Notas da autora
Yukiko mostra...
Yuugi fica...
Em Kemet (Egito), Atemu...
Capítulo 4 - Mar e Kemet
Ele consente e ela voa em direção a uma montanha com o menino vendo que havia uma clareira considerável, sendo que avista do alto uma belíssima e exuberante cachoeira que possuía no seu entorno um lindo campo florido.
Ela pousa gentilmente no chão e Yuugi desce da sela, olhando maravilhado para as dezenas de borboletas que voavam naquele campo, além de avistar cervos, coelhos e outros animais, sendo que se aproxima do lago que se formou pela água da cachoeira e cujo conteúdo desaguava em um rio cujo curso se afastava do local.
Ao inclinar a cabeça para ver o espelho d´água, ele avista belos peixes e ao olhar para trás, vê Yukiko assumindo a sua forma humana, para depois se aproximar dele, perguntando:
- O que achou desse lugar?
- É lindo!
- Eu o avistei em um dos meus voos e estava ansiosa para mostrar para você. Você precisa ver esse lugar durante a noite, preferencialmente em uma bela noite de lua cheia. Ele se torna místico, por assim dizer.
- Eu quero vê-lo à noite.
- Quando for lua cheia, eu mostro para você.
Então, eles sentam no jardim florido e Yuugi observa que Yukiko ergue a mão para o céu com os seus dedos brilhando e ao fazer isso, começa a nevar em cima deles com o jovem pegando os lindos cristais de gelo em suas mãos, assim como a neve fofa e fria.
Então, após alguns minutos, cessa a sua magia e ao ver o seu amigo ficar feliz, ela sorri também, sendo que costumava invocar a neve onde ela morava para que eles pudessem fazer bonecos de neve, após mostrar para ele o que era um boneco de neve, além de fazerem guerra de bolas de neve.
Ás vezes, a albina invocava apenas os cristais de gelo que maravilhavam Yuugi pelo intricado formato que possuíam, juntamente com as criaturas de gelo que ela criava e que o encantava.
Eles ficam relaxando no local por algumas horas até que se preparam para sair.
Yukiko assume a sua forma verdadeira, para depois, Yuugi subir na sela com ela alçando voo rumo ao céu.
Então, enquanto estavam no ar, ele olha para o lado direito e avista uma porção gigantesca de água que não parecia ter fim, sendo que pergunta com evidente curiosidade em seu semblante:
- Aquele é um lago estranho, Yukiko.
Ela segue o olhar dele e fala, sendo que todo aquele conhecimento surgia abruptamente na sua mente, enquanto a albina questionava a si mesmo como detinha tantos conhecimentos:
- É o mar.
- "Mar"?
- Uma porção gigantesca de água salgada com fortes correntezas e que se perde no horizonte. Você não conseguirá ver os limites, Yuugi. – ela fala, vendo que ele parecia se esforçar para ver algo, fazendo-a sorrir de canto com a inocência dele.
- Uau! Isso é incrível! – então, ele se recorda do que ela disse – Como assim, "salgada"?
- Bem, é melhor você provar um pouco. Mas aconselho a molhar, apenas, a língua.
Nisso, ela vira o seu corpo e voa em direção ao oceano, baixando o seu voo ao se aproximar do espelho d'água sem tocá-la com o seu corpo, enquanto estendia um dos seus dedos para colher um pouco de água através da curvatura de uma de suas garras.
Após recolher um pouco de água, ela estende para Yuugi que molha o dedo e que após prová-la faz um esgar de desgosto no rosto, sendo que Yukiko ri levemente, falando:
- Isso é salgado.
- Por que a água é salgada?
A dragoa fica surpresa quando a resposta surge na sua mente.
- Esse sal surge das rochas litorâneas. A água do mar desgasta as rochas litorâneas como aquela – nisso, ela aponta para uma das várias rochas que cercavam aquele litoral – Elas se fragmentam com o tempo, se dividindo em pequenas partículas, incluindo os sais minerais presentes nessas rochas, os fazendo serem levados pelo oceano.
Yuugi fica boquiaberto, para depois perguntar o que eram sais minerais e partículas com ela explicando gentilmente, sendo que passa a responder outras perguntas que surgiram da sua explicação até que o seu amigo fica satisfeito, exclamando animado:
- Você sabe tantas coisas! É incrível!
- O pior é que eu não sei como detenho esses conhecimentos. Eles surgem na minha mente... – ela tem uma ideia e sorri ao olhar para ele – Quer ver o fundo do mar?
- O fundo?
- Sim.
- Eu adoraria! Mas não quero experimentar a água salgada, de novo.
