acima dele, algo que era incompreensível para o egípcio.

O Guardião da Tumba sai dos seus pensamentos quando Atemu fala:

- Então, você veio até aqui através de um Sennen Aitemu.

- Sim. Foi através do Sennenjou. Esta chave possuí o formato do símbolo de alma na escrita egípcia e permite que eu abra as portas das almas das pessoas. Na câmara da alma descobre-se tudo sobre a pessoa. Quem ela é, o que ama, teme... até o que ela mesma não sabe. Também trago comigo o Sennenbakari. Ele pesa os pecados da pessoa em um julgamento da alma usando a pena de Maa´t. Se o coração da pessoa pesar mais do que a pena, ela será condenada. Estas são as duas relíquias que eu possuo. Eu tive outras duas, mas, não estão mais comigo. Porém, nem eu mesmo conheço o poder do Sennensui. Não sei que poder é concedido a pessoa que o solucionar porque ele nunca foi solucionado.

- Então, para descobrir, você entrou na minha alma ao adentrar esta câmara.

- Se eu puder ver a câmara de uma pessoa, posso ver que tipo de poder ela possui. Foi isso o que eu vim descobrir e se esse poder for necessário, eu vou capturá-lo para o meu clã.