Notas da autora
Atemu decide...
Mana se encontra...
Mahaado fica...
Capítulo 82 - Yami no Game - Shaadii
O espírito arqueia o cenho direito enquanto ocultava a sua preocupação com o seu amado porque desconhecia o poder dos dois Sennen Aitemu que o invasor carregava consigo. Por precaução, decidiu não mostrar qualquer sinal de preocupação enquanto se concentrava em exibir a sua usual e nata autoconfiança em si mesmo.
Além disso, ele precisava descobrir se os itens poderiam ter qualquer influência contra o seu próprio item enquanto que desconhecia por completo o respectivo poder do objeto que se encontrava na posse do seu amado anfitrião.
Claro, ele usava os seus poderes em conjunto com a sua magia.
Porém, desconfiava que havia um poder próprio do objeto ou poderes conforme se lembrava de alguns acontecimentos, assim como algumas sensações que sentiu antes do Sennen Aitemu ser montado.
- Sim, esse poder sobre o qual você fala está na minha câmara. No entanto, não posso deixar que o veja tão facilmente. Você sabe como funciona. Isto é um jogo. Um Yami no game. As regras são simples. Em algum lugar desta alma está a minha verdadeira câmara. Se conseguir achá-la, encontrará o que procura.
Shaadii dá uma leve risada, para depois, falar:
- Eu esqueci de contar sobre outro poder que eu possuo. Quando entro na câmara da alma de uma pessoa, posso redecorá-la e controlar a pessoa como eu quiser. Eu posso, até mesmo, destruir a sua personalidade.
Atemu oculta novamente a sua preocupação enquanto procura exibir apenas surpresa em seu semblante. O Faraó não sabia se o homem a sua frente conseguiria redecorar a sua câmara considerando a complexidade dela e o fato do seu amado ter outro Sennen Aitemu, o Sennen Pazuru. Ele não tinha como prever se o objeto possuía a capacidade de bloquear a do invasor.
Além disso, o espírito duvidava piamente que o egípcio a sua frente tivesse entrado anteriormente em uma câmara tão complexa como a dele e que estava oculta pelas sombras porque ele fez questão de esconder a aparência real dela.
Afinal, havia a hipótese do bronzeado desistir do jogo se soubesse como era a aparência da câmara da alma dele.
- Eu aceito o seu jogo. Eu vou encontrar a verdadeira câmara da sua alma! – ele exclama com arrogância por estar extremamente confiante nas suas habilidades e para mostrar coragem ao se lembrar do comentário dele quando entrou naquela câmara.
Na sua visão, seria fácil fazer o que desejasse naquela câmara com o poder que o Sennenjou lhe concedia. Não era necessário aceitar o jogo.
Afinal, ele nunca encontrou uma câmara que não pudesse redecorar e aquela câmara não era diferente apesar da sensação surreal de estar na tumba de um Faraó do antigo Egito.
O espírito dá uma leve risada, para depois, falar enquanto mantinha as mãos nos bolsos da calça do colégio que era uma réplica daquela usada pelo seu amado e que possuía apenas diferença de tamanho por causa da sua estatura:
- Bem, não pense que vai ser assim tão fácil. Este jogo é mais perigoso do que você imagina.
Então, Atemu revela a complexidade da câmara com seus inúmeros degraus, portas e corredores que preenchiam o ambiente colossal e que se propagava para cima em corredores aparentemente intermináveis, formando um labirinto assustador.
Era uma visão impressionante e igualmente estarrecedora que o deixou boquiaberto e conforme Shaadii olhava para o ambiente a sua volta, ele duvidava piamente que seria capaz de remodelar aquela câmara porque nunca esteve em algo minimamente similar ao que se encontrava naquele instante. Ele nunca havia entrado em uma câmara labiríntica como aquela que se propagava na frente dos seus olhos e que chegava ao ponto de ter escadas e portas nas paredes e no teto.
Além disso, havia o fato de haver outro Sennen Aitemu que poderia bloquear o poder do Sennenjou.
Afinal, não sabia quais eram os poderes que ele possuía enquanto que era visível o fato da entidade a sua frente exibir aparente domínio do Sennen pazuru.
"A câmara desse garoto é realmente um labirinto da alma!"
Atemu sorri consigo mesmo ao ver o semblante estarrecido do homem a sua frente, com ele percebendo um leve olhar de medo.
- É hora do duelo!
Shaadii estava tão perplexo com o que foi revelado que não percebeu que ficou um bom tempo olhando embasbacado para os inúmeros corredores e portas que pareciam infindáveis.
- Qual é o problema? O jogo não vai começar até você dar o primeiro passo.