- Nem eu quero e para resolver esse problema, eu tenha a magia certa. Vamos lá!
Nisso, ela começa a descida para mergulhar na água com o seu amigo, perguntando:
- Você sabe nadar, Yukiko?
- Não. Mas eu possuo meios para me deslocar na água. Não é a primeira vez que eu faço isso.
Yuugi percebe que ele é envolto na mesma bolha de antes em forma de elipse e que o corpo de sua amiga parecia reluzir, com ele jurando que via cristais de gelo cobrindo a pelagem dela, assim como as suas asas.
Então, a dragoa entra rente a superfície e começa a mergulhar com ele notando que ela usava as suas asas e cauda para se deslocar na água ao mesmo tempo em que o jovem ficava fascinado pelos peixes que avistava enquanto via outros seres com Yukiko respondendo o que era cada um deles.
O menino havia ficado maravilhado ao ver tartarugas, corais, recifes, polvos e tubarões, sendo que este último o deixou estarrecido, pois ele viu as presas afiadas dele e ficou fascinado pelo conhecimento que ela demonstrou sobre aquele animal e os demais.
Yuugi confessava que estava maravilhado com aquele ambiente.
Após alguns minutos, ele percebe que ela aprofunda o mergulho com o menino notando que a sua amiga parecia estar procurando por algo e quando ia perguntar o que ela buscava, a criança nota o sorriso de satisfação que surgiu nas mandíbulas dela, passando a ouvir um som que lembrava um canto e que era projetado pela espécie de esfera que o envolvia.
Então, ele pergunta com visível curiosidade em sua face:
- O que é isso?
- É o canto das baleias. É uma forma de comunicação entre elas.
- "Baleias"? É um peixe?
- Não. É um mamífero como eu e você. – ela havia explicado o que eram mamíferos ao seu amigo há algum tempo atrás ao comentar que não botava ovos como os outros dragões.
Então, ele fica boquiaberto ao ver os belos animais nadando graciosamente, sendo que eram grandes e pareciam bem dóceis com a albina notando a expressão embasbacada do seu amigo, provavelmente pelo tamanho das baleias e sorri consigo mesmo.
- Elas são lindas, né?
- Sim. E o canto é bem suave. Elas são mesmo mamíferos, Yukiko?
- Isso mesmo. Não são peixes. Quer afagar elas? Vou modificar a esfera para que permita o seu toque neles.
Ele exibe um imenso sorriso para ela e estica a sua mão ao perceber que a esfera translúcida brilhou levemente e fica fascinado ao sentir a pele macia e conforme afagava confirmou o fato de serem dóceis.
Então, surgem golfinhos que passam a cerca-los com o jovem ficando fascinado com os sons que faziam e que eles pareciam brincar ao redor deles.
- São golfinhos, Yuugi.
- São peixes, né?
- Não. Mamíferos.
- São mamíferos também? Isso é incrível!
Então, ela comenta:
- Abaixo de nós há a Zona abissal.
- "Zona abissal"?
Ela explica o que era o termo, para depois, falar:
- É como se fosse outro mundo, por assim dizer. Há muitos seres de formas bizarras. Se desejar conhecê-lo, eu posso levá-lo. Eu estou usando magia e posso intensifica-la para lidar com a pressão extrema naquele nível, além de usar a visão compartilhada com você para que possa ver os seres que habitam aquele lugar porque é um local muito escuro para a visão dos humanos Quer conhecer a Zona abissal?
Ele fica pensativo e depois consente, fazendo-a sorrir enquanto ela submergia gradativamente até a parte mais escura do oceano e após alguns minutos, eles chegam às profundezas do oceano com Yukiko usando magia para compartilhar a sua visão com o seu amigo para que ele pudesse enxergar naquela escuridão como se fosse dia, sendo que Yuugi fica estarrecido com os seres que avistava, pois eles pareciam terem saído de um pesadelo, fazendo-o se encolher, para depois, perguntar com evidente preocupação em seu semblante e voz:
- Eles podem subir a superfície?
- Não. Os corpos deles só conseguem lidar com a pressão intensa dessa faixa do oceano. Se eles tentarem emergir irão morrer. Portanto, somente sobrevivem nesse local.
- E quanto a você? A pressão não a está machucando?
- Eu estou usando magia para podermos lidar com a pressão esmagadora que deseja atuar contra nós.
Yuugi confessava que sentia muito medo dos seres até que se recorda das palavras de Yukiko, sendo ciente que ela sempre o protegeria e que nunca iria expô-lo a uma situação perigosa.
Portanto, se a sua amiga o levou até aquele local era porque podia mantê-lo seguro e com esse pensamento, ele relaxa, passando a confiar incondicionalmente nela.
Então, após algum tempo, eles encerram o mergulho e ascendem para a superfície saindo do mar, sendo que Yuugi nota que ela estava seca quando a espécie de bolha translúcida em torno dele sumiu e como se lesse o pensamento dele, ela fala, sorrindo:
- Eu não queria ficar com os meus pelos e asas encharcadas. Portanto, eu usei magia para proteger o meu corpo da água e depois, usei outra para lidar com a pressão intensa, reforçando-a sempre que mergulhávamos.
Ele fica surpreso, para depois, sorrir.
Yukiko decide sobrevoar o oceano com o seu amigo sorrindo ao ver os golfinhos saltando na superfície, sendo que vê algumas baleias subindo a superfície, para depois, girarem o corpo, notando que elas pareciam esguichar de uma espécie de orifício.
Ao ver aquilo, ele pergunta o que era aquele esguicho com a dragoa respondendo gentilmente, enquanto tentava compreender de onde vinha os seus conhecimentos.
Então, ela toma o caminho de volta à floresta adjacente a vila do Yuugi, com ele notando que estavam bem longe, pois eles demoraram um tempo considerável para voltarem à floresta sagrada quando o jovem olha para o sol, percebendo que o voo durou várias horas.
A dragoa pousa suavemente e ele desce, para depois, ela fazer desaparecer a sela mágica, retornando em seguida para a forma humana.
Então, eles combinarem outros voos com o menino percebendo que ela ficou genuinamente feliz por tê-lo como companhia em seu voo.
Yuugi decidiu pescar, com Yukiko pescando junto dele, antes que o garoto voltasse para a vila para auxiliar o seu pai em seus serviços de sacerdócio e enquanto pescavam a albina decide contar sobre o seu sonho com o menino ouvindo atentamente o relato, falando em seguida:
- Eu também acredito que foram lembranças do seu passado. Você não se lembra de mais nada? Não surgiu um nome ou algo assim em seu sonho?
A albina suspira, para depois, falar cabisbaixa:
- Não.
- Um dia, você vai se lembrar! Acredite amiga! – ele exclama com animação, desejando passar confiança para ela que sorri, consentindo.
- Eu vou acreditar nisso, Yuugi.
- Saiba que eu vou ajuda-la no que puder! É uma promessa! – ele exclama, demonstrando determinação em seus olhos, fazendo-a ficar surpresa, para depois ela sorrir, consentindo com a cabeça, enquanto ficava emocionada.
Eles conversam outros assuntos e daquele dia em diante, eles sempre repetiam o voo, assim como visitavam o local com a exuberante cachoeira com ela o mostrando a noite, fazendo o seu amigo ficar maravilhado pelo reflexo da lua na água cristalina e os inúmeros vagalumes que voavam em torno deles com alguns pousando nas mãos dele que se divertia ao vê-los.
Enquanto isso, no Kemet (Egito), localizado há centenas de quilômetros de onde eles estavam, mais precisamente no palácio real desse império, havia um jovem, três anos mais velho do que Yuugi e cujo cabelo lembrava o dele com pontas vermelhas em vez de roxas com o adicional de alguns fios dourados que ascendiam nos fios negros, além dele possuir orbes rubros e uma pele marrom dourada.
Esse garoto portava uma coroa estilizada de ouro maciço com relevos bem elaborados contendo algumas joias preciosas cravejadas em sua superfície, além de ter colares e pulseiras feitas de ouro puro que jaziam em seu pescoço, pernas e punho, enquanto possuía vestes que cobriam o seu torso até abaixo do joelho, deixando os seus braços de fora, sendo que também usava brincos de ouro puro em suas orelhas com o símbolo de Ankh.
Ele estava na ampla varanda do seu espaçoso e luxuoso quarto com os seus braços apoiados nos balaústres que a cercavam, olhando para além do horizonte, enquanto se recordava do sonho que teve, no caso, de um menino que tinha cabelos espetados como ele, mas era menor, sendo possível ver apenas o vulto e quando tentava se aproximar dele, o mesmo se afastava.
O nome desse garoto era Atemu e não era um simples nobre. Era um príncipe que herdaria o trono do vasto e imponente Império de Kemet, uma vez que o seu pai era o Faraó, com o povo vendo o seu genitor como um Deus na terra por ser filho do Deus do Sol, Re (Rá), possuindo assim autoridade e julgamento divino.