A voz do Faraó o faz sair do seu estado estupefato, o fazendo olhar para o espírito que estava com os braços cruzados na frente do tórax enquanto apoiava as suas costas na parede, exibindo uma postura relaxada ao mesmo tempo em que exibia a autoconfiança em seu olhar de que o egípcio não conseguiria encontrar a sua verdadeira câmara.
O bronzeado volta a olhar o entorno e pensa consigo mesmo conforme os seus olhos observam os vários degraus e portas:
"Aqui e ali... Portas e mais portas até onde a vista pode alcançar. Mas apenas uma leva a verdadeira câmara. Terei que abrir todas as portas, uma por uma..."
Ele avança alguns passos e se dirige para a porta mais próxima enquanto falava:
- Primeiro, esta porta...
Quando o Guardião da tumba abre a porta, ele ouve o som de um rangido e depois, por precaução dá um passo para trás, acabando por cair de costas quando uma coluna composta de pedras colossais desce violentamente atrás da porta. Se ele não tivesse recuado teria sido esmagado.
O bronzeado olha estupefato para o objeto enorme formado por blocos de pedras e começa a suar frio enquanto pensava consigo mesmo, exibindo um misto de medo e de estupefação:
"Uma armadilha!"
O Faraó que continuava com as costas apoiadas na parede e ambos os braços flexionados na frente ao seu corpo, ri levemente, para depois, perguntar:
- Qual é o problema agora? Você desiste? Se continuar, você pode se encrencar.
O egípcio olha para ele com determinação após se recuperar da armadilha inesperada ao mesmo tempo em que se tornou ciente da extrema cautela que precisava ter ao abrir uma porta porque podia existir armadilhas mortais o aguardando do outro lado.
Então, antes de desaparecer do local ao usar os seus poderes, Atemu falava enquanto tentava compreender porque o desejo de puni-lo pelo que fez ao seu amado havia sido reduzido no exato momento que ele teve sensação de familiaridade para com o invasor:
- Boa sorte. Vou estar esperando na câmara.
Após se refazer por completo, o bronzeado fica de pé e começa a andar pelos inúmeros degraus, tomando o devido cuidado com as portas para evitar que caísse em alguma armadilha mortal porque apesar de estar em uma câmara da alma, ele poderia morrer. Não teria traços em seu corpo porque só a sua mente seria afetada. Morrer naquele local seria o equivalente a morte do seu corpo físico.
Portanto, todo o cuidado era pouco.
Conforme percorria os inúmeros degraus, usando a sua experiência e conhecimento para tentar descobrir qual era a câmara, ele pensava consigo mesmo conforme passava na frente de várias portas:
"Esta não... Nem esta. Elas não levam à câmara."
Longe do Museu, mais precisamente em um apartamento, Mahaado estava lendo alguns pergaminhos que continham feitiços que foram emprestados por Ishizu, uma vez que que estavam protegidos pelo seu clã.
Então, a voz preocupada da sua filha adotiva e aprendiz ressoa no ambiente enquanto ela olhava na direção do museu apesar de não poder vê-lo de onde estavam:
- O tio Shaadii está demorando muito. Será que ele está bem?
O mago abaixa o pergaminho, olhando para a bronzeada, para depois, falar com um sorriso paternal:
- Ele está bem. O seu tio é poderoso e tem dois objetos poderosos. Provavelmente, o seu atraso se deve pela dificuldade de encontrar os seus alvos. Acredito que teremos notícias em breve dele. Ele disse que iria passar aqui antes de ir para o aeroporto.
- Eu sei que ele é poderoso, mas...
- "Mas"? – ele arqueia o cenho direito enquanto a estimulava a continuar falando.
- Mas há seres poderosos segundo a nossa investigação. Não sabemos as intenções deles. Claro, um deles se revelou para o tio Shaadii e demonstrou não ser uma ameaça iminente para as pessoas, mas, faz alguns anos atrás e a mentalidade pode ter mudado, além do fato de uma pessoa deter influência sobre ela. Ademais, temos esse segundo que nunca vimos e que não sabemos as suas intenções. O próprio tio Shaadii disse que o poder dos Sennnen Aitemu eram ineficazes contra uma das entidades e considerando que a primeira demonstrou ter um grande poder, tudo pode ser possível.
Ele se levanta e caminha até ela que está exibindo um semblante preocupado enquanto olhava pela enorme janela.