O jovem príncipe se recordava do sonho que tinha desde que era menor e quando tocou o Sennensui (Sennen Pazuru) do seu genitor por curiosidade com a permissão dele e após ter o sonho com esse vulto, os seus sonhos envolvendo essa criança misteriosa ficaram um pouco mais nítidos, com ele percebendo que era um menino e que os seus cabelos eram espetados, além dos olhos ametistas serem expressivos. Aqueles olhos eram como duas pedras preciosas para Atemu.
Afinal, a ametista era uma pedra preciosa muito apreciada no Kemet e associada aos Faraós e ao ver o menino com olhos tão preciosos, animou demasiadamente o jovem príncipe.
Ademais, ele conseguiu ver que a pele daquela criança era pálida, lembrando a cor do marfim, sendo distinto da pele do seu povo e dele, fazendo-o imaginar que devia ser alguém de terras longínquas e por isso, tinha aquele tom de pele exótico para os padrões egípcios, assim como era com os seus amigos de infância, Jounouchi, Honda e Ryo, cujos nomes e aparência eram ocasionados pelas mães deles que eram asiáticas, enquanto que os pais dele eram nobres egípcios e amigos de infância do Faraó que ao visitarem um reino na Ásia, as conheceram e se apaixonaram perdidamente por elas, que por sua vez, passaram a viver no Kemet.
Como eles puxaram a cor da pele exótica de suas genitoras, seus genitores desejaram dar nomes da terra natal de suas amadas, com elas escolhendo os nomes.
No caso dos pais de Jounouchi, eles tiveram uma filha mais nova que o loiro e que herdou a cor dos cabelos da falecida avó materna. Como a pele dela era tão clara quanto o do seu irmão e genitora, o genitor havia decidido que ela teria um nome diferente, assim como o irmão.
Portanto, o nome escolhido foi Shizuka, pois era o mesmo nome da avó materna, sendo que o pai dela desejava mantê-la intocada para sempre e para cumprir com esse objetivo, ele receberia a ajuda do filho mais velho com ambos decidindo espantar qualquer homem que ousasse se aproximar dela quando ela ficasse mais velha.
O príncipe nunca contou ao seu pai sobre o seu sonho recorrente e se limitou a contar os seus sonhos para os seus amigos mais próximos e dentre eles estava Mahaado, um jovem aprendiz de mago que se destacava no império como sendo muito habilidoso e igualmente poderoso.
Inclusive, ele estava perto de superar o mago que ensinava magia, sendo o mesmo mago que ensinava magia à Atemu e para uma criança pequena chamada Mana que foi salva da escravidão por Mahaado quando ele a comprou de um mercador, a libertando em seguida, com ela passando a frequentar as aulas junto deles.
O príncipe contou do seu sonho para Mahaado em busca de auxílio para compreendê-lo, após ele se prontificar a guardar segredo, sendo que foi o mesmo para Jounouchi, Honda e Ryo. Ele não contou para Shizuka, pois Atemu não tinha muito contato com ela.
Afinal, apesar de ser amiga dele não se encontrava na lista dos seus amigos mais próximos, além do fato dela ser muita nova.
Em relação a Mana, ela era mais nova que Shizuka e por isso, não podia ajuda-lo, mesmo estando na lista dos seus amigos mais próximos.
O motivo dele não querer que o seu genitor soubesse do seu sonho recorrente era porque o seu amado pai possuía muitas obrigações e preocupações, não precisando de uma adicional, bastando, a seu ver, os eventuais problemas do vasto e proeminente império que era o Kemet.
Então, enquanto Atemu estava pensativo, tentando se recordar de mais algum detalhe, uma voz o tira do seu estado reflexivo, percebendo que era de sua serva pessoal que se prostrou, encostando a sua fronte ao chão, enquanto falava:
- Iry-pat (príncipe herdeiro), o Per'a'ah (Faraó) o aguarda na entrada do palácio.
Ele suspira e depois, fala:
- Avise-o que irei até o seu encontro.
- Com a vossa licença, Iry-pat. – ela fala com uma voz humilde.
Atemu ia responder algo até que se lembra de uma das lições do seu pai e faz, meramente, um gesto com a sua mão direita, a dispensando, sendo ciente de que precisava treinar urgentemente a sua conduta e voz em público, pois uma autoridade e mão divina eram necessárias para manter o controle e a organização do vasto e poderoso império que era o Kemet.
Portanto, ele precisava aprender a empunhar a máscara de um Faraó e Deus em público, assim como o seu pai fazia.
Então, após ver o gesto, ela se afasta ainda de costas para a porta, somente se virando ao sair da sala, fechando as portas duplas atrás de si, enquanto o menino suspirava, pois o seu pai estava demasiadamente triste aquele dia e isso o estava deixando preocupando.