A bronzeada fica surpresa ao sentir o afago paternal em sua cabeça e ao virar o rosto para o seu pai adotivo e mestre de magia, avista um sorriso reconfortante, com o mago falando:
- Não se preocupe. Se houvesse acontecido algo com ele, nós saberíamos pela elevação da magia dele ao usar os Sennen Aitemu. Mesmo que uma dessas criaturas o encontrasse, sentiríamos as ondas mágicas intensas. Se não sentimos nada disso é porque o atraso dele se deve a outros motivos. Ademais, ele é bem experiente e detém verdadeiro domínio sobre os poderes e habilidades inerentes ao Sennen Bakari e ao Sennenjou. Acredito que em breve ele estará aqui.
- É verdade? – ela pergunta com esperançosos olhos de esmeralda.
- Sim. – ele fala enquanto consentia e fica satisfeito ao vê-la sorrir.
A jovem decide confiar em seu pai adotivo e consente, com Mahaado falando:
- Você deve terminar a leitura daquele pergaminho. Lembre-se que é apenas um empréstimo. Devemos devolver o quanto antes à Ishizu.
Ela suspira e se afasta da janela, se dirigindo para a mesa, abrindo em seguida o pergaminho para começar a sua leitura.
O mago se afasta da janela, mas, para um pouco e olha para trás enquanto se recordava das investigações que fizeram. Ele estava muito preocupado sobre a existência desses dois seres poderosos. Se eles tivessem a absoluta certeza de um deles estar do lado da humanidade, pelo menos, a preocupação seria reduzida ao ponto de ficarem preocupados apenas com um enquanto tinham um ser poderoso no lado deles.
Porém, em decorrência da impossibilidade de saber os motivos por trás da dragoa que se revelou para Shaadii há anos atrás, a existência dela se tornou uma fonte intensa de preocupação e o que agravava o fato era de que uma pessoa detinha grande influência nela, segundo o que lhe foi revelado. Tanto poder e influência nas mãos de uma só pessoa era um motivo inquietante porque além dos motivos da dragoa, havia a existência desta pessoa desconhecida.
Se esta pessoa fosse boa, eles poderiam ter alguma tranquilidade em relação a este ser poderoso. Se fosse alguém ruim, seria uma situação desesperadora que somente seria agravado se esta pessoa desejasse dominar o mundo. Mahaado e Shaadii eram plenamente cientes de que nada e ninguém poderia evitar a conquista do mundo por esse ser. O poder dela atingia níveis inimagináveis.
Desde que tomou consciência de existência dela e da revelação de uma pessoa com influência suficiente na dragoa, ele não havia deixado de ficar apreensivo e de ter sonhos preocupantes.
Claro, ele evitava demonstrar a sua preocupação e medo perante Mana porque não havia motivo para alarmá-la.
Além disso, era preferível que a preocupação e medo fosse apenas compartilhada entre ele, Shaadii e Ishizu.
- Pai?
Ele sai dos seus pensamentos com a voz preocupada da jovem e ao olhar para ela, avista um semblante preocupado.
Rapidamente, o mago se recompõe e exibe o seu melhor sorriso enquanto falava, ocultando a sua preocupação e medo:
- Eu estava pensando no prato que iria fazer para o jantar.
- Podíamos pedir para entregar aquela comida italiana que comemos no domingo passado. – ela comenta esperançosa.
- Bem, eu não vejo motivos para não pedimos essa comida.
- Oba! – ela exclama visivelmente empolgada.
- Mas, para ter essa comida, você precisa terminar a leitura antes do jantar porque eu quero conversar sobre ele e verificar se assimilou o conhecimento. Eu também irei aplicar um teste.
- Pode deixar! – a bronzeada exclama com empolgação enquanto ficava com água na boca ao se recordar da refeição que teria.
O mago sorri com a empolgação infantil de Mana apesar dela ser uma adolescente e conforme se recordava do que viu nos jovens, acreditava que era bom ela ter essas reações infantis embora exigisse uma maior fiscalização por parte dele porque o mundo não era seguro.
Afinal, apesar de ter magia e saber técnicas mágicas, não mudava o fato de que a inocência era perigosa no mundo real por deixar a pessoa vulnerável ao mal.
Suspirando, ele decide voltar ao pergaminho que estava lendo porque precisava devolver o quanto antes.
De volta a câmara da alma labiríntica de Atemu, Shaadii falava consigo mesmo enquanto andava pelos corredores aparentemente sem fim:
"Não vou desistir. Eu preciso saber. Eu tenho que conhecer o segredo e poderes do Sennen Pazuru!"
Então, ele se aproxima de uma porta e decide abri-la, tomando o devido cuidado de observar o ambiente antes de abri-la por completo enquanto era ciente de que precisava ser extremamente cauteloso porque não acreditava que seria fácil descobrir a verdadeira câmara daquela entidade.
